Sir Roger George Moore nos deixou em maio desse ano, mas se estivesse vivo, hoje o eterno James Bond estaria celebrando seus 90 anos
<>
Antes de se tornar o terceiro James Bond do cinema - no filme 'Com 007 Viva E Deixe Morrer' (1972), Sir Roger já era mundialmente conhecido como Simon Templar - da série de TV “O Santo” - e como Brett Sinclair, no seriado americano “The Persuaders!”, fazendo dupla com Tony Curtis e exibida na década de 70.
Antes mesmo de Sir Sean Connery, Sir Moore já havia sido cogitado pelos produtores da cinessérie 007 para encarnar o papel do agente secreto.
No entanto, por questões contratuais - ainda rodava “The Persuaders!” - não pôde assumir o papel, adiando sua entrada na cinessérie mais famosa das telonas por alguns anos.
Com sua estreia, trouxe à franquia um tom mais leve e bem-humorado, embora por isso algumas das suas interpretações ficassem marcadas pelos exagero, como em '007 Contra O Foguete Da Morte' (1979), único longa de 007 que teve locações no Brasil.
Já quase no fim de sua carreira como Bond, retornou em horizontes mais sóbrios e ponderados, no filme '007 Contra Octopussy'.
O humor sarcástico, a ironia e a sempre elegante pose marcaram a sua versão do personagem, que foi um grande sucesso de bilheteria.
Sir Roger Moore deixou de ser 007 aos 57 anos, no filme '007 Na Mira Dos Assassinos' (1985).
Sir Moore, numa de suas últimas fotos e na estreia como 007 - Divulgação
Em 1983, quando rodava '007 Contra Octopussy', na Índia, o ator ficou chocado com a pobreza do lugar, pensou em fazer algo a respeito e em agosto de 1991 foi nomeado Embaixador da UNICEF, aproveitando sua fama para ajudar aqueles que necessitavam.
Em 1991, veio ao Brasil empossar Renato Aragão como representante da UNICEF no país, e em setembro de 2000, esteve presente com empresários e celebridades brasileiras, incluindo a apresentadora Fernanda Lima, no Castelo de Caras.
Em foto promocional de '007 Contra Octopussy' - EON Productions
Em 2008, na autobiografia “My Word Is My Bond”, falou sobre sua carreira e trajetória nos filmes do agente secreto.
Suas palestras, intituladas “An Evening With Sir Roger Moore” rodaram o Reino Unido sempre com lotação máxima.
Natural de Londres, nos últimos anos de vida atuava como Embaixador da UNICEF, e viajou o mundo promovendo campanhas humanitárias.
Fez pequenas participações em animações e programas de TV, e falava sobre sua carreira em palestras pela Europa.
O ator, que interpretou James Bond em sete filmes da série (de 1973 à 1985), morreu na Suíça no último dia 23 de maio, após uma rápida luta contra um câncer.
A sua morte foi confirmada pela família em um comunicado divulgado nas redes sociais.
No dia 7 de julho de 1977 (7.7.77) era lançado em Londres 'The Spy Who Loved Me/007 – O Espião Que Me Amava', 10º filme da cinessérie oficial de James Bond
<>
Terceiro 007 estrelado por Roger Moore, o sucesso do longa ajudou a definir o legado de um dos personagens mais queridos do cinema.
Na primavera de 1975, os produtores Albert R. “Cubby” Broccoli e Harry Saltzman juntamente com o diretor Guy Hamilton, começaram a produção do décimo filme de James Bond.
Pela primeira vez, os produtores tinham apenas o título, já que Ian Fleming, criador de 007, não queria que a trama do livro fosse usada para um filme.
Assim, muitos roteiristas trabalharam no desenvolvimento da história, entre eles Richard Maibaum, Anthony Burgess e John Landis.
Relembre o trailer:
'007 – O Espião Que Me Amava' acabou sendo o primeiro 'Bond film' que “Cubby” Broccoli produziu sozinho, sem contar com a presença do parceiro Harry Saltzman - devido a investimentos mal-sucedidos e para evitar a falência, Harry foi praticamente obrigado a vender sua parte da EON Productions, produtora dos dois e responsável até hoje pela cinessérie oficial de 007, para o estúdio United Artists, subsidiária da MGM, naquele ano.
A série de desavenças e negociações atrasou a pré-produção do filme e fez com que Guy Hamilton abandonasse o projeto.
Sozinho, Cubby recorreu a Lewis Gilbert, que uma década antes havia dirigido 'Com 007 Só Se Vive Duas Vezes'.
Para finalizar o roteiro, Gilbert trouxe Christopher Wood e John Glen assumiu como editor do longa e diretor de segunda unidade.
Gilbert também apresentou um elemento-chave no roteiro - Bond matando o amante de Anya Amasova no prólogo do longa - ajudando assim a criar uma história sólida que sustentasse a ação (as produção inclusive encontrou um ator que era muito parecido com o ex-Bond George Lazenby)
O renomado ator alemão Curt Jurgens, que já havia trabalhado com Lewis Gilbert anteriormente, ficou com o papel do vilão Karl Stromberg, enquanto o desconhecido Richard Kiel deu vida ao assustador e ao mesmo tempo carismático Jaws, que no Brasil ficou conhecido como Dentes de Aço.
Barbara Bach, Curt Jurgens e Roger Moore, em foto promocional do longa - MGM
Embora Fleming não teria autorizado que a trama do livro fosse levada para o cinema, o personagem Jaws foi uma adaptação do capanga Horror, presente no livro.
Richard Kiel como Jaws, em cena do longa - MGM
Para o papel da Major soviética Anya Amasova, os cineastas escolheram a atriz americana Barbara Bach, que já havia trabalhado ao lado das ex-Bond Girls Ursula Andress e Claudine Auger em produções italianas.
Roger Moore e Barbara Bach, em cena do longa rodada no Egito
A lendária sequência de abertura foi inspirada em um anúncio de TV do Canadian Club, que mostrava um esquiador saltando do El Capitan, uma formação rochosa com 910 metros de altura na Califórnia.
No entanto, após entrar em contato com o esquiador Rick Sylvester, responsável pela proeza, a produção descobriu que o anúncio era falso, ninguém teve coragem de saltar daquela altura e foram usados efeitos especiais.
No entanto, Sylvester, notório louco de pedra, disse que seria capaz de executar a cena de verdade no Monte Asgard, no círculo Ártico do Canadá.
Apesar da má condição climática na região devido às baixas temperaturas, a cena foi filmada com sucesso em um take único e até hoje, o saldo de Sylvester, como dublê de Bond, saltando de esqui e tendo como paraquedas a bandeira do Reino Unido, aberto após 22 segundos de salto aberto, é uma proeza ainda não repetida.
Relembre a icônica cena:
O longa teve muitas cenas rodadas no Egito, país que até hoje cobra altas taxas para que se filme lá, a título de 'proteção dos monumentos', como pirâmides e etc.
Tudo mentira: a grana alta que entra a cada longa rodado lá serve como propina para molhar as muitas mãos do corrupto governo egípcio.
Apesar das filmagens em alguns dos maiores templos ao longo do Rio Nilo, as necessidades do dia-a-dia da produção eram muitas vezes difíceis de serem resolvidas, principal,ente devido aos diversos saques feitos pelos locais.
Em uma dessas ocasiões, sem provisões para alimentar sua equipe de mais de 100 pessoas, o próprio 'Cubby' Broccoli se encarregou de cozinhar macarrão para o elenco e equipe na locação.
Vestido como Bond, Roger Moore ajuda Cubby Broccoli a servir macarrão à equipe de produção no Egito - AP
Mesmo assim, as cenas rodadas no Egito ficaram excepcionais.
Relembre:
Próxima locação, a Sardenha, ilha do mar Mediterrâneo situada a oeste da península Itálica, que proporcionou o pano de fundo perfeito para o Diretor da 2ª Unidade, Ernie Day filmar a perseguição com a Lotus Esprit.
O Supervisor Especial de Efeitos Visuais Derek Meddings fez um modelo-carcaça para ser disparado no mar a partir de um canhão de ar.
Modelo-carcaça da Lotus Esprit, disparado no mar da Sardenha a partir de um canhão de ar - MGM
Depois, nas águas transparentes das Bahamas (todas as cenas submarinas dos filmes de Bond são rodadas lá), três carros adicionais foram responsáveis por mostrar a Lotus transformando-se em um submarino.
A Perry Oceanographics construiu uma quinta versão do Lotus como se fosse um verdadeiro submarino na forma de um Esprit, para as gravações em Nassau.
A cena derradeira, em que a Lotus branca sai do mar, na areia de uma praia lotada de banhistas, só foi possível de ser feita graças à ajuda de um cabo de aço que puxava o veículo para fora da água do mar.
Relembre a cena com a Lotus Esprit, na íntegra:
Meddings também foi o responsável por construir modelos do super-tanque Liparus e da Atlantis, cidade submarina e esconderijo do vilão Stromberg - ambas as sequencias também foram rodadas nas Bahamas.
O interior de Atlantis foi montado em Londres - reveja:
No retorno a Londres, produção e elenco já puderam usar os enormes '007 Stage' em Pinewood, um complexo de estúdios enormes, construídos especialmente para que os gigantescos cenários dos filmes de Bond pudessem ser erguidos - na época, a tela verde ou azul da computação gráfica ainda engatinhava e assim, tudo tinha de ser criado em tamanho real.
Em Pinewood, o Diretor de Arte Ken Adam, sempre inspirado, criou sets que combinavam curvas com acabamentos de metal polido mesclado com antiguidades belíssimas.
Para filmar o interior do Liparus, Adam projetou um cenário permanente em Pinewood.
Construído em apenas 13 semanas, incluindo o conjunto de petroleiros, o '007 Stage' onde o petroleiro e os submarinos foram criados, tornou-se o maior estúdio cinematográfico do mundo.
Pinewood é referência na indústria até hoje, com diversos blockbusters rodados no local - 'Batman' (1989) e sua imensa Gotham City foi um deles.
Indisponível para compor a trilha sonora, John Barry sugeriu Marvin Hamlisch, que decidiu criar um novo hit para dar continuidade ao estilo criado por Barry.
“Nobody Does It Better/Ninguém Faz Melhor”, interpretada por Carly Simon, foi escrita por Carole Bayer Sager e é uma frase que até hoje define o personagem.
A canção ficou em 2º e 7º lugar nas paradas americanas e britânicas, respectivamente, e foi indicada ao Oscar do ano seguinte, junto com a trilha e direção de arte.
A arte dos créditos foi feita novamente por Maurice Binder - e essa foi inspiradíssima.
Relembre:
Com o maior orçamento de um filme de Bond até então (US$ 14 milhões) o terceiro filme de Roger Moore como 007 tornou-se um enorme sucesso nas bilheteria (US$ 185.4 milhões) e um marco na história da franquia.
É considerado por muitos 'Bond Maniacs' - eu inclusive - o melhor longa da franquia.
Reveja as cenas finais:
RESUMO DA TRAMA:
Submarinos nucleares britânicos e soviéticos começam a desaparecer em vários lugares do Mundo.
Na Áustria, James Bond (Roger Moore) escapa de uma armadilha feita por soviéticos, matando um deles.
Esquia pela montanha até saltar de um alto penhasco, abrindo um pára-quedas com a bandeira do Reino-Unido.
Ao regressar a Londres, Bond é informado que alguém está roubando as rotas secretas dos submarinos.
O agente viaja para o Egito para se encontrar com um vendedor, que tinha prometido um microfilme com os planos.
Encontra-se primeiro com uma agente soviética chamada Anya Amasova (Barbara Bach) que se torna a sua rival.
Ambos viajam até Luxor atrás do micro-filme com as rotas dos submarinos e os superiores dos agentes - 'M' (Bernard Lee), pelo lado britânico e o general Gogol (Walter Gotell), pelo lado soviético, concordam em torná-los parceiros.
Bond e Amasova viajam até a Sardenha onde ela é salva pelo agente das garras do capanga de Stromberg (Curt Jurgens), Jaws (Richard Kiel).
Bond e Amasova, disfarçados como um casal de biólogo, visitam Stromberg em seu laboratório, uma cidade submarina chamada Atlantis.
Após a visita, os dois saem de carro - uma bela Lotus Sprit branca - mas são perseguidos por um helicóptero, pilotado por uma bela capanga de Stromberg, Naomi (Caroline Munro).
Na fuga, o carro cai no mar e transforma-se num submarino.
Ao tentarem ver a Atlantis mais de perto, eles são atacados por mergulhadores, por um sidecar e outro veículo.
Já em terra firme, Amasova promete que irá matar Bond ao fim da missão, ao saber que ele matou seu amante, que estava naquela missão na Áustria vista no prólogo.
Bond e Amasova embarcam em um submarino norte-americano e se aproximam do enorme navio-petroleiro Liparus, pertencente a Stromberg.
O submarino em que estão, como aconteceu com os anteriores, é capturado pelo petroleiro e Stromberg inicia o seu plano diabólico: ele quer lançar duas bombas atômicas a partir de dois submarinos, uma em Nova York e outra em Moscou, de modo a provocar uma guerra nuclear, com o objetivo de recriar a civilização humana sob o mar.
Stromberg captura Amasova e foge para Atlantis.
Na base, Bond consegue entrar na sala de controle desencadeando um conflito dentro do petroleiro e consegue alterar as coordenadas das bombas que já foram lançadas.
As rotas são alteradas para os dois submarinos lancem suas bombas um contra o outro.
O petroleiro é afundado e Bond quer ir atrás de Stromberg e Amasova, mas os submarinos têm ordem para atacar a base.
O agente consegue com o comandante do submarino americano um tempo, vai a Atlantis pilotando uma moto aquática (inédita na época) onde mata Stromberg com uma pistola por baixo da mesa e liberta Amasova.
Mas Jaws luta com 007 e o gigante de dentes de aço acaba caindo em um tanque cheio do tubarões.
Com a Atlantis sob bombardeio, Bond e Amasova escapam através de uma cápsula de sobrevivência.
Nela, Amasova aponta um arma a Bond relembrando o que tinha prometido, mas não atira.
O britânico e a russa são resgatados pelos seus superiores hierárquicos, justamente no momento em que fazem amor.
FICHA TÉCNICA:
007 - O Espião que me Amava
Título original:
The Spy Who Loved Me
País:
Reino Unido
Ano:
1977
Cor:
Colorido
Duração:
125 min
Direção:
Lewis Gilbert
Produção:
Albert R. Broccoli
Roteiro:
Christopher Wood, Richard Maibaum, baseados em personagens de Ian Fleming
Elenco Principal:
Roger Moore, Barbara Bach, Curt Jurgens, Richard Kiel, Walter Gotell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn, Lois Maxwell
“A Celebração De Uma Vida” foi o nome dado a cerimônia particular realizada neste sábado (10), que marcou a despedida de Sir Roger Moore - informa o site James Bond Brasil.
O funeral reuniu apenas amigos e familiares, e aconteceu na Catedral de São Paulo em Mônaco, local escolhido pelo próprio ator antes de partir.
“Nos despedimos em uma linda cerimônia e celebramos uma vida maravilhosa”, escreveu no Twitter Gareth Owen, biógrafo e empresário do ator nos últimos anos.
AFP
Amiga de longa data, a atriz Joan Collins estava entre os convidados que participaram da cerimônia.
A estrela do cinema e da TV fez uma breve participação ao lado de Roger Moore no seriado “The Persuaders”, em 1972.
"Um último drink. Adeus @sirrogermoore – uma linda e amável cerimônia para um dos maiores Santos, Cavaleiros e Cavalheiros do nosso tempo" - escreveu Collins, atuais 84 anos, no Twitter.
Sir Roger Moore morreu no dia 23 de maio aos 89 anos, vítima de um câncer.
A notícia foi dada pela família do ator em um comunicado divulgado nas suas redes sociais.
Após a notícia, celebridades do mundo inteiro lamentaram a morte do ator, entre elas os outros intérpretes de James Bond, que tambémprestaram suas homenagens.
Logo após a divulgação da morte de Roger Moore, na última terça (23), os outros cinco intérpretes do famoso agente secreto 007, também prestaram sua última homenagem ao colega
<>
Sempre ativo nas redes sociais, Pierce Brosnan usou o Instagram para se manifestar com uma mensagem comovente, acompanhada de uma foto em que tirou ao lado de Moore no set de '007 Contra GoldenEye', seu longa de estreia como Bond:
“Querido Sir Roger Moore, é de fato com o coração pesado que eu ouvi a notícia da sua morte esta manhã. Você foi uma grande parte da minha vida, de ‘O Santo’ até James Bond. Você foi um James Bond magnífico e liderou o caminho para mim. O mundo vai sentir sua falta e do seu senso de humor único durante anos. Minhas sinceras condolências para sua família e seus filhos. RIP”.
Mais tarde, Brosnan postou outra foto, desta vez do set do filme '007 – Somente Para Seus Olhos', onde Roger Moore atuou ao lado de Cassandra Harris - na época mulher de Brosnan e que morreu de câncer no ovário.
“Para a memória de vocês dois, Sir Roger e Cassie. Para seus filhos e filhos de seus filhos, amem a vida e sigam em frente”
No perfil oficial de @007 no Instagram, Daniel Craig também postou uma foto ao lado de Moore e escreveu uma mensagem, fazendo referência ao clássico tema do filme '007 – O Espião Que Me Amava':
“Ninguém faz melhor. Com amor, Daniel”.
Sean Connery, primeiro ator a dar vida ao personagem, prestou sua homenagem em um comunicado feito ao The Hollywood Reporter:
Sir Moore e Sir Connery, em evento nos anos 1980 - THR
“Fiquei muito triste ao ouvir sobre a morte de Roger. Tivemos um longo e excepcional relacionamento para os padrões de Hollywood, cheio de piadas e sorrisos. Vou sentir falta dele.”
Já Timothy Dalton usou a conta oficial de @007 no Twitter para prestar suas condolências:
“Eu conhecia Roger como um homem gentil e generoso. Ele era um ator maravilhosamente envolvente e bem-sucedido. Meus pensamentos estão com a família dele.”
Finalmente, George Lazenby, que antecedeu Sir Roger no filme '007 – A Serviço Secreto De Sua Majestade' de 1969, também se pronunciou:
Sir Moore, Lazenby e Dalton, em foto de alguns anos atrás - EW
“Eu gostava do Roger, ele era genuíno, um cara muito bom.”
Ator inglês foi o que mais viveu o agente 007 nas telas
<>
Sir Roger George Moore nasceu em Londres, em 14 de outubro de 1927.
Alto, loiro e muito bonito, ele trabalhou como modelo até o começo dos anos 1950 e graças à sua beleza, assinou um contrato de sete anos com a MGM, mas suas produções iniciais não fizeram muito sucesso.
A fama só veio com 'Ivanhoé', série de televisão britânica exibida pela ITV em 1958-59.
Em seu primeiro papel como protagonista, Moore era Sir Wilfred de Ivanhoe, um cavaleiro da idade média em uma série de aventuras destinadas a um público infantil.
Moore em cena de 'Ivanhoé' - ITV
A série, já sucesso no Reino Unido em 1958, começou a ser exibida na TV americana no ano seguinte, virou febre e possibilitou a Moore a ter mais oportunidades em Hollywood.
Confira trecho de 'Ivanhoé':
Em Los Angeles, Moore continuou alternando atuações no cinema e na TV - na época dois veículos distintos.
De 1962 a 1969, Moore estrelou outra série de absurdo sucesso - 'O Santo'.
Baseada no best seller de Leslie Charteris que o lançou em uma série de livros de mistérios policiais publicados entre 1928 e 1963, a série trazia Moore como Simon Templar, um mestre dos disfarces que, apesar de agir do lado da lei como um detetive amador ou eventualmente policial, possui habilidades próprias de um grande ladrão e provavelmente fora um criminoso no passado.
Templar é chamado de "O Santo" devido as iniciais do seu nome (ST, que se pronuncia 'Saint' em inglês).
Em cena de 'O Santo' - ITC
Os disfarces de Simon também usam as iniciais S.T. ("Sebastian Tombs" ou "Sugarman Treacle", por exemplo).
