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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

'SIMONAL': SE A CINEBIOGRAFIA É RASA, AS MÚSICAS CONTINUAM SENSACIONAIS


SINOPSE:

Dono de voz marcante, carisma encantador e charme irresistível, Wilson Simonal (Fabrício Boliveira) nasceu para ser uma das maiores vozes de todos os tempos da música brasileira.

No entanto, após anos de sucesso conquistado com muito trabalho, suas finanças descontroladas o levam a, num rompante de ignorância, tomar decisões que marcarão para sempre sua carreira.

CRÍTICA:

Se fôssemos resumir, o verbete na Wikipédia, seria:
"Wilson Simonal, nascido no Rio de Janeiro em 1938, foi um famoso cantor, dono de sucessos memoráveis e condenado ao ostracismo após ser apontado como delator no período da ditadura militar".

Se o documentário Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei iniciou em 2009 um movimento de revisionismo histórico que fez suas músicas tornarem-se acessíveis às novas gerações, agora este longa-metragem ficcional, Simonal, que estreia hoje em todo o país surge ansiando sepultar de vez a alcunha de dedo duro que há décadas acompanha o falecido astro,

Milionário, idolatrado, inconfundível, talentoso em diferentes gêneros, estrela da TV, empresário e cheio de sucessos, Simonal foi um caso único, tanto por ter atingido patamar que nenhum artista negro havia alcançado até então no Brasil, quanto pela derrocada incomparável que veio na sequência.

O filme do estreante Leonardo Domingues, no entanto, não sabe aproveitar as especificidades do astro da pilantragem, assemelhando-se a obras recentes como Elis e Tim Maia - tecnicamente corretas e capazes de evocar a nostalgia a partir de canções e histórias famosas, mas sem a personalidade marcante do artista impregnada em sua forma e conteúdo.

Mais grave do que isso, a cinebiografia soa incompleta na abordagem do processo de “queimação” de Simonal (vivido por Fabrício Boliveira), ignorando a polarização esquerda-direita que o atacou duplamente e minimizando o contexto da ditadura militar a um agente do DOPS (Caco Ciocler) e uma cartela na abertura do longa.

O racismo, certamente determinante no que ocorreu, se faz presente de maneira contundente nas palavras do personagem e no relacionamento com o agente que o interroga por causa de uma homenagem a Martin Luther King, o que parece pouco considerando o tamanho de Simonal em seu auge, a época, os lugares por onde circulava e o notório preconceito racial brasileiro.

A predileção por mulheres brancas e o relacionamento com Tereza (Ísis Valverde), por exemplo, estranhamente não geram nenhuma reação nesse sentido.

Experiente montador, Leonardo começa o filme em 1975, com o cantor já em maus bocados - e volta 15 anos para explicar o que aconteceu.

Não há infância, não há velhice.

O foco é na ascensão e queda; na conquista e perda do público, tratado sempre como massa; no início e no fim do caso de amor com a população brasileira.

Dois elaborados planos-sequência opõem esses dois momentos: um na abertura e um que demonstra como o artista tinha total domínio sobre os fãs e sua arte, dando um pulinho do lado de fora do teatro no meio de uma apresentação.

Esbanjando malemolência, Boliveira o compõe como um malandro consciente de seu enorme potencial, que sente prazer em quebrar regras.

É convencido, mas de forma charmosa na maior parte do tempo, além de explosivo, inconsequente e um pouco ignorante, o que reforça sua posição de vítima.

No entanto, é um tanto incompreensível esse homem que diz fazer música, não política, e dedica canção a MLK na TV, afirma que passeata é coisa de menino rico e guarda vários carros de luxo na garagem, tem o país nas mãos e se rebaixa voluntariamente ao DOPS.

Nasce a expectativa de que um aprofundamento psicológico sobre o artista acontecerá na parte trágica do filme, dedicada à decadência, porém isso não acontece.

Os bons momentos são uma disparada de hits, os maus são uma breve série de lamúrias e destratos, e o golpe nunca chega a ser sentido em sua verdadeira potência, pois o filme privilegia o monótono jogo de empurra e disse me disse das declarações de Simonal à polícia, ante o sofrimento que jamais o deixou até o fim da vida.

Ainda que tenha o envolvimento dos filhos do artista, o filme não busca transformá-lo em santo, apenas apagar a história de delator, cuja responsabilidade é colocada nas canetas dos jornalistas d'O Pasquim.

Sempre com a face metade à luz, metade à sombra, equilíbrio que vai se modificando conforme os eventos vão se sucedendo, Simonal tem uma companheira, Tereza, com quem vive relacionamento que começa fofo e logo se deteriora.

Principal personagem feminina da trama, ela perde todo o discurso individual ao se casar, ficando restrita ao papel de esposa consumista e viciada em remédios, cuja voz existe apenas para apoiar o marido ou brigar com ele - há violência doméstica e também a clássica quebra de violão, vingança favorita das mulheres de músicos.

Os números musicais usam gravações em áudio do próprio Simonal e Leonardo opta por mostrar imagens do cantor em shows e na televisão, o que é complicado por ressaltar o quanto Fabricio e Wilson não são parecidos fisicamente e por, de certa forma, entrar em conflito com o trabalho da direção de arte de recriar capas de discos com Boliveira no lugar de Simonal.

Poderia ser uma troca complementar, porém resulta só esquisita, principalmente na grande cena do show no Maracanãzinho.

Repleto de cores, movimento, telas, figurinos caprichados, iluminação cênica e eventualmente até frenético, Simonal tem surpreendente participação de Leandro Hassum como Carlos Imperial e certamente servirá como início de uma nova onda de valorização do cantor de "Sá Marina".

Apesar de oferecer uma justificativa para seu isolamento e condenação, e buscar ilustrar como de fato se deu o controverso contato com os militares, o filme peca no mais básico: Quem era o homem Wilson? O que sentia?

Caso, assim como ele, você não ligue para as letras das músicas - aqui o roteiro, como equivalente -, se importando só com o balanço poderá gostar.

Mas como cinebiografia revisionista, destinada a resgatar a verdadeira memória de um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos, o filme fica devendo.

Filme visto no 46º Festival de Gramado, em agosto de 2018.

GALERIA DE IMAGENS:
Simonal : Foto

Simonal : Foto

Simonal : Foto

Simonal : Foto

Simonal : Foto

Simonal : Foto

Simonal : Foto

Simonal : Foto
TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Resultado de imagem para simonal poster
SIMONAL
Gênero:
Drama, Biografia, Musical
Direção:
Leonardo Domingues
Elenco:
Fabrício Boliveira, Ísis Valverde, Leandro Hassum, Mariana Lima, Silvio Guindane, Caco Ciocler e outros
Roteiro:
Victor Atherino, Leonardo Domingues
Trilha Sinora:
Max de Castro, Wilson Simoninha
Produção:
Renata Paschoal, Carlos Diegues
Diretor de fotografia:
Pablo Baião
Montador:
Pedro Bronz
Diretor de Arte:
Yurika Yamasaki
Diretora de elenco:
Marcela Altberg
Figurinista:
Kika Lopes
Engenheiro de Som:
Marcel Costa
Produtor de Elenco:
Marcela Altberg
Distribuição internacional:
Dontown Filmes, Paris Filmes
Produção:
Forte Filmes, Globo Filmes
Distribuidor brasileiro:
Dontown Filmes
Data de estreia:
8 de agosto de 2019
Duração:
1h 45min

COTAÇÃO DO KLAU

segunda-feira, 5 de maio de 2014

'GERAÇÃO BRASIL': COLORIDA, LEVE, BEM FEITA E COM ELENCO INSPIRADO, NOVELA TRAZ DE VOLTA O HUMOR AO HORÁRIO DAS 19H.


Finalmente uma novela das sete com jeitão de novela das sete!

A Globo estreou agora pouco a sua nova novela das 19h.,  'Geração Brasil', assinada pelos mesmos Felipe Miguez e Izabel de Oliveira - do sucesso 'Cheias de Charme' (2012) e tão interativa quanto.

Aqui, mais uma vez, a mídia e suas ramificações servem de base para a trama, que conta ainda com muita e bem empregada tecnologia tecnologia para compor o enredo.

No primeiro capítulo, acompanhamos Jonas Marra (Murilo Benício), gênio e magnata da indústria tecnológica, que nasceu no Brasil, fez carreira e fortuna nos Estados Unidos e agora decide ir em busca de suas raízes para encontrar um novo gênio em sua terra natal, propondo um reality show com o mesmo nome da novela para descobrir o novo líder da sua empresa.

Segundo sua mulher, a estrela de séries americanas Pamela (Claudia Abreu), Jonas tem uma “exceptional autoestima” e os dois já surgem dançando na primeira sequência da novela, arrebatando o telespectador com tanta química.

Murilo e Cláudia surgem dançando na primeira cena da novela - G.Show

Apesar de estrela da TV americana, Pamela é brasileira como Jonas, mas se mostra tão americanizada que se sente “a própria mineira do acarajé”.

A linha do tempo volta três meses para a cerimônia de renovação de votos do casal e um clipe apresentando a história dos dois, cafona como os feitos pelos programas de celebridades americanos, é mostrado: nas cenas, Pamela visita refugiados na Jordânia e Jonas aparece ao lado de celebridades e políticos - como o presidente norte-americano Barack Obama, em ótimo efeito especial.

Se em time que está ganhando não se mexe, os autores conseguiram quase o mesmo elenco de 'Cheias de Charme', e o desfile de atores e atrizes do primeiro time já vale cada cena.

Além do casal - sensacional e que é a alma da novela - a surpresa ficou por conta de Isabelle Drummond (Megan), filha deles - atriz como a mãe e que não se confirma em ter de se mudar para o Brasil - e também com Luis Miranda (Dorothy), Lázaro Ramos ( seu filho, o guru Brian) e Rodrigo Pandolfo (Shin-Soo), espetaculares.

O recurso já usado em 'House of Cards' - de mostrar ao telespectador no vídeo o que as mensagens dos celulares dos personagens dizem - foi um ótimo recurso para o mergulho na trama, que ainda tem romance e muito humor, que tinha sumido do horário com a horrorosa novela que acabou na sexta.

Se já sabemos que a história vai se concentrar no Rio de Janeiro, o primeiro capítulo foi um show visual, com belas tomadas na Califórnia (Estados Unidos), na capital carioca e no Recife, onde o público viu cenas que fogem do Nordeste estereotipado, com personagens cômicos - é lá que mora a mocinha da trama, Manu (Chandelly Braz), uma jovem antenada.

Humberto Carrão faz aqui o mocinho Davi, numa pegada mais contida do que seu habitual, mas que seguramente vai ganhar o público com sua boa interpretação.

Humberto Carrão é Davi

Já sabemos pela sinopse da novela que Manu e Davi vão se apaixonar e também vão competir entre si para levar o reality show proposto por Jonas Marra, o que certamente trará muitos conflitos interessantes para a trama.

Como nada é bom todo o tempo, ainda temos Fiuk - que como Alex consegue ser o canastrão de sempre, mesmo com meia dúzia de falas a decorar.

Mas felizmente, ainda temos nada menos que Taís Araújo, Renata Sorrah, Leandro Hassum e Helen Roche - que perdeu peso para fazer uma patricinha metida.

Helen Roche será Ludmila Santini em "Geração Brasil"

A boa trilha sonora vai de Elza Soares ao Bonde do Rolê e chega a MC Guimê (que canta o tema de abertura), o que mostra que a novela pretende alcançar faixas etárias e públicos diversos.

Colorida e ágil, 'Geração Brasil' deve ser sucesso, principalmente por trazer o riso de volta ao horário.

'GERAÇÃO BRASIL'
Onde:
Globo
Direção de Núcleo:
Denise Saraceni
Dias/Horários:
Segunda a sábado, 19h15
Cotação do Klau:

segunda-feira, 8 de abril de 2013

'O DENTISTA MASCARADO': MESTRE DO IMPROVISO, MARCELO ADNET ESTREIA NA GLOBO AMARRADO E SEM GRAÇA



Estrela maior da MTV nos últimos anos, Marcelo Adnet finalmente foi para a Globo nesse começo de 2013, em busca de, principalmente, maior visibilidade ao seu indiscutível talento.

Como ele bem demonstrou no 'Faustão' da semana passada e na 'Fátima' na sexta (5), Adnet é um dos maiores humoristas brasileiros, craque nas imitações e principalmente na difícil arte do improviso.

Adalberto Paladino (Marcelo Adnet) é um cirurgião-dentista bem-humorado. Junto com os amigos  Sheila e Sérgio começa a levar uma vida dupla para combater o crime. 
Fotos dessa postagem: Divulgação/TV Globo

Pena que não foi esse Marcelo Adnet que se viu na estreia da série "O Dentista Mascarado", na noite da última sexta (5).

A série estreou logo após um magnífico 'Globo Repórter' - que mereceu chamada ao vivo de Sérgio Chapelin no 'JN' e que comemorava seus 40 anos no ar com uma matéria muito boa de Glória Maria no Vietnã.

Se os autores da série -  Alexandre Machado e Fernanda Young -  pretenderam em 2013 fazer um programa com a clara intenção de fazer o público gargalhar e pensar - como nos bons tempos de "Os Normais" - pelo que se viu na estreia da série, não tão descartável como as últimas três da dupla - "Separação?!", "Macho Man" e "Como Aproveitar o Fim do Mundo" - não foi de novo dessa vez que a dupla conseguiu.

Sheila (Taís Araújo) é uma garota de programa misteriosa, é conhecida por diferentes nomes e viciada em tranquilizantes

Talvez a necessidade de apresentar os personagens em episódios de estreia pode ter contribuído para que "O Dentista Mascarado" tivesse tão pouca graça: muitas frases de efeito, piadas grosseiras, ritmo acelerado e duas ou três boas ideias foram o que se salvou.

Se o protagonista Adalberto Paladino (Marcelo Adnet) e seu amigo protético Sergio (Leandro Hassum), tiveram atuações apagadas, o mesmo não se pode dizer do Papai de Paladino, Eurico (Otávio Augusto), um ex-delegado de polícia que morre de vergonha por não ter um filho policial e que deu show ao discursar para uma platéia tão obtusa quanto ele ao receber um prêmio.

O protético Sergio (Leandro Hassum) é responsável pela produção de próteses odontológicas e outras coisas secretas para o amigo dentista

Mas o grande destaque do episódio de estreia ficou com Thaís Araújo, no papel de Sheila, a vigarista que engana o dentista e o protético com golpes absolutamente iguais - "Os otários mais otários da historia do otarismo", disse ela sobre os dois, para logo emendar a melhor piada da estreia, quando confessou o que fez com os 50 cilindros de gás hilariante (usado como anestésico) que roubou do consultório:  vendeu todo o lote para comediantes que não têm feito muito sucesso em seus espetáculos de stand up ! -  sen-sa-cio-nal!

Os próximos episódios se desenvolverão a partir do bordão enunciado por Paladino para os parceiros Sergio e Sheila:
"De dia combatemos as cáries, de noite combatemos os crimes".

Eurico Paladino (Otavio Augusto) é um ex-delegado de polícia e pai de Adalberto. Foi responsável por tirar muitos bandidos de atividade e aposentou-se depois de ter sido alvejado pelas costas

Com uma trinca de protagonistas dessa e com dois escritores do quilate de Machado e Young, fica evidente que o seriado pode render muito mais do que mostrou, pois Otavio Augusto, Diogo Vilella - como um delegado - e Helena Fernandes - como uma advogada que tem escritório vizinho ao consultório de Paladino - deram mostras de que seus personagens são bons e que ainda tem muito a mostrar.

O Investigador Miller (Diogo Vilela) está sempre à procura dos bandidos, e como todo policial adora saborear uma feijoada às quartas-feiras

Diante do circo armado pela Globo em torno da sua estreia - quando percorreu os principais programas da casa - Adnet ficou aquém do que se esperava dele - só que o dentista Paladino é um bom personagem e ele parece à vontade no papel.

Agora, as gargalhadas que o diretor Jose Alvarenga Jr. prometeu antes da estreia - como muitos espectadores observaram nas redes sociais - só usando o gás hilariante vendido pela Sheila, né?

Vamos aguardar os próximos episódios - esse primeiro foi regular com louvor.

Vera (Helena Fernandes) é uma advogada que tem escritório vizinho ao consultório de Paladino. Sem muito sucesso, ela está sempre com o escritório vazio, mas tem o dentista e seus colegas como clientes

Mesmo assim, a série estreou bem, com 17 pontos no Ibope - cada ponto da medição de audiência do Ibope corresponde a 62 mil domicílios na Grande SP.

Confira uma chamada da série:
*****
'O DENTISTA MASCARADO'
Roteiro:
Alexandre Machado e Fernanda Young
Direção:
Jose Alvarenga Jr.
Elenco:
Marcelo Adnet, Thais Araújo, Leandro Hassum, Otávio Augusto, Diogo Vilella, Helena Fernandes
Onde:
Globo
Quando:
Sextas
Horário:
23:30h.
Cotação do Klau: