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sábado, 8 de setembro de 2012

VENEZA 2012: CONFIRA OS GANHADORES


Foram anunciados agora a pouco os ganhadores da 69ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

O favorito "The Master" surpreendentemente não levou o Leão de Ouro - o prêmio principal foi para "Pieta", do sul-coreano Kim Ki-duk, que já tinha levado o Leão de Prata em 2004.

"The Master" - longa que revela a trajetória do fundador da Cientologia - porém, foi duplamente premiado pelas atuações dos seus protagonistas - Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman - e também levou o Leão de Prata - pela direção de Paul Thomas Anderson.

Segundo o site "The Hollywood Reporter", o júri inicialmente tinha a intenção de conceder o prêmio ao longa de Anderson, mas na última hora mudou sua decisão e resolveu premiar o longa de Ki-duk.

Uma nova regra do festival proíbe um filme de conquistar mais de dois prêmios importantes, e "The Master" já havia sido consagrado com o Leão de Prata - para Anderson - e o prêmio de Melhor Ator - dividido entre Phoenix e Seymour Hoffman.

Na acalorada última deliberação, os membros do júri - presidido pelo cineasta norte-americano Michael Mann, ao lado de Ari Folman, Matteo Garrone, Ursula Meier, Peter Ho-Sun Chan, Pablo Trapero, Marina Abramovic e Samantha Morton - foram obrigados a retirar um dos troféus e o favorito acabou ficando sem o prêmio principal.

Reuters
O Júri de Veneza 2012
Não é de hoje que a competição mais antiga do cinema faz escolhas peculiares e cercadas de controvérsia: em 2008, um caso similar ocorreu com "O Lutador", de Darren Aronofsky, que ficou com o Leão de Ouro mas Mickey Rourke - aposta certa para o Copa Volpi, prêmio concedido para Melhor Ator  - não levou.

Em 2010, a polêmica voltou a ser instaurada quando o presidente do júri, Quentin Tarantino, foi altamente criticado por conceder os maiores prêmios para cineastas com quem tinha relações próximas - o vencedor do Leão de Ouro foi para "Somewhere", de Sofia Coppola, sua ex-namorada.

"The Master" também ganhou o prêmio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos e o prêmio de Melhor Atriz ficou com a francesa Hadas Yahron - por sua atuação em "Fill the Void".

O longa sul-coreano "Pietà" é ultraviolento e tem uma cena de estupro que fez várias pessoas abandonarem as sessões em que foi exibido em Veneza.

AFP Photo
O diretor Kim Ki-duk segura seu leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Veneza

A trama mostra o relacionamento de um cobrador de dívidas (Lee Jung-Jin) que fere devedores de forma brutal, e uma mulher (Cho Min-Soo) que afirma ser sua mãe.

Confira o trailer de "Pietà":


Em 2004, Kim Ki-Duk venceu o prêmio de direção no festival -  por "Casa Vazia".

O cineasta, de 51 anos, recebeu o prêmio vestido com terno coreano verde e marrom escuro e, depois de agradecer aos jurados e chamar os protagonistas do filme ao palco, entoou um canto em seu idioma como agradecimento, um gesto que foi aplaudido calorosamente pelo público.

Outro filme bastante comentado durante o festival - o israelita "Fill the Void", de Rama Bursthein - rendeu à Hadas Yaron o troféu de melhor atriz.

Reuters
Hadas Yaron com sua Copa Volpi de melhor atriz
Ainda no âmbito das atuações, o jovem italiano Fabrizio Falco levou o prêmio Marcello Mastroianni, por sua atuação nos filmes "Bella Addormentata", de Marco Bellocchio, e "È Stato Il Figlio", de Daniele Cipri - este último também ganhou o prêmio de melhor fotografia.

Zimbio
O ator Fabrizio Falco com seu prêmio Marcello Mastroianni

"Peço desculpas pela minha aparência, acabei de descer do avião. Coloquei o terno no banheiro. Trabalhar com Joaquim foi uma experiência incrível, porque é uma força indômita e eu apenas a aproveitei. Estou certo de que também está muito agradecido", afirmou Hoffman ao receber os dois prêmios de melhor ator - Joaquin Phoenix não pode comparecer.

Reuters
Philip Seymour Hoffman segura a Copa Volpi de melhor ator por sua interpretação em "The Master"

Outro filme de autor, "Paradise: Faith" (Paraíso: Fé), que causou escândalo em Veneza por cenas polêmicas  - como uma de sexo com um crucifixo - foi contemplado com o Prêmio Especial do Júri.

"Meu filme não é blasfêmia", disse do palco o diretor austríaco Ulrich Seidl.

Reuters
O diretor austríaco Ulrich Seidl recebe o Prêmio Especial do Júri

O cinema italiano, que há cerca de vinte anos não recebe o prêmio máximo, ficou com a Melhor Contribuição Técnica - para o cineasta Daniele Cipri pela fotografia de "Ha sido el hijo", protagonizada pelo chileno Alfredo Castro.

O prêmio de Melhor Roteiro foi recebido pelo diretor francês Olivier Assayas por "Après Mai", que lembra os anos de maio 68 na França, entre militância política, drogas, revolução e fuga para a Índia.

Zimbio
O diretor francês Olivier Assayas levou o prêmio de Melhor Roteiro

O novo diretor da competição, Alberto Barbera, programou um festival equilibrado, que destacou o cinema de autor e que contou com filmes muitos esperados nos círculos especializados, como "The Master", uma das grandes apostas da Mostra, que chegou dos Estados Unidos envolto a críticas e mistério.

Também estiveram no Lido - ilha veneziana onde acontece o festival -  Robert Redford, Winona Ryder, Spike Lee e Brian de Palma.

Os últimos trabalhos dos mestres Takeshi Kitano e Terrence Malick, contudo, decepcionaram.

A religião, em particular, todas as formas de fundamentalismo e sectarismo, inspiraram muitas das obras apresentadas e premiadas, como se o mundo estivesse sobrecarregado pelas convenções.

Entre os documentários se destacaram um sobre Michael Jackson - "Bad 25" de Spike Lee - e a cópia restaurada de "O Portal do Paraíso", obra prima de Michael Cimino, presente em Veneza.

A coincidência do festival italiano com o de Toronto, no Canadá, obrigou muitas produções a se dividir entre os dois lados do oceano - até o lendário Robert Redford só permaneceu uma noite em Veneza.

Confira a lista completa de prêmios oficiais entregues pelo júri da seção oficial de Veneza 2012:

Leão de Ouro de Melhor Filme: "Pietà", de Kim Ki-duk (Coreia do Sul);

Leão de Prata de Melhor Direção: Paul Thomas Anderson por "The Master" (EUA);

Prêmio Especial do Júri: "Paradies: Glaube", de Ulrich Seidl (Áustria, Alemanha e França);

Copa Volpi de Melhor Interpretação Masculina: Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix, por "The Master" (EUA);

Copa Volpi de Melhor Interpretação Feminina: Magas Yaron, por "Lemale et ha'halal", de Rama Burshtein (Israel);

Prêmio Marcello Mastroianni de Ator Revelação: Fabrizio Falco, pelos filmes "Bella addormentata", de Marco Bellocchio (Itália), e "È stato il figlio", de Daniele Ciprì (Itália);

Prêmio de Melhor Roteirista: Olivier Assayas, por "Après Mai" (França), filme que também dirige;

Prêmio de Melhor Contribuição Técnica, pela Fotografia: Daniele Ciprì, por "È stato il figlio" (Itália), filme que também dirige;

Pelo júri próprio presidido pelo cineasta indiano Shekhar Kapur:

Prêmio Luigi de Laurentiis, o Leão do Futuro, para "Küf" (Turquia e Alemanha), de Ali Aydin, que participava da mostra paralela "Semana Internacional da Crítica".

Seção paralela "Horizontes" que reúne novas tendências cinematográficas e que contou com um júri próprio presidido pelo italiano Pierfrancesco Favino:

Prêmio "Horizontes" ao Melhor Longa-Metragem: "Sam Zimei", de Wang Bing (França e Hong Kong);

Prêmio Especial do Júri "Horizontes": "Tango livre", de Frédéric Fonteyne (França, Bélgica e Luxemburgo);

Prêmio "Horizontes" YouTube para o Melhor Curta-metragem: "Cho-de", de Yoo Min-young (Coreia do Sul).

