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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

FESTIVAL DE GRAMADO: 'COMO NOSSOS PAIS' LEVA KIKITO DE MELHOR FILME

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Vencedores foram anunciados no último sábado
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Terminou nesse sábado (16) a 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado.

Como já era esperado, o longa 'Como Nossos Pais', de Laís Bodanzky ('Bicho De Sete Cabeças'), foi o grande vencedor da noite com seis Kikitos, incluindo os de "melhor filme", "melhor direção", "melhor ator" e "melhor atriz".

Na trama, Rosa (Maria Ribeiro) passa por uma fase muito complicada de sua vida.

Aos 38 anos, ela tenta se dividir entre as obrigações diárias com a família e a carreira sem deixar de lado seus sonhos e anseios pessoais.

Um dia, após uma notícia impactante vinda de sua mãe - ela é filha de um romance fortuito dela - Rosa decide deixar as regras de lado e descobre que a vida pode proporcionar muitas coisas boas.

A cerimônia foi marcada por discursos políticos fervorosos, com atenção especial ao veto do presidente Michel Temer à renovação da Lei do Audiovisual, que rendeu até petição dos participantes.

Confira o trailer do ganhador:


Outro longa que brilhou na premiação foi o drama 'As Duas Irenes', de Fábio Meira, que levou os troféus de "melhor roteiro" e "melhor direção de arte", além do prêmio da crítica.

Já o prêmio de "melhor filme estrangeiro" ficou com o argentino "Sinfonía para Ana", dirigido pela dupla Virna Molina e Ernesto Ardito.

Confira a lista dos vencedores de Gramado 2017 por categoria:

Longa-metragem brasileiro

Melhor filme: "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky
Melhor direção: Laís Bodanzky, por "Como Nossos Pais"
Júri Popular: "Bio", de Carlos Gerbase
Prêmio Especial do Júri: Carlos Gerbase, por "Bio"
Troféu Cidade de Gramado, prêmio do Júri: Eliane Giardini e Paulo Betti
Melhor ator: Paulo Vilhena, por "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky
Melhor atriz: Maria Ribeiro, por "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky
Melhor roteiro: Fábio Meira, por "As Duas Irenes"
Melhor direção de arte: Fernanda Carlucci, por "As Duas Irenes", de Fábio Meira
Melhor atriz coadjuvante: Clarisse Abujamra, por "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky
Melhor ator coadjuvante: Marco Ricca, por "As Duas Irenes", de Fábio Meira
Prêmio da Crítica: "As Duas Irenes", de Fábio Meira
Melhor fotografia: Fabrício Tadeu, por "O Matador", de Marcelo Galvão
Melhor trilha musical: Ed Côrtes, por "O Matador", de Marcelo Galvão
Melhor desenho de som: Augusto Stern e Fernando Efron, por "Bio", de Carlos Gerbase
Melhor montagem: Rodrigo Menecucci, por "Como Nossos Pais", de Laís Bodanzky

Longa-metragem estrangeiro

Melhor filme: "Sinfonía para Ana" (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito
Melhor direção: Federico Godfrid, por "Pinamar" (Argentina)
Melhor filme, pelo Júri Popular: "Mirando al Cielo" (Uruguai), de Guzmán García
Prêmio Especial do Júri: "Los Niños" (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi
Prêmio da Crítica: "Pinamar" (Argentina), de Federico Godfrid
Melhor roteiro: Joel Calero, por "La Ultima Tarde" (Peru)
Melhor ator: Juan Grandinetti e Agustín Pardella, por "Pinamar" (Argentina), de Federico Godfrid
Melhor atriz: Katerina D'Onofrio, por "La Ultima Tarde" (Peru), de Joel Calero
Melhor fotografia: Fernando Molina, por "Sinfonía para Ana" (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito

Curta-metragem brasileiro

Melhor filme: "A Gis", de Thiago Carvalhaes (SP)
Melhor direção: Calí dos Anjos por "Tailor" (RJ)
Melhor filme, pelo Júri Popular: "A Gis", de Thiago Carvalhaes (SP)
Melhor ator: Nando Cunha, por "Telentrega", de Roberto Burd (RS)
Melhor atriz: Sofia Brandão, por "O Espírito do Bosque", de Carla Saavedra Brychcy (SP)
Prêmio 150 Anos Canadá Para Jovens Cineastas: Calí dos Anjos por "Tailor" (RJ)
Prêmio Canal Brasil: "O Quebra-cabeça de Sara", de Allan Ribeiro (RJ)
Prêmio Especial do Júri: "Cabelo Bom", de Swahili Vidal (RJ)
Júri da Crítica: "O Quebra-cabeça de Sara", de Allan Ribeiro (RJ)
Melhor roteiro: Carolina Markowicz, por "Postergados" (SP)
Melhor fotografia: Pedro Rocha, por "Telentrega", de Roberto Burd (RS)
Melhor desenho de som: Fernando Henna e Daniel Turini, por "Caminhos dos Gigantes", de Alois Di Leo (SP)
Melhor trilha musical: Dênio de Paula, por "O Violeiro Fantasma" de Wesley Rodrigues (GO)
Melhor direção de arte: Wesley Rodrigues, por "O Violeiro Fantasma" (GO)
Melhor montagem: Beatriz Pomar, por "A Gis" de Thiago Carvalhaes (SP)

quinta-feira, 27 de março de 2014

'ENTRE NÓS': PAULO MORELLI DESCE DA FAVELA E SOBE A MANTIQUEIRA PARA CONTAR DRAMA DE SUSPENSE ARREBATADOR


O cineasta Paulo Morelli finalmente deixou a favela - onde fez 'Cidade dos Homens' - e se aventurou, com ótimo resultado, numa trama simples e que, ao mesmo tempo, arrebata o espectador.

Em 'Entre Nós' - que estreia hoje em 81 salas em todo o Brasil - vemos, numa casa de campo na Mantiqueira, jovens amigos - interpretados brilhantemente por Caio Blat, Lee Taylor, Carolina Dieckmann, Paulo Vilhena, Júlio Andrade, Marta Nowill e Maria Ribeiro - que decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas dez anos depois.

Só que no mesmo dia, ao sair para comprar mais bebida para a turma, um deles morre num acidente na estrada, deixa um livro inacabado e outro amigo que sabia do texto se apropria dele e o publica como se fosse seu - o que turbina sua carreira de escritor.

Agora, depois de dez anos sem se verem desde aquele dia fatídico, o reencontro irá trazer à tona antigas paixões, novas frustrações e o segredo do livro  roubado virá à tona.

Os amigos reunidos em 1992 - Fotos dessa postagem: Divulgação/Paris Filmes

Paulo Morelli escreveu e dirigiu essa história simples ao lado do filho Pedro, com personagens muito bem construídos, cheio de particularidades e conflitos existenciais como são as pessoas de verdade  - um dos muitos méritos desse drama visceral com pitadas de suspense.

A trama começa em 1992 onde, numa casa de campo na Serra da Mantiqueira, um grupo de amigos se diverte e sonha com o futuro.

Dois deles, Felipe (Caio Blat) e Rafa (Lee Taylor), sonham com a carreira de escritor e discutem os esboços de seus primeiros romances, entre um gole e outro.

Lee Taylor é Rafa

Lúcia (Carolina Dieckmann) e Gus (Paulo Vilhena) vivem uma história de amor, assim como Cazé (Júlio Andrade) e Drica (Martha Nowill).

Silvana (Maria Ribeiro) é a dona da casa, e dá muita força às aspirações literárias de Felipe e Rafa.

No encontro, eles decidem escrever  e enterrar cartas endereçadas a eles mesmos e que deverão ser desenterradas dez anos mais tarde.

Só que, no mesmo dia, Rafa morre num acidente ao sair para comprar mais bebida e os fatos que seguem vão marcar o grupo para sempre - o que dá ao longa um clima de apreensão, uma sensação de incômodo, de que algo não vai bem desde o início, tudo graças ao bom trabalho de câmera e trilha sonora, algo raro no cinema brasileiro de hoje.

Se a verdade - como as cartas -  só será desenterrada em 2002, aqui, o bom é que esta verdade vai muito além do mistério que envolve a publicação de um livro.

Ela tem a ver com a vida, com as frustrações cotidianas, com a dureza de reconhecer que muitos de nossos anseios pessoais simplesmente não se realizam.

E estas constatações duras surgem em cenas muito bem construídas e com ótimo aproveitamento do elenco, como quando os personagens de Paulo Vilhena e Martha Nowill (vinda do teatro e revelada pelo grupo de Antunes Filho) travam um diálogo cheio de intensidade a partir de um acontecimento banal e onde amor, sexo, traição e fracasso são alguns dos temas abordados pelo filme, que também mostra como sonhos podem se tornar pesadelos.

O reencontro do grupo, dez anos depois

Outras cenas intensas em interpretação e ótimos diálogos se alternam, sutis, bem filmadas e otimamente fotografadas, revelando tanto sobre estes personagens de muitas camadas que a leitura das cartas passa a ser detalhe, já que o que eles escreveram dez anos atrás na verdade pouco importa, mas sim suas realidades diante desse pedaço de passado a lhes esfregar as frustrações na cara.

E o melhor: Morelli não aliviou nos minutos finais, que deixa muitas reflexões no ar e certo desalento.

Uma ótima surpresa para o espectador e para o cinema brasileiro como um todo, provando que finalmente temos elenco, roteiristas e diretores que sabem contar uma boa história que não seja comédia besteirol e não se passe, nem na miséria, nem no arrabalde, nem na favela.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:


*****
'ENTRE NÓS'
Gênero:
Drama
Direção:
Paulo e Pedro Morelli
Roteiro:
Paulo e Pedro Morelli
Elenco:
Caio Blat, Carolina Dieckmann, Júlio Andrade, Lee Taylor, Maria Ribeiro, Martha Nowill, Paulo Vilhena
Produção:
Diane Maia, Paulo Morelli
Fotografia:
Gustavo Hadba
Montador:
Lucas Gonzaga
Trilha Sonora:
Beto Villares
Duração:
101 min.
Ano:
2013
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
27/03/2014
Distribuidora:
Downtown Filmes / O2 Play / Paris Filmes
Estúdio:
O2 Filmes
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau: