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sábado, 7 de setembro de 2013

FESTIVAL DE VENEZA: PELA PRIMEIRA VEZ, DOCUMENTÁRIO LEVA O LEÃO DE OURO


A Itália está em festa: o documentário italiano "Sacro Gra", do diretor Gianfranco Rosi, surpreendeu ao levar agora pouco o Leão de Ouro, principal prêmio do Festival de Cinema de Veneza.

A produção não era cotada para nenhuma das disputas principais do festival. 

Atraiu poucos espectadores, mas ganhou a admiração da crítica ao mostrar personagens que vivem nas proximidades do enorme rodoanel que contorna Roma.

O país sede do festival, um dos mais antigos do mundo, não vencia o Leão de Ouro desde 1998 - com "Assim É que se Ria", de Gianni Amelio.

O Leão de Prata de melhor diretor - segundo prêmio mais importante - foi para o grego Alexandros Avranas, de "Miss Violence".

A produção grega também levou a Coppa Volpi de melhor ator, para Themis Panou.

"Miss Violence" mostra uma história sobre incesto e prostituição infantil e Panou interpreta um homem que age como gigolô das próprias netas, além de espancar a própria mulher.

Com dois troféus, o filme liderou a disputa em Veneza: Grécia e Itália foram os países mais premiados - venceram dois prêmios cada um.

O favorito 'Philomena' -  longa britânico dirigido por Stephen Frears e estrelado por Dame Judi Dench e Steve Coogan -  levou apenas o prêmio de melhor roteiro - para Coogan e Jeff Pope - mas segue cotado para os principais prêmios pelo mundo, entre eles, o Oscar.

O jovem ator Tye Sheridan levou o  prêmio de revelação merecidamente,  pelo longa americano 'Joe', estrelado por Nicolas Cage.

Confira os vencedores da 70a. Edição do Festival de Veneza:

Prêmio especial do Júri:
"Die Frau des Polizisten" (Alemanha)
Cena do filme
Confira o trailer:

Melhor roteiro: 
 Steve Coogan e Jeff Pope, por "Philomena" (Inglaterra)
Cena do longa
 Confira trailer:

Prêmio Marcello Mastroianni de Revelação: 
 Tye Sheridan ("Joe", EUA)
Tye Sheridan recebe seu prêmio de revelação - Photocall 

 Coppa Volpi de Melhor Atriz: 
 Elena Cotta ("Via Castellana Bandiera", Itália)
Elena Cotta beija sua Coppa Volpi - Photocall 

 Coppa Volpi de Melhor Ator: 
 Themis Panou, por "Miss Violence" (Grécia)
Themis Panou segura sua Coppa Volpi - Getty Images 

 Leão de Prata de Direção: 
 Alexandros Avranas, por "Miss Violence" (Grécia) 
 Alexandros Avranas segura seu Leão de Prata - Photocall 

 Grande Prêmio do Júri: 
 "Stray Dogs", de Tsai Ming-Liang (China)
Cena de 'Stray Dogs' - Divulgação 

 Leão de Ouro: 
 "Sacro Gra", de Gianfranco Rosi (Itália)
Gianfranco Rosi com o Leão de ouro - prêmio máximo do festival - Photocall

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

FESTIVAL DE VENEZA: RETRATO CRUEL DE SOCIEDADE ARGELINA FECHA COMPETIÇÃO E 'PHILOMENA' LEVOU O PRÊMIO 'QUEER LION'


E chegamos hoje ao último dia da mostra competitiva dessa 70ª edição do Festival de Veneza.

O que de melhor aconteceu hoje, você vai ver agora.

Veja:

'LES TERRASSES': RETRATO CRU DA SOCIEDADE ARGELINA FECHA COMPETIÇÃO
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'PHILOMENA': LONGA ESTRELADO POR DAME JUDI DENCH É PREMIADO POR MELHOR PERSONAGEM GAY
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Confira:

'LES TERRASSES': RETRATO CRU DA SOCIEDADE ARGELINA FECHA COMPETIÇÃO

"Les terrasses", do cineasta franco-argelino Merzak Allouache, um retrato das esperanças e contradições da sociedade argelina a partir dos telhados de Argel, encerrou hoje a disputa oficial da 70ª edição do Festival de Cinema de Veneza.

O autor de "Xuxu" (2003), de 67 anos, que vive na França, voltou à sua cidade natal para filmar em cinco bairros de Argel as diferentes faces do país, com sua violência cotidiana.

Allouache é um dos diretores mais produtivos do cinema árabe, com várias participações no Festival de Cinema de Cannes e aborda aqui histórias sombrias, ao ritmo da canção do muezzin - o encarregado de anunciar em alta voz a hora das cinco preces diárias do Islã -, tendo como pano de fundo a mítica cidade branca, com seu mar azul e seu horizonte sugestivo.

O diretor descreve cinco personagens principais: a mãe rejeitada pela família, que vive sozinha com seus filhos, um viciado em drogas, jovens músicos que se preparam para tocar, um pregador religioso e um homem que tortura seu irmão.

As cinco histórias se cruzam em cinco terraços durante um único dia: o homem torturado se recusa a assinar um documento misterioso, uma menina tenta manter um relacionamento com seu tio - trancado em uma jaula no telhado por motivos secretos -, o dono do prédio desaparece após tentar jogar uma idosa que vive ilegalmente no telhado, o grupo de jovens presencia a tragédia de uma mulher no terraço ao lado...

"Argel é construída sobre colinas. Os terraços da cidade sempre tiveram um papel importante, são facilmente vistos. Queria trabalhar a partir dessa perspectiva", explicou o cineasta, durante uma conversa com a AFP.

"As coisas estão piorando, apesar de ainda não termos chegado à situação do Egito, com pessoas que vivem em cemitérios", diz ele.

"Por algum tempo tenho trabalhado sobre esta sociedade, doente por anos de terrorismo e violência absoluta. Desde 1999, a amnésia reina, não se fala sobre o que aconteceu, a questão é rejeitada", diz o diretor.

O diretor Merzak Allouache (à dir.) posa com os atores Myriam Ait El Hadj, Hacene Benzerari, Mariem Medjkane e Nadjib Oulebsi - Alessandro Bianchi/AFP

No filme, a religião é onipresente e, ao mesmo tempo, destoa com os problemas diários das pessoas: o pregador é um símbolo dos desvios de caráter e do abuso da ignorância, especialmente com as mulheres.

"As chamadas para a oração parecem ser inúteis, fazem parte do barulho da cidade", diz Allouache, preocupado com o elevado número de jovens desempregados que veem a vida passar em um país que, apesar de ser muito rico - graças ao petróleo -, é marcado por enormes desigualdades.

"Os jovens têm cada vez mais reivindicações São revoltas causadas por problemas sociais, pela falta de água, de moradia", diz o diretor de "Harragas" (2009), se referindo ao êxodo de centenas de argelinos para a Europa.

"A Argélia sofreu violência tão brutal que ficou isolada. Hoje em dia os argelinos observam a olho nu o que acontece no mundo árabe porque têm a impressão de que já passaram por isso", explica.

"A sociedade argelina precisa evoluir, precisa de mudanças democráticas, que só podem ser realizadas através de um debate", finalizou o diretor, que deseja, acima de tudo, contar a realidade de seu país de nascimento.

'PHILOMENA': LONGA ESTRELADO POR DAME JUDI DENCH É PREMIADO POR MELHOR PERSONAGEM GAY

Ainda nessa sexta, o Festival de Veneza começou a distribuir seus prêmios.

Dirigido por Stephen Frears, "Philomena" - estrelado por Dame Judi Dench, forte candidata ao troféu de melhor atriz - já levou seu primeiro prêmio nessa 70ª edição: ganhou o 'Queer Lion' para Melhor Personagem Gay.

O filme retrata a história de uma mãe em busca de seu filho, entregue para adoção 50 anos antes.

O filme recebeu longos aplausos quando foi exibido em Veneza, no último sábado (31): em estilo tragicômico, o filme arrancou risos e lágrimas da plateia e continua hoje como um dos favoritos ao Leão de Ouro - prêmio máximo em Veneza.

Dame Judi Dench e Steve Coogan, em cena de 'Philomena' - Divulgação

O filme também é forte candidato para concorrer ao Oscar - em roteiro adaptado, atriz para Dame Dench e até melhor filme.

A produção ainda não tem data de estreia no Brasil.

O Festival apresentará seus prêmios oficiais amanhã, em uma cerimônia de gala seguida da exibição do filme "Amazonia 3D", produção franco-brasileira.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

FESTIVAL DE VENEZA: SCARLETT JOHANSSON, POLÊMICO SUL-COREANO E CONCORRENTE ITALIANO


A edição número 70 do Festival de Cinema de Veneza termina no próximo sábado e nessas postagens especiais você confere o que de melhor está acontecendo na ilha do Lido, uma das principais da cidade e onde o festival, um dos mais antigos do mundo, acontece.

Confira:

'UNDER THE SKIN': ESTRELADO POR SCARLETT JOHANSSON COMO UMA ALIENÍGENA SENSUAL E CANIBAL, LONGA FOI O PRIMEIRO A SER VAIADO
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'MOEBIUS': DIRETOR SUL-COREANO KIM-KI DUK VOLTA A PERTURBAR ESPECTADOR VENEZIANO COM INCESTO E MUTILAÇÕES
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'L'INTREPIDO': FILME ITALIANO FALA SOBRE DESEJO DO TRABALHO ESTÁVEL
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Veja:

'UNDER THE SKIN': ESTRELADO POR SCARLETT JOHANSSON COMO UMA ALIENÍGENA SENSUAL E CANIBAL, LONGA FOI O PRIMEIRO A SER VAIADO

Foi assim que a atriz norte-americana Scarlett Johansson descreveu sua personagem, uma alienígena canibal, de cabelos curtos e pretos, em "Under the Skin", concorrente britânico ao Leão de Ouro, dirigido por Jonathan Glazer, na coletiva do filme:
"Ela não é uma pessoa, é parte de uma entidade. Assim, foi difícil, no começo, achar essa performance. Precisei abandonar qualquer julgamento, já que ela não tem qualquer intenção má. Eu precisava me despojar, a partir de um ponto de partida muito vago".

Exibida na manhã da terça (3) no Festival de Veneza, a produção foi vaiada nas duas sessões de imprensa, o primeiro concorrente a despertar esta reação.

As vaias, no entanto, não foram comentadas na coletiva, em que o diretor inglês, conhecido por "Reencarnação" (2006), com Nicole Kidman, explicou as opções responsáveis pelo clima de estranheza de sua obra.

Sobre sua protagonista, por exemplo, Glazer contou que chegar ao tom distanciado de interpretação visto na tela foi "uma descoberta" em comum com a atriz.
"Foi uma descoberta, certamente, já que não se tratava de uma personagem, era uma coisa. Como se interpreta uma coisa?", indagou ele.

Para Scarlett, que na coletiva já estava com seus habituais cabelos longos e louros, até o gênero de "Under the Skin" está em aberto:
"Não acho que seja mesmo um filme de ficção científica. Acho que ele não se encaixa em gêneros, suspense, terror. Também não acho que a história tenha uma moralidade específica".

As conversas com o diretor foram fundamentais para que Scarlett descobrisse o modo certo de interpretar sua personagem. Um ponto importante foi sua linguagem corporal, que é bastante contida.
"Não eram aqueles movimentos estranhos, como num filme de Tim Burton (risos). Ao mesmo tempo, tudo o que ela faz tem um motivo. Eu precisava me ligar e desligar o tempo todo, para atender às suas necessidades", afirmou a atriz.

Outro desafio para Scarlett foi realizar diversas cenas em locais públicos, como na rua, num shopping center e numa danceteria na Escócia, onde foi rodado "Under the Skin", muitas vezes com câmeras escondidas.

Scarlett Johansson no Festival de Veneza para promover "Under The Skin" - David Azia/AP

Uma das cenas mais difíceis, para a atriz, foi uma sequência em que ela cai na rua.
"Fizemos seis ou sete tomadas. Uns paravam para me ajudar. Outros me fotografavam e não me ajudavam a levantar. E foi impressionante a variedade das reações das pessoas", contou ela.

A atriz admitiu ter sentido medo por filmar assim:
"Era apavorante. Ao mesmo tempo que eu me sentia protegida por toda a equipe, não sabia como as pessoas iam reagir. Mas não saber acabou me ajudando a deixar de lado meu medo, me abandonar àquela experiência. Foi uma espécie de terapia".

Dentro da van que sua personagem usa o tempo todo para caçar homens sozinhos, havia oito câmeras, que fotografavam Scarlett de diversos ângulos.
Segundo o diretor, isso teve como objetivo "observar o mundo como ela o vê, o mundo real, como um documentário, já que a personagem de Scarlett é a única 'mentira' do filme".

Indagado sobre eventuais problemas de compreensão dos diálogos que o filme pode ter pelo forte sotaque escocês de vários atores – muitos amadores – Glazer respondeu:
"O fato de que alguns diálogos possam ser incompreensíveis para alguns não me incomoda. Acho que isso serve para materializar a alienação da própria protagonista".

Um desses atores é Paul Brannigan, protagonista de "A Parte dos Anjos", de Ken Loach, que aqui é uma das vítimas da alienígena.

Indagado sobre o título, "Under the Skin", o diretor admitiu ter pensado em mudá-lo, já que existem outros filmes com o mesmo nome, como outra produção britânica de 1997, escrita e dirigida por Carine Adler.

Finalmente, Glazer achou melhor conservá-lo, por ser "o mesmo título do livro" (do autor holandês Michel Faber em que se baseia o roteiro, assinado por Glazer e Walter Campbell).

Confira o trailer de 'Under The Skin':


'MOEBIUS': DIRETOR SUL-COREANO KIM-KI DUK VOLTA A PERTURBAR ESPECTADOR VENEZIANO COM INCESTO E MUTILAÇÕES

Um ano depois de conquistar o Leão de Ouro em Veneza com o escandaloso "Pietá", o cineasta sul-coeano Kim Ki-Duk volta a perturbar o Lido com "Moebius", um filme que inclui cenas de violência, incesto e mutilações.

As autoridades da Coreia do Sul, inclusive, exigiram cortes no filme para autorizar sua distribuição.

Aplaudido ao fim da primeira exibição na segunda (2) no Festival de Veneza, onde está fora da disputa por prêmios, o novo filme do polêmico diretor asiático não deixa o espectador indiferente.

"Moebius" é uma ode à autodestruição, uma metáfora dura, terrível e em alguns momentos grotesca, do sentimento de culpa e da obsessão pelo sexo do mundo moderno.

Com dolorosas e repetidas cenas de amputações de pênis, privado de qualquer diálogo, Kim Ki-Duk escandaliza de novo ao narrar o drama de uma família em crise pela infidelidade do marido.

"Meus filmes são a interpretação do mundo que eu vejo", explicou o cineasta, de 53 anos, diretor do poético "Casa Vazia", Leão de Prata em Veneza em 2004, que estreou em 2000 com o áspero "A Ilha" ("Seom") seguido de "Primavera, verão, outono, inverno ... e primavera".

"Parto do conceito do sexo e o levo a consequências extremas", disse.

Kim Ki-duk promove o filme "Moebius" no Festival de Veneza - Domenico Stinellis/AP

Considerado cult e com uma obra complexa, o diretor, que há poucos anos passou por uma longa crise artística narrada por ele mesmo em um ótimo documentário ('Arirang', 2011), teve que ceder às autoridades de seu país após longas negociações e eliminar três minutos do filme, com mais de 20 cenas, para garantir a distribuição mundial.

"Em Veneza foi exibida a versão integral do meu filme", disse Kim Ki-Duk, que terminou por aceitar uma autocensura para cumprir as normas de seu país, que ele admitiu que não pode e não deseja violar.

"Meu filme teve que superar duas vezes a ordem de ser retirado. Agora está purificado, mas não é o meu, o original", completou.

"Gostaria sim de abordar o tema da censura, acredito que é um problema", afirmou o diretor, que tem seus filmes elogiados, estudados e aplaudidos na Europa, enquanto em seu país provocam controvérsia e até rejeição.

A história de uma família repleta de problemas, de um pai esgotado pela culpa e que chega a mutilar o pênis e da mãe que, por amor, aceita o incesto depois de ter cortado o membro do filho, é o símbolo, para Kim Ki-Duk, "do estado da saúde" da sociedade inteira.

"Hoje conversei com quase 20 jornalistas italianos e tive a demonstração de que meu filme não foi interpretado como uma história sobre o incesto", contou o cineasta.

"'Me pedem filmes 'limpos'. Mas eu não posso deixar de medir a temperatura da sociedade, refletir o que sinto que me diz. Não posso fazer de outra maneira", concluiu.

Confira o trailer de 'Moebius':


'L'INTREPIDO': FILME ITALIANO FALA SOBRE DESEJO DO TRABALHO ESTÁVEL

O desejo de um trabalho estável é o tema chave do segundo filme italiano na disputa oficial do Festival de Veneza: "L'intrepido", do veterano cineasta Gianni Amelio, último vencedor italiano do Leão de Ouro, em 1998.

Interpretado pelo humorista Antonio Albanese, em uma mistura de Chaplin e Forrest Gump italiano, pela maneira como une ingenuidade, bondade e otimismo, o filme dividiu a crítica, com direito a aplausos e vaias na primeira exibição.

Ambientado em Milão, uma cidade cinzenta e, em alguns momentos, bela e moderna, com a crise econômica como pano de fundo, o filme narra a vida de um homem de quase 50 anos, disponível para substituir a qualquer momento um funcionário ausente, passando de operário da construção civil a condutor de bonde, de camareiro a vendedor de flores, de bibliotecário a vendedor de sapatos.

Dividido entre o desespero e a esperança, o filme de Amelio pretende ser uma metáfora dos tempos modernos, do peso do trabalho precário, mas com uma mensagem de esperança: os desejos podem ser concretizados.

O diretor Gianni Amelio e o ator Antonio Albanese durante sessão de fotos do filme "L'Intrepido" no Festival de Veneza - Alessandro Bianchi/Reuters

Como boa parte dos filmes apresentados na 70ª edição do festival, que termina sábado, 'L'intrepido' mostra a incerteza a respeito do futuro, no qual o otimismo é uma fantasia e a vida parece ter sempre um sabor amargo.

"Um filme que respira o ar de nosso tempo e que com frequência para com o objetivo de suspirar", definiu Amelio, que participa pela sexta vez no Festival de Veneza, depois de ter exibido, entre outros, "Ladrão de Criança" (1992) e o premiado "Assim Eles Riam" (1998).

Separado da mulher, que tem uma vida cômoda com o novo companheiro, Albanese, no papel de Antonio Pane, é um pai solitário que vive sem meta precisa, nutre esperanças pelo filho saxofonista, uma relação que descreve as profundas mudanças na família italiana tradicional, a distância cultural e social entre paie e filho, fio condutor de quase todos os filmes de Amelio.

Um belo solo de sax no final alivia a tristeza e permite imaginar um "final feliz".
"Meu filme é um hino ao homem digno", resume Amelio sem temer críticas.

Confira o trailer de L'Intrepido':

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

FESTIVAL DE VENEZA: PETER LANDESMAN, TOM WELLING, TERRY GILLIAM E XAVIER DOLAN APRESENTAM SEUS LONGAS E SÃO APLAUDIDOS


Nessa postagem, tudo o que de melhor aconteceu no Festival de Veneza ontem (1) e hoje (2).

Confira:

'PARKLAND': MORTE DE KENNEDY É TRATADA COM REALISMO
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'THE ZERO THEOREM': NOVO LONGA DE TERRY GILLIAM - QUE FEZ SEUS ATORES "SUAREM COMO PORCOS" - É APLAUDIDO
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'TOM À LA FERME': DIRIGIDO PELO PRODÍGIO CANADENSE XAVIER DOLAN É OVACIONADO
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Veja:

'PARKLAND': MORTE DE KENNEDY É TRATADA COM REALISMO

A ausência do ídolo teen Zac Efron – destaque do elenco do quarto concorrente norte-americano ao Leão de Ouro, "Parkland", de Peter Landesman, na pele de um médico residente – foi uma decepção na manhã deste domingo (1º) no Festival de Veneza.

Mas logo passou: o diretor veio para a coletiva de imprensa com o outro astro do filme, Tom Welling.
O Clark Kent da ótima série 'Smallville' tem aqui sua primeira grande oportunidade nas telonas, após o término da série - que durou dez temporadas.

O filme, muito aplaudido nas sessões matinais de imprensa, rendeu a polêmica esperada, ao ressuscitar em detalhes impressionantes o dramático final de semana do assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy - que completa exatos 50 anos no próximo dia 22 de novembro.

Deixando de lado as teorias da conspiração que cercaram o crime – centro do drama "JFK", de Oliver Stone, e inspirando-se num livro de Vincent Bugliosi ("Reclaiming History: The Assassination of John Fitzgerald Kennedy") –, Landesman focou na "emoção crua daquele final de semana", segundo suas próprias palavras.

Sobre as teorias de conspiração em torno da morte, afirmou que "há poucas provas em qualquer direção" e que não era esse seu interesse.

Repórter experiente na cobertura de diversas guerras e famoso por uma reportagem sobre escravas sexuais no jornal "The New York Times" - que inspirou o filme "Trade", de Marco Kreuzpaintner - Landesman disse ter procurado retratar "as pessoas que estavam no centro dos acontecimentos, colocando-nos no lugar delas".
E completou: "Procuramos contar uma história real, que sabemos ser verdadeira. Sabemos que tudo aquilo aconteceu àquelas pessoas e arruinou suas vidas".

Esses personagens no centro de "Parkland", mais do que os famosos, são as pessoas comuns, médicos, enfermeiros, agentes secretos, policiais, um padre e outros que viram de perto ou estiveram envolvidos no atendimento e transporte do presidente após ser baleado em Dallas, Texas, e ser levado ao Hospital de Parkland - que dá nome ao filme.

Usando sua experiência como jornalista, Landesman entrevistou alguns dos personagens fundamentais, como o agente do FBI James Hosty (John Livingston), que destruiu o arquivo referente a Lee Harvey Oswald, o alegado assassino de Kennedy (que também foi morto pouco depois).

A participação de Hosty nesse episódio polêmico não é muito conhecida, apesar de tanto ter sido noticiado e discutido a respeito da morte de Kennedy nas últimas cinco décadas.
Mas o diretor do filme garante que "nada estava escondido, Hosty não era uma pessoa cuja existência fosse desconhecida. Esteve sempre ali.Tive a sorte de estar com ele quatro dias antes de sua morte e ele parecia aliviado de estar finalmente falando sobre isso (a destruição do arquivo sobre Oswald no FBI)" - Hosty morreu em 2011.

Ator Tom Welling e o diretor Peter Landesman posam na sessão de fotos do filme "Parkland" no Festival de Veneza 2013 - Alessandro Bianchi/Reuters

Um personagem menos conhecido é o irmão de Lee Oswald, Robert Oswald (interpretado por James Badge Dale).
"Quem diabos sabia que ele tinha um irmão? E, para ele, aquele final de semana foi terrível. Ele acordou achando que seria um dia normal e, de repente, descobriu que seu irmão era o demônio. Sua missão naqueles dias foi de entender o que estava acontecendo até, finalmente, ter que sepultar o irmão", disse o diretor.

Indagado se não teria demonstrado uma certa "simpatia" pelo assassino de Kennedy em seu retrato no filme, o diretor negou:
"Eu não diria simpatia, porque isso já é um tipo de defesa. Prefiro o termo 'humanidade'. Tudo que estou tentando é reconhecer sua humanidade, seja patológica ou não. Em meu filme, não temos tempo para qualquer julgamento. Não alego que haja qualquer verdade escondida. Estamos apenas tentando atravessar aqueles dias".

Indagado sobre detalhes como a impressionante quantidade de sangue que se vê nas roupas de médicos e enfermeiras e também nas dos agentes que conduziram o presidente, Landesman comentou que foi bastante fiel à realidade:
"Nosso objetivo era mostrar uma verdade visceral e não apenas física. Feridas na cabeça (Kennedy foi baleado na cabeça) sangram muito e ele recebeu duas transfusões. Havia mesmo muito sangue nas roupas de todos. Também achei que havia algo shakespeariano nisto".

Outro elemento realista é o uso em "Parkland" de trechos do famoso filme super-8 do assassinato feito pelo comerciante Abraham Zapruder (Paul Giamatti).
"Este é um filme muito visto, muito conhecido, mas eu queria usá-lo como cineasta, mostrá-lo como ele (Zapruder) e outros o viram pela primeira vez. Tivemos a sorte de conseguir a confiança da família dele, que tem sido muito reservada, e eles confiarem em nós", disse Landesman - a família de Zapruder, inclusive, veio ao set acompanhar as filmagens.

Para o diretor, "ainda há muito a ser descoberto sobre todas essas pessoas".

Ele cita que há materiais, como as gravações da conversas entre os irmãos Oswald, quando ele estava na cadeia e os depoimentos de todos os agentes, que não têm recebido atenção.

Confira o trailer de 'Parkland':


'THE ZERO THEOREM': NOVO LONGA DE TERRY GILLIAM - QUE FEZ SEUS ATORES "SUAREM COMO PORCOS" - É APLAUDIDO

Já na manha dessa segunda, a nova distopia futurista do diretor norte-americano Terry Gilliam, "The Zero Theorem", foi recebida com muitos aplausos.

O filme é encabeçado por um elenco estelar: o austríaco Christoph Waltz na pele do especialista em computadores Qohen Leth, atormentado pela busca de sentido na vida, e pela figura misteriosa da Administração, interpretado pelo americano Matt Damon.

Nem Waltz nem Damon estiveram na disputada entrevista coletiva do filme, a que compareceram os atores David Thewlis ("Cavalo de Guerra") e Mélanie Thierry ("Missão Babilônia")  e em que Gilliam comandou a cena com respostas espirituosas e algumas declarações surpreendentes.

Como a de que as filmagens em Bucareste não tiveram as habituais restrições de segurança de uma produção cinematográfica.
"Cada um tinha que cuidar da própria vida. Estávamos livres! Felizmente, tudo deu certo", declarou o diretor, arrancando gargalhadas dos jornalistas.

Gilliam também surpreendeu ao admitir que, devido a limitações de orçamento – as mesmas que o levaram a optar por Bucareste, preterindo a Inglaterra e a Itália – o levaram a ter que usar tecidos muito baratos no colorido e criativo figurino do filme. 
"Felizmente, descobrimos um mercado chinês nos arredores de Bucareste, onde se podia comprar tecido a quilo, não a metro. O tecido era péssimo! Por causa disso, Matt Damon e os outros atores suavam como porcos ali dentro. Felizmente, na tela ficou lindo".

Pelo trailer - que você confere abaixo - o diretor tem toda razão: ficou tudo muito lindo mesmo!

Terry Gilliam posa com a atriz Melanie Thierry na sessão de fotos do filme "The Zero Theorem", em Veneza - Alessandro Bianchi/Reuters

O orçamento restrito e a rapidez das filmagens (dois meses) também pressionaram os atores.
"Não tivemos tempo de ensaiar. Acho que até por isso fazer este filme foi mais divertido do que os outros, porque não tivemos tempo de ser responsáveis", disse o diretor, que também contou: por conta de compromissos de Matt Damon, só pode contar com ele por quatro dias e que David Thewlis, que fazia simultaneamente outro filme no Canadá, ficou indo e voltando à Romênia.

A tecnologia - que está no centro do roteiro, escrito pelo professor universitário Pat Rushin - teve um papel concreto para a realização de "The Zero Theorem".

Segundo Gilliam, houve três momentos do filme gravados por iPhone.
"Como um em que precisei de um áudio de Mélanie Thierry e ela estava no sul da França. A tecnologia nos salvou!", lembrou.

Entretanto, como o protagonista do filme, o cineasta admite que tem uma relação ambígua com a tecnologia e a era da internet. 
"Não sou um 'geek', claro, mas cada vez mais me sinto seduzido pelo computador. Minha mulher se pergunta o que está nos acontecendo com os seres humanos. Também me pergunto. Acho que isso começa a consumir sua vida. Quanto mais estamos conectados, mais entendemos essas coisas".

O diretor destacou que "se preocupa" com o aumento das relações virtuais entre as pessoas.
"Cada vez mais as pessoas se conectam via computador, usam nomes falsos. A publicidade na TV vende um mundo belo, perfeito, como se fôssemos todos deuses. Mas não somos assim. Isso me preocupa".

Lamentou, também, os desvios de alguns movimentos deflagrados pela internet:
"O que chamamos de Primavera Árabe tornou-se o Inverno Impossível". 
Entretanto, destacou "não ter respostas" sobre essa questão e que fez esse filme "para discutir tudo isso".

Quebrando a seriedade, Gilliam negou a hipótese de que "The Zero Theorem" seja o último capítulo de uma trilogia futurista em sua obra, iniciada com "Brazil: O Filme" (1985) e "Os Doze Macacos" (1995).
"Não, não é uma trilogia. Apenas costumo dizer isso porque soa mais inteligente, profundo e acadêmico e parece melhor para dizer à imprensa", disse, rindo - mas admitiu ver "referências" a "Brazil: O Filme" no novo longa.

Na mesma linha, o ator inglês David Thewlis - que interpreta na tela um supervisor da firma de computação - afirmou que "se sente mal quando passa tempo demais diante do computador" e que toma atitudes do tipo usar papel e caneta para combater isso.
"As pessoas gastam tempo e coração demais na tecnologia. Este filme fala sobre isso".

E a atriz francesa Mélanie Thierry contou que não está no Facebook ou no Twitter por opção.
"Tudo isso anda me aborrecendo", afirmou.

Confira o trailer de "The Zero Theorem":


'TOM À LA FERME': DIRIGIDO PELO PRODÍGIO CANADENSE XAVIER DOLAN É OVACIONADO

O canadense Xavier Dolan, 24 anos, apresentou nesta segunda, no Festival de Veneza, um intrigante thriller psicológico sobre identidade sexual, hipocrisia e mentiras,

"Tom à la ferme", ovacionado por crítica e espectadores tem Dolan como protagonista, um dos roteiristas e até montador do filme e é uma adaptação da peça teatral de Michel Marc Bouchard.

Depois de ter recebido elogios e prêmios em Cannes desde sua estreia em 2009 - com "Eu Matei a Minha Mãe" - Dolan compete em Veneza com seu quarto longa-metragem.

O novo filme de uma das promessas do cinema mundial, que até agora falava sobre amores impossíveis, é uma obra madura sobre os mecanismos íntimos e perversos das relações, não apenas amorosas.

Com ritmo impecável, combinado com suspense, tensão e drama, Dolan confirma seu notável talento cinematográfico:
"Um filme irresistível", definiu a crítica italiana, que já considera "Tom a la ferme" um dos favoritos para levar o Leão de Ouro.

Xavier Dolan, hoje em Veneza - Getty/AFP

A trama narra a história do jovem publicitário Tom - interpretado por Dolan - que está profundamente deprimido com a morte do amante.

Ele decide conhecer a família do companheiro morto, que vive em uma fazenda, onde descobre que a mãe não sabia da orientação sexual do filho e estava convencida que o jovem tinha uma relação amorosa com uma garota, Sarah.

A partir deste momento, Tom entra em um macabro jogo de mentiras, ameaças e perversões com o irmão do namorado, Francis, que exige que ele não revele a verdade para a mãe com o objetivo de evitar outro sofrimento.

"É um jogo perigoso. Assumir o papel de outro pode mudar a pessoa. Mentir assim enlouquece Tom", explicou o cineasta.

Na fazenda isolada em meio à paisagem de Quebec, entre grandes campos de milho e uma longa estrada de ligação com a cidade, surgem ingredientes bem dosados por meio da trilha sonora de Gabriel Yared, que oscila entre obras clássicas e canções modernas: o suspense, o medo, o nervosismo e a angústia reinam como nos melhores filmes de Hitchcock.

"Não pretendo inovar. Queria apenas contar a angústia dos personagens", explicou Dolan, que começou a dirigir filmes aos 18 anos e admite que não gosta de revelar de onde tira suas ideias.

"Para mim, a influência deve ser camuflada", afirma o diretor, um admirador cineastas como Pasolini, De Sica e Jonathan Demme.

Confira um vídeo do 'red carpet' de "Tom à la ferme", hoje em Veneza:


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Com agências internacionais

sábado, 31 de agosto de 2013

FESTIVAL DE VENEZA: AS ATENÇÕES FORAM TODAS PARA SANDRA BULLOCK, GEORGE CLOONEY, JAMES FRANCO, NICOLAS CAGE E BRUCE LABRUCE


O melhor do Festival de Cinema de Veneza, que acontece até o próximo dia 7 de setembro, você confere aqui:

'GRAVIDADE': GEORGE CLOONEY DIZ QUE BEBEU COMO PREPARAÇÃO E SANDRA BULLOCK FALA QUE FARÁ COMÉDIA "ATÉ MORRER"
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'GERONTOPHILIA': TRAMA COM RAPAZ GAY QUE SE RELACIONA COM IDOSOS APIMENTA VENEZA
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'JOE': NICOLAS CAGE É APLAUDIDO, DIZ QUE NÃO PENSA EM SE APOSENTAR E ELOGIA AFFLECK COMO BATMAN
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'CHILD OF GOD': LONGA DE JAMES FRANCO, COM NECROFILIA E VIOLÊNCIA, É APLAUDIDO
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'PHILOMENA': DAME JUDI DENCH E STEPHEN FREARS OVACIONADOS POR DRAMA REAL DE MULHER QUE TEVE SEU FILHO ROUBADO
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Confira:

'GRAVIDADE': GEORGE CLOONEY DIZ QUE BEBEU COMO PREPARAÇÃO E SANDRA BULLOCK FALA QUE FARÁ COMÉDIA "ATÉ MORRER"

George Clooney é quase um sócio do Festival de Veneza.

Quatro anos depois de um homem ter invadido sua coletiva nu e dois anos após abrir o evento com seu "Tudo pelo Poder", o galã retorna ao Lido para apresentar "Gravidade", junto da atriz - e uma de suas melhores amigas - Sandra Bullock e do diretor mexicano Alfonso Cuarón ("Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban").

A mistura épica de ficção científica e drama familiar foi exibida pela primeira vez na (27) e arrancou aplausos da imprensa mundial, com Clooney interpretando Matt Kowalsky - um astronauta veterano em sua última missão no espaço - enquanto Bullock vive uma cientista estreando fora da Terra.

Os dois têm a missão de consertar uma falha no telescópio Hubble, algo corriqueiro para funcionários da NASA, mas acabam enfrentando problemas.

"Apesar de ficar sozinho no espaço no filme, nunca me senti assim nas filmagens. Eu sempre estava cercado por 500 pessoas", contou Clooney, que, ao contrário da amiga Sandra, não teve nenhum treinamento especial para lidar com cabos ligados ao corpo ou movimentos lentos em gravidade zero.

"Minha preparação foi basicamente beber durante o filme todo. Sandy que teve o trabalho duro. Ela precisava se movimentar de forma devagar, mas fazer isso e falar normalmente é muito difícil. Eu nunca conseguiria."

George Clooney brinca com Sandra Bullock, na apresentação de 'Gravidade' à imprensa em Veneza - Reuters

Já a estrela Sandra Bullock telefonou para astronautas na Estação Espacial Internacional para pegar dicas para o seu papel, mas a "Miss Simpatia" dos EUA garante que jamais irá abrir mão de papéis cômicos.

"Farei comédia até o dia em que eu morrer: comédia inapropriada, comédia engraçada, comédia que mexe com os gêneros, comédia retorcida, qualquer comédia que houver", disse Bullock à TV Reuters na quinta (29).

"Até um programa de TV ruim - se for aí que eu tiver de ir no final das contas, irei se houver comédia", disse ela um dia depois da exibição de "Gravidade" em Veneza.

Numa entrevista coletiva na quarta, ela contou que sua preparação para o papel incluiu fazer uma chamada à Estação Espacial Internacional, deixando um recado para os astronautas. Com uma ponta de espanto na voz, ela contou que foi respondida.

"Eu ficava fazendo perguntas idiotas - 'Onde vocês vão ao banheiro?' -, e no final obtive um ponto de vista dessas pessoas que idolatramos, esses astronautas", disse ela.

"E o ponto de vista é que eles se importam com a vida, com a nossa vida e muito com o que eles têm feito com ela - por isso eles estão lá em cima. Mas fiquei realmente honrada por eles terem retornado a minha chamada, e a gente sabe que eles são pessoas normais que fazem coisas extraordinárias."

Ela disse que a filmagem de "Gravidade" - onde passou muito tempo numa caixa iluminada por lâmpadas LED por causa dos efeitos especiais - foi física e mentalmente desafiadora.

"Não foi um passeio no parque para nenhum dos envolvidos, especialmente Alfonso", disse Bullock.

"Falo da imensa pressão sob a qual ele estava, os técnicos estavam, ninguém sabia se isso funcionaria até o dia em que entrei no primeiro aparelho. Nem eles sabiam se isso iria funcionar tecnicamente ou se o ator no aparelho conseguiria, era uma grande incógnita a cada dia, porque estávamos todos no mesmo barco."

Confira o trailer extendido de 'Gravidade':


'GERONTOPHILIA': TRAMA COM RAPAZ GAY QUE SE RELACIONA COM IDOSOS APIMENTA VENEZA

O diretor canadense Bruce LaBruce, que não poupa cenas de nudez e sexo em seus longas, dirigiu seu filme mais sensível, mas isso não impediu "Gerontophilia" de apimentar um pouco o morno primeiro dia do Festival de Veneza.

O filme, como entrega o título, é sobre um jovem (Pier-Gabriel Lajoie) que descobre seu desejo sexual por homens bem mais velhos.

A obra foi apresentada para a imprensa na quarta (27) e está sendo tratada como um "escândalo instantâneo" pela mídia italiana.

Há um pouco de exagero: "Gerontophilia" tem cenas fortes - como o garoto lambendo feridas causadas no corpo de um idoso imóvel na cama - mas a intenção de LaBruce é de incomodar menos.

Tanto, que o longa não sairá no Canadá com a censura "NC-17" - dada para filmes com sexo explícito.

O diretor Bruce LaBruce e o ator Pier-Gabriel Lajoie chegam para a exibição de "Gerontophilia" em Veneza - Getty Images

Obviamente que a obra toca em aspectos difíceis para o público comum, como o sexo entre duas pessoas de idades extremamente opostas - a homossexualidade, no caso, é uma rotina na carreira do canadense.

LaBruce sabe disso e escolhe focar a câmera em longos closes de corpos nus mais velhos.

O público presente ao festival aplaudiu o longa, e a história do rapaz que se apaixona por um doente idoso e precisa raptá-lo para impedir que volte a ser exageradamente medicado larga na frente pelo prêmio "Queer Lion", concedido para filmes de temática homossexual exibidos em Veneza.

Confira o trailer de "Gerontophilia":


'JOE': NICOLAS CAGE É APLAUDIDO, DIZ QUE NÃO PENSA EM SE APOSENTAR E ELOGIA AFFLECK COMO BATMAN

Protagonista do drama norte-americano "Joe", de David Gordon Green, o ator Nicolas Cage chegou de cabelo escuro e longas e finas costeletas à coletiva do filme, concorrente ao Leão de Ouro e aplaudido no Festival de Veneza nesta sexta (30).

De ótimo humor, Cage falou de tudo - inclusive da indicação de Ben Affleck como o próximo Batman, o que tem sido alvo de polêmicas e elogios no meio cinematográfico.
"Estou feliz por Ben. Ele sempre fez um excelente trabalho, será ótimo para ele", disse Cage.

Em "Joe", Cage interpreta um ex-presidiário que ganha a vida como microempresário, agenciando trabalhadores ilegais para um trabalho perigoso, a aplicação de produtos tóxicos para acelerar o desmatamento de áreas florestais.

No festival, ele não quis comentar, no entanto, um desvio violento na trajetória de seu personagem – envolvendo o uso de armas de fogo.

A uma jornalista italiana que perguntou se haveria, nos Estados Unidos, "uma tendência a resolver as coisas usando rifles", apesar da presença da polícia, o ator afirmou:
"Não sei o que a faz pensar que eu seja alguma espécie de porta-voz sobre essa questão das armas na América. Não sou. Você vai ter que procurar outra pessoa" - mas não se irritou com essa e nenhuma outra pergunta.

Nicolas Cage em Veneza - Reuters

O ator também destacou que não foi nenhuma espécie de "comentário sobre a crise econômica, social ou social no mundo" que o atraiu ao filme.
"Para mim, tratou-se apenas de interpretar o meu papel", resumiu.

Com 35 anos de carreira, Cage diz que não quer "atuar", já que a palavra às vezes parece querer dizer "mentir".
"Prefiro a palavra 'ser'. Na verdade, o que procuro cada vez mais é encontrar a verdade do personagem, com a máxima pureza", disse.

Cage também não poupou elogios à sua convivência com o diretor David Gordon Green ("Segurando as Pontas"):
"Daria três saltos mortais, pelado, por ele. Havia um espírito fraterno entre nós, não só pelo seu modo de dirigir, como seu olho para escolher o elenco".

O ator também elogiou o garoto Tye Sheridan - que interpreta Gary, que se torna seu protegido e com quem desenvolve uma relação paternal, já que seu pai biológico (Gary Poulter) é um alcoólatra violento.

Poulter, que morreu antes de ver o filme pronto, era um morador de rua em Austin, Texas, onde "Joe" foi filmado - o diretor e os atores também não lhe pouparam elogios.

Cage disse que ele o lembrava de Richard Farnsworth - cujo último filme foi "História Real" (1999), de David Lynch e que valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator ao intérprete, morto aos 80 anos em 2000.

Tye Sheridan, por sua vez, disse que "Nic é uma pessoa muito fácil de conviver" - maior desafio, para ele, foi fumar o primeiro cigarro de sua vida numa cena.
"Mas Nic e David me ajudaram. David se preocupou com minha saúde e me deu um cigarro fraco", contou.

Indagado por uma jornalista chinesa se faria um filme na China, onde, segundo ela, teria muitos fãs, Cage sorriu e respondeu: "Estarei lá em três semanas filmando 'The Outcast', com (o diretor) Nick Powell. E há outras conversas em andamento".

Quando ela lhe perguntou "o que o atraía" no cinema chinês, ele lembrou o diretor Zhang Yimou ("adorei 'Lanternas Vermelhas'") e o ator Tony Leung (protagonista de "Amor à Flor da Pele", de Wong Kar-wai).

Questionado se pensa em aposentadoria - como Johnny Depp e Brad Pitt já declararam em recentes entrevistas - Cage diz que ainda não.
"Não sei o que vai pela cabeça desses dois, mas eu não me vejo me aposentando. Quero explorar esta minha profissão o resto da minha vida. O que não quer dizer que eu não tenha aquelas fantasias, de vez em quando, de ficar à beira de uma piscina, ou numa praia sem fazer nada, bebericando um drinque", disse aos risos.

'CHILD OF GOD': LONGA DE JAMES FRANCO, COM NECROFILIA E VIOLÊNCIA, É APLAUDIDO

Violento e explícito, com cenas de assassinato, necrofilia e masturbação, "Child of God" - uma adaptação de romance de Cormac McCarthy - foi aplaudido na manhã deste sábado (31) no Festival de Veneza.

Mesmo nas cenas mais fortes ou nas mais gratuitas – como uma em que o ator Scott Haze aparece defecando, o filme escapou das vaias - e Haze pode ser considerado um dos favoritos até agora a uma premiação, ao lado de  Dame Judi Dench, que estrela "Philomena".

Para Haze, o filme de James Franco exigiu um extraordinário esforço físico, como o diretor foi o primeiro a reconhecer.
"Ele ficou isolado por três meses, dormindo no escuro, até em cavernas, sem falar com ninguém. E na filmagem continuou assim, isolado", contou Franco.

Haze mudou-se para o Tennesee, cenário original da história – embora o filme tenha, na verdade, sido feito em West Virginia – para assimilar o sotaque.

O ator contou que um amigo lhe ofereceu uma cabana para ficar sozinho, o que ele achou importante para "encontrar a fisicalidade e a animalidade de Lester" (nome do personagem, Lester Ballard).

"Li o roteiro com minha namorada, tentando descobrir com que partes de mim eu podia me conectar com a alma dele. Ele é um homem realmente isolado da sociedade, não apenas um maníaco", revelou.

O ator Scott Haze e o agora também diretor James Franco, hoje pela manhã em Veneza - Getty Images

Sobre a violência de várias sequências de "Child of God", Franco disse considerá-la "bastante moderada em relação a tantos outros filmes", sem citar nenhum.

Para ele, "não se trata de um thriller e sim de um estudo de personagem".
E disse que "tudo que está no filme estava no livro", embora tenha admitido ter mudado o final na telona, deixando mais ambíguo o destino de Lester – no livro, ele morre internado num hospital.

"Child of God" é o segundo capítulo de uma trilogia de Franco baseada em literatura – o primeiro foi "As I Lay Dying", inspirado em William Faulkner, apresentado em Cannes este ano, também com Scott Haze.

Franco comparou seu trabalho com roteiros originais ou adaptações.
"Eu me esforço bem mais quando estou adaptando o livro de alguém, que sempre admiro, como é o caso deste. Quando escrevo um roteiro original, pego mais leve comigo, não me forço tanto".

Mas disse "não considerar superiores" os roteiros baseados em livros.

Franco citou como inspirações desde "Taxi Driver", de Martin Scorsese, até "A Criança" e "O Filho", dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, passando por Gus Van Sant.

Scott Haze mencionou o Coringa de Heath Ledger em "Batman" e também Robert De Niro, de "Taxi Driver".

Confira um teaser de 'Child of God':


'PHILOMENA': DAME JUDI DENCH E STEPHEN FREARS OVACIONADOS POR DRAMA REAL DE MULHER QUE TEVE SEU FILHO ROUBADO

No dia em que se esperava que James Franco pudesse monopolizar as atenções com seu concorrente ao Leão de Ouro "Child of God", foi o veterano diretor inglês Stephen Frears quem mais brilhou.

Neste sábado (31), "Philomena",  novo trabalho do diretor de "A Rainha", foi ovacionado pelos jornalistas e membros da indústria cinematográfica em sua primeira exibição mundial.

Os aplausos apareceram não apenas ao fim da produção de forma abundante, mas ao longo de toda a projeção.

É fácil de entender o porquê: o roteiro co-escrito por Jeff Pope e pelo comediante Steve Coogan - que também atua no filme - é uma potente mistura de drama e humor sarcástico, uma fórmula que administrada da maneira errada pode resultar em uma obra melosa ou simplesmente errada.

Não é o caso de "Philomena", que possui todos os elementos nos lugares corretos: da maravilhosa trilha de Alexander Desplat à direção mais tradicional de Frears.

Stephen Frears, Dame Judi Dench e o ator e co roteirista Steve Coogan apresentam "Philomena' em Veneza - AFP

Mas o principal trunfo do filme está na química entre Coogan, um ex-jornalista demitido de um alto cargo no governo inglês após um e-mail "brincando" com os ataques de 11 de setembro, e Dame Judi Dench, uma senhora que, quando jovem, teve o filho roubado de suas mãos das freiras que a mantinham em cativeiro em um mosteiro na Irlanda, nos anos 1960.

A história verídica ganha contornos de filme de "parceria" no estilo "Um Estranho Casal" (1968) quando a filha da ex-enfermeira encontra o jornalista e pede sua ajuda - ele, por outro lado, tenta se recuperar do escândalo que custou seu emprego.

Segundo quem assistiu, Dame Dench está simplesmente apaixonante como uma mulher de bondade e fé quase inabaláveis (ou inacreditáveis), qualidades que servem de antídoto ao humor venenoso de Coogan por todo o filme.

"Encontrei a verdadeira Philomena, que agora está com 80 anos e ela é imensamente engraçada e cheia de vida. Nos demos bem de cara. Não é sempre que tenho a oportunidade de encontrar alguém para que possa capturar sua essência", disse Judi - já a maior candidata ao prêmio de melhor atriz do festival.

Na verdade, a exibição em Veneza adianta a corrida do Oscar, possivelmente colocando "Philomena" na briga por uma vaga em categorias como roteiro adaptado, atriz para Dame Dench e até melhor filme - a produção foi comprada pelos irmãos Weinstein, dois dos mais poderosos executivos de Hollywood.

No Brasil, o filme não tem data ou distribuidora.

Mas a preocupação de Stephen Frears não é com prêmios, ao que tudo indica.

Tratando de um tema sério sobre uma instituição da igreja católica que mantém jovens em cativeiro e vende seus bebês para americanos ricos - até a atriz Jane Russell (1921-2011) teria sido cliente - o diretor só deseja uma coisa:
"Quero que o Papa veja meu filme. Ele parece ser um cara bacana."

De minha parte, eu sou suspeitissimo pra falar de Dame Judi Dench - eu simplesmente adoro ela e torço para que uma das minhas atrizes favoritas leve todos os prêmios que puder levar por esse papel - Oscar inclusive.

Confira o trailer de 'Philomena':


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Com UOL, Rodrigo Salem (Folha de S.Paulo), Reuters, AFP e Getty Images