Mostrando postagens com marcador Stellan Skarsgard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Stellan Skarsgard. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

'DUNA': "NOVA VERSÃO É ASSUSTADORA E VISCERAL", DIZ OSCAR ISAAC

<>
A nova versão cinematográfica de Duna será algo completamente diferente das adaptações vistas em 1984 e 2000, garante Oscar Isaac
<>

O ator, que viverá o pai do protagonista Paul Atreides (Timotheé Chalamet), Duque Leto I, afirmou que a interpretação de Denis Villeneuve (Blade Runner 2049) é comparável a um pesadelo (via EW).

“Eu não consigo imaginar um diretor melhor para o tom dos livros de Frank Herbert do que Denis”, disse Isaac.

“Tem um elemento brutal na coisa toda. É assustador. Muito visceral”, afirmou o ator, antes completar dizendo que ele, Chalamet e Rebecca Ferguson, que vive sua esposa Lady Jessica, realmente se doaram emocionalmente na interpretação de uma unidade familiar.

“Estou animado demais. Acho que é bom se sentir legal, único e especial,  concluiu o astro.

Na nova adaptação de Duna, Chalamet será o protagonista Paul Atreides, cuja família aceita controlar o planeta-deserto Arrakis, produtor de um recurso valioso e disputado por diversas famílias nobres.

Ele é forçado a fugir para o deserto - com a ajuda de sua mãe - e se junta a tribos nômades, eventualmente liderando-as por conta de suas habilidades mentais avançadas.

Dave Bautista será Rabban, sobrinho sádico de um barão que comanda Arrakis e também é chamado de A Besta.

O elenco estelar ainda conta com Josh Brolin, Javier Bardem, Zendaya e Stellan Skarsgard.

A estreia está prevista para 18 de dezembro de 2020 e uma sequência já está em produção.

O livro é conhecido como uma das obras mais complexas de ficção científica de todos dos tempos, e já foi adaptado para os cinemas em 1984 por David Lynch.

Também virou minissérie do canal Syfy em 2000.

No Brasil, os livros da franquia Duna são publicados pela Editora Aleph.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

EMMY 2019: 'GAME OF THRONES' E 'FLEABAG' DOMINAM A NOITE

<>
Série da britânica Phoebe Waller-Bridge conquistou quatro prêmios, incluindo melhor comédia e roteiro de comédia - 'Chernobyl também se destacou, com três prêmios
<>

“Fleabag”, com quatro prêmios, foi a maior vencedora da 71ª edição do Emmy, na noite de domingo (22).

Outro destaque foi “Chernobyl”, que ficou com três estatuetas.

“Game of thrones” levou o prêmio principal, de melhor série dramática, mas conquistou apenas este e o de melhor ator coadjuvante em série de drama, para Peter Dinklage, embora estivesse concorrendo em sete categorias.
A atriz, roteirista e criadora de 'Fleabag', Phoebe Waller-Bridge, comemora com seus prêmios no 71º Emmy, no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22)  — Foto:  REUTERS/Monica Almeida
A atriz, roteirista e criadora de 'Fleabag', Phoebe Waller-Bridge, comemora com seus prêmios no 71º Emmy, no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: REUTERS/Monica Almeida
A noite começou com Homer Simpson no palco e piadas do ator Anthony Anderson, da série “Black-ish”, sobre a ausência de um apresentador fixo - esta foi a primeira vez que isso aconteceu desde 2003.

O assunto voltou a render brincadeiras mais tarde, quando os apresentadores Stephen Colbert, do “The Late Show”, e Jimmy Kimmel, do “Jimmy Kimmel Live!”, “alertaram” para os perigos da ausência de um âncora e foram substituídos pela Alexa, a assistente pessoal da Amazon, na hora de anunciar as concorrentes a melhor atriz de comédia.
O elenco e produtores de ‘Fleabag’ recebem o prêmio de melhor série de comédia no 71º Emmy, no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
O elenco e produtores de ‘Fleabag’ recebem o prêmio de melhor série de comédia no 71º Emmy — Foto: Reuters/Mike Blake
Os dois primeiros prêmios foram uma dobradinha para a série “The Marvelous Mrs. Maisel”, com os melhores ator e atriz coadjuvante, respectivamente Tony Shalhoub e Alex Borstein.

Logo em seguida vieram os dois primeiros prêmios que “Fleabag” levaria para casa: melhor roteiro de comédia, para Phoebe Waller-Bridge, e melhor direção – ambos para o primeiro episódio da segunda temporada.

Waller-Bridge também subiria ao palco mais tarde para receber a estatueta de melhor atriz de comédia, e no final da noite, quando se juntou a parte do elenco e produtores para recolher a estatueta de melhor comédia e brincou no microfone: “isso já está ficando ridículo!”, disse, aos risos.

O primeiro prêmio de “Game of thrones” foi para Peter Dinklage, como melhor ator coadjuvante em série de drama.

Já em atriz coadjuvante, em que a série tinha quatro entre as seis concorrentes, a vencedora foi Julia Garner, de “Ozark”.

Kit Harington e Emilia Clarke, que concorriam como melhor ator e atriz em drama, também perderam para Billy Porter, de “Pose”, e Jodie Comer, de “Killing Eve”.
Parte do elenco de 'Game of thrones' no palco do 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Parte do elenco de 'Game of thrones' no palco do 71º Emmy — Foto: Reuters/Mike Blake
Ainda assim, quando os principais nomes do elenco da série subiram juntos ao palco e uma montagem com cenas marcantes foram apresentadas, o público aplaudiu de pé.

Ao final da cerimônia, a recompensa veio com o prêmio de melhor série de drama.

Outro destaque da noite foi “Chernobyl”, que saiu com três prêmios importantes, de roteiro para série limitada ou filme para TV, direção em série limitada ou filme para TV e melhor série limitada ou filme para TV.
Stellan Skargard e Jared Harris, protagonistas de ‘Chernobyl’, posam nos bastidores do 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Monica Almeida
Stellan Skargard e Jared Harris, protagonistas de ‘Chernobyl’, posam nos bastidores do 71º Emmy — Foto: Reuters/Monica Almeida
“Last Week Tonight with John Oliver” e “Saturday Night Live” também ganharam mais de um prêmio, com duas categorias vencidas por cada um.

Confira a lista completa dos premiados no Emmy 2019:

MELHOR SÉRIE - DRAMA
Game of Thrones
O elenco e produtores de ‘Game of thrones’ recebem o prêmio de melhor série de drama, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
O elenco e produtores de ‘Game of thrones’ recebem o prêmio de melhor série de drama — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR SÉRIE - COMÉDIA
Fleabag

MELHOR TELEFILME
Black Mirror: Bandersnatch

MELHOR MINISSÉRIE OU SÉRIE LIMITADA
Chernobyl

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE - DRAMA
Jason Bateman (Ozark)

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE - COMÉDIA
Harry Bradbeer (Fleabag)

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Johan Renck (Chernobyl)

MELHOR ATOR - DRAMA
Billy Porter (Pose)
Billy Porter, de ‘Pose’, agradece o prêmio de melhor ator em uma série de drama, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Billy Porter, de ‘Pose’, agradece o prêmio de melhor ator em uma série de drama — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATOR - COMÉDIA
Bill Hader (Barry)
Bill Hader aceita o prêmio de melhor ator de comédia por ‘Barry’, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Bill Hader aceita o prêmio de melhor ator de comédia por ‘Barry’ — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATRIZ - DRAMA
Jodie Comer (Killing Eve)
Jodie Comer, de ‘Killing Eve’, agradece o prêmio de melhor atriz em uma série de drama, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Jodie Comer, de ‘Killing Eve’, agradece o prêmio de melhor atriz em uma série de drama — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATRIZ - COMÉDIA
Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)

MELHOR ATOR COADJUVANTE - DRAMA
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Peter Dinklage, de ‘Game of thrones’, agradece o prêmio de melhor ator coadjuvante por uma série de drama, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Peter Dinklage, de ‘Game of thrones’, agradece o prêmio de melhor ator coadjuvante por uma série de drama — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATOR COADJUVANTE - COMÉDIA
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs Maisel)
Tony Shalhoub comemora após ganhar o prêmio de melhor ator coadjuvante por série de comédia, por 'The Marvelous Mrs. Maisel', no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Tony Shalhoub comemora após ganhar o prêmio de melhor ator coadjuvante por série de comédia, por 'The Marvelous Mrs. Maisel' — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - DRAMA
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Alex Borstein comemora após ganhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante em série de comédia, por ‘The Marvelous Ms. Maisel’, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Alex Borstein comemora após ganhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante em série de comédia, por ‘The Marvelous Ms. Maisel’ — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - COMÉDIA
Julia Garner (Ozark)
Julia Garner, de ‘Ozark’, agradece o prêmio de melhor atriz coadjuvante por uma série de drama, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Julia Garner, de ‘Ozark’, agradece o prêmio de melhor atriz coadjuvante por uma série de drama — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Jharrel Jerome (Olhos que Condenam)
Jharrel Jerome comemora o prêmio de melhor ator por uma série limitada ou filme para TV, por ‘Olhos que condenam’, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
Jharrel Jerome comemora o prêmio de melhor ator por uma série limitada ou filme para TV, por ‘Olhos que condenam’  — Foto: Reuters/Mike Blake
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Michelle Williams (Fosse/Verdon)
Michelle Williams posa com o prêmio que ganhou como melhor atriz por ‘Fosse/Verdon’, na categoria uma série limitada ou filme para TV no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Monica Almeida
Michelle Williams posa com o prêmio que ganhou como melhor atriz por ‘Fosse/Verdon’, na categoria uma série limitada ou filme para TV — Foto: Reuters/Monica Almeida
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Ben Whishaw (A Very English Scandal)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Patricia Arquette (The Act)

MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE - DRAMA
Succession

MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE - COMÉDIA
Fleabag (Episódio 1)

MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Chernobyl

MELHOR PROGRAMA DE ESQUETES
Saturday Night Live

MELHOR PROGRAMA DE VARIEDADES
Last Week Tonight with John Oliver

MELHOR REALITY SHOW
RuPaul's Drag Race
RuPaul e sua equipe comemoram o prêmio de melhor reality show por ‘RuPaul's Drag Race’, no 71º Emmy no Microsoft Theatre, em Los Angeles, no domingo (22) — Foto: Reuters/Mike Blake
RuPaul e sua equipe comemoram o prêmio de melhor reality show por ‘RuPaul's Drag Race’ — Foto: Reuters/Mike Blake

sábado, 16 de fevereiro de 2019

'DUNA': REBOOT TERÁ JAMON MOMOA NO ELENCO

<>
Filme será dirigido por Denis Villenueve e não tem data de lançamento
<>

O elenco do reboot de Duna está cada vez maior e cheio de nomes de peso.

A novidade da vez é Jason Momoa que segundo a Variety, está acertando detalhes finais do contrato.

O papel do ator ainda não foi revelado.

O livro é uma das obras mais renomadas da ficção científica - já foi adaptado para os cinemas em 1984 por David Lynch e virou uma minissérie no ano 2000.

Timothée Chalamet será Paul Atreides, filho de um Duke que toma controle do planeta Arrakis, produtor de um recurso valioso disputado por diversas famílias.

Ele é forçado a fugir para o deserto - com a ajuda de sua mãe, Lady Jessica (Rebecca Ferguson) - e se junta à tribos nômades.

Além de Chalamet, Ferguson e Momoa, o elenco já conta com Dave Bautista, Oscar Isaac, Stellan Skarsgaard, Charlotte Rampling, Josh Brolin e Javier Bardem.

Denis Villeneuve dirige o novo filme, que ainda não tem data de lançamento prevista.

Foto do Topo: Variety

quinta-feira, 13 de março de 2014

'NINFOMANÍACA - VOLUME II': DEBATE SOBRE GÊNERO, MORALISMO E SEXUALIDADE ARREMATADO COM ÓTIMOS ROTEIROS E INTERPRETAÇÕES


Segunda parte do drama sexual dirigido por Lars Von Trier, 'Ninfomaníaca - Volume II' estreia hoje em 72 salas em todo o Brasil,  finalmente dá vazão à toda insensibilidade mostrada no Volume I e finaliza um retrato da sociedade contemporânea de forma excepcional.

Enquanto os corpos estão expostos em carne mais que viva ao longo das duas partes - na escatologia provocada pela loucura, nas marcas de dor desenhadas pelo masoquismo - as almas estão profundamente secas, como as represas do Sistema Cantareira atualmente.

A primeira parte foca nas raízes da protagonista, enquanto a segunda tem mais movimento para nos apresentar o desfecho.

Começa do amanhecer de Jerome (Shia LaBeouf) e Joe (Stacy Martin) após a primeira noite de amor e percorre a relação quase infantil do par, durante a qual a personagem tenta voltar a sentir algum prazer.

Shia Labeouf - centro - em cena do longa - Fotos dessa postagem: Divulgação/Califórnia Filmes

A transição para Charlotte Gainsbourg no papel principal ocorre de forma abrupta, mas muito bem colocada para expressar sua "maturidade": enquanto era jovem, Joe sorria e, mais velha, fecha-se em si mesma e no tal egoísmo feminino indicado em 'Anticristo', longa anterior de Von Trier - tanto que há referência direta à emblemática cena da criança caindo da janela.

Assim, na segunda parte Joe continua contando sua história a Seligman (Stellan Skarsgård) e logo de cara relata uma visão mística que teve durante a primeira masturbação: acreditou ter encarado duas santas, entre elas, a Virgem Maria.

Seligman ironiza e destaca o fato de a personagem ter visto a representação da ninfomaníaca Messalina e da maior prostituta da Babilônia.

Joe (Charlotte Gainsbourg) e Seligman (Stellan Skarsgård), em cena do longa

Essa eterna caça às bruxas do prazer feminino, pelo qual mulheres são julgadas como santas ou devassas segundo a expressão de seu desejo, fica mais clara ao longo desta parte, onde o cineasta coloca o espectador no lugar de Seligman - o homem feliz, de bem, cheio de pudores e com incríveis teorias para interpretar qualquer questão.

Outro mérito do longa é não colocar Joe como uma heroína rasteira, já que suas contradições parecem deixá-la tão imersa quanto o outro num profundo jogo de hipocrisia.

Os personagens travam um embate sem fim entre opostos: Deus e o Diabo, castidade e sexo, felicidade e sofrimento, masculino e feminino - tudo isso numa mistura sem fronteiras como se os dois fossem apenas aspectos exagerados de um mesmo sistema.

Joe narra suas tentativas de recuperar a sensibilidade principalmente por meio do masoquismo e a violência praticada pelo jovem K (Jamie Bell, sen-sa-cio-nal) a várias mulheres é cruel e doentia, assim como o ambiente hospitalar onde é praticada.

Jamie Bell é o sadomasoquista 'K'

A tão comentada cena do 'ménage à trois' envolve a falta de palavras e uma tentativa de entendimento por meio do corpo, algo que faz muito sentido ao desenrolar da trama.

Já na discussão entre Joe e Seligman sobre hipocrisia, ela fala sobre tabus e como a sociedade acredita se livrar do mal extirpando apenas as palavras.

Livra-se da forma, da fala, mas o conteúdo permanece ao rés do chão.

Willem Dafoe (ótimo) entra em cena para direcionar a suposta perversidade de Joe a uma finalidade corrompida pois, se na primeira parte a personagem domina os demais, na segunda é dominada e vira um instrumento nas mãos dos homens - um discurso sobre a liberdade sexual feminina precede justamente um desfecho que resume perfeitamente o machismo.

Joe em ação

Com atores impecáveis e um roteiro bem escrito bem filmado, Lars Von Trier talvez tenha feito a obra que melhor traduz os dias de hoje, iluminando o debate sobre gênero, moralismo e sexualidade, além de enfatizar a apatia angustiante da busca excessiva por prazer.

Agora sim: juntando as duas partes, temos um filmaço;

Confira o trailer do longa:

*****
'NINFOMANÍACA - VOLUME II'
Título Original:
NYMPHOMANIAC - VOLUME II
Gênero:
Drama
Direção e Roteiro:
Lars von Trier
Elenco:
Caroline Goodall, Charlotte Gainsbourg, Christian Slater, Connie Nielsen, Hugo Speer, Jamie Bell, Jean-Marc Barr, Jens Albinus, Jesper Christensen, Michäel Pas, Nicolas Bro, Omar Shargawi, Shia LaBeouf, Sophie Kennedy Clark, Stacy Martin, Stellan Skarsgard, Udo Kier, Uma Thurman, Willem Dafoe
Produção:
Louise Vesth, Marie Cecilie Gade
Fotografia:
Manuel Alberto Claro
Montador:
Molly Marlene, Stensgaard
Duração:
124 min.
Ano:
2014
País:
Dinamarca
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
13/03/2014
Distribuidora:
Califórnia Filmes
Estúdio:
Zentropa Entertainments
Classificação:
18 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

'NINFOMANÍACA - PARTE 1'': LONGA É ANTÍTESE DO TESÃO E PRECISA DA EXIBIÇÃO DA 'PARTE 2' PARA DIZER A QUE VEIO




Escrever sobre o novo e aguardadíssimo longa de temática sexual do polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier não é fácil, principalmente pelo fato de que 'Ninfomaníaca' - que estreia hoje em 29 salas em todo o Brasil - é somente uma das partes da produção, que ultrapassaria cinco horas de duração.

Não se sabe ao certo porque a versão integral não está nas telonas, já que Trier aprovou a edição reduzida - mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Ficamos sem saber se o original não tenha sido considerado viável comercialmente ou estivesse apenas longo demais sem necessidade de sê-lo.

Se as dúvidas só servem para atiçar o interesse do espectador, o cineasta marqueteiro sabe aproveitar bem isso.


O 'volume 1' chega sob eficiente campanha de marketing, que nos diz que 'está todo mundo cheio de tesão para assistir ao pornô-cabeça do diretor'.

Porém, se você for aos cinemas tesudo como manda a propaganda, vai é receber um belo balde d'água fria, daqueles de separar cachorro, no seu fogo e no fogo dos demais espectadores.

Afinal, o longa é a antítese da excitação erótica - e esse é um dos méritos do filme.

Joe (Charlotte Gainsbourg), em foto promocional - Imagens dessa postagem: Califórnia Filmes
A ninfomania é uma disfunção sexual e é assim que é tratada no longa, onde a personagem principal não é alguém que vai te deixar constrangido tentando esconder uma ereção na sala de cinema.

O que poderia ser mais ' corta tesão' que misturar sexo e matemática?

A 'primeira vez' da protagonista Joe é narrada em números de penetrações - tantas na frente e outras tantas atrás e o serviço está feito.

Para deixar tudo ainda mais perturbadora - e menos tesudo - Von Trier transforma a tela num grande e inquietante quadro negro.

Enquanto Joe (Charlotte Gainsbourg) é violada por seu primeiro homem (Shia LaBeouf), a contabilidade de sua primeira transa é exposta na tela com recursos gráficos. 1, 2, 3... hímen rompido.

Ela vira-se de bruços, ele a penetra por trás e ela suporta, apática.

Joe (Charlotte Gainsbourg) e seu primeiro homem (Shia LaBeouf)

Não há tesão, não há romance, já que Jo parece querer livrar-se de um mal, a virgindade e, agora, seus 'buracos' estão devidamente escancarados para uma vida de promiscuidade.

Esses e outros episódios sexuais são narrados por Joe em flashback para Seligman (Stellan John Skarsgård), um desconhecido que a acha jogada na rua, desacordada e ferida.
Seligman (Stellan John Skarsgård)
Sendo cuidada por ele, Jo vai construindo com sua narrativa pormenorizada, e sempre pautada pelo sexo, a jornada que a levou àquela situação.

Ele, por sua vez, não a julga: apaixonado por pesca, traça paralelos entre as artimanhas para atrair peixes e as técnicas usadas por Joe para seduzir os machos com quem vai copulando pelo caminho - outras analogias virão, como quando ele associa o comportamento libertino da moça a uma composição de Bach.

Joe é uma predadora sexual, os homens são meros objetos e sua conduta é de psicopata, sem qualquer tipo de sentimento ou remorso e o único homem que a faz demonstrar emoção é o pai (Christian Slater).

Christian Slater é o pai de Jo
O ápice de sua indiferença se dá numa das melhores cenas dessa primeira parte, quando tem de lidar com uma mulher traída vivida por Uma Thurman - breve alívio cômico para um filme pesado, de se cortar com faca de tão denso.

Uma Thurman: breve alívio cômico para um filme pesado
O espectador continua a seguir Jo e suas trepadas, até que de repente sobem os créditos.

Diferente de outras produções divididas em capítulos, o 'volume 1' não tenta fechar um ciclo, o corte é sem aviso e fica a sensação de que acabamos vendo um filme pelo meio.

Se a outra metade for assim - serão mais duas horas de projeção - o longa não se sustenta.

Porém, Lars von Trier é um diretor extremamente talentoso e pode surpreender e eu vou realmente precisar assistir ao resto para saber.

Por enquanto, mais morno que frio e sem a parte dois, precisa dizer a que veio.

Confira o trailer do longa:


*****
'NINFOMANÍACA - PARTE 1'
Gênero:
Erótico
Direção:
Lars von Trier
Roteiro:
Lars von Trier
Elenco:
Charlotte Gainsbourg, Christian Slater, Connie Nielsen, Jamie Bell, Jean-Marc Barr, Mia Goth, Michäel Pas, Shia LaBeouf, Sophie Kennedy Clark, Stacy Martin, Stellan Skarsgard, Udo Kier, Uma Thurman, Willem Dafoe
Produção:
Bert Hamelinck, Bettina Brokemper, Louise Vesth, Maj-Britt Paulmann, Marianne Jul Hansen, Marianne Slot, Marie Cecilie Gade, Peter Aalbæk Jensen, Peter Garde, Sascha Verhey
Fotografia:
Manuel Alberto Claro
Montador:
Molly Marlene, Stensgaard
Duração:
118 min.
Ano:
2013
País:
Dinamarca
Cor:
Preto e Branco
Estreia no Brasil:
10/01/2014
Distribuidora:
Califórnia Filmes
Estúdio:
Zentropa Entertainments
Classificação:
18 anos
Classificação do Klau (Parte '):

sexta-feira, 27 de abril de 2012

'OS VINGADORES - THE AVENGERS': AÇÃO, BOM HUMOR, 3D PERFEITO, ELENCO AFIADO E ROTEIRO BEM AMARRADO


Desde os anos 70 que a Marvel queria fazer filmes com seus principais personagens e que mostrassem toda sua grandiosidade, seus poderes e dúvidas existenciais - esta última o maior segredo do sucesso de suas HQs.

Se a editora rival, DC Comics, conseguia realizar filmes que já entraram para a história do Cinema com seus principais heróis - como "Superman - O Filme" (1978) e "Batman" (1989) - a Marvel patinava em filmes e séries para a TV horrendas, mal produzidas, com atores abaixo da crítica e ruins de dar dó.

Para mim, a grande virada da Marvel veio com o primeiro filme do Hulk - em 2003 - pois, se os efeitos especiais que davam movimento ao monstro verde não eram lá essas coisas, o longa tinha um roteiro razoável e foi muito bem dirigido por Ang Lee, que logo depois fez sua obra prima nas telonas - "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005).

Colocar Samuel L. Jackson como Nick Fury na cena pós-créditos de "Homem de Ferro" (2008)  foi, mais que uma piada interna - Fury era branco nas HQs - uma forma de mostrar aos fãs que eles sabiam que o chamado "Universo Marvel" era maior e que trazia grandes possibilidades.

Quando "Homem de Ferro" encostou nos US$ 600 milhões nas bilheterias mundiais, a possibilidade de um longa com o super grupo da Marvel passou a se tornar uma ideia sólida.

"O Incrível Hulk", lançado no mesmo ano e com efeitos muito melhores que o anterior, trouxe definitivamente para o cinema a S.H.I.E.L.D, organização da qual Fury é diretor.

Quando "Homem de Ferro 2" chegou aos cinemas - com Jackson no elenco principal e Scarlett Johansson como a Viúva Negra - "Os Vingadores - The Avengers" era apenas questão de tempo.

"Thor" e "Capitão América: O Primeiro Vingador" - ambos de 2011 - foram as últimas peças que faltavam para uma aventura da superequipe – além de fornecer material precioso para a trama da super produção que estreia hoje no Brasil, uma semana antes da estreia americana.
Imagens: Divulgação - Marvel Studios
Chris Evans como o Capitão América, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

O longa-metragem concretiza o sonho de Kevin Feige, presidente do Marvel Studios e arquiteto do renascimento no cinema dos super-heróis da Marvel, desde "Homem de Ferro", um sonho ambicioso: fazer cada super-herói da galeria principal - com exceção do Homem-Aranha e X-Men, cujos direitos pertencem a outros estúdios - estrelar seus próprios filmes, antes de reuni-los em uma única superprodução.

"O maior desafio durante estes anos foi dar vida individual para cada filme, sabendo que tudo levaria a "Os Vingadores - The Avengers", declarou Feige.

Para o longa que estreia hoje, Edward Norton foi substituído por Mark Ruffalo, e Jeremy Renner se juntou ao elenco no papel de Gavião Arqueiro - que já havia aparecido em uma rápida cena em "Thor".

Jeremy Renner como o Gavião Arqueiro, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

O grande vilão de "Os Vingadores - The Avengers" é Loki - interpretado por Tom Hiddleston - meio-irmão de Thor - Chris Hemsworth - que, ao fim do filme solo do Deus do Trovão, é perdido em um limbo cósmico e na cena pós-créditos é visto influenciando o cientista interpretado por Stellan Skarsgard a trabalhar com um aparato mostrado por Nick Fury, o Tesseract ou Cubo Cósmico, uma arma tão poderosa e que concentra tamanho poder que o Deus Odin, pai de Thor, a mantinha escondida e fortemente guardada por guerreiros em Asgard, a morada dos deuses.

Em "O Primeiro Vingador", o Cubo é encontrado pelo Caveira Vermelha - Hugo Weaving - na Noruega, berço da mitologia nórdica, e é o combustível das armas inventadas pelo vilão durante a Segunda Guerra Mundial, num plano detido pelo Capitão América - Chris Evans.

Tom Hiddleston como o vilão Loki, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

Joss Whedon é um realizador perfeito, que já tinha mostrado seu talento em conduzir dinâmicas de grupo - são dele as direções das séries "Buffy" e "Firefly".

É também um fanático por quadrinhos, mostrando-se afiado para equilibrar uma trama necessária para unir os heróis mais poderosos da Terra com espetáculo, cenas de ação espetaculares e um uso primoroso do formato 3D e onde, até chegar no caos e na destruição, o público precisa se importar com o que acontece em cena.

O Homem de Ferro - Robert Downey Jr. -, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

Com roteiro de Zan Penn - reescrito com profundidade pop pelo próprio diretor - Loki usa o poder do Cubo para encontrar um caminho para sair de seu exílio espacial - onde ele foi parar ao fim de "Thor" (2011) - e volta sua vingança para a Terra, trazendo um exército alienígena sem face e uma entidade nas sombras,  que a tudo manipula.

Loki consegue - pelos poderes mágicos do seu cetro -  que dois aliados da  S.H.I.E.L.D. se bandeiem para o seu lado: o Professor Erik Selvig - Stellan Skarsgård - e Clint Barton, o Gavião Arqueiro - Jeremy Renner.

O Incrível Hulk,interpretado por Mark Ruffalo através da técnica de captura de movimentos , em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

Cabe à agente Maria Hill - Cobie Smulders - e ao agente Phil Coulson - Clark Gregg -, comandados por Nick Fury ,o resgate do Cubo, que precisa ter seu poder liberado para que, com a ajuda do cetro de Loki, os aliens consigam invadir a Terra.

E quando a esperança quase morre, Fury decide dar prosseguimento - com o aval do Conselho de Segurança mundial - ao Projeto Vingadores, reunindo o Capitão América - Chris Evans, Homem de Ferro - Robert Downey Jr. - Thor - Chris Hemsworth - e Bruce Banner - Mark Ruffalo -, alter ego do incrível Hulk e especialista em raios gama, um dos componentes-chave do Cubo, além dos agentes da S.H.I.E.L.D., Viúva Negra - Scarlett Johansson - e Gavião Arqueiro, já livre da magia de Loki.

O Poderoso Thor - Chris Hemsworth - e o Capitão América - Chris Evans - em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

Depois de um começo explosivo, e com embates entre os heróis, a trama coloca cada membro da equipe em seu lugar, preservando suas personalidades já apresentadas em filmes solo.

Aqui, quem mais ganha é o Hulk, que ganhou seu melhor intérprete e sua melhor representação no cinema, já que Mark Ruffalo interpretou o monstro verde em todas as cenas, através da tecnologia de captura de movimentos - Hulk vira um gigante verde e violento, mas tem as feições e gestual do ator, o que o torna um dos mais fascinantes Vingadores.


Por outro lado, seu Bruce Banner é um cientista de fala suave e mansa, o único que compreende a verborragia científica de Tony Stark, o que resulta num  ótimo contraste com o gigante esmeralda.

Scarlett Johansson como a Viúva Negra, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

Sem pressa e sem apelar para a correria e overdose de efeitos especiais - viu, Michael Bay? - e recheado de momentos de puro bom humor, ver um longa dessa complexidade preocupado com pequenos momentos, que dão dimensão do lugar de cada personagem, é, sem dúvida, um achado.

E os diálogos deliciosos?

Loki para Tony Stark: "Eu tenho um exército".
Tony Stark para Loki: "E eu tenho o Hulk".


Tony Stark para Capitão América: "Capitão Picolé" - em referência ao herói ter ficado 70 anos congelado

Thor sobre Loki :“Ele é adotado”.

Capitão América para Hulk: “Hulk, esmague”.

Com efeitos especiais criativos e surpreendentes - provavelmente os melhores que você já viu, feitos pelo supervisor de efeitos especiais Dan Sudick - , sem perder tempo lotando a trama com referências nerd e um terceiro ato aceleradíssimo, o longa consegue com folga atingir o objetivo definido por seu diretor: "Capturar a essência dos quadrinhos, mas sem esquecer que fazemos um filme e não um desenho animado. É preciso capturar o espírito, mas sem ser um escravo dele".

Nick Fury - Samuel L.Jackson - mostra ao Capitão América - Chris Evans - seu plano para formar a super equipe, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

"Os Vingadores - The Avengers" não falha na cronologia estabelecida por seus antecessores, entrega uma aventura de primeira e é o melhor filme dessa nova fase da Marvel.

Contar mais seria estragar seu prazer de ir ao cinema para ver o longa, rico em lutas de todas as formas e com momentos inesquecíveis – de embates entre heróis inclusive; diálogos maravilhosos de Stark com os outros heróis e com Jarvis - voz de Paul Bettany - que organiza as provisões dos Vingadores; a estupenda aparição da Helicarrier Bridge, porta-aviões voador da S.H.I.E.L.D., que carrega também os Quinjets e as sensacionais cenas de perseguição que estão por todo o filme.

O alter ego do Homem de Ferro, Tony Stark - Robert Downey Jr. -, em cena de "Os Vingadores - The Avengers"

Fique até o final dos créditos: uma breve cena especial abre espaço para uma possível continuação -  e veja que um dos grandes boatos que circularam na internet sobre o filme não é tão boato assim...

O sucesso anunciado do longa deve render muita grana à Disney - proprietária da Marvel desde 2009 - após o fiasco de "John Carter" no começo desse ano.

"Os Vingadores - The Avengers" abre a temporada de blockbusters de Hollywood, particularmente rica neste ano com os esperados retornos de Batman - em "O Cavaleiro das Trevas Ressurge", de Christopher Nolan - e do Homem Aranha - em "O Espetacular Homem Aranha", que retoma as origens do super-herói, desta vez interpretado por Andrew Garfield.

Confira o trailer do filme:

*****
"Os Vingadores - The Avengers"
Título Original:
"The Avengers"
Diretor: Joss Whedon
Elenco:
Chris Evans, Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Jeremy Renner, Stellan Skarsgård, Cobie Smulders, Gwyneth Paltrow, Tom Hiddleston
Produção:
Kevin Feige
Roteiro Final:
Joss Whedon
Fotografia:
Seamus McGarvey
Trilha Sonora:
Alan Silvestri
Duração:
136 min.
Ano:
2012
País:
EUA
Gênero:
Ação
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Disney
Estúdio:
Marvel Enterprises / Marvel Studios
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: