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quinta-feira, 11 de abril de 2019

'SUSPÍRIA - A DANÇA DO MEDO':: NOVA VERSÃO DO CLÁSSICO DE DARIO ARGENTO É MAIS EXPLÍCITA, MAIS CRUA E MAIS INSTIGANTE


SINOPSE:

Susie Bannion (Dakota Johnson), uma jovem bailarina americana, vai para a prestigiada Markos Tanz Company, em Berlim.

Ela chega assim que Patricia (Chloë Grace Moretz) desaparece misteriosamente.

Tendo um progresso extraordinário, com a orientação de Madame Blanc (Tilda Swinton), Susie acaba fazendo amizade com outra dançarina, Sara (Mia Goth), que compartilha com ela todas suas suspeitas obscuras e ameaçadoras.

CRÍTICA:

“Elas são bruxas!”, diz uma perturbada Patricia (Chlöe Moretz), em visita ao terapeuta.

É curioso como o novo filme Suspíria - A Dança do Medo - estreia dessa semana - escancara, desde a primeira cena, algo que o clássico dirigido por Dario Argento em 1977 demorava cerca de 90 minutos para revelar.

“Elas querem entrar em mim”, reclama a jovem dançarina, enquanto toca o próprio sexo.

Suspíria - A Dança do Medo : Foto Chloë Grace Moretz
Chloë Grace Moretz em cena como Patricia - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Amazon Studios
Em sua adaptação pós-moderna do terror italiano, o diretor Luca Guadagnino parece ter abraçado o desafio de explorar a mesma premissa - uma jovem dançarina atormentada por fenômenos estranhos numa academia de balé - para nos entregar um filme oposto.

Assim, o cenário multicolorido e teatral da produção original é trocado por uma academia escura e cinzenta; as insinuações de sexualidade e perversão femininas são escancaradas; o caráter fabular é substituído por um recorte histórico preciso (a Guerra Fria e os resquícios da Segunda Guerra Mundial).

Suspíria - A Dança do Medo : Foto Dakota Johnson
Dakota Johnson é Susie Bannion
Mesmo a dança, praticamente ausente no filme da década de 1970, é utilizada em diversas cenas, adquirindo um papel narrativo fundamental.

Pode-se dizer que o novo filme decide retirar do clássico sua aura fantástica para se aproximar de um ultrarrealismo no qual datas, locais históricos e efeitos visuais verossímeis são fundamentais para provocar o espectador.

O começo dessa jornada “em seis atos e um epílogo”, como afirma o letreiro, é muito bem-sucedido.

A trama constrói um forte senso de ambientação através de movimentos de câmera agressivos e da investigação do corpo das atrizes durante os ensaios.

Suspíria - A Dança do Medo : Foto Tilda Swinton
Madame Blanc (Tilda Swinton), em cena do longa
Guadagnino explora a noção de desgaste físico para justificar uma estafa mental indispensável à introdução dos delírios e paranoias.

Uma cena em que a dança da novata Susie Bannion (Dakota Johnson) condiciona outra dança aterrorizante, numa sala distante, constitui o melhor momento do filme: em poucos minutos, o projeto resume a ideia de passar entre o controle e o descontrole, entre a dedicação e o sacrifício, entre o esforço e a tortura.

A construção psicológica inicial é fascinante, ajudada pelo trabalho cru das luzes frias e montagem brusca.

No entanto, a narrativa é conduzida por um cineasta que jamais se ateve ao domínio das sugestões: ele gosta de deixar seus significados claros, suas simbologias explícitas.

Para um filme de terror, essa abordagem implica numa narrativa inchada de signos sem desenvolvimento pleno, sucedendo-se uns aos outros pelo simples prazer do acúmulo.

Suspíria - A Dança do Medo : Foto Mia Goth
Sara (Mia Goth), em cena do longa
São muitos flashes de pesadelos aterrorizantes, muitas luzes claras passeando pelos cômodos, muitas imagens de cabelos longos e noticiários sobre a busca por terroristas na cidade dividida de Berlim.

O longa consegue ser ao mesmo tempo lacônico e redundante: por um lado, sua metáfora política nunca se desenvolve a contento, por outro lado, ela é mencionada tantas vezes que ocupa um tempo excessivo na trama.

Mesmo as interpretações do próprio filme ficam a cargo do terapeuta Klemperer (Tilda Swinton), que explica o significado de alucinações, descreve o fenômeno das “três mães”, justifica a crença em mitos.

Suspíria - A Dança do Medo : Foto Dakota Johnson
Cena do longa
O aspecto “intelectual” do filme se converte numa auto leitura aborrecida, por impedir ao espectador chegar às mesmas conclusões sozinho.

Mas nada se compara ao terço final, quando Guadagnino aposta numa extravagância sangrenta e operística, não muito distante do desejo de destruição de Mãe!, de Darren Aronofsky.

O filme aposta que mais é melhor, embora o tratamento do grotesco se leve tão a sério que beire a paródia.

Talvez esta seja a principal deficiência dessa versão contemporânea: não perceber seu caráter inerentemente alegórico, colocando a Guerra Fria e uma reunião de bruxas no mesmo patamar de seriedade e realismo.

Apesar de sua grandiloquência (ou por causa dela), nenhuma cena do novo projeto consegue alcançar o nível de terror da simples perseguição ao pianista e seu cachorro na produção original: enquanto Dario Argento trabalhava o poder da sugestão, o diretor italiano aposta num jogo em que todas as cartas estão claras.

Suspíria - A Dança do Medo : Foto Dakota Johnson
Cena do longa
Ao menos, o longa é marcado por uma produção competente, refinada, além de um trabalho uniformemente bom do elenco.

As atrizes foram escolhidas pelos traços que vêm demonstrando em produções recentes: Tilda Swinton pelo poder camaleônico de mentora, Dakota Johnson pela fragilidade ocultando uma libido aflorada, Chlöe Moretz pela figura de adolescente perturbada.

Infelizmente, a dança tão bem retratada no início se converte numa decepcionante apresentação do espetáculo “Volk”, em montagem tão fragmentada que mal se enxerga o corpo das dançarinas em movimento.

Por fim, os espectadores terão conhecido a trama original numa versão deslumbrada com sua própria produção, seus recursos, sua possibilidade de ser maior e mais chamativo.

A comparação entre os dois filmes também permite enxergar o valor da forma em relação ao conteúdo: a partir de premissas idênticas, Argento e Guadagnino chegam a resultados totalmente distintos, cada um fruto de seu tempo e de uma crença específica no valor da linguagem cinematográfica.

Vale uma olhada - principalmente pelas performances das atrizes.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'SUSPÍRIA - A DANÇA DO MEDO'
Título Original:
SUSPIRIA
Gênero:
Terror
Direção:
Luca Guadagnino
Elenco Principal:
Dakota Johnson, Tilda Swinton, Mia Goth, Chloë Grace Moretz
Roteiro:
David Kajganich, baseado na obra original de Dario Argento
Trilha Sonora:
Thom Yorke
Produção:
Luca Guadagnino, David Kajganich
Produção Executiva/Associada:
Kimberly Steward, James Vanderbilt, Dario Argento
Cenografia:
Inbal Weinberg
Estúdio:
Mythology Entertainment, Amazon Studios
Distribuição:
Playarte Pictures
Nacionalidade:
Itália, EUA
Duração:
2h32min
Data de lançamento (Brasil):
11 de abril de 2019
Classificação Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 16 de fevereiro de 2019

'SUSPIRIA - A DANÇA DO MEDO': REMAKE GANHA TRAILER NACIONAL

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A PlayArte divulgou o trailer legendado do terror 'Suspíria - A Dança do Medo', remake do clássico de Dario Argento.

Confira:


O longa foi dirigido por Luca Guadagnino, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme com o drama 'Me Chame pelo Seu Nome'.

Na trama, uma jovem americana dançarina de balé viaja até uma prestigiada escola de dança na Europa, apenas para descobrir que existe algo mais sinistro e sobrenatural.

Ela se torna cada vez mais assustada conforme uma série de assassinatos terríveis acontece - e segredos sombrios da escola vêm a tona.

O Pôster:
Playarte

O elenco ainda inclui Dakota Johnson, Chloe Grace-Moretz, Tilda Swinton, Mia Goth, Sylvie Testud, Angela Winkler, Małgosia Bela, Lutz Ebersdorf e Jessica Harper.

O terror será lançado nos cinemas nacionais no dia 28 de março.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

SUSPIRIA': TRAILER COMPLETO É DE TIRAR O SONO

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Remake do clássico de Dario Argento estreia em novembro nos EUA
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O remake de 'Suspiria', clássico de horror de Dario Argento, está aos poucos se consolidando como um dos filmes mais promissores da temporada 2018/2019.

O primeiro trailer completo foi divulgado ontem e carrega um clima ainda mais sombrio e tenso do que o teaser revelado em junho.

Confira:


Dirigido por Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome) e estrelado por Dakota Johnson, Tilda Swinton e Mia Goth, o longa explora os mistérios de uma companhia de dança onde "dar o sangue" pela arte pode ter um sentido mais literal do que em outros lugares.

O filme está previsto para estrear nos Estados Unidos em novembro, mas ainda não ganhou data para chegar ao Brasil.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

'SUSPIRIA': REMAKE DO CLÁSSICO DE DARIO ARGENTO GANHA TRAILER

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O remake do clássico de terror 'Suspiria' teve o seu primeiro trailer revelado
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Assista:


Na trama, Susie Bannion (Dakota Johnson), uma jovem bailarina americana, vai para a prestigiada Markos Tanz Company, em Berlim, Alemanha.

Ela chega assim que Patricia (Chloë Grace Moretz) desaparece misteriosamente.

Tendo um progresso extraordinário, com a orientação de Madame Blanc (Tilda Swinton), Susie acaba fazendo amizade com outra dançarina, Sara (Mia Goth), que compartilha com ela todas suas suspeitas obscuras e ameaçadoras - a escola é, na verdade uma reunião de bruxas.

A direção do remake é de Luca Guadagnino.

'Suspiria' tem data de estreia brasileira agendada para 02 de novembro.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

'ME CHAME PELO SEU NOME': ROMANCE ENTRE RAPAZ E HOMEM MADURO É UM DOS MELHORES LONGAS DOS ÚLTIMOS TEMPOS


SINOPSE:

O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana.

Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega, já que a paixão entre os dois começa a brotar.

CRÍTICA:

Os filmes com temática LGBT têm ganhado espaço nas salas de cinema e agora, finalmente estreia aqui no Brasil 'Me Chame Pelo Seu Nome', um longa que diz de cara a que veio

O italiano Luca Guadagnino (A Bigger Splash) dirige uma história baseada em um romance homônimo de André Aciman que traz Elio, personagem de Timothée Chalamet (Lady Bird - É Hora De Voar), um adolescente que vive com seus pais em uma casa de campo no interior da Itália.

Ele é apresentado a Oliver, vivido pelo ator Armie Hammer (Animais Noturnos), um acadêmico que chega à casa da família para acompanhar uma pesquisa juntamente com o pai de Elio.

Me Chame Pelo Seu Nome : Foto Armie Hammer, Timothée Chalamet
Elio (Timothée Chalamet) é apresentado a Oliver (Armie Hammer) - Fotos dessa postagem - Divulgação/Sony Pictures
O encontro dos dois não é um clichê de amor à primeira vista, é calmo e discreto, não entregando nada do que a trama trará em seu decorrer.

Por ser criado por uma família com ideias e percepções de uma vida intelectual, Elio é curioso e isso fica evidente quando ele e Oliver passam a se aproximar.

O jovem observa as atitudes e os olhares do homem sempre com ar de quem quer entender, mas sem demonstrar de cara um interesse amoroso por ele.

É aí que o longa se diferencia de alguns romances atuais, sempre mostrando casais com paixões arrebatadoras que faz o espectador se perguntar como aquilo aconteceu.

O drama está longe de ser clichê e isso é um respiro para os fãs da sétima arte que se cansam de ver sequências de cenas onde existe um padrão entre se apaixonar, dar errado, aceitar desculpas e viver felizes para sempre.

É ver a descoberta do amor e da sexualidade sem respingos de melodrama.

Falando sobre amor e só sobre amor de forma geral, Guadagnino não se importa em criar polêmicas - por exemplo, a cena do pêssego, uma das mais comentadas na internet nos últimos dias.

As cenas de sexo, por sinal, não são desconfortáveis ou eróticas demais para os cinemas.

O que se vê é a forma mais pura de demonstrar o amor que os dois homens estão sentindo um pelo outro.

Me Chame Pelo Seu Nome : Foto Esther Garrel, Timothée Chalamet
Cena do filme
O mesmo aconteceu com 'Azul É A Cor Mais Quente', um drama lésbico dirigido por Abdellatif Kechicheque, que causou polêmicas ao apresentar cenas mais quentes entre duas mulheres, mas que não tinha o intuito de erotizar o longa.

A atuação dos atores é um show à parte.

Mesmo com uma diferença de idade dentro e fora das cenas, Hammer e Chalamet têm toda a química que tanto gostamos de ver em um casal.

Os dois demonstram segurança e conforto em viver aquele amor de verão.

A questão estética do longa é detalhada, com cenários inspiradores para uma história de amor e câmeras posicionadas exatamente onde deveriam.

As tomadas com Elio estão sempre o colocando em primeiro plano, mas nunca tirando o foco de Oliver e deixando-o apenas como o coadjuvante que completa a trama.

O enquadramento mostra os detalhes de olhares, toques e falas de forma certeira, e se você prestar atenção, verá que mesmo as cores, as músicas e os cenários estão complementando lindamente o roteiro - escrito por James Ivory (Em Busca do Amor).

O longa não merece ser denominado apenas como um filme de drama gay.

Me Chame Pelo Seu Nome : Foto Timothée Chalamet
Chalamet - atuação excepcional
Ele é mais do que um drama e embora tenha sua temática voltada para um romance homossexual, se desmistifica da rotulação e fala apenas uma língua: a do amor.

Com tantas indicações a prêmios, é grande a torcida para que Chalamet seja mais um dos jovens atores indicados ao Oscar por seu belíssimo trabalho.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'ME CHAME PELO SEU NOME'
Título Original:
CALL ME BY YOUR NAME
Gênero: 
Drama
Direção:
Luca Guadagnino
Elenco:
Amira Casar, André Aciman, Antonio Rimoldi, Armie Hammer, Elena Bucci, Esther Garrel, Marco Sgrosso, Michael Stuhlbarg, Peter Spears, Timothée Chalamet, Vanda Capriolo, Victoire Du Bois
Roteiro:
James Ivory
Produção:
Emilie Georges, Howard Rosenman, James Ivory, Luca Guadagnino, Marco Morabito, Peter Spears, Rodrigo Teixeira
Fotografia:
Sayombhu Mukdeeprom
Montador:
Walter Fasano
Estúdio:
Frenesy Film Company, La Cinéfacture, RT Features
Distribuidora:
Sony Pictures
Estréia no Brasil:
18/01/2018
Ano de Produção:
2017
Duração:
132 min.
Classificação Etária:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU: