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quinta-feira, 5 de maio de 2016

'O MAIOR AMOR DO MUNDO': GARRY MARSHALL E SEU ELENCO ESTELAR JÁ FIZERAM FILMES BEM MELHORES


SINOPSE:

Nesta comédia romântica, várias histórias associadas à maternidade se cruzam: Sandy (Jennifer Aniston) é uma mãe solteira com dois filhos, Bradley (Jason Sudeikis) é um pai solteiro com uma filha adolescente, Jesse (Kate Hudson) tem uma história complicada com a sua mãe, Kristin (Britt Robertson) nunca conheceu a sua mãe biológica e Miranda (Julia Roberts) é uma escritora de sucesso que abre mão de ter filhos para se dedicar à carreira.

CRÍTICA:

Nova comédia romântica de Garry Marshall ('Uma Linda Mulher'), 'O Maior Amor do Mundo', em exibição em 131 salas em todo o Brasil, tenta mostrar as mais variadas formas de amor materno.

Assim, temos a mãe divorciada (que se dá bem com o ex-marido); a mãe do bebê fruto de uma relação inter-racial; de um amor de sexualidade não-convencional; a conservadora, educada em outra época; a mãe insegura; a mãe ausente e até o pai que é mãe.

A ideia de mostrar toda essa complexidade é o ponto positivo na construção deste longa, que no original se chama 'Mother's Day' (Dia das Mães).

O Maior Amor do Mundo : Foto Jennifer Aniston, Kate Hudson
Jennifer Aniston e Kate Hudson, em cena do longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Imagem Filmes
Marshall já tinha abordado outros “feriados” - 'Idas e Vindas do Amor' (2010), lançado no dia dos namorados e  'Noite de Ano Novo' (2011), com certa maestria, mas aqui, o bom diretor parece ter perdido a mão.

Primeiro porque, se a diversidade é bem-vinda no tema 'maternidade', ao atirar para todos os lados o diretor acaba não acertando ninguém.

O Maior Amor do Mundo : Foto Julia Roberts
Julia Roberts é Miranda
Depois, se prega uma certa aura de contemporaneidade, o que se vê no subtexto do longa é um conservadorismo absurdo.
A personagem de Jennifer Aniston, por exemplo (mãe divorciada que se dá bem com o ex-marido) só se justifica no papel de "mulher de alguém", se (des)equilibrando entre a esperança de o ex a aceitar de volta e/ou (o que vier primeiro) o surgimento de um novo interesse amoroso, de forma quase que desesperada.

Numa época em que discutimos diariamente o empoderamento da mulher, a construção da personagem soa antiquada.

O Maior Amor do Mundo : Foto Jason Sudeikis
Jason Sudeikis, em cena do longa
Como não há tempo de tela suficiente para tantos exemplos (mesmo com quase duas horas de projeção), o roteiro trata de correr mais que Usain Bolt para fechar adequadamente as histórias, tornando as soluções muito amadoras.

Como alguém consegue esconder um filho já em idade para entrar para a pré-escola da própria mãe (no caso, a avó da criança) é um dos mistérios que envolve a história de Kate Hudson (da relação inter-racial).

A jovem mãe insegura (Britt Robertson) foge do casamento por que... “eu não sei quem eu sou”.

Quando à presença da Diva das Divas Julia Roberts, pelo que vimos aqui, podemos supor que ela só topou participar do projeto por causa da eterna gratidão que tem com Garry Marshall, que a catapultou ao estrelado em 'Uma Linda Mulher'  (1989) e a tornou Diva em 'Noiva em Fuga' (1999), contribuindo decisivamente para a projeção da carreira e da conta bancária da atriz.

O Maior Amor do Mundo : Foto Julia Roberts
Julia Roberts e Jennifer Aniston, em cena do longa
Enfim, Marshall subestima a inteligência do espectador, por acreditar que não se questiona a mensagem do filme (bonita, claro), que mostra o amor de mãe, o amor incondicional.

É a ideia de que, com os olhos rasos d'água, o público não consiga ver o todo da obra, melosa e com todo tipo de clichê e que pouco ou nada está interessada no verdadeiro sentimento.

O público americano deu uma boa espiada: o longa estreou lá na semana passada em quarto lugar no Top 10 EUA, faturando US$ 8.302 milhões.

Vamos ver como o público brasileiro receberá Marshall e seu elenco estelar, que já fizeram filmes muito melhores.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:

'O MAIOR AMOR DO MUNDO'
Título Original:
MOTHER'S DAY
Gênero: 
Comédia
Direção: 
Garry Marshall
Roteiro: 
Anya Kochoff, Lily Hollander, Tom Hines
Elenco: 
Aasif Mandvi, Brandon Spink, Britt Robertson, Christine Lakin, Ella Anderson, Gianna Simone, Grayson Russell, Inder kumar, Jack Whitehall, Jamie Soricelli, Jason Sudeikis, Jennifer Aniston, Jon Lovitz, Julia Roberts, Kate Hudson, Margo Martindale, Nicolette Noble, Sandra Taylor, Sarah Chalke, Shay Mitchell, Timothy Olyphant
Produção: 
Brandt Andersen, Daniel Diamond, Howard Burd, Mark DiSalle, Mike Karz, Wayne Allan Rice
Fotografia: 
Charles Minsky
Montador: 
Bruce Green, Robert Malina
Trilha Sonora: 
John Debney
Duração: 
118 min.
Ano: 
2016
País: 
Estados Unidos
Cor: 
Colorido
Estreia: 
05/05/2016 (Brasil)
Distribuidora: 
Imagem Filmes
Estúdio: 
Aperture Media Partners / Capacity Pictures / Gulfstream Pictures / PalmStar Media / Rice Films

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

VENEZA 2012: TRHILLER COM KATE HUDSON ABRIU FESTIVAL ONTEM


Com um thiller político sobre as contradições de um jovem paquistanês ante o fanatismo após os atentados de 11 de setembro de 2011, começou nesta quarta-feira a 69ª edição do Festival de Veneza, que aposta nas estrelas e no cinema autoral.

O filme "The Reluctant Fundamentalist" ("O Fundamentalista Relutante"),  dirigido pela indiana Mira Nair,  foi exibido fora de concurso, foi bem recebido pela imprensa e retrata com ritmo eficaz o conflito entre Ocidente e Oriente, entre os diferentes fanatismos, tanto religioso como cultural e econômico, e é uma clara denúncia da intolerância.

"As aparências enganam" é o lema do filme, protagonizado por Riz Ahmed e Kate Hudson, baseado no best-seller de mesmo título, traduzido para 25 idiomas.

A história do brilhante jovem paquistanês Changez, que alcança sucesso como analista financeiro em Nova York, fechando empresas em todo o mundo e demitindo funcionários, desmorona diante das contradições do sonho americano após os atentados de 11 de setembro de 2011, que abalam suas convicções.


Confira uma entrevista com a diretora:



A transformação do jovem formado em Princeton, que cumpre todos os requisitos para triunfar nos Estados Unidos, inclusive a conquista de uma fotógrafa de família rica, começa com os preconceitos e abusos que sofre pela cor de sua pele, pelos injustificáveis controles da polícia, pelo medo e a intolerância provocados no país após os fatídicos atentados.

"Esta é a história de um conflito entre ideologias", afirmou a diretora, vencedora em 2001 do Leão de Ouro com "Um Casamento à Indiana", que vive entre Índia e Estados Unidos, assim como o protagonista do filme.

EFE
A americana Kate Hudson e o britânico Riz Ahmed na pré-estreia de "The Reluctant Fundamentalist" ("O Fundamentalista Relutante"), que abriu o 69º Festival de Veneza (29/8/12)

O festival, que este ano completa 80 anos de existência mas celebra sua 69ª edição pelas interrupções durante a Segunda Guerra Mundial e pelos protestos dos anos 60, começa em um clima positivo, em uma cidade que, apesar da crise econômica que afeta a Itália, inaugura no mesmo dia a Bienal de Arquitetura, um dos eventos mais importantes do setor no mundo.

"Uma demonstração de força e eficiência. Mostramos ao mundo o que somos", afirmou com orgulho Paolo Baratta, presidente da Bienal de Veneza, a entidade semipública que coordena os eventos culturais na cidade famosa pelos canais.

Com um novo visual, graças à criação de uma praça comum, a edição de 2012 terá durante 10 dias um desfile de estrelas e filmes de cineastas aclamados, como Robert Redford, Brian de Palma, Terrence Malick, Takeshi Kitano e Marco Bellocchio.

O espaço ao ar livre, com terraços e poltronas, que cobre parte do buraco aberto há dois anos para a construção frustrada do novo Palácio do Cinema, melhora a imagem do festival, que tenta renovar suas antigas infraestruturas.

No total, 18 filmes foram selecionados para disputar o cobiçado Leão de Ouro, que será concedido pelo júri presidido pelo cineasta americano Michael Mann.