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sexta-feira, 29 de junho de 2012

'FAUSTO': TESTE DE PACIÊNCIA PARA O ESPECTADOR PREMIADO EM VENEZA


Levemente inspirada na lenda alemã de Fausto e suas muitas adaptações, o novo filme do cineasta russo Aleksandr Sokurov, é uma senhora prova de paciência para o espectador, que deve estar ciente disso antes de encarar suas mais de duas horas de projeção.

Sokurov faz aqui um versão muito particular do mito, usando e abusando de distorções de lente e outros truques óticos e ambientando a história num mundo sombrio e fantástico, onde Fausto - Johannes Zeiler - é um médico pobre que recorre ao agiota da cidade, interpretado por Anton Adasinsky, o Mal em cada movimento, fala e maneirismos grotescos.

Imagens: Divulgação - Imovision
Cena de "Fausto", de Aleksandr Sokurov
Apesar de sua avidez por conhecimento, o Fausto de Sokurov tem desejos muito mais mundanos que vão se tornando claros no desenrolar do longa, onde acompanhamos Fausto seguindo o diabo num passeio de sonho pela cidade e onde a câmera é uma ferramenta a serviço da estética desejada por Sokurov, gerando cenas que funcionam quase que como um fluxo de consciência.

Além da fotografia impecável, figurino e cenografia perfeitos, o final, filmado em meio a gêiseres vulcânicos da Islândia, é o ponto alto do longa, lúgubre e feito para inebriar e incomodar a audiência.

Cena de "Fausto", de Aleksandr Sokurov
Sukorov já tinha declarado ter sido influenciado pelo pintor inglês William Turner (1775-1851), um dos precursores do Impressionismo e, assim como na pintura de Turner, o cineasta se recusa ao naturalismo e opta distorção própria da percepção sensorial do indivíduo.

O longa é um teste de paciência para o espectador, com o nítido propósito desse conto de fadas adulto de ser sombrio e perturbador, exigindo um esforço ao invés de entretê-lo.

Cena de "Fausto", de Aleksandr Sokurov
A produção fez sua estreia no Festival de Veneza 2011,  de onde saiu com o Leão de Ouro de Melhor Filme.

Confira o trailer do filme:

*****
"FAUSTO"
Título Original:
Faust
Diretor:
Aleksandr Sokurov
Elenco:
Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Isolda Dychauk, Georg Friedrich, Hanna Schygulla, Antje Lewald, Florian Brückner, Maxim Mehmet, Katrin Filzen, David Jonsson
Produção:
Andrey Sigle
Roteiro:
Aleksandr Sokurov, Marina Koreneva, Yuri Arabov
Fotografia:
Bruno Delbonnel
Trilha Sonora:
Andrey Sigle
Duração:
134 min.
Ano: 
2011
País:
Alemanha
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Proline Film
Cotação do Klau:

sábado, 10 de setembro de 2011

FESTIVAL DE VENEZA: ALEXANDER SOKUROV E SUA VERSÃO DE 'FAUSTO' LEVAM LEÃO DE OURO - CONFIRA OUTROS GANHADORES


Depois de vários dias, o 68o. Festival Internacional de Cinema de Veneza, o mais antigo do mundo, chegou ao fim hoje, com a entrega dos principais prêmios.

É o que você acompanhará nessa postagem.

LEÃO DE OURO - "Fausto", de Alexander Sokurov (Rússia)

Para o veterano cineasta russo Aleksandr Sokurov, valeu a pena esperar.

Seu épico Fausto, adaptação da obra do autor alemão Johann Wolfgang Goethe e seu primeiro filme realizado em quatro anos, veio a Veneza para levar o Leão de Ouro - uma das apostas mais seguras nesta tarde entre os jornalistas - e levou mesmo!

AFP
O diretor russo Alexander Sokurov leva Leão de Ouro no Festival de Veneza pelo filme "Fausto"

Um diretor a quem não faltam credenciais para um prêmio destes, digno de quem realizou Arca Russa, Moloch, Taurus, Pai e Filho e O Sol, alguns títulos de uma obra sólida e consagrada.

É o grande cineasta russo da atualidade, e um dos melhores de todos os tempos, e, justamente por isso, o Leão de Ouro de 2011 está em boas mãos.

Relembre o trailer de "Fausto", o grande vencedor de Veneza 2011:

O cinema oriental, que nesta edição entusiasmou pouco os críticos, no final levou três prêmios importantes.

LEÃO DE PRATA DE MELHOR DIREÇÃO - "People Mountain People Sea", de Shangjun Cai (China)

O diretor Cai Shangjun foi o responsável pelo filme-surpresa dessa edição.

 People Mountain People Sea - que saiu clandestinamente da China sem ser submetido à censura - deverá dar problemas ao diretor na volta para casa.

AFP
O chinês Cai Shangjun segura seu Leão de Prata de melhor diretor da 68ª edição do Festival de Veneza

Confira o trailer do ganhador do Leão de Prata:

COPA VOLPI DE MELHOR ATRIZ - Tao Jie - "A Simple Life" (China)

Atriz veterana, foi premiada por outro filme chinês - de Hong Kong -, A Simple Life, de Ann Hui.

Ela interpreta sutilmente Ah Tao, uma mulher que trabalha há 60 anos para a mesma família e que cuida de um menino.

AFP
A atriz recebe sua Copa Volpi em Veneza

Após vê-la sofrer um infarto, Roger começa a ter uma verdadeira relação com a senhora que cuidou dele por toda a vida.

COPA VOLPI DE MELHOR ATOR - Michael Fassbender - "Shame" (Reino Unido)

O competente bloco britânico, no final, conquistou dois prêmios, entre eles um merecido troféu de melhor ator para o ator alemão Michael Fassbender pelo drama Shame, de Steve McQueen.

AP
Michael Fassbender segura sua Copa Volpi de melhor interpretação masculina

Fassbender, de 34 anos, ficou conhecido do grande público ao ser dirigido por Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios (2009), e agora com Shame dá uma lição de força interpretativa com um complexo personagem, viciado em sexo e isolado voluntariamente do mundo que o cerca.

PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI - Shôta Sometani e Fumi Nikaidô em "Himizu" (Japão)

O prêmio que leva o nome de um dos maiores atores de todos os tempos é destinado a jovens atores - tipo uma "melhor revelação" -  e foi entregue aos dois protagonistas do concorrente japonês Himizu, de Sion Sono - Shôta Sometani e Fumi Nikaido.

AFP
O diretor Sion Sono, a atriz Shota Sometani e o ator  Fumi Nikaido, em Veneza

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI - "Terraferma", de Emanuele Crialese (Itália)

Os italianos, que este ano tinham três candidatos ao Leão de Ouro, acabaram levando um importante Prêmio Especial do Júri para o drama Terraferma, de Emanuele Crialese - que aborda um tema atualíssimo e premente na Itália hoje - a intolerância em relação aos imigrantes clandestinos africanos, cuja entrada no país é combatida inclusive por legislação a quem lhes der socorro ou qualquer tipo de apoio humanitário.

AFP
O diretor Emanuele Crialese

Romano de origem siciliana, Crialese, de 46 anos, pertence a uma nova geração italiana e já havia vencido como diretor revelação na mesma Veneza, há cinco anos, por Novo Mundo.

MELHOR ROTEIRO - "Alpis"  (Grécia)

Um prêmio relativamente surpreendente coube ao grego Alpis, vencedor de melhor roteiro -  assinado pelo diretor Yorghos Lanthimos - de Dente Canino - e Efthimkis Filippou.

Um destes filmes estranhos, mas criativos, que ficam na memória tempos depois que a projeção terminou.

MELHOR FOTOGRAFIA -  O Morro dos Ventos Uivantes, de Andrea Arnold (Reino Unido)

O prêmio de Contribuição Técnica da Fotografia foi para O Morro dos Ventos Uivantes, de Andrea Arnold.

PRÊMIO FIPRESCI DE MELHOR FILME - "Shame" (Reino Unido)

Além do prêmio de Melhor Ator para Michael Fassbender, "Shame" também venceu o prêmio de Melhor Filme pela FIPRESCI, a Federação Internacional dos Críticos - o que não é pouco.

MELHOR ROTEIRO - "Alpis", de Yorgos Lanthimos (Grécia)

Mais um prêmio para esse filme grego, que os críticos acharam estranho, mas bom.

E TEVE TAMBÉM OS COTADOS, MAS  QUE SAÍRAM  SEM NADA... 

O francês Carnage - de Roman Polanski, favorito da tabela dos críticos divulgada hoje cedo pelo diário do festival - e seu magnífico quarteto de atores -Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz e John C. Reilly - nada ganharam.

Os cinco concorrentes norte-americanos: George Clooney - por Tudo pelo Poder, William Friedkin - por Killer Joe, Abel Ferrara - por 4:44 Last Day on Earth, Todd Solondz - por Dark Horse e Ami Canaan Mann - por Texas Killing Fields, vieram ao Lido à toa e também não levaram nada, como também nada levou o diretor canadense David Cronenberg e seu poderoso A Dangerous Method.

Todos eles, ao que parece, não impressionaram o júri presidido pelo cineasta norte-americano Darren Aronofsky.

Sobre o badalado filme de Madonna, W.E., crítica e público foram unânimes de que ela deveria dedicar toda a sua energia à carreira de cantora, pois interpretando ou dirigindo, suas performances são abaixo da crítica, para ficarmos em termos leves.

Concorrente na seção Horizontes, o docudrama brasileiro Girimunho, de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, venceram um prêmio secundário -  o Interfilm Award - por promover o diálogo interreligioso.

Terminado o 68o. Festival Internacional de Cinema de Veneza, as atenções vão todas agora para o Festival de Toronto - TIFF, que já começou e que você também vai acompanhar tudo o que de melhor acontecer aqui.

Quanto à Veneza, até 2012!
*****
Com: Neusa Barbosa, do portal Cineweb em Veneza - AFP - AP - Reuters - site de Veneza 2011
Redação Final: Cláudio Nóvoa