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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

'O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA': CRÍTICA DA 3ª TEMPORADA

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Novo ano expande a mitologia e mantém a qualidade da série
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SINOPSE & INFORMAÇÕES:

Chilling Adventures of Sabrina (O Mundo Sombrio de Sabrina) é uma série de televisão americana de terror sobrenatural desenvolvida por Roberto Aguirre-Sacasa para a Netflix, baseada na série de histórias em quadrinhos de mesmo nome.

Prestes a completar dezesseis anos, a jovem Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) é obrigada a tomar uma decisão crucial que mudará sua vida para sempre.

Ela deve escolher entre o mundo das bruxas e o mundo dos mortais, enquanto luta para proteger a família e os amigos de forças sombrias que os ameaçam.

CRÍTICA

Melissa Joan Hart tornou-se um fenômeno teen nos anos 1990 ao dar vida a uma das primeiras versões de Sabrina Spellman na indústria audiovisual.

Depois de ter conquistado o público ao longo de sete ano, Sabrina alcançou o patamar de um dos grandes símbolos da cultura pop contemporânea – não demorando muito até que a personagem ganhasse uma nova roupagem para a Netflix.

E, dessa forma, Roberto Aguirre-Sacasa (criador da fan-favorite ‘Riverdale’) dava vida a ‘O Mundo Sombrio de Sabrina’, adaptação dos quadrinhos homônimos da Archie Comics com uma pegada bem mais dark, mais sensual e mais envolvente que a comédia estrelada por Joan Hart.

É claro que, a princípio, grande parte dos fãs viu-se frente a frente com mais um reboot sem sentido e vazio no tocante – ainda mais levando em conta que o gatinho preto conhecido com Salem, charme maior da série cult, não teria uma fala sequer nos novos episódios.

Felizmente, o charme encantador de seu elenco e um visual incrível nos livraram de quaisquer dúvidas e nos levaram em uma mística aventura pela Terra e pelo Inferno, seguindo as aventuras de uma personagem titular agora vivida pela talentosa Kiernan Shipka.

Agora, entrando no terceiro aguardado ciclo da produção, Sabrina mostra que ainda há muito a ser mostrado – e que algumas reviravoltas nunca são datadas o bastante para nos surpreender e nos engolfar em uma mixórdia de sentimentos sem igual.

Depois de ter conseguido prender seu pai, Lúcifer Estrela da Manhã (Luke Cook), em um receptáculo de carne conhecido como Aqueronte – no caso, canalizado para o corpo do sedutor Nick (Gavin Leatherwood), Sabrina resolve seguir seus instintos altruístas e viajar até o Inferno para resgatar seu namorado e livrá-lo tanto do pai quanto das garras da perigosa Lilith (Michelle Gomez), que se apropriou do trono do submundo e agora é responsável por manter o equilíbrio entre os três reinos.

Como sempre, a jornada é mais difícil do que aparenta e obrigará os protagonistas a enfrentarem seus piores medos – e é aqui que vemos um dos principais deslizes dessa temporada: a falta de exploração.

Diferente dos esforços anteriores, Aguirre-Sacasa e sua extensa equipe criativa parecem querer resolver as coisas em um frenético ritmo de causa e consequência, talvez para que consigam investir suas forças nas outras subtramas que, sem sombra de dúvida, têm peso dramático muito maior.

Entretanto, os equívocos técnicos e artísticos ganham forma no momento em que a obra tenta alcançar uma espécie de releitura macabra de ‘A Divina Comédia – Inferno’, de Dante Alighieri, é a resume em uma sucessão de eventos previsíveis do começo ao fim.

Felizmente, as performances do elenco principal e do coadjuvante (aqui com mais força do que nunca) auxiliam a lustrar os obstáculos em questão e pavimentar uma estrada mais sólida em direção a um belíssimo season finale.

Como já era de se esperar, Sabrina resgata Nick e dá início a um novo capítulo – o mais assustador de sua breve vida como bruxa: em meio a tantas mudanças, ela se exalta e acaba assumindo controle do submundo, impedindo que tudo desmorone.

Porém, não demora muito até que Caliban (Sam Corlett), um golem humanizado, a desafie pela coroa e prometa para seus conterrâneos demoníacos que, caso vença o desafio, transformará o mundo dos mortais no décimo círculo do Inferno – cumprindo a promessa há muito feita pelo desertado Lúcifer.

Apesar das múltiplas linhas narrativas que ganham profunda arquitetura, é inegável mencionar como elas convergem para uma organicidade invejável, que em momento algum beira a saturação.

Afinal, em meio a apenas oito episódios, era de se esperar que o roteiro se apressasse em diversos momentos para que as pontas soltas fossem amarradas – o que nos leva a entender o frenesi imagético dos capítulos iniciais.

Além disso, enquanto Sabrina parte em uma missão para salvar mais uma vez o mundo do apocalipse, Zelda (Miranda Otto) assume a supervisão da Igreja da Noite e da Academia de jovens bruxos, até perceber que sua traição para o Lorde das Trevas trouxe corolários assustadores; Prudence (Tati Gabrielle) e Ambrose (Chance Perdomo) continuam em sua jornada para encontrar o Padre Blackwood (Richard Coyle) e matá-lo de uma vez por todas; e uma força antiga ameaça a continuidade da pequena Greendale (e a perpetuidade da vida humana).

Enquanto os gritantes deslizes de certa forma se tornam compreensíveis à medida que a série se eleva a caminhos nunca antes sondados, o showrunner também pontua com cautela sua necessidade e seu apreço por uma crível expansão mitológica.

Se pararmos para pensar, a primeira temporada serviu como apresentação do religião satânica seguida pelos bruxos e bruxas locais; agora, mergulhamos em um conflito bélico de crenças sobrenaturais que data de séculos e que nos leva de volta ao passado, expandindo-se durante séculos e mais séculos até o momento em que os humanos acreditavam piamente na força dos Antigos.

Não é surpresa que a iteração estabeleça relações com divindades clássicas das mitologias grega, romana e celta, trazendo para as telinhas versões modernizadas de Circe, Medusa, Pan – e até mesmo Judas e Pôncio Pilatos.

Mais do que isso, é notável como a concepção antológica regente dos capítulos de outrora dá lugar para uma convecção transbordante de referências, fazendo questão de não meramente reapresentar rostos familiares e apresentar novas figuras, mas sim colocá-los em arcos reduzidos que culminem em uma explicação palpável o bastante para assegurar a envolvência dos telespectadores, mas fantasiosa o suficiente para que sejamos arrastados para um universo mítico e aterrorizante.

A terceira temporada volta a se afastar de possíveis maniqueísmos, preferindo explorar desejos, fraquezas e medos, ao passo que não entrega de bandeja um fabulesco “final feliz”, e sim uma derradeira perspectiva que prenuncia o fim do mundo e a completa falta de esperança. Apesar de alguns erros, a qualidade da produção mantém-se lá em cima e, como era de se esperar, cultiva um terreno fértil para mais uma temporada.

GALERIA DE IMAGENS:



TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA - 3ª TEMPORADA
Título original :
Chilling Adventures of Sabrina - Season 3
Gênero:
Drama, Terror, Fantasia
Direção:
Roberto Aguirre-Sacasa
Elenco:
Kiernan Shipka, Miranda Otto, Ross Lynch
Produtores-Executivos:
Roberto Aguirre-Sacasa, Greg Berlanti
Produtores:
Sarah Schechter, Jon Goldwater, Lee Toland Krieger
Desde:
2018
Número de episódios:
08
Duração:
52min
País:
EUA
Produção:
Warner Bros. Television, Berlanti Productions, Archie Comics
Exibição e Distribuição:
Netflix

COTAÇÃO DO KLAU:

terça-feira, 9 de abril de 2019

'THE SILENCE': TERROR DA NETFLIX GANHA TRAILER TENSO

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O terror, que entra no catálogo da Netflix amanhã (10) parece ser uma mistura entre 'Um Lugar Silencioso' e 'Bird Box'
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Confira:


O terror promove uma nova parceria das atrizes Kiernan Shipka e Miranda Otto ( da série 'O Mundo Sombrio de Sabrina') na Netflix.

A trama acompanha uma família tentando sobreviver num mundo atacado por monstros misteriosos atraídos pelo som.

No centro da trama, está Ally (Shipka), jovem de 16 anos que perdeu a audição, alguns anos antes de tal desastre.

Quando os protagonistas precisam buscar um novo refúgio, descobrem como o mundo se transformou.

Achou parecido com Um Lugar Silencioso e Bird Box?

Pois saiba que essa é a adaptação do livro homônimo de Tim Lebbon, publicado em 2015.

Stanley Tucci, John Corbett (Casamento Grego) e Kyle Breitkopf (Extraordinário) completam o elenco do filme dirigido por John Leonetti (Annabelle).

The Silence chega ao catálogo da Netflix amanhã, 10 de abril — cinco dias após a estreia da segunda temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina na plataforma.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

'24 HORAS: LEGACY' - NOVA TEMPORADA DA SÉRIE DA FOX TROCA JACK BAUER POR PROTAGONISTA NEGRO PARA DISCUTIR RACISMO

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'24 Horas: Legacy', que estreia hoje na Fox, traz de volta os acontecimentos em tempo real e a luta contra terroristas que marcaram a série original (2001-2010)
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Sem Jack Bauer (Kiefer Sutherland, agora atuando como produtor executivo), os roteiristas de '24 Horas: O Legado' criaram um protagonista negro e a vilões muçulmanos para discutir questões como racismo e anti-islamismo.

Eric Carter (Corey Hawkins, o Heath de 'The Walking Dead') é negro, jovem, teve uma infância difícil e ainda hoje lida com o preconceito.

No segundo episódio (que também vai ao ar hoje), ele precisa ser preso para roubar dinheiro apreendido em uma delegacia, e diz que não terá problemas para que isso aconteça: "É só a polícia ver um negro parado na esquina que eles logo abordam".

O ator Corey Hawkins interpreta o novo Jack Bauer, Eric Carter, na série 24 Horas: O Legado - Imagens: Divulgação/Fox
O protagonista Eric Carter (Corey Hawkins), em cena da série - Fox
Os vilões da vez são muçulmanos que organizam um ataque em solo americano.

A série foi criticada por essa escolha, pois parece tomar o lado de Donald Trump na polêmica sobre proibir a imigração de sete países adeptos da religião aos Estados Unidos como forma de "diminuir a ameaça terrorista".

Lógico que não: tudo é coincidência, já que a série foi toda escrita antes da eleição de Trump.

Em uma época onde a violência policial contra negros e a xenofobia são amplamente discutidas nos Estados Unidos, a série coloca o dedo na ferida e repete, assim, outro ingrediente do sucesso da '24 Horas' original: o fato de ser extremamente atual.

A estreia da original em 2001 teve de ser adiada pois mostraria um avião explodindo, apenas um mês depois dos atentados do 11 de Setembro.

O primeiro episódio nos apresenta Eric Carter, um ex-soldado de elite do Exército norte-americano que participou da operação responsável por matar o líder terrorista Ibrahim Bin-Khalid.

Só que os seguidores do muçulmano não aceitam a derrota e passam a eliminar, um a um, os soldados da operação e seus familiares.

Os únicos sobreviventes são Carter e Ben Grimes (Charlie Hofheimer, de 'Mad Men'), que não lidou bem com a volta ao país e, por causa do estresse pós-traumático, virou um sem teto viciado.

Quando Carter descobre que as vidas dele e do amigo correm risco, é obrigado a voltar à ação.

Miranda Otto, de 'Homeland', vive Rebecca Ingram,  única pessoa em quem Carter confia

Rebecca é ex-diretora da CTU (Unidade Contra-Terrorista, na qual Jack Bauer trabalhou durante a série original) que se afastou do cargo para a campanha à presidência do marido, o senador John Donovan (Jimmy Smits, de 'The Get Down') - que saberá logo que a chefe de sua campanha não é a perfeição que aparenta.

Miranda Otto como Rebecca 
Juntos, Carter e Rebecca descobrem que, além de eliminar os soldados americanos, os terroristas muçulmanos planejam uma série de atentados nos Estados Unidos.

Agora, eles precisarão correr contra o tempo para proteger o país - e de forma anônima, já que não estão certos de que podem confiar no novo diretor da CTU, Keith Mullins (Teddy Sears, de 'Flash').

Se fãs da série original sentirão a falta de Jack Bauer e de outros personagens marcantes, como a hacker Chloe O'Brian (Mary Lynn Rajskub) ou o político David Palmer (Dennis Haysbert), que sequer são citados nos dois primeiros episódios, '24 Horas: O Legado' é um bom passatempo e Corey Hawkins tem carisma para protagonizar a série com sobras - desde que não tente copiar o que Sutherland fez no passado.

Confira o trailer da série:


'24 HORAS: LEGACY'
Onde: Fox
Quando: Quinta, meia noite (ep 1) e 1h (ep 2)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

'FLORES RARAS': HISTÓRIA DE AMOR ENTRE MULHERES NOS 50 GANHA SUTILEZA NA BRILHANTE DIREÇÃO DE BRUNO BARRETO E NAS INTERPRETAÇÕES FASCINANTES DE MIRANDA OTTO E GLÓRIA PIRES


Dezoito anos atrás, a produtora Lucy Barreto comprou os direitos do livro de Carmen Lucia Oliveira - 'Flores Raras e Banalíssimas – A História de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop' - e seu filho, o cineasta Bruno Barreto, não se interessou em levar a trama para as telonas.

O projeto foi então oferecido por Lucy a Hector Babenco, que também recusou.

Somente após uma década é que Bruno, motivado ao ver a ex-mulher, Amy Irving, interpretar um texto sobre Bishop,  começasse a ver o projeto com outros olhos e, acertadamente, levar às telonas um dos melhores filmes de sua carreira, disparado.

'Flores Raras' - que estreia hoje em 89 salas em todo o Brasil - tem direção de arte refinada, refletido na decoração dos ambientes, no figurino muito bem pensado e na reconstrução dos hábitos da elite carioca dos anos 50 e 60.

A atriz australiana Miranda Otto interpreta a poetisa americana Elizabeth Bishop no longa: fotos dessa postagem : Divulgação/Imagem Filmes

Os roteirista Matthew Chapman e Julie Sayres desenvolveram um arco dramático muito firme para a trama, que aborda principalmente a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires), idealizadora do Parque do Flamengo, e a poetisa americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto), considerada nos meios literários uma das mais importantes do século 20, ganhadora do Pulitzer e que escreveu, entre outros, poemas maravilhosos como esse, que eu simplesmente adoro:

'One Art'

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Tradução:

“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “

O longa começa nos Estados Unidos, com Bishop conversando num banco do Central Park novaiorquino com o amigo e escritor Robert Lowell (Treat Williams), que a aconselha uma mudança de ares.

Quando ela diz que está cansada e que vai viajar, o amigo, rápido dispara: 
"Ah, a cura geográfica!"

Assim, em 1951 a poetisa, homossexual e alcoólatra, chega ao Brasil onde é convidada pela amiga Mary Morse (Tracy Middendorff) a ficar hospedada na exuberante propriedade que compartilha com a namorada, Lota.

A estada era para durar uma semana, mas por causa de uma intoxicação alimentar provocada pelo cajú (!), Bishop é convencida a ficar mais uns dias, que se transformam em anos quando ela e Lota se apaixonam, formando, a partir daí, um triângulo amoroso com Mary.

Mary Morse (Tracy Middendorff), Elizabeth (Miranda Otto) e Lota (Glória Pires: triângulo amoroso gay no Rio dos anos 50

Conflito exposto, o tripé roteiro-atuação-direção se sai muito bem ao desenvolver o romance e a tensão paralela construída por um dos vértices do triângulo amoroso, Mary, preterida por Lota, que, pretendendo que ela não parta, sugere a adoção de uma criança.

"Você quer comprar um bebê para que você possa ter um caso?" pergunta Mary em dado momento - já sabendo a resposta.

Ela fica, Lota adota o bebê, constrói na propriedade um escritório para que Bishop possa escrever sua poesia e até seu desfecho, é a relação dessas mulheres, captada com sutileza por Barreto, que conduz o filme.

Gloria Pires e Miranda Otto, em cena do filme

O trio de atrizes é impecável - como poucas vezes visto no cinema recente - com destaque para a australiana Miranda Otto, que é muito conhecida do público brasileiro por sua participação na trilogia 'O Senhor dos Anéis'.

Miranda é uma atriz sensacional, que consegue dar a devida dimensão à complexidade interior de Elizabeth Bishop, sem apelos e com absoluta verdade.

Glória Pires deve causar estranheza aos seus inúmeros fãs, acostumados com as mocinhas e vilãs que ela faz tão bem na TV.

Afinal, Lota é masculinizada, vibrante e cheia de energia, mas deixa aflorar sentimentos, e mesmo candura, de forma tênue, discreta num trabalho elogiável, ainda mais porque a atriz teve de interpretar em inglês, língua predominante no filme - e se saiu muito bem.

Glória Pires interpreta uma masculinizada Lota

O longa só perde uma pouco de sua boa dinâmica no final, assumindo um tom episódico muito comum a cinebiografias.

O epílogo, por sua vez, merecia um cuidado maior, tendo em vista o desenvolvimento muito bem feito da relação das protagonistas ao longo do filme.

Nada disso, no entanto, chega a prejudicar essa linda e comovente história de amor.

Elizabeth & Lota: Amor com 'A' maiúsculo

E nem preciso dizer que eu, que acabei um casamento recentemente, chorei copiosamente da primeira à última cena, né?

Tanto, que precisei assistir novamente para escrever essa postagem.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:

*****
'FLORES RARAS'
Gênero:
Drama
Direção:
Bruno Barreto
Roteiro:
Carolina Kotscho, Matthew Chapman
Elenco:
Glória Pires, Lola Kirke, Marcelo Airoldi, Marcio Ehrlich, Miranda Otto, Sophia Pavonetti, Tracy Middendorf, Treat Williams
Produção:
Lucy Barreto, Paula Barreto
Fotografia:
Mauro Pinheiro
Trilha Sonora:
Marcelo Zarvos
Duração:
116 min.
Ano: 2012
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
16/08/2013
Distribuidora:
Imagem Filmes
Estúdio:
Globo Filmes / GLOBOSAT / LC Barreto/ Filmes do Equador
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau: