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sábado, 10 de novembro de 2018

CRÍTICA - 'PACTO DE SANGUE': SÉRIE MOSTRA UMA BELÉM DO PARÁ DESCONHECIDA E GRANDES INTERPRETAÇÕES DE MEL LISBOA, GUILHERME FONTES E RAVEL CABRAL


SINOPSE:

Silas (Guilherme Fontes),  é um apresentador de programa policial numa TV de Belém, Pará, profundamente ambicioso.

Ele conta sempre com a ajuda de Edinho (Adriano Garib), seu irmão, um ex-policial corrupto.

Um traficante, Trucco (Jonathan Haagensen) e sua amante, Gringa (Mel Lisboa), líder de uma seita que sacrifica jovens mulheres na floresta viram o alvo das autoridades, representadas por um dedicado policial local, Lucas Soares (André Ramiro), que recebe a ajuda de um nada convencional parceiro paulistano, Moreira (Ravel Cabral) para entender os crimes e as conexões do tráfico com a seita.

Tudo junto e misturado na série original do canal Space, escrita por Lucas Vivo Garcia Lagos (Psiconautas) e dirigida pelo também uruguaio Israel Adrián Caetano (Crônica de uma Fuga) e Tomás Portella (Operações Especiais).

Já disponível também na Netflix.

CRÍTICA:

'Pacto de Sangue' conta a história de Silas Campello (Guilherme Fontes), um repórter carismático e pouco conhecido de uma pequena emissora de Belém, do Pará.

Um homem de origem humilde, porém extremamente ambicioso e que levará essa ambição a todo o custo para conseguir o que almeja.

A cidade apresenta um quadro criminoso muito forte, como tráfico de drogas, turismo sexual e crimes hediondos capazes de chocar a sociedade.

O jornalista alimenta sua ambição por busca de audiência, com matérias sensacionalistas e notícias polêmicas para obter reconhecimento do público local e fama, muita fama.

Pacto de Sangue : Foto
Guilherme Fontes é Silas - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Canal Space
Com ajuda de seu irmão Edinho (Adriano Garib), ex policial demitido por ser corrupto, ele foi capaz de manter conexões perigosas e alianças para alavancar seu poder, mostrando sua transformação em uma das figuras públicas mais polêmicas e influentes da cidade.

Para desvendar os crimes e atrocidades que têm acontecido na cidade, o policial local Lucas Soares (André Ramiro) conta com a bem vinda ajuda do colega paulistano Roberto Moreira (Ravel Cabral), que chega para investigar o aparecimento do corpo de uma jovem desaparecida em São Paulo num navio abandonado no porto de Belém.

Pacto de Sangue
Adriano Garib é Edinho, irmão de Silas
Assim, a improvável dupla - Lucas é todo certinho e Moreira, um contumaz cachaceiro - é levada para o coração da Amazônia, onde se deparam com rituais espirituais e uma rede de tráfico, ambos organizados por Gringa (Mel Lisboa) e Trucco (Jonathan Haagensen).

Silas Campello está cercado por drama familiar.

Ele, que sempre se dedicou muito a seu trabalho, deixando sua família de lado, tem uma filha, que se envolve com drogas até que seus pais decidem interná-la em uma clínica de reabilitação.

Imagem relacionada
A dupla Lucas (André Ramiro) e  Moreira (Ravel Cabral)
 Guilherme Fontes, perfeito no papel, faz o exato contraponto entre as emoções pessoais que Silas não demonstra e as emoções extremas que busca em seu trabalho.

André Ramiro é correto em todas as suas cenas.

Ravel Cabral nos entrega um protagonista extremamente denso, algo desligado, mas que vai num crescendo até o espetacular epílogo do seu Moreira e é a melhor (boa) surpresa da série.

Jonathan e Mel Lisboa fazem um improvável casal: se ele é irregular, Mel dá show como Gringa.

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Jonathan Haagensen é o traficante Trucco
Os coadjuvantes também brilham: Paulo Miklos dá vida a Mauro, um policial corrupto que “resolve” os problemas dos criminosos da cidade, enquanto Fulvio Stefanini é Simão, um colega de emissora que Silas acaba passando para trás.

A série lembra um pouco uma mistura entre programas sensacionalistas, como “Cidade Alerta” e séries como “Dexter”, “Santa Clarita Diet” e “Haniball”, onde o obscuro impera junto com um leve toque de sarcasmo - e a força que esse tipo de assunto tem.

Com poucas cenas em São Paulo e a maioria em Belém,  a série possui um enquadramento que mistura a beleza local, os dramas da região e a polêmica que esse tipo de noticias jornalísticas retratam.

A câmera acompanha um misto entre as filmagens manuais que vão ao ar, o enquadramento próximo e as cenas mais lúdicas quando envolvem essa seita religiosa que Gringa lidera.

Pacto de Sangue
Mel Lisboa é Gringa
Pena que nas cenas que mostram a família de Silas, as falas são muito demarcadas e mal dirigidas, demonstrando também uma falha na escolha das atrizes que interpretam sua mulher e filha, ambas ruins, descaracterizando o drama e o impacto que as cenas exigiriam para fazer o contraponto entre o lado profissional e o pessoal de Silas.

A caracterização da personagem que faz sua filha não traz um ar realístico de quem passa por problemas com drogas, fazendo com que as cenas fiquem forçadas.

De resto, a série retrata uma realidade do Brasil, de forma que a trilha sonora acompanha o consumo local, o que demonstra que houve bastante pesquisa para se elaborar outros aspectos além do roteiro.

Os sons ambientes e a mixagem de som, por sua vez, estão perfeitos.

Vale uma boa olhada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'PACTO DE SANGUE - PRIMEIRA TEMPORADA'
Gênero:
Ação,policial
Direção:
Israel Adrián Caetano, Tomás Portella
Elenco:
Guilherme Fontes, Mel Lisboa, André Ramiro, Ravel Cabral, Adriano Garib, Jonathan Haagensen, Paulo Miklos, Fulvio Stefanini, Enzo Baron
Roteiro e Produção:
Lucas Vivo Garcia Lagos
Produção:
Canal Space, Turner
Exibição:
Canal Space, Netflix
Episódios:
Oito
Duração:
40 min.
País:
Brasil
Ano de Produção:
2017
Classifição Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"TROPA DE ELITE 2": MELHOR QUE "TROPA 1"

Em "Tropa de Elite 2", a história trágica de Roberto Nascimento se repete.

Agora, o personagem criado pelo diretor José Padilha - e interpretado com rara maestria por Wagner Moura - reaparece dez anos depois primeiro como comandante do Bope e, logo em seguida, a subsecretário de Segurança Pública.

Foto: Bento Marzo/ DivulgaçãoRafael - Pedro Van-Held - e Nascimento - Wagner Moura - que agora aparece mais velho e com um filho adolescente - em cena do filme

Nascimento se vê mergulhado no retrato mais amplo de uma máquina de corrupção perversa, um inferno do qual parece não haver saída.

Padilha teve a chance de fazer correções de curso, como elaborar o argumento e o roteiro do zero em torno de Nascimento, e não de outro personagem, o que lhe economizou noites de insonia em frente a ilha de edição, imaginando soluções para corrigir os problemas narrativos do primeiro filme.

Esse cuidado tornou a segunda parte mais consistente e coesa, abrindo espaço para novos personagens, como o militante de direitos humanos Diogo Fraga, interpretado magistralmente por Irandhir Santos.

Se no primeiro "Tropa de Elite" essa brecha narrativa abria espaço para interpretações dúbias sobre a visão crítica e desesperançada de Padilha, no "2" não há espaço para dúvidas ou ambiguidades, já que tudo está às claras, acompanhado de velhos - "Bandido bom é bandido morto" - e novos - "Porrada neles" - bordões.

Alexandre Lima / DivulgaçãoIrandhir Santos interpreta Diogo Fraga, defensor dos direitos humanos.

Prova disso está na reação do público que lotou o Theatro Municipal de Paulínia na pré estreia na última terça feira, formado por jornalistas, exibidores e uma parcela de convidados do município.
Dois momentos de alívio cômico, no início do filme, seguidos de risadas espontâneas. E pelo menos três momentos de aplausos em cena aberta, quando Nascimento resolve agir movido por uma quase tragédia que o atinge pessoalmente.

Padilha sai do micro para o macro, reposiciona atores - Milhem Cortaz, André Ramiro - da primeira parte em papéis mais elaborados e incorpora novos atores - Seu Jorge - em papéis estratégicos, para tornar o cenário mais verossímil e chocante.

O que não muda é a visão do diretor - que continua a mesma -, apesar de toda cautela na abordagem da violência, o o mesmo vale também a maneira como o publico, por mais seleto e envolvido que possa ser o dessa primeira sessão, percebe essa visão, um tanto simplificada, de como se estabelece um estado de coisas em que os fins continuam justificando os meios.

DivulgaçãoSeu Jorge, no papel do bandido Beirada

Afinal,essa é a premissa de "Tropa de Elite 2": você pode tirar o capitão Nascimento do Bope, mas não pode tirar o Bope do Capitão Nascimento.

O maior lançamento para um filme brasileiro até agora promete - como o primeiro filme de 2007 -, ser uma das maiores bilheterias nacionais do ano, além de causar muita polêmica e até algum debate.

A controvérsia do segundo filme persegue aquela causada pelo primeiro que em 2008 levou o Urso de Ouro - prêmio máximo do festival de Cinema de Berlim.

Há questionamentos sobre o papel do governo, da miséria e do tráfico na violência no Rio de Janeiro e no Brasil.

Não por acaso, numa das cenas em que os personagens vão ao cinema, todos os filmes em cartaz são do diretor Costa-Gavras, presidente do júri de Berlim que consagrou o primeiro "Tropa de Elite".

O filme abre com um letreiro alertando o espectador que, "apesar das possíveis coincidências com a realidade, esta é uma obra de ficção", uma leve pitada de cinismo que parece dissolver-se ao longo das duas horas de boa e velha ultraviolência que, com jorros de sangue e cadáveres sortidos, parece materializar um desejo inconfesso de parte da platéia.

Nascimento - o bem acima da média Wagner Moura, que acaba de ser premiado no Festival do Rio como melhor ator em "VIPs" - já não usa mais a farda preta do Bope, e agora passa a usar o terno e a gravata quando é promovido ao posto de sub-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, numa manobra do governo populista.

Como no "Tropa 1", uma narração em off reitera e explica tudo aquilo que é visto, num didatismo meio chato, como se o diretor José Padilha não acreditasse apenas nas imagens e precisasse verbalizar a ação para que tudo fique bem claro, especialmente nas primeiras cenas, quando introduz o ativista Diogo Fraga - o ótimo Irandhir Santos, de "Quincas Berro D'água" -, apresentado como um intelectual de esquerda, adorado pelos maconheiros de plantão.

A grande ironia é que a ex-mulher de Nascimento - vivida por Maria Ribeiro -, é casada com Fraga, o avesso de Nascimento, que agora é coronel.

Mathias - André Ramiro -, personagem marcante de "Tropa 1", é preparado por Nascimento para substituí-lo, e traz a ideologia do Bope nas veias ao ignorar a hierarquia, o que acaba causando um massacre em Bangu, dando início à trama de "Tropa 2".

As trajetórias de Nascimento e Fraga caminham para um amálgama, e poderia ser a humanização do primeiro e o endurecimento do segundo.
Só que o ativista - eleito deputado -, sempre é tratado como um fraco diante das atitudes extremadas do coronel.

Nascimento até tenta não baixar a cabeça para o jogo político do governador e dos deputados que o usam como marionete, mas seus métodos, eficientes apesar de questionáveis, lhe dão notoriedade e legitimidade.

"Se o eleitor estava dizendo que eu era herói, não ia ser o governador que ia dizer o contrário", diz.

O inimigo maior, porém, são as milícias criadas e sustentadas por policiais corruptos, que operam um esquema de segurança informal, tomando o lugar dos traficantes à custa de muito medo, e tudo isso é usado numa eleição, envolvendo governador e deputados.

O diretor Padilha alega que seja apenas uma coincidência a chegada do filme aos cinemas depois da reeleição de alguns governadores, e às vésperas do segundo turno.

No roteiro - de Padilha e Bráulio Mantovani -, temos frases de efeito - como "faca na caveira e porrada na vagabundagem" ou "terrorista não é gente" - que saem da boca de um apresentador de TV espalhafatoso, enquanto Nascimento medita sobre os bastidores do poder e a corrupção.

Uma nota de desesperança permeia todo o filme e se concretiza no final, quando parece não haver solução para o país.

"No Brasil, eleição é negócio e o voto é a mercadoria mais valiosa da favela", diz o ex-capitão do Bope, que descobre isso a duras penas, ao perceber que algumas instituições em que acreditava são passíveis de corrupção.

DivulgaçãoNascimento é o responsável pelo crescimento do BOPE, que agora é uma máquina de guerra

A ele não resta muita opção se quiser mudar o país, e agora, todos se perguntam qual será o próximo passo do coronel Nascimento.

Talvez na próxima eleição pra presidente...

Confira o trailer do filme:


"TROPA DE ELITE 2"
Título original: Tropa de Elite 2
Diretor: José Padilha
Produção: Zazen Produções
Elenco:
Wagner Moura
Seu Jorge
Tainá Müller
André Ramiro
Maria Ribeiro
Milhem Cortaz
Rod Carvalho
Pedro Van-Held
Gênero: Ação, Policial
Duração: 115 mins, que passam rápido demais
Ano: 2010
Data da Estreia: 08/10/2010
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
País: Brasil
COTAÇÃO DO KLAU: