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sexta-feira, 1 de março de 2013

'CÉSAR DEVE MORRER': FILME DOS IRMÃOS TAVIANI COM ELENCO DE DETENTOS FAZENDO SHAKESPEARE É SENSACIONAL



Vencedor do Urso de Ouro na Berlinale 2012, "César Deve Morrer" é um filme ágil, visceral e maravilhoso e que nem parece ter sido feito por dois diretores octogenários - os irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani.

Com uma extensa carreira de mais 60 anos, uma Palma de Ouro em Cannes - por "Pai Patrão" (1977) - e com várias obras consagradoras - como "Allonsanfan" (1974), "Kaos" (1984) e "Bom Dia Babilônia" (1987) - os irmãos, em seu primeiro filme digital, escolheram como elenco nada menos que os detentos da imensa prisão de segurança máxima Rebibbia, nos arredores de Roma.

Os irmãos Paolo e Vittorio Taviani posam na prisão de segurança máxima Rebibbia, nos arredores de Roma, durante as filmagens - fotos dessa postagem: Divulgação/Europa Filmes
Contando com a assessoria do diretor teatral Fabio Cavalli, a trama acompanha uma montagem da peça "Júlio César", de William Shakespeare, por um grupo de prisioneiros.

A já tão explorada obra clássica  ganha um novo olhar, algo mais denso e real e essa escolha causa uma humanização dos personagens e traz o espectador para perto de figuras míticas como César, Brutus e Cássio - quando pensaríamos em ver grandes nomes da história, sempre apresentados de maneira distante e com recalques, sendo interpretados por ex-traficantes e mafiosos?

Com a câmera focada no rosto dos candidatos, os Taviani pedem apenas que eles digam seus nomes e de onde vêm, revelando a impressionante afinidade entre os atores e a trama da peça - a conspiração para assassinar o imperador romano Júlio César - e
exploram com extrema habilidade essa tênue fronteira entre vida e arte, entre realidade e encenação, usando o próprio ambiente da prisão como cenário principal, já que o filme se ocupa principalmente dos ensaios da peça.

Cena do longa
As paredes nuas e descascadas, a luz natural que entra pelas janelas com grades, os muros altos viraram aqui, sem muitos artifícios, os corredores do Fórum Romano e os palácios da ficção, sem que para isso o espectador precise mais do que acompanhar a impressionante dedicação de seus intérpretes.

Cena do longa
No lugar em que toda a esperança parece perdida, o filme mostra que é possível obter a essência de um teatro que se aproxime da complexidade da vida.

As performances de Salvatore Striano - como Brutus, Cosimo Rega - como Cássio, e Giovanni Arcuri - como César, todos eles condenados a muitos anos de cadeia por crimes como assassinato ou tráfico, são impressionantes, magnéticas e inesquecíveis.

A cena do assassinato de César, encenada por traficantes e ladrões condenados: sen-sa-cio-nal!
Um senhor filme, denso, maravilhoso, que vale cada fotograma filmado - e onde dois senhores dão uma aula de como fazer cinema de qualidade máxima usando criatividade, elenco engajado e câmera firme.

Filmaço.

Além da Berlinale 2012, o longa levou o David di Donatello Awards de Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Filme, Melhor Produtor e Melhor Som - foi indicado também a Melhor Fotografia, Melhor Música e Melhor Roteiro.

Confira o trailer do filme:


*****
'CÉSAR DEVE MORRER'
Título Original:
Cesare Deve Morire
Diretor:
Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Elenco:
Cosimo Rega, Salvatore Striano, Giovanni Arcuri, Antonio Frasca, Juan Dario Bonetti, Vittorio Parrella, Rosario Majorana, Vincenzo Gallo, Francesco de Masi, Gennaro Solito, Francesco Carusone, Fabio Rizzuto, Maurilio Giaffreda
Produção:
Grazia Volpi
Roteiro:
Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Fotografia:
Simone Zampagni
Trilha Sonora:
Giuliano Taviani, Carmelo Travia
Duração:
76 min.
Ano:
2012
País:
Itália
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Europa Filmes, Mares Filmes
Estúdio:
Rai Cinema / Kaos Cinematografica / Le Talee / Stemal Entertainment / La Ribalta-Centro Studi Enrico Maria Salerno
Classificação:
Livre
Cotação do Klau:

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

'O AMANTE DA RAINHA': INDICADO AO OSCAR DE FILME ESTRANGEIRO E VENCEDOR EM BERLIM 2012, LONGA NÃO SE SUSTENTA


Uma altiva mulher escreve aos filhos nove anos após ter sido separada deles, deixando as últimas palavras aos dois.

Se no início, o longa escandinavo 'O Amante da Rainha' promete, um dos indicados na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2013 não se sustenta.

A trama narra a história de Caroline Mathilde (Alicia Vikander), jovem inglesa que teve o casamento arranjado com o Rei da Dinamarca, Christian VII (Mikkel Boe Følsgaard).

Enquanto só estava no seu pensamento, o futuro marido era o par ideal, mas a realidade foi bem outra: após o primeiro encontro, os sonhos de Caroline acabam ao topar com um rapaz, a princípio, estúpido e infantil.

Quando sai em viagem à Europa, após o filho do casal nascer, Christian é obrigado a se consultar com um médico, o alemão e idealista Johann Friedrich Struensee (Mads Mikkelsen, conhecido do grande público como o vilão Le Chiffre, de '007 - Cassino Royale').

Alicia Vikander e Mads Mikkelsen, em cena do filme

Em vez de questionar sintomas, o médico acompanha a disfunção mental do rei, que logo o toma como um amigo e o leva para a corte dinamarquesa.

O espectador vivencia a ascensão do Iluminismo em uma Europa obscurecida por leis severas, tortura e pouco caso com a população, concentrando-se no relacionamento verídico entre a jovem rainha decepcionada e Struensee - os dois são idealistas e passam a ver, na rei fora de si, uma possibilidade de mudança para o país.

Quando Christian passa a atuar na corte - repetindo falas de Struensee - aprova diversas leis em benefício do povo, mas logo os meios para manter estes ideais vivos começam a se diluir: falta dinheiro, os envolvidos começam a almejar benefícios e a ânsia pelo controle modifica aqueles que censuravam a realeza.

A dramática cena da guilhotina expõe como o reconhecimento dos outros pode ser alvo ilusório para quem luta - a ideia de esforço coletivo acaba na lâmina, no reflexo da morte.

A cena da guilhotina é a melhor do longa

A carta de Caroline, que relata aos filhos e ao espectador sua relação com Struensee, acaba dizendo muito mais do que isso.

Se o principal achado do longa é desvendar, aos poucos, a complexa dicotomia do poder, para um filme baseado em fatos,porém, deixa a desejar.

A atuação fraca e sem brilho de Alicia Vikander - que evoluiu muito agora,  como coadjuvante em 'Anna Karenina' - perde apenas para a interpretação no automático de Mikkelsen - a falta de química entre os dois é uma das maiores dos últimos tempos.

Boe Følsgaard destaca-se ao interpretar um rei louco e solitário - tanto que levou o Urso de Prata de Melhor Ator em Berlim 2012.

Mikkel Boe Følsgaard e Mads Mikkelsen, em cena do filme

A produção também é muito capenga: ao mostrar uma fileira de mortos por uma epidemia, o close da câmera mostra uma maquiagem abaixo da crítica, de um filme de zumbis trash.

Até a fotografia - a princípio interessante, com iluminação rebaixada nos ambientes internos, as velas com chamas aparentemente imóveis,  fazem o espectador duvidar da reconstituição de época e do próprio cenário - é apenas razoável.

Assim, o longa poderia ser épico, assim como sua trama, mas não consegue sustentar a grande empreitada de contar um episódio fundamental da história dinamarquesa.

O longa recebeu outros dois prêmios no Festival de Berlim em 2012: Melhor Roteiro - para Rasmus Heisterberg - e Diretor - para Nikolaj Arcel.

Confira o trailer do filme:

*****
'O AMANTE DA RAINHA'
Título Original:
En Kongelig Affære/ A Royal Affair
Diretor:
Nicolaj Arcel
Elenco:
Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikkel Boe Følsgaard, David Dencik, Trine Dyrholm, Thomas W. Gabrielsson e outros
Produção:
Meta Louise Foldager, Sisse Graum Jørgensen, Louise Vesth
Roteiro:
Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg
Fotografia:
Rasmus Videbæk
Trilha Sonora:
Cyrille Aufort, Gabriel Yared
Duração:
137 min.
Ano:
2012
País:
Dinamarca, Suécia, República Tcheca
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Europa Filmes, Mares Filmes
Estúdio:
Zentropa Entertainments / Trollhättan Film AB / Film i Väst / Sveriges Television (SVT) / DR TV / Sirena Film
Classificação:
14 anos
Classificação do Klau:

sexta-feira, 6 de abril de 2012

'XINGÚ': SAGA DOS IRMÃOS VILLAS BÔAS PERMITE UM MERGULHO REAL E BELO NUM BRASIL AINDA DESCONHECIDO


Brasil, década de 40: os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas deixam para uma vida classe média em São Paulo para trás, e se juntam à "Marcha para o Oeste", que os coloca em contato com a selva amazônica onde passariam a maior parte de sua vida - a partir daí, o resto é história,  e os irmãos sertanistas viraram referência mundial, mesmo que criticados e contestados.

Brasil, 2012: exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim 2012 - onde foi aclamado - e atração no Festival de Tribeca (Nova York) - agora em abril - o longa "Xingu", dirigido por Cao Hamburger, recupera uma parte do legado do trio - o caçula Leonardo morreu precocemente em 1961, Cláudio, em 1998 e Orlando em 2002.
Divulgação
Os irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Villas Bôas, em cena do filme  - interpretados por João Miguel, Caio Blat e Felipe Camargo, respectivamente

O roteiro de Cao Hamburger, Elena Soárez e Anna Muylaert cumpre bem com a promessa de revisitar o grande período de tempo que se dispõe a contar, o que obriga a narrativa a dar saltos e simplificar episódios, sem jamais prejudicar o entendimento e a evolução da trama, e acerta também ao humanizar cada um dos irmãos e deixar clara sua premissa de defesa dos indígenas, que culminou na criação do Parque Nacional do Xingu, em 1961 - que completou 50 anos mesmo diante do assédio de latifundiários e posseiros para exploração de suas riquezas e terras.

No longa, vemos que os primeiros a deixar São Paulo para trás rumo a Goiás são Cláudio - interpretado por João Miguel - e Leonardo - Caio Blat, o melhor ator da sua geração, disparado - que se passam por analfabetos para poderem ser membros da expedição que no governo Getúlio Vargas buscava conquistar novos territórios para o chamado "progresso".
Divulgação
Os Villas Bôas, em meio aos índios

Orlando - Felipe Camargo, soberbo - é o último a abandonar a vida boa de funcionário de uma empresa petrolífera em São Paulo, não só pela incerteza, mas também pela aventura nessa nova fronteira do Brasil.

Líderes naturais, os irmãos logo se mostram valorosos na abordagem de índios isolados, arredios e muitas vezes agressivos, contra uma invasão branca atabalhoada e vista com extrema desconfiança pelas tribos, e logo se tornam os melhores interlocutores dos índios, de quem aprendem línguas, costumes, tornam-se seus maiores protetores, mesmo sem terem sido preparados para a empreitada.
Divulgação
Os irmãos em pleno sertão

Só que a boa índole dos irmãos não bastam para preservar as populações nativas da cobiça econômica e de uma vasta agenda política, que leva especialmente Orlando a tornar-se uma espécie de negociador permanente com os sucessivos governos do país - Getúlio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros (no governo de quem se criou o Parque do Xingu), João Goulart e os presidentes militares pós-golpe de 1964.

O longa mostra o grande amor que une os três irmãos, e também as diferenças que os separam em diversos momentos da vida - como o dramático conflito com Leonardo por seu envolvimento com uma índia, que resulta na sua expulsão e volta para São Paulo, no final dos anos 1950.
Divulgação
Os Villas Bôas no sertão

Da mesma forma, Cláudio nem sempre vê com bons olhos as negociações de Orlando junto aos políticos, o que dá margem a diversas concessões que meu xará não consegue digerir.

Com a chegada dos brancos, compreendemos o esforço dos Villas Bôas para ganhar tempo para os índios, ao mesmo tempo lhes permitindo formar novas lideranças entre eles mesmos, que, no devido tempo, assumirão as funções  dos sertanistas - a prova desta evolução  está na escalação para os papeis dos indígenas como donos da própria história o próprio elenco indígena do filme, como Tapaié Waurá - no papel do cacique Izaquiri, Maiarim Kaiabi - Prepori - e Awakari Tumã Kaiabi - Pionim - verdadeiros e perfeitos.

Na última batalha dos irmãos que o filme mostra - a construção da Transamazônica, nos anos 1970, que forçou Orlando e Cláudio, contra a vontade, a contatarem os ainda isolados krenacarore - restou a amargura: dos 600 índios conhecidos então, apenas 79 restaram.

"Xingu", além do bom roteiro, direção segura e três protagonistas maravilhosos, conta ainda com fotografia de Adriano Goldman - maravilhosa -, montagem inspirada de Gustavo Giani e música Beto Villares, três craques do nosso cinema, e que fazem aqui o melhor dos seus trabalhos.

Em tempos em que tanto se fala em Ecologia, "Xingú" fala ao espectador sobre temas áridos - como devastação e chacina de populações nativas - sem banalizar nenhum deles e permite um mergulho, real e belo, num Brasil até hoje desconhecido.

Filmaço.

Confira o trailer de "Xingú":
*****
"XINGÚ"
Diretor:
Cao Hamburger
Elenco:
João Miguel, Felipe Camargo, Caio Blat, Maiarim Kaiabi, Awakari Tumã Kaiabi, Adana Kambeba, Tapaié Waurá, Totomai Yawalapiti
Produção:
Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlink
Roteiro:
Cao Hamburger, Elena Soares
Fotografia:
Adriano Goldman
Trilha Sonora:
Beto Villares
Duração:
102 min.
Ano: 2011
País:
Brasil
Gênero:
Aventura
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Columbia Pictures/ Downtown Filmes
Estúdio:
O2 Filmes / Globo Filmes
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau:

sábado, 18 de fevereiro de 2012

62º FESTIVAL DE BERLIM PREMIA COM O URSO DE OURO OS IRMÃOS TAVIANI E SUA ADAPTAÇÃO LIVRE DE UM TEXTO DE SHAKESPEARE INTERPRETADA POR DETENTOS ROMANOS


E as apostas da maioria se confirmaram.

Os irmãos Taviani receberam neste sábado à noite o Urso de Ouro  - prêmio máximo do 62º Festival de Berlim - por "César deve morrer" - adaptação livre de "Julio César" de Shakespeare, interpretada por detentos de um pavilhão de uma penitenciária de segurança máxima de Roma.

Paolo e Vittorio Taviani são cineastas já octogenários, sempre trabalharam juntos e sempre se recusaram a trabalhar separados - o filme dos dois superou outros 17 que estavam em competição  desde que a Berlinale 2012 começou, em 9 de fevereiro.

O júri, presidido pelo cineasta britânico Mike Leigh, era composto sobretudo por atores -
Jake Gyllenhaal, Charlotte Gainsbourg e Barbara Sukowa - e por diretores - o iraniano Asghar Farhadi,o francês François Ozon e o holandês Anton Corbij.

A ideia de "César deve morrer"  - em parte filmado em preto e branco -  veio quando os irmãos assistiam a uma representação de "Inferno" de Dante, na penitenciária de Rebbibia, em Roma.
AFP
Os diretores do filme César Deve Morrer, Vittorio e Paolo Taviani comemoram conquista
Os irmãos Taviani recebem o prêmio máximo da Berlinale -o Urso de Ouro de Melhor Filme, agora a pouco, em Berlim

Ao receberem o Urso de Ouro, os irmãos foram pródigos em declarações:

"Neste juri, conhecemos muitos rostos de pessoas que fizeram cinema, cinema que nós apreciamos", declarou Paolo.
"Espero que quando esse filme for apresentado ao público, alguns voltem para casa e se digam (...) que mesmo os criminosos duros, condenados à prisão perpétua, são e permanecem homens", disse ainda Paolo.

"Isso permitiu (aos prisioneiros) durante alguns dias voltar à vida. Isso durou apenas alguns dias, mas eles fizeram isso com uma grande convicção e é para eles que vai a nossa saudação", disse Vittorio.

A escolha do elenco, parte integrante do filme com os testes diante da câmera, apresentou uma Humanidade sem mulheres, condenada a pesadas penas por assassinatos, tráfico de drogas, contravenções múltiplas das leis anti-máfia.

Quanto à escolha de "Julio César", ela está ligada a uma frase da peça, quando é dito a respeito do assassino de César: "Brutus é um homem de honra".

"É uma linguagem à siciliana, que fala a esses homens saídos da máfia, da N'dranghetta, da Camorra: as conspirações, os segredos, as traições, eles também a conhecem", disse Vittorio após a exibição do longa na Berlinale - desde então, o filme esteve presente em praticamente todas as apostas como o grande favorito dessa edição.

Filhos de um advogado toscano anti-fascista, os irmãos Taviani são conhecidos por seu cinema comprometido com a realidade social de seu país.

Foi essa, como na tradição, a tonalidade geral da seleção, baseada nas viradas abruptas da história.

Entre os outros premiados da noite está "Barbara", elogiado pela imprensa e pelo público alemães, que conta a história de uma médica (Nina Hoss) vigiada durante nove anos antes da queda do Muro de Berlim pela Stasi, a polícia secreta da antiga-RDA - o filme recebeu o Urso de Prata de melhor diretor para Christian Petzold.

O Grande Prêmio do Júri ficou com um drama húngaro sobre o destino dos ciganos, "Apenas o vento", de Bence Fliegauf - no momento em que um governo nacionalista autoritário está no comando em Budapeste.

O Urso de Prata de melhor atuação feminina ficou com uma ex-menina de rua de Kinshasa - a congolesa Rachel Mwanza - por seu papel de uma criança-soldado em "Rebelde", do canadense Kim Nguyen.

O de Melhor Ator recompensou a atuação do dinamarquês Mikkel Boe Folsgaard - em "A Royal affair", de seu compatriota Nikolaj Arcel.
O filme recebeu também o prêmio de melhor roteiro.

Merece destaque também uma "menção especial do júri" - prêmio criado por Mike Leigh para saudar o filme da diretora franco-suíça Ursula Meier, "L'Enfant d'en haut", fábula social entre a região industrial e as ricas áreas mais altas suíças, entre um menino angustiado e sua irmã mais velha imatura.

O cineasta português Miguel Gomes foi agraciado com o Prêmio Alfred Bauer e o da crítica internacional Fipresci por seu filme "Tabu".
"Espero que seja decisivo em um momento no qual em Portugal se está decidindo como tem que ser a contribuição do Governo para o cinema", declarou o diretor, ao se referir a seu prêmio e ao de seu compatriota João Salaviza, ganhador do Urso de Ouro de melhor curta-metragem.

Ele afirmou que "um país precisa de filmes, mas se não há dinheiro, não há mercado", ao mesmo tempo em que assinalou que se trata de "um conceito de serviço público que está desaparecendo em Portugal".

Gomes dedicou seu prêmio ao recebê-lo durante a festa de encerramento do Festival "ao talento dos diretores do cinema português, que estão há 50 anos fazendo cinema independente do poder político e econômico".

O filme que ganhou o Alfred Bauer - prêmio adotado em memória do fundador do festival e outorgado a uma obra que abra novas perspectivas na arte do cinema - é uma história de amor filmada em preto e branco, ambientada na África colonial.

"Estou muito feliz com o prêmio, embora seja à inovação e meu filme seja feito à moda antiga. Mas é muito moderno agora fazer filmes à antiga", disse sobre seu filme, coproduzido por Brasil e Portugal.

Segundo Gomes, "o que conta realmente é tentar mostrar coisas, o que acontece entre os personagens e as emoções da melhor maneira, e às vezes você tem que fazer isso em preto e branco".

Salaviza, que levou o Urso de Ouro do júri do "Festival de Berlim Shorts" por seu curta-metragem "Rafa", lembrou durante a entrevista coletiva que a situação em Portugal "não está fácil".

Por isso, expressou sua esperança de que o prêmio contribua para melhorar a situação, já que "o cinema não teve muito apoio nos últimos 10-12 anos com os sucessivos Governos".

"Quero dedicar o prêmio também ao Governo português. Se este ano fizer um bom trabalho, dedicarei a ele o prêmio, portanto é uma dedicatória com condição", declarou, acrescentando: "Em Portugal temos problemas e não sabemos o que vai acontecer com o cinema".

A obra premiada, uma coprodução luso-francesa intitulada "Rafa", conta a história de um adolescente de 13 anos cuja mãe não retorna para casa nos subúrbios de Lisboa em uma manhã, depois de ter passado a noite com um homem.

Também houve uma menção especial do júri do "Festival de Berlim Shorts" ao curta brasileiro "Licuri Surf", de Guile Martins, que convida a percorrer a costa do Brasil em um filme de aventuras sobre o surfe.

A fita, de 15 minutos, transfere o espectador ao mundo dos jovens indígenas que sobre sua prancha de surf procuram desfrutar a próxima onda.

A Berlinale 2012 será fechada oficialmente amanhã à noite com a exibição para o público do filme ganhador do Urso de Ouro.

Tuitadas, por Alessandro Giannini, do UOL em Berlim:

O jornalista do UOL cobriu todos os dias da Berlinale 2012, e de lá tuitou muito.

O UOL separou 17 tuites de Giannini, que abrangem tudo o que de melhor aconteceu na edição 2012 do Festival.
UOL
Alessandro Giannini
O jornalista Alessandro Giannini

Confira:

"O Festival de Berlim 2012 resultou em um saldo positivo, embora a edição deste não tenha sido tão fértil em descobertas quanto a de 2011. Muitas das principais descobertas, como o documentário "Ai Weiwei: Never Sorry", estavam nas mostras paralelas".

"'War Witch' é um retrato da agonia das crianças-soldado africanas, vítimas do tráfico de minério e da corrupção dos governos".

"O filme "A Royal Affair" retoma um período conturbado da história da Dinamarca, com intrigas e conspirações shakespeareanas".

"Confuso, extenso e excessivo, o alemão "Gnade" só explica sua seleção para a mostra competitiva pela nacionalidade".

"Último filme a entrar no Festival, "White Deer Plain" é um épico sobre o fim da era imperial na China. Longo e difícil."

"'A Dama de Ferro' mostra mais do q 1 velha senhora acometida pela demência. É tb um retrado dos efeitos colaterais do poder".

"Na mostra Panorama, "Xingu" mostra a aventura de 3 irmãos que se transformou na luta pelos direitos dos índios".

"Em "A Toda Prova", de Steven Soderbergh, o elenco todo é formado por personagens masculinos, inclusive Gina Carano".

"O indonésio "Postcards From The Zoo" faz 1 curioso paralelo entre a vida dentro e fora de um zoo, e entre humanos e animais".

"Co-produção brasileira, "Tabu" faz experiências com som, imagem e cita clássicos do cinema. Um filme poderoso e difícil".

"'Sister' mostra sem muita convicção as diferenças sociais na Suíça por meio da história de uma jovem e seu "irmão'".

"Em "Jane Mansfield's Car", BB Thornton faz sua versão de Festa em Família".

"Em "Flowers of War", Christian Bale encarna um anti-herói, apenas para variar. Mas você reza para ele invocar Batman".

"'Ai Weiwei: Never Sorry' explica de fato a arte pelo artista, a obra pelo homem, e não o contrário".

"'Shadow Dancer', de James Marsh (O Equilibrista), mostra o conflito entre Irlanda do Norte e Reino Unido de forma inédita".

"Extenso e reiterativo, "Marley" se excede na homenagem ao cantor, compositor e pacifista jamaicano".

"O alemão "Barbara" mostra a Alemanha Oriental de um modo diferente e menos preconceituoso, com a ajuda de um elenco muito bom".

"'Cesare Deve Morire' mostra que os veteranos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, 80 e 82 anos, não perderam o foco".

Prêmios do Júri Internacional de Curtas-Metragens

Menção Especial

Licuri Surfe, de Guile Martins

Urso de Prata como Prêmio Especial do Júri

The Great Rabbit, de Atsushi Wada

Urso de Ouro para Melhor Filme

Rafa, de João Salaviza

Prêmio de Melhor Filme de Estreia entre selecionados para Competição, Panorama, Fórum, Generation e Perspektive Deutsches Kino

Menção especial para filme da mostra Forum

Tepenin Ardi, de Emin Alper

Melhor Filme de Estreia

Kawboy, de Boudewijn Koole

Prêmios do Júri Internacional

Menção Especial

L'Enfant d'en Haut, de Ursula Meier

Prêmio Alfred Bauer em memória do fundador do festival

Tabu, de Miguel Gomes

Urso de Prata para melhor contribuição artística nas categorias fotografia, edição, trilha sonora, figurino ou cenografia

Melhor fotografia

Lutz Reitmeier, pelo filme Bay Lu Yuan

Urso de Prata de Melhor Roteiro

Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg, por A Royal Affair

Urso de Prata para Melhor Atriz

Rachel Mwanza, por The War Witch

Urso de Prata para Melhor Ator

Mikkel Boe Foslgaard, por An Royal Affair

Urso de Prata para Melhor Diretor

Christian Petzold, por Barbara

Urso de Prata - Grande Prêmio do Júri

Just The Wind, de Bence Fliegaulf

Urso de Ouro de Melhor Filme

Cesare Deve Morire, de Paolo e Vittorio Taviani

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

FESTIVAL DE BERLIM TEVE DOCUMENTÁRIO SOBRE BOB MARLEY, FILME DE AÇÃO CHINÊS EM 3D E OS PRIMEIROS PREMIADOS


62ª edição do Festival de Berlim  chegará ao fim amanhã, com a divulgação dos ganhadores.

Nessa postagem, você confere o que de melhor aconteceu na Berlinale, ontem e hoje.


DOCUMENTÁRIO SOBRE BOB MARLEY É BEM RECEBIDO NA BERLINALE

O premiado documentarista Kevin Macdonald realizou o que críticos estão chamando de biografia definitiva de Bob Marley - projeto que teve a ajuda da gravadora e da família do lendário músico de reggae.

O filme foi incluído na programação da Berlinale, e as críticas se voltaram principalmente para sua longa duração - 144 minutos.

"Marley" tem entrevistas com filhos do cantor, com a viúva dele, Rita, e com um ex-colega de banda, além de imagens de shows.

Como a gravadora Island aderiu ao projeto, a trilha sonora fala por si só.
Johannes Eisele - 12.fev.12/France Presse
Rohan Marley, entre Neville Garrick (esq.) e Kevin Macdonald no Festival de Berlim

O documentário narra a bem conhecida trajetória de Marley, que nasceu em uma pequena aldeia da Jamaica e se tornou um astro mundial divulgando o reggae e a filosofia rastafári, até morrer de câncer, em 1981, aos 36 anos.

Mas ele aborda também temas mais polêmicos, como a angústia de Marley por ser mulato, o que o fez sofrer "bullying" na infância, e como os relacionamentos e filhos extraconjugais afetaram a vida dele com a esposa, Rita, e com a filha Cedella - estima-se que Marley tenha tido 11 filhos com sete mulheres.

"Eu sentia que não havia bons filmes sobre ele, e (havia) muita desinformação", disse Macdonald à Reuters em Berlim.
"Quis fazer um filme muito simples. É o filme mais convencional que eu já fiz, muito direto, apenas tentando ser um detetive e descobrir a verdade sobre a sua vida e a verdade sobre o seu personagem."


SODERBERGH APRESENTA SEU 'À TODA PROVA'

Em uma edição marcada por papéis com mulheres fortes, a mais poderosa - ao menos do ponto de vista físico - veio da campeã de lutadora marcial Gina Carano, atriz principal de "À Toda Prova", do diretor norte-americano Steven Soderbergh.

O filme - exibido em sessão fora de competição na Berlinale - tem quase metade de sua duração apenas com cenas de lutas realmente impressionantes, nas quais Carano - que interpreta a mercenária Mallory - aniquila o elenco masculino - Ewan McGregor, Michael Fassbender e Antonio Banderas, entre outros.

"Se não fosse por ela, de verdade, esse filme não teria sido realizado. Foi ao vê-la no ringue que pensei em fazê-lo ", disse Soderbergh, na capital alemã.

Carano é uma popular lutadora de MMA nos EUA, já foi sete vezes campeã e só perdeu uma luta apenas - em 2009 para a brasileira Cristiane Santos - e então se aposentou do esporte.

Com "À Toda Prova" ela faz sua estreia em Hollywood.
"Foi algo que sempre tive vontade [de fazer] e não quero mais parar", disse ela em Berlim.

Sua performance confere realismo ao filme de ação do diretor.
"Quando o Soderbergh me ligou, ele perguntou se eu tinha problema em interpretar um papel no qual eu devia bater realmente com força em uma mulher. Mas por ser uma representação, claro que não me incomodei", contou Fassbender.
Divulgação
Cena do novo filme de Steven Soderbergh, "À Toda Prova"

"À Toda Prova" conta a história de uma mercenária traída por um de seus clientes e que vai em busca de revanche. 

Gravado em câmera digital de última geração, a Red MX, o filme foi, segundo o diretor, editado enquanto era feito.
"Esse equipamento me permitia trabalhar à noite com o que eu tinha feito durante o dia, fato impossível em película", conta.

Com isso, o filme pode ser feito mais rapidamente.
"Ele é muito econômico no que pretende e gravava exatamente o que queria, o que é raro nesse meio", disse Banderas, que estava bastante bem humorado, em Berlim: 

"Vocês repararam que o filme começa com alguém dizendo 'shit' (merda), eu acabo ele dizendo 'shit' e ainda tem um monte de 'shit' no meio?", brincou o astro espanhol.

Confira o trailer do filme:

Soderbergh confirmou ainda, anteontem, que irá parar de dirigir filmes "por um tempo".
"Meu conselho a vocês: nunca fiquem bêbados com o Matt Damon e confidenciem a ele o que pensam, porque ele tem boa memória e depois conta tudo por aí", disse Soderbergh, às gargalhadas.

Foi Damon quem, recentemente, tornou público o sábatico que o diretor pretende tirar após terminar três produções já em curso.
"Mas é verdade; desde 'Winston' (1987) - seu primeiro curta - eu não parei e preciso agora descansar", disse o diretor.


'TABU' JÁ LEVOU O IMPORTANTE PRÊMIO DA CRÍTICA PRESENTE EM BERLIM

A coprodução luso-brasileira "Tabu", dirigida pelo português Miguel Gomes, ganhou nesta sexta o prêmio da Fipresci (Federação Internacional da Crítica) em uma disputa que incluía os 18 filmes apresentados na mostra competitiva da 62ª edição do Festival de Berlim.

Em uma votação independente da mostra, a história de amor - rodada em preto e branco e ambientada na África colonial- acabou sendo agraciada com este importante prêmio, considerado prévia da premiação oficial.
Tim Brakemeier-15.fev.2012/Efe
O diretor português Miguel Gomes, de "Tabu", no Festival de Berlim

O ator brasileiro Ivo Müller, 34 anos, que faz parte do elenco no papel do marido da protagonista na segunda parte da trama, disse ao UOL que ficou feliz e surpreso com a notícia.

"Os críticos não foram unânimes após a primeira exibição do filme", disse Müller, que em São Paulo está em cartaz com duas peças: "Doze Homens e Uma Sentença" e o monólogo "Cartas a Um Jovem Poeta".
AFP
O ator Ivo Müller concede entrevista em Berlim

"Foi um bom sinal, porque significa que [o filme] mexeu com eles. Eu estava com o Miguel [Gomes] agora e ele falou que essa é a hora certa para divulgarmos o filme."

Além de levar o prêmio da Fipresci, "Tabu" também aparece como um dos favoritos ao Urso de Ouro 2012.


MEGASUCESSO DE AÇÃO MARCIAL 3D CHINÊS COLOCA ADRENALINA NA BERLINALE

Primeiro filme de artes marciais em 3D rodado na China, "Flying Swords of Dragon Gate" foi exibido na tarde desta sexta (17) dentro da mostra Berlinale Special, parte da seleção oficial do Festival de Berlim 2012. 

Dirigido por Tsui Hark, que completa hoje 62 anos, presta homenagem a um clássico do "wu xia", como o gênero é conhecido entre os chineses: "Dragon Gate Inn" (1966). 
Posteriormente, Hark produziu "New Dragon Gate Inn" (1992), uma refilmagem do original.

Jet Li não pode comparecer à Berlinale, e Hark foi promover o filme ao lado de sua mulher, a produtora Shi Nansum, do produtor Yu Dong e das atrizes Gwei Lun Mei e Fan Hsiao Shuan.

"Eu comecei a fazer cinema por causa de 'Dragon Gate Inn' e do diretor King Hu, que foi o meu mestre e posteriormente me ensinou tudo sobre 'wu xia'", explicou Hark, durante entrevista coletiva concedida após a exibição do filme para os jornalistas. 
"Não se trata exatamente de uma refilmagem, mas do desenvolvimento de uma elipse na história original."

"Flying Swords of Dragon Gate" retoma a história original três anos depois do incêndio que destruiu o principal cenário do primeiro filme, a pousada Dragon Inn. 

Um novo grupo de saqueadores assumiu o local, eles são estalajadeiros de dia e caçadores de tesouros à noite. 

Reza a lenda que ali ficaria uma cidade perdida, enterrada sob o deserto, e o tesouro escondido nela só seria revelado a cada 60 anos por uma tempestade gigantesca.
Divulgação
Cena de "Flying Swords of Dragon Gate"

A tempestade está próxima, mas a situação se complica quando uma concubina grávida que escapa do palácio chega à pousada. 

concubina é salva por uma misteriosa mulher, Ling Yanqiu (Zhou Xun). 
No encalço delas, estão os assassinos imperiais, liderados pelo poderoso Yu (Chen Kun). 
E eles, por sua vez, são perseguidos pelo general Zhao (Jet Li), determinado a derruba-lo para restaurar a ordem no império.

Embora o nome forte do filme seja Li, uma celebridade chinesa dos filmes de artes marciais, os personagens femininos são muito fortes. 
"Eu gosto de imaginar mulheres poderosas nos meus filmes", disse o diretor. 
"É o que mais gosto no processo criativo. Apesar disso, não sou muito guiado por essas coisas quando escrevo os roteiros. Prefiro fazer com sentimento."

Confira o trailer do filme:

Chuck Comisky, supervisor de efeitos especiais de "Avatar", trabalhou em "Flying Swords of Dragon Gate" como diretor dos efeitos especiais em 3D
"Ele foi para a China e nos deu uma oficina de sete horas sobre como trabalhar com essa tecnologia", contou Hark. 
"Chegamos a fazer como teste um filme de longa-metragem, 'Catch the Monkey', que ainda tenho de finalizar antes de lançá-lo."

Para o cineasta, há muita discussão inútil sobre o 3D. 
Segundo ele, a China tem hoje cerca de 5 mil salas com capacidade para exibir filmes nessa tecnologia. 
"Em Hollywood, há muito mais", completou. "É uma importante plataforma e temos que usá-la como uma ferramenta criativa."


CURTA BRASILEIRO CONCORRE AO URSO DE OURO NA SUA CATEGORIA - CONFIRA OUTROS CONCORRENTES

Entre os 27 filmes que concorrem ao Urso de Ouro de melhor curta-metragem nesta 62ª edição do Festival de Berlim, o cinema latino-americano se destaca com cinco concorrentes, incluindo o brasileiro "Licuri Surfe", de Guile Martins.

O filme, de 15 minutos, aborda a relação de um índio pataxó (Licuri) com o surfe, esporte que conheceu através da televisão e do contato com turistas que se aproxima de sua aldeia, localizada na Bahia.

Apesar de morar em uma praia sem ondas, o jovem, que começou a praticar o esporte com um pedaço de madeira, despertou a atenção de Guile Martins por sua relação diferenciada com a água.
Divulgação
Cena de "Licuri Surfe", de Guile Martins

A produtora peruana Claudia Llosa - vencedora do Urso de Ouro de 2009 com o longa-metragem "A Teta Assustada" -, retorna a competição com o curta "Loxoro", uma co-produção entre Peru, Espanha, Argentina e Estados Unidos.

"La Santa", do chileno Mauricio López Fernández, o venezuelano "Nostalgia", de Gustavo Rondón Córdova, e a coprodução germânico-mexicana "Ein Mädchen Namens Yssabeau", da mexicana Rosana Cuellar, são outros representantes do cinema latino-americano na Berlinale.

O júri da seção curta-metragem - formado pela atriz alemã Sandra Hüller, pela artista palestina Emily Jacir e pelo cineasta irlandês David O'Reilly - anunciará o vencedor do prêmio no sábado (18), na cerimônia de premiação oficial do Festival de Berlim.


FESTIVAL ENCERRA APRESENTAÇÕES DOS CONCORRENTES AO URSO DE OURO

O Festival de Berlim encerrou nesta sexta a apresentação dos candidatos ao Urso de Ouro com o longa "Rebelle", centrado na história de uma criança-soldado do Congo e dentro da tônica da Berlinale 2012, que foca os conflitos e as grandes manifestações do mundo atual.
Divulgação/Berlinale
Ursos tomaram Berlim de assalto!

Dirigida pelo canadense de origem vietnamita Kim Nguyen, "Rebelle" apresenta os dramas da Guerra Civil africana através da história da jovem Komona (Rachel Mwanza), uma menina de 12 anos que é capturada por um exército rebelde para se transformar em uma criança-soldado.

Trata-se de um grande filme de baixo orçamento, como a maioria dos 18 concorrentes ao disputado Urso de Ouro.


BERLINALE REVELA SEUS VENCEDORES AMANHÃ À NOITE

Neste sábado (18), o Festival de Berlim 2012 chega ao fim e 1,6 mil convidados são esperados para assistir à cerimônia de gala no Berlinale Palast, onde a partir de 19h (16h do Brasil) os vencedores dos Ursos de Ouro e Prata, os prêmios do Júri Internacional de Curtas Metragens, o prêmio Melhor Primeiro Filme, bem como o Prêmio Alfred Bauer serão anunciados.

Entre os favoritos ao prêmio máximo do festival, estão o italiano "Cesare Deve Morire", dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani; o alemão "Barbara", de Christian Petzold; a coprodução luso-brasileira "Tabu", de Miguel Gomes, e o filme canadense "War Witch", de Kim Nguyen.

Após a cerimônia, o vencedor do Urso de Ouro será exibido como filme de encerramento da Berlinale deste ano.

O diretor do festival Dieter Kosslick e o Júri Internacional, sob a presidência de Mike Leigh, apresentarão os prêmios.
Reuters
O júri de Berlim 2012

Este ano, cerca de 300.000 ingressos foram vendidos para o público - um sucesso em se tratando de um festival que acontece poucos dias antes da cerimônia de entrega principal prêmio da temporada - o Oscar.

Pelo visto, os berlinenses e os turistas preferiram nessa semana os filmes da Berlinale, o que é muito bom de se saber.

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Com Reuters, AFP, Fábio Cypriano - Folha de S.Paulo e Alessandro Giannini - UOL