Sempre com um senso de humor juvenil, ele deixa um cartão de visitas em seus "crimes", nos quais aparece a figura de um boneco de linhas geométricas com uma auréola sobre a cabeça.
Esse desenho aparecia como o logotipo nos livros lançados na década de 1960 e nas série de TV.
Como era comum na época, os primeiros anos da série inglesa, da emissora ITC, que teve seis temporadas e 118 episódios, foram rodados em preto & branco e os últimos, já ganharam cor.
O sucesso foi global: aqui no Brasil, a série foi exibida, com muito sucesso, pela TV Record.
Invariavelmente, cada episódio começara com uma cena de ação com Moore, que no final acabara ganhando uma auréola de 'Santo'.
Relembre a abertura e os créditos de encerramento da série:
A história do personagem Simon Templar pode ser vista nesse vídeo:
Não demorou muito e Moore emplacou outro grande sucesso: “The Persuaders”, série de ação / aventura / comédia também produzida pela ITC Entertainment e inicialmente transmitida pela ITV inglesa e pela ABC americana em 1971.
Aqui, Moore era Brett Sinclair, um nobre britânico polido, educado em Harrow e em Oxford , ex- oficial do exército britânico e um piloto de rali.
Ele formava uma improvável dupla com o Danny Wilde vivido por Tony Curtis, um grosseiro americano criado nas favelas da cidade de Nova York, que escapou por se alistar na Marinha dos EUA e mais tarde se tornou um milionário no negócio de petróleo.
Com Tony Curtis, em foto promocional de 'The Persuaders' - ABC
No piloto, os dois se trombam em férias na Riviera Francesa , se estranham e destroem um bar de hotel durante uma briga.
Presos pela arruaça, eles são entregues ao juiz aposentado Fulton (Laurence Naismith), que lhes oferece a opção de passar 90 dias na prisão ou ajudá-lo a corrigir erros de impunidade .
De má vontade, Wilde e Sinclair concordam em ajudar Fulton a resolver um caso - e ele então os libera de qualquer ameaça de prisão.
O refinamento britânico de Sinclar e a falta de tato de Wilde renderam cenas poderosas, com os dois atores tendo uma química absurda.
Lógico, os dois desenvolvem uma afeição mútua e logo partem para mais aventuras mundo afora, às vezes por acaso, às vezes a mando do juiz Fulton, que não tem nenhum relacionamento formal com seus dois agentes.
Na série, o Brett Sinclair de Moore dirige um Aston Martin DBS com rodas V8 e marcações - curiosamente, o carro ícone de James Bondnunca foi usado por Roger Moore na sua fase de 007.
Brett Sinclair de Moore dirige um Aston Martin DBS - Divulgação
A série 'The Persuaders' foi filmada na Grã-Bretanha, França e Itália entre maio de 1970 e junho de 1971 e apesar de seu foco nos mercados britânico e americano, tornou-se mais bem sucedida em outros mercados internacionais como aqui no Brasil, onde foi exibida na Globo em horário nobre com um sucesso absurdo.
O tema da série foi composto por John Barry - o mesmo dos temas de James Bond - e a abertura mostrava uma pequena biografia de Sinclair e Wilde, usando fotos antigas de Moore e Curtis.
Veja:
Quando Sean Connery abandonou a cinessérie de 007 pela primeira vez, após filmar 'Com 007 só se Vive Duas Vezes' (1967), o produtor Albert 'Cubby' Broccoli chamou Roger Moore para o papel, mas ele não pode aceitar pelos compromissos com a TV.
A cinessérie então teve '007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), que tinha um ótimo roteiro e cenas de ação espetaculares - mas o público não aceitou o ator australiano George Lazenby como Bond.
Desesperados, Broccoli e seu sócio, Harry Saltzman, procuraram novamente Moore, mas o sucesso de 'The Persuaders' fez o ator novamente recusar o papel.
Assim, só restou à dupla pagar US$ 1 milhão a Sean Connery, que retornou triunfalmente à cinessérie para seu último longa, '007 - Os Diamantes São Eternos' (1971).
Connery deixou a cinessérie oficial após seis filmes: '007 Contra o Satânico Dr. No' (1962), 'Moscou contra 007 (1963), '007 Contra Goldfinger' (1964), '007 Contra Chantagem Atômica' (1965), 'Com 007 só vive duas vezes' (1967) '007 - Os Diamantes São Eternos' (1971), dando um rosto e uma atitude ao agente secreto criado por Ian Fleming em suas novelas.
Sem Connery, que seguiu sua carreira de sucesso no cinema, Broccoli e Saltzman tentaram novamente Roger Moore, que finalmente, livre do contrato com a TV, pode dizer o tão esperado 'sim'.
Broccoli, Saltzman e Moore, nas filmagens de “Com 007 Viva e Deixe Morrer”, na Luisiana, EUA - Divulgação
A carreira como James Bond começou em 1973, no filme “Com 007 Viva e Deixe Morrer” e a árdua missão de substituir Sean Connery fez com que o ator não entrasse completamente no papel.
Relembre a icônica cena do crocodilo:
Relembre a abertura do longa:
Apesar da excepcional música tema de Pal McCartney na abertura e da inovadora história, que misturava espionagem com elementos vudus, o filme não foi muito bem nas bilheterias e depois de algumas críticas negativas, Moore procurou Broccoli e pediu para sair.
O lendário produtor o demoveu da ideia ao lhe dizer:
"Esqueça o outro Bond, não de ouvidos às críticas. Faça do seu jeito".
E foi o que Moore fez: no segundo longa como Bond, '007 contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974), a MGM não liberou nem a metade do orçamento do anterior, mas, mesmo assim e apoiado num vilão excepcional, o Scaramanga de Christopher Lee, Roger Moore finalmente foi um Bond excepcional.
Relembre cenas, ao som da música tema, cantada por Lulu:
A partir daí, as aberturas dos filmes traziam a frase: "Roger Moore as James Bond" e o espectador finalmente começou a curtir um 007 mais bem humorado e muito mais sarcástico que o interpretado por Connery.
No filme seguinte, “007 - O Espião que me amava (1977), Moore finalmente tinha deixado de ser a estrela de TV para ser uma das mais famosas estrelas do cinema de todos os tempos.
Relembre a icônica cena com a Lotus submarina:
Relembre a abertura,ao som de "Nobody Does it Better", interpretada por Carly Simon:
Ele continuou como o agente secreto mais famoso do cinema em '007 contra o Foguete da Morte' (1979) , o único da cinessérie que teve cenas rodadas no Brasil.
Confira Bond chegando ao Rio de Janeiro, a bordo do supersônico Concorde:
Na trama, Bond viaja até o Rio de Janeiro, palco da grandiosa cena na qual o vilão Jaws (Richard Kiel) arrebenta, com os dentes, o cabo do bondinho do Pão de Açúcar, onde o agente estava com a agente da CIA Holly Goodhead (Lois Chiles)
Relembre a cena:
No mesmo longa, ele ainda vai até a Floresta Amazônica via Cataratas do Iguaçu (!), onde está situada a base secreta do megavilão Hugo Drax (Michael Londsdale).
Relembre a abertura, com música tema cantada por Shirley Bassey:
Depois, rodou “007 - Somente para Seus Olhos" (1981), filme que marca a 'morte' do megavilão Blofeld dos tempos de Connery.
Como não podiam mais usar o vilão na cinessérie, os produtores decidiram mata-lo na divertida cena inicial deste longa.
Veja:
Relembre a abertura, com música tema cantada por Sheena Easton:
Ao rodar '007 Contra Octopussy' (1983) na Índia, Moore ficou chocado com o estado de pobreza total que lá viu, principalmente das crianças - e pensou em usar sua fama para ao menos tentar mudar aquele estado de coisas.
A partir daí, além de sua vida diante das câmeras, Moore ficou conhecido mundialmente por suas obras de caridade, participando de várias ações para arrecadar fundos que seriam doados aos mais necessitados.
Por esse trabalho, o ator foi escolhido como embaixador da boa vontade da Unicef e em 1991, Moore retornou ao Brasil para dar ao ator Renato Aragão o título de representante da Unicef no país.
Sir Moore com a Rainha Elizabeth II - Getty
Por seu trabalho na agência da ONU, o ator foi condecorado pela rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império Britânico em 1999 e passou a ser chamado de Sir Roger Moore.
Relembre a icônica cena da Mercedes do longa:
Relembre a abertura, com música tema na voz de Rita Coolidge:
Sir Moore se despediu do personagem em '007 - Na Mira dos Assassinos” (1985), com Tanya Roberts como Bond Girl e após sete filmes (recorde ainda não batido), sendo o ator a interpretar o agente secreto por mais tempo: 12 anos.
Relembre a abertura, com música tema da banda Duran Duran:
Embora tenha dezenas de filmes no currículo, Moore era tratado como "eterno 007", mas o título não incomodava o ator.
"Ser eternamente conhecido como Bond não têm desvantagem”, afirmou Moore em 2014.
“As pessoas às vezes me chamam de ‘Sr. Bond’ quando eu estou fora e eu não me importo nada com isso. Por que eu deveria?”
Nesse clipe, vemos muitas cenas de Roger Moore como James Bond - veja:
Durante o período em que foi Bond, Moore estrelou 13 outros filmes: um thriller com Susannah York ('Ouro', de 1974); uma aventura com Lee Marvin, 'Shout at the Devil' (1976), uma ação com Richard Burton ('The Wild Geese', em1978), o thriller 'North Sea Hijack' (1979) e a aventura 'The Cannonball Run' (1981).
Nesse período, Moore foi muito criticado por ter aceitado fazer três filmes na África do Sul ainda sob o regime do Apartheid.
Roger Moore na comemoração pelos 50 anos de James Bond, em Londres, em 2012 - REUTERS/Neil Hall/File Photo
Depois do ultimo filme como Bond, Moore não atuou por cinco anos.
Em 1990, apareceu em vários filmes e na série de televisão 'My Riviera' - do escritor-diretor Michael Feeney Callan - estrelou o filme 'Bed & Breakfast' (1989), teve um papel grande no filme 'A Busca' (1996) e no ano seguinte, apareceu como o chefe das Spice Girls em 'Spice World'.
Aos 73 anos, interpretou um homossexual em 'Boat Trip' (2002) e, apesar de o filme ter sido criticado, o desempenho cômico de Moore foi apontado por muitos críticos e espectadores como um dos poucos aspectos agradáveis do longa.
Em cena de 'Boat Trip' (2002) - Divulgação
Em outubro de 2015, Moore leu "Little Claus e Big Claus" de Hans Christian Andersen para o aplicativo de contos infantis GivingTales para a UNICEF , juntamente com várias outras celebridades britânicas, como Michael Caine , Ewan McGregor , Joan Collins , Stephen Fry , Joanna Lumley , David Walliams , Charlotte Rampling e Paul McKenna.
Foi seu último trabalho como ator.
Como embaixador da Unicef - Divulgação
Sir Moore continuou viajando o mundo como embaixador do Unicef e alternando períodos entre suas casas em Londres e na Suíça.
Foi justamente nesse segundo país que Sir Roger Moore morreu aos 89 anos nesta terça (23), após lutar durante algum tempo contra um câncer de próstata.
A família do ator enviou um comunicado pelo Twitter e afirmou estar devastada.
"É com o coração pesado que nós anunciamos que nosso amado pai, Sir Roger Moore, faleceu hoje na Suíça após uma curta, mas brava, batalha contra câncer. O amor com que ele foi cercado em seus dias finais foi tão grande que não pode ser quantificado apenas em palavras”, escreveram seus filhos Deborah, Geoffrey e Cristian.
Veja:
Sir Moore era casado com Kristina Tholstrup desde 2002.
Segundo a família, Sir Moore será velado em uma cerimônia privada em Mônaco.
Com a última mulher, Kristina Tholstrup - Zimbio
Numa entrevista ao The Guardian, em 2004, Roger Moore recusava a deia de que, para ter sucesso, é preciso ter carisma, sorte e talento em doses iguais.
“Para mim tem sido 99% sorte. Não vale a pena ter talento se não se estiver no local certo, na hora certa”, dizia. Foi com Sir Moore que eu aprendi a amar James Bond - tenho tudo, os filmes, os carros... Thank You, Sir Moore.