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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DIVERSIDADE: CASAMENTO GAY NO URUGUAI, LÉSBICA FAVORITA Á PREFEITURA DE NY, CARLA BRUNI EM DEFESA DOS LGBTs E OS 'FORTÕES DA PAULISTA'


Para essa semana, separei três textos e um artigo muito legais:

CASAMENTO IGUALITÁRIO É APROVADO NO URUGUAI
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LÉSBICA É FAVORITA À PREFEITURA DE NY
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CARLA BRUNI DEFENDE OS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS
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ARTIGO: 'O FORTÃO DA PAULISTA'
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Confira:

CASAMENTO IGUALITÁRIO É APROVADO NO URUGUAI

O grupo Dignidade e Jornalista Donizeti Costa reportam que a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou hoje, por uma grande maioria, o projeto de lei do casamento igualitário, que autoriza e equipara em nome, direitos e obrigações as uniões de casais homossexuais às celebradas entre heterossexuais.

Após um longo e intenso debate, a lei foi aceita com 81 dos 87 votos possíveis depois que o projeto do governista Frente Ampla, que tem maioria na Câmera Baixa, alcançou o apoio de vários legisladores dos partidos opositores Nacional e Colorado.

A norma aprovada minutos após a meia-noite deverá ser ratificada pelo Senado, onde o Governo também tem maioria, e depois promulgada pelo Executivo, o que pode acontecer no início de 2013.

O projeto, que consta de 29 artigos, assinala expressamente que o Código Civil considerará como casamento "a união permanente entre duas pessoas do mesmo ou de diferente sexo", pelo que aos casais formados por dois homens ou duas mulheres serão aplicadas as mesmas normas que aos integrados por um homem e uma mulher.

Divulgação
Fachada da Câmara uruguaia

"Esta lei alcança uma verdadeira igualdade entre todos os cidadãos e afirma essa igualdade, já que todos somos diversos e todos somos iguais diante dela", indicou o deputado da Frente Ampla Julio Bango, encarregado de apresentar o projeto.

O aspecto mais chamativo da nova norma será a regulamentação sobre a ordem dos sobrenomes dos filhos, o que afetará também os casais heterossexuais.

Em vez de o sobrenome paterno ser colocado em primeiro lugar, a lei prevê a possibilidade de os casais heterossexuais optarem por qualquer ordem, assim como farão os homossexuais.

Entre os críticos da iniciativa está a Igreja Católica uruguaia, segundo a qual a palavra "casamento" só pode referir-se à "união estável entre homem e mulher, capazes de ato conjugal com transmissão da vida e baseado no contrato de mútua pertinência", como indicou a hierarquia eclesial nos últimos dias.

Como no Uruguai as igrejas não apitam nada, a pequena nação sul americana continua seguindo na vanguarda dos direitos e diversidade.

Parabéns aos uruguaios.

LÉSBICA É FAVORITA À PREFEITURA DE NY

Segundo matéria publicada pelo jornal DN, de Portugal, a Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nova York, Christine Quinn,  lésbica militante, surge em primeiro lugar na pesquisa que aponta os candidatos favoritos à prefeitura da cidade nas próximas eleições.

No estudo da Universidade Quinnipiac, Quinn, do Partido Democrata, aparece com 32% das intenções de voto nas primárias previstas para setembro de 2013, mais do que a soma dos seus quatro adversários.

O candidato democrata, seja ele qual for, ganharia frente aos republicanos apontados como candidatos à presidência da Câmara de Nova York, revela a mesma sondagem.

Michael Bloomberg, independente desde 2007 depois de ter sido republicano, é prefeito da cidade desde janeiro de 2002 - reeleito duas vezes, não pode disputar um quarto mandato.

Divulgação
A democrata Christine Quinn

Apesar de nenhum ser oficial, fala-se numa dúzia de possíveis candidatos à sua sucessão, entre democratas e republicanos.

Quinn é a favorita do lado democrata e Ray Kelly, o chefe da polícia da cidade, de 71 anos, é o republicano com mais intenções de voto.

Seria simplesmente sensacional ter uma lésbica como prefeita de uma das maiores e mais importantes cidades do mundo.

CARLA BRUNI DEFENDE OS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

Segundo matéria da revista "Caras", já que agora não é mais a primeira-dama francesa, Carla Bruni decidiu falar mais abertamente acerca de determinados assuntos que antes não abordava.

E foi em entrevista à "Vogue" que a cantora e atriz manifestou a sua opinião acerca dos direitos dos homossexuais.

"Sou a favor do casamento homossexual e da adoção. Tenho muitos amigos, homens e mulheres, que estão nessa situação e não vejo nada de instável nem de perverso nas famílias com pais do mesmo sexo", assegurou a mulher do ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Divulgação - revista Caras
A ex-primeira dama francesa Carla Bruni

Bruni, que regressou agora à sua vida profissional, não quis comentar os rumores que falam da possibilidade do marido regressar à vida política.

"A aventura foi bonita, mas agora quero voltar a viver como uma cidadã igual às outras. Este mundo enriqueceu-me muito em termos humanos, abriu-me os olhos e o espírito, mas no fundo não é o meu", afirmou.

Carla diz ainda que não é “militante feminista” e assume o seu lado burguês.

“A minha geração já não tem necessidade de ser feminista, as pioneiras já abriram esse caminho. Adoro a minha vida familiar, de fazer as mesmas coisas todos os dias, de ter um marido. Sou uma verdadeira burguesa”.

A ex primeira-dama vai lançar o seu quarto álbum em 2013 e, enquanto isso, acaba de voltar à sua carreira de modelo, protagonizando uma campanha publicitária.

ARTIGO: 'O FORTÃO DA PAULISTA'

O jornalista Marcelo Coelho escreve todas as sextas no caderno "Ilustrada" da Folha de S.Paulo.

Em seu último artigo, ele abordou os ataques a homossexuais na Av.Paulista - confira:

"O trânsito ali sempre é complicado, mas à noite, com as decorações natalinas, fico pensando se não seria o caso de interditar a avenida Paulista de uma vez.

Estando todos avisados que depois de certo horário só a circulação de pedestres é permitida, pelo menos diminuirá o número dos desesperados que, dentro do carro, esperavam chegar em tempo a seu destino, sem saber que a rua se tornou mais uma atração turística do que um meio racional de circulação.

O passeio pode ser simpático. Puseram árvores de luzinhas que fogem ao esquema habitual. Em vez de troncos com as lâmpadas chinesas enroladas em volta, surgiram espetos de tamanho médio, que durante o dia não se percebem muito, mas à noite se ganham o aspecto de magra e invernal vegetação iluminada.

Crianças pequenas tiram fotos com os pais, passadas as 23h. Adultos descansam sentados em parapeitos, a meio do longo trajeto. Andando por ali, tive sentimentos contraditórios.

Nunca passei o Natal fora do país, mas aquilo podia até ser parecido com Nova York, ou quem sabe Milwaukee. Estava tudo bem até eu ver três garotões de preto, cheios de tachinhas e pulseiras, sem o menor ar de admiração pelos trenós e presépios em volta.

Reprodução - TV Record
Grupos de rapazes são agredidos por homofóbicos com lâmpada fluorescente na Av. Paulista

Sosseguei ao ver que havia um carro de polícia estacionado logo ali. Pensei melhor, identificando os garotos mais com alguma vertente punk do que com neonazistas ou assassinos de homossexuais.

Bem à minha frente, dois jovens japoneses pareciam tomar conhecimento com a Paulista pela primeira vez, e temi pelo que pudesse acontecer com eles.

Algo está certamente errado com um lugar onde, ao mesmo tempo, crianças pequenas apontam para imagens de Papai Noel e homossexuais podem ser espancados e mortos à vista de todo mundo -das crianças inclusive.

Certamente, ataques aos gays existem em qualquer parte da cidade, mas não é casual que episódios desse tipo tenham acontecido várias vezes na avenida Paulista.

Provavelmente, o homofóbico faz questão de tornar especialmente pública a sua ação. Viu que na Paulista, na passeata do orgulho gay, existem muito mais membros dessa tribo do que ele próprio pensava.

O poder de centenas de milhares de gays o intimida. Se existem tantos, que será de mim? É claro que, lá no fundo, ele pensa: "quando chegará a minha vez?".

Pois bem, passado o trauma da multidão, ele gostaria que a avenida voltasse ao normal. Um dia de tolerância aos gays não quer dizer que no resto do tempo a homossexualidade esteja permitida.

É como o machão que, certa vez na infância, no campinho de futebol, bem, você sabe... Mas ele é totalmente heterossexual, claro.

Dizem os alemães que uma vez é igual a vez nenhuma: "einmal ist keinmal". Certo, um dia por ano admite-se a festa do orgulho gay. Cabe ao homofóbico destruir, então, qualquer vestígio do que aconteceu.

Não inovo ao dizer que o fortão da avenida Paulista quer destruir, acima de tudo, o seu próprio medo de ter desejos homossexuais. Procura ingerir a heterossexualidade junto com os anabolizantes.

Deveria pensar que a heterossexualidade, como a dimensão dos músculos, é uma questão de grau.

Um dos sujeitos mais heterossexuais que conheci considerava que, depois dos 40 anos, ter barriga é desejável. Mais do que isso, a ausência de barriga chegava a lhe parecer um bocado suspeita.

Há quem vá além. Soube de um cidadão que, mesmo nos transes da adolescência, nunca teve interesse em se masturbar. "Meu negócio é mulher", dizia ele. E o onanismo, pensando bem, não deixa de ser uma forma de obter prazer com alguém do mesmo sexo.

Que dizer, ademais, de um homem que faz questão de sair com mulheres bonitas? É o que quer a maioria; enquanto isso, muitas mulheres não ligam para a feiura dos companheiros.

Concluo que as mulheres, provavelmente, são mais heterossexuais do que os homens -tão ligados, afinal, em frescuras estéticas, enjoamentos, exigências e minúcias.

Como é que aquele gay, pensa o homofóbico da Paulista, pode ser mais bonito do que eu? Surge o impulso agressivo. Ele volta, depois, à academia de ginástica. O espelho, ali, reflete a sua imagem. Ele é a madrasta de Branca de Neve. Que as luzes do Natal não iluminem seu desfile pela Paulista."
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Até +!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A SEMANA NA DIVERSIDADE TEM POLÍTICA, PLC 122, CASAMENTO LÉSBICO E DICAS PRA NAMORADA SABER SE SEU NAMORADO É GAY


Para essa semana, separei matérias muito especiais:

HOMOSSEXUAIS: OS NOVOS REFÉNS DA POLÍTICA NACIONAL
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O QUE ACONTECE COM O PROJETO QUE CRIMINALIZA A HOMOFOBIA?
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CASAMENTO LÉSBICO REPERCUTE NO YOUTUBE
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'MOÇA: SEU NAMORADO É GAY' FAZ SUCESSO NO FACEBOOK
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Confira:

HOMOSSEXUAIS: OS NOVOS REFÉNS DA POLÍTICA NACIONAL

Os homossexuais tornaram-se os novos reféns da política brasileira.

O nível canino de certos embates políticos fez com que setores do pensamento conservador procurassem se aproveitar de momentos eleitorais para impor sua pauta de debates e preconceitos.

Eleições deveriam ser ocasiões para todos aqueles que compreendem a igualdade como valor supremo da República, independentemente de sua filiação partidária, lutarem por uma pauta de modernização social que inclua casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, permissão de adoção de crianças e constituição de família, além da criminalização de toda prática de homofobia e do engajamento direto do Estado na conscientização de seus cidadãos.

Parece, no entanto, que nunca nos livraremos de nossos arcaísmos.

Alguns acreditam que se trata de liberdade de expressão admitir que certos religiosos façam pregações caracterizando homossexuais como perversos, doentes e portadores de graves desvios morais.
Seguindo tal raciocínio, seria também questão de liberdade de expressão permitir que se diga que negros são seres inferiores ou que judeus mentem em relação ao Holocausto.

Divulgação

Sabemos muito bem, contudo, que nada disso é manifestação da liberdade de expressão. 
Na verdade, tratam-se de enunciados criminosos por reiterar proposições sempre usadas para alimentar o preconceito e a violência contra grupos com profundo histórico de exclusão social.

Nunca a democracia significou que tudo possa ser dito.
Toda democracia reconhece que há um conjunto de enunciados que devem ser tratados como crime por fazer circular preconceitos e exclusão travestidos de "mera opinião".

Não há, atualmente, nenhum estudo sério em psiquiatria ou em psicologia que coloque a homossexualidade enquanto tal, como forma de parafrenia (categoria clínica que substituiu as perversões).

Em nenhum manual de psiquiatria (DSM ou CID) a homossexualidade aparece como doença. Da mesma forma, não há estudo algum que mostre que famílias homoparentais tenham mais problemas estruturais do que famílias compostas por heterossexuais.

Nenhum filósofo teria, hoje, o disparate de afirmar que o modelo de orientação sexual homossexual é um problema de ordem moral, até porque a afirmação de múltiplas formas de orientação sexual (à parte os casos que envolvam não consentimento e relação com crianças) é passível de universalização sem contradição.

Impedir que os homossexuais tornem-se periodicamente reféns de embates políticos é uma pauta que transcende os diretamente concernidos por tais problemas.
Ela toca todos os que lutam por um país profundamente igualitário e republicano.

Esse ótimo artigo foi escrito por Vladimir Safatle - professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo) e que escreve às terças na Página A2 da versão impressa da "Folha de S.Paulo".

O QUE ACONTECE COM O PROJETO QUE CRIMINALIZA A HOMOFOBIA?

A militância gay e os defensores dos direitos humanos estão preocupados com o PLC 122/2006, o projeto de lei que criminaliza a homofobia.

Ele estava no Senado Federal nas mãos de Marta Suplicy (PT-SP) e, com a saída dela para ocupar o cargo de ministra da Cultura, com quem ficará o projeto?

A movimentação é para que Lídice da Mata (PSB-BA) seja o nome indicado para cuidar dos encaminhamentos do projeto de lei.

Uma reunião foi feita na tarde de quarta-feira, 9, com o senador Paulo Paim (PT-RS) e integrantes da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT e o movimento social.

Folhapress
A reunião da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT

Uma petição também está rolando para que a senadora seja a pessoa certa para levar adiante a PLC122 - clique aqui e assine também .

O Blogay conversou com o militante Marcelo Gerald,  que cuida de um site sobre o assunto e é uma das pessoas por trás da proposta de ter Lídice como relatora do projeto de lei.

Blogay – Como está o PLC122, em que estado se encontra?
Marcelo Gerald - A última vez que o PLC122 andou foi quando Fatima Cleide apresentou seu novo texto em outubro de 2009 na Comissão de Assuntos Sociais, o novo texto atendia a demanda de religiosos, sem que o projeto saísse prejudicado. Foi aprovado naquela comissão e seguiu pra Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde está parado até hoje. Foi arquivado no início de 2011 e desarquivado por Marta Suplicy um mês após. Tivemos audiências, mas o projeto não foi colocado em votação.

Do que se trata a petição?
A petição que ativistas LGBTs organizaram é pra que tenhamos um relator(a) que seja favorável ao projeto e entenda as demandas do movimento LGBT, que defenda Direitos Humanos. Depois que Marta Suplicy deixou o Senado ficou em seu lugar (seu suplente) um senador que votou a favor do dia do orgulho hétero, enquanto era vereador. Além disso, senadores contrários ao PLC122 já manifestaram desejo de pegar a relatoria. O que se busca é que alguém que participe das reuniões da Frente Parlamentar LGBT e que defenda Direitos Humanos assuma a relatoria e nesse sentido Lídice da Mata atende os requisitos. A senadora tem sido bastante contundente na defesa de direitos das mulheres e de LGBTs na discussão do novo Código Penal.

Como foi o encontro com o Paulo Paim e quais são os maiores receios dos LGBTs com a saída da Marta do Senado?
O senador Paulo Paim recebeu integrantes da Frente Parlamentar LGBT e Graça Cabral, representante do grupo “Mães Pela Igualdade”. Segundo Paim, a decisão sobre a relatoria ficará com a bancada do PT. Me preocupa essa lentidão que faz com que opositores ao projeto ganhem tempo, os meses passam e nada se faz e em janeiro de 2015 o projeto será arquivado definitivamente e parece que é exatamente isso que alguns querem.

A senadora Lídice da Mata topou? Qual a posição dela?
Lídice da Mata tem se mostrado favorável a assumir a relatoria do Projeto. Nas redes sociais e no Twitter, ela tem feito várias declarações a favor da cidadania LGBT e, no dia 24 de setembro, ela disse: “Solicitei relatoria assim que @MartaSuplicy assumiu ministério.Vamos aguardar decisão pres.CDH,@paulopaim.”

Ainda há chances para a PLC ou ela foi demonizada demais?
Essa coisa de dizer que o PLC122 foi demonizado é a maior armadilha que pessoas do movimento caíram no ano passado, não adianta mudar o nome, a sigla, ou seja lá o que for, qualquer projeto de lei que defenda a cidadania LGBT será perseguido por fanáticos e pessoas que não pregam amor e sim ódio a LGBTs. Eu acompanho discussões sobre o projeto há anos e antigamente os opositores diziam que tínhamos que lutar por medidas educativas e não por leis. Aí veio o kit anti-homofobia e essas mesmas pessoas promoveram gritaria contra o material educativo que visava apenas promover aceitação e igualdade dentro das escolas. Pra mim, qualquer projeto terá recusa dessas pessoas, eles não querem sequer discutir o tema e não vejo como negociar algo tão sério com quem diz que todo homossexual é pedófilo, afirmações desse tipo deveriam ser crime.

Na sua opinião, como sair deste impasse, como pressionar Paulo Paim?
Eu não gosto de pensar que realmente teríamos que pressionar Paim, ele assumiu um cargo importante, preside a Comissão de Direitos Humanos, ele sabe da importância desse projeto, antigamente banalizavam as mortes, alguns diziam que era invenção do Grupo Gay da Bahia, mas agora temos os dados da Secretaria de Direitos Humanos que confirmam a violência física, emocional e psicológica que LGBTs sofrem todos os dias. Se Paim virar as costas pro projeto, deixa-lo morrer ou entrega-lo nas mãos erradas enfrentará um custo politico grande, não só pra ele, mas para o PT que se elegeu por anos sob a fama de partido progressista e defensor de Direitos Humanos.

O PLC122 é um projeto para além da defesa dos homossexuais. Você pode esclarecer melhor isto?
Pra finalizar eu gostaria de dizer que tanto ativistas do movimento LGBT e os opositores ao projeto devem entender é que esse não é um projeto de lei gay, ou que atende somente gays, alguns dizem isso por má fé, ou até por desconhecimento. O PLC122 defende contra a discriminação por orientação sexual, se um hétero for discriminado numa boate gay, se for proibido de entrar ou de beijar a sua namorada haverá punição idêntica a que protegeria um homossexual na boate hétero, ou seja o PLC122 visa proteger gays, héteros e bissexuais.

Outra coisa absurda que dizem é que não poderiam proibir gays de se beijarem em igrejas, eu tenho formação religiosa rígida, frequentava a igreja desde muito cedo e nunca vi casais se beijando dentro delas, se héteros não podem se beijar dentro de igrejas, gays também não podem. Também é bem comum dizer que teremos que conviver com gays se beijando dentro de restaurantes, pra resolver isso é bem simples, não quer ver ninguém se beijando? Basta colocar uma placa bem grande que diga que ali é proibido manifestar qualquer tipo de afeto, nem gay, nem hétero poderão reclamar. Eu não pretendo frequentar esse tipo de restaurante, mas ai vai da liberdade de escolha de cada um.

Essa matéria foi publicada pela coluna Blogay, assinada pelo jornalista Victor Ângelo, na edição digital da "Folha de S.Paulo".

CASAMENTO LÉSBICO REPERCUTE NO YOUTUBE

Um vídeo, publicado no início do mês e atualmente com 2 milhões de views no YouTube, tem causado polêmica na internet por apresentar um casamento entre duas mulheres.

Produzido para a empresa de viagens Expedia, o anúncio, chamado "Find Your Understanding" (Encontre sua compreensão), mostra a jornada de um pai através dos Estados Unidos para chegar ao casamento de sua filha com outra mulher.

O vídeo, de cerca de três minutos, mostra as duas personagens vestidas de noiva na recepção, em cenas com a narração do pai de uma das mulheres, falando sobre a filha e os passos para a aceitação do relacionamento dela com outra pessoa do mesmo sexo.

Enquanto alguns internautas aplaudem a iniciativa em comentários no site, outros criticam o vídeo por apresentar uma "relação sexualmente demoníaca", e se dizem revoltados, segundo postagens no YouTube - alguns mais sem noção chegaram a dizer que não usariam mais os serviços da empresa depois do vídeo.

Veja a versão legendada:


Segundo o jornal Daily Mail, certos comentários chegaram a ser excluídos do site depois de serem votados como ofensivos por usuários do YouTube.

Publicado no dia 02 de outubro, o vídeo já tem mais de mil comentários.

Essa matéria foi publicada no site Terra.

'MOÇA: SEU NAMORADO É GAY' FAZ SUCESSO NO FACEBOOK

Uma nova página está bombando no Facebook nesses dias: é a "Moça, seu namorado é gay", que traz uma série de frases que tentam "alertar" as garotas sobre atitudes, digamos, "viadísticas" de seus namorados.

Imagens do Facebook

De maneira bem humorada, o criador da página narra situações que podem ser um indício de que um rapaz seja gay.

Em uma entrevista para O Globo , o estudante de jornalismo Luiz Fernando de Araujo, de 22 anos, diz que tudo não passa de uma brincadeira.


O dono da página também afirma que não tem a intenção de ofender nem rotular ninguém, é apenas uma maneira divertida de expressar algumas situações pelas quais já passou.

"Quando via um casal, e o homem ficava paquerando algum menino da minha turma de amigos, mesmo com a namorada ao lado, eu falava, brincando: 'moça, seu namorado é gay'. Mas isso só entre o meu pessoal, nunca para a garota. Então achei que a
brincadeira daria certo no Facebook também", disse Luiz.


Entre as frases de maior sucesso publicadas na página estão:




Visite a página no Facebook: lá tem mais, muito mais!
*****
Até +!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

JUSTIÇA RECONHECE A DUPLA MATERNIDADE DE CASAL DE LÉSBICAS


De mochila cor-de-rosa e tiara da mesma cor, Kaylla Brito Santarelli, 3, é símbolo de uma conquista.

Ela é fruto de um arranjo inédito de dupla maternidade reconhecida pela Justiça.

A garota da cidade de Jandira, na Grande SP, vai se tornar a terceira criança brasileira a ter o nome de duas mães na certidão de nascimento.

Até 10 de setembro, Kaylla receberá o novo documento e nele constará o nome de Janaína Santarelli, 29, que a gerou, e o de Iara Brito, 25, que a adotou na condição de companheira da mãe biológica.

"O importante para a criança é que tenha figuras significativas que exerçam as funções parentais, independente de suas opções sexuais", diz a sentença da juíza Débora Ribeiro.

O processo para reconhecer Iara como mãe da criança teve início em 2008.
"Todos temos direito a formar uma família", diz Janaína.

Ela realizou o sonho da maternidade após fazer uma fertilização com um doador desconhecido e Iara, com quem vive desde 2004, acompanhou todo o processo.

Kaylla chama Janaína de "mamãe" e Iara de "manhê".

"Ela sempre diz que tem duas mães", afirma Iara.

O casal relatou a experiência ontem (30) em uma mesa redonda intitulada "Mulheres, lésbicas e relações familiares", promovida pela Secretaria de Estado da Justiça no Pateo do Collegio, na região central de São Paulo, evento que fez parte da programação do Dia da Visibilidade Lésbica, festejado domingo (29).

Leticia Moreira/Folhapress
Kaylla e suas duas mães, agora reconhecidas pela Justiça

Cléo Dumas, especialista em direito homoafetivo, afirma que existem outros dois casos de dupla maternidade reconhecida no país: um em São Paulo - onde a mãe gerou a criança e a sua parceira doou o óvulo - e outro, no Pará -onde uma criança de abrigo foi adotada por um casal de lésbicas.

Além de provar que vivem uma relação estável, os casais passam por uma avaliação psicológica.

Em Jandira, o estudo diz que Janaína e Iara "proporcionam a Kaylla ambiente saudável, afetivo e favorável ao desenvolvimento".

O medo das mães era de que a filha fosse vítima de preconceito.

Encontraram apoio dos familiares e na escola dela: Kaylla e os colegas não comemoram Dia das Mães ou dos Pais.
"A escola instituiu o Dia da Família", conclui Janaína.
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Matéria de Eliane Trindade, para a Folha de S.Paulo

quinta-feira, 29 de abril de 2010

APÓS VITÓRIA, CASAL QUER ADOTAR MAIS DUAS CRIANÇAS

GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Um dia após o Superior Tribunal de Justiça reconhecer o seu direito de adotar dois meninos, uma das mães do casal homossexual de Bagé (366 km de Porto Alegre), a psicóloga Luciana Reis Maidana, 36, já pensa no próximo passo: adotar outras duas crianças.
Com a decisão do STJ, nas certidões de nascimento dos dois meninos, de 6 e 7 anos, passará a constar também o nome da fisioterapeuta Lídia Brignol Guterres, 44, com quem Maidana vive há 13 anos.
O caso ainda será julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
A seguir, leia trechos da entrevista concedida por Maidana à Folha de S.Paulo:
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FOLHA - Como as senhoras estão se sentindo depois da decisão do STJ?
LUCIANA REIS MAIDANA - Foi um presente de Dia das Mães, para nós duas. Aqui em casa não tem mãe e tia. Criamos e educamos como mães.
FOLHA - O que muda na família?
MAIDANA - O nome deles só. Eles acrescentam o sobrenome da Lídia porque passam a ter toda a seguridade que podem ter. No nosso cotidiano não muda nada porque há muito tempo a gente vive junto.

FOLHA - Como é, para os meninos, ter duas mães?
MAIDANA - Eles chamam nós duas de mãe. Somos uma família extremamente feliz, pacata, quieta. Todo o tempo nós conversamos. Sabem que são adotados desde sempre. Isso mexeu bastante com nossa vidinha quieta.

FOLHA - Mexeu como?
MAIDANA - Mantivemos o anonimato todos esses anos [desde 2005]. Quando estourou na mídia [anteontem], nossa casa virou uma loucura. Somente amigos muito íntimos e a família sabiam do processo. Tentamos preservá-los.

FOLHA - Por que adotar?
MAIDANA - A maioria das mulheres tem esse desejo de ser mãe. No nosso caso, seria impossível. Não foi uma coisa aloprada. Nós nos planejamos e nos preparamos durante anos.

FOLHA - Por que entraram com o processo?
MAIDANA - Essa luta toda foi para o bem-estare a seguridade deles. Não foi para levantar bandeira nenhuma nem para aparecer. O que a gente quer é a felicidade deles.

FOLHA - Embora tenham vencido nas instâncias inferiores, temiam derrota no STJ?
MAIDANA - Claro. Embora tenhamos vencido aqui e em Porto Alegre [Tribunal de Justiça], quando foi para Brasília, a gente ficou bem preocupada.

FOLHA - Ainda resta o julgamento do STF...
MAIDANA - Mas a gente vai ganhar também. Não é possível que [os ministros do Supremo] vão ter mentalidade tão fechada assim.

FOLHA - Já sofreram preconceito?
MAIDANA - Nunca, nem nós nem os meninos. Não sabemos a partir de agora.

FOLHA - Nem na escola?
MAIDANA - Nunca, em nenhuma das escolas deles. As pessoas viam com muita naturalidade. Os meninos têm duas mamães e não têm papai.

FOLHA - Acredita que essa decisão do STJ possa incentivar outras pessoas a fazer o mesmo?
MAIDANA - Abriu-se uma porta para as pessoas que têm vontade e que tinham medo de esbarrar na Justiça. É possível. Espero que encoraje as pessoas a lutarem por suas famílias. A Justiça não está tão retrógrada e reconhece que uma criança criada por um casal dito diferente é uma criança normal.

FOLHA - Como será daqui para frente?
MAIDANA - A gente tem intenção de adotar de novo, talvez um casal. É maravilhoso ser mãe, é tudo de bom. É o que existe de melhor na vida.