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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

LIVRO COM IMAGENS DOS BASTIDORES DE "OS DESAJUSTADOS" (1961) - COM MARILYN MONROE, MONTGOMERY CLIFT E CLARK GABLE - É QUASE TÃO BOM QUANTO O FILME

Três grandes estrelas de Hollywood - Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift -, um diretor não menos famoso, John Huston, e a agência de fotografia Magnum.

Todos eles estavam reunidos na filmagem de "Os Desajustados/The Misfits" (1961), e esse resultado pode ser visto agora em um livro com 200 belíssimas imagens.

Henri Cartier-Bresson, Eve Arnold, Bruce Davidson, Elliott Erwitt, Ernst Haas, Cornell Capa, Inge Morath, Erich Hartmann e Dennis Stock foram os responsáveis pela cobertura fotográfica de uma filmagem cheia de problemas, tanto dos cenários escolhidos por Huston quanto das circunstâncias pessoais de seus intérpretes.

Arquivos do Klau
Montgomery Clift - de camisa clara - Marilyn Monroe e Clark Gable, no set de "Os Desajustados"

A situação difícil fica clara nas imagens reunidas de "The Misfits. Story of a Shoot", que pode ser comprado no site da Amazon.

O livro resume em 200 imagens o esgotamento de Marilyn Monroe, a crise com o então marido Arthur Miller - roteirista do filme -, a fragilidade física de Clark Gable e a inevitável decadência de Monty Clift.

Fotografias em preto e branco capazes de expressar o abalo de atores que transferiram para seus personagens todo o peso existencial que os afligia na época da rodagem, acompanhadas de textos do diretor da Filmoteca Francesa e ex-diretor da revista
 "Cahiers du Cinema", Serge Toubiana, recheiam a obra.

Também está no livro uma entrevista com Arthur Miller, que conta como decidiu escrever o roteiro depois que sua mulher sofreu um aborto em 1957 - que a impediria de ficar grávida novamente - e para que pudesse mostrar aos chefes dos grandes estúdios seu talento para os personagens mais dramáticos.

Arquivos do Klau - Bruce Davidson
Marilyn, nos bastidores de "Os Desajustados" ao lado do marido, Arthur Miller, também estão no livro

Embora o papel de Roslyn, a jovem divorciada que se transforma em objeto de desejo de todos os personagens masculinos da história, demonstrou o talento de Marilyn, as filmagens serviram para evidenciar a enorme distância que o casal vivia na época - uma foto de Bruce Davidson  - acima - mostra a atriz sentada, enquanto retocam seu penteado, e ao seu lado um Arthur Miller com olhar vazio, ausente, totalmente alienado do que ocorre ao seu redor.

Imagens que demonstram a separação do casamento, e outras que escancaram a fragilidade da atriz, como a que mostra uma Marilyn exausta, dormindo em uma cama improvisada, ao sol, no meio da filmagem, e a que a exibe, concentrada e sozinha, no deserto, preparando-se para o papel.

A Diva é, sem dúvida, a protagonista do livro - assim como foi no filme, onde viveu um espírito rebelde, como lembrou a fotógrafa Inge Morath:
"Era claramente visível que Marilyn estava causando problemas. Sempre chegava tarde, o que não era divertido para os demais, e o filme estava atrasando muito. Mas quando chegava, todos ficavam encantados de vê-la!".

"Tomava remédios para dormir e para despertar de manhã... Parecia estar desnorteada na metade do tempo. Mas quando era ela mesma, podia ser maravilhosamente competente. Não estava atuando, não simulava as emoções, era algo real" - relata John Huston em sua biografia.

Apenas 19 meses depois, Marilyn morreu em circunstâncias não esclarecidas até hoje.
Não teve tempo para finalizar o filme seguinte - tinha filmado poucas cenas - e é por isso que "Os Desajustados" entrou para sua filmografia como sua última obra completa.

Foi também o último filme da vasta filmografia de Clark Gable - que sofreu um infarto e morreu dez dias após o fim das filmagens, em 16 de novembro de 1961.

A rodagem foi fisicamente muito dura para o veterano ator e uma das maiores lendas de Hollywood, como mostram algumas das fotos do livro.

Embora teve momentos tranquilos com Marilyn, seu cansaço vital se refletia em fotos como a tirada por Eve Arnold, com um primeiro plano de um Gable exausto com seu cavalo ao fundo.

Montgomery Clift também não ficou livre dos problemas: o terceiro protagonista do filme teve sua participação a perigo já que a companhia de seguros não queria incluí-lo na filmagem.

No entanto, Huston conseguiu que fosse aceito e, mesmo tendo problemas com bebidas e drogas, sua parte se desenvolveu em uma "anormal normalidade"- o diretor relatou em sua biografia.

Apesar de ser aparentemente o mais frágil, Clift sobreviveu mais que seus dois companheiros, embora não por muito tempo, já que morreu em julho de 1966 - cinco anos depois.

Uma filmagem árdua, que foi realizada no deserto de Nevada, sob condições bastante incomuns para três estrelas que marcaram uma época e que respondiam com bastante exatidão ao título do longa, porque poucas vezes o título de um filme refletiu também não só a história narrada, mas inclusive os atores que a interpretaram.

"The Misfits" - o título original - é, literalmente, "Os Desajustados".

Reprodução
"The Misfits. Story of a Shoot"
Imagens por: Henri Cartier-Bresson, Eve Arnold, Bruce Davidson, Elliott Erwitt, Ernst Haas, Cornell Capa, Inge Morath, Erich Hartmann e Dennis Stock
Idioma: inglês
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2000
Número de páginas: 192
Quanto: US$ 39,99
Onde Comprar: Amazon
Cotação do Klau:

*****

Na Livraria da Folha,  duas caixas com o melhor da filmografia de Marilyn Monroe serão lançadas em 23 de fevereiro, mas já estão em pré venda.

Em  "Marilyn Monroe - Coleção Diamante - Volume 1", os filmes selecionados são:
"Nuca Fui Santa/Bus Stop" (1956)
 "Torrentes De Paixão/Niagara" (1953)
"Os Homens Preferem As Loiras/Gentlemen Prefer Blondes" (1953)
"Quanto Mais Quente Melhor"Some Like it Hot" (1959)
"O Rio Das Almas Perdidas/River of No Return" (1954)
"Almas Desesperadas/Don't Broker to Knork" (1952), além do documentário


Já em   "Marilyn Monroe - Coleção Diamante - Volume 1", os filmes selecionados -  e que acompanham "Os Desajustados/The Misfits" (1961) na caixa - são:
"Como Agarrar Um Milionário/How to Marry a Millionaire" (1953)
"O Mundo Da Fantasia/There's no Business, Like Show Business (1954)
"O Pecado Mora Ao Lado/The Seven Year Itch" (1955)
"O Inventor Da Mocidade/Monkey Business" (1952)
"Adorável Pecadora/Let's Make Love" (1960)

Cada box está em pré venda no site da Livraria da Folha por R$ 89,80 cada.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"UM LUGAR AO SOL": DVD DO CLÁSSICO É MUITO BOM!

Desde a sua pré produção, ''Um Lugar ao Sol'' foi feito para se tornar um clássico. E se tornou.

A Paramount chegou a atrasar seu lançamento nos cinemas à época, para que tivesse mais chances de ganhar o Oscar de melhor filme.

Divulgação: Paramount Pictures
Capa do DVD

Se não levou a estatueta de "best Movie" - perdeu para o musical ''Sinfonia em Paris'' - ganhou outras seis, entre eles o de melhor diretor para George Stevens e o de melhor roteiro.

Estrelado por Elizabeth Taylor - em seu primeiro papel adulto - e Montgomery Clift - que um crítico sério, Andrew Sarris, chamou de ''o mais belo casal da história do cinema'' - o filme marcou época por ter um dos beijos mais famosos do cinema, visto num plano muito próximo em que as bocas não são mostradas.
Até hoje é uma cena e tanto.

Essa produção é uma refilmagem - a primeira versão é de 1931 - e também foi baseada no romance ''Uma Tragédia Americana'', de Theodore Dreiser - inspirado num crime ocorrido nos primeiros anos do século 20.

Como a primeira versão tinha ido muito mal nas bilheterias, a Paramount não queria bancar a produção.
O diretor Stevens, que era contratado do estúdio, processou os patrões para conseguir realizá-la.

Assim como o livro - que pretendia ser um retrato naturalista do lado escuro da mobilidade social norte-american - , o filme também tinha grandes ambições, apesar de uma história muito simples.

O personagem central, George Eastman (Clift), jovem interiorano sem muito estudo, procura emprego na fábrica do tio milionário e se destaca pela vitalidade, vislumbrando um futuro próspero.
Em pouco tempo, ele se vê ao mesmo tempo namorando uma colega operária, Al (Shelley Winters), e uma jovem da alta sociedade, Angela (Taylor).
O namoro com Al é secreto, até porque fere as normas da fábrica, mas uma gravidez põe George contra a parede.
Ele então decide cometer um crime para que as coisas fiquem como quer.

Montgomery Clift foi um soberbo ator.
Um dos homens mais bonitos das telonas em todos os tempos, pessoalmente era louco de pedra e lutava o tempo todo contra sua homossexualidade.
Após um acidente de automóvel, teve seu belo rosto destruído e, a partir daí, sua vida e carreira desceram ladeira abaixo.
Morreu em 23 de julho de 1966, por complicações de saúde devido à sua dependência de álcool e drogas, em seu apartamento em Nova York. Tinha 45 anos de idade.

Shelley Winters foi uma das melhores atrizes da era dourada de Hollywood.
Participou de muitos filmaços, era dona de uma presença magnética na telona, e na telinha, fez uma das melhores vilãs do icônico seriado "Batman" (1966-1968), interpretando a "Mãe Parker".
Em "O Diário de Anne Frank - The Diary of Anne Frank" (1959), novamente dirigida por George Stevens, recebeu o Oscar de "Melhor Atriz Coadjuvante".
O segundo Oscar veio com "Quando só o coração vê - A Patch of Blue" (1965), dirigido por Guy Green.
Foi casada com o grande ator italiano Vitório Gassman. Morreu aos 85 anos, em 14 de janeiro de 2006,em sua casa em Beverly Hills, Califórnia.

Elizabeth Taylor é, atualmente, uma das últimas Divas hollywoodinas ainda vivas - As outras são Lauren Bacall e Vivien Leigh.
Nesse filme, ela, que começou a filmar criança coadjuvando a cadela "Lassie", dá um show de interpretação, e , para mim, é a melhor coisa do filme.
Ganhadora de dois oscars - por Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1967) e
Disque Butterfield 8 (1961), ela sempre foi considerada a melhor amiga que um gay pode ter na terra do cinema - foi amiga e confidente de Clift, Rock Hudson, Tyrone Power, James Dean Michael jackson e Cesar Romero, entre outros.
Aos 78 anos, acaba de anunciar o seu sétimo casamento!

Tudo é filmado com grande ênfase, embora sem muita coerência.
Só nos extras do DVD, é que vemos que Stevens rodava cada cena em numerosos ângulos diferentes.

O ambiente dos ricos é de uma superficialidade tão divertida quanto previsível.
As duas mulheres são retratadas em extremos: Elizabeth Taylor é etérea, elegante, parcimoniosa; Shelley Winters é carnal, irritante e disponível.
E o julgamento no final não tem interesse, já começa com o resultado pronto.

O filme envelheceu, tanto quanto o romance de Dreiser.
Mas vê-lo, ou revê-lo, ainda é uma beleza - fotografia e figurinos também ganharam o Oscar.

O DVD traz, além do trailer original, um curto documentário - muito bom! - sobre o diretor, além de oito depoimentos de outros cineastas - como Frank Capra, Joseph L. Mankiewicz e Fred Zinneman - que trabalharam com ele.

O Gênio Capra é quem dá o melhor depoimento: ''Odiei vê-lo abandonar as comédias pelas outras coisas que ele faz mais tarde, as coisas mais sérias. Eram boas, mas eram sérias.''

Entre as grandes comédias que Stevens dirigiu na primeira metade da carreira estão ''A Mulher que Soube Amar'' - ''Alice Adams'', 1935 - , ''A Mulher do Dia'' - ''Woman of the Year'', 1942 - , ''E a Vida Continua'' - ''The Talk of the Town'', 1942 - e ''Original Pecado'' - ''The More the Merrier'', 1943.
Todas muito boas.

UM LUGAR AO SOL - "A PLACE IN THE SUN"
EUA, 1951
Cor: 120 min
Estúdio: Paramount Pictures
Elenco Principal: Elizabeth Taylor, Montgomery Clift e Shelley Winters
Classificação do Klau: