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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

EXCLUÍDAS DO MERCADO DE TRABALHO, TRAVESTIS ENCONTRAM SUSTENTO E ACEITAÇÃO NA PROSTITUIÇÃO


Quantas travestis você tem como colegas de trabalho - seja chefe ou funcionária?

E fazendo faxina na sua casa?

Na loja onde você compra roupas, talvez?

Abastecendo o seu carro ou te atendendo no “por quilo”, onde você almoça diariamente?

A verdade é que o mercado de trabalho é duríssimo com esse grupo de pessoas que, muito frequentemente, encontra na prostituição o sustento e, principalmente, acolhimento.

O psicólogo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-Sorocaba) Marcos Garcia realizou uma pesquisa sobre a prostituição das travestis.

Segundo ele, a maioria delas tem origem humilde e procura fazer programas como meio de vida.
“Um jovem gay, efeminado, sem apoio financeiro e familiar, vindo de camadas populares e sem possibilidade de estudos vê no comércio sexual uma das poucas saídas.“

Além do problema da documentação - pois AS travestis assumem uma personalidade feminina, mas dependem de sua identidade oficial- o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, diz que as travestis são associadas quase que automaticamente à prostituição, violência e ilegalidade.
“São encaradas de modo negativo, o que as impede de serem contratadas. A percepção é sempre preconcebida. O mecanismo cognitivo exige utilizar vivências passadas para compreender o presente e decidir o futuro. Assim, tudo o que foi ouvido desde criança a respeito de travestis influenciará na tomada de decisões agora.”

Folhapress
Travestis à espera de clientes, nas ruas de SP

Tão importante quanto a renda, o mercado sexual traz o bem-estar que travestis não encontram em outros grupos, normalmente.
“É onde elas são valorizadas, principalmente, por clientes. Elas se sentem desejadas por seu corpo feminino. A demonstração do desejo é um fator importante. Se a pessoa está em um processo de buscar se sentir mais feminina, o interesse do cliente, que mostra que ela é feminina, é acalentador”, afirma Marcos Garcia.

Para Giovanna Di Pietro, 28, travesti brasileira que faz programas na Europa, não há muita escolha a não ser a prostituição.
“É a saída que uma travesti encontra para se transformar. Quando eu comecei a mudar meu corpo, os trabalhos convencionais ficaram praticamente impossíveis”, conta ela, que era assistente de produção de figurino em uma agência de publicidade.

“Nessa fase, você passa a ser menos aceita socialmente. Consequentemente, a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho é quase nula.”

Em sua pesquisa, o psicólogo Marco apurou que o mercado sexual também tem como principal atrativo a alta remuneração.
“Na prostituição, a exemplo de outras profissões como modelo e jogador de futebol, há um período que traz muito dinheiro. Mas isso muda com o avanço da idade. Os clientes vão rareando. Com isso, a travesti tem uma perda financeira e passa a ser menos desejada, o que é muito sofrido.”

Arquivo Pessoal
Giovanna Di Pietro, 28, travesti brasileira que faz programas na Europa

Jovem e bonita, Giovanna concorda que os ganhos são um grande convite para entrar na prostituição.
“Quando você está se prostituindo, começa a ganhar dinheiro como nunca ganhou. E esse dinheiro lhe permite investir em você, mudar o corpo, comprar bens materiais etc.”

Marco afirma que nenhum grupo social no Brasil sofre mais discriminação do que as travestis. “Esse preconceito é tão intenso que há quem use o termo ‘transfobia’. Os assassinatos de travestis costumam ser muito cruéis. É um nível de violência altíssimo. Há o preconceito pela orientação sexual, mas, principalmente, pela identidade de gênero.“

Para o psicólogo Rafael Kalaf Cossi, autor de “Corpo em Obra” (Ed. nVersos), sobre transexuais, o preconceito contra homossexuais, em especial as travestis e transexuais, tem uma explicação. 
“Nós não temos a certeza absoluta da nossa identidade sexual. Isso é uma ilusão. O terreno é muito embaralhado. Quando vemos uma travesti, isso traz à tona algo que a gente não quer saber.“

Excluindo a existência de homossexuais ou qualquer variação pelos pais, as crianças aprendem que só há homens e mulheres, que devem desejar, respectivamente, mulheres e homens.
“Passamos de 15 a 20 anos reforçando essas ideias para confirmar o que somos. Mas há variações inúmeras que não são socialmente compreendidas ou assumidas como reais. Desta maneira, não podemos admitir que exista uma pessoa que destoe do que aprendemos”, explica Oswaldo.

Na opinião do especialista, para compreender as pessoas que são diferentes necessitaria de um grande esforço emocional e comportamental, mas a maior parte das pessoas prefere usar essa energia para investir em outros assuntos, principalmente os de maior retorno financeiro.

“Mesmo as famílias que vivem com uma pessoa transexual, e precisariam adaptar-se, mostrarão grande dificuldade em compreender, elaborar e mudar suas perspectivas cotidianas e adaptar-se a esta identidade não prevista pela família", diz o psicólogo.

Outras pessoas têm menos necessidades de se adaptar, "pois há um afastamento afetivo que permita gastar menos energia para modificar suas formas de compreender a realidade.”

Para Oswaldo, que concorda que a sociedade em geral não recebe bem as travestis, as coisas seriam diferentes se não houvesse tamanha discriminação.
"A prostituição será abandonada se elas forem reconhecidas pela identidade que compreendem pertencer, mesmo que isso traga dificuldades sociais financeiras."

Já o psicólogo Rafael Kalaf Cossi diz que toda manifestação de sexualidade que foge do esperado sofre discriminação, inclusive no mercado de trabalho.

Mas ele acredita que o grupo das travestis transforma o corpo para a prostituição – opinião avessa a dos demais especialistas procurados para esta postagem.

“A transexual, quando incorpora o gênero, costuma ser mais discreta. A travesti usa roupas mais escandalosas. Elas se montam para a cena erótica. É para o mercado do sexo. A transexual, quando se prostitui, não teve alternativa.”

Gretta Silveira, travesti que é maquiadora, artista dos melhores palcos LGBT de São Paulo e diretora da Associação da Parada LGBT de São Paulo, diferentemente de Rafael, não acha que esse ou aquele grupo é empurrado para a prostituição.

"Dentro da nossa minoria, a maioria cai na prostituição. Quando são indagadas sobre o que as levou ao mercado sexual, elas dizem que foram expurgadas da sociedade. Mas eu acho que há um pouco de receio de assumir que são prostitutas porque gostam", diz.

Arquivos do Klau
Gretta Silveira, maquiadora, diretora da Parada LGBT e Star dos palcos paulistanos

Para Gretta, a prostituição é como qualquer profissão e deve ser encarada como tal.
"Não acho que ninguém seja empurrado."

Ainda assim, Gretta afirma que há preconceito, e, disputar um espaço no mercado de trabalho formal, exige persistência.
"É um caminho mais difícil. Eu tive problemas quando me tornei uma boa maquiadora e comecei a ser chamada para trabalhos maiores. Quando me deparava com gays, sofria preconceito. Coisas que não acontecia ao trabalhar com heterossexuais."
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Matéria Base: Vladimir Maluf - Folha de SP
Redação Final: Cláudio Nóvoa

FUNDAÇÃO FRANCESA COMPROVA: MAIS DE 40 MILHÕES SE PROSTITUEM NO MUNDO


Segundo um estudo da fundação francesa Scelles - que luta contra a exploração sexual -, mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem atualmente.

A grande maioria (75%) são mulheres, com idades entre 13 e 25 anos.

O relatório analisou o fenômeno em 24 países, entre eles França, Estados Unidos, Índia, China e México e revela que o número de pessoas que se prostituem pode chegar a 42 milhões no mundo.

O estudo ainda mostra que 90% delas estão ligadas a cafetões.

O documento também analisa a questão da exploração sexual por redes de tráfico de seres humanos.

De acordo com o relatório, o maior número de vítimas está concentrado na Ásia, que representa 56% dos casos.

A América Latina e os países ricos registram, respectivamente, 10% e 10,8% do tráfico de pessoas para atividades ligadas ao sexo, afirma o "Relatório Mundial sobre a Exploração Sexual - A prostituição no coração do crime organizado", publicado em livro.

Quase a metade das vítimas de redes de tráfico humano são crianças e jovens com menos de 18 anos.

"Essa é uma das características da prostituição nos dias de hoje: um grande número de crianças é explorada sexualmente", diz o documento.

Estima-se que 2 milhões de crianças se prostituam no mundo.


Reprodução
A prostituição é um dos mais sérios problemas do mundo

O juiz Yves Charpenel, presidente da Fundação Scelles, diz que não há dados suficientes para avaliar o aumento da prostituição no mundo.

"O elemento marcante, na Europa, é a multiplicação de prostitutas vindas de países diversos, normalmente controladas por quadrilhas que as fazem circular por todo o continente", afirma.

O estudo da fundação francesa afirma - com base em dados da agência da ONU contra as drogas e o crime - que o tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando, porém o documento não revela os números em relação a esse crescimento.

Essas vítimas são originárias de comunidades pobres do norte do Brasil, como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá.

"Se a maioria das prostitutas na Europa são de países do leste europeu e de ex-repúblicas soviéticas, a predominância desses grupos parece estar diminuindo no continente", diz o relatório, acrescentando que paralelamente a isso o número de brasileiras estaria aumentando.

Em dezembro passado, a polícia espanhola desmantelou uma quadrilha internacional de prostituição que mantinha dezenas de menores brasileiras sob cárcere privado.

O estudo também afirma que grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, contribuem para agravar o fenômeno da prostituição.

"Futebol e Olimpíadas são identificados como os cenários mais comuns da exploração sexual", afirma o relatório.

Segundo o texto, essas grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas "aumentem a oferta" de prostitutas.

Na África do Sul, por exemplo, 1 bilhão de camisinhas foram encomendadas pelas autoridades para enfrentar eventuais riscos sanitários durante a Copa do Mundo em 2010 - o número de prostitutas no país, estimado em 100 mil, aumentou em 40 mil pessoas durante o evento.

Segundo a Fundação Scelles, a internet também contribui para ampliar a prostituição no mundo.

"As redes de cafetões agora recrutam pessoas em redes sociais como Facebook e Twitter", diz o estudo, citando um caso na Indonésia em que as autoridades prenderam suspeitos de aliciar jovens estudantes no Facebook e no Yahoo Messenger.

Nos Estados Unidos, a maioria das menores prostitutas são recrutadas por cafetões no site Craiglist, de anúncios, diz o estudo.

"Os cafetões fazem falsas propostas de trabalho de manequim ou modelo, e utilizam as vítimas para recrutar outras jovens."

Um Ser Humano só é livre quando não está subjugado ao prazer ou ao poder econômico, político ou de força de outrem.
Simples assim.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ESPECIAL: PROSTITUTAS DAS TELINHAS


Assim como no cinema e principalmente por causa das novelas, acompanhamos histórias de mulheres que precisaram se prostituir para sobreviver.

Algumas se deram bem, outras não, mas o que importa é que foram cativantes, sexys e verdadeiras, e torcemos muito para que elas  fossem felizes.

Separei nessa postagem especial - a pedido dos leitores - as principais prostitutas que já passaram pela nossa telinha.

Vamos conferir?

Divulgação/TV Globo


A atriz Giovanna Antonelli interpretou a garota de programa Capitu em "Laços de Família". 


Na novela, Capitu era uma mãe solteira da classe média carioca que fazia programas para sustentar a família .

Divulgação/TV Globo


Em "Força de um Desejo", a atriz Malu Mader interpretou a garota de programa Ester Delamare.

Divulgação/TV Globo


A atriz Camila Pitanga interpretou Bebel na novela "Paraíso Tropical" - ao lado de Wagner Moura, acabaram "roubando" a novela. 


Lembrada por dizer que tinha "catiguria", Bebel fazia parte de um grupo de prostitutas de um bordel baiano e foi parar em Copacabana com a ajuda de seu cafetão, Jáder, interpretado por Chico Diaz .

Divulgação/TV Globo


Em 1998, a atriz Ana Paula Arósio viveu a prostituta Hilda Furacão na minissérie com o mesmo nome na Globo. 


Depois da revelação de uma cartomante, Hilda abandona o noivo com quem está prestes a se casar e passa a morar em um prostíbulo em Belo Horizonte.

TV Globo/João Miguel Júnior


A atriz Gabriela Duarte interpretou a prostituta Justine na novela "Esperança"


O visual da personagem foi inspirado na atriz Louise Brooks, de "A Caixa de Pandora", filme de 1928. 


Na época da novela, a atriz disse que assistiu filmes como "Irma La Douce" e "A Bela da Tarde" para se inspirar.



Divulgação/TV Globo
 


Malu Mader é uma das atrizes que mais interpretaram prostitutas na sua carreira.

Também deu vida à prostituta Fátima no longa metragem "Bellini e a Esfinge" e Paula Lee, na minissérie "Labirinto"  - foto acima.

Site da atriz


Maitê Proença - no auge da beleza - viveu a cortesã Dona Beija na novela homônima da TV Manchete, em 1986. 


Na trama, a atriz protagonizou cenas que se tornaram muito famosas na época, principalmente quando a personagem tomava, nua, demorados  banhos de cachoeira.


Foi líder de audiência por toda a novela.


quarta-feira, 23 de março de 2011

PROSTITUTAS: GLAMOUR É SÓ NA TELA

No cinema ou na literatura, a coisa toda até parece fácil e divertida.

Mas, na real, a vida de uma prostituta passa longe do clima de videoclipe do sucesso de bilheteria "Bruna Surfistinha" - o filme já foi assistido por mais de 1 milhão de pessoas.

O longa é inspirado no livro "O Doce Veneno do Escorpião" (Panda Books), que relata as experiências de Bruna, codinome de Raquel Pacheco, 26, que viveu como garota de programa dos 17 aos 21 anos.

O filme de Marcus Baldini, com Deborah Secco como Bruna, parece uma peça publicitária, mas traz um pouco do lado B da prostituição.

Caso da passagem da personagem pelo chamado "baixo clero" dos bordéis, ou o famoso "vintão" - nome e preço do programa.

O longa e a história real de Bruna mostram também como tudo pode começar a partir de uma brincadeira: na cena inicial, Deborah Secco encarna uma lolita que despe sua camisola via webcam.

Pode ser o primeiro passo para um universo por onde transitam jovens - incluindo aí uma penca de adolescentes - que vendem o corpo para qualquer um que pague.

Eduardo Fahl/FolhapressValentina, 22, passa tempo entre bilhar e cigarros

A jovem Drica*, 24, vive no circuito de luxo da prostituição - seus clientes são empresários, advogados e "todo tipo de gente com dinheiro".

Ela conta que começou aos 21 anos, imaginando que ganharia altas cifras, e, mesmo atendendo a "clientes vips", ela vivia sob o que chama de "cárcere privado".

"Entrava às 21h e era obrigada a ficar até às 4h da manhã. Só podia sair se pagasse multa de R$ 100, mesmo se estivesse passando mal."

Valentina, 22, apesar de formada em fisioterapia e moda, decidiu vender o corpo quando sua família, no interior paulista, sofreu um revés financeiro.

Para ela, a violência pesou.
"Há clientes que agridem, há humilhação."

Depois de dois anos como garota de programa, ela hoje é hostess de uma boate de São Paulo e observa dramas até piores aos que viveu.

"Há clientes hoje que querem uma parceira para o sexo e para se drogar em quantidades gigantescas", diz.

Eduardo Fahl/FolhapressTiciane na porta de um hotel do centro

A cada cliente, existem novos perigos: Valentina tem amigas que desapareceram no exterior, aliciadas por redes de tráficos de pessoas.
"Algumas são mantidas presas. Dificilmente voltam."

Assim como o preço do programa, o perfil da prostituição entre jovens varia de acordo com a região do país.
"No Norte e Nordeste, o problema é a pobreza extrema mesmo", afirma a promotora Laila Shukair, da Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude.

Famílias desestruturadas se tornam alvos fáceis de redes de tráfico de pessoas - que é a terceira atividade criminosa mais lucrativa no mundo, depois de drogas e armas.

O dinheiro que as meninas ganham vai embora tão rápido como veio.
"É uma compensação. Se você não torra com drogas, gasta tudo no shopping", diz Valentina.

Nas ruas desde os 20 anos, Ticiane diz que o pior é a solidão.
"Não tenho mais vida pessoal, namorado ou amigos."

Ela também reclama da violência.
"Saí com três rapazes que me levaram para uma rua deserta. Se não fosse um vigia noturno, acho que tinha morrido."

A promotora Shukair aponta três responsáveis.
"A família falhou na educação. O Estado não garantiu o direito constitucional de essas adolescentes se desenvolverem sexualmente de forma saudável. E falhou a sociedade três vezes: na figura de quem explora, de quem paga e de todos que se omitem."

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Matéria base de Carlos Minuano - caderno "Folhateen" - Folha de S.Paulo
Redação Final: Cláudio Nóvoa

*Todos os nomes das meninas são fictícios