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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

TRAILERS, PÔSTERS, VÍDEOS & IMAGENS


Confira:
'ALVIM E OS ESQUILOS – NA ESTRADA': NOVO TRAILER DA ANIMAÇÃO É DIVULGADO
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'JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL': NOVO COMERCIAL TRAZ CENAS INÉDITAS
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'ESQUADRÃO SUICIDA': IMAGENS DE REVISTA MOSTRAM CORINGA E EQUIPE PRONTA PRA GUERRA
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'STAR WARS': SAGA GANHA CAPA DE REVISTA ANIMADA
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'THE WANABE': LONGA PRODUZIDO POR MARTIN SCORCESE GANHA PRIMEIRO TRAILER
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'PEGANDO FOGO': TRAILER LEGENDADO TRAZ BRADLEY COOPER COMO CHEF DESACREDITADO
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DESTAQUES NO FESTIVAL DE BERLIM, 'TÁXI TEERÃ' E 'AUSÊNCIA' GANHAM TRAILER
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Veja:
'ALVIM E OS ESQUILOS – NA ESTRADA': NOVO TRAILER DA ANIMAÇÃO É DIVULGADO
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Vídeo relembra a trajetória de Alvin, Simon e Theodore
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'Alvin e os Esquilos: Na Estrada', quarta animação dos (para mim) irritantes bichinhos cantores, ganhou um novo trailer que relembra toda a trajetória dos protagonistas Alvin, Simon e Theodore.

Assista:


Na trama, o trio vai para a estrada em direção a Nova York após concluírem que Dave (Jason Lee) vai pedir sua namorada em casamento e se livrar deles.

Justin Long ('Duro de Matar 4.0'), Matthew Gray Gubler (o Spencer Reid da série 'Criminal Minds') e o cantor Jesse McCartney retornam para dublar as vozes dos protagonistas.

Walt Becker dirige e a previsão da Sony Pictures é que a animação chegue aos cinemas do Brasil em 24 de dezembro.

'JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL': NOVO COMERCIAL TRAZ CENAS INÉDITAS
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Mais uma vez estrelado por Jennifer Lawrence, longa deve concluir a franquia
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O novo comercial mescla momentos marcantes dos longas anteriores com cenas inéditas.

Confira:


Dirigido por Francis Lawrence, a trama acompanha os rebeldes do Distrito 13, que tentam concluir sua rebelião contra a Capital.

Além de Jennifer Lawrence, o elenco conta com Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Natalie Dormer, Julianne Moore, Donald Sutherland, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Stanley Tucci e Philip Seymour Hoffman - em sua última atuação nas telonas antes de morrer.

A Lionsgate marcou a estreia de 'Jogos Vorazes: A Esperança – O Final' para 18 de novembro aqui no Brasil - dois dias antes da estreia nos Estados Unidos.

'ESQUADRÃO SUICIDA': IMAGENS DE REVISTA MOSTRAM CORINGA E EQUIPE PRONTA PRA GUERRA
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Estreia do longa dos vilões acontece em agosto de 2016
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A última edição da revista Empire veio com muitas novas imagens do longa.

Confira as novas e reveja as antigas:
Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Cara delevigne


Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida


Esquadrão Suicida


Esquadrão Suicida

Previsto para estrear em agosto de 2016, o longa vai falar sobre a equipe de vilões da DC, que aceitam missões impossíveis em troca do perdão de suas penas.

No elenco estão Will Smith, Jared Leto, Margot Robbie, Cara Delevingne, Jai Courtney e Joel Kinnaman, Viola Davis, Adewale Akinnuoye-agbaje, Jay Hernandez, Adam Beach, Jim Parrack e Ike Barinholtz.

'STAR WARS': SAGA GANHA CAPA DE REVISTA ANIMADA
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Novo longa estreia em dezembro
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A revista Vanity Fair fez uma senhora homenagem à saga espacial  nessa semana.

Para divulgar sua nova edição, a revista postou na net uma capa animada, que mostra os personagens Han Solo e Shewbacca desde o primeiro longa, de 1977, até este último, que estreia em dezembro.

No recheio, fotos da saga feitas pela estrelada fotógrafa Anne Leibovitz.

A capa animada:

Além de Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew), a capa da edição de junho da Vanity Fair ainda tem Finn (John Boyega), Rey (Daisy Ridley) e o robô BB-8.

Veja a capa final:

A revista norte-americana anuncia que "O império recomeça" e fala em "novos heróis", "velhos heróis" e "apostas arriscadas" , a propósito do próximo filme da saga, 'Star Wars: O Despertar da Força', prometendo mais novidades no seu interior.

Vamos aguardar a divulgação das fotos do interior da revista.

'THE WANABE': LONGA PRODUZIDO POR MARTIN SCORCESE GANHA PRIMEIRO TRAILER
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Filme fala sobre jovem que deseja entrar para a máfia
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'The Wanabe', longa produzido por Martin Scorsese, ganhou o seu primeiro trailer, onde podemos ver o protagonista ficando obcecado ao entrar para a máfia.

Veja:


Baseado em fatos reais, o longa se passa no começo da década de 1990 e acompanha Thomas (Vincent Piazza), um jovem que deseja entrar para a máfia após acompanhar o julgamento de John Gotti.

Patricia Arquette ('Boyhood: da Infância à Juventude' e série 'CSI: CYBER') vive o interesse amoroso de Thomas.

Também estão no elenco Domenick Lombardozzi, David Zayas E Michael Imperiolli.

Quem dirige é Nick Sandow.

'The Wanabe' estreia nos Estados Unidos em 4 de dezembro.

'PEGANDO FOGO': TRAILER LEGENDADO TRAZ BRADLEY COOPER COMO CHEF DESACREDITADO
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Longa é estrelado por Bradley Cooper, no papel do chef Adam Jones
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A Paris Filmes divulgou o trailer de 'Pegando Fogo', longa-metragem ambientado no mundo da alta gastronomia.

No filme dirigido por John Wells (vencedor do Emmy pela série de TV 'The West Wing'), Jones (Bradley Cooper) é um chef fora do mercado, que vive em Londres abrindo ostras em um pequeno restaurante local.

Tentando se recuperar de vários vícios, ele vai a Londres procurar seu mâitre, Tony (Daniel Brühl), para tentar convencê-lo a retomar a antiga parceria.

Assista:


O elenco conta ainda com Sienna Miller, Omar Sy, Emma Thompson e participação especial de Uma Thurman.

O longa teve a consultoria dos chefs Marcus Wareing (que elaborou os pratos do filme), Gordon Ramsay e Marco Pierre White - em quem Cooper se inspirou para o papel principal.

O longa será lançado em 3 de dezembro.

DESTAQUES NO FESTIVAL DE BERLIM, 'TÁXI TEERÃ' E 'AUSÊNCIA' GANHAM TRAILER
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Filmes estreiam em novembro
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A comédia iraniana 'Táxi Teerã' e o drama brasileiro 'Ausência' são destaque entre as estreias próximas.

Ambos os filmes foram elogiados pela crítica no Festival de Berlim e acabaram de ganhar trailer inédito.

'Ausência' acompanha Serginho (Matheus Fagundes), menino de 14 anos que se mostra bem mais maduro que os jovens da sua idade.

Encarregado de cuidar do irmão mais novo, já que sua mãe é ausente e sofre de problemas com álcool, ele se desdobra para trabalhar na feira, mas sem deixar de lado as brincadeiras de criança.

A única figura adulta em sua vida é o Professor Ney, mas essa relação entre eles irá muito além do ambiente da sala de aula.

Confira o trailer de 'Ausência':


O filme, dirigido por Chico Teixeira, fez parte da Seleção do Festival de Berlim 2015, na Mostra Panorama, e venceu os os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora no Festival de Gramado 2015.

A estreia ocorre em 26 de novembro.

Já a comédia dramática 'Táxi Teerã', do diretor Jafar Panahi ('Isto Não É Um Filme'), foi a vencedora do Urso de Ouro - prêmio máximo do Festival de Berlim 2015.

No melhor estilo falso documentário, Panahi instalou câmeras de vídeo dentro de um táxi, que rodou pelas ruas de Teerã, para filmar os clientes ao longo dos trajetos.

Confira o trailer de 'Táxi Teerã':


Dentro os assuntos debatidos estão muito humor, posições políticas, liberdade de expressão, entre outros.

O longa chega aos cinemas em 19 de novembro.

Ambos os longas tem distribuição da Imovision aqui no Brasil.
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Até +!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

'QUE HORAS ELA VOLTA?': REGINA CASÉ, IRRESISTÍVEL E SENSACIONAL NUM DOS FILMES MAIS BELOS E POÉTICOS DO ANO


SINOPSE:

A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica.

Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando na casa de seus patrões.

Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova.

Mas quando Jéssica chega, a convivência é difícil.

Ela não age dentro do protocolo "filha da empregada" esperado para ela, o que gera tensão dentro da casa.

Todos serão atingidos pela autenticidade de sua personalidade.

No meio desse fogo cruzado, dividida entre a sala e a cozinha, Val terá que achar um novo modo de vida.

CRÍTICA:

Nesse conturbado período pós-eleitoral, quando derrotados e representantes eleitos contestam as regras, as alianças e a estrutura do sistema político brasileiro, um filme raro, exemplar, chega sem maiores pretensões para discutir este Brasil  movamente dividido.

Misturando drama e comédia, 'Que Horas Ela Volta?', de Anna Muylaert - em exibição em 73 salas em todo o Brasil - consegue confrontar o Nordeste e o Sudeste, os ricos e os pobres, o Brasil segregacionista e a ideia de união nacional que tão duramente conquistamos nos últimos anos.

Regina Casé, de volta à atuação depois de muito tempo, interpreta Val, uma empregada doméstica pernambucana que mora há mais de uma década em São Paulo, na casa dos patrões.

Que Horas Ela Volta? : Foto
Regina Casé como Val, protagonista do longa - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Gullane Filmes
Dentro deste amplo lar de classe média-alta, Val é considerada “quase da família”, tendo criado os filhos dos patrões como se fossem os próprios.

O "quase" vem pelo fato de ela ainda fazer suas suas refeições em uma mesa separada, dormir num aperdadíssimo quartinho dos fundos e jamais ter entrado na grande piscina onde "a famíli"' se diverte.

A empregada doméstica foi o símbolo escolhido pela diretora para ilustrar a condescendência de certa elite que “acredita sinceramente ter sido feita para ocupar tal posição”, diz Anna Muylaert , que sempre brincou com as diferenças sociais, dando destaque à classe média. 

Às vezes, seu humor peculiar e absurdo se sai bem ('Durval Discos', 'É Proibido Fumar'), às vezes, força a mão na caricatura ('Chamada a Cobrar').

Aqui, porém, a diretoria apela para um fundo mais dramático e narrativamente mais convencional que os filmes anteriores, o que resulta na sua melhor obra, a mais doce e comovente, fugindo do maniqueísmo em que o jogo de opostos poderia facilmente desaguar.

O elemento que escancara essa falsidade entre patrões e empregados e sua dinâmica familiar é a chegada de Jéssica (Camila Márdila), filha de Val, à casa dos patrões, vinda de Pernambuco na intenção de se preparar para o vestibular.

Questionadora, ela é o elemento de subversão que coloca à luz a artificialidade daquela estrutura, que parecia natural tanto à família quanto a Val.

Que Horas Ela Volta? : Foto
Val repreende a filha, depois que ela ousa se banhar na piscina da casa
Como o visitante de 'Teorema', de Pasolini, a garota de passado misterioso chega para seduzir o pai e o filho, questionar a autoridade da patroa e desestabilizar a própria mãe.

O equilíbrio na representação é mantido graças ao excelente trabalho do elenco.

Regina Casé deixa de lado sua habitual histrionice e seus gestos corporais amplos para dar à sua Val uma feição mais simples, lenta, de quem desempenha as mesmas tarefas há décadas.

O humor de suas falas é irônico, mas simples, cotidiano, o que leva a sua personagem – e o filme – para o bem-vindo tom de crônica social.

Camila Márdila como a filha também tem uma atuação excepcional, tateando o terreno dentro da casa desconhecida e sutilmente ganhando espaço, como uma boa estrategista.

O casal interpretado por Karine Teles e Lourenço Mutarelli cumprem bem a imagem dos ricos e supostamente descolados, apesar de serem presos às convenções sociais.

Que Horas Ela Volta? : Foto
Val com os patrões, interpretados  por Lourenço Mutarelli e Karine Telles
Se o roteiro foca demais em alguns símbolos (o sorvete, as xícaras de café), isso corresponde à vontade de fazer deste lar um exemplo de milhares de outros lares nas mesmas condições e justamente por isso, pequenos símbolos são obrigados a ganhar uma importância maior do que normalmente teriam.

A atitude de Carlos (Mutarelli) em relação a Jéssica também surpreende, mas isso provavelmente se encaixa na cota de pequenos surrealismos que Muylaert gosta de embutir em suas histórias, como uma assinatura pessoal.

De qualquer modo, estes fatos não alteram o ritmo agradável da história, que levou a plateia às gargalhadas no Festival de Berlim (que lhe deu o prêmio de Melhor Filme), depois de também cativar o público em Sundance.

Foi em Sundance, aliás, que a atuação arrebatadora de Casé foi mais reconhecida: o festival criado por Robert Redford não tem o prêmio de 'Melhor Atriz' e nessa última edição, a categoria foi criada justamente para laurear Regina.

O público brasileiro, principalmente a grande maioria a favor das profundas mudanças societárias pelas quais o país vem passando, também se identificará com este filme, que marca o último trabalho do mestre Antonio Abujamra .

Muitas pessoas poderão ver na telona suas próprias famílias, ou as famílias de pessoas que conhecem.

Que Horas Ela Volta? : Foto Camila Márdila
Camila Márdilla como Jéssica
Sempre presentes nas cinematografias de outros países, as comédias de cunho social são raríssimas no cinema brasileiro, principalmente com a qualidade e profundidade desta pequena pérola, que merece ser vista e revista e que representa aquela faixa de mercado tão necessária e tão ausente na nossa cinematografia: a dos “filmes do meio”, que fica entre as pequenas obras herméticas do circuito de arte e os grandes arrasa-quarteirões da comédia popular.

Pelo respaldo que o longa vem tendo junto à mídia americana especializada, eu, se fosse da comissão que todo ano escolhe o filme brasileiro candidato ao Oscar, nem piscaria em mandar pro red carpet do maior prêmio do cinema esse filme simples, poético, de uma beleza e de uma verdade absolutas.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'QUE HORAS ELA VOLTA?'
Gênero:
Drama
Direção e Roteiro: 
Anna Muylaert
Elenco:
Antonio Abujamra, Camila Márdila, Helena Albergaria, Karine Teles, Lourenço Mutarelli, Luis Miranda, Michel Joelsas, Regina Casé, Theo Werneck
Produção:
Anna Muylaert, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Gabriel Lacerda
Fotografia:
Bárbara Álvarez
Montador:
Karen Harley
Trilha Sonora:
Fábio Trummer
Duração:
114 min.
Ano:
2015
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia:
27/08/2015 (Brasil)
Distribuidora:
Pandora Filmes
Estúdio:
África Filmes / Globo Filmes / Gullane Filmes
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

FESTIVAL DE BERLIM 2015 : JAFAR PANAHI LEVA URSO DE OURO E BRASILEIRO 'QUE HORAS ELA VOLTA?' É O MELHOR PELO PÚBLICO


Com a última exibição do documentário "Cobain - Montage of Heck" às 23h deste domingo (15), a Berlinale encerrou sua 65ª edição.

Em 2015, o Festival de Berlim exibiu 400 filmes e recebeu 310 mil espectadores, dez mil a mais do que no último ano, reafirmando seu status de maior público em festivais de cinema.

A première  mundial de "Cinquenta Tons de Cinza", a volta dos diretores alemães Wim Wenders e Werner Herzog com produções de elenco hollywoodiano, a onipresença de James Franco e o Urso de Ouro para Jafar Panahi por seu "Taxi" foram os principais destaques.

Ponto alto também foi a estreia do brasileiro "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert  e estrelado por Regina Casé - favorito do público entre 60 filmes.

Nicole Kidman, Natalie Portman e Christian Bale passaram pelo tapete vermelho em uma edição mais morna em relação ao último ano, quando Lars Von Trier e Shia LaBeouf criaram polêmicas na estreia de "Ninfomaníaca - Parte 1".

Nicole Kidman no red carpet de Berlim - AFP
Os exageros do cinema americano foram levados com ironia  - prova disso foram as risadas da crítica na première mundial de "Cinquenta Tons de Cinza" de Sam Taylor Wood e na primeira cena de Robert Pattinson em "Queen of The Desert", quando o galã da saga "Crepúsculo" surgiu vestindo um pomposo turbante.

Entre as ficções brasileiras, as atenções se voltaram para a comédia "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert, e do melancólico "Ausência", de Chico Pinheiro.

O comentário geral é de que as duas produções são reflexo das mudanças políticas e sociais do país, tocando em temas como o PEC das domésticas, falhas da educação e as ausências na vida de um jovem pobre que amadurece precocemente.

Em 2014, o público escolheu "Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho", de Daniel Ribeiro.

Red carpet à frente do Palácio dos Festivais em Berlim, onde acontece todos os anos a Berlinale - AFP
Confira agora o que de melhor rolou nessa 65ª edição da Berlinale:

JAFAR PANAHI LEVA URSO DE OURO POR 'TÁXI' - VEJA OUTROS GANHADORES

O cineasta iraniano Jafar Panahi levou o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim.

Proibido de filmar pelo governo de seu país, Panahi rodou em segredo o longa-metragem, que se passa dentro de um táxi no Irã, com o diretor interpretando o motorista e pegando passageiros diversos pelas ruas de Teerã.

Aos 54 anos, Panahi é celebrado pelos cinéfilos em todo o mundo, mas está proibido de realizar sua atividade no Irã, onde o regime considera subversiva sua visão crítica da sociedade.

Ele foi detido por causa de um documentário que estava filmando sobre os distúrbios a respeito da polêmica eleição presidencial de 2009 e foi proibido de fazer novos filmes por 20 anos "por atentado contra a segurança do Estado e ato de propaganda contra o regime".

Sobrinha de Panahi, Hanna Saeidi sobe ao palco e se emociona  ao receber em nome do tio o Urso de Ouro - prêmio máximo da Barlinale - Yahoo News
"Taxi" é o terceiro filme que Panahi dirige após a condenação.

Confira um clipe de 'Táxi':


Apesar de não ter permissão de viajar ao exterior, o iraniano foi muito aplaudido em Berlim e recebeu estímulo para seguir desafiando a proibição.

O longa também foi eleito melhor filme pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (FIPRESCi) entre os 19 aspirantes da seção em competição do Festival de Berlim.

Em 2013, o iraniano já havia vencido o Urso de Prata pelo filme "Cortinas Fechadas".

Presidido por Darren Aronofsky - diretor de "Cisne Negro" - o júri do festival alemão premiou ainda a atriz Charlotte Rampling e o ator Tom Courtney, além do diretor Pablo Larrain, vencedor do Grande Prêmio do Júri por "The Club".

A atriz Charlotte Rampling aceita seu Urso de Prata de Melhor Atriz - Miami Herald
O prêmio de melhor roteiro foi para o documentário "The Pearl Button", de Patricio Guzman.

'A QUE HORAS ERA VOLTA' LEVA PRÊMIO DO PÚBLICO E OUTROS LONGAS BRASILEIROS TAMBÉM FORAM MUITO ELOGIADOS

Sem filmes concorrendo na competição oficial, o cinema brasileiro participou da 65ª edição da Berlinale nas Mostras Panorama, Generation e Forum - mas isso não quer dizer que a seleção tenha sido desprestigiada.

O público do festival esgotou sessões de "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert, para quem deu o prêmio de melhor filme do festival.

"Ausência", de Chico Teixeira, foi igualmente elogiado, com o público participando ativamente dos debates com o diretor no final da exibição.

Ambas as histórias mostram de alguma forma as questões sociais pelas quais o país está passando.

Estrelado por Regina Casé, "Que Horas Ela Volta" conta a história de Val, que deixa uma filha pequena no Nordeste e parte em direção a São Paulo, onde se emprega na casa de uma família e acaba sendo uma "segunda mãe" do filho do casal.

Treze anos depois, a sua filha Jessica (Camila Márdila, também premiada no festival por sua performance), vai ao encontro da mãe para prestar vestibular.

Wieland Speck, curador da Panorama, diz que viaja anualmente para o país e neste ano queria mostrar "que o Brasil não é mais aquele lugar onde os mais ricos fazem filmes sobre os mais pobres".

Para ele, a seleção "apresenta um retrato atual das mudanças no cenário brasileiro político e social brasileiro".

O comentário geral é de que o Brasil exibiu sua seleção mais interessante em 2015.

"'Que Horas Ela Volta?' prova que uma comédia por ser engraçada e ao mesmo inteligente e sutil", comentou o jornalista francês Malik Berkati.

Em artigo no espanhol "La Vanguardia", é mencionado que o filme mostra "uma sociedade em processo de mudança com amostras de uma emancipação das classes menos privilegiadas."

Veja o trailer de 'Que Horas Ela Volta?':


Em entrevista no fim da última exibição de "Ausência", a estudante alemã Ilwyn Siwsiay, 29, disse que este "é um filme muito autêntico na forma que ele transporta os sentimentos de perda e solidão. O garoto tentando ter amor de qualquer um e sendo rejeitado, foi muito difícil de ver. Mas é um filme muito importante para que as pessoas vejam como crianças crescem em uma atmosfera onde não podem criar uma personalidade saudável."

Chico Pinheiro contou que "Ausência" veio de uma aposta em suas observações em São Paulo.

Roteiro que surgiu no Co-Production Market da Berlinale, o longa mostra a solidão adulta dos jovens brasileiros que amadurecem cedo por causa das obrigações e necessidades da família. 

"Esse filme mostra um garoto que está entrando na vida pela porta dos fundos. Esse filme veio de uma inquietação minha. Não quero falar de favela e tiros. Me interessa falar de gente, do ser humano, da complexidade que é a humanidade. Todo mundo é traído, é abandonado, não é fácil viver", comentou.

Para a catalã Carlota Monsegui, o longa do carioca "poderia ser o melhor da Berlinale".
Ela escreve que "a presença do Brasil no festival foi fundamental para esta edição".

"Nas quatro sessões principais, temos títulos muito interessantes, como 'Beira-Mar'. Mas a grande revelação veio com 'Ausência', um filme que mostra uma extrema crueldade humana."

"Beira-Mar", da dupla iniciante Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, foi exibido como parte da mostra Forum, que destacou as dificuldades e abusos que os adolescentes sofrem nos dias de hoje.

De Lírio Ferreira, "Sangue Azul" foi exibido também na Panorama.

O grupo de amigos John Ewald, 28, Christian Becker, 29, e Allan Griegs, 25, disse que o filme é bonito, mas não surpreende.

"Trouxe meus amigos porque visitei Fernando de Noronha, e gostei muito das cenas no início e da fotografia. Mas depois não entendi, para que tanto sexo?", questiona Ewald.

Para Lírio, "'Sangue Azul' é uma expedição de ficção científica sobre o cinema, sobre o circo e sobre a impossibilidade do amor".

"Estamos passando por uma transição muito forte na forma de fazer cinema. Dos últimos cinco anos para cá o cinema tem passado por mudanças tecnológicas muito grandes. A presença do circo é uma metáfora: É um arte que já 'capengou' e que foi se reinventando. E o cinema está vivenciado um processo semelhante, de reinvenção."

'CINQUENTA TONS DE CINZA', RECEBIDO COM DEBOCHE PELA CRÍTICA E HISTERIA DOS FÃS

Com cosplay de Christian Gray, adolescentes histéricas e descaso da crítica, a adaptação cinematográfica do soft pornô de E. L. James estreou como assunto paralelo no festival.

O ator Jamie Dornan, no red carpet de Berlim - Getty Images
Mesmo sem ter mostrado a que veio,o protagonista Jamie Dornan assinou autógrafos em pôsteres e tirou selfies com as fãs  dos gritos mais estridentes, em sua passagem pelo tapete vermelho do festival.

TERRENCE MALICK APRESENTOU SEU PIOR FILME

Para a "Variety", "o sétimo longa do diretor Terrence Malick é vazio como o estilo de vida que exibe".

A 'BBC' considerou "Knights of Cups" como o pior filme do recluso cineasta, com um roteiro déjà vu sobre a superficialidade da vida em Los Angeles e um personagem principal raso.

Christian Bale e Natalie Portman em Berlim - AFP
Os protagonistas do longa são Natalie Portman e  Christian Bale.

O ator, que começou a filmar com Malick na mesma semana em que acabou de rodar 'O Cavaleiro das Trevas Ressurge' - disse em encontro com jornalistas que improvisou nas cenas e atuou sem roteiro no drama.

URSO DE OURO PARA JAFAR PANAHI REAFIRMA VIÉS POLÍTICO DA PERLINALE

"Ele criou uma carta de amor ao cinema", disse o presidente do júri, Darren Aronofsky, ao entregar o Urso de Ouro para a pequena Hanna Saeidi, sobrinha do iraniano Jafar Panahi, no momento mais emocionante da premiação que aconteceu neste sábado (14), no Berlinale Palast.

O diretor americano Darren Aronofsky, presidente do júri da Berlinale 2015 - Contact Music
Justificando a escolha do júri, o curador Dieter Kosslic disse que a "Berlinale é e sempre foi um festival político."

'VICTORIA': RODADO AO VIVO E SEM EDIÇÕES, É O FILME ALEMÃO DE 2015

Em um ano com estreias de grandes nomes do cinema alemão, como "Everything Will Be Fine", de Wim Wenders, e "Queen of The Desert", de Werner Herzog, um filme de baixo orçamento e muita criatividade foi o mais elogiado pelo público e pela crítica.

Vencedor do prêmio de Contribuição Artística Excepcional, "Victoria" é um "Corra, Lola, Corra" contemporâneo, mas chamou a atenção pela forma como foi produzido.

O longa de Sebastian Schipper foi filmado em plano sequência e em único take de 160 minutos, um thriller que levou apenas três filmagens para ser finalizado.

Lala Costa beija o diretor Sebastian Schipper - The Local
Com roteiro improvisado cena a cena, o longa acompanha a trajetória de 24 horas de Victoria (a espanhola Lala Costa) que se envolve com um grupo de quatro jovens alemães e é persuadida a dirigir o carro da fuga em um assalto a um banco.

A ONIPRESENÇA DE JAMES FRANCO

Era difícil caminhar pelas ruas da Potsdamer Platz, onde o festival é realizado, sem esbarrar em algum dos pôsteres de divulgação do festival com o rosto de James Franco.

Situação semelhante aconteceu nas telonas, onde o ator protagonizou os longas de Wenders e Herzog, a produção independente "I Am Michael" e a exibição paralela de "A Entrevista".

James Franco no Red carpet de Berlim - Contact MusicEm entrevista, Franco diz que este é um reflexo de diferentes trabalhos que está perseguindo.
"As pessoas gostam de dizer que são muitas coisas, mas eu vejo que tudo que faço está conectado de uma forma ou de outra. E atrás de tudo isso está meu interesse em coisas diferentes e perseguir novas formas de criatividade, de reinventar e encontrar novas abordagens. Seja na produção, na escrita ou na direção, elas são apenas saídas alternativas."

Ao mesmo tempo que interpreta quatro personagens diferentes - um escritor, o amante de uma grande aventureira, um ex-ativista gay e um jornalista vaidoso - a impressão é de que os seus esforços para se desenvolver como ator são grandes, mas nas telas o efeito ainda é praticamente o mesmo, com atuações muito semelhantes.

Mas que ele sabe causar, sabe!

A MULHER NO CINEMA E CENSURA FORAM PAUTAS IMPORTANTES

A Berlinale anunciou antecipadamente seu esforço em criar uma edição mais feminista e esse foi o assunto que pautou as discussões.

A espanhola Isabel Coixet - que fez a abertura com "Nobody Wants The Night" - comentou que "não se limita cinema pelo gênero".

Já a diretora polonesa Malgorzata Szumowska preferiu comemorar: 
"Sou diretora, sou mulher e estou aqui hoje", comentou ao receber o Urso de Prata de Melhor Direção com o drama performático "Body".

A diretora polonesa Malgorzata Szumowska aceita seu Urso de Prata - UK News/Yahoo
A censura também foi um tema recorrente nas discussões com a imprensa.

Diretor do elogiado longa mexicano sobre os amores do cineasta soviético Serguei Einsenstein, Peter Greenway comentou a censura de seu filme na Rússia, que negou ter proibido o roteiro.

"Nós sabemos sobre a censura que acontece no seu país. Vamos nos perguntar porque a Rússia nunca fez um bom filme sobre Eisenstein? Porque ele é homossexual", discutiu com o repórter russo que insistia em dizer que não existe censura na Rússia - sen-sa-cio-nal!

CONVIDADA PARA DEBATE SOBRE LIBERDADE DE EXPRESSÃO, 'CHARLIE HEBDO' RECUSA, MAS ENVIA CARTUM PARA A BERLINALE

O Cinema Fund, evento paralelo à Berlinale que arrecada fundos e incentiva a produção cinematográfica sobre a paz, convidou os jornalistas do "Charlie Hebdo" para uma conversa sobre liberdade de expressão.

A revista recusou enviando um desenho onde uma pomba branca com um galho de oliveira na boca pergunta: "Você está falando comigo?".

 Integrantes da banda punk Pussy Riot em Berlim - Interaksyon
No mesmo evento, integrantes da banda punk Pussy Riot fizeram uma homenagem ao artista chinês Ai Weiwei, que deu um depoimento em vídeo.
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Até o ano que vem!!