Hua Mulan (Liu Yifei) é a espirituosa e determinada filha mais velha de um honrado guerreiro.
Quando o Imperador da China emite um decreto que um homem de cada família deve servir no exército imperial, Mulan decide tomar o lugar de seu pai, que está doente.
Assumindo a identidade de Hua Jun, ela se disfarça de homem para combater os invasores que estão atacando sua nação, provando ser uma grande guerreira.
CRÍTICA
Lançada em 1998 pela Disney, a clássica animação ‘Mulan’ carrega consigo um legado revolucionário que não apenas finalizou a Era de Ouro de um dos maiores impérios cinematográficos de todos os tempos, mas também apresentou um terreno totalmente diferente do eurocentrismo exacerbado da Casa Mouse – que seria explorado novamente em longas-metragens futuros.
Seguindo as diversas releituras em live-action, o remake do filme foi anunciado – e mais do que isso: iria mudar cenas-chave que caíram no gosto popular e se afastaria do costumeiro respaldo musical, abrindo portas para uma épica narrativa,
Com a divulgação dos primeiros matérias promocionais, ficaria evidente que a aclamada diretora Niki Caro (‘Encantadora de Baleias’) teria um trabalho gigantesco para honrar tanto o trailer quanto as imagens de um épico bélico ambientado na China imperial – e com momentos de ação de tirar o fôlego.
Conhecida por sua abordagem sensível de dramas cotidianos, a diretora mostrou uma versatilidade apaixonante ao render-se ao mainstream.
Baseado no milenar conto ‘A Balada de Mulan’ (assim como a animação original), a história é centrada na personagem titular, aqui interpretada pela nada carismática Liu Yifei.
Destinada a se casar com um homem pré-determinado de sua aldeia e trazer honra para sua família, Mulan nunca se encaixou em estereótipos e rótulos, mas mergulhada nas artes marciais e por sua conexão com seu shi.
Quando mais velha, ela é vista com maus olhos por uma sociedade patriarcal e tradicionalista que não aceita que as mulheres queiram ser algo que “não podem”, como chefes de família ou guerreiras – mas ela não se importa: quando o aleijado pai (Tzi Ma) é convocado para a guerra contra o temível rourano Bori Khan (Jason Scott Lee), que ameaça vingar a morte do pai, matar o imperador e tomar posse da Cidade Imperial, ela rouba a espada e o traje da família e parte para se encontrar com seu batalhão.
A heroína sempre foi símbolo de força e, enquanto a animação era marcada pela adorável e cínica presença de Mushu, aqui o dragão, símbolo de leveza e humor, é colocado de lado por uma alegoria mais chegada à cultura asiática: a fênix.
Representando o renascimento em meio à adversidade, ela surge nos momentos mais difíceis da jornada de Mulan, para lhe dar força e para premeditar algum evento de grande importância – como quando chega ao campo de treinamento ou quando enfrenta Khan no que deveria ser o principal clímax do longa.
Mulan não carrega uma complexidade de verdade e Yifei faz o que pode para deixar de lado a seriedade excessiva da personagem e permitir que o público tenha empatia por ela, como quando ela é obrigada a enfrentar quem realmente é para salvar seus companheiros de guerra e, eventualmente, a vida do imperador.
O problema é que, quando essas partes são unidas, percebe-se uma falta de ousadia no roteiro, abrindo margens para que cada ato seja sim um espetáculo visual, mas uma dinâmica que não chega a lugar nenhum.
A diretora cria aqui uma perspectiva diferente das outras histórias fabulescas da Disney, afasta-se da mesmice dos dramas do gênero e nos entrega uma fotografia vibrante, recheada de cores contrastantes e enquadramentos impressionantes, que mesclam a fragilidade de uma persona marcada por traumas e decepções e a íntima força da qual precisa para superar os problemas e se provar digna.
Essa trajetória também serve como base para explorações interessantes e didáticas, como devoção à família, honra e patriotismo.
O roteiro também não tem muita ideia do que fazer com personagens coadjuvantes, especialmente com a controversa figura de Xian Lang (Gong Li), uma poderosa feiticeira com habilidades metamórficas que tem uma das piores resoluções dos últimos anos e que tem sua incrível presença totalmente descartada, e Chen Honghui (Yoson Na), uma espécie de par romântico da heroína que não tem química nenhuma.
‘Mulan’ é mesmo uma exuberante e impecável atração estética, com um roteiro que parece não acreditar em si mesmo.
Serviços de streaming como a Netflix e o Apple TV+ teriam avaliado a possibilidade de comprar '007 - Sem Tempo para Morrer', longa que originalmente chegaria aos cinemas em abril deste ano, mas foi adiado em um ano por causa da pandemia
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De acordo com fontes da Variety, a MGM esperava receber US$600 milhões para abrir mão de um lançamento tradicional, mas o valor teria sido muito alto para os streamings e a transação não seguiu adiante.
Sobre as negociações, um representante da MGM afirmou:
"Não comentamos rumores. O filme não está à venda. Seu lançamento foi adiado para abril de 2021 para preservar a experiência dos espectadores nos cinemas".
No entanto, fontes de estúdios rivais consultadas pela Variety dizem que a venda do novo filme do Bond foi explorada abertamente e a MGM ao menos cogitou a possibilidade de vendê-lo.
Segundo a sinopse de Sem Tempo Para Morrer, James Bond (Daniel Craig) se aposentou da vida de agente, mas sua paz é interrompida quando seu velho amigo Felix Leiter (Jeffrey Wright), que trabalha na CIA, pede sua ajuda, o que coloca Bond na trilha de um novo vilão armado com uma perigosa tecnologia.
O filme, por enquanto, segue com lançamento nos cinemas programado para 2 de abril de 2021.
Já nas séries, a disputa fica entre 'Anatomy' e 'This Is Us', como série do ano
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O People's Choice Awards é muito especial para a indústria áudio-visual americana porquê, como o próprio nome já diz, é o público que consome filmes e séries quem vota.
Confira a lista:
FILME DO ANO
Bad Boys Para Sempre
Aves de Rapina
Resgate
Hamilton
Power
O Homem Invisível
The Old Guard
Trolls 2
COMÉDIA DO ANO
Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars
Sócias em Guerra
O Rei de Staten Island
A Barraca do Beijo 2
Um Crime Para Dois
A Missy Errada
Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você
Bill & Ted: Encare a Música
FILME DE AÇÃO DO ANO
Bad Boys Para Sempre
Aves de Rapina
Bloodshot
Resgate
Mulan
Power
Tenet
The Old Guard
MELHOR DRAMA
Hamilton
Mentiras Perigosas
Greyhound: Na Mira do Inimigo
Enquanto Estivermos Juntos
O Homem Invisível
A Batida Perfeita
A Fotografia
O Caminho de Volta
FILME FAMILIAR DO ANO
Dolittle
Aprendiz de Espiã
Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
Scooby! O Filme
Sonic, O Filme
O Chamado da Floresta
Os Irmãos Willoughby
Trolls 2
ASTRO DE CINEMA DO ANO
Chris Hemsworth (Resgate)
Jamie Foxx (Power)
Lin-Manuel Miranda (Hamilton)
Mark Wahlberg (Troco em Dobro)
Robert Downey Jr. (Dolittle)
Tom Hanks (Greyhound: Na Mira do Inimigo)
Vin Diesel (Bloodshot)
Will Smith (Bad Boys Para Sempre)
ATRIZ DE CINEMA DO ANO
Camila Mendes (Mentiras Perigosas)
Charlize Theron (The Old Guard)
Elisabeth Moss (O Homem Invisível)
Issa Rae (Um Crime Para Dois)
Margot Robbie (Aves de Rapina)
Salma Hayek (Sócias em Guerra)
Tiffany Haddish (Socias em Guerra)
Vanessa Hudgens (Bad Boys Para Sempre)
ATUAÇÃO DRAMÁTICA DO ANO
Ben Affleck (O Caminho de Volta)
Elisabeth Moss (Homem Invisível)
Issa Rae (A Fotografia)
KJ Apa (Enquanto Estivermos Juntos)
Lin-Manuel Miranda (Hamilton)
Russell Crowe (Fúria Incontrolável)
Tom Hanks (Greyhound)
Tracee Ellis Ross (A Batida Perfeita)
ATUAÇÃO CÔMICA DO ANO
David Spade (A Missy Errada)
Issa Rae (Um Crime Para Dois)
Joey King (Barraca do Beijo 2)
Keanu Reeves (Bill & Ted 3)
Noah Centineo (Para Todos os Garotos 2)
Pete Davidson (Rei de Staten Island)
Salma Hayek (Sócias em Guerra)
Will Ferrell (Festival Eurovision da Canção)
ATUAÇÃO EM FILME DE AÇÃO
Charlize Theron (The Old Guard)
Chris Hemsworth (Resgate)
Jamie Foxx (Power)
John David Washington (Tenet)
Margot Robbie (Aves de Rapina)
Vanessa Hudgens (Bad Boys Para Sempre)
Vin Diesel (Bloodshot)
Will Smith (Bad Boys Para Sempre)
SÉRIE DO ANO
Grey’s Anatomy
Eu Nunca…
Outer Banks
The Bachelor
The Masked Singer
The Last Dance
This Is Us
Tiger King
SÉRIE DRAMÁTICA DO ANO
Grey’s Anatomy
Law & Order: Special Victims Unit
Outer Banks
Ozark
Power
Riverdale
The Walking Dead
This Is Us
SÉRIE CÔMICA DO ANO
Disque Amiga Para Matar
Grown-Ish
Insecure
Modern Family
Eu Nunca…
Saturday Night Live
Schitt’s Creek
The Good Place
REALITY SHOW DO ANO
90 Day Fiancé: Happily Ever After?
Keeping Up with the Kardashians
Love & Hip Hop: New York
Casamento às Cegas
The Real Housewives of Atlanta
The Real Housewives of Beverly Hills
Below Deck: Mediterranean
Queer Eye
REALITY DE COMPETIÇÃO DO ANO
American Idol
America’s Got Talent
Top Chef
RuPaul’s Drag Race
The Bachelor
The Challenge: Total Madness
The Masked Singer
The Voice
ASTRO DE TV DO ANO
Chase Stokes (Outer Banks)
Cole Sprouse (Riverdale)
Dan Levy (Schitt’s Creek)
Jason Bateman (Ozark)
Jesse Williams (Grey’s Anatomy)
Norman Reedus (The Walking Dead)
Sterling K. Brown (This Is Us)
Steve Carell (Space Force)
ATRIZ DE TV DO ANO
Christina Applegate (Disque Amiga Para Matar)
Danai Gurira (The Walking Dead)
Ellen Pompeo (Grey’s Anatomy)
Lili Reinhart (Riverdale)
Mandy Moore (This Is Us)
Mariska Hargitay (Law & Order: Special Victims Unit)
Sandra Oh (Killing Eve)
Sofia Vergara (Modern Family)
ATUAÇÃO DRAMÁTICA DE TV DO ANO
Cole Sprouse (Riverdale)
Chase Stokes (Outer Banks)
Danai Gurira (The Walking Dead)
Ellen Pompeo (Grey’s Anatomy)
Mandy Moore (This Is Us)
Mariska Hargitay (Law & Order: Special Victims Unit)
O Starz fechou um acordo com a Claro para disponibilizar seu catálogo internacionalmente
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Segundo a Variety, agora o serviço de streaming Starzplay já foi disponibilizado no NOW no Brasil.
“A parceria com a Claro, uma das principais empresas de telecomunicações no Brasil, permite que a Starzplay fortaleça nossa introdução no mercado e dê ainda mais acesso à nossa enorme biblioteca de séries originais e conteúdo com curadoria”, disse Superna Kalle, vice-presidente executiva de redes digitais internacionais para Starz.
A biblioteca do Starzplay inclui séries recentes como The Great e a elogiada Normal People.
Além disso, o serviço também irá transmitir episódios da série original de Starz no mesmo dia e data em que forem ao ar nos Estados Unidos - incluindo séries dramáticas como P-Valley, Power Book II: Ghost e The Spanish Princess.
“Este é mais um movimento importante da Claro, fortalecendo ainda mais a nossa oferta de conteúdo e entretenimento aos nossos clientes”, disse Fernando Magalhães, diretor de programação e conteúdo da Claro.
O Starzplay foi lançado no Brasil em 2019.
Novos assinantes pela Claro terão desconto de 50% nos primeiros três meses.
High Life é um dos expoentes mais recentes do cinema de ficção científica "raíz", que agora chegou ao streaming.
O longa de Claire Denis (Deixe A Luz Do Sol Entrar, 2018) já está disponível nos catálogos do NOW, Looke e Apple iTunes.
A equipe por trás da produção carrega grandes expectativas por si só, como são os casos do estúdio A24 e o ator Robert Pattinson (The Batman).
Juntando esses elementos em um sci-fi, não havia como não sair um belo filme, mas que mesmo assim consegue surpreender com a sua intensidade.
Vamos explorar um pouco mais sobre esses quesitos para você ir correndo assistir:
A24
O estúdio faz alguns filmes espetaculares, que normalmente possuem tons mais reflexivos e contemplativos.
No entanto, a empresa não restringe os seus gêneros, que vão do terror psicológico de O Farol - que também conta com Pattinson - ao drama crítico de Moonlight - Sob A Luz Do Luar, ganhador do Oscar.
A premissa pode ser claramente associada ao A24, pelo caráter claustrofóbico de um ambiente fechado e com debates humanos por meio das interações entre os personagens.
Na trama, um grupo de criminosos participa de um experimento intergaláctico como compensação das suas penas.
O fato determinante da história é um acidente cósmico, porém as consequências entre a tripulação são muito mais essenciais para o objetivo final do longa, afinal, como as melhores ficções científicas provaram, as discussões sobre humanidade prevalecem.
Sci-fi
High Life utiliza os clichês do gênero com muita sabedoria.
A missão, por exemplo, está relacionada com a reprodução humana e de criminosos.
É um conceito forte de diálogo sobre a vida e a sociedade, especialmente em um ponto crítico como o da narrativa.
Não à toa, a trama também parte para o estilo de sobrevivência, que gera perguntas diretas para os espectadores e os personagens características do sc-fi, como: por que vamos lutar para sobreviver? O que você significa para mim? O que eu estou fazendo aqui?
Obviamente, para ser uma ficção científica de respeito o visual precisa contribuir e High Life faz isso brincando com as possibilidades fotográficas dentro da nave.
Por ser uma coprodução de vários países - França, Reino Unido, Alemanha, Polônia e Estados Unidos - a visão menos "blockbuster" do tema auxilia essa opção.
Robert Pattinson
O filme é mais um da lista do ator de "não é mais a estrela adolescente de Crepúsculo".
Pattinson se testa mais a cada papel, já tendo passado pelo horror (O Farol), pós-apocalipse (The Rover: A Caçada), thriller urbano (Bom Comportamento) e épicos shakesperianos (O Rei).
Contudo, High Life o coloca em uma posição não tão estranha.
O filme explora o seu lado familiar paternal e em meio a diversos devaneios, como Bom Comportamento o fez com relação a um irmão e à sua identidade marginalizada.
O resto do elenco termina por destacar a performance do ator e, é claro, do própria longa, pois as interações são o ponto alto.
Destaques para Juliette Binoche (Deixe A Luz Do Sol Entrar), André Benjamin (Quatro Irmãos) e Mia Goth (A Cura).
Após ter sido adiada por causa da pandemia do coronavírus, a aguardada premiação GLAAD Awards aconteceu de forma virtual na última quinta(30), premiando as produções que mais se destacaram na busca pela representatividade da comunidade LGBTQIA+ na indústria cinematográfica
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E os principais vencedores da noite foram a séries ‘Pose‘ e ‘Schitt’s Creek‘, além da comédia que marca a estreia na direção de Olivia Wilde, intitulada ‘Fora de Série‘.
‘Pose‘ levou a estatueta de Melhor Série Dramática, enquanto ‘Schitt’s Creek‘ conquistou o prêmio de Melhor Série de Comédia.
Já ‘Fora de Série‘ levou na categoria de Melhor Filme.
Estes foram os indicados dessa edição:
E esses foram os ganhadores das principais categorias:
MELHOR FILME – LANÇAMENTO MUNDIAL
Fora de Série
MELHOR FILME – LANÇAMENTO LIMITADO
Rafiki
MELHOR DOCUMENTÁRIO
State of Pride
MELHOR SÉRIE – DRAMA
Pose
MELHOR SÉRIE – COMÉDIA
Schitt’s Creek
MELHOR EPISÓDIO SERIADO
“Two Doors Down,” Dolly Parton’s Heartstrings
MELHOR FILME PARA TV
Transparent: Musicale Finale
MELHOR MINISSÉRIE
Tales of the City
MELHOR PROGRAMA INFANTIL
The Bravest Knight
High School Musical: O Musical: A Série
MELHOR REALITY SHOW
Are You the One?
MELHOR ARTISTA MUSICAL
Kim Petras, Clarity
Lil Nas X, 7
MELHOR HQ
Star Wars: Doctor Aphra, Simon Spurrier
MELHOR VIDEOGAME
The Outer Worlds
MELHOR PRODUÇÃO DA BROADWAY
The Inheritance, Matthew Lopez
MELHOR EPISÓDIO DE TALK SHOW/PROGRAMA DE VARIEDADES
“Jonathan Van Ness: Honey, She’s an Onion With All Sorts of Layers,” The Late Show With Stephen Colbert
Assim como o Oscar, o 27º Screen Actors Guild Awards também mudou de data
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A premiação do sindicato dos atores de Hollywood agora ocorrerá em 14 de março de 2021.
O anúncio foi feito pela produtora executiva Kathy Connell ontem, (02).
Isso atrasa o evento em mais de um mês a partir da data original, prevista para 24 de janeiro.
As indicações serão anunciadas em 4 de fevereiro.
A nova data da cerimônia também muda as regras de elegibilidade e permite a inclusão e qualificação de filmes e programas de televisão exibidos ou transmitidos pela primeira vez entre 1º de janeiro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021.
QUEM GANHOU O SAG 2020?
No início deste ano, antes da pandemia do coronavírus modificar o cotidiano e o entretenimento globalmente, o principal prêmio do SAG 2020 pela performance de um elenco foi concedido aos atores de Parasita, de Bong Joon Ho, que garantiu quatro estatuetas do Oscar deste ano.
Já do lado da televisão, o drama da Netflix The Crown e a comédia da Amazon The Marvelous Mrs. Maisel foram os grandes vencedores.
Assim, o SAG se junta ao BAFTA, ao Critics’ Choice Awards e ao Independent Spirit Awards para alinhar seu calendário com o Oscar, enquanto o Globo de Ouro parece estar seguindo um caminho diferente.
A premiação também foi adiada, mas acontecerá ainda no início do ano que vem, em fevereiro.
Explicar o que é a cultura LGBT pode ser uma tarefa difícil, porque a trajetória deste grupo é complexa e está repleta de nuances emocionais e sociais. Contudo, caso você queira abraçar a causa, ou apenas entender melhor os ideais que defendemos, algumas produções artísticas podem ajudar
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Um exemplo disso é RuPaul’s Drag Race.
A competição é um marco para a televisão, e ao mesmo tempo, conseguiu reforçar o quanto as pessoas gays são esforçadas, fortes e determinadas a superarem os obstáculos de uma sociedade que as rejeita constantemente.
Pose, de Ryan Murphy, também confirma a força da comunidade LGBT em manter um espírito positivo em meio à tantas injustiças.
Por isso, separamos as melhores séries para você comemorar o mês do orgulho LGBT+ e mergulhar nesse universo.
Confira:
1. POSE
A série da Netflix, assinada por Ryan Murphy (Hollywood, American Horror Story, The Politician), retrata o cenário LGBT na cidade de Nova York durante os anos 80.
Em sua primeira temporada, a série acompanha Bianca, uma transexual que abre a casa Evangelista para abrigar jovens homossexuais que foram expulsos de casa.
Além de oferecer moradia, ela também organiza competições de talentos para empoderar as minorias.
2. LOOKING
Em Looking, da HBO, acompanhamos três amigos vivendo diversas experiências românticas em São Francisco.
Cada um deles possui personalidades distintas, e buscam objetivos discrepantes: Patrick está tentando voltar a namorar depois de descobrir que seu ex está noivo, Agustín está prestes a assumir um relacionamento sério, e Don está enfrentando uma crise de meia-idade.
Todas essas histórias nos introduzem ao universo homossexual, e retratam os dramas vividos por essa comunidade.
Por mais que os problemas passados por nós sejam universais, eles acabam ganhando novas camadas no universo LGBT.
3. ENGAJADOS
A plataforma Looke irá disponibilizar a série francesa Engajados no dia 11 de junho.
Na trama, o jovem Hicham foge de sua casa em busca de Thibaut, um garoto ativista por quem se apaixonou.
Descrita como festiva e política, a produção promete abordar discussões importantes entre as minorias.
4. COM AMOR, VICTOR
Love Victor é um drama adolescente que irá estrear no dia 19 de junho, na plataforma de streaming Hulu.
A trama gira em torno da autodescoberta, e acompanha Victor, um jovem que enfrenta desafios em casa e lida com a sua sexualidade.
A série pode inspirar muitos garotos ao redor do mundo que estejam passando por problemas semelhantes, e queiram saber como aceitar a si mesmos.
Além disso, a produção é leve, e retrata a temática gay por óticas despojadas.
Um filme que conseguiu fazer isso recentemente é Com Amor, Simon.
5. PLEASE LIKE ME
Please Like Me, da Netflix, é um drama ácido, honesto e sensível.
Além de abordar o preconceito contra os homossexuais, a produção também toca em pontos universais, como a depressão, suicídio, câncer, HIV e outros tópicos que afetam a vida de milhões ao redor do mundo.
A trama começa com Josh descobrindo que é gay.
Ao mesmo tempo, sua mãe tenta se suicidar, e o pai acaba deixando um affair vir à tona.
Da mesma forma que a vida, a história de Please Like Me é imprevisível, e não abandona tons melancólicos e hilários.
6. RUPAUL’S DRAG RACE
Em RuPaul’s Drag Race, que aqui no Brasil pode ser encontrada no catálogo da Netflix, nós acompanhamos uma série de drag queens disputando para vencer uma competição de talentos.
Para ganhar, é necessário exceder em categorias como carisma, originalidade, coragem e talento.
Contudo, além da disputa, o foco da produção está em abordar as dificuldades da comunidade LGBT.
A cada episódio, ouvimos histórias sobre jovens que foram expulsos de casa, ou rejeitados pelos pais.
Além disso, os participantes refletem sobre a situação política de seus países, e sobre os desafios internos que precisaram superar para seguir suas carreiras como artistas de sucesso.
Toda esta profundidade transformou RuPaul's Drag Race em uma das produções mais importantes do mundo.
Além de entreter, ela também representa uma grande parcela de garotos homossexuais pelo mundo.
Acoplada à reflexão, também está a diversão do reality show:
Ao mesmo tempo em que choramos e ficamos pensativos, também rimos e nos encantamos com as roupas, danças, piadas e esforços apresentados pelas drag queens.
No Mês de Orgulho LGBTQ+, confira nosso breve resumo da evolução da luta queer no Cinema e nas Séries
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28 de junho de 1969. Stonewall Inn, Nova York.
Já fazia sete anos desde que a homossexualidade havia sido “descriminalizada”.
Afinal, ainda que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não terminasse em prisões ou pena de morte, a comunidade LGBTQ+ ainda sofria diversos abusos e preconceitos por parte de uma “majoritária” parcela heterossexual, que os observava e tratava com descaso e nojo.
Não foi até a uma e vinte da manhã do dia em questão que o movimento queer tornou-se o que conhecemos hoje e mudou inclusive as relações entre esse grupo e como a mídia os representava.
Afinal, a brutalidade policial no único e precário bar abertamente gay localizado numa escura viela do Greenwich Village foi a fatídica gota d’água para aqueles que desejam apenas viver – e, desde então, a luta por representatividade ganhou proporções gigantescas.
Entretanto, é só agora que o cenário está começando a mudar – e a passos bastante curtos.
Mesmo com a suposta aceitação por parte de Hollywood e dos outros grande monopólios do entretenimento, é inegável dizer que os LGBTQ+ foram sempre tratados como motivo de chacota, escapes cômicos ou se restringiam a personagens rasos ou estereotipados, transformando-se em personas reais só há poucos anos.
Quando ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’, drama baseado em fatos reais e que reuniu todas as minorias em uma mesma narrativa, levou para casa a estatueta de Melhor Filme na cerimônia do Oscar 2017, renovou nossas esperanças.
Porém, foram quase cinquenta anos desde a insurgência do movimento contemporâneo até que isso se tornasse verdade – e, apesar do aumento esporádico da diversidade, a batalha é mais árdua do que parece.
1895-1989: O SÉCULO PERDIDO
O cinema surgiu no final do século XIX na França - com os Irmãos Lumière - e nos Estados Unidos - com Thomas Edison.
Desde aquela época, representava-se personagens LGBTs – mas não pensem que era da melhor forma possível.
Em ‘The Gay Brothers’ (1895), Edison criava uma curtíssima narrativa de dezoito segundos que simplesmente dançam ao som pós-introduzido de um violino e que servem mais como escape cômico do que qualquer outra coisa.
Cena de ‘The Gay Brothers’ (1895): Fotos dessa Postagem - Divulgação
Em 1923, Ralph Ceder dirigiria outra produção trazendo Stan Laurel - o Magro da icônica dupla com o Gordo - como um gay afeminado cujo arco era marcado pela mais “pura” comédia.
Sua construção era superficial por demais e restringia a presença queer apenas para tramas desse tipo.
Tudo mudaria - para pior - nas décadas seguintes.
Em 1967, o canal CBC abria seu primeiro segmento televisivo LGBT; mas para aqueles que pensam que o programa era apresentado por membros da comunidade, as pautas funcionavam como compilados de estereótipos negativos do homem gay.
Ou seja, além da manutenção de preceitos infundados e vistos como anormalidades, a mídia apagava por completo as lésbicas, os bissexuais e os transgêneros.
Ainda bem que tudo estaria condenado a mentiras e a preconceitos.
A ABC, em clara resposta ao canal CBC, criaria um dos primeiros shows de comédia com um personagem homossexual complexo encarnando o protagonista.
‘That Certain Summer’ (1972) trazia Hal Holbrook e Martin Sheen como um casal que procurava o melhor jeito de criar sua família e o resultado foi a transmissão da série pioneira que simpatizava com os LGBTs.
Lembrando que Sheen interpreta atualmente outro gay, Robert Hanson, na série da Netflix 'Grace and Frankie'.
‘That Certain Summer’ (1972)
O mesmo aconteceria com ‘The Jeffersons’ e ‘SOAP’ (1977), duas sitcoms que abriam espaço para o protagonismo gay.
Porém, as emissoras americanas seguiam ignorando as mulheres lésbicas.
‘The Rejected’ (1961) e ‘The Homosexuals’ (1967), os primeiros documentários gays, descaradamente as excluíam, enquanto na mídia ficcional, eram retratadas como serial killers ou então as vítimas.
Em 1974, a NBC estreou o episódio ‘Flowers of Evil’ da série estrelada por Angie Dickinson ‘Police Woman’, em que os estereótipos lésbicos ganhavam uma dimensão assustadora ao trazer um trio de mulheres homossexuais (descritas, é época, como a Sapatão, a Vadia e a Femme Fatale) que roubavam e assassinavam os residentes de um asilo.
A iteração, recheada de argumentos preconceituosos, foi recebida negativamente pela Associação Liberal Feminista Lésbica, que arquitetou um protesto na frente da sede da emissora.
A partir da década de 1980, com a emergência da AIDS e sua errônea associação à comunidade queer, grande parte dos espectadores promoveram boicote aos filmes e às séries que trouxessem temática LGBT.
A entidade responsável por esse embargo era a AFA (Associação da Família Americana), que argumentava que o “estilo de vida homossexual” era decadente.
Dessa forma, a já mínima porcentagem representativa cairia drasticamente, mantendo-se dessa forma até o início do século XXI.
OS ANOS 1990: PERPETUANDO OS ESTEREÓTIPOS
Se a década de 1980 ficou conhecida por seu expressivo número de filmes de terror slasher, os próximos dez anos ganhariam fama pela quantidade inefável de comédias românticas ou rom-coms – e procurando abrir espaço para uma questionável diversidade midiática, trouxe personagens LGBTQ+ dentro das devidas restrições e estereótipos.
‘As Patricinhas de Beverly Hills’ e ‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’ são, sem dúvida, clássicos dessa época que até hoje inspiram algumas obras cinematográficas.
E enquanto Alicia Silverstone e Julia Roberts se tornavam as queridinhas do público, os gays deveriam se contentar com papéis supérfluos e que falavam explicitamente sobre suas “condições”.
Porém, suas breves subtramas não poderiam trazer nada muito escandaloso – ou seja, pra eles, beijos e sexo.
‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’
Nessas obras, gays funcionavam, na verdade, como máquinas de frases prontas, dicas de moda e referências artísticas para enaltecer a protagonista ou deixá-la mais humana.
O exagero e a tragédia também eram muito comuns – ainda que não fossem encontrados apenas nas rom-coms.
Tom Hanks levou um Oscar por ‘Filadélfia’ ao interpretar um jovem homossexual lutando contra os efeitos da AIDS e, apesar de trazer um protagonismo relevante, ainda permaneceu numa infeliz zona de conforto.
Tom Hanks em 'Filadélfia'
Robin Williams, por sua vez, deu vida ao estereótipo ambulante Armand Goldman na versão americana de ‘A Gaiola das Loucas’ – cujo próprio título já nos dá uma ideia do que o filme se trata.
Com a expressiva presença da comunidade trans no âmbito mainstream - com a notável ajuda de Madonna e sua apropriação do vogue, movimento criado pelas mulheres transexuais do Harlem e do Brooklyn vinte anos antes - tais figuras também apareceram em alguns longas-metragens, mas não do jeito que desejavam.
Reveja o clipe de 'Vogue':
Mulheres que eram usadas como artifícios para reafirmar a masculinidade do macho-alfa dos filmes, as quase inexistentes personagens trans eram o terror dos homens héteros.
Obras como ‘Traídos pelo Desejo’ ainda buscavam fugir das fórmulas, mas “comédias” de mal gosto como ‘Ace Ventura: Um Detetive Diferente’ caíam em gosto popular por trazerem cenas nas quais uma sala cheia de homens vomitavam ao descobrir que a antagonista era “um homem”.
Mulheres transexuais eram frequentemente objetos de escárnio e repulsa, tratadas como criaturas aberrativas nada confiáveis.
Até bem-intencionados como ‘To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar’ zombavam dessas complicadas discussões sobre gênero.
Cena de To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar
Era quase impossível encontrar produções em que LGBTQs se comportassem como qualquer outra pessoa, sendo tratados como alienígenas.
Nessa época havia, além dos convencionalismos mencionados, a lésbica rebelde e louca (‘Mulher Solteira Procura’, ‘Instinto Selvagem’), o gay psicótico (‘O Silêncio dos Inocentes’), e a lésbica que estava apenas esperando por Ben Affleck (‘Procura-se Amy’) para apagar sua bissexualidade.
Caso não usassem dessas “regras”, as obras audiovisuais sofriam boicote generalizado, como aconteceu com a famosa apresentadora de talk show Ellen DeGeneres em 1997, quando se assumiu lésbica em sua sitcom homônima.
Apesar do episódio em questão ter levado para casa um Emmy Award, e ter sido capa da Time - abaixo - o show foi cancelado uma temporada depois pelos baixos índices de audiência.
Ela tentou retornar aos holofotes com ‘The Ellen Show’ em 2001, mas a CBS cancelou o programa após seu ano de estreia (pelos mesmos motivos). Felizmente, Ellen deu a volta por cima e hoje apresenta um dos talk-shows de maior audiência da TV americana.
Entretanto, algumas obras mostravam outros lados do cotidiano LGBTQ+ e davam espaço para a comunidade queer.
O icônico documentário ‘Paris Is Burning’ abriu a década ao trazer sequências gravadas nos anos anteriores e colocar em cena drag queens das classes mais baixas de Nova York.
Paris Is Burning
O reality ‘The Real World’ transmitiu a primeira cerimônia matrimonial homossexual da televisão, além de trazer discussões sobre HIV e AIDS.
‘Roseanne’ quebrou recordes ao reunir mais de 30 milhões de telespectadores para presenciar o beijo lésbico entre Roseanne Barr e Mariel Hemingway.
E até mesmo ‘Friends’ trouxe um casamento entre duas mulheres com a presença de Carol (Jane Sibbett) e Susan (Jessica Hecht), ainda que não selassem seus votos com o tradicional beijo.
Will & Grace
‘Will & Grace’, sitcom da NBC indicada a mais de 80 prêmios, livrava-se de grande parte dos estereótipos quando trouxe dois homens gays como protagonistas – um deles trabalhando como advogado – e, nas palavras do vice-presidente da emissora Joseph R. Biden Jr., “fez mais para educar o público do que praticamente todo mundo havia feito até então”.
2000-2019: A VISIBILIDADE AUMENTA
Com a chegada dos anos 2000, a presença queer já era bastante considerável na televisão e no cinema.
O canal Showtime tornou-se pioneiro ao inaugurar o primeiro drama de uma hora de duração com ‘Queer as Folk’, uma série com elenco majoritariamente homossexual (tanto com gays quanto com lésbicas).
Queer as Folk
Anos depois, a emissora voltaria a fazer história com ‘The L Word’, cuja narrativa girava em torno de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais – dando-lhes o espaço renegado nas décadas anteriores.
É claro que alguns programas ainda cediam a certos estereótipos.
‘Desperate Housewives’, da ABC, introduziu um personagem gay em suas primeiras temporadas com Andrew, filho de Bree.
Aqui, o criador Marc Cherry fez grande questão em explorar temas familiares e que, eventualmente, culminavam em um final feliz no qual a conservadora mãe o aceitava de braços abertos.
Entretanto, por outro lado, a série perpetuou estereótipos com o extremista casal formado por Bob e Lee, e a “ex-lésbica” Katherine Mayfair.
Entretanto, é inegável dizer que a comunidade começou a ganhar um delicioso protagonismo que não se exilava apenas em histórias água com açúcar, e sim que viajam entre diversas décadas como forma de reparação histórica.
Apenas nos primeiros anos do novo milênio, longas como ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, ‘De Irmão Pra Irmão’, ‘Hedwig – Rock, Amor e Traição’ e ‘Milk: A Voz da Igualdade’ mostravam vários outros gêneros que não a comédia romântica que tinham capacidade e habilidade para exaltar a diversidade de personalidades LGBTQ+.
O Segredo de Brokeback Mountain
Com o passar dos anos, o movimento queer aumentaria exponencialmente – e sua presença na industria audiovisual americana seguiria o mesmo padrão.
Cate Blanchett e Rooney Mara viveriam um romance lésbico na década de 1950 com ‘Carol’.
Carol
Colin Firth lidaria com sua sexualidade no drama ‘Direito de Amar’.
‘Com Amor Simon’ ganharia uma crível rom-com liderada por Nick Robinson.
E até mesmo séries animadas se renderiam a essa tão necessária representatividade (como ‘Superdrags’ e ‘Steven Universo’).
Superdrags
Segundo a pesquisa da organização GLAAD, 2018 seria o ano em que a televisão disponibilizaria a maior porcentagem de obras lideradas por personagens LGBTQ+.
O número de bissexuais protagonistas aumentaria de 18% em 2017 para 33% e a gigante do streaming Netflix seria a principal plataforma com esse tipo de produções, incluindo shows de humor ácido como ‘BoJack Horseman’, a série não-ficcional ‘Queer Eye’ e a compra dos direitos do reality ‘RuPaul’s Drag Race’ para exibição internacional.
Queer Eye
No cinema, as coisas, porém, não andaram como gostaríamos.
Pesquisas indicaram que, no ano passado, apenas 12,8% dos 109 maiores filmes incluiriam um personagem queer, contra 18,4% de 2017.
E, mesmo assim, os papéis seriam insuficientes, ou seja, com breves menções – como a governante Georgina, de ‘Corra!’ e os dois supostos personagens gays de ‘Alien: Covenant’.
É necessário dizer que a LGBTfobia ainda permanece, mesmo de forma velada.
Os estereótipos de gênero se mantêm como, por exemplo, a fetichização de personagens lésbicas com as últimas temporadas de ‘Friends’, o aclamado ‘Azul É a Cor Mais Quente’ e a superestimação do corpo “perfeito” de diversas produções – como os coadjuvantes queer de ‘American Gods’.
A heteronormatividade também configurou-se como uma problemática social que continua a desmerecer principalmente gays afeminados, colocando-os em papéis secundários ou em pouquíssimas posições de destaque.
Uma das exceções, por exemplo, é o Eric, brilhantemente interpretado por Ncuti Gatwa na série da Netflix ‘Sex Education’ e o melhor casal das atuais séries, Ander e Omar (Arón Piper e Omar Ayuso) da série espanhola "Elite', também da Netflix.
Elite
Mesmo com o aumento em questão, as esferas cinematográfica e televisiva insistem em cometer erros bastante condenáveis – e um deles é visto desde os primórdios da expansão do entretenimento: a falta de diversidade racial.
A QUESTÃO RACIAL
Os anos 1990 trouxeram um crescimento interessante, ainda que paradoxal, para personagens queer em produções mainstream.
Apesar da representação de personagens pretos ter aumentado também, a maior parte dos protagonistas e até mesmo coadjuvantes sempre se restringiu a homens gays brancos.
As primeiras pesquisas do GLAAD (mencionado acima) acerca da responsabilidade histórica dos estúdios, indicaram que, dos 101 grandes filmes lançados em 2012, apenas 14 traziam personagens LGBTs.
Dentro deles, 31 se identificavam com algum gênero/orientação sexual que diferia dos heterossexuais e, entre eles, apenas quatro eram afrodescendentes.
Em 2016, nove dos personagens queer eram negros.
Além disso, tais personas se mantinham presas a outros estereótipos: os gays negros eram normalmente representados como afeminados bastante agressivos – como Keith Charles na série ‘Six Feet Under’.
Lafayette Reynolds, que apareceu em ‘True Blood’, tangenciava esses convencionalismos.
Já as lésbicas negras eram associadas ao erotismo, ao exótico (as femmes) e as masculinizadas (as butches).
No thriller ‘Até As Últimas Consequências’, a personagem Ursula (Samantha MacLachlan) é vista apenas como objeto sexual, enquanto Cleo (Queen Latifah) é enxergada como o “homem da relação” e extremamente violenta.
Em outra perspectiva, as mulheres transexuais são mostradas geralmente como pessoas passivas no meio de outras mulheres, incluindo lésbicas.
No geral, são retratadas de modo artificial, desproporcional e alvos dos mais variados tipos de preconceito que renegam sua existência.
A série ‘Orange Is the New Black’ utiliza esses temas para explorar os estereótipos como forma de conscientização – afinal, Sophia Burset (a transexual Laverne Cox) é uma detenta da penitenciária de Litchfield assediada o tempo todo por suas “colegas”.
Laverne Cox
Como resultado, as representações em questão também auxiliam para perpetuar ideias infundadas de que os negros ou são pobres, ou agressivos, ou usuários de drogas.
Só nos últimos anos da década de 2010 que o cenário realmente começou a mudar.
Ryan Murphy fez história ao criar ‘Pose’, a obra audiovisual com maior elenco transgênero e negro da história e que tornou-se uma das séries mais aclamadas de todos os tempos ao retratar a vida da comunidade LGBTQ+ nas décadas de 1980 e 1990. Foi desse movimento, retratado na série, que Madonna criou 'Vogue'.
O show, inclusive, foi responsável pelo aumento exponencial da porcentagem de pessoas pretas em grandes produções: 50% contra 49% brancos.
Pose
O auge da luta contra a disparidade racial viria, como já falamos, com ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’.
A trama, ambientada em Liberty City, Miami, mostra o jovem Chiron, pobre e negro num cenário caótico, no qual era obrigado a lidar com sua mãe viciada em drogas e os múltiplos preconceitos que sofreria até a vida adulta - tudo isso, em meio à descoberta de sua orientação sexual.
O resultado foi um belíssimo e comovente drama vencedor de três estatuetas do Oscar – incluindo o prêmio de Melhor Filme.
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Muito foi conquistado, mas muito se tem ainda a conquistar.