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sexta-feira, 1 de maio de 2020

NOS 40 ANOS SEM ALFRED HITCHCOCK CONFIRA O TOP 10 DOS SEUS MELHORES FILMES

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O britânico Alfred Hitchcock, também conhecido como “o mestre do suspense”, é uma verdadeira lenda da sétima arte - veja dez longas imperdíveis dirigidos por ele, com trailers, sinopse e cartazes originais
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A última quarta, dia 29 de abril, marcou exatos 40 anos que ficamos órfãos de seu talento - o cineasta morreu aos 80 anos de idade, em 1980, na data citada.

Dono de um currículo de mais de 70 créditos como diretor e 5 indicações ao Oscar, Hitchcock só ganhou um prêmio honorário da Academia em 1968.

Mais importante que isso é o fato do artista ter sido, e seguir desta forma, influente para gerações de jovens cineastas.

Dito tudo isso, vamos nos atrever a fazer um Top 10 dos melhores filmes de Alfred Hitchcock.

Para a ingrata tarefa – já que suas obras-primas vivem constantemente mudando posição em nossos gostos – foi feito um apanhado das notas da imprensa especializada e do grande público para tirarmos uma média como deve ser, criando uma lista bem eclética com a voz de todos.

TOP 10 DOS MELHORES FILMES DE ALFRED HITCHCOCK:

10 | Festim Diabólico (1948)

Igualmente um favorito pessoal, Rope, como é conhecido em seu título original, é baseado na peça de Patrick Hamilton.

E de fato o filme se comporta justamente como uma obra teatral, passado inteiramente num único cenário: o apartamento onde ocorreu um assassinato e logo em seguida, uma festa de aniversário para o morto.

Na trama, dois playboys sádicos (John Dall e Farley Granger) matam um colega, escondem o corpo, permanecem no local e dão uma festa de aniversário para ele.

Tudo pela adrenalina de testar sua capacidade e inteligência, tripudiando dos convidados (familiares e amigos).

Os dois não contavam, no entanto, com a perspicácia de um antigo professor, papel de James Stewart – um dos atores que mais trabalharam com Hitchcock.

Além de todos os atrativos, o diretor ainda quebra paradigmas técnicos, que continua inspirando realizadores.

No filme, Hitchcock cria a sensação de uma narrativa sem cortes, como se o filme fosse mesmo confeccionado como uma peça de teatro – num longo plano-sequência - os cortes existem, mas são quase imperceptíveis.


09 | A Dama Oculta (1938)

Um dos primeiros filmes britânicos do diretor, este é um dos mais celebrados longas desta sua fase.

O filme possui elogio de gente tarimbada, como o diretor francês Fançois Truffaut (que o considerava seu filme preferido de Alfred Hitchcock) e do igualmente lendário Orson Welles, que supostamente teria assistido ao longa 11 vezes.

Na trama, baseada na história ‘The Wheel Spins’, de Ethel Lina White, a jovem Iris Henderson (Margaret Lockwood) está em viagem pela Europa, onde conhece a simpática governanta, Senhora Froy (Dame May Whitty).

Porém, a mulher desaparece no trem, e ninguém acredita na história de Iris de que ela estava a bordo.

Assim, a jovem faz de sua missão descobrir o paradeiro da “dona que desapareceu”, como diz o título original.

Assim como todos os filmes de Hitchcock, A Dama Oculta foi usado como referência em diversas produções cinematográficas.

Curiosamente, o diretor disse que a obra foi em partes baseada numa história real, ocorrida em Paris na década de 1880.

A lenda diz que um famoso hotel teria “desaparecido” com uma mulher, a quem a filha estava buscando, a fim de ocultar o fato de que ela estava com a peste bubônica – evitando um potencial esvaziamento da cidade e sua falência.


08 | Interlúdio (1946)

Muitos citam as parcerias do mestre do suspense com suas famosas loiras, vide Grace Kelly e Tippi Hedren, mas esquecem que antes disso ele teve uma frutífera colaboração com uma musa morena do cinema: a sueca Ingrid Bergman (Casablanca), vencedora de 3 Oscar.

A estreia da dupla foi em Quando Fala o Coração (1945) e terminou em Sob o Signo de Capricórnio (1949), num total de três filmes juntos - Interlúdio se encaixa no meio.

Adicionado em 2006 ao registro nacional de cinema pela Biblioteca do Congresso Norte Americano, o filme tem como pano de fundo a cidade brasileira do Rio de Janeiro.

É na cidade maravilhosa que se encontram simpatizantes nazistas que o governo americano quer prender.

Para tal, o agente Devlin (papel de Gary Grant – outro grande colaborador de Hitchcock) alista a ajuda de uma mulher, Alicia (papel de Bergman) - ou devemos dizer, a obriga a espionar os nazistas no Brasil, após a prisão de seu pai – parte do grupo criminoso.

O agente e a mulher se envolvem amorosamente e o sujeito começa a protestar sobre o uso dela, que começa a correr risco sério, para seus superiores.

Interlúdio foi indicado para 2 prêmios no Oscar: melhor roteiro e ator coadjuvante para Claude Rains, que vive o vilão Alexander Sebastian.


07 | A Sombra de uma Dúvida (1943)

Outro grande trabalho do diretor, A Sombra de uma Dúvida foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original.

Dizemos que um pai nunca deve escolher seu filho favorito e os filmes de um diretor são como seus filhos - mas Hitchcock não se importava com isso e declarou este longa como o seu favorito em seu currículo.

Amor compartilhado pela protagonista da obra, a atriz Teresa Wright.

Na história, Wright interpreta uma jovem cansada de sua vida pacata junto à família, os pais e a irmã.

Tudo muda quando o cosmopolita sofisticado tio Charlie (Joseph Cotten) chega para passar uma temporada.

Seu charme conquista todos e a sobrinha começa a viver a melhor época de sua vida.

No entanto, este é um filme de Hitchcock e logo ela começa a desconfiar do verdadeiro caráter de seu tio, quando pistas começam a somar sobre sua possível identidade secreta como um perigoso assassino.

O diretor havia cogitado seu usual colaborador Gary Grant para o papel do tio Charlie, mas foi Cotten quem brilhou.


06 | Pacto Sinistro (1951)

Indicado ao Oscar de fotografia em preto e branco, nem precisa dizer que Pacto Sinistro é outro dos filmes muito homenageados de Alfred Hitchcock.

Aqui, dois estranhos se encontram num trem - daí o título original Strangers on a Train - e um deles propõe uma troca macabra.

Guy Haines é um famoso tenista com problemas com a esposa, que não quer lhe dar o divórcio apesar das inúmeras traições por parte dela.

Bruno Antony, o tal estranho, o reconhece, e faz uma proposta mais que indecente: matar a mulher do famoso, em troca do tenista eliminar seu pai dominador.

Bruno Antony é na realidade um homem desequilibrado, e um dos maiores vilões num filme de Hitchcock.

Convincentemente interpretado por Robert Walker, Bruno se tornou um dos grandes personagens no hall do mestre.

Infelizmente, Walker viria a tirar a própria vida no mesmo ano do lançamento do filme, por não conseguir superar a separação com a mulher, a atriz Jennifer Jones, agora casada com o mega empresário David O. Selznick.

O protagonista Guy é vivido por Farley Granger, de Festim Diabólico, agora fazendo um herói.

Pacto Sinistro é baseado no livro da lendária autora Patricia Highsmith.


05 | Um Corpo que Cai (1958)

Considerado por muitos como o melhor filme de Hitchcock, Vertigo, no seu título original, é um dos filmes unânimes do diretor e que fazem parte dos preferidos do grande público no IMdB.

Um Corpo que Cai é o filme de número 90 dentre os favoritos de todos os tempos e foi indicado para 2 Oscar: melhor direção de arte e som.

Baseado no livro francês “D’Entre Les Morts”, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, o filme faz menção a elementos sobrenaturais – como possessão espiritual – em sua história.

Curiosamente conhecido como A Mulher que Viveu Duas Vezes em Portugal, que é um grande spoiler em sua trama, Um Corpo que Cai é protagonizado mais uma vez por James Stewart, que interpreta o detetive particular Scottie.

Ele é contratado por um antigo colega para seguir sua esposa, quem ele acredita que tenha sido possuída pelo espírito de uma parente falecida.

Após o aparente suicídio da mulher, o detetive se depara com uma sósia dela, a quem ele começa a investigar.

Ah sim, um dos fortes temas da obra, como diz seu título original, é o medo de altura, ou vertigem, o que leva o protagonista a abandonar a força policial, num acidente em que quase cai do telhado em uma perseguição.

Co-protagonizando ao lado de Stewart, Kim Novak é a musa de Hitchcock que possui a oportunidade de interpretar dois papeis no mesmo filme – ou quase.

Em Um Corpo que Cai, o diretor tem a chance de criar novas técnicas de filmagem inovadoras, que dão forte senso de profundidade, além da famosa “viagem psicodélica” do personagem principal.


04 | Psicose (1960)

Este suspense/terror é o filme mais famoso da carreira do diretor e o que vem imediatamente à cabeça de todos os fãs de cinema.

Seja por sua trilha sonora marcante, criada por Bernard Hermann, ou pela icônica cena do chuveiro (muito homenageada, falada e satirizada), Psicose é o filme favorito de muitos amantes do suspense, e pode ser considerada uma das obras definitivas do gênero.

O longa é baseado no livro de Robert Block e usou como fonte o psicopata da vida real Ed Gein.

Psicose foi indicado a 4 Oscar: melhor diretor, atriz coadjuvante para Janet Leigh, fotografia em preto e branco e direção de arte.

A famosa casa dos Bates é uma das construções mais reconhecíveis da sétima arte e se encontra até hoje no terreno de externas da Universal Pictures, em Hollywood.

A trama todos conhecem: uma mulher roubando uma grande quantia de seu chefe, e se deparando com o Bates Motel numa estrada.

Ela se hospeda e no local encontra seu fatídico destino ao cruzar caminho com os donos do estabelecimento, Norman Bates (Anthony Perkins) e sua “mãe”.

Psicose gerou três sequências, uma refilmagem e duas séries de TV, demonstrando a abrangência desta história.

Psicose é o filme de número 40 de todos os tempos na preferência do grande público.


03 | Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940)

Algumas obras de Alfred Hitchcock já ganharam refilmagens declaradas (além das inúmeras “cópias”, referências e homenagens).

Nem todas são ruins, como a que Disque M para Matar (1954) recebeu na forma de Um Crime Perfeito (1998).

Outras, no entanto, são dispensáveis, vide o próprio Psicose (1998), de Gus Van Sant.

Resta saber em qual categoria recairá o remake de Rebecca, programado para o lançamento neste ano.

O filme será protagonizado por Lily James e Armie Hammer e tem direção de Ben Wheatley (Sightseers, 2012).

O remake usará como base o livro de Daphne Du Maurier, assim como o original.

Na trama do filme de 1940, Joan Fontaine interpreta uma mulher humilde (papel que será de James) que se apaixona pelo aristocrata Max de Winter – papel de Laurence Olivier, que será vivido por Hammer no remake – e os dois iniciam um relacionamento, logo se casando.

Como a Sra. de Winter, a protagonista é levada para sua nova propriedade ao lado do marido.

No local, ela começa a reparar a grande sombra que a ex-mulher do sujeito, morta em um acidente de barco no ano anterior, ainda faz em todos, inclusive no próprio, que não a esqueceu.

Rebecca foi indicado para nada menos que 11 Oscar, incluindo diretor, roteiro e atores para Olivier e Fontaine; e levou os de Melhor Filme do ano e fotografia em preto e branco.

Apesar de muito antigo, ainda consta como número 227 dentre os 250 preferidos do grande público atual no IMdB.


02 | Intriga Internacional (1959)

Inspiração para thrillers de ação e espionagem, como a franquia 007 no cinema, Intriga Internacional evoca um tema recorrente na filmografia de Alfred Hitchcock: o homem errado no lugar errado.

Aqui, Gary Grant recobra novamente a parceria com o mestre, no papel de um bon vivant publicitário de Nova York que tem a vida transformada num verdadeiro inferno após ser confundido como um agente por espiões internacionais - outro uso recorrente das tramas do diretor era o subtexto da Guerra Fria.

O caminho do sujeito se cruza com uma bela loira femme fatale, como igualmente não poderia deixar de ser, a dúbia Eve Kendall, papel da vencedora do Oscar Eva Marie Saint.

Este é o melhor filme do cineasta a abordar tais temas e o que os resume de forma mais eficiente.

O longa é inclusive dono de algumas das cenas mais memoráveis e grandiosas do cinema, como a perseguição do avião no milharal e o clímax no Mount Rushmore, aquele horrendo monumento americano que tem vários rostos de presidentes americanos talhados em pedra na montanha.

Intriga Internacional é o filme de número 99 de todos os tempos na preferência do grande público e recebeu 3 indicações ao Oscar: melhor roteiro original, direção de arte e edição.


01| Janela Indiscreta (1954)

Talvez o segundo filme mais famoso da filmografia de Alfred Hitchcock, atrás somente de Psicose (1960), Janela Indiscreta é o Top 1 da nossa lista.

Como dissemos no início, a apuração foi baseada no gosto do grande público somado a avaliação dos críticos.

Tenha em mente também que a cada geração estas avaliações mudam e certos filmes sobem, enquanto outros descem no gosto geral.

Tudo varia de acordo com o período pelo qual nossa sociedade passa nestes momentos.

Atualmente, o paladar geral optou por eleger este suspense, que traz novamente James Stewart como protagonista.

Curiosamente, este é o filme que mais tem a ver com o momento pelo qual estamos passando com a crise do coronavírus.

Assim como a população mundial, o protagonista L.B. Jeffries (Stewart) passa por uma reclusão social imposta, não devido a um vírus, mas sim a uma perna quebrada num acidente de trabalho – ele é fotógrafo.

Naquela época, no entanto, não existia Instagram, Smartphones ou sequer Internet, muito menos Netflix, canais de streaming ou TV a cabo.

Já imaginou ser obrigado a ficar em casa assim?

Tudo o que resta para este sujeito de espírito aventureiro, que adora sua liberdade, é espionar os vizinhos, já que a janela traseira (daí o título original) de seu apartamento dá de frente para um condomínio, no qual começa a viver o dia a dia de cada morador.

Ah sim, as constantes visitas de sua namorada da alta sociedade também ajudam, ainda mais quando ela é Grace Kelly – musa definitiva do diretor e aqui no auge da beleza.

Tudo ia bem e monótono, até que o sujeito começa a suspeitar que um dos vizinhos possivelmente tenha assassinado a própria esposa.

E daí começa um eletrizante jogo de mistério num dos grandes filmes de suspense da história do cinema.

Janela Indiscreta é o filme de número 52 no IMdB, e foi indicado para 4 Oscar: diretor, roteiro, fotografia e som.

CONFIRA OS CARTAZES ORIGINAIS DO TOP 10:









Reprodução: IMdB

Muitos desses filmes acima podem ser vistos, de graça, no YouTube.

Já Psicose retorna ao catálogo da Netflix no próximo dia 22 de maio.


terça-feira, 18 de junho de 2019

R.I.P.: FRANCO ZEFIRELLI, UM DOS MAIS VERSÁTEIS CINEASTAS ITALIANOS

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Ele tinha 96 anos e morreu neste sábado (15) em casa, na Itália
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O filho de Zeffirelli, Luciano, confirmou que seu pai morreu em casa por volta das 12h deste sábado na Itália:

"Ele sofreu durante um tempo, mas se foi de uma forma pacífica", afirmou Luciano.

Zeffirelli ficou famoso por dirigir filmes como "La Traviata" e "Romeu e Julieta", pelos quais foi indicado ao Oscar, mas também por produções de óperas e obras para a televisão.

Relembre cena de "Romeu e Julieta":


O cineasta encantou as plateias pelo mundo com sua visão romântica e produções muitas vezes extravagantes.

O cineasta italiano Franco Zeffirelli em foto de 2009, em Roma — Foto: Alessandra Tarantino/AP
Franco Zeffirelli em foto de 2009, em Roma — Alessandra Tarantino/AP

Em uma entrevista em 2013, quando completou 90 anos, ele afirmou que o público em geral se lembraria dele principalmente por sua produção de "Romeu e Julieta", que ganhou as telas em 1968, além da minissérie para a televisão "Jesus de Nazaré", de 1977, e o filme "Irmão Sol, Irmã Lua", de 1972, um belíssimo tributo a São Francisco de Assis e Santa Clara - e para mim, o seu melhor filme.

Relembre cena de "Irmão Sol, Irmã Lua":


Nascido em 12 de fevereiro de 1923 em Florença, Zeffirelli foi fruto de um caso extraconjugal entre sua mãe, costureira de sucesso casada com um advogado, e um cliente vendedor de tecidos.

A mãe do cineasta, como não poderia dar ao filho o sobrenome do marido ou do amante, escolheu um nome que ouviu em uma ópera de Mozart, que falava dos "zeffiretti gentili" (ventos suaves).

Um erro de transcrição no cartório o transformou em Zeffirelli.

Franco Zeffirelli, cineasta italiano, em foto de 1974 — Foto: Jerry Mosey/AP
Franco Zeffirelli, em foto de 1974 — Jerry Mosey/AP

Um dos poucos artistas que apoiaram politicamente o polêmico Silvio Berlusconi, Zeffirelli foi senador do partido fundado pelo magnata das comunicações, Forza Italia, de 1996 a 2001.

Em suas memórias, o cineasta assumiu sua homossexualidade e disse que foi apaixonado pelo grande cineasta e intelectual Luchino Visconti, com quem colaborou durante muitos anos.

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Visconti ao lado de Zefirelli - AP
"Sou homossexual, mas não gay, uma palavra que odeio, que é ofensiva e obscena", escreveu.

"Com Visconti vivi um amor atormentado, esgarçado, mas nunca apagado. Para mim, Luchino era o modelo de tudo o importante", acrescentou Zeffirelli, que lembrou ainda seu amor pela cantora lírica Maria Callas, "a única mulher por quem me apaixonei".

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Com a Diva da Ópera, Maria Callas - ANSA
Em janeiro de 2018, Zeffirelli foi acusado pelo ator Johnathon Schaech de ter abusado sexualmente dele durante as filmagens do filme "Sparrow", em 1992.

Schaech, que era um ator novato na época, afirmou que o diretor entrou em seu quarto de hotel enquanto ele dormia, deitou ao lado ele e o tocou sem sua permissão, além de ter sido verbalmente abusivo e agressivo.

Na ocasião, a família do cineasta, que já estava com a saúde debilitada, negou a acusação em um comunicado e afirmou que o ator teria raiva do diretor, que, após as filmagens, dublou as falas de Schaech devido a um problema de dicção dele.

"As afirmações não são verídicas. Diretores têm estilos diferentes e quando eles estão lidando com atores que não têm experiência, às vezes, eles são mais exigentes e pressionam mais", disse o comunicado.

"Me surpreende que o Sr. Schaech tenha esperado tanto tempo e escolhido esse momento exato para fazer suas acusações, agora que o maestro, por causa de sua condição de saúde, não pode se defender", afirmou Pippo Corsi Zeffirelli, filho do cineasta.

A acusação não deu em nada.

Mais um gênio que se vai.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

CARLOS REICHENBACH, O POETA INSUBSTITUÍVEL DA IMAGEM



DEPOIMENTO

Acabo de chegar do MIS, onde rendi minhas homenagens no velório de um dos mestres que mais admiro, seja pela sua obra, seja pela pessoa antenada, culta, acessível e amiga que ele foi.

Morto na tarde de ontem, dia em que completava 67 anos, Carlos Reichenbach era tudo isso e muito, muito mais, como bem lembrou o crítico André Barcinski na "Folha" de hoje.

Carlão não fez só filmes, mas escreveu sobre eles, exibiu-os, discutiu-os, atuou neles, deu aulas magistrais sobre Cinema e fez dele sua vida e sua missão.

Nunca recusava um convite para falar de cinema ou para expor sua opinião - sempre franca e direta - e parecia gostar dos marginais, dos inconformados.

Sempre fez e defendeu um cinema autoral, preferia um fracasso arriscado à mediocridade inofensiva pois, para ele, cinema sem risco era cinema menor.

Carlão foi uma figura fundamental do cinema marginal brasileiro e da Boca do Lixo - pólo cinematográfico paulistano onde ele, apesar de expoente, defendida não só suas obras, mas também de outros cineastas brasileiros, torcia e mandava uma ótima energia a cada trabalho que era completado e exibido.

Maior defensor da máxima de que "cinema bom deve ser para todos", consagrou-se como um dos maiores autores da nossa cinematografia, onde misturava erudição com uma busca constante pela comunicação com o público.

Seus cursos e aulas - e eu participei de muitos - eram simples, didáticos e facilmente inteligíveis: em vez de despejar uma catarata de informações na orelha dos que o ouviam, Carlão pegava seu espectador pelo simples fato de faze-lo pensar, criticar e assimilar.

Cineasta mais cinéfilo que o Brasil já teve, sua cultura cinematográfica deixava todos de boca aberta: seja qual fosse o tema - cinema brasileiro, italiano, americano, japonês - ele versava elegante e profundamente.

Barsinski lembrou bem um momento muito marcante - a que eu também estava presente: Roger Corman, o cultuado diretor cult americano e rei dos filmes de terror de baixo orçamento, veio a São Paulo para uma retrospectiva dedicada ao seu trabalho, e se surpreendeu quando Reichenbach mostrou todo o conhecimento que tinha sobre sua obra, principalmente quando citou o drama racial "The Intruder" (1962), protagonizado por um jovem cartismático e belo William Shatner - antes de o ator tornar-se lenda como o Capitão Kirk da cult série "Star Trek".

Conhecido por ter produzido mais de 300 filmes, Corman disse que esse "foi meu único filme que deu prejuízo" - para Carlão devolver: "Mas é uma obra-prima. Meu filme predileto entre todos que você já dirigiu".

Naquele dia, não foi só Corman que ficou comovido.

Os idiotas de plantão sempre fazem questão de dizer que ninguém é insubstituível, mas Reichenbach era: a empolgação com que falava de cinema, sua energia com que discutia filmes e defendia seu ponto de vista, isso todos nós amantes da sétima arte perdemos para sempre.

Seus filmes vão ficar, claro, como testemunho de seu gênio e talento, mas a morte de Carlão é absolutamente irreparável.
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BIOGRAFIA

Gaúcho de Porto Alegre, Carlos Reichenbach mudou-se aos quatro meses de idade para São Paulo - terra de seu pai, também chamado Carlos.

Incentivador do cinema nacional e um cinéfilo antes de tudo, ele participou dos movimentos da Boca do Lixo e do cinema marginal.

Misturando sensualidade e nudez a gêneros pouco usuais no Brasil, como o suspense, Carlão, como era conhecido, teve seu maior sucesso comercial com "A Ilha dos Prazeres Proibidos" (1978) - o thriller sobre uma assassina (Neide Ribeiro) foi realizado em três semanas e atraiu mais de 4 milhões de espectadores no Brasil e outros países da América do Sul.

Reichenbach sempre quis fazer filmes comerciais, apesar de "Falsa Loura", seu último longa, de 2007, ter passado despercebido - o desempenho da obra decepcionou o diretor, que considerava o filme protagonizado por Rosane Mulholland o seu mais popular desde os anos 1980.

Ex-professor de cinema da Escola de Comunicações e Artes da USP, Reichenbach era sócio da produtora Dezenove Som e Imagens e um de seus principais prazeres era apresentar a Sessão do Comodoro no CineSesc, exibindo filmes raros e inéditos no circuito, a maioria de horror.

A última glória pública foi no Festival de Roterdã  - Holanda - em fevereiro deste ano, onde ele foi homenageado com a exibição de uma cópia restaurada de "Lilian M. - Relatório Confidencial" (1975) - sobre uma mulher que abandona a família no interior para tentar a vida em São Paulo - o evento já fizera uma mostra especial com diversos de seus filmes na década de 80.

Em 2010, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo também havia rendido homenagem ao cineasta, que ganhou vários prêmios, como o Kikito de direção em Gramado por "Filme Demência" - 1986, e o Candango de melhor filme no Festival de Brasília por "Alma Corsária" - 1993.

Carlos Reichenbach morreu em São Paulo na tarde de ontem, dia em que completava 67 anos - teria sofrido um infarto.

Ele descansava em casa quando passou mal e chegou morto à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na Vila Buarque, Centro.

Casado com Lygia Reichenbach, deixa três filhos e uma neta.

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FILMOGRAFIA

1968: "Esta Rua tão Augusta" (curta documentário)
1968: "As Libertinas" (segmento "Alice")
1969: "Audácia" (segmentos "Prólogo" e "A Badaladíssima dos Trópicos x Os Picaretas do Sexo")
1971: "Corrida em Busca do Amor"
1975: "Lilian M.: Relatório Confidencial"
1978: "Sede de Amar"
1978: "A Ilha dos Prazeres Proibidos"
1980: "O Império do Desejo"
1981: "O Paraíso Proibido"
1980: "Amor, Palavra Prostituta"
1982: "As Safadas" (segmento "Rainha do Fliperama")
1983: "Extremos do Prazer"
1985: "Filme Demência"
1986: "Anjos do Arrabalde"
1990: "City Life" (documentário) (segmento "Desordem em Progresso")
1993: "Alma Corsária"
1994: "Olhar e Sensação" (curta)
1999: "Dois Córregos - Verdades Submersas no Tempo"
1999: "Bens Confiscados"
2002: "Equilíbrio e Graça" (curta)
2004: "Garotas do ABC"
2007: "Falsa Loura"
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OS FILMES PREDILETOS

Em 2007, a convite da Folha, Carlos Reichenbach fez uma lista de cinco filmes que mudaram a sua vida.

Confira suas escolhas, acompanhadas de um pequeno comentário:

"O Desprezo" (Jean-Luc Godard, 1963)
"O mais deflagrador dos filmes que vi na vida e a mais contundente reflexão sobre o cinema como meio de expressão".

"Dois Destinos" (Valerio Zurlini, 1962)
"Um dos filmes mais melancólicos e amargos da história. Cinema que aspira a pintura e a música. "Bem-aventurados os pobres de espírito que passaram pela vida sem nunca experimentar a renúncia ou a transgressão."; a epígrafe final de "Dois Destinos" mudou algumas vidas, incluindo a minha".

"Vidas Secas" (Nelson Pereira dos Santos, 1963)
"O melhor filme brasileiro de todos os tempos. Paulo Emílio Salles Gomes, quando lecionava na Escola Superior de Cinema São Luiz, nos obrigou a assisti-lo mais de seis vezes. Durante duas aulas seguidas nos falou de Seu Tomás da bolandeira, o personagem essencial do romance de Graciliano Ramos, que Nelson eliminou imageticamente em sua adaptação para o cinema. Foi então que aprendi que fidelidade ao texto literário não pressupõe subserviência".

"Cão Branco" (Samuel Fuller, 1982)
"O filme que eu gostaria de ter assinado. Todos os recursos da técnica e da gramática cinematográficas _do travelling circular revelador e espacial à câmera lenta e ao "chassis reversível" de alto impacto_ a serviço da emoção genuína. Por trás da história de um adestrador de cães negro que tenta reverter a fúria racista de um cão branco, um libelo crucial contra a intolerância. Tão pungente e radical que os distribuidores americanos tiveram medo de lançá-lo nos cinemas".

"Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador-Geral da República" (Damiano Damiani, 1971)
"Uma porrada no estômago (e na consciência), como há muito tempo o cinema não ousa mais experimentar. A inclusão na lista, além de reafirmar a importância de um grande realizador pouco valorizado, serve para lembrar ao Leon Cakoff da necessidade urgente de uma retrospectiva Damiani na Mostra de São Paulo, com a presença do próprio (foto)".


segunda-feira, 2 de abril de 2012

'PARA ENTENDER CINEMA': LIVRO EXPLICA O QUE É CINEMA DE AUTOR, NOUVELLE VAGUE E OUTROS MOVIMENTOS DA SÉTIMA ARTE


Clássico de nouvelle vague; representante do cinema independente; exemplo de cinema de autor; escapismo, distopismo, surrealismo, cult, western e musical - estas são algumas das muitas formas utilizadas para se referir a filmes. 

 Críticos e especialistas em cinema usam constantemente estas expressões para classificar, comparar e, algumas vezes, menosprezar alguma produção cinematográfica. 

 Muitas vezes é quase como uma outra língua para quem não conhece a sétima arte. 

 O volume "Para Entender Cinema", da coleção "...ismos", ajuda a entender e traduzir o que é dito por estas pessoas e textos. 

Com exemplos de filmes e contextualização da origem do termo e do movimento, ajuda a entender melhor as diferentes formas de se fazer cinema. 

 Confira abaixo um resumo do capítulo que explica o que é "Cinema de Autor":

 Introdução: Os jovens críticos da revista francesa Cahiers du Cinema usaram a palavra auteur (autor) para distinguir cineastas cuja obra tem a força de uma afirmação pessoal em termos de estilo e tema, mesmo no caso de diretores subordinados aos grandes estúdios. 

Palavras-chave: corte do diretor; estilo e tema identificáveis; individualidade. 

 Descrição: Nas duas primeiras décadas do cinema, o público ignorava a figura do diretor - o poder de atração de um filme estava na força de seus astros e de sua história. 

Apenas alguns poucos cineastas ficaram conhecidos, porque controversos (como D.W. Griffth), hábeis na autopromoção (como Orson Welles) ou fortemente associados a um gênero (como Cecil B. DeMille ao épico e Alfred Hitchcock ao suspense). 

No início dos anos 1950, porém, os críticos da revista Cahiers du Cinema identificaram os melhores cineastas como donos de uma marca singular e espontânea, artistas que usavam a câmera como meio de expressão pessoal. 

Para esse críticos, o diretor deveria ser analisado em termos de coerência estilística e temática - uma formulação que lançou luz sobre vários cineastas, inclusive alguns que, por trabalharem no sistema de estúdios de Hollywood, nunca haviam sido vistos como verdadeiros artistas. 

Entre os ídolos desses críticos estavam Howard Hawks, Raoul Walsh e Nicholas Ray, que atuavam exclusivamente no âmbito dos grandes estúdios, e também os diretores franceses Jean Renoir e Robert Bresson. 

 A semente do Cinema de Autor foi plantada em 1948 por Alexandre Astruc, em artigo publicado no semanário L'Écran Français intitulado "O nascimento de uma nova vanguarda: a câmera". 

Astruc inventou o termo câmera stylo (câmera caneta) para especular sobre a ideia de o cinema tornar-se "um meio de se escrever tão maleável e sutil quanto a linguagem escrita", próprio, portanto, para a expressão de uma visão pessoal. 

No exemplar de janeiro de 1954 da Cahiers du Cinema, no ensaio "Uma certa tendência do cinema francês", François Truffaut cunhou o termo "La politique des auteurs", posteriormente traduzido como "the auteur theory" - a teoria do autor. 

Truffaut argumentava que, apesar de ser um trabalho coletivo, um filme sempre tem a assinatura do diretor, mesmo no caso daqueles mais servis aos estúdios de Hollywood. 

Em 1957, Truffaut escreveu: "O filme do amanhã parece-me ainda mais pessoal do que um romance individualista ou autobiográfico... O filme do amanhã não será dirigido por 'funcionários públicos' da câmera, mas por artistas... Será semelhante à pessoa que o fizer". 

No final dos anos 1950, os críticos da Cahiers du Cinema tornarem-se eles próprios autores. A teoria lodo foi assimilada por críticos de todo o mundo, e os diretores receberam seus créditos como principais criadores de seus filmes. 

A ampliação dos estudos sobre a arte do cinema e a difusão da informação para o grande público permitem que muitos cinéfilos, hoje, reconheçam de imediato o estilo único dos grandes diretores do passado: ninguém, a não ser Federico Fellini, poderia ter dirigido A doce vida (1960), assim como O sétimo selo (1957) jamais teria sido criado por outro cineasta que não Ingmar Bergman". 

 Sem pretensão de ser um ranking do tipo "cem melhores filmes", o livro busca abarcar, com seus 51 ismos, a diversidade da produção cinematográfica internacional. 

Nomes alinhados com o chamado "cinema de autor", como Federico Fellini, Akira Kurosawa e Glauber Rocha, convivem aqui com produtos típicos do mainstream de Hollywood, com a politização do cinema soviético, com o experimentalismo das vanguardas europeias do início do século XX, com a vitalidade dos filmes asiáticos do século XXI.

Boa Leitura!

Coleção: ...ismos 
Título: "...ismos – Para Entender o Cinema"
Autor: 
 Ronald Bergan 
Editora: 
Globo 
Edição: 
 1 
Ano: 
 2011 
Idioma: 
 Português 
Especificações: 
 Brochura | 160 páginas 
Quanto: 
 R$ 39,90 
Onde comprar: 
 0800-140090 ou
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