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quarta-feira, 29 de junho de 2011

PHEDRA D.CORDOBA: "EU LEVANTO MINHA PRÓPRIA BANDEIRA, SEMPRE LUTEI SÓZINHA"

O cenário predominado pela atmosfera cinza da Praça Roosevelt, no centro da capital paulista, ganha as cores e a elegância de uma verdadeira Diva de cinema com a chegada de Phedra D. Córdoba.

Ornamentada com pérolas enormes e um legítimo casaco de vison, a atriz transex cubana, que carrega o título de ‘primeiríssima dama do Espaço dos Satyros’ - grupo de teatro de SP -, dilui seu glamour na simplicidade de arrastar uma cadeira e sentar-se na calçada para contar suas histórias de vida.

Lígia Hipólito/Bol
A Diva do Espaço dos Satyros, Phedra D.Cordoba

Cada relato dos seus 72 anos de experiência enumera os altos e baixos da trajetória de um garoto que saiu de Cuba antes da maioridade para alçar voo na carreira de artista performático.

Depois de viajar para os Estados Unidos e alguns países da América Latina com uma companhia de teatro espanhola, Phedra, que ainda respondia como Felipe D. Córdoba, chegou ao Brasil por intermédio de um agregado da embaixada do país.

A convite do produtor Walter Pinto, Phedra estreou nos palcos cariocas com o movimento Teatro de Revista.

Arquivo Pessoal
Pedra D.Cordoba jovem, no Rio, numa das revistas de Walter Pinto

A partir daí, os shows em cabarés e as participações na TV Tupi serviram de inspiração para o nascimento de Phedra D. Cordoba; era o momento de ‘sair do armário’.
"A Phedra nasceu assim como uma deusa mitológica, mas na vida real", conta a atriz.

Já encarnada na figura de transex, Phedra conheceu ‘Os Satyros’, grupo de teatro que fincava suas raízes em São Paulo sob a gestão de Rodolfo García Vázquez e Ivam Cabral.

A parceria rendeu a ela um papel na peça ‘A Filosofia na Alcova’, do marquês de Sade - com interpretação aclamada pela crítica e público, a atriz atinge o status de Diva.

Em tempos de Parada Gay em São Paulo, Phedra opina sobre o evento, que acontece na cidade desde 1996:
“Já participei da Parada Gay algumas vezes, fui convidada e desfilava nos carros alegóricos. Mas hoje prefiro assistir do que participar. Considero algumas ações muito escandalosas. Eu penso que tudo deve ser feito com muita dignidade e acredito na defesa dos direitos da diversidade sexual e na luta contra homofobia. No entanto, acho que é possível lutar além do coletivo. Eu defendi meu transexualismo sozinha, tive que erguer a minha própria bandeira para ser respeitada como sou e ter minha carreira consolidada”.

Lígia Hipólito/BOL
Rodolfo Garcia Vásquez, fundador do Espaço dos Satyros

"A Phedra é muito intuitiva para expor seu talento no palco. Fora isso, pela figura que ela representa, ela já se tornou um ícone local, uma verdadeira lenda urbana"
Rodolfo Garcia Vásquez, fundador do Espaço dos Satyros, em São Paulo

Depois de mais de 50 anos longe de seu país, você foi convidada para voltar a Cuba para apresentar um espetáculo, como surgiu esse convite?
Isso ocorreu no ano de 2006 quando a presidente da cultura cubana, Bárbara Ribeiro Sanchez, veio ao Brasil para promover um festival de teatro cubano. Nessa ocasião, ela conheceu o meu trabalho, ficou maravilhada e me convidou para participar de um festival cubano.
A propósito, fomos com ‘Os Satyros’ para fazer a peça Liz I (rainha da Inglaterra), de Reinaldo Monteiro, um dramaturgo cubano. O espetáculo era uma narrativa no palco e eu era a contadora da história. Teve muito sucesso em Cuba. Fomos, inclusive, premiados com o título de melhor espetáculo do festival. Ficamos um mês em cartaz. No retorno ao Brasil, apresentamos a peça no circuito Sesc e no Centro Cultural São Paulo.

Por ser transexual, você teve receio de retornar a Cuba por conta do regime de ditadura?
Eu não sabia o que ia acontecer comigo porque me diziam tanta coisa do tipo: ‘um transexual não pode andar pelas ruas cubanas vestido de mulher’. Enfim, me colocaram muito medo, mas, ao chegar lá, fui tratada como diva. O fato é que a Mirela Castro, filha do atual presidente cubano, Raul Castro, é a defensora dos gays e travestis. E o Raul foi estimulado a aceitar essa diversidade por conta da filha, que faz parte da Comissão de Direitos Humanos de Cuba.

A diversidade sexual parece mesmo não ser mais um tabu em Cuba. Não por acaso, no ano de 2008, o presidente Raul Castro criou uma lei que permite a cirurgia de mudança de sexo para os transexuais. O que você acha disso?
Bem, me parece um passo para o progresso já que Cuba é completamente retrógrada, um país que foi comunista durante anos. Durante muito tempo, a pátria condenava os gays. Muitos escritores e artistas foram viver nos Estados Unidos e na Europa por não poderem assumir a sexualidade deles lá. É o caso de Reinaldo Arenas, um dos maiores poetas cubanos, que fugiu para os Estados Unidos por conta da repressão que sofreu por lá. E quem conhece a realidade de outros países liberais não se interessa em voltar para Cuba. Eu não voltaria a viver lá. Aqui não sou rica, mas eu vivo bem e tenho liberdade de ser o que sou.

Você não fez a cirurgia de mudança de sexo. Por que essa decisão?
Houve uma época em que eu quase mudei de sexo, mas a operação era muito radical. O resultado não parecia um órgão sexual feminino, era algo mais parecido com um buraco. Hoje em dia, a cirurgia dá um resultado bem melhor. Mas, a essa altura do campeonato, pra que eu faria a operação? Já tenho 72 anos, tive muitos homens em minha vida e eles gostavam de mim como sou, me achavam tão mulher como qualquer outra. Eu sou feminina naturalmente, penso como mulher, não penso como ‘bicha’.

Você concorda com as matrizes do regime comunista?
O Fidel deu vários maus passos ao meu ver. Que comunista burro! Uma coisa é negar acordos financeiros com o Obama, os Estados Unidos. Até aí tudo bem, pelo histórico de exploração que os americanos têm com os cubanos. Mas negar a China comunista é uma grande burrice! Imagina o crescimento que teria Havana com o apoio chinês. Cuba voltaria a ser o que foi há muitos anos, com seus cassinos ... Quando eu vivi lá nos anos 50, poderiam dizer que o (Fulgêncio) Batista era um ditador, mas tinha possibilidade de ascensão social. Um exemplo claro é a família Bacardi, que produz o rum mais famoso do mundo. Mas eles saíram de Cuba depois da revolução.

Como foi sua infância e juventude em Cuba?
Maravilhosa, não tive grandes problemas. Nunca tive visão política, já que meu pai simpatizava com (Josef) Stalin. No entanto, a minha grande paixão era o palco, com 13 anos já estava fazendo teatro amador. E sempre fui muito ambiciosa, não me conformava em ser uma artista de segunda, tenho que ser bajulada e sou! Naquela época, eu já entendia minha sexualidade, mas não poderia assumir, eu vivia em Cuba. Mesmo assim, nunca aceitei que me chamassem de travesti; para mim, era algo como menosprezo. Mas o termo transexual é algo que soa como canção, tem sílabas melódicas. Em 1953, consegui entrar em uma companhia de teatro espanhola. Eu tinha 16 anos e viajei por vários países com eles.

Como chegou ao Brasil?
Por conta do trabalho que iniciei, em 1953, com a companhia espanhola Cabalgata, estive no México, Venezuela, Estados Unidos, Porto Rico. Ao final da turnê, voltei para Havana. Lá, discuti com minha mãe, e resolvi que não ia morar com minha família. Fui viver na casa da Lupe, uma dançarina que era minha parceira de espetáculo. Nós duas formamos um grupo com uma peruana e uma espanhola. Fomos para o Panamá e nos apresentamos por uma temporada em um cabaré de luxo. Quando terminou o contrato, conseguimos um empresário espanhol que nos levou para Nicarágua, Costa Rica, Guatemala, Bolívia, Colômbia, Peru e Chile. No fim, rompemos com o empresário porque ele nos explorava muito. Eu e a Lupe resolvemos fazer uma dupla: ‘Sevilla e Cordoba’. Fomos para a Argentina com outro empresário. Fizemos muito sucesso por lá. Até que conheci um agregado da embaixada brasileira que trabalhava em Buenos Aires. Ele se apaixonou por mim e foi recíproco, meu primeiro amor. Mas aquilo não duraria muito, porque ele era noivo de uma mulher no Brasil. Esse homem me apresentou para um produtor de teatro Brasileiro, Walter Pinto. Depois de ver meu show, ele me fez um convite para trabalhar com ele. Em pouco tempo, eu estava a no Rio de Janeiro apresentando um espetáculo só meu no teatro Recreio.

Quando assumiu sua condição de transexual?
Em Cuba não foi possível pela questão da repressão. Meus pais já percebiam que eu era diferente. Por um lado, meu pai era liberal e dizia: ‘Seja o que fores, nunca percas a dignidade’. Isso me explicava com poucas palavras que ele me entendia. Já minha mãe era diferente, ela chegou a me perseguir quando soube que eu me apresentaria pela primeira vez com transformista com um grupo de bailarinos em Cuba. Mas não sucumbi minhas vontades por isso. E, quando já estava no Brasil, encarnei uma mulher e dei vida a ela. Eu que era até então Felipe dei vida a uma mulher que se chama Phedra. A Phedra nasceu assim como uma deusa mitológica, mas na vida real. A partir daí resolvi tomar hormônios e aos poucos fui me transformando.

Lígia Hipólito/BOL
Phedra concede entrevista no bar do Espaço dos Satyros, na Pça. Roosevelt, centro de SP

Teve muitos amores?
Como eu viajava muito, eu era como um marinheiro, um amor a cada porto. Tive um namorado 20 anos atrás, mas ele era casado e nos encontrávamos às escondidas. Curtia o momento com todos aqueles que passaram por mim. Sempre que iniciava um relacionamento estava prevenida de que teria um tempo determinado. Portanto, sempre deixava prevalecer a amizade para seguir sem mágoas.

Como se consagrou na carreira de atriz?
Vim para São Paulo e, além de me apresentar na noite, fiz trabalhos com a rede Tupi, no programa do Bolinha. Até que surgiu a parceria com os Satyros. Na época, os fundadores Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vasquez estavam estruturando a companhia. Depois de conhecer meu trabalho, eles me fizeram um convite. Em pouco tempo, eu começava a apresentar o espetáculo “A Filosofia na Alcova”, do marquês de Sade. Essa peça me rendeu várias críticas positivas e me deu o nome que tenho no teatro hoje. Por conta disso, fui intitulada a diva dos Satyros. Em 2009, quando a companhia completou 20 anos, comecei a apresentar espetáculo musical “Stranger – Estranho?”, que ficou em cartaz por três meses.

Lígia Hipólito/BOL
Além de Diva dos Sátyros, Phedra é Diva da Praça Roosevelt

Quais são seus projetos atuais com os 'Satyros?'
Estou em cartaz com a peça ‘Cosmogonia’, um espetáculo muito bom, adaptado de um texto grego. Fora isso, estamos ensaiando um novo espetáculo: ‘Extravaganza Cabaret’, que deve entrar em cartaz no mês de outubro. Devo voltar a Cuba em novembro para apresentar este último e também o ‘Extranger’, um show com músicas, vídeos e performances de dança, criado em 2009 em virtude do aniversário de 20 anos dos ‘Satyros’.

Lígia Hipólito/BOL
A Diva, durante os ensaios de "Extravaganza Cabaret"

Recentemente, o cineasta brasileiro Evandro Morcassel se inspirou em você para fazer o documentário ‘Cubra Libre’. Você tem outros trabalhos no cinema?
Sim, o Evaldo fez esse documentário comigo porque sou um personagem emblemático na Praça Roosevelt. O documentário conta a minha história e será lançado em breve. Fora isso, o Itaú Cultural e o Sesc também já fizeram documentários comigo. Mas fiz outros filmes do gênero longa-metragem, um que gostei muito foi o ‘O Estripador de Mulheres’ (1978), do cineasta Milton Merlucci.

Além de seus projetos no palco, a sua vida nas redes sociais é bem ativa como notamos no seu blog 'Diva Automática'. Como você vê essas novas tecnologias?
Passo o dia todo ‘tuitando’, pois através da internet as pessoas podem conhecer o meu trabalho. É pelo Twitter também que procuro patrocinadores para meus espetáculos. Fora isso, me comunico com meus sobrinhos que vivem nos Estados Unidos pelo MSN. E no meu blog, ‘Diva Automática’, falo sobre teatro e as visões que tenho do mundo.

E para fechar essa postagem especialíssima, veja o vídeo abaixo, um trecho do programa "Vitrine", da TV Cultura, onde Phedra D. Córdoba fala, entre outras coisas, sobre o filme 'Cubra Libre'.

Confira:


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Matéria da jornalista Lúcia Hipólito, para o BOL

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

11ª EDIÇÃO DAS SATYRIANAS COMEÇA HOJE

A 11ª edição das Satyrianas, maratona de peças, performances e shows que agita a praça Roosevelt, no centro de São Paulo, começa hoje, em novo endereço.

A festa migra para o parque Augusta - esquina da Augusta com a Caio Prado - por um motivo pra lá de válido: depois de anos de promessas, começou a revitalização urbanística da Praça Roosevelt, endereço que o teatro transformou, desde 2000, em polo de cultura da cidade.

Depois de reunir a boemia dos anos 60 e 70 em torno de bares, restaurantes e um cinema de arte, a praça amargou um limbo de duas décadas, virou ponto de prostituição e tráfico, e a violência veio a reboque.

Em 1995, Bosco Brasil instalou ali o seu Teatro de Câmara, iniciando a reocupação.

Pouco depois, a casa mudou de dono e se fez Studio 184.
Também abriu as portas o Teatro do Ator.

O que acontece com a chegada da companhia Os Satyros, em 2000, é uma "enturmação com o povo da praça", nas palavras da professora e crítica de teatro Maria Lúcia Candeias.
"Quem está do outro lado da praça é convidado a entrar. A vida e os personagens do entorno vão à cena", acrescenta a jornalista e dramaturga Marici Salomão.

O público começou então a rever a Roosevelt como destino cultural.
O assentamento artístico, porém, não foi seguido por um mutirão urbanístico.
A marquise de concreto da década de 60 continuava a dificultar a circulação livre e segura pela praça -há registros de roubos e assaltos, e o dramaturgo Mário Bortolotto foi baleado na porta de um teatro em 2009.

"Não é o fato de os teatros organizados criarem um movimento de ocupação das calçadas que vai acabar com a violência. Quem vai ali à noite sabe onde está se metendo", afirma Celso Curi, produtor, crítico e editor do guia "OFF".
"Mas sem o teatro, seria muito pior."

O crítico e pesquisador teatral Sebastião Milaré concorda.
"O miolo da praça continua sendo um desastre. O poder público usou o movimento teatral para encostar o corpo."

Para Marici, "o teatro na praça propõe soluções e saídas, mas não se está dizendo que a praça está salva".

Já Ivam Cabral, cofundador d'Os Satyros, diz que "gosta de pensar que o teatro é mais poderoso" do que o poder público.
"Não recuperamos uma ideia territorial. Quando falamos de teatro na praça, é de uma calçada. Ninguém atravessou a praça."

Nos seis teatros da Roosevelt, a oferta é ampla: há 24 peças em cartaz, de segunda a domingo.
"Isso reflete as condições nas quais se faz teatro hoje em São Paulo. Faltam espaços. É uma generosidade dos grupos proprietários, mas também é uma forma de financiar a manutenção de seus espaços. O exemplo deveria servir para teatros da prefeitura", avalia Milaré.

"Sou a favor da quantidade para se chegar à qualidade", afirma Marici, que define a cena da Roosevelt como "praça portuária, em que grupos jovens daqui e de fora podem ancorar". Não se deve menosprezar a capacidade do público de escolher."

Também não se deve esperar uma estrutura de "teatrão", na visão de Maria Lúcia.
"Não é lugar para cenários de [Charles] Möeller e [Claudio] Botelho [que fazem os grandes musicais no país].
O estilo da praça é minimalista, as produções não podem ser caras. A bilheteria não paga os custos de produção."

O que não significa empobrecimento do resultado, conclui Curi.
"Se o olhar [do criador] for para interpretação e texto, ele se safa."
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Aos 20, Satyros amargam "perrengue" financeiro

Em 3 de dezembro de 2000, depois de uma peregrinação que teve paradas em Lisboa, Curitiba, Berlim e num endereço da Major Diogo paulistana, Os Satyros sentaram acampamento na praça Roosevelt, então um ponto de prostituição e tráfico de drogas.

Havia dois teatros funcionando, mas o medo da violência afastava as plateias. O espaço escolhido para abrigar a sede da companhia tinha sido, tempos atrás, a extensão de uma churrascaria e a marcenaria de um flat.
O público foi voltando aos poucos e estimulando outros grupos a se instalar ali. Em 2006, vieram os Parlapatões. No ano passado, a Cia. da Revista abriu seu Miniteatro.

"Desculpa ser arrogante, mas o que existe hoje em São Paulo em termos de produção teatral em SP não estaria aí sem Os Satyros", diz Ivam Cabral, ator e dramaturgo da companhia, referindo-se à abertura do espaço, a preços às vezes simbólicos, para companhias jovens, com poucos recursos e muita sede de experimentação.

"Não havia naquela época peças às segundas-feiras, muitos grupos não tinham sede. Há um modelo estético de produção trabalhado a partir da experiência da praça, com ingressos a preços baixos, com desconto para moradores da praça, e atores trabalhando em esquema de cooperativa", acrescenta ele.

Segundo Ivam, esse pioneirismo alimenta amores e ódios no circuito teatral. Daí as críticas à participação d'Os Satyros na criação da SP Escola de Teatro, projeto do governo do Estado. Houve quem atribuísse a decolagem da instituição à relação próxima entre José Serra e a dupla que fundou a cia: Ivam e Rodolfo García Vázquez.

"Sou diretor executivo da escola por acaso. Precisavam de alguém que entendesse de burocracia. A história da escola é uma conquista da classe artística", diz Ivam. "A gente [Os Satyros] está desolado porque só se fodia. A nossa relação com o dinheiro é aterradora. Não temos fomento [verba distribuída pela prefeitura] há quatro anos. Nossas instalações estão precárias e nosso processo de pesquisa, atrasado."

*****

Teatro é feito na raça com criatividade e experimentação

Não importa etnia, filiação religiosa ou preferência sexual. Na praça Roosevelt de hoje, ainda há espaço para todos. Exíguo, porém. Muitas vezes, precário. Certamente, a maior concentração de diversidade por metro quadrado no cenário paulista.

Esse polo de experimentação é prova de que teatro ainda se faz na raça. Para isso, porém, é necessário fazer concessões, controlar a ambição cênica ou gozar de soluções altamente criativas.

Estandarte da pluralidade, Os Satyros continuam ousando abordar temas polêmicos ao incorporar produções independentes como o "Assurbanipal Magic Club", com direção de Maurício Paroni de Castro.

Nessa abordagem de clubes de swing, ninfomaníacos com crises existenciais funcionam como se estivessem em peça de Pirandello. Ainda citam filósofos, tingindo o tema do sexo com pinceladas mais cerebrais.

Sexualidade, aliás, é tema recorrente na casa, cuja programação continua focada em peças dirigidas pelo talentoso Rodolfo García Vázquez. Sua "Trilogia Libertina", sobre a obra do Marquês de Sade, segue como fenômeno catalisador de público.

Ainda em cartaz estão a primeira e última partes deste ciclo: "Filosofia na Alcova" e "Justine". Ambas empreitadas mais indulgentes que seus trabalhos recentes, os sólidos "Hipóteses para o Amor e a Verdade" e "Roberto Zucco", adaptação de Bernard-Marie Koltes.

PARLAPATÕES
Com curadoria atenta, os Parlapatões se fixam ao centro não apenas geográfico da praça. Além das peças de Hugo Possolo, acolhe reestreias consistentes como "Êxtase" de Mike Leigh, com direção de Mauro Baptista Vedia, e "Réquiem", do israelense Hanoch Levin, sob comando de Francisco Medeiros.

A vitrine de uma dramaturgia inovadora é garantida com "Noturnos", do celebrado autor norueguês Jon Fosse, dirigido por Mário Bortolloto, que também está à frente do monólogo "Como Ser uma Pessoa Pior", com a vigorosa Lulu Pavarin.
Entre os menores Studio 184, Teatro do Ator e Miniteatro, destaque para o último, liderado por Marília Toledo e Kleber Montanheiro, cujo "Kabarett", inspirado em "Ópera dos Três Vinténs" traz frescor ao dialogar o com gênero do início do século 20.

Comum a quase todos é a falta de recursos financeiros que, eventualmente, compromete o rigor artístico. Se tolerância é a viga mestra que sustenta a diversidade de montagens na praça, tal atitude deve também reger olhos de quem as vê.


*****

A partir de hoje, a Cia. de Teatro Os Satyros realiza a 11ª edição dasSatyrianas -Uma Saudação à Primavera, evento que ocupa a região do Baixo Augusta e a sede do grupo, na praça Roosevelt, por 78 horas, com espetáculos de teatro, música, dança e exibição de filmes, além de exposições, debates e intervenções.

A abertura será na rua Augusta,, esquina com a rua Caio Prado, às 18h, com a performance da bateria da escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi.

Entre os destaques do primeiro dia, estão as montagens "Roberto Zucco", às 20h, e "Antidepressivos", às 22h30 _ambas no Espaço dos Satyros 1.


No teatro dos Parlapatões, confiria o Festival de Peças de Um Minuto.

Até seu encerramento, dia 28, o encontro terá boas surpresas, como a intervenção urbana do Teatro da Vertigem - que deve ocorrer em vários locais da cidade; o festival
Dramamix, com 50 textos inéditos - (na rua Augusta, no mesmo local da abertura-; e o projeto Ouvi Contar, que monta peças em apartamentos da Roosevelt - nos quatro dias.

O Grupo de Teatro dos Satyros é uma das companhias mais efervescentes da cena teatral paulistana, e as Satyrianas são muito boas, tanto para o seu público fiel, quanto para aqueles que querem conhecer o trabalho magnífico feito por eles.

A programação completa do primeiro dia:

QUINTA, dia 25

18h - ABERTURA - Rua Augusta
Bateria da Escola de Samba Acadêmicos do Tucuruvi com Mestre Adamastor (música)
Grupo Ilú Oba de Min (música)
19h - "DCC- Dramaturgia Concisa Contemporânea" - Círculo de Debates - Núcleo
Bartolomeu de Depoimentos.
20h - "Roberto Zucco" (Dir. Rodolfo García Vázquez) - Teatro -Espaço dos Satyros I
20h às 22h - "Praça Roosevelt em 78 segundos" (Rafael Mendes) - Performance - Bar

Espaço dos Satyros II

20h às 23h - "Drive Thru" (Intervenção) - Em frente ao Miniteatro
20h - "Amares...Ia" ( Dir. Joana Pegorari) - Teatro - Espaço dos Satyros II
21h - "Pílades - Cenas de um Filme Nacional" (Dir. José Fernando Azevedo)- Teatro -
Espaço Maquinaria.
21h - "Adoniran - Ballet Stagium" (Dir. Marika Gidali) - Dança - Teatro de Dança
(ingresso R$ 2,00)
21h - "Rua do Medo" (Dir. Marcelo Lazzaratto) - Teatro - Centro Cultural São Paulo
21h - "Festival de Peças de Um Minuto" ( Coordenação Cristiani Zonzini) - Teatro -
Espaço dos Parlapatões
21h - "Mostra de Cinema com Debates" - Matilha Cultural
21h30 - "O Natal mais Feliz da Minha Vida" (Dir. Antonio Rocco) - Teatro - Teatro N.Ex.T.
21h30 - "Análise Comportamental da Música Eduardo e Mônica" (Dir. Fernanda
DŽUmbra) - Teatro - Miniteatro.
22h - "O Tempo não para Minha Flor" (Dir. Tiago Moraes) - Teatro -Espaço dos Satyros II
22h - "Pocket show Tatá Aeroplano e convidados" - Música - Restaurante Rose Velt
22h30 - "Antidepressivos" (Dir. Sérgio Carrera) - Teatro - Espaço dos Satyros I
23h às 0h - "Foto (Memorial) Grafia" (Rafael Mendes) - Performance / instalação de rua em frente ao Espaço dos Parlapatões
23h59h - "BOI"(Dir. Hugo Rodas) - Teatro - Espaço dos Satyros I


Confira a programação completa e endereços em www.satyros.uol.com.br/satyrianas/

Fontes: teatro dos Satyros e Folha de S.Paulo

sábado, 13 de novembro de 2010

IMPRENSA OFICIAL LANÇA LIVRO SOBRE O TEATRO DOS SATYROS

Já falei aqui sobre essa espetacular coleção da Imprensa Oficial de SP, coordenada por Rubens Ewald Filho.

Na próxima terça, mais um lançamento genial: será lançada oficialmente "Os Satyros", mais um livro da série "Aplauso" que retrata a Companhia de Teatro Os Satyros, uma das mais expressivas da cena teatral paulistana.

A apresentação é de Aimar Labaki, e o texto é do ator Germano Pereira.


O lançamento será na Livraria HQMIX - Praça Roosevelt, 142 - a partir das 19h.

Lançamento imperdível!

sábado, 26 de junho de 2010

OS SATYROS ESTÃO DE LUTO, ALBERTO GUZIK FALECEU

Lendo as mensagens do Twitter agora, e o Marcelo Tas me diz que o Alberto Guzik morreu.

Crítico de teatro dos bons, em certo momento de vida resolveu mudar de lado, dar a cara pra bater.

Virou dramaturgo e um ótimo ator, adotado pelo Teatro dos Satyros.

Os momentos felizes que passei contigo, os livros trocados, as noitadas de troca intensa de cultura, informação e amizade, ficarão pra sempre.

Meu amigo, só posso te dizer - e te desejar - sorte nessa sua nova jornada, astral, leve e bela.

*****

Abaixo, reproduzo a página dos Satyros de hoje, toda dedicada a Alberto Guzik:

OS SATYROS ESTÃO DE LUTO, ALBERTO GUZIK FALECEU
Alberto Guzik, 66, jornalista, ator, diretor, escritor, integrante da Cia. e amigo, acaba de nos deixar. Alberto se afastou dos palcos no dia 02 de fevereiro para iniciar uma batalha contra um cancêr. Nos últimos meses lutou com todas as forças contra a doença e às 10h00 de sábado, 26 de junho, faleceu.

Como sempre, envolvido em inúmeros projetos, Guzik estava desde o segundo semestre do ano passado acompanhando o processo de "Roberto Zucco", nova montagem dos Satyros que integraria o elenco. Seu último trabalho no grupo foi "O Monólogo da Velha Apresentadora", de Marcelo Mirisola.

Conforme seu último texto no blog "Os Dias e As Horas": Dionisos me acompanha na viagem, além de ótimos amigos e do amor de muita gente. Evoé". Evoé, Alberto!

Para aqueles que quiserem se despedir de Aberto Guzik haverá uma cerimônia às 16h30 no:
Crematório Dr. Jayme Augusto Lopes - Vila Alpina
Avenida Francisco Falconi, 437
Vila Alpina - São Paulo - SP
CEP 03227-000
Fone: (11) 2345-5937


ÚLTIMAS PALAVRAS

Os Dias e as Horas - Blog do Alberto Guzik


neste amanhecer
15/02/2010 (Escrito por alberto guzik às 07h02)

neste deslumbrante amanhecer, em plena segunda-feira de carnaval, embarco em minha viagem rumo à travessia do rio letes e à descida para o hades. quando voltar, relatarei o que vi e vivi. o hades não é um reino fácil de se visitar. ninguém retorna de lá sem estar transformado. sei disso. e prometo partilhar com os leitores destes dias e destas horas aquilo que vou vivenciar.
dionisos me acompanha na viagem, além de ótimos amigos e do amor de muita gente. evoé.


recado
15/02/2010 (Escrito por alberto guzik às 06h58)

não posso me afastar deste espaço sem deixar uma palavra para todos os diretores, arte-educadores, colaboradores e artistas aprendizes da sp escola de teatro - centro de formação das artes do palco. estamos no limiar da transformação do sonho em realidade. e se a realidade for áspera, como muitas vezes é, não se esqueçam jamais, de que as raizes dela estão no sonho. no sonho de construir a melhor escola de teatro que este país ja teve. uma escola tão boa, tão ampla, tão aventureira, que possa nos ajudar a mudar também este país, que anda tão precisado de sonhos. meus queridos. não estou fisicamente com vocês aí, agora, mas estou por inteiro aí, também. tenham a certeza disso. e nunca, nunca esqueçam que este projeto nasceu de um sonho, e de que é pelo sonho que tem de ser alimentado. viva a sp escola de teatro. lembrem-se de que somos todos servidores de dionisos. evoé!

a solução do enigma
14/02/2010 (Escrito por alberto guzik às 19h47)

devo uma explicação aos meus leitores sobre os enigmas que semeei no blog ao longo das últimas seis semanas. muitos já mataram a charada. outros ainda não. explico então. vou ser amanhã submetido a uma cirurgia do aparelho digestivo. uma cirurgia de porte, pelo que me explicou o médico que fará a operação. ficarei alguns dias, ou algumas semanas, distante deste espaço. podem ter certeza de que vou sentir muita muita falta destes meus dias e destas minhas horas. mas são aquelas esquinas da vida que não podemos nem temos como evitar. sempre tive uma saúde ótima, fora uma coisinha aqui, outra ali, nada de muito relevante. mas eis que de repente vi-me surpreendido por uma doença que requer cirurgia. e que exige um período razoávelmente extenso de recuperação. certamente quando voltar a escrever aqui, vou ter muitas novidades a contar. serão aventuras de outro tipo, não artísticas, nem por isso menos essenciais. bem ao contrário. peço aos meus leitores a paciência necessária. aguardem o tempo de maturação que será necessário para que eu saia do casulo em que vou entrar amanhã. ou, para usar a imagem que empreguei muito há algumas semanas, que aguardem o fim da minha travessia (de ida e volta) do rio letes, e também o término de minha viagem ao reino de hades. estou muito cercado de afeto, de amor, de boas energias, de bons fluidos. com muita luz em meu espírito eu me despeço temporariamente de todos vocês, desejando que, enquanto eu estiver longe, a vida de todos floresça do mais belo e prazeroso e frutífero dos modos. dionisos será meu guia nessa viagem, que nada terá de teatral, mas será profundamente vital. evoé!!!

A TRAJETÓRIA DE ALBERTO GUZIK


Nascido em São Paulo, em 1944, Alberto Guzik estreia no teatro aos cinco anos, em "Peter Pan", no Teatro Escola São Paulo, dirigido por Tatiana Belinki e Júlio Gouvêa.

Atua no teatro amador até ser admitido, em 1964, como
aluno de Interpretação na Escola de Arte Dramática (EAD), dirigida por Alfredo Mesquita. Conclui o curso em 1966 e, um ano depois, forma-se em Direito pela Universidade Mackenzie. Titula-se Mestre em Teatro, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1982, com um estudo sobre o Teatro Brasileiro de Comédia, orientado por Sábato Magaldi.

Em 1967, encena sua primeira montagem profissional: "O Café", de Mário de Andrade. Logo após,
inicia sua carreira pedagógica no Departamento de Teatro da ECA e na EAD, onde, além de lecionar, de 1968 a 1980, dirige os espetáculos "A Centelha", biografia do maestro e dramaturgo Abdon Milanez, "Antígona", de Sófocles, e "As Feiticeiras de Salém", de Arthur Miller.

Envereda pelo campo da reflexão e da produção intelectual a partir de 1971, momento em que passa a escrever críticas teatrais para os jornais Shopping News e Última Hora e para as revistas Senhor, Vogue e IstoÉ. Em 1984, por indicação de Sábato Magaldi, é
convidado a ingressar no Jornal da Tarde como crítico colaborador. Torna-se crítico efetivo do JT em 1989, mesmo ano em que é incorporado à equipe de reportagem, onde permanece até junho de 2001, atuando como crítico teatral e repórter especial.

No mesmo período,
escreve para o Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, colabora com a Revista Bravo!, o jornal Valor Econômico, o site Aplauso Brasil e outras publicações, e ainda participa do programa Metrópolis, da TV Cultura, como comentarista teatral.

Além de sua extensa produção jornalística, Alberto também integra a equipe de curadores do Festival de Teatro de Curitiba em sua primeira edição, em 1992, participando de outras 10 edições do evento.

Expande seu campo de ação para além do jornalismo e, como dramaturgo, escreve “Um Deus Cruel”, montagem encenada por Alexandre Stockler, em 1997, estreada em Curitiba e indicada ao Prêmio Shell.

Na sequência, assina tradução e dramaturgia de “Mãe Coragem”, de Bertolt Brecht. O espetáculo, dirigido por Sérgio Ferrara e protagonizado por Maria Alice Vergueiro, estreou no Festival de Curitiba, em 2002.

Em junho do mesmo ano, dentro da Mostra de Dramaturgia do Sesi, estreia novo biografia de sua autoria, “Errado”, dirigido por Sérgio Ferrara, com Renato Borghi à frente do elenco.

Depois de quase 40 anos sem pisar no palco, em agosto de 2003, retoma sua carreira de ator. O retorno se dá com a peça “O Horário de Visita”, de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez, no Teatro do Centro da Terra.

2004 foi um ano de intensa atividade para Guzik. A data marca sua entrada na Cia. de Teatro Os Satyros, integrando o elenco de "Kaspar ou a Triste História do Pequeno Rei do Infinito Arrancado de sua Casca de Noz", encenada no Espaço dos Satyros Um, na Praça Roosevelt.

Em maio do mesmo ano,
dirige, também no Satyros, "O Encontro das Águas", de Sérgio Roveri, com José Roberto Jardim e Pedro Henrique Moutinho. Dois meses depois, outra direção, dessa vez em parceria com Wilma de Souza: "A Voz do Povo é a Voz de Zé", de Marcelino Freire com Olívia Araújo e Fabrício Gareli, encenada no Avenida Club. E, em setembro, novamente como ator, divide o palco com Ivam Cabral e elenco de "Transex", de Rodolfo García Vázquez.

Em seguida,
participa do premiado espetáculo "A Vida na Praça Roosevelt", de Dea Loher, e dirige "O Céu É Cheio de Fúria dos Uivos e Latidos dos Cães da Praça Roosevelt", de Jarbas Capusso Filho, e "De Alma Lavada", de Sérgio Roveri.

Seus próximos trabalhos como ator são:
"Inocência" (2006) e "Divinas Palavras" (2007), "Vestido de Noiva" e "Liz" (2008), todos sob direção de Rodolfo García Vázquez. E, em 2009, se aventura em um solo: "Monólogo da Velha Apresentadora".


(Seu último trabalho como ator)


Sua carreira como ator, porém não se restringe ao teatro. Guzik também flerta com a televisão. Entre 2007 e 2009, participa dos teleteatros "O Vento nas Janelas" e "A Noiva" e da minissérie "Além do Horizonte", todos produzidos e exibidos pela TV Cultura.

Sua trajetória artística se completa com sua obra literária, tão múltipla quanto seus talentos. Além de “Risco de Vida”, romance publicado pela Editora Globo, em 1995, e indicado ao Prêmio Jabuti, escreve o ensaio “TBC: Crônica de um Sonho”, lançado pela Editora Perspectiva, em 1986, e “Paulo Autran/Um Homem no Palco”, da Editora Boitempo, em 1998, vencedor do Prêmio Jabuti de livro-reportagem. Em junho de 2002, lança, pela Editora Iluminuras, seu primeiro livro de contos, “O Que É Ser Rio, e Correr?”.

Conclui para a Coleção Aplauso os livros "Cia. de Teatro Os Satyros – um Palco Visceral" (2006),"Naum Alves de Souza: Imagem, Cena, Palavra” (2009) e “O Teatro de Alberto Guzik” (2009), com quatro peças de sua autoria: “Um Deus Cruel”, “Cansei de Tomar Fanta”, “Errado” e “Na Noite da Praça”.

Em 2009, dois novos projetos: trabalha em uma nova obra de ficção, “Um Palco Iluminado”, romance ainda inédito que enfoca a vida de uma companhia teatral em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990, e assume a Direção Pedagógica da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, Instituição que ajudou a criar.