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quinta-feira, 16 de junho de 2016

'MAIS FORTE QUE O MUNDO - A HISTÓRIA DE JOSÉ ALDO': JOSÉ LORETO BRILHANTE NA TRAJETÓRIA DE UM DOS NOSSOS MAIORES ESPORTISTAS


SINOPSE:

Nascido e criado em Manaus, José Aldo (José Loreto) precisa lidar com a truculência do pai, Seu José (Jackson Antunes), que além de se embebedar constantemente ainda por cima bate na esposa, Rocilene (Cláudia Ohana), com frequência.

Enfrentando constantemente seus demônios internos, Aldo encontra na luta sua válvula de escape.

Acreditando em seu futuro como lutador, ele aceita se mudar para o Rio de Janeiro e morar de favor no pequeno alojamento de uma academia.

Lá, ele recebe o apoio do amigo Marcos Loro (Rafinha Bastos) e conhece Vivi (Cleo Pires), uma jovem que vai constantemente à academia.

Precisando ralar um bocado para se manter, Aldo enfim consegue um voto de confiança do treinador Dedé Pederneiras (Milhem Cortaz), iniciando assim sua carreira no mundo do MMA.

CRÍTICA:

O universo do esporte está sempre ligado a superação de obstáculos, sejam eles físicos do corpo humano, sejam as dificuldades sociais e financeiras para competir em alto nível.

É justamente por isso que o cinema adora retratar a trajetória de esportistas, sejam eles reais ou fictícios, especialmente sobre os lutadores.

Um dos fatores em comum nos filmes do gênero é descobrir como esses personagens conseguem canalizar a raiva, derivada de traumas ou de sua não adequação à sociedade, e aplicá-la dentro de um ambiente competitivo e regrado.

A trama de 'Mais Forte Que O Mundo - A História De José Aldo', em cartaz em 281 salas em todo o Brasil, mostra exatamente isso, quando o treinador do brasileiro José Aldo, uma das lendas do MMA mundial, tenta ensiná-lo a diferença entre brigar e lutar - ainda no início de sua carreira.

Para muitos, essa linha é tênue quando se trata de UFC, que têm se popularizado muito nos últimos tempos, mas ainda sofre com críticas de quando comparado com outras modalidades de luta mais "tradicionais".

Mais Forte que o Mundo - A História de José Aldo : Foto
José Aldo é interpretado por José Loreto - Paris Filmes
Apesar de ajudar a quebrar o estereótipo animalesco do MMA, o longa não é focado no esporte em si ou no crescimento profissional de Aldo - que saiu de um bairro pobre de Manaus e ganhou os ringues internacionais - mas sim na relação dele com sua família, em especial com seu conturbado e alcoólatra pai, brilhantemente interpretado pela Lenda Jackson Antunes.

Ele age como um fantasma do passado, sempre presente no imaginário do lutador durante os combates.

Entretanto, essas lembranças estão longe de serem positivas e afetam a vida pessoal e profissional de Aldo, mas de uma maneira estranha, é essa constante imagem do pai que o impulsiona na disputa contra os adversários, fazendo dele parte significante do sucesso do filho, mesmo que às avessas.

Mais Forte que o Mundo - A História de José Aldo : Foto
Jackson Antunes dá show como José, pai do lutador
A primeira parte do filme é reservada para a contextualização do protagonista, mostrando a forma como ele foi criado, como ingressou no mundo do esporte, seu círculo de amizades, suas paixões, seus medos.

Sem isso, seria impossível entendermos como Aldo se tornou esse monstro dos ringues que é hoje.

Mesmo sem muita experiência nas telonas, José Loreto está magistral e consegue conduzir sua atuação com absoluta firmeza, além de mostrar uma disposição física invejável.

Aliás, é notável a preocupação do diretor Afonso Poyart ('2 Coelhos') em retratar com realismo os confrontos, sem aquele tom coreografado, o que rende ótimas cenas na telona.

Se 'Dois Coelhos' tem um dos trabalhos de efeitos visuais mais criativos e bem feitos do cinema nacional, aqui não foi diferente, com o diretor optando pelo uso de câmera lenta durante as lutas, que impactam nos golpes e aumentam o tom dramático da situação - como quando o personagem luta com seu rival na chuva.

O cineasta sabe usar os efeitos com maestria, intercalando com planos mais ágeis e sequenciais, evitando que o espectador fique cansado.

A fotografia também é primorosa: as cenas rodadas na periferia de Manaus têm um tom mais escuro/amarelado e após a mudança de Aldo para o Rio, onde dá seus primeiros passos como esportista profissional e conhece sua esposa Vivi (Cleo Pires), as cores se tornam mais claras e positivas.

Mais Forte que o Mundo - A História de José Aldo : Foto
Cleo Pires é Vivi, mulher de José Aldo
O único pecado do longa é mesclar gêneros diferentes - drama, romance e ação - deixando a trama mais difícil de ser entendida, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Isso também faz com que a história ganhe um ar de telenovela, mas mesmo assim, é inegável que aqui temos um longa que coloca a produção nacional num outro patamar, tanto pelo cuidado estético, quanto pela narrativa consistente.

Vale ser visto.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'MAIS FORTE QUE O MUNDO - A HISTÓRIA DE JOSÉ ALDO'
Gênero: 
Biografia
Direção e Roteiro: 
Afonso Poyart
Elenco: 
Claudia Ohana, Cléo Pires, Felipe Titto, Jackson Antunes, José Loreto, Malvino Salvador, Milhem Cortaz, Paloma Bernardi, Robson Nunes, Romulo Neto
Produção: 
Afonso Poyart
Fotografia: 
Carlos André Zalasik
Montador: 
Lucas Gonzaga
Trilha Sonora: 
Samuel Ferrari
Duração: 
104 min.
Ano: 
2015
País: 
Brasil
Cor: 
Colorido
Estreia: 
16/06/2016 (Brasil)
Distribuidora: 
Downtown Filmes / Paris Filmes
Estúdio: 
Globo Filmes
Classificação: 
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 12 de abril de 2014

'O CAÇADOR': MAIS UM PERSONAGEM MEMORÁVEL NA CARREIRA DE CAUÃ REYMOND


Dia desses, o 'Vídeo Show' - eu ainda vejo! - mostrou um compilado da carreira do ator Cauã Reymond e eu fiquei  me perguntando: 
como aquele leke magrelo, feinho e de cabelinho de miojo pode ter se tornado esse homem extremamente sexy e o melhor ator de sua geração?

Simples: ele aliou o talento nato à perseverança, correu atrás, estudou muito e agora, ainda muito novem, nos entrega um bom personagem seguido por outro e por outro.

No começo do ano, vimos extasiados sua performance como Leandro na minissérie 'Amores Roubados', onde sua performance de predador sexual encantou a todos e molhou a todas.

Agora, é o lado macho, forte e racional que se apresenta na nova série 'O Caçador', que a Globo estreou ontem, om roteiro dos consagrados Marçal Aquino e Fernando Bonassi - de 'Força Tarefa' (2011) - time completado por José Alvarenga Jr., que atua também como diretor, junto com Heitor Dhalia, de 'Serra Pelada'.

Cauã Reymond volta à nossa telinha como o protagonista André, um ex-policial que, após ser preso injustamente, torna-se um caçador de recompensas.

Cauã Reymond como o protagonista André
A estética de cinema se faz presente nas muitas locações que servem de cenários, reais, sujos, que não remetem em nada às novelas e também em momentos introspectivos, em que os diálogos sedem lugar ao silêncio e à reflexão - coisa rara na televisão.

Os diretores dão ao telespectador tomadas mais ousadas, ágeis, com uma câmera nervosa a acompanhar as perseguições, e se isso é clichê do gênero policial, então merecemos esse maravilhoso clichê.

Menos sexual do que 'Amores Roubados', aqui a história é aprofundada, com destaque para as conflituosas relações familiares de André com seu irmão delegado de polícia Alexandre (Alejandro Claveaux): eles vivem se bicando e para desandar de vez, o ex prisioneiro tem um caso com a cunhada Katia (Cleo Pires).

Cleo Pires como Kátia
A trama começa com André sendo impiedosamente traído pelo pai, o também policial Saulo (Jackson Antunes de volta e sensacional).

Morrendo devido a um câncer de pulmão que ninguém sabe que tem, ele pede ao filho “seis meses de vida” na cadeia, assumindo uma maracutaia no sequestro de um filho de traficante em que se meteu, e sua morte entorna ainda mais a relação de André com o irmão, com a prisão o distanciando da família.

Jackson Antunes como o pai de André, Saulo
Pior: André é preso injustamente pelo crime do pai, que armou pra ele e os seis meses que o pai pediu se transformam em três longos anos.

Peça importante no jogo, Katia é uma mulher dúbia, emocionalmente instável e nutre por André uma paixão desde os tempos da adolescência.

Lógico que após ser solto, o fogo da paixão e do tesão os aproximará novamente, azedando de vez a relação entre os irmãos.

Alejandro Claveaux interpreta o irmão de André
Vítima de uma armadilha que o colocou atrás das grades, André tem em Marinalva (Nanda Costa) a chance de provar que é inocente.

Ela não apareceu no primeiro episódio, mas pela sinopse, ficamos sabendo que ela era garota de programa, converteu-se evangélica e é a única capaz de inocentar André, uma vez que seu pai, cúmplice do pai de André, foi o responsável por sua prisão.

Nanda Costa como Marinalva
Ailton Graça - que vem aí como uma travesti na próxima novela das 21h - é um dos destaques do ótimo elenco vivendo o policial Lopes, ex-parceiro de André.

Longe do tipo malandro ou sujeito boa praça a que o público está habituado a vê-lo, Graça dá vida a um homem íntegro, compenetrado e enérgico, o único que ajuda André após este sair da cadeia.

Ailton Graça e Cauã Reymond, em cena do primeiro episódio
Mas quem brilha mesmo é quem os críticos agora chamam de 'O Zé Mayer da nova geração': Cauã está simplesmente sensacional em cada cena, em cada diálogo, em cada nova nuance que o seu André nos apresenta.

Ator versátil, dedicado de mergulhar profundamente nas personagens que interpreta, Cauã nos faz esquecer do Leandro de 'Amores Roubados' rapidamente, para mergulharmos com ele agora nas mazelas de André, bem melhor construído e acabado do que Leandro.

Com direção segura e competente, a série entrega cada vírgula que seu texto permeado de tensão e suspense promete, prende o telespectador do início ao fim e se a compararmos com a outra série policial da Globo, atualmente no ar - 'A Teia', então, é brincadeira.

-Temos aqui uma Ferrari sendo comparada a um Fusca.

Grande trabalho.

'O CAÇADOR'
Onde: 
Globo
Quando: 
Sextas
Horário: 
23h25
Cotação do Klau:
Fotos dessa postagem:
Reprodução/TV Globo
Divulgação/TV Globo

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

'O TEMPO E O VENTO': MUITO ACELERADO, LONGA NÃO CONSEGUE CONTAR UMA DAS MAIS LINDAS HISTÓRIAS DA LITERATURA BRASILEIRA


Para mim, a saga literária de Érico Veríssimo sobre as muitas gerações de duas famílias marcadas por romances, tragédias e enfrentamentos nos campos de batalha do Rio Grande do Sul é ainda hoje uma das melhores obras escritas em língua portuguesa, disparado - tanto que eu já o li e reli incontáveis vezes.

Resumir 150 anos de história em duas horas de filme e não ser superficial ou apressado requer a habilidade de jogar com o tempo, tarefa que, infelizmente, o diretor Jayme Monjardim não conseguiu demonstrar em 'O Tempo e o Vento' - que está em exibição em 178 salas em todo o Brasil -  nem chegando perto da competência que sempre consegue demonstrar nos seus trabalhos para a TV.

O filme corre mais que o Papa-Léguas do Coyote, principalmente em sua primeira metade, mantendo o espectador à distância, sem mergulhar na obra e só observando um suceder de tramas sem muita contextualização.

Apesar de uma reconstituição de época impecável, da bela fotografia - do veterano Affonso Beato - e dos esforços para tentar alcançar uma dimensão épica condizente com o enredo, o diretor, com mão pesada, quase põe tudo a perder.

Thiago Lacerda é o capitão Rodrigo - fotos dessa postagem: Divulgação/Globo Filmes

Como em 'Olga' - primeiro e até então seu único longa - Monjardim  abusa da trilha sonora edificante, tentando arrancar impressões e sentimentos do espectador à força, já que as emoções não surgem naturalmente da dramatização sempre levada a toque de caixa.

A narrativa é conduzida pela velha Bibiana (Fernanda Montenegro, pra variar, ótima) já em seus últimos momentos de vida.
Sitiada num casarão sob o cerco dos inimigos, conta a história da formação da família Terra-Cambará e sua relação de ódio com os Amaral.

Fernanda Montenegro, como Bibiana velha

Felizmente, o longa só deixa de ser trailer e vira obra cinematográfica quando começa a narrar a chegada do capitão Rodrigo Cambará (Thiago Lacerda, muito bem no papel do valente e garboso capitão) a Santa Fé, onde conhece Bibiana jovem (Marjorie Estiano, sen-sa-cio-nal) e logo se apaixona.

Infelizmente, Monjardim quis fazer uma homenagem à minissérie de 1985 (veja abaixo), escalando a mais que sofrível Cléo Pires como Ana Terra, avó de Bibiana - Glória Pires, mãe de Cléo, fez o papel na minissérie, com raro brilho - a partir daí, sua carreira deslanchou de vez.

Se Lacerda é um canastrão que quando bem dirigido rende muito, Cléo não tem salvação: é má atriz mesmo e consegue destoar totalmente do padrão de excelência do resto do elenco, simplesmente primoroso.

Cléo Pires como Ana Terra

Mesmo como seus inúmeros problemas, esse épico não é um filme ruim: tanto capricho, até excessivo, com luz, paisagens e pores do sol lindos e redundantes chocam-se com deficiências evidentes, onde só cena final, muito bem feita, de Bibiana descendo as escadas do casarão e rejuvenescendo a cada lance até encontrar seu grande amor Rodrigo e, finalmente, poder viver em paz a seu lado na eternidade, nos remete ao livro de Veríssimo.

Neste momento, se o arco dramático do filme tivesse sido bem construído, era para estarmos soluçando, contendo o choro - mas as lágrimas não vêm e a emoção reluta a aparecer, justamente pelos deslizes que foram vistos antes.

Marjorie Estiano como Bibiana jovem

Só nos resta aguardarmos mais material inédito e nova edição, na minissérie que será exibida pela Globo daqui a alguns meses - o longa vai fazer o caminho inverso de 'O Auto da Compadecida', que foi originalmente produzido como minissérie e depois virou filme.

Lembrando que a minissérie produzida e exibida pela Globo entre 22 de abril e 31 de maio de 1985 - com roteiro de Doc Comparato e dirigida pelo trio Paulo José, Denise Saraceni e Walter Campos - teve 25 capítulos, suficientes para mostrar cada nuance da obra.

Se a minissérie de 1985 é considerada até hoje um dos mais marcantes trabalhos da tele dramaturgia brasileira, tomara que a nova minissérie consiga o mesmo pois, aqui, se Monjardim tivesse se concentrado desde o início na história de amor de Bibiana e Rodrigo e deixado todo o resto em segundo plano, como fundamento para a trama romântica, talvez tivéssemos um grande filme.

Não é o caso e o cinema brasileiro ainda sofre - e muito - pela falta de objetividade narrativa.

O longa foi lançado na semana passada só no Rio Grande do Sul e os guris e as prendas compareceram em peso aos cinemas - tanto que ele foi parar no Top 10 Brasil dessa semana num honroso quinto lugar.


Confira o trailer do filme:


*****
'O TEMPO E O VENTO'
Gênero:
Drama
Direção:
Jayme Monjardim
Roteiro:
Letícia Wierzchowski, Marcelo Ruas, Tabajara Ruas, baseados na obra 'O Continente', de Érico Veríssimo
Elenco:
Cléo Pires, Danny Gris, Fernanda Montenegro, Janaína Kremer, José de Abreu, Leonardo Machado, Leonardo Medeiros, Luiz Carlos Vasconcelos, Luiza Ollé, Marjorie Estiano, Mayana Moura, Paulo Goulart, Rafael Tombini, Suzana Pires, Thiago Lacerda
Produção:
Rita Buzzar
Fotografia:
Affonso Beato
Duração:
127 min.
Ano:
2012
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
20/09/2013
Distribuidora:
Downtown Filmes / Paris Filmes
Estúdio:
Globo Filmes
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"QUALQUER GATO VIRA LATA" É O PIOR FILME DO ANO, DISPARADO


Qualquer Gato Vira-Lata pretende ser uma comédia romântica, só que deixa de lado os elementos cômicos da peça Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa, de Juca de Oliveira, para concentrar-se no romance, o que se revela aqui um tiro n'água.

Se a peça já não era boa coisa, mas tinha no humor seus momentos mais fortes, na transposição para as telonas a trama ficou ruim de dar dó.

Falta à obra do diretor Tomás Portella e dos quatro  - eu disse quatro! - roteiristas do filme um pouco de humor para dar sabor ao triângulo amoroso entre Tati - interpretada (!) por Cleo Pires -, Conrado - Malvino Salvador - e Marcelo -Dudu Azevedo.

O filme bagunça o já fraco fio condutor da peça, inclusive o final.

Depois de mais um fora e muitas lágrimas, uma Tati, histérica porque perdeu o namorado - Marcelo, que a tchifra na boa - , salta na tela com a cara toda borrada, entra numa escola para usar o banheiro e se interessa por uma aula que escuta.

Lá, um professor, Conrado, fala sobre o reino animal, os instintos de sobrevivência e reprodução, e como isso pode ser aplicado aos humanos.

Para reconquistar Marcelo, Tati aceita se tornar objeto de estudo de Conrado, que a ajudará a recuperar o namorado com teorias bastante machistas que ganham vida quando a moça as coloca em prática.

Segundo Marcelo, uma marreca não pode se aproximar do marreco, é preciso esperar que o macho tome a iniciativa, e o mesmo vale para os humanos.

Divulgação
Malvino Salvador e Cleo Pires, em cena do filme

Conrado passa a instruir Tati a se comportar como uma fêmea de qualquer espécie animal, que espera o macho tomar a iniciativa para os rituais de conquista e acasalamento, mas, aqui, o que vale mesmo são os clichês do gênero, até chegar ao seu final, que qualquer débil saberia qual é.

A personagem feminina, Tati, começa histérica, irritada e irritante e, aos poucos, pelas mãos de Conrado, vai se transformando, sempre com base nos clichês, já que ela só está feliz quando tem um namorado,  seja ele quem for.

Se essa situação é a base da comédia romântica, aqui a trama só melhora um pouquinho na reta final, quando vira uma comédia de erros, numa cena dentro de um restaurante.

No final, ainda somos obrigados a ver os erros de gravação quando sobem os créditos finais, artifício mais do que batido e aqui, sem graça nenhuma.

Se Malvino Salvador é esforçado, e Dudu Azevedo faz seu personagem com dignidade, o mesmo não se pode falar de Cleo Pires.

Alguém precisa dizer para a moça que atriz é a mãe dela, Glória.
Aqui, Cleo transforma sua Tati num festival de caretas e gritarias, e, atriz de uma só persona,  faz pela enésima vez o mesmo papel, que ora é uma índia na novelinha das seis, ora é uma indiana na novela das nove, mas é sempre interpretada (!) do mesmíssimo jeito.

Até o canastrão do pai dela, Fábio Jr, conhecido por fazer sempre o mesmo personagem, consegue ser melhor que Cleo, que para ser considerada uma atriz precisará descobrir vocação e talento que, até agora, ao menos para mim, ainda não mostrou.

O filme é qualquer coisa, e, para mim, é o pior brasileiro do ano, disparado.

Confira o trailer do filme:



*****

QUALQUER GATO VIRA LATA
Diretor:
Tomas Portella
Elenco:
Cleo Pires
Malvino Salvador
Dudu Azevedo
Alamo Facó
Leticia Novaes.
Produção:
Pedro Carlos Rovai
LG Tubaldini Jr
Fotografia:
Andre Modugno
Duração:
Qualquer coisa em 98 min.
Ano:
2010
País:
Brasil
Gênero:
Comédia (!)
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Downtown Filmes
Estúdio:
Buena Vista International
Tietê Produções Cinematográficas
Classificação:
14 anos
COTAÇÃO DO KLAU: