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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

'A FORMA DA ÁGUA': SIMPLES E LÚDICO, LONGA ESPETACULAR MERECE CADA UMA DE SUAS 13 INDICAÇÕES AO OSCAR 2018


SINOPSE:

Década de 1960.

Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins),é uma  zeladora muda, que trabalha em um laboratório experimental secreto do governo.

Lá, ela se afeiçoa a uma criatura fantástica, mantida presa e maltratada no local.

Para executar um arriscado e apaixonado resgate do ser anfíbio, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

CRÍTICA:

Como já vimos inúmeras vezes no cinema, romances entre humanos e criaturas não são novidade.

Já vimos casais improváveis em clássicos - como 'A Bela e A Fera' e 'King-Kong' - no universo bizarro e extraordinário de Tim Burton - 'Edward Mãos De Tesoura' - e até na saga adolescente 'Crepúsculo' - com seus vampiros e lobos galãs.

Casais diferenciados sempre chamam a atenção do público e geralmente, essas histórias são uma forma metafórica de questionar tabus ou mostrar o amor incondicional entre diferentes de uma forma lúdica.

Assim, se você for ao cinema esperando que 'A Forma da Água', o filme com mais indicações ao Oscar 2018 (13) entregue ao espectador mais do mesmo, você sairá não só maravilhado, mas extasiado com essa obra-prima do 'pai dos monstros', Guillermo Del Toro.

Com a influência - que Del Toro admite ser do clássico 'O Monstro Da Lagoa Negra' (1954) - vemos um jeito criativo e inovador de abordar temas atuais e relevantes, sem deixar de lado o tom lúdico pelo qual a obra do diretor e roteirista é conhecida.

A trama, que se passa nos anos 1960, em plena Guerra Fria, portanto,  e acompanha a sonhadora Eliza, interpretada com extrema competência por Sally Hawkins.

A Forma da Água : Foto Sally Hawkins
Sally Hawkins é a protagonista Eliza - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Fox Film
Muda desde criança, ela mora com seu melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e trabalha como faxineira em um laboratório secreto do governo americano.

Certo dia, ela descobre que uma criatura, com aparência meio anfíbia, meio humana, está sendo mantida em cárcere e maltratada pelo carrasco Richard Strickland (Michael Shannon), a personificação do racismo, sexismo e complexo de superioridade que assolam a sociedade estadunidense hoje.

Eliza se compadece imediatamente com o monstro, já que vê a criatura não como diferente, mas como tão vítima das circunstâncias quanto ela.

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Giles (Richard Jenkins), em cena do longa
Determinada a salvá-lo dessa situação, ela contará com a ajuda de Giles, da companheira de trabalho e amiga Zelda (Octavia Spencer) e de Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), um cientista que se encontra em um dilema moral.

Se diante dos seus concorrentes ao prêmio de melhor filme, esse longa não demonstra uma crítica tão direta à sociedade racista quanto 'Corra!', nem a representatividade LGBT de 'Me Chame Pelo Seu Nome', entretanto está longe de ser apolítico.

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Zelda (Octavia Spencer), em cena do longa
Através de alegorias, Del Toro expõe estruturas sociais precárias e também faz a sua luta contra o machismo - exemplificado pelo marido de Zelda - a homofobia - sofrida por Giles - e também o racismo - como na cena em que um casal negro é discriminado em uma lanchonete.

Ver esses personagens se apoiando mutuamente em torno de um objetivo final, como num grito dos silenciados, é bastante inspirador.

A abordagem desses assuntos vinda de um criador mexicano se faz extremamente necessária e corajosa diante das declarações idiotas, ditas a toda hora pelo presidente Trump, líder da nação mais influente do planeta.

O diretor também não perde a oportunidade de satirizar a paranoia anticomunista e as tensões da era da corrida espacial contra a União Soviética.

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Richard Strickland (Michael Shannon), em cena do longa
O maior mérito do longa, porém, está na construção de seus personagens, já que a trama não apenas nos dá o suficiente para criarmos empatia com aquelas figuras, como também nos concede o privilégio de presenciar o desabrochar de cada uma delas, com uma sensibilidade que cabe a poucos filmes.

Esteticamente, a produção acerta em cheio ao recriar a aura dos anos 60, trazendo à tela elementos característicos da época, como os musicais e shows de TV, além de uma trilha sonora que inclui até a estrela brasileira Carmen Miranda.

O diretor de fotografia Dan Laustsen optou por relacionar a fotografia a elementos "marítimos", mantendo as cenas em tons de verde e azul.

O uso mínimo de CGI também é uma escolha sábia e confere uma naturalidade à criatura, que não encontramos no mais recente 'A Bela e a Fera', por exemplo.

CONFIRA O PROCESSO DE CRIAÇÃO DO ANFÍBIO:


Eliza é realmente o melhor papel de Sally Hawkins até aqui - antes, ela já tinha chamado a atenção das grandes premiações por 'Blue Jasmine'.

A atriz consegue demonstrar doçura e coragem quando é necessário, e isso, sem nenhum diálogo, o que torna a sua atuação inacreditável de tão bela.

Octavia Spencer continua sendo a excelente atriz de sempre, mas o seu papel não lhe permite ir além do que já vimos dela em longas anteriores.

Michael Shannon, mesmo excessivamente caricato, consegue dar conta ao seu vilão Richard Strickland.

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Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), em cena do longa
Mesmo com alguns deslizes, alguns furos de roteiro e cenários irreais - como faxineiras tem livre acesso a um laboratório de segurança máxima? - o longa pode ser cansativo em alguns momentos, já que a pegada de "conto de fadas" não deve agradar a todos.

A visão dualista de alguns personagens também merece uma observação - afinal nem tudo na vida é "8 ou 80" - mas o longa encanta pela sua simplicidade e aura de pureza.

Mesmo com uma trama bastante convencional, Del Toro prova que um filme não precisa de grandes reviravoltas para ser bom.

Como toda boa jornada do herói, nem sempre o que importa é onde chegaremos, mas sim como será o caminho até lá.

Filmaço.

INDICAÇÕES AO OSCAR 2018
MELHOR FILME
MELHOR DIRETOR - Guillermo Del Toro
MELHOR ATRIZ - Sally Hawkins
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - Octavia Spencer
MELHOR ATOR COADJUVANTE - Richard Jenkins
MELHOR FOTOGRAFIA - Dan Laustsen
MELHOR ROTEIRO ORIFINAL - Guillermo del Toro & Vanessa Taylor
MELHOR EDIÇÃO - Sidney Wolinsky
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO - Paul Denham Austerberry; Decoração de set: Shane Vieau e Jeff Melvin
MELHOR TRILHA SONORA - Alexandre Desplat
MELHOR EDIÇÃO DE SOM - Nathan Robitaille e Nelson Ferreira
MELHOR MIXAGEM DE SOM - Christian Cooke, Brad Zoern e Glen Gauthier
MELHOR FIGURINO - Luis Sequeira

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'A FORMA DA ÁGUA'
Título Original:
THE SHAPE OF WATER
Gênero:
Drama
Direção:
Guillermo del Toro
Elenco:
Alexey Pankratov, Allegra Fulton, Brandon McKnight, Cameron Laurie, Clyde Whitham, Cody Ray Thompson, Dan Lett, Danny Waugh, David Hewlett, Deney Forrest, Diego Fuentes, Doug Jones, Dru Viergever, Edward Tracz, Evgeny Akimov, Jayden Greig, John Kapelos, Jonelle Gunderson, Karen Glave, Lauren Lee Smith, Madison Ferguson, Martin Roach, Marvin Kaye, Michael Shannon, Michael Stuhlbarg, Morgan Kelly, Nick Searcy, Nigel Bennett, Octavia Spencer, Richard Jenkins, Sally Hawkins, Sergey Nikonov, Shaila D'Onofrio, Stewart Arnott, Vanessa Oude-Reimerink, Wendy Lyon
Roteiro:
Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
Produção:
Guillermo del Toro, J. Miles Dale
Fotografia:
Dan Laustsen
Trilha Sonora:
Alexandre Desplat
Montador:
Sidney Wolinsky
Estúdio:
Bull Productions, Double Dare You (DDY), Fox Searchlight Pictures
Distribuidora:
Fox Film
Ano de Produção:
2017
Duração:
123 min.
Estréia no Brasil:
01/02/2018
Classificação Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

'A FORMA DA ÁGUA': GUILLERMO DEL TORO REVELA QUE ESCREVEU O ROTEIRO OUVINDO TRILHA SONORA DE FILME DE ADAM SANDLER

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O diretor Guillermo Del Toro surpreendeu os fãs - filme quase foi captado em preto & branco
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Ele revelou via Twitter que escreveu o roteiro de 'A Forma Da Água' ouvindo a trilha sonora de 'Embriagado De Amor', longa de Paul Thomas Anderson estrelado por Adam Sandler em 2003.

"A vida é estranha e o cérebro humano também. Lembro-me que, no começo (2012/2014), A Forma da Água foi escrito com a trilha sonora de Embriagado de Amor (depois foi Georges Delerue e Rota, mas até pensamos em algumas coisas com a trilha do filme)".

A produção de Guillermo Del Toro - que já tinha revelado em entrevista ao THR que sua maior inspiração para fazer a criatura do longa partiu do clássico da Universal, ‘O Monstro da Lagoa Negra’, de 1954 - tem sido uma das mais elogiadas nos festivais de cinema, sendo um concorrente fortíssimo para as principais premiações em 2018.

Ovacionado por sua estética, o filme quase chegou a ser lançado em preto e branco.

Segundo o designer de produção, Paul Austerberry, a grande razão seriam os custos, que pouco depois foram solucionados pela Fox Searchlight.

Em entrevista ao Entertainment Weekly, ele disse:

“Em preto e branco o orçamento ficava em US$ 12 milhões. Mas então a Fox Searchlight nos procurou, dizendo que havia a possibilidade de obtermos um acréscimo de recursos. Eles propuseram que se quiséssemos, ele poderia ser feito em cores com US$19,6 milhões. Nós tivemos dificuldades para concluir a produção até mesmo com esses valores finais, mas ainda que tudo deu certo”.

'A Forma Da Água' é uma das fortes apostas para o Oscar 2018 - um conto de fadas dos mais imaginativos ambientado no cenário dos Estados Unidos na época da Guerra Fria, por volta de 1962.

No laboratório secreto e de alta segurança do governo onde trabalha, a solitária Elisa (Sally Hawkins) vive presa em uma vida de isolamento.

Sua vida muda para sempre quando ela e a colega Zelda (Octavia Spencer) descobrem uma experiência secreta, uma criatura aquática por quem Elisa começa a ter interesse.

Relembre o trailer:


Além de Hawkins e Spencer, o elenco conta com Michael Shannon, Richard Jenkins, Doug Jones, Michael Stuhlbarg e Nick Searcey.

A Fox Film estreia o longa nos cinemas brasileiros em 11 de janeiro de 2018.

sábado, 28 de outubro de 2017

GUILLHERMO DEL TORO DARÁ UM TEMPO NA CARREIRA

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Em entrevista à Variety, o diretor Guillermo Del Toro anunciou que dará um tempo na carreira após o término da divulgação de 'The Shape of Water', seu filme mais recente
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O diretor afirma que pretende descansar por cerca de um ano e, por isso, adiará o remake de 'Viagem Fantástica', clássico de 1966.

Entretanto, nesse período atuará como produtor da série 'Trollhunters', da Netflix, e também em outros projetos ainda misteriosos.

"Estou trabalhando com a talentosa Patricia Riggen em algo que ainda não posso revelar", afirmou o cineasta.

O diretor e produtor Guillermo del Toro - Variety

'The Shape of Water/A Forma da Água' é uma das fortes apostas para o Oscar 2018 e chegou a ser exibido no Festival do Rio.

Na trama, estrelada por Sally Hawkins, Michael Shannon e Richard Jenkins, a funcionária de um laboratório experimental se apega a uma criatura aquática mantida em cativeiro e arma um plano para libertá-la.

Confira o belo trailer:


O longa é uma produção da Fox e estreia em 11 de janeiro de 2018 aqui no Brasil.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

'AS AVENTURAS DE PADDINGTON': URSO PERUANO EM CHOQUE CULTURAL EM LONDRES É PROTAGONISTA DE FILME LEVE E DESPRENTENSIOSO


SINOPSE:

O jovem urso Paddington (voz de Ben Whishaw) foi criado na floresta do Peru pelos tios Pastuzo (voz de Michael Gambon) e Luzy (voz de Imelda Staunton), mas um terremoto acaba separando o trio.

Diante disto, ele é enviado pelo tio para Londres, local onde mora um explorador que visitou o Peru décadas atrás.

Paddington faz a viagem clandestinamente e ao chegar, acaba indo para uma estação de trem.

Lá ele conhece a família Brown, que decide ajudá-lo a encontrar o tal explorador.

Só que a vida na civilização e entre humanos não é tão simples assim...

CRÍTICA:

Toda cultura possui suas peculiaridades, que muitas vezes resultam na criação de personagens extremamente populares em determinado local e pouco conhecidos no restante do planeta.

O pequeno e educado urso Paddington é o exemplo inglês desta realidade: criado em 1958, presente em vários livros infantis e até mesmo em uma série de animação produzida pela BBC nos anos 1970, poucos sabem quem é ele fora da ilha britânica.

Assim, 'As Aventuras de Paddington' estreia hoje em 219 salas em todo o Brasil, aproveitando a fama do ursinho junto aos ingleses mas também com a intenção de popularizá-lo mundo afora.

Para isso, o longa se utiliza da já conhecida união de atores reais e animação computadorizada - utilizada com competência em filmes de Scooby-Doo, Zé Colmeia e Os Smurfs (não por acaso, também clássicos infantis).

O protagonista Paddington - Fotos dessa postagem: Divulgação/Diamond Films
Aqui, funciona - e funciona muito bem - pois os efeitos especiais são competentes, especialmente nas expressões faciais e no movimento da pelagem do ursinho, de acordo com os movimentos do personagem.

A interação com os atores também flui bem, graças a um roteiro competente, que privilegia diálogos muito bons e nas sequências onde alguma trapalhada acontece.

A interatividade de Paddington com a família Brown lembra bastante 'O Pequeno Stuart Little', outro filme infantil que também tem como foco principal os acertos e desacertos decorrentes da adoção de um animal por uma família humana.

Hugh Bonneville, Jim Broadbent, Sally Hawkins, Samuel Joslin: família Brown recebe Paddington
As confusões provocadas por Paddington diante de seu desconhecimento da vida civilizada entregam ao espectador sequências muito divertidas, que prendem a atenção de crianças e adultos.

O tom infantil permeia o longa e está presente não apenas na abertura na floresta peruana – em preto e branco, simulando um documentário antigo – como na vilã caricata, interpretada magistralmente por Nicole Kidman.

Nicole Kidman como a vilã: magistral
Ben Whishaw - melhor ator da sua geração e o novo 'Q' da cinessérie de James Bond - dá uma profundidade ao personagem principal, poucas vezes vista em um personagem de animação, principalmente um urso.

Ben Whishaw  faz a perfeita interpretação do urso
Pena que, para a dublagem brasileira, o escolhido foi Danilo Gentili, que pode ser bom comediante, bom entrevistador, mas é péssimo ator e transforma o protagonista num tedioso personagem com sotaque paulista, prejudicado pelas estranhas opções na adaptação do texto original.

Citações ao Corinthians e ao Flamengo surgem sem que haja o menor contexto para tanto e a saudação local usada pelo jovem urso é um “fala, mano” - difícil de engolir.

Por tudo isso, prefira a versão original com legendas e se os pequenos não conseguirem acompanhar, pode ir soprando os diálogos baixinho nos ouvidos deles - vale muito mais a pena.

Já o elenco conta com nomes bem conhecidos do cinema britânico, como Jim Broadbent, Julie Walters, Imelda Staunton, Michael Gambon, Sally Hawkins e Hugh Bonneville (da série 'Downton Abbey'), todos compondo muito bem seus papéis.

Hugh Bonneville  é o patriarca da família Crown
Um filme leve e despretensioso, que cumpre a cota básica de trapalhadas esperada em filmes deste tipo, apesar de não brilhar.

Boa pedida para essas pré férias.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'AS AVENTURAS DE PADDINGTON'
Título Original:
PADDINGTON
Gênero:
Comédia
Direção:
Paul King
Roteiro:
Michael Bond, Paul King
Elenco:
Ben Whishaw, Hugh Bonneville, Jim Broadbent, Julie Walters, Nicole Kidman, Peter Capaldi, Sally Hawkins
Produção:
David Heyman
Fotografia:
Erik Wilson
Montador:
Mark Everson
Duração:
98 min.
Ano:
2014
País:
Canadá / França / Reino Unido
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
04/12/2014
Distribuidor:
Diamond Films
Estúdio:
Heyday Films, DHX Media, StudioCanal
Classificação:
Livre

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

'BLUE JASMINE': WOODY ALLEN ABANDONA EUROPA E FAZ RIR NO SEU MELHOR FILME EM MUITO TEMPO


Woody Allen é um diretor maravilhoso - ninguém discute -  mas essa sua mania de fazer um filme por ano - como Almodóvar, por exemplo - faz com que sua obra tenha permanentes altos e baixos.

Se fez os ótimos 'Vicky, Cristina Barcelona' e 'Meia-noite em Paris', tropeçou novamente em 'Para Roma com Amor' - que, ao que parece, encerrou de vez sua excursão européia.

De volta aos EUA natal, Allen agora empresta seu olhar para a já maravilhosa San Francisco - para mim, a cidade mais bela do mundo e retratada em inúmeros longas - em 'Blue Jasmine', que estreia em 60 salas em todo o Brasil.

Cate Blanchett - em seu melhor papel em anos - dá vida à Jasmine, uma ex-rica mergulhada no álcool e nos tarja-preta para aprender a ser novamente uma cidadã comum.

Cate Blanchett como Jasmine - Imagens dessa postagem; Divulgação/Imagem Filmes
Após a descoberta de um crime financeiro cometido pelo marido, Hal (Alec Baldwin, outro que aqui está incrível, o que prova que ele é um ator que precisa ser bem dirigido pra render) e sua consequente prisão, ela sai de Nova York e vai pedir guarida na casa de Ginger (Sally Hawkins), sua irmã remediada e que mora em San Francisco.

Blanchett está maravilhosa em cada fotograma: se fosse outra atriz, a personagem não renderia tanto, mas ela consegue mudar de persona completamente, várias vezes, tornando a personagem realmente dissimulada, se transformando aos olhos do espectador, causando certa pena no começo.

Alec Baldwin é Hal, marido de Jasmine
Só que, com o desenrolar da trama, Jasmine nos mostra seu lado negro e esnobe até as últimas consequências e, ao trocar de rosto, nos remete à atuação da atriz  em 'Não Estou Lá', no qual interpreta Bob Dylan de maneira impecável.

Sendo um filme de personagens, o elenco coadjuvante - a irmã, seu namorado Chilli (Bobby Cannavale) e alguns amigos dele - também é importantíssimo para criar o contraste entre glamour e "simplicidade".

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Sally Hawkins e Andrew Dice Clay em cena do longa
Nesse embate social e familiar se encontram as cenas mais divertidas, deslizando nos trejeitos e falta de jeito dessas personalidades tão distintas, com as atuações de Sally e Cannavale - ótimos se destacando.

Com um roteiro bem desenvolvido - como sempre, do próprio Allen - o longa tem diálogos inteligentes e ácidos em uma dinâmica particular.

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Casal falido
A tantas horas, na decadência da protagonista surge uma oportunidade de casamento em uma festa - o par perfeito para levá-la à ascensão novamente - só que, quando tudo começa a dar certo demais, o longa adquire um ar quase surreal, enfatizando ainda mais o certo clima de absurdo do mundo dos muito ricos.

Na tentativa de parecer como era antes da falência, Blanchett passa a mudar de conduta rapidamente, a exemplo da cena na qual atende o telefonema de seu pretendente no tumulto da casa da irmã.

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Todos em San Francisco
A interação dessa catatônica Jasmine no ambiente simples, com sobrinhos, irmã e demais figuras, provoca aquele dito humor-negro tão comum - e que todos adoramos - nos longas de Woody Allen.

De forma inteligente, o diretor desnuda a decadência superficial de uma sociedade fascinada por dinheiro e por meio de Cate Blanchett – em grande parte graças a ela - faz um dos melhores filmes do ano e deixa outro marco em sua carreira.

Filmaço.

Confira o trailer do longa:


*****
Blue Jasmine
'BLUE JASMINE'
Título Original:
BLUE JASMINE
Gênero:
Comédia
Direção:
Woody Allen
Roteiro:
Woody Allen
Elenco:
Alden Ehrenreich, Alec Baldwin, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale, Cate Blanchett, Charlie Tahan, Jessiqa Pace, Kim Kopf, Louis C.K., Max Casella, Michael Stuhlbarg, Peter Sarsgaard, Sally Hawkins, Tammy Blanchard, Vanessa Ross
Produção:
Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum
Fotografia:
Javier Aguirresarobe
Montador:
Alisa Lepselter
Duração:
98 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
15/11/2013
Distribuidora:
Imagem Filmes
Estúdio:
Perdido Productions
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: