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sábado, 11 de julho de 2020

IRMÃOS RUSSO APOIAM ANTHONY MACKIE SOBRE A FALTA DE DIVERSIDADE RACIAL NOS FILMES DA MARVEL

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Há alguns dias, Anthony Mackie criticou a Marvel Studios pela falta de diversidade racial nos filmes do MCU, problema que afeta a indústria cinematográficas há décadas
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Depois disso, os diretores Anthony e Joe Russo (‘Vingadores: Ultimato‘) apoiaram o astro durante uma live no Instagram.

Joe disse que Mackie está coberto de razão porque:

“Ainda não é o suficiente. Acho que sempre podemos reforçar o quanto a diversidade racial enriquece o cinema. ‘Pantera Negra‘ é apenas um exemplo, mas precisamos de mais filmes com poder de inclusão, seja em questão de raça, gênero ou opção sexual.”

Anthony acrescentou alguns comentários, elogiando Mackie e expressando respeito por ele:

“Eu adoro esse cara porque ele não é apenas um ator incrível, mas uma pessoa incrível, e nós amamos trabalhar com ele. Ele nos ensinou muito.”

Lembrando que Mackie será o primeiro Capitão América negro na série do Disney+ ‘Falcão e o Soldado Invernal’, um marco na história da Marvel.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

MÊS DO ORGULHO LGBTQ+ : NETFLIX REÚNE EM CLIPE TODOS OS SEUS ARTISTAS ABERTAMENTE LGBTs

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Para celebrar o Mês do Orgulho LGBTQ+, a Netflix lançou um vídeo institucional onde reúne todo o seu elenco artistas que são abertamente LGBTs
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A mensagem da empresa é: 
“Ame seus ícones LGBTs”.

Intitulado, “Ser você mesmo é um super poder”, o vídeo mostra os diversos artistas dando relatos emocionantes e passando uma mensagem empoderadora, para que seus fãs acreditem e sejam quem elas querem ser.

“Quando eu saí pela primeira vez, me disseram que eu era muito feminino para ser homem, e isso me fez sentir muito impotente”, disse ator transexual Ian Alexander, que interpreta o personagem Buck, na série The OA.

No clipe, vemos também o elenco de Queer Eye, a atriz Laverne Cox (Orange Is The New Black), Shannon Purser (Stranger Things), Brigite Lundy Payne e Nik Dodani (Atypical’s), Ryan O’Connel (Special) e a drag queen Bob The Drag Queen (Tales Of The City).

Assista:


Quando falamos em diversidade, a Netflix nunca decepciona.

A gigante do streaming mundial tem diversas produções que, além contarem com atores LGBTs, são também protagonizadas por personagens LGBTs.

Uma delas é a série Special, que conta a história de um jovem gay com paralisia cerebral.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ANIMAÇÕES E DIVERSIDADE SEXUAL NA MOSTRA ÍRIS

Divulgação
"Granny Queer" apresenta Granny e sua namorada, que desconfiam que o vizinho pervertido seja o ladrão de calcinhas
"Granny Queer" apresenta Granny e sua namorada, que desconfiam que o vizinho pervertido seja o ladrão de calcinhas


O Reserva Cultural, no centro de São Paulo, recebe a programação da mostra Íris --evento oficial do Cinema de Animação da Diversidade Sexual-- a partir de hoje. Até quinta (30), serão exibidos 60 filmes, entre animações, curtas e micro-metragens de 24 países.

As produções foram divididas em oito programas, cinco deles participantes da Competição de Curtas. O programa Boy Boy Boys conta com animações que tratam de futebol, sexo, luta livre e primeiro encontro dentro do universo masculino; no programa Natureza Selvagem, o tema gira em torno dos bichos.

As descobertas estão presentes no programa Revelação e as moças que amam outras moças ganham foco no Mulheres Super Poderosas. Para fechar a competição, o espectador confere várias animações no Programa de Diva.

Especiais que reúnem filmes do diretor David Jones (Jonesy), curtas premiados do animador brasileiro Alan Nóbrega e uma seleção com os melhores de 2009 completam a agenda da mostra.

Divulgação
As aventuras de um casal de pinguins gays apaixonados estão no filme "The Gus & Waldo Show" (foto)
As aventuras de um casal de pinguins gays apaixonados estão no filme "The Gus & Waldo Show" (foto)


Os ingressos custam R$ 15 e há meia-entrada.
Veja mais informações no site da mostra.

Reserva Cultural - av. Paulista, 900, Bela Vista, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3287-3529. Sex. (24) até qui. (30).

Sessões às 20h e 21h30. Dia 30 - sessões de 13h às 21h30. Ingr.: R$ 15 (R$ 7,50 - meia).
Não recomendado para menores de 16 anos
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MANUAL DA "BICHA MALVADA"

Bicha" - ou bixa, no internetês, como aponta o minidicionário do
"Guia GLS São Paulo" - ainda é uma palavra ofensiva.
Nunca fale. Nunca escreva. Oficialmente. O risco de reprovação é imenso.
Mas "bicha malvada" é uma expressão diferente. Praguejar contra esse tipo de personagem parece ser mais aceito no meio social. Não só pela diversão perversa do veneno destilado, mas porque, num mundo em que todos posam de certinhos, parece existir ainda uma necessidade de figuras que façam o circo pegar fogo, que provoquem reações extremas ou expressem a raiva, a fúria, o ódio e também os preconceitos coletivos.

Engana-se quem se coloca fora dessa classificação. "Bicha malvada" é um estado de espírito, de porco, diga-se.
Mas todos têm seus surtos de "xoxopatia", neologismo para aquela tendência de xoxar em excesso, de criticar deus e o mundo, com requintes de crueldade, em uma vontade histérica de provocar polêmicas, destruir reputações ou opiniões sacralizadas pelo senso comum.

O gay xoxopata gosta também de encarnar vilãs de novelas e filmes, imita risadas de bruxas e, em sua mente meio perturbada, planeja tramas de vingança e revides infantis.

É fácil simplificar esse desejo de fazer o mal gratuitamente, com o discurso de que tudo é fruto da insegurança, do estigma de vítima discriminada pela sociedade ou de falhas de educação ou falta de caráter.
No longo e tortuoso processo de aceitação da homossexualidade, há realmente um instante de muita energia negativa acumulada, um ódio contra tudo e contra todos pela censura social de ser visto como gay, marginalizado.
Mas a "bicha malvada" é algo mais carnavalesco, do sonho de ser uma diva mimada, de quem tudo se perdoa, afinal, é considerada uma existência singular, um talento nato. Será?

Do norte ao sul do país, dos ricos aos pobres, dos letrados aos analfabetos, existem códigos em comum na prática de apontar defeitos nos outros, de ridicularizar e avacalhar, de até causar o mal e a dor para obter alívio psíquico ou prazer momentâneo de se sentir em posição superior.
Haja amargura, inveja, rancor e recalque.

"Acorda, Alice" é o que uma bicha malvada costuma dizer para o seu perfil antagônico.
No mundo da xoxopatia, tudo é um enredo de Gilberto Braga, e não há espaço para ingenuidade nem romantismo.
Tudo é movido pela ambição, pelo interesse financeiro, pelo "vale tudo", pela ética da escrotidão.

Até as boas intenções só ganham voz e repercussão com "mise-en-scène" e o apimentado tempero da verborragia aloprada.
"Mate em legítima defesa", já conclamou campanha do militante Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia, como resposta pouco pacifista à homofobia que ainda assola o país.

Confira mais aspectos da "bicha malvada do novo milênio":

1- Ninguém me derrota no Orkut



Ela é uma terrorista virtual. Cria e-mails e personas falsos para difundir boatos. Se inspira nas personagens da série "Gossip Girls". Manda torpedos, daqueles enviados por sites, fazendo intrigas. Quer saber o msn secreto de todo mundo. Adora se vangloriar de que tem mais "amigos" em suas redes sociais. É capaz de criar várias contas só para inflar estatísticas de acesso e comentários ou postar paródias infames de vídeos e remixes demoliras de músicas. Gosta de humilhar quem não acompanha as novidades da tecnologia, além de exibir seus últimos brinquedinhos high tech.

Frase: "Vamos lá, gentalha. Pra faturar esse cachê, vocês vão ter de aplaudir" (Flora, em "A Favorita")

2- Sou linda, absoluta e demais



Ela é muito vaidosa. Quer estar sempre na moda e não perdoa quem não tem preocupações exageradas com o figurino e visual. Ao conhecer alguém, olha logo para as marcas do jeans, do tênis e da camisa, dados suficientes pela bicha malvada para traçar o passado, o presente e o futuro da pessoa. Esforça-se para aparentar um padrão de vida superior a sua realidade. Seu currículo é uma obra de ficção: lista um monte de cursos, viagens e habilidades (como idiomas). Quem vai checar?

Frase: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?" (Rainha da Branca de Neve)

3- Fale mal, mas fale de mim



Ela quer ser o centro das atenções. Numa conversa, usa frases de impacto, avaliações ácidas, tudo com a intenção de chocar. Quando extrapola chega a ser racista e mais preconceituosa do que um político evangélico fundamentalista. Não se incomoda com sua péssima fama. Algumas têm até orgulho dessa popularidade. Quem convive pode até se divertir com o lado folclórico da atuação. O problema é que tanta mania de gongar o mundo cria situações de vexame, vergonha alheia e saia-justa.

Frase: "Sorry, mas quando fico nervosa, costumo chantagear as pessoas" (Wilhelmina Slater, em "Ugly Betty")

4- Sou a princesa do Egito



Ela subestima quem está a sua volta. Quer ter razão em tudo, mesmo quando não entende patavinas. Sabe onde está a melhor vaga para estacionar, qual o melhor restaurante, a melhor boate, o melhor DJ. Não adianta contrariá-la. Ela ignora fatos e avaliações discordantes. Sua marca é arquear a sobrancelha, olhar com cara de nojo e tratar como serviçais ou escravos profissionais como taxista, garçom, porteiro. Gosta de "fazer a egípcia", ignorar conhecidos na rua. Se faz de difícil, vip e inacessível.

Frase: "Os detalhes de sua incompetência não me interessam" (Miranda Priestly, em "O Diabo Veste Prada")

5- Aqui se faz, aqui se paga



Ela delira e se acha sempre a perseguida. Vive com alguém na mira. Enxerga inimigos em todo o canto. Odeia ouvir um "não" e costuma lançar maldições e promessas revanchistas. "Você vai me pagar" é o que sempre pensa. Desconfia de tudo e todos. Acha que os outros só estão interessados em se aproveitar dela ou de seus bens. Está sempre na defensiva e adora registrar reclamações contra caixas de supermercado ou vendedores de loja. "Quero falar com o gerente" é uma de suas frases preferidas.

Frase: "Aposto que foi culpa daquela anta nordestina, daquela songamonga" (Nazaré Tedesco, em "Senhora do Destino")

6- Fodam-se os outros



Seu egoísmo é doentio. Não se coloca no lugar dos outros nem se sensibiliza com os problemas coletivos e sociais. Ao ler um jornal, só despertam seu interesse notícias sobre celebridades, fortunas e grandes golpes financeiros. Não tem preocupação ambiental. Só usa alguma retórica de altruísmo, caridade ou filantropia em troca de vantagem ou bajulação. Mas há bichas malvadas na militância também. Elas competem com ferocidade, boicotam concorrentes e jogam sujo nas articulações.

Frase: "Se fosse pra minha filha se apaixonar por um pé rapado, eu teria criado você no quarto da empregada" (Branca Letícia de Barros Mota, em "Por Amor")

7- Tudo tem seu preço



Ela aprendeu que o amor incondicional não existe, que o ser humano é sempre mesquinho, que as conveniências forjam os sentimentos. O romantismo é só um truque de sedução. O casamento é uma relação comercial, de melhora de status. As pessoas são rotuladas pelo que podem oferecer em oportunidades ou materialmente. Os salvadores da pátria são apenas espertos disfarçados. A bicha malvada é alguém que sofreu uma overdose de realidade, contraiu uma desesperança crônica com os relacionamentos e com as boas intenções dos outros. Pode parecer uma figura engraçada, mas é também trágica e contagiosa.

Frase: "O Brasil é um país de jecas. Ninguém aqui sabe usar talher de peixe" (Odete Roitman, em "Vale Tudo")

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"Another Gay Sequel: Gays Gone Wild" mostra rivalidades entre gays
"Another Gay Sequel: Gays Gone Wild" ri das rivalidades entre gays


As malvadas nas telonas

Bichas malvadas são capazes de tudo, de fazer feitiço a botar cola no tubo de lubrificante da rival. Isso é o que acontece na comédia-sequência "Another Gay Sequel: Gays Gone Wild" (2008). A produção mostra as rivalidades entre um trio de bibas metidas (conhecidas como Jaspers, na foto) contra os heróis do filme, vistos como forasteiros e cafonas na ensolarada Fort Lauderdale, destino turístico gay na Flórida.

Eles disputam um concurso de quem transa mais em uma colônia de férias. Para derrotar as amigas, muita trapaça, como infestar cuecas com chatos ou fazer o concorrente achar um colar amaldiçoado. A parte mais chocante, claro, é quando o casal gay do filme decide fazer sexo a 3 com um gostosão. Só não sabem que as bichas malvadas trocaram o lubrificante por cola industrial. Já imaginou a situação do trenzinho com os dois pênis enfiados e colados lá. Um horror chegar assim no hospital.

O filme traz ainda pesadelos que só uma bicha pode desejar para sua inimiga: como ser perseguida por um grupo de zumbis na sauna tentando fisgar o seu paquera virgem ou aparecer em público, após uma cunete, com o lábio manchado com fezes. Mais escatológico do que o anterior, a produção já ganhou legendas na internet e traz ainda as estrelas RuPaul e Perez Hilton, o blogueiro gay mais famoso do mundo em uma divertida sátira a bibas evangélicas.

Com cenas de vômitos durante uma incestuosa relação gay e um musical para celebrar a prática do "golden shower" (chuva dourada, sexo com urina), "Another Gay Movie - Gays Gone Wild" flerta com a escatologia como fez "Pink Flamingos" (1973), clássico de John Waters, em que a lendária drag Divine come merda de um cachorro.

LIVRO EXPLICA HISTÓRIA DO ORGULHO GAY E NASCIMENTO DO MOVIMENTO GLBT

Regina Facchini é doutora em antropologia pela Unicamp, e já foi vice-presidente da parada do orgulho gay de Sampa.
É autora também de "Sopa de Letrinhas", lançado pela Garamond.
Julio Assis Simões é autor "Dilema da Participação Popular".

A dupla lança agora "Na Trilha do Arco-Íris", um resgate da história do movimento homossexual brasileiro.

Bastante completa, a obra é referência principalmente para acadêmicos que se interessam pelos estudos da teoria queer - que discute principalmente gênero e sexualidade nas várias esferas do saber, e é também um movimento de contestação com inspiração no punk.

Com linguagem objetiva e direta e sem cair em jargões, a obra relembra os primeiros estudos europeus sobre a sexualidade - que datam do começo do século 20 - e narra sua interrupção com o advento do nazismo até chegar no levante de Stonewall - um dos momentos que mais influenciou o que hoje é conhecido como cultura gay.

O levante aconteceu na madrugada de 28 de junho de 1969 em Nova York no bar Stonewall Inn.
Insatisfeitos com a constante repressão policial que sofriam, os frequentadores
- gays - do local revoltaram-se e enfrentaram as autoridades.

A briga durou mais três noites, e, um ano depois, uma marcha na mesma data comemorava a vitória dos homossexuais.
Nascia aí o Dia do Orgulho Gay, e a marcha inspirou muitas outras - agora chamadas de "Paradas LGBT" - por todo o mundo.

"Na Trilha do Arco-Íris" passa pelo evento, mas concentra-se principalmente na trajetória do movimento gay brasileiro, com destaque para a criação do grupo Somos, o primeiro grupo de ativistas homossexuais do país.

É uma leitura obrigatória, para quem se interessa pelo tema da Diversidade, ou mesmo para quem quer saber mais sobre.

Capa do livro/reprodução
COLEÇÃO: História do Povo Brasileiro
AUTORES: Julio Assis Simoes, Regina Facchini
EDITORA: Perseu Abramo
EDIÇÃO: 1
FORMATO: Brochura, 191 páginas
QUANTO: R$ 38,00, na Livraria da Folha
PARA COMPRAR: É só clicar no título do livro, em azul
COTAÇÃO DO KLAU:

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ADVOGADA ESPECIALISTA EM LGBT DISCUTE UNIÃO HOMOAFETIVA

A advogada Sylvia Mendonça tem toda uma carreira voltada aos Direitos LGBT.

No artigo abaixo, ela discute a união homoafetiva.

Leia:

A falta de atenção do Poder Legislativo brasileiro em relação ao segmento LGBT resulta na falta de leis que assegurem seus mais elementares direitos, como o de estabelecer união estável, tal como ocorre com casais heterossexuais.

Se por um lado não existe lei que garanta tal direito, por outro nada há em nossa legislação que impeçam as uniões homoafetivas.

Não reconhecer as uniões estáveis estabelecidas entre pessoas do mesmo sexo impossibilita o acesso a uma série de outros direitos, o que demonstra claramente que reconhecê-las é um direito fundamental.

Considerando-se a lacuna de nossa legislação e que essas uniões fazem parte de nossa realidade, cabe ao Poder Judiciário acolhê-las e avaliá-las.

E mais uma vez estão os representantes da Justiça legislando, o que, por certo, em tese, não lhes caberia fazer.

As discussões acerca do reconhecimento dos direitos de homossexuais, principalmente no que diz respeito à possibilidade de estabelecerem uniões estáveis, existem há anos em nosso Judiciário, com uma gama de decisões proferidas em vários estados do país, já tendo o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se manifestado sobre o assunto mais de uma vez.

O tema chegou novamente aos ministros da 4ª Turma do STJ através de um Recurso Especial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, inconformado com sentença de 1ª instância que julgou adequada a ação declaratória movida por companheiros do mesmo sexo com o intuito de reconhecimento da união estável mantida entre eles.

Já votaram favoravelmente ao casal os ministros João Otavio de Noronha e Luis Felipe Salomão estando agora o processo sob análise de Raul Araujo Filho.
Após seu voto os autos seguirão para apreciação e voto dos ministros Maria Isabel Gallotti e Aldir Passarinho Junior.

O entendimento bastante retrógrado do Ministério Público vai ao sentido de que a sentença de 1ª instância deve ser anulada já que proferida por juiz de vara de família.

Alegam os representantes do MP que as uniões homoafetivas são sociedades de fato, sem configurar a existência de uma entidade familiar, diante da ausência de previsão legal, cabendo seu julgamento, portanto, aos juízes de varas cíveis.

Em seu voto, o ministro relator do Recurso Especial afirma que às relações homoafetivas deve ser aplicado o princípio da analogia, de modo que recebam o mesmo tratamento conferido às uniões estáveis heterossexuais, fazendo menção à igualdade de direitos.

O resultado desse novo caso que chega ao STJ pode influenciar outros tantos que já tramitam perante tribunais do país.

Sendo ele positivo, favorável aos parceiros homossexuais, abrem-se caminhos para novos pedidos, fazendo com que inúmeros casais tenham por fim reconhecido direito essencial que lhes garantirá acesso a outros tantos.

O reconhecimento da união estável homoafetiva garante aos parceiros o direito à herança, à partilha de bens e até mesmo a possibilidade de adoção de crianças, considerando-se que na maior parte das vezes tais direitos lhes são negados sob a argumentação de que a lei não prevê as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo.

O STJ já decidiu que as questões referentes às uniões homoafetivas devem ser julgadas em varas de família, da mesma forma como ocorre com as uniões estáveis estabelecidas entre heterossexuais.
Isso porque era frequente que as ações de reconhecimento fossem julgadas por varas cíveis, que viam a relação de afeto como sociedades de fato, como verdadeiras sociedades comerciais.

Inobstante a decisão anterior do STJ, alguns julgadores ainda mantêm esse entendimento, remetendo as ações às varas cíveis para análise e julgamento.

Reconhecer nas uniões homoafetivas sociedades de fato, ao invés de uniões estáveis, pode trazer grandes prejuízos financeiros para os companheiros, além de ser, o que é mais grave, ato absolutamente discriminatório, que não pode ser praticado por caracterizar violação frontal aos princípios constitucionais de igualdade, liberdade e privacidade, dentre outros.

Se o Legislativo insiste em ser omisso, colocando de lado os projetos de lei que visam a proteger os homossexuais, cabe tal tarefa ao Poder Judiciário, que não pode permitir que parte significativa de nossa sociedade permaneça fora do alcance da proteção do estado.

Foto: site Mix Brasil
Sylvia Maria Mendonça do Amaral é especialista em Direito Homoafetivo, Família e Sucessões, sócia do escritório Mendonça do Amaral Advocacia e autora dos livros “Histórias de Amor num País sem Leis” e “Manual Prático dos Direitos de Homossexuais e Transexuais” - sylvia@smma.adv.br

Fonte: Mix Brasil - www.mixbrasil.com.br

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

UNIÃO ESTÁVEL DE HOMOSSEXUAIS: SAIBA MAIS


O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para decidir, pela primeira vez na história, sobre o mérito de uma questão controversa: o regime jurídico das uniões estáveis previsto no Código Civil poderá ser estendido aos casais homossexuais.

Os ministros julgarão uma ação proposta pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que sugere o reconhecimento legal da união estável de casais de gays e lésbicas.

A ação já recebeu parecer favorável da Advocacia-Geral da União, em junho.

Não caberá aos ministros decidir se duas pessoas do mesmo sexo têm o direito de viver juntas, o que já é uma realidade no país, mas sim se as leis brasileiras devem tratar tal relacionamento da mesma maneira como fazem com um homem e uma mulher.

E essa postagem serve unicamente para isso: entender a atual situação dos casais gays no país - e o que pode mudar caso a ação seja aprovada.

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Reuters

1. O que propõe a ação movida por Cabral?

A ação, uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental, pede que o casamento entre homossexuais seja considerado união estável.

Assim, a união estável de pessoas do mesmo sexo teria, diante da Lei, o valor de uma união entre parceiros heterossexuais.

Os casais homossexuais passariam a ter direito, por exemplo, a pensão em caso de morte do cônjuge, pensão alimentícia e herança.

Cabral optou por esse tipo de ação porque, de acordo com ele, o tratamento diferenciado aos casais gays é um desrespeito à Constituição.

A ação afirma que os princípios constitucionais violados são a igualdade, a liberdade e dignidade da pessoa humana, além da segurança jurídica.


2. Essa forma de união pode ser considerada casamento?

Não, já que não se trata apenas de uma equiparação plena de direitos.

Ainda assim, é muito próxima disso.

Caso aprovada, a proposta seria um dispositivo legal que garantiria aos gays seu reconhecimento como casal, mas não lhes daria as mesmas garantias que os casados têm, como a permissão para adotar o sobrenome do companheiro.

Ainda assim, é um grande avanço, tendo em vista que, atualmente, a união entre homossexuais juridicamente não existe nem pelo casamento, nem pela união estável, e configura apenas sociedade de fato - ou seja, em caso de separação, por exemplo, as uniões gays não são julgadas em varas de família, mas em varas cíveis, apenas para tratar da divisão de bens.

A união homossexual é tratada, basicamente, como um acordo comercial.

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3. É a primeira vez que uma ação desse tipo chega ao STF?

Não.

Em 2006, chegou ao Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação Parada do Orgulho Gay, que contestava a definição legal de união estável: "entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família", segundo o artigo 1.723 do Código Civil.

A ação não chegou, no entanto, a ser julgada no mérito.

Ela foi extinta pelo seu relator, o ministro Celso de Mello, por razões técnicas.

Mello indicou como instrumento correto para tratar da questão uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental, e não uma Adin.

O ministro também disse que a união homossexual deve ser reconhecida como entidade familiar e não só como "sociedade de fato".

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4. O que diz a legislação brasileira a respeito da união entre homossexuais?

No Brasil, a diversidade de sexo é exigida para configurar união estável.

A Constituição Federal, em seu artigo 226, parágrafo 3º, estabelece que "para efeito da proteção do estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento".

Já o Código Civil, em seu artigo 1.723, reconhece como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

Em nenhum momento a união entre homossexuais é citada.

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5. Quais direitos os casais do mesmo sexo já possuem no Brasil?

Alguns tribunais brasileiros já firmaram jurisprudência em conceder a casais homossexuais direitos em relação à herança (metade do patrimônio construído em comum pode ficar para o parceiro); plano de saúde (inclusão do parceiro como dependente); pensão em caso de morte (recebimento se o parceiro for segurado do INSS); guarda de filho (concessão em caso de um dos parceiros ser mãe ou pai biológico da criança) e emprego (a opção sexual não pode ser motivo para demissão).

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6. Quais as principais diferenças, em termos jurídicos, de casais hétero e homossexuais que mantenham uniões estáveis?

Os casais gays não são reconhecidos como entidade familiar, mas sim como sócios.

Isso faz com que, em caso de emergência, um homossexual não possa autorizar que seu marido ou esposa seja submetido a uma cirurgia de risco.

Além disso, casais do mesmo sexo não podem somar renda para aprovar financiamentos, não somam renda para alugar imóvel, não inscrevem parceiro como dependente de servidor público, não têm garantia de pensão alimentícia em caso de separação, não têm licença-maternidade para nascimento de filho da parceira, não têm licença-luto (para faltar ao trabalho na morte do parceiro), não têm usufruto dos bens do parceiro, não têm direito à visita íntima na prisão, não fazem declaração conjunta do imposto de renda e não podem deduzir no IR o imposto pago em nome do parceiro.

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7. Há estados em que a união civil homossexual é reconhecida?

Sim.

No Rio Grande do Sul, os cartórios trabalham desde 2004 com uma norma que possibilitou aos casais homossexuais com algum tipo de união estável fazer um registro nesse sentido.

Nesse estado, processos que envolvem relações homossexuais são julgados pela Vara de Família.

Já o Rio de Janeiro foi, em 2007, o primeiro estado a conceder pensão a parceiros e parceiras de homossexuais.

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8. Como o governo lida com a questão da homossexualidade?

O governo lançou em 2006 o programa Brasil sem Homofobia, com o objetivo de combater a violência e a discriminação contra homossexuais.

O programa apóia projetos de fortalecimento de instituições públicas e não-governamentais que atuam na promoção da cidadania homossexual e no combate à homofobia, além de capacitar profissionais e ativistas que atuam na defesa dessas pessoas.

Em 2004, o Brasil apresentou nas Nações Unidas uma resolução que classifica a homossexualidade como direito humano inalienável.

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, em 2008, a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em Brasília.

Lula não possui, porém, um bom histórico em relação aos homossexuais -- em 2000, o petista chamou a cidade gaúcha de Pelotas de "pólo exportador de veados".

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9. Há outros projetos de lei que regulamentam o casamento entre homossexuais?

Sim.

Desde 1996, o Congresso tem entre seus projetos uma proposta, de autoria de Marta Suplicy - no tempo em que ela era deputada federal - que autoriza a parceria civil entre homossexuais no Brasil.

Em todos esses anos, a proposta sequer chegou a ser votada.

Caso fosse aprovada reconheceria, no papel, a união de casais do mesmo sexo, o que já existe na prática.

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10. Em quais países o casamento gay é legalizado?

Na Holanda, desde 2001, os direitos de casamento valem para todos os cidadãos, sem distinção, no texto da lei, entre homossexuais e heterossexuais.

Não há nem mesmo como saber quantos casamentos gays já foram realizados no país, já que os registros não dão conta se os noivos eram do mesmo sexo.

A união civil entre gays também é aceita na Bélgica, no Canadá, na França, na Espanha, no Uruguai, nos estados americanos de Massachusetts e Califórnia e na Argentina.

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Confira linha do tempo sobre o tema:

Fonte: Veja.com

sábado, 14 de agosto de 2010

"AQUARELA": CLICHÊ BÁSICO

Faz tempo que eu não vejo na telona uma boa obra com temática homossexual adolescente.
Pensei que finalmente veria, em "Aquarela - As cores de uma paixão".
Frustração.

Escrito e dirigido por David Oliveras, o longa estreia apenas em São Paulo, e foca no despertar sexual de dois adolescentes norte-americanos.

Em vez de personagens ou situações, Oliveras prefere os clichês de sempre .

Os protagonistas são Daniel (Tye Olson) - jovem sensível, tímido e com poucos amigos, que aspira ser desenhista - e Carter (Kyle Claire) - nadador, sem amigos, rebelde sem causa e, como se fica sabendo mais tarde, portador de uma doença grave - retratados sem profundidade e sem nuances - eles são isso e só.

O desfile de clichês tem também a melhor amiga com problemas motores, a mãe compreensiva, o pai divorciado que se esforça para cuidar do filho que se envolve o tempo todo em encrencas, o técnico de natação durão e machista...

Foto: Divulgação/SilverLight Entertainment
Os atores Tye Olson e Kyle Claire, em cena do Filme

A história de amor entre os dois rapazes é rasa, e por mais que o diretor tente colocar um pouco de realidade, não consegue disfarçar as deficiências do filme, onde a câmera parece mais interessada em passear pelo corpo do nadador, do que construir um plano que seja legal, uma cena bem dirigida ou atuada.
Esteticamente é pouco ou nada criativo, abusando da tradicional e desgastada montagem plano/contraplano, e utilizando enquadramentos os mais convencionais e previsíveis possíveis.
A única cena mais bela é a da transa dos dois protagonistas debaixo de chuva, mas a iluminação é muito ruim.

Até quando um dos personagens é espancado por ser gay, o que deveria ser um alerta, um grito de revolta, é retratado como mais um momento frouxo, e o pior: personagens que, numa primeira metade, eram virtualmente inexistentes, se tornam protagonistas de cenas importantes, vindos do nada.
Em outros momentos, uma nova ação sugerida morre antes mesmo de acabar, e Oliveras abre demais as possibilidades da história, o que acaba pulverizando o foco.

A superficialidade parece não ter incomodado nem o júri nem os espectadores dos três festivais de cinema - todos nos EUA - onde o filme obteve nada menos que sete premiações - três delas conferidas pelo público.

Boa parte desta aceitação se deve sem dúvida aos dois jovens protagonistas, carismáticos e talentosos.

Quanto a mim, saí frustadíssimo do cinema, já que achei um desperdício,um casal tão bonito assim...

Veja o trailer do filme:


"AQUARELA - AS CORES DE UMA PAIXÃO"
Título original:
Watercolors
Diretor: David Oliveras
Estúdio: SilverLight Entertainment
Distribuidora: Filmes do Festival
Elenco:
Tye Olson
Kyle Clare
Ellie Araiza
Casey Kramer
Jeffrey Lee Woods
William Charles Mitchell
Gênero: Drama, Romance
Duração: 114 mins
Ano: 2008
Data da Estreia: 13/08/2010
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
País: EUA
COTAÇÃO DO KLAU: