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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

'ELIS': COM ANDREA HORTA ESPETACULAR, LONGA SÓ FALHA EM NÃO CONSEGUIR APRESENTAR A CANTORA ÀS NOVAS GERAÇÕES

SINOPSE:

Cantora desde a infância, Elis Regina Carvalho Costa (Andreia Horta) entra na vida adulta deixando o Rio Grande do Sul anos 19 anos para espalhar seu talento pelo Brasil a partir do Rio de Janeiro.

Em rápida ascensão, ela logo conquista uma legião de fãs, entre eles o famoso compositor e produtor Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), com quem acaba se casando.

Estrela de TV, polêmica, intensa e briguenta, a "Pimentinha" não tarda a ser reconhecida como a maior voz do Brasil, em carreira marcada por altos e baixos, até sua morte trágica e precoce.

CRÍTICA:

Considerada por muitos a melhor cantora brasileira de todos os tempos, Elis Regina (17.03.1945 — 19.01.1982) era chamada pelos íntimos de 'Pimentinha', por conta de sua baixa estatura, aliada à sua personalidade forte e explosiva.

É a trajetória desse ícone brasileiro que finalmente chega às telonas no filme 'Elis', do estreante Hugo Prata e que estreia hoje em 225 salas em todo o Brasil.

O filme não seria nem um décimo do que é se Andrea Horta não personificasse Elis à perfeição.

Elis : Foto
Andrea Horta interpreta Elis, dos 19 anos (acima) até sua morte precoce - Fotos dessa Postagem - Divungação/Downtown Filmes
Além de se parecer uma barbaridade com Elis, Andrea incorporou todo o seu gestual - como a forma de dançar com os braços sempre abertos, que lhe rendeu o apelido de "Hélice Regina" – o sorriso largo e sotaque, que flutuava entre o gaúcho interiorano e o carioca.

Mas a escolha mais acertada foi a de não fazer Andrea cantar - ela dubla (muito bem) as músicas com a maravilhosa voz original da cantora.

A trama, dinâmica, foca na versátil carreira da artista e começa com sua chegada ao Rio de Janeiro, acompanhada do pai, quando ainda era uma desconhecida.

Até que foi descoberta pela icônica dupla de produtores musicais Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, época em que começou a se apresentar no icônico Bottles Bar, no Beco das Garrafas.

Elis : Foto
Na porta do icônico Bottles Bar, no Beco das Garrafas
Assim, não demorou muito para que o talento de Elis chamasse a atenção de produtores e da mídia e ela estourasse no cenário musical nacional.

Se a carreira era ascendente, a vida pessoal de Elis era recheada de conflitos, principalmente no casamento com Bôscoli, conhecido pelo comportamento mulherengo e boêmio.

Mesmo sendo uma artista consagrada, Elis sentiu o peso de ser mulher, cansou de ser cobrada pela maternidade, de ser subestimada pelos homens com quem se relacionava e da obrigação de manter uma imagem perfeita.

Para desespero de Elis, o episódio em que cantou - segundo ela forçada - nos Jogos Militares, em plena época da ditadura militar, em que artistas como Chico Buarque estavam exilados e tiveram suas canções censuradas, fez com que ela fosse vaiada em um show e sofresse críticas por parte da imprensa libertária, se tornando "persona non grata" em alguns meios.

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Gustavo Machado interpreta Ronaldo Bôscoli
A transição das fases da vida de Elis foi bem construída, mas a narrativa acaba dando ênfase demais no lado pessoal e nos amores da intérprete enquanto ignora fatos importantes como a parceria dela com Tom Jobim - que rendeu o clássico "Águas de Março".

O longa também não traz nenhuma novidade, nada que não tenha sido contado anteriormente entre livros, séries e documentários sobre ela.

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Lúcio Mauro Filho interpreta Luiz Carlos Miéle
Para uma cantora que se destacava por não remediar sua voz, a cinebiografia parece contida demais, já que Hugo Prata quis fazer um drama que agradasse quem já é fã ou conhece o trabalho da cantora, falhando em mostrar a intensidade de Elis para as gerações mais novas.

No mais, o filme é de uma beleza inenarrável, Andrea faz jus a todos os prêmios que vem recebendo e as músicas, muito bem escolhidas, fazem com que todos saiam da sala de cinema absolutamente tocados.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'ELIS'
Gênero:
Biografia
Direção:
Hugo Prata
Roteiro:
Hugo Prata, Luiz Bolognesi, Vera Egito
Elenco:
Andréia Horta, Caco Ciocler, Gustavo Machado, Júlio Andrade, Lúcio Mauro Filho, Zecarlos Machado
Produção:
Fabio Zavala
Fotografia:
Adrian Teijido
Montador:
Tiago Feliciano
Trilha Sonora:
Alessandro Laroca
Duração:
110 min.
Ano:
2016
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia:
24/11/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Downtown Filmes
Estúdio:
Bravura Cinematográfica
Classificação:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 5 de abril de 2012

COM MAIS DRAMA E MENOS HUMOR, 'A GRANDE FAMÍLIA' REESTREIA COM O BATIDO RECURSO DO SALTO NO TEMPO


O artifício é mais que manjado.

A série "Dallas" - megassucesso dos 80 e que voltará ao ar nesse ano - teve uma reviravolta que entrou para a história dos seriados: no começo de sua nona temporada, Pamela Ewing acorda um belo dia e dá de cara com o marido Bobby, que tinha morrido na temporada anterior.
Tudo não havia passado de um sonho!

Mais recentemente, e depois de quatro temporadas, a ação de "Desperate Housewives" deu um salto de cinco anos: casais se separaram, algumas crianças cresceram, outras nasceram, e o seriado - que termina no mês que vem, depois de oito temporadas - ganhou uma sobrevida.

"A Grande Família" acaba de lançar mão do mesmo artifício do salto no tempo na estreia de sua 12ª temporada - que a Globo levou ao ar agora a pouco.

Nas primeiras cenas, Lineu - Marco Nanini -  e Nenê - Marieta Severo - parecem estar vivendo as benesses da nova classe média, e vão fazer sua primeira viagem ao exterior, para Buenos Aires.

Só que Lineu é atropelado ao salvar o neto Florianinho e fica quatro anos em coma, o que bagunçou a cabeça dos telespectadores fiéis à série, uma das mais leves ainda no ar.

Divulgação - TV Globo
Florianinho e Lineu - avô fica em coma e não viu neto crescer

Se o afiadíssimo elenco é o mesmo, o roteiro sério e dramático de hoje deu ao telespectador uma sensação de estranheza, com um final abrupto e a espera de que a ação iria continuar na semana que vem - o que não vai acontecer.

Quatro anos depois ao voltar do coma, Lineu é apresentado a tantas novidades em seu mundinho rotineiro que tem um chilique e é novamente internado.

Afinal, Dona Nenê está a um passo de um envolvimento amoroso com o doutor Romero - Juca de Oliveira, numa participação especialíssima, como o médico responsável por cuidar do patriarca da família Silva nesse tempo todo -, sua filha Bebel - Guta Stresser - agora é uma "perua" - com cabelão e lentes azuis -, o neto Florianinho - Vinícius Moreno - já é um adolescente malandro e folgado igual ao pai, Agostinho - Pedro Cardoso -, que aproveitou a ausência de Lineu para aumentar a sua frota de táxi, apropriando-se do carro do sogro e com Paulão - Evandro Mesquita - ainda como sócio.

As cenas de Nenê no hospital, esperando pelo retorno de Lineu e seu envolvimento amoroso com o doutor Romero foram um pouco carregadas demais - ela já estava quase partindo com o médico para Buenos Aires quando Lineu voltou do coma, sentindo-se traído pelo homem que salvou sua vida, em cenas muito bem interpretadas e dirigidas, mas sem o tom de comédia despretensiosa a que os fãs do seriado estão acostumados.

Divulgação
Cena da abertura em animação da série

O melhor do episódio ficou com o filho do casal, Tuco.
O personagem de Lúcio Mauro Filho arranjou um emprego na televisão, interpretando um tipo que lembrou muito um antigo sucesso seu no "Zorra Total" - uma bichinha divertida que detonava as teorias do seu "papi", Jorge Dória, sobre a sua masculinidade - a bichinha grita que só não "sai do armário" porque papai não deixa! - sen-sa-cio-nal!

Com uma equipe de redatores e diretores de primeira, "A Grande Família", mesmo tendo usado o recurso do salto do tempo manjado,  com certeza saberá dosar o equilíbrio entre  suas histórias e o humor leve e despretensioso  que sempre caracterizou uma das séries mais vistas e mais queridas da história da TV brasileira.

"A GRANDE FAMÍLIA" - 12ª TEMPORADA
Onde: 
Globo
Quando:
Quintas
Horário:
22:30h.
Cotação do Klau: