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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

'ILHA DE FERRO' - PRIMEIRAS IMPRESSÕES: EFEITOS VISUAIS ESPETACULARES E QUARTETO CENTRAL BEM ESCALADO


SINOPSE:

Dante (Cauã Reymond) é o coordenador de produção da PLT-137, uma plataforma petrolífera recordista de acidentes.

Ele sonha em se tornar gerente do local, mas fica revoltado quando percebe que precisa competir com a recém-chegada Júlia (Maria Casadevall) pelo cargo.

No entanto, é no meio dessa disputa que acaba surgindo uma paixão entre os dois, capaz de mudar o rumo de suas vidas.

CRÍTICA:

Aos poucos, o serviço de streaming Globoplay abandona a ideia de ser apenas um arquivo das produções Globo, ofertando conteúdo exclusivo para os seus assinantes, como a série americana 'The Good Doctor' e também em produções nacionais, como o drama 'Assédio'.

Agora, chegou a vez de da série de drama e ação 'Ilha de Ferro', uma superprodução que usa a complicada rotina dos petroleiros para contar a história de Dante (Cauã Reymond), que fica indignado ao ver a novata Júlia (Maria Casadevall) assumir o cargo de gerente no trabalho.

Júlia é neta de  João Bravo (Osmar Prado), líder sindical e um dos expoentes da campanha 'O petróleo é nosso', que levou à criação da Petrobras em 1950 - e tem muito orgulho disso.

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Cauã Reymond é o protagonista Dante - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Globoplay
Sua vida pessoal também não está fácil, já que ele descobre que sua mulher, Leona (Sophie Charlotte) e seu irmão, o piloto de helicópteros Bruno (Klebber Toledo) são amantes.

Leona aparece sempre chapadíssima e agora, vai ser obrigada a cuidar do cunhado/amante, em estado vegetativo após um acidente.

Tirante a trama do quarteto protagonista, é a qualidade técnica da série que impressiona.

A direção de Afonso Poyart (2 Coelhos, Mais Forte que o Mundo) apresenta um visual impecável, como no movimento da câmera para acompanhar as dificuldades diárias dos petroleiros, contribuindo para transmitir o desespero de tal situação.

Mas o auge fica mesmo na fotografia, no uso de cores e luzes vibrantes em sequências surreais, que servem para complementar os sentimentos de determinados personagens.

Essa fuga da realidade é bem-vinda, não atrapalha o ritmo da história e ainda traz algo singular ao focar no aspecto psicológico.

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Leona (Sophie Charlotte) e Bruno (Klebber Toledo), em cena da série
Observando o elenco apenas nesse capítulo inicial, Cauã Reymond enche a tela, numa presença que promete ser marcante o suficiente para carregar toda a narrativa, já que a história de Adriana Lunardi e Max Mallmann não tem medo de trazer grandes reviravoltas e cenas dramáticas para seu Dante no piloto — principalmente o emocional conflito envolvendo o irmão e a mulher.

Quanto a Sophie Charlotte, evidentemente que ela já rouba a cena, provando sua entrega física à Leona, ao mesmo tempo que deixa o espectador intrigado por tentar compreender tal conturbada personalidade.

Por fim, uma rivalidade entre o protagonista e Astério (Milhem Cortaz) também indica uma possível subtrama interessante.

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Elenco reunido
Por fim, o motivo da expressão "superprodução": já em seu piloto, 'Ilha de Ferro' traz complicadas sequências com helicópteros; cenas envolvendo efeitos visuais, fogo e oceano; além da necessidade de construir toda uma cidade cenográfica para dar vida à PLT-137.

Para os próximos episódios, ainda surgem promessas de investir em outros gêneros, como o suspense e ação, muita ação, já que um grupo terrorista toma a plataforma e, enquanto a marinha não chega, os petroleiros terão de se virar para se manterem vivos e contra atacarem os bandidos.

A Globo segue apostando no projeto, que já foi renovado até a terceira temporada, mesmo antes da estreia oficial.

Só o tempo dirá se a série conseguirá manter o bom resultado apresentado em seu piloto.

Mas a ousadia de estilo já conta como um belo ponto a seu favor.

TRAILER INTERNACIONAL:


FICHA TÉCNICA:
ILHA DE FERRO
Formato:
Série
Gênero:
Drama, Ação, Aventura
Elenco:
Cauã Reymond, Maria Casadevall, Sophie Charlotte, Klebber Toledo, Cássia Kis, Osmar Prado, Jonathan Azevedo, Taumaturgo Ferreira, Milhem Cortaz, Herbert Richers Jr, Moacyr Franco, João Bravo, Bruce Gomlevsky
Criador(es):
Max Mallmann, Adriana Lunardi
Diretor(es):
Afonso Poyart, Guga Sander, Roberta Richard
País de origem:
Brasil
Idioma original:
Português
Distribuída por:
Globoplay
Exibição:
Globoplay
Formato de exibição:
4K (Ultra HD)
Transmissão Especial na TV Aberta:
19 de novembro de 2018, na Globo
N.º de temporadas:
3
N.º de episódios:
36

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

'INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS': NOVO LONGA DE MILHEM CORTAZ GANHA TRAILER

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Longa dirigido por José Alvarenga Jr e estrelado por Rafaela Mandelli, Milhem Cortaz e Gabriel Contente, ganhou seu primeiro trailer
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Confira:


Na trama, Maria (Rafaela) chega ao Rio de Janeiro para morar em um novo apartamento.

No entanto, a ausência do marido e as desavenças com o síndico do prédio, faz com que a jovem se sinta cada vez mais sozinha, até que recebe ajuda de quem menos espera.

'Intimidade Entre Estranhos' é uma produção da Migdal Filmes, com coprodução da Globo Filmes e Canal Brasil.

A distribuição é da Galeria Distribuidora.

O longa será exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival do Rio.

A estreia nas salas de cinema está marcada para o dia 13 de dezembro.

segunda-feira, 19 de março de 2018

'RUA AUGUSTA': SÉRIE BRASILEIRA DO TNT É BEM FEITA, BEM DIRIGIDA E PRENDE O ESPECTADOR DESDE A PRIMEIRA CENA


SINOPSE:

Mika (Fiorella Mattheis) é uma stripper que tenta reconstruir sua vida após um passado conturbado e misterioso.

Ela passa a trabalhar na agitada Rua Augusta, em São Paulo, onde é dançarina na Boate Love e se diverte na Boate Hell, na calçada à frente do seu trabalho.

Em uma dessas noitadas, o destino da jovem se cruza com o do filho de um poderoso empresário, o que muda sua vida para sempre.

CRÍTICA:

Pelo que pudemos conferir nos seus dois primeiros episódios 'Rua Augusta', primeira investida do canal TNT (Turner/Warner) no atualmente aquecido mercado de séries brasileiras, vai despertar paixões no público e será facilmente comercializada para o mercado estrangeiro – já que tem toda cara de obra internacional.

Apesar do ritmo algo arrastado, os dois primeiros capítulos da série, baseada no seriado israelense de Gadi Taub, conseguiram impressionar, ao mostrar a conhecida rua paulistana exuberante esteticamente, fazendo o espectador literalmente mergulhar no submundo de strippers, prostitutas, boates, empresários da noite e todo tipo de criatura noturna que transita pelo lugar.

Fiorella Mattheis  é a protagonista Mika - Fotos dessa postagem: Divulgação/TNT
O primeiro acerto da produção foi dar finalmente um papel de protagonista para Fiorella Mattheis – uma das mais lindas e talentosas atrizes da sua geração.

O segundo, é que a série, comandada pelo diretor Pedro Morelli, é muito bem fotografada e filmada - só a edição torna algumas cenas muito lentas por vezes - e não perde tempo ao nos apresentar a stripper Mika (a personagem da atriz), que nos primeiros minutos do episódio 1 x 1 já aparece no pole dance, nua.

O roteiro, de Julia Furrer, Ana Reber, Erez Milgron (o único homem do quarteto) e Jaqueline Vargas, estabelece bem os personagens principais e já parte para a ação, criando dilemas sufocantes, muito nervosismo e situações extremamente geladas, usando e abusando da cartilha do gênero, e fazendo bem o que a maioria dos roteiros parece esquecer: voltar às bases e fisgar a audiência, justamente por desnudar o fascinante universo particular da noite e do submundo, seja qual nacionalidade for, sempre assustador, tentador e perigoso, lugares onde pessoas põem suas vidas a perder.

Raul (Milhem Cortaz), em cena da série
Nesta encruzilhada encontram-se os principais personagens da trama: a stripper Mika, o empresário dono da boate Hell (Lourinelson Vladmir), os seguranças Dimas (Rui Ricardo Dias) e Raul (o sempre ótimo Milhem Cortaz) e o jornalista Emilio (Rodrigo Pandolfo), que entram no jogo ao empurrar neste drama comportamental elementos dos mais elaborados thrillers, que vira a cada nova cena, brincando com as expectativas do espectador, e passeando pelos subgêneros do suspense.

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Emilio (Rodrigo Pandolfo), em cena da série
Na trama, Nika encerra sua apresentação e parte para terminar a noite na Hell, famosa boate underground localizada bem em frente ao seu clube de stripp.

No local, após uma discussão com um rapaz, ela termina perfurada por um caco de garrafa na barriga.

Daí em diante, os principais envolvidos na situação começam a descer a ladeia, já que se agravou e criou ramificações que envolvem um crime maior, implicando o estabelecimento e seu proprietário, o pai de família aparentemente acima de qualquer suspeita Alex, que hora aparece como um amoroso pai de uma garotinha, hora aparece como o impiedoso e amoral dono da boate.

Foto
Alex (Lourinelson Vladmir) em cena
Mas temos mais uma vítima da fatídica noite: o filho de um dos homens mais poderosos de São Paulo e do país - e ele também começa sua própria investigação para saber o que aconteceu com o rapaz no local.

Em apenas meia hora por episódio, a série joga a adrenalina nas alturas, fazendo o espectador nem piscar a cada guinada sofrida pelo roteiro, subvertendo personagens e situações.

No meio tempo, dentre tantos segredos e mistérios a serem revelados, o romance inesperado entre o jornalista Emilio, literalmente o sujeito na hora e lugar errado, com a stripper Nicole (Pathy Dejesus), que tem noivo que pensa que ela trabalha num telemarketing de madrugada, já ganhou nossos corações.

Nicole (Pathy Dejesus) em cena da série
Se Fiorella Mattheis não brilha como o esperado – ao menos nestes dois primeiros episódios – seja no quesito da sensualidade com que veste sua personagem, ou na entrega de sua performance – a série funciona, prende pela trama e é um bem vindo abrir de portas para novas produções originais brasileiras no canal (esta é apenas a primeira).

Ao que tudo indica, se depender dessa primeira experiência, a TNT terá obras tão boas ou melhores para rivalizar com as séries nacionais da HBO e Netflix.

Vale uma olhada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
RUA AUGUSTA
Gênero:
Drama, Suspense
Número de episódios:
12
Direção:
Pedro Morelli
Elenco:
Fiorella Mattheis, Lourinelson Vladimir, Rodrigo Pandolfo, Chris Couto, Milhem Cortaz, Jonathan Haagensen, Pathy Dejesus e outros
Roteiro:
Julia Furrer, Ana Reber, Erez Milgron, Jaqueline Vargas
Produção:
O2 Filmes, TNT
Canal exibidor:
TNT
Duração do Episódio:
30 Minutos
País:
Brasil
Exibições:
Quintas, às 23h, no TNT
Episódio inédito da semana às sextas, no TNTGo.
Reapresentação aos domingos e quartas, às 23h30.
Temporada completa:
Já disponível no NOW

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 13 de março de 2014

'ALEMÃO': AÇÃO DO COMEÇO AO FIM, CRIATIVA E BEM RESOLVIDA


Pessoalmente, não tenho mais saco para essa mania do cinema brasileiro de  só mostrar pobreza, seca, favela carioca, arrabalde paulistano, gente feia...

Mas, e se o longa, mesmo ambientado numa favela carioca, entregar suspense, ação e muita criatividade do começo ao fim?

Na trama do aguardado 'Alemão', novo longa de José Eduardo Belmonte e que estreia hoje em 254 salas em todo o Brasil, cinco policiais - vividos por Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz e Otávio Muller - estão infiltrados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em uma operação secreta para elaborar o plano de invasão para a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na comunidade.

Se há meses eles viviam misturados aos moradores e vivendo bem próximos aos bandidos, as coisas começam a dar errado quando, poucos dias antes da ocupação, suas identidades são descobertas pelo chefe do tráfico,  Playboy (Cauã Reymond).

Cauã Reymond vive o traficante Playboy - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Paris Filmes

A partir daí e em meio à tensão crescente gerada pela expectativa de que, a qualquer momento, as forças de segurança invadirão o morro, os traficantes começam uma caçada para eliminar os policiais.

Se por muito tempo o Brasil desprezou o 'cinema de gênero' - por temer ser comparado negativamente com a produção hollywoodiana - e nossos filmes eram realistas de doer, só falando de questões sociais, felizmente os tempos mudaram, o público também e nossos produtores voltaram a apostar, sem receio, nos filmes de gênero.

Aqui, apesar de ser ambientado numa favela e mostrar confrontos entre bandidos e policiais, temos na verdade um thriller policial assumido, sem pretensão maior do que a de contar a história de cinco policias metidos numa roubada pois, disfarçados como moradores, são desmascarados por traficantes.

Pior: Samuel (Caio Blat), Danillo (Gabriel Braga Nunes), Carlinhos (Marcello Melo Jr), Branco (Milhem Cortaz) e Doca (Otávio Muller) não podem ser resgatados para não por em risco a invasão da área que vai ocorrer em 48 horas e até lá, vão ter de se virar sozinhos para sobreviver à caçada comandada por Playboy, líder do tráfico (vivido por um Cauã Reymond simplesmente sen-sa-cio-nal).

Milhem Cortaz, Caio Blat, Otávio Muller e Gabriel Braga Nunes, em cena do longa

Assim, perseguidos pelos capangas de Playboy, os cinco se escondem no QG do grupo, uma pizzaria de fachada que serve de disfarce para Doca.

A tensão é grande não só porque podem ser capturados a qualquer momento: sem saber como foram descobertos todos de uma vez, um clima de desconfiança se estabelece no grupo.

Tendo ainda a bela participação de Antônio Fagundes como o delegado Valadares - que se vê impedido de resgatar a equipe da qual seu filho faz parte - o longa só tropeça na trilha sonora incidental chatíssima, que tenta estabelecer falsamente um clima de apreensão.

Antonio Fagundes é o delegado Valadares

Felizmente, o problema é resolvido quando começamos a conhecer os dramas pessoais de cada personagem e a aflição da situação começa a ficar verdadeira para o espectador - a partir daí, trilha e narrativa finalmente entram em acordo e se complementam.

Caio Blat é o policial Samuel

E temos de dar todo valor ao diretor José Eduardo Belmonte: ele, que nunca havia trabalhado com o gênero e que só tinha feito até então longas autorais e restritos a festivais e salas de arte - 'Se Nada Mais der Certo' (2009) é um deles - topou o convite do produtor Rodrigo Teixeira, mas antes foi estudar: viu mais de 40 longas, que o ajudaram a entender como produções desse tipo funcionam - e o aprendizado funcionou muito.

Afinal, o longa consegue mostrar toda a inquietude e angústia que pede um bom thriller policial, com ação, tiroteio, perseguição, explosão, tudo absolutamente criativo e sem a estrutura cara dos americanos – o filme custou R$ 5 milhões, em parte pela mistura de cenas da ficção e reais,  inclusive aquelas famosas, dos bandidos fugindo morro acima durante a ocupação e que deram um Emmy ao 'Jornal Nacional', muito bem montadas, com resultado muito bom.

'Alemão' é uma produção diferenciada neste momento do cinema nacional, por ajudar a colocar luz no chato, burro e polarizado embate que sempre coloca 'filme comercial' de um lado e 'filme de arte' do outro.

Criativo, bom roteiro - de Gabriel Martins - boa direção e desempenhos memoráveis: você vai se divertir.

Confira o trailer do longa:

*****
'ALEMÃO'
Gênero:
Ação
Direção:
José Eduardo Belmonte
Roteiro:
Gabriel Martins
Elenco:
Aisha Jambo, Alcemar Vieira, Andrea Cavalcanti, Antônio Fagundes, Caio Blat, Cauã Reymond, Gabriel Braga Nunes, Izak Dahora, Jefferson Brazil, Marcello Melo Jr., Marco Sorriso, Mariana Nunes, MC Smith, Micael Borges, Milhem Cortaz, Otávio Muller
Produção:
Rodrigo Teixeira
Fotografia:
Alexandre Ramos
Montador:
Bruno Lasevicius
Trilha Sonora:
Guilherme Garbato, Gustavo Garbato
Duração: 
109 min.
Ano:
2014
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
13/03/2014
Distribuidora:
Downtown Filmes / Paris Filmes / RioFilme
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A SEMANA NA DIVERSIDADE TEM MILHEM CORTAZ TRAVESTI, CAMPEÃO DE BOXE GAY E HIPOCRISIA BRASILEIRA AO FALAR DE ÓRGÃOS SEXUAIS


Nessa semana, separei três matérias muito legais para vocês:

MILHEM CORTAZ, TRAVESTI
*****
ASSUMIR-SE GAY DEU SORTE PARA O BOXEUR ORLANDO 
CRUZ: MANTEVE SEU TÍTULO E AGORA SORRI À TOA
*****
REVISTA 'TRIP' ABORDA A HIPOCRISIA BRASILEIRA DE NÃO FALARMOS SOBRE CARALHOS
*****

Leia:

MILHEM CORTAZ, TRAVESTI

O mais macho dos machos do cinema nacional surpreendeu mais uma vez!

Milhem Cortaz, presente em nove de dez filmes brasileiros mais falados, é um travesti no ensaio "TransforMANtion", assinado pelo fotógrafo Chico Muniz.

O ator, que foi convidado para o projeto por Milton M. Filho, interpreta um homem que foge de sua rotina para viver sua identidade secreta, um travesti.

Confira as fotos, publicadas pelo site Ego:

Fotos: Chico Muniz/Divulgação




ASSUMIR-SE GAY DEU SORTE PARA O BOXEUR ORLANDO CRUZ: MANTEVE SEU TÍTULO E AGORA SORRI À TOA

O boxeur porto-riquenho Orlando Cruz venceu o mexicano Jorge Pazos por decisão unânime na madrugada deste sábado, na Flórida, mantendo o cinturão latino dos pesos pena da Organização Mundial de Boxe.

Foi sua primeira luta após chamar a atenção da imprensa mundial ao assumir-se publicamente homossexual.

AP
Orlando Cruz e seus dois cinturões de campeão mundial peso pena da OMB

Em um combate equilibrado, o mexicano tentou se aproveitar do maior alcance para surpreender o rival, mas viu Cruz utilizar um ótimo jogo de pernas para se esquivar de seus socos.

No final, os juízes decidiram manter o cinturão com o porto-riquenho, que venceu por 118-110, 116-111 e 118-110.

AP
Depois de sair do armário, Cruz agora sorri à toa...

Com o resultado, o boxeador soma 19 vitórias, nove por nocaute, e duas derrotas na carreira, além de um empate.

Cruz se emocionou muito como o grande apoio que recebeu dos torcedores antes da luta, afirmando que o público o viu como um lutador, um atleta e um homem em todos os sentidos da palavra.

AP
O campeão em nova pose

Após a vitória, o ainda campeão dos penas contou que a vitória deve abrir a porta para maiores lutas no futuro, defendendo que o objetivo agora é buscar um título mundial.

Tá vendo como não dói - senhores atletas de vários outros esportes que insistem em não sair do armário?

REVISTA 'TRIP' ABORDA A HIPOCRISIA BRASILEIRA DE NÃO FALARMOS SOBRE CARALHOS

Num ótimo texto para a revista "Trip", o editor Paulo Lima tenta entender o porquê dos brasileiros não falarem abertamente sobre órgãos sexuais e também porquê sua exposição - no país tido pelos estrangeiros como um dos mais sensuais e liberais do mundo - ainda ser tabu.

'DO CACETE'

Há uma analogia curiosa – e bastante defensável – que explica o Brasil como nação, comparando-o a uma jovem na adolescência.

Assim, ao mesmo tempo em que é sensual e atraente, nossa terra alterna situações em que é desengonçada, envergonhada e trapalhona.

Toma atitudes e decisões destrambelhadas aqui e ali, mas segue seu rumo e vai crescendo mesmo assim.

É esperta, surpreendente e ágil em alguns momentos, lenta, contraditória e titubeante em outros.

Tem ímpeto e coragem, mas volta e meia sofre tombos e invertidas que doem e geram feridas difíceis de fechar.

Imagem: Internet
Quem nunca viu um caralho desenhado num banheiro público?

É possível que a tendência predominante de excessiva “genitalização” da sexualidade em nossos domínios tenha algo a ver com isso.

Já falamos sobre isso por aqui.
É como se todo o universo ligado ao amor, ao sexo, às relações humanas, ao prazer e à reprodução ficasse contido exclusivamente nas terminações nervosas desses côncavos e convexos localizados.

Assim, entre outras consequências diretas da compreensão rasa e do equívoco, a simples menção às palavras pênis ou vagina já causa, quase invariavelmente, algum desconforto, risadas nervosas e a ânsia velada pela mudança de assunto.

Os órgãos sexuais ainda são as “partes privadas”, espécies de lugares proibidos sobre os quais a nação sensual, morena e liberada prefere não falar muito.

Basta dizer que fomos convidados a não distribuir os exemplares desta edição da Trip com a capa que carrega a régua, em uma parte importante dos pontos de venda de revistas, por um único e exclusivo motivo: a palavra pênis aparece em destaque e teria sido considerada ofensiva ou inconveniente para os olhos dos clientes desses canais.

Difícil encontrar argumento mais veemente para justificar a importância de uma edição inteira da Trip dedicada ao olhar desarmado e amplo para um dos maiores tabus do planeta.

Imagem:Internet
Agora, precisa ter coragem pra tatuar um caralho no braço!

É verdade que, em algumas partes do mundo, a questão é abordada de maneira muito diversa.

Já mostramos em nossas páginas, por exemplo, templos na Índia e em outras partes da Ásia dedicados à adoração do falo como símbolo do divino, da semente que gera a vida e perpetua a espécie.

Quem já visitou o pequeno país chamado Butão, incrustado no Himalaia e espremido entre a China e a Índia, certamente se surpreendeu ao ver que, nas fachadas de quase todas as casas de família, há pinturas bastante realistas mostrando pênis eretos ejaculando, em geral sobre as portas ou janelas das residências.

Alamy Other Images
No Butão, imagens assim são comuns nas fachadas das casas

A imagem é entendida por lá como celebração da fartura, da perenidade da humanidade e da saúde plena dos moradores e dos visitantes.

Do lado de cá do mundo, porém, não estamos sozinhos com nossos receios e pruridos moralistas.

Se vale comparar o Brasil com uma garota adolescente sensual e atrapalhada, talvez seja lícito traçar um paralelo entre países do Velho Mundo, como a Espanha, e aquelas senhoras entradas nos anos, que tentam se maquiar e se vestir como jovens, mas que, por mais recursos cosméticos de que lancem mão, não conseguem se ver livres das contradições entre suas mais entranhadas crenças conservadoras e o discurso moderninho que declamam.

Enquanto associarmos o falo a poder e comando na já capenga sociedade construída em torno da testosterona e enrubescermos diante de discussões sobre tamanhos e formatos, assistiremos a uma indústria pulsante e encorpada, que vai do humor à medicina, se alimentar das angústias e vergonhas geradas por essas compreensões estreitas e equivocadas.

Basta ver, só pra começar, quantos milhões de mensagens eletrônicas com o título “aumente seu pênis” são disparadas e recebidas por dia no planeta.

Por isso tudo, talvez tenha valido a pena dedicar alguns meses à compilação dos artigos, fotos, vídeos, reflexões, curiosidades e ideias...

Que sirvam para nos fazer pensar, varrer, arejar e abrir as janelas do quartinho escuro onde ainda ficam escondidas certas questões, em pleno ano cristão de 2012.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

'BOCA': DANIEL DE OLIVEIRA SENSACIONAL EM UMA HISTÓRIA BEM CONTADA SOBRE A MITOLOGIA DO CENTRO DE SP


Pronto há dois longos anos e premiado em dois grandes festivais nacionais - Rio 2010 e Cine PE 2012 -, a cinebiografia "Boca" - sobre Hiroito de Moraes Joanides, bandido famoso na cidade de São Paulo nos anos 60 - demorou para chegar aos cinemas brasileiros e é um cuidadoso  e fiel retrato de um ambiente e de uma época.

Estreando hoje somente aqui em São Paulo, o longa, ironicamente, foi distribuído em 15 países no exterior antes de retornar ao Brasil - o que só evidencia o absurdo da nossa distribuição.

Fotos dessa Postagem: Divulgação - Nossa Filmes
Daniel de Oliveira como o protagonista Hiroito, em cena de "Boca"

Com roteiro de Mariana Pamplona e do próprio diretor, Flávio Frederico, o longa foi feito a partir de uma autobiografia do personagem e traça o perfil de um homem violento e contraditório.

Com interpretação inspirada de Daniel de Oliveira como Hiroito,conhecemos aqui o filho de uma família de origem grega e de um pai que admirava o último imperador japonês, Hiroito.

Daniel de Oliveira, em cena de "Boca"

O rapaz teve boa formação cultural e, mesmo após a entrada precoce na vida do crime, o personagem continuou como fiel fã de literatura, com leituras que iam de Charles Baudelaire a Jack London.

A trajetória do Rei da Boca mostra similaridades com as tragédias gregas - como a acusação de que teria assassinado o próprio pai, o que ele sempre negou - mas foi na chamada Boca do Lixo, no centro velho da capital paulistana, que Hiroito estabeleceu sua fama, dominando a lucrativa exploração da prostituição e do tráfico de drogas da região com um estilo impiedoso para lidar com os rivais e inimigos: como resultado, assassinatos a rodo e uma "capivara" (ficha policlal) que se estendia por dezenas de páginas.

Leandra leal, em cena do longa

Com uma bela e inspiradíssima fotografia de Adrian Teijido e filmado em boa parte no centro histórico de Santos - Sampa, infelizmente, já não tem mais locações dos 60 que se prestem a um longa - o espectador mergulha nos limites do mundinho fechado de Hiroito, do luxo em sua casa ao lado da mulher e ex-prostituta Alaíde (Hermila Guedes), mas também vivendo boa parte do tempo como fugitivo.

Interpretando o delegado Honório, a lenda Paulo César Pereio faz uma sensacional aparição, um policial corrupto, que prefere ser constantemente subornado a prender Hiroito - o faz, muito de vez em quando, para manter a sua "barra limpa" (essa, que é dos 60 vai se lembrar!)

Hermila Guedes e Daniel de Oliveira, em cena do longa

Com participações muito boas - do onipresente Milhen Cortaz  a Leandra Leal - o longa tem também sequências visuais maravilhosas - a que retrata Hiroito quando menino observando sua versão adulta pela janela de um automóvel é lindíssima - cumprem muito bem a intenção de humanizar o personagem, não pendendo, nem para o bem, nem para o mal.

Um longa que merece ser visto, com o diretor Flávio Frederico - assim como fizera durante seu primeiro longa, "Urbânia"(2001) - conseguindo resgatar mais uma das ótimas histórias que ainda circulam no centro velho de São Paulo.

Confira o trailer do filme:

*****
'BOCA'
Diretor:
Flávio Frederico
Elenco:
Daniel de Oliveira, Hermila Guedes, Milhen Cortaz, Paulo César Pereio, Jefferson Brasil, Juliana Galdino, Cláudio Jaborandy, Maxwell Nascimento, Camila Lecciolli, Leandra Leal
Produção:
Flavio Frederico, Pablo Torrecillas, Rodrigo Castellar
Roteiro:
Flavio Frederico, Mariana Pamplona
Fotografia:
Adrian Teijido
Trilha Sonora:
Eduardo Bid
Duração:
101 min.
Ano: 
2010
País:
Brasil
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Nossa Filmes
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau: