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sexta-feira, 1 de abril de 2011

"AS MÃES DE CHICO XAVIER" É OUTRO FILME QUE SE PERDE EM EXPLICAÇÕES EM VEZ DE CONTAR UMA HISTÓRIA

"As Mães de Chico Xavier", que estreia hoje em todo o Brasil, faz uma espécie de resumo dos três filmes relacionados com o famoso médium brasileiro, lançados nos últimos meses: "Chico Xavier", a biografia assinada por Daniel Filho; "Nosso Lar", adaptação do livro homônimo; e "As Cartas Psicografadas de Chico Xavier", documentário sobre comunicação entre vivos e mortos.

No centro da trama da estreia de hoje, estão três mulheres com dilemas que envolvem a vida e o além: Ruth - Via Negromonte - é casada com Mário - Herson Capri -, produtor de televisão, cujo filho, Raul - Daniel Dias - é drogado; Elisa - Vanessa Gerbelli - está com seu casamento em crise, e ela deposita toda sua esperança no filho pequeno - Gabriel Pontes; e Lara - Tainá Muller - descobre que está grávida de seu namorado - Gustavo Falcão -, que ganhou uma bolsa de estudos na Espanha - ela pensa em fazer um aborto.

Acompanhamos as três histórias correndo paralelamente, até se juntarem na figura do médium - novamente interpretado por Nelson Xavier.

DivulgaçãoNelson Xavier, em cena do filme

O roteiro, de Emmanuel Nogueira e Glauber Filho - que também dirige o longa com Halder Gomes -, é baseado no livro "Por trás do Véu de Ísis", do jornalista Marcel Souto Maior.

Caio Blat interpreta Karl, um repórter de televisão que é uma espécie de alterego de Souto Maior - trabalhando com Mário, ele é incumbido de entrevistar Chico Xavier, e comprovar a veracidade das cartas psicografadas.
Na hora da entrevista é que as três histórias convergem, Karl aceita as mensagens como verídicas. e se impressiona com o médium.

O que une as três tramas, mais do que o médium e a comunicação pós-morte, é a temática da maternidade. Ruth acha que falhou ao criar seu filho - artista plástica, tenta superar suas frustrações pintando quadros. Elisa se transforma em mãe em tempo integral - negligenciada pelo marido - Joelson Medeiros -, ela encontra no filho a única razão para passar os seus dias. Já Lara tem dúvidas se nasceu para ser mãe - dúvida que rende a única boa cena do filme, envolvendo as duas personagens, já perto do final.

DivulgaçãoVia Negromonte e Herson Capri, em cena do filme

"As Mães de Chico Xavier" é um filme de mensagens claras, uma espécie de propaganda nada sutil de doutrinas e julgamentos morais, como demonstra o letreiro final, que diz: "Esse filme é dedicado às vítimas do aborto provocado".

Os espíritas, evidentemente, vão amar, e outros vão ficar tocados com uma cena aqui ou acolá.

O filme tinha a pretensão de fechar com brilho as comemorações pelo centenário do médium, mas como espetáculo para as telonas, é fraco, raso e explicativo demais, desperdiçando um elenco acima da média.

E eu ainda tento entender porquê todo filme espírita precisa ser assim, tão explicadinho, e, portanto, tão chatinho.

Confira o trailer do filme:
***** "AS MÃES DE CHICO XAVIER"
Título original: As Mães de Chico Xavier
Diretores: Glauber Filho, Halder Gomes
Produção: Estação Luz Filmes
Distribuição: Paris Filmes
Elenco:
Paulo Goulart Filho
Gustavo Falcão
Tainá Muller
Caio Blat
Neuza Borges
Gabriel Pontes
Joelson Medeiros
Vanessa Gerbelli
Daniel Dias
Via Negromonte
Herson Capri
Nelson Xavier
Gênero: Baseado em fatos reais, Drama
Duração: Cansativos 108 min.
Ano: 2011
Data da Estreia: 01/04/2011
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos
País: Brasil
COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 2 de abril de 2010

"CHICO XAVIER": FILME FICA MUITO AQUÉM DA IMPORTÂNCIA DO MÉDIUM


Santo ou demônio? Confiável ou falsário?
Essas foram algumas dúvidas que o médium brasileiro Chico Xavier levantou por toda sua vida.
O longa "Chico Xavier", feito sob encomenda para o aniversário de 100 anos do seu nascimento, parece que não se preocupou muito com esse tipo de conflito.

Dirigido por Daniel Filho (dos campeões de bilheteria "Se eu fosse você"), a partir de um roteiro de Marcos Bernstein ("Central do Brasil"), e baseado na biografia "As vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior, o filme traça um retrato chapa-branca de seu protagonista - que morreu em 2002.

O Chico Xavier do filme, interpretado pelo garoto estreante Matheus Costa, Ângelo Antonio ("2 Filhos de Francisco") e Nelson Xavier ("Narradores de Javé") nas diversas fases de sua vida, é um personagem sem muitos dilemas interiores -há umas poucas vaidades, mas conflito mesmo, daqueles de consumir, não existe. Desde pequeno, ele parece aceitar tranquilamente seu dom e sua missão, o que, para quem acompanhou a sua trajetória de vida, sabe que não é verdade.

Foto: Divulgação Globo Filmes

Nelson Xavier interpreta Chico adulto

Morando com a madrinha (Giulia Gam, de "A Guerra dos Rocha"), o pequeno Chico é visto como um ser estranho por ela, que tem medo e fascinação aom mesmo tempo pela sua mediunidade. A única a compreendê-lo é a mãe morta (Letícia Sabatella, de "Não por acaso"), com quem ele aparece em longos diálogos.

ASSISTA AO TRAILER :



Mais tarde, morando novamente com o pai (Luis Melo, "Encarnação do Demônio"), ele ganha outra cúmplice - a madrasta (Giovana Antonelli, de "Budapeste"). Com alguns saltos de roteiro, Chico chega à vida adulta, quando sua mediunidade se manifesta com mais força e ele começa a estudar a doutrina espírita.

Ainda morando em sua cidade natal, Pedro Leopoldo (MG), recebe pessoas que pedem sua ajuda para se comunicar com parentes e amigos que já morreram. Nessa mesma época, Chico começa a receber as visitas de uma entidade que recebe o nome de Emmanuel (André Dias), que o acompanhará ao longo de sua vida.

A narrativa de ficção é pincelada por trechos de uma participação real no programa de entrevistas "Pinga-Fogo", na TV Tupi, na década de 1970. Nele, uma espécie de "Roda Viva" de sua época, Chico é sabatinado pelas mais diversas pessoas, que colocam em xeque seus poderes e crenças.

Essa entrevista na TV é usada como costura aos episódios da vida do médium no filme, e também serve para amarrar outra linha narrativa do longa, a da história do casal Orlando (Tony Ramos, de "Tempos de Paz") e Gloria (Christiane Torloni, de "Onde andará Dulce Veiga?"), que perderam um filho em um acidente recente.

Ela está desesperada, enquanto o marido, que é o diretor do "Pinga-Fogo", é cético. Essa parte do roteiro não se baseia numa história específica - embora sua conclusão venha de um fato real, envolvendo uma carta psicografada pelo médium.
O casal serve como identificação do público na telona.
E, para não deixar ninguém de fora, um deles acredita em Chico Xavier e suas cartas, e o outro é o cético que não acredita em nada disso.

Como personagem cinematográfico, falta a esse Chico Xavier conflitos e nuances, já que ele aceita a sua missão muito facilmente, dizendo: "Eu sou como um carteiro, recebo cartas, e aí entrego".
O único senão é um pouco de vaidade, causa de alguns desentendimentos com Emmanuel, mas nada muito sério.
Quando se muda para Uberaba, onde abre seu centro, Chico já é bastante conhecido e recebe visitas de pessoas de vários cantos do país em busca de comunicação com mortos.

Daniel Filho é um ótimo diretor, mas nesse trabalho ele parece não ter qualquer ambição mais cinematográfica.
É um filme feito para as massas, que devem se emocionar em cada momento calculado para fazer chorar - especialmente as cenas que mostram a comunicação entre pais e filhos, em que um dos envolvidos já morreu.

Foto: Divulgação Globo Filmes

Nelson Xavier, Daniel Filho e Ângelo Antônio, numa coletiva de imprensa sobre o filme

Por outro lado, como bem mostram as imagens finais do longa, tiradas do programa "Pinga-Fogo" real, Chico Xavier era uma figura maior, bem maior do que aquela mostrada pelo filme.
Sem dúvida, não seria fácil captar num longa de ficção uma figura tão complexa como o médium.
O que não se justifica são alguns momentos rasos do filme.

Chico Xavier é um dos mais importantes brasileiros de todos os tempos.
Sua história seria melhor contada, talvez, numa minissérie de TV, com muitos capítulos.

Enquanto isso, permita-se mergulhar nos mais de 450 livros psicografados por ele, e na ótima biografia

"As vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior.

Avaliação do Klau: