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sexta-feira, 13 de abril de 2012

'O PRÍNCIPE DO DESERTO' É ÉPICO, COM BOA TRAMA E PROTAGONISTA EXTREMAMENTE MÁSCULO


O diretor francês Jean-Jacques Annaud é um hábil artesão daquilo que chamamos de "épico".

Na sua filmografia, "O Nome da Rosa" (1986) - que foi um sucesso de crítica e público -  é um bom exemplo do gênero, com cenários espetaculares, direção de atores enxuta e segura e fotografia e direção de arte criativas.

A obra do diretor busca incessantemente a relação entre o tempo e o espaço - já visitou a pré-história, em "A Guerra do Fogo", a Idade Média, em "O Nome da Rosa" e a Segunda Guerra Mundial, em "Círculo do Fogo".

Agora, Annaud premia os amantes do épico com "O Príncipe do Deserto", onde prefere não mergulhar na questão do choque de culturas e interesses entre os ocidentais e os árabes, principalmente petróleo.

No longa, coprodução entre a França e o Catar e filmada nesse país e na Tunísia - nos mesmos cenários de "Star Wars" e "Caçadores da Arca Perdida" - o deserto do título ganha status de personagem principal na história do príncipe Auda - Tahar Rahim - e pode ser aliado ou o maior inimigo na história do rapaz, dividido entre dois mundos.

Nos primeiros anos do século 20, Auda é ainda um menino, que juntamente com seu irmão é entregue ao Emir Nassib - Antonio Banderas, com o brilho de sempre - como garantia de um acordo de paz numa guerra perdida por seu pai, o Sultão Amar - Mark Strong.
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O astro espanhol Antonio Banderas, em cena como o Emir Nassib em "O Príncipe do Deserto"

O tempo passa, e quando americanos do Texas chegam para explorar o petróleo nas terras de Nassib, surge uma disputa entre os dois 'pais' de Auda, que para tentar acabar com a disputa, se casa com a filha de Nassib, Leyla - Freida Pinto - por quem já era apaixonado.
Divulgação
A atriz indiana freida Pinto, como Leyla, em cena do filme

Só que Amar quer vingar a morte de seu filho preferido, irmão de Auda, morto a mando de Nassib, o jovem príncipe é enviado como mensageiro da paz junto a seu verdadeiro pai, mas o plano não funciona.

A partir daí, a trama foca em batalhas que acontecem durante a travessia de Auda e seu grupo pelo deserto.

O motivo para a travessia se esvai ao longo do caminho, porquê a trama prefere o lado romântico, com Auda tentando retornar para sua Leyla.
Divulgação
O ator francês de ascendência argelina Tahar Rahim é Auda, protagonista de "O Príncipe do Deserto"

O ator Tahar Rahim vive aqui um personagem completamente diferente do gângster que interpretou no filme francês que o revelou ao mundo - "O Profeta".

Seu personagem é másculo como poucos, começa sua jornada com muitos livros à volta - Auda é um romântico apaixonado - e o longa acompanha seu amadurecimento como líder político -  só esse desempenho inspirado e sua bonita presença na telona  já valem o ingresso.

A parte cômica fica por conta de Ali - Riz Ahmed - o meio-irmão de Auda renegado pelo pai, que exerce a medicina e sai pelo deserto com o irmão e seu exército.

Se os texanos exploradores de petróleo são vistos, durante boa parte do filme, como mocinhos, quando a presença deles muda de figura, eles não são demonizados, já que o longa nunca se arrisca sobre essa e outras questões polêmicas.

Melhor assim, pois se o épico tem tons fortes, não é um filme que procura explicações, só permite ao espectador uma diversão de primeira.

Confira o trailer do filme:


*****
"O PRÍNCIPE DO DESERTO"
Título original:
Black Gold
Diretor:
Jean-Jacques Annaud
Elenco:
Tahar Rahim, Mark Strong, Antonio Banderas, Freida Pinto, Riz Ahmed, Jamal Awar, Lotfi Dziri, Eriq Ebouaney, Mostafa Gaafar, Akin Gazi, Ziad Ghaoui, Corey Johnson
Produção:
Tarak Ben Ammar
Roteiro:
Jean-Jacques Annaud, Menno Meyjes, baseado na obra de Hans Ruesch
Fotografia:
Jean-Marie Dreujou
Trilha Sonora:
James Horner
Duração:
130 min.
Ano: 
2012
País:
França/ Itália/ Catar
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Warner Bros.
Estúdio:
France 2 Cinéma / Quinta Communications / Prima TV / Carthago Films S.a.r.l. / The Doha Film Institute
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

'PLANETA DOS MACACOS, A ORIGEM' : COMO O ORIGINAL, ME DEIXOU A-PA-VO-RA-DO!

Vi Planeta dos Macacos (1968) quando já era um pré aborrescente no final dos 70, e o filme foi uma senhora paulada na minha cabeça.

O começo futurista, a nave do astronauta George Taylor - interpretado pela Charlton Heston - com design espetacular afundando no lago, o deserto, os espantalhos e, finalmente, os macacos que, apesar de serem feitos por atores com máscaras de látex - trabalho que deu aos maquiadores o primeiro Oscar da categoria - me deixaram a-pa-vo-ra-do.

A chocante cena final, com a imagem destruída da Estátua da Liberdade numa praia comprovando para o incrédulo protagonista que ele está na Terra dominada pelos primatas e não em um planeta misterioso, no qual a Teoria da Evolução teve outro desdobramento ainda hoje é, para mim, uma das cenas mais fortes do Cinema em todos os tempos, disparado.

Não vi as continuações e só vi alguns episódios da série de TV, e não gostei do filme feito por Tim Burton - achei a obra vazia e pesada demais.

Agora, embarcando nessa lucrativa onda de se recontar as origens de ícones - como Batman e Superman - era só questão de tempo que ela chegasse até os cults movies.

Assim, tivemos projetos recontando A Pantera Cor de Rosa, Tron e Bravura Indômita e, em Planeta dos Macacos: A Origem, o grande blockbuster da semana, que manteve por duas semanas consecutivas a liderança na bilheteria americana - agora, está em segundo lugar - o diretor Ruppert Wyatt revela como tudo aconteceu, fruto de efeitos colaterais de experiências genéticas fracassadas para encontrar a cura de doenças neurológicas degenerativas, como o Mal de Alzheimer.

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César - Andy Serkis e Jacobs - James Franco -, em cena do filme

Mas, ao contrário do filme original de 1968, uma ficção científica inesquecível, inspirada no livro do francês Pierre Boulle, o que mais chama a atenção aqui são os efeitos especiais que utilizam a técnica de motion capture utilizada em Avatar e permitem ao ator
Andy Serkis, que interpreta o chimpanzé César, um desempenho simplesmente espetacular, superior inclusive ao que ele teve ao interpretar um dos personagens digitais da saga O Senhor dos Anéis.

Will Rodman - interpretado por James Franco - trabalha em um laboratório que usa chimpanzés em pesquisas para a cura de doenças neurológicas - ele tem um interesse especial na pesquisa, pois seu pai - vivido por John Lithgow - sofre do Mal de Alzheimer.

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Andy Serkis interpreta César, o macaco protagonista

Os resultados parecem muito promissores: uma fêmea, submetida a uma nova droga, demonstra um rápido desenvolvimento intelectual até que, de repente, fica agressiva, foge da jaula, deixa o laboratório em pânico e acaba morta por um segurança.

O motivo da agressividade? Ela teve um filhote e procurava protegê-lo.

Todos os macacos remanescentes são mortos e Will leva o filhote para sua casa e lá, César, o filhote, faz companhia para seu pai, demonstrando uma rara inteligência.

O cientista passa a acreditar que as drogas testadas na mãe morta de César são responsáveis pelo progresso, e adapta a casa para uso do chimpanzé, mesmo sabendo ser difícil mantê-lo afastado do mundo exterior.

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A macacada em fuga: pavor

Numa de suas fugas, César ataca um vizinho e é removido para um centro de primatas, onde começarão os seus problemas e, consequentemente, de toda a humanidade.

No ambiente opressivo da prisão, César sofrerá maus tratos, precisará aprender a conviver com os outros macacos e aprenderá a não confiar nos seres humanos, alimentando uma revolta que canalizará, no momento oportuno, em uma rebelião.

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Freida Pinto e James Franco, em cena do filme

Se o filme ganha em ação nessa segunda parte - com o triunfo dos efeitos especiais caprichadíssimos - perde em credibilidade, até então conseguida com as cenas de laboratório e a discussão dos limites éticos do uso de animais em experiências científicas, mas nada que comprometa o resultado final.

Divulgação

Macacos X Humanos: a batalha começou

Mas, como o que interessa mesmo é a ação, só nos resta acompanharmos César no comando de seus macacos rebelados, em cenas de tirar o fôlego.

E eu, de novo, ali, sentado e a-pa-vo-ra-do!

Confira o trailer do filme:

*****
PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM
Título original:
Rise of the Planet of the Apes
Diretor:
Rupert Wyatt
Elenco:
James Franco
Tom Felton
Freida Pinto
Andy Serkis
Brian Cox
John Lithgow
Tyler Labine
David Hewlett
Sonja Bennett
Jamie Harris
Leah Gibson
David Oyelowo
Produção:
Peter Chernin
Dylan Clark
Rick Jaffa
Amanda Silver
Roteiro:
Rick Jaffa
Amanda Silver
Fotografia:
Andrew Lesnie
Trilha Sonora:
Patrick Doyle
Duração:
Apavorantes 106 min.
Ano:
2011
País:
EUA
Gênero:
Ficção Científica
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Fox Film
Estúdio:
Twentieth Century-Fox Film Corporation
Chernin Entertainment
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:

domingo, 24 de julho de 2011

DIRETOR TARSEM SINGH APRESENTA SEU NOVO ÉPICO


O diretor Tarsem Singh  - de A Cela -  esteve na feira  Comic-Con neste sábado (23) para apresentar o épico Imortais, dos mesmos produtores de 300.

Sobre as comparações da nova produção com o filme com Rodrigo Santoro, Singh disse que "'Imortais tem mais sets reais que '300'. Senti que era preciso haver mais interação. É ótimo para '300' ter uma HQ para se basear. Não tive isso", disse.

O longa metragem tem em seu elenco Mickey Rourke e John Hurt - que não foram ao evento -, Henry Cavill  - o novo Super-Homem - , Stephen Dorff, Freida Pinto, Luke Evans e Kellan Lutz.

A trama é centrada no príncipe guerreiro Teseu - Cavill -, que lidera seus homens, aliado aos deuses do Olimpo e a uma sacerdotisa do oráculo - Freida -, contra os Titãs, a fim de impedir que uma guerra se inicie.

Confira o primeiro trailer do filme:

Foi exibido no evento um trecho do filme, basicamente cheio de cenas de luta e muito sangue. "Tivemos que filmar as lutas três vezes", conta Singh. "A primeira com pessoas reais, a segundo sem ninguém e a terceira com computadores."

Getty Images
Freida Pinto e Stephen Dorff falam sobre "Imortais" na Comic-Con (23/7/2011)

Singh contou também que a primeira cena de Freida Pinto foi constrangedora porque era uma cena de sexo sem fala alguma, mas disse que foi também "maravilhoso". A atriz, questionada pelo público sobre a parte mais dura do filme, contou que foi "ficar vendo os homens".

Confira o segundo trailer do filme:

Já o elenco masculino, cheio de galãs, ressaltou que teve de ficar em forma para a produção.

O novo Super-Homem, Henry Cavill , disse que isso foi o mais difícil. "Menos para Kellan [Lutz]", brincou.

Stephen Dorff resumiu sua experiência no set de filmagem como "muita malhação, flerte com a personagem de Freida e ficar vendo o Tarsem dirigir, com toda sua energia".

O filme estreia em 11 de novembro nos EUA e deve chegar ao Brasil na sequência.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS": VÃO TE DIZER QUE É UM WOODY ALLEN "MENOR", MAS NÃO É

O novo trabalho de Woody Allen, "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", é um filme sobre expectativas e frustrações.

A frase,que dá título ao filme, evidentemente vem das previsões de uma vidente, interpretada por Pauline Collins - lembrada eternamente como a personagem-título de "Shirley Valentine".

Fotos: Sony Classics-DivulgaçãoO diretor Woody Allen instrui as atrizes Pauline Collins e Gemma Jones, antes da filmagem de uma cena do filme

Como para Allen - como nota uma personagem -, a clarividência nos últimos anos substitui a terapia com os mesmos resultados - além de ser mais barato -, ao longo do filme, os personagens parecem estar em busca de paliativos que vão dar a falsa sensação de cura para seus medos, ansiedades e inseguranças - mas que, no fundo, jamais irão solucionar seus problemas.

Helena - a ótima Gemma Jones - é a cliente preferida da vidente, suas dúvidas são banais e é bem fácil descobrir o que ela realmente quer ouvir.

Seu marido, Alfie - Sir Anthony Hopkins - a abandonou e está de namoro com uma aprendiz de estrela, Charmaine - Lucy Punch -, cujo nome é motivo de piada para Sally -
Naomi Watts -, a filha do casal.

Sir Anthony Hopkins e Lucy Punch, em cena do filme

Os personagens se interligam por uma rede de expectativas e ansiedades - mais do que laços de família: Sally é casada com Roy - Josh Brolin -, escritor de um livro só que foi sucesso, incapaz de emplacar o segundo, e que aguarda a qualquer momento a ligação de seu editor parabenizando-o por sua nova obra-prima, que ele entregou há algum tempo. - enquanto isso, se distrai observando a vizinha do prédio em frente, Dia - Freida Pinto - , por quem tem um tesão recolhido.

Josh Brolin e Freida Pinto, em cena do filme

A infidelidade conjugal - tema recorrente na obra de Allen - é o que espelha os casais Sally/Roy e Helena/Alfie.

Sally começa a trabalhar na galeria de arte de Greg - Antonio Banderas.
Por ele ser mais refinado, culto e rico que seu marido, ela se sente atraída por ele - talvez porquê ele seja bem sucedido, ou por puro tesão sexual mesmo.
Mas isso pouco importa, o que conta é como ela vai se entregando a esse sentimento e não percebe seu casamento escorrendo para o ralo.

Enquanto isso, Helena também tenta esquecer o ex-marido e procura um novo amor.

Como alguns de seus últimos trabalhos - "Match Point", "O Sonho de Cassandra" -, Allen filma na Inglaterra, onde ele tem conseguido dinheiro para bancar seus trabalhos .

E, apesar de povoada por ingleses, um americano (Roy) e um espanhol (Greg), o filme é universal em sua abordagem do ser humano, sempre frustrando e ambicionando mais.

Aqui, alguns personagens alcançam seus objetivos - por meios idôneos ou não - e o sentimento de culpa cai sobre eles à medida em que suas armações podem ser desvendadas e expor a farsa que são.

Se Allen não coloca na tela o crime e o castigo, ao contrário de "Match Point" -uma espécie de "crime sem castigo" -, aqui parece que as infrações caminham rumo a punição, mas a história acaba antes, deixando conclusões em aberto.

Já se falou sobre essa obra ser um filme menor de Allen, mas, por que ficarmos esperando que ele sempre faça algo da qualidade de "Hannah e Suas Irmãs" ou "Interiores"?

Allen é um criador que se reinventa a cada trabalho, embora pareça estar contando sempre a mesma história de insatisfações e frustrações.
Nessa obra, ele recicla tudo o que já apresentou em seu cinema, e, ainda assim, consegue um resultado bem acima da média.

Confira o trailer do filme:


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"VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS"
Título original:
You Will Meet A Tall Dark Stranger
Diretor: Woody Allen
Produção: Sony Classics
Distribuição: Paris Filmes
Elenco:
Gemma Jones
Pauline Collins
Sir Anthony Hopkins
Naomi Watts
Josh Brolin
Freida Pinto
Antonio Banderas
Gênero: Comédia, Romance
Duração: nada cansativos 98 min.
Ano: 2010
Data da Estreia: 26/11/2010
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos
País: EUA, Espanha
COTAÇÃO DO KLAU:


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"MIRAL", "MACHETE", O LISTÃO DA "VARIETY" E FILMES ITALIANOS CLÁSSICOS SÃO DESTAQUES EM VENEZA

O cineasta americano Julian Schnabel - judeu nova-iorquino - filmou com olhar palestino "Miral", filme apresentado no Festival de Veneza nesta quinta-feira.

Baseado no romance autobiográfico homônimo da jornalista palestina Rula Jebreal, o filme acompanha mais de quatro décadas desde a criação do Estado de Israel até a assinatura dos acordos de Oslo, em 1993, momento de grandes esperanças para o conflito.

Como Jebreal, Miral cresceu em um orfanato em Jerusalém Oriental.
O abrigo é mantido por uma palestina rica, que, em um dia do ano de 1948, encontrou um grupo de crianças árabes que haviam sobrevivido ao massacre de Deir Yassin, um vilarejo próximo, atacado por militantes judeus ortodoxos.

"Sinto uma grande responsabilidade em relação ao tema", afirmou Schnabel - seu filme "O Escafandro e a Borboleta" lhe valeu o prêmio de melhor diretor em Cannes 2007, assim como várias indicações ao Oscar.

"Este conflito deve acabar o mais rápido possível. Toda vez que uma criança morre em cada um dos lados vemos o quanto desnecessário é", disse o diretor.

Jebreal afirma ter decidido escrever o livro devido ao "grande amor pelo professor que me colocou no caminho certo. É a história de uma grande terra e de uma pequena garotinha que sobreviveu simplesmente porque havia alguém para ajudá-la".

Em entrevista à AFP sobre seu filme - um dos 24 na competição pelo Leão de Ouro - Schnabel, de 58 anos, estimou: "obviamente é uma história palestina, mas é muito importante que um judeu americano conte uma história palestina".

O cineasta escalou a atriz indiana Freida Pinto - a Latika do megassucesso "Quem quer ser um milionário" (2008), de Dany Boyle - para viver Miral.
Já Hind Husseini, o elegante diretor do orfanato, é interpretado pelo israelense Hiam Abass.

Foto: Alessandro Bianchi/Reuters - Arte: Cláudio Nóvoa
A atriz Hiam Abbass, ontem em Veneza

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Também na quinta, o diretor Robert Rodriguez apresentou em Veneza o provocativo "Machete", filme de ação que mistura sangue, comédia e questões migratórias.

O longa conta a história de Machete (Danny Trejo), um matador de aluguel com o dom de retalhar suas vítimas, que ataca agentes corruptos dos dois lados da fronteira entre Estados Unidos e México.

Trejo divide a cena com Robert de Niro, Steven Seagal, Don Johnson e Lindsay Lohan.

"Atualmente, a imigração tornou-se de fato um assunto enorme aqui nos EUA, então eu quis fazer algo que realmente olhasse para a corrupção que existe no sistema além do que vemos nos noticiários", explicou Rodriguez.

Divulgação
A atriz Lindsay Lohan, em foto promocional de "Machete"


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Numa edição especial que circula no Festival de Veneza, a revista norte-americana "Variety" - considerada a "bíblia" de Hollywood - traz uma pesquisa realizada com os responsáveis por 17 festivais para saber qual seria o "dream team" de cada um deles - no caso dos festivais, a moeda mais valiosa não é a da bilheteria, mas sim a do prestígio.

Basicamente, o que os diretores dos festivais querem é reunir nomes que chamem a atenção, que tornem o festival um assunto obrigatório e que mostrem seu cacife para atrair os "grandes".

A lista da "Variety":

1- Martin Scorsese (EUA)
2- Gus Van Sant (EUA) e Wong Kar-Wai (Hong Kong) - empatados
3- Pedro Almodóvar (Espanha)
4- Alain Resnais
5- Quentin Tarantino (EUA) e David Cronenberg (Canadá) - empatados

Arquivos do Klau - Arte: Cláudio Nóvoa
O diretor norte americano Martin Scorsese

Veneza só tem bola dentro este ano.

Tarantino não tem filme, mas está na presidência do júri.
De Scorsese, o Festival conseguiu trazer um documentário codirigido por ele e por Kent Jones, chamado "Uma Carta para Elia".

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Gianlucca Farinelli, diretor da Cinemateca de Bologna, é um dos responsáveis pela mostra "La Zituazione Comica (1934-1988)", que apresentará 30 filmes durante o Festival de Veneza.

A retrospectiva recoloca nas telonas as expressões e os gestos de Vittorio De Sica, Totó, Aldo Fabrizi, Alberto Sordi, Nino Manfredi, Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman.

São filmes dirigidos por Mario Monicelli, Mario Mattoli e Dino Risi, entre outros.
"Eles representavam a Itália com muito amor e, ao mesmo tempo, eram absolutamente críticos", afirma Farinelli.

"Eles riam das nossas mazelas e os italianos gostavam de se ver assim representados. Toda contradição da sociedade estava posta ali."

Mas eis que a sociedade começou a mudar e, em meados dos anos 1960, chegou ao fim essa idade de ouro.

"Nessa época, surge com força a TV e com ela, um novo modelo de representação", diz Farinelli.
Para o diretor da Cinemateca, é "Um Burguês Pequeno, Pequeno" (1977), de Monicelli, que prega a placa "fim" a essa época.
"Aí vem o cine panetone."

Farinelli refere-se às comédias natalinas da série "Vacanze di Natale", que batem recordes de bilheteria no final do ano no país, superando até mesmo os blockbusters de Hollywood.

O primeiro filme da série será exibido na mostra "La Zituazione Comica".
Ironicamente, eles são estrelados por Christian De Sica, filho de Vittorio De Sica.
A produção atual conhece, ainda, uma série adolescente e uma porção de filmes derivados de personagens televisivos.

Trata-se, porém, de uma produção para consumo local que, exceção feita a Roberto Begnini e Carlo Vardoni, não desperta interesse no exterior.
"A estrutura narrativa não tem nenhuma importância. São só esquetes", afirma Farinelli.

Para ele, as novas comédias refletem a Itália de hoje: uma sociedade fechada.
Os filmes feitos entre 1940 e 1970, por outro lado, eram fruto de um país aberto para o mundo.

"Eram as comédias de uma Itália que exportou o neorrealismo, 'A Doce Vida' e os carros da Fiat. Hoje, somos o contrário disso. Estamos fechados num sistema de comunicação controlado por um grupo financeiro e político", completa, deixando no ar o controle exercido em todo o país pelo primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi.

O festival de cinema mais antigo do mundo começou na quarta-feira e exibirá filmes até o dia 11 de setembro.