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Até 2013!

sábado, 1 de setembro de 2012

VENEZA 2012: 'PARADISE FAITH' ESCANDALIZA COM CENA DE SEXO COM CRUCIFIXO


O filme do austríaco Ulrich Seidl, "Paradise Faith/Paraíso: Fé" - que compete pelo Leão de Ouro  junto com outros 17 filmes - escandalizou o Festival de Veneza ontem, com uma cena de sexo com um crucifixo.

"Faith provoca escândalo", foi a capa do jornal italiano Coriere della Sera ao resenhar o filme decididamente anticlerical, protagonizado por uma fervorosa católica que se flagela, usa o cilício, caminha pela casa de joelhos, impreca os pecadores e chega a se masturbar com um crucifixo.

Ao ser acusado de blasfêmia, o diretor explicou que o filme trata, na verdade, de uma mulher em conflito com seus desejos.
"Esse filme irá chocar alguns e outros ficarão irritados com essa mulher que procura apenas satisfazer seus próprios desejos. Queria representar uma mulher que tem amor por Jesus e está em conflito entre o amor que sente por ele e por seu marido".

"Paraíso: Fé" faz parte de uma trilogia do autor que mostra a relação de três mulheres com suas mudanças físicas e como enfrentam a sociedade de consumo e os padrões de beleza.

A cena, na qual a católica Anna Maria, uma auxiliar de raio-x, lentamente tira o crucifixo da parede de seu quarto, o acaricia, o beija, torna a beijá-lo cada vez mais intensamente, até que finalmente se masturba com ele sob as cobertas, é certamente uma das mais impressionantes do cinema contemporâneo.

O filme é uma história de excessos místicos na qual inclusive a fotografia do papa Bento 16 é difamada, arrancou risos e foi aplaudido durante a primeira projeção à imprensa especializada e provavelmente gerará reações na Itália, um dos países mais católicos do planeta - e no Vaticano.

Para Anna Maria, o caminho que a levará ao paraíso reside em Jesus, e por isso decide percorrer toda a cidade de Viena com uma imagem da Virgem Maria de cerca de quarenta centímetros nas mãos batendo de porta em porta para convencer as pessoas a se unirem ao cristianismo.

O retorno inesperado após anos de ausência de seu marido, um muçulmano egípcio prostrado em uma cadeira de rodas, termina por reforçar sua fé.

"A protagonista não entende que a adoração cega pro Cristo a converte em um ser inumano, incapaz de sentir amor e de comunicar a mais importante virtude cristã: amar ao próximo", comentou o diretor.

Divulgação
Cena de "Paradise Faith"

O filme, que faz parte da trilogia Paradise (os outros dois são "Paradise: Love" e "Paradise: Hope"), do diretor Seidl, produzido por França, Áustria e Alemanha, denuncia com uma linguagem irônica o fanatismo religioso.

"Somos as tropas de assalto da Igreja" é o lema da comunidade religiosa a qual a protagonista pertence, que encarna a paixão tanto espiritual quanto carnal por Cristo.

O diretor, renomado documentarista, premiado em Veneza 2011 por seu primeiro longa-metragem - "Hundstage" - disse ter se inspirado nas peregrinações religiosas para convencer adeptos.

"Ela é uma mulher decepcionada com o amor, com os homens e frustrada sexualmente. Sente um vazio interior", explicou.

Confira o trailer do filme:


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Com agências de notícias

quinta-feira, 17 de maio de 2012

FESTIVAL DE CANNES: CONFIRA MAIS FILMES DA QUINTA


Nesta quinta, um filme latino-americano teve mais de três minutos de aplauso ao final da sessão na mostra paralela Quinzena dos Realizadores, no festival de Cannes.

É o chileno “No”, estrelado pelo mexicano Gael García Bernal e que revisita um dos mais importantes episódios da história recente do Chile: em 1988, então há 15 anos no poder, o ditador Augusto Pinochet foi obrigado, por pressão internacional, a promover um referendo para saber se o povo ainda o queria como presidente.
Divulgação
Gael García Bernal, em cena de "No"

Gael interpreta René Saavedra, o publicitário que promoveu a campanha do “Não” a Pinochet, que saiu vencedora e deu início à redemocratização do país.

O filme mostra como a campanha da oposição teve que deixar de ser “pesada”, cheia de imagens sobre as torturas do regime de Pinochet, para abraçar a linguagem da publicidade que tomava conta da TV já naquela época - criou-se assim uma campanha “positiva”, cheia de humor e imagens leves.

“Meu trabalho foi fazer uma espécie de download de informações sobre a época, para entender o contexto e entrar no ritmo, nas microesferas da vida chilena”, comentou Gael García Bernal, que desde o brasileiro “O Passado” (2007) não encontrava um papel tão bom.

“Eu era criança nos anos 80. O filme retrata esse imaginário sujo que eu e outras pessoas ainda têm dessa época, uma memória cheia de dor”, explicou o diretor Pablo Larraín – que já havia dirigido os excelentes “Tony Manero” e “Post Mortem”.

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Palma de Ouro em 2010 por “Tio Boonmee que pode recordar suas vidas passadas”, o tailandês Apichatpong Weerasethakul apresentou nesta quinta, fora de competição, seu novo filme, “Mekong Hotel”.

Foi difícil conter a decepção com o novo trabalho – apesar de ter apenas uma hora de duração, alguns espectadores saíram antes do filme terminar.

Depois do choque de criatividade de “Tio Boonmee...”, o tailandês mostrou uma obra com cenas mal iluminadas que mais parece um filme de estudante, ou um ensaio para um outro filme melhor.

“Mekong Hotel” é todo passado no hotel do título, que fica à beira do rio Mekong, fronteira natural entre a Tailândia e o Laos, onde uma moça conhece um rapaz e eles se apaixonam.

Ela vive o tempo todo no quarto com a mãe e Apichatpong insere aqueles elementos surreais que marcaram sua obra e que dão ao filme um certo encanto: a mãe é uma espécie de vampira, diz que vive há 600 anos naquele quarto, e numa cena aparece comendo as tripas da filha.
Divulgação
Cena de "Mekong Hotel"

Mas o resultado fica mesmo próximo do rascunho e do filme caseiro, tudo embalado por uma melodia chorosa de violão que toca do começo ao fim do filme, sem interrupção.

O diretor afirma que a música mimetiza o curso ininterrupto do rio, mas o que consegue mesmo é causar um tédio mortal.

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Ainda na quinta, a competição do festival apresentou seu pior filme até agora: o austríaco “Paradies: Liebe” (Paraíso: Amor), de Ulrich Seidl, cuja trama acompanha Teresa, uma senhora austríaca de meia-idade que, seguindo o conselho de uma amiga, embarca numa viagem de turismo sexual para o Quênia, na África.

Carente, Teresa se envolve com um nativo e se apaixona, para logo perceber que ele só quer o seu dinheiro.
Divulgação
Cena de “Paradies: Liebe”

Não contente com o erro, envolve-se ainda com um segundo, que só quer a mesma coisa.

Jogando na chave do humor negro, o filme é repleto de cenas de sexo constrangedoras – na principal, quatro amigas contratam um adolescente para “dar de presente” a Teresa no seu aniversário, e começam um jogo para saber quem consegue excitá-lo primeiro.

Seidl aborda o tema sem piedade, exibindo mulheres acima do peso, com os seios caídos, em busca de belos jovens como objetos sexuais, mas o cineasta evita um olhar moralista e não julga as personagens.

"O que me interessa é retratar a realidade. No Ocidente, ninguém olha para as mulheres de mais de 50 anos. É muito difícil para elas ter uma vida sexual. Assim a África é para elas um presente", disse o diretor austríaco.

"E para os jovens da praia, é uma maneira de sobreviver. Para eles, a maior conquista é ter uma relação de longo prazo com uma mulher branca, porque isto representa um emprego a longo prazo", concluiu na entrevista coletiva.

Confira o trailer de "Paradies:Liebe":

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Com Tiago Stivaletti, do UOL