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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ENTREVISTA: GARY OLDMAN FALA SOBRE GEORGE SMILEY, SEU PERSONAGEM EM 'O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS'


"O Espião Que Sabia Demais", que estreia hoje no Brasil, é  baseado no livro "Tinker, Taylor, Soldier, Spy", de John le Carré, e é o filme que mais polarizou opiniões da safra do fim de ano na zona norte do planeta.

Há quem adore a homenagem aos filmes mais cerebrais do gênero, especialmente os produzidos nos anos 70, fonte de inspiração para o diretor sueco Tomas Alfredson, do pungente "Deixe Ela Entrar".

Mas a oposição também é forte - parte da crítica torceu o nariz para o filme passado na Guerra Fria, com sacadas psicológicas e diálogos sofisticados, em oposição à explosão de ação do cinema-pipoca da série Bourne ou da revitalizada "Missão Impossível".

Gary Oldman é a encarnação de George Smiley, o agente aposentado do serviço de inteligência britânica secretamente contactado pelo governo para investigar um suposto informante soviético trabalhando na cúpula do MI-6.


Divulgação
O ator Gary Oldman em cena de O Espião Que Sabia Demais
Gary Oldman, em cena de "O Espião que sabia Demais"

Aos 53 anos, o inglês, que arrebentou como o protagonista de "Drácula de Bram Stoker" (1992) - de Francis Ford Coppola - e, mais recentemente, como o Comissário Gordon da trilogia "Batman" - de Chris Nolan - foi eleito por sua magnífica performance em "O Espião..." melhor ator do ano pela Associação de Críticos de San Francisco - já se fala em uma possível indicação para o Oscar.

Personagem emblemático, Smiley pouco fala, resmunga frases aparentemente sem sentido, vive uma relação conturbada com a esposa infiel, usa óculos de lentes grossas e se movimenta de modo tão vagaroso quanto o ritmo implantado por Alfredson no filme.

Ele funciona como a consciência da trama, um homem que ainda acredita na ética como arma importante no jogo perigoso dos serviços de inteligência, no auge da Guerra Fria.

No elenco, além de Oldman - que foi o último ator a aceitar o papel, deppois de uma busca de seis meses pelo Smiley ideal - estão Colin Firth - em sua primeira performance pós o Oscar de elhor ator, ganho por "O Discurso do Rei" - John Hurt, Tom Hardy, Mark Strong e Ciarán Hinds.

Oldman  falou ao UOL sobre detalhes de seu personagem - como seus óculos, que lhe deram certo trabalho para serem encontrados.


Getty Images

Gary Oldman, por ele mesmo

Confira a entrevista:

UOL - Você parece ter nascido para este papel. É possível fazer um paralelo entre o trabalho de espião e o de ator?
Gary Oldman - De certa maneira, sim. Nós também gostamos de analisar o outro, entrar na cabeça do outro, nos travestimos do outro, ainda quem por alguns instantes. Mas, por outro, o verdadeiro ator não pode compactuar com nenhuma mentira, tem de ir, ou ao menos tentar ir, no cerne da verdade. Honestidade, para nós, é fundamental. Se há duas coisas que não tolero na vida são a falsidade e a infidelidade. São peças que não fazem parte de meu make-up, se é que você me entende.

Mas o filme não deixa de ser uma busca do seu personagem pela verdade. É este aspecto o de maior poder de atração para você quando pensa no seu Smiley?
Gosto dele ser uma pessoa que tem a mais completa certeza em suas crenças, ele não se coloca em dúvida, nunca. É uma pessoa leal, a quem todos respeitam. Mas ele também pode ser cruel, pode ser um juiz maldoso, sádico.

Este é um de seus papéis de interpretação mais contida, o que não é o lugar comum de sua carreira...
Não, meus personagens tendem a ser bastante explícitos. Por isso o meu interesse no Simley. Mas todas as pistas para como levá-lo ao cinema estão no roteiro e no livro. Tudo o que você precisa saber sobre George está no livro. Há uma passagem em que se diz que ele é o homem que pode regular sua temperatura para ficar de acordo com o ambiente. Ele é como um réptil. É dali que eu encontrei esta sensação de que ele está sempre plácido.

Alguns críticos dizem que "Smiley é um quase não-reconhecível Gary Oldman". É isso?
Sim. Lembro durante minha juventude, crescendo nos anos 60 e 70, vendo Alec Guiness, que fez o George em duas mini-séries,uma gravada em 1979 e outra em 1982. Mas eu penso nele em "As Oito Vítimas", em que interpreta diversos personagens e em alguns deles você não acredita que é, de fato, ele que está ali. O mesmo ocorre com Peter Sellers, com seus disfarces. Eles me influenciaram muitíssimo. Fisicamente, no caso de George, não tinha muito com o que trabalhar. Meu cabelo ficou mais branco e, claro, há os famosos óculos de Smiley, importantíssimos para mim. Eles são icônicos, no livro eles são o Aston Martin do Smiley, importantíssimos.

E você demorou para encontrar o par perfeito...
Sim. Eu já estava quase me internando, virou uma coisa de louco. Vi uns 300 óculos, e nada. Fui encontrá-los em uma loja especializada em Pasadena, em Los Angeles, uma loja sensacional com mais de 30 mil pares. Quem me falou do local foi o Colin Firth, que encontrou o par perfeito para seu personagem em "Direito de Amar". Esta história é engraçada. Eu estava dirigindo em Sunset Boulevard quando me deparei com este imenso poster de "Direito de Amar". Estou chegando mais perto e penso: ué, mas é o Marcello Mastroianni? Vou chegando mais perto e percebo: mas é o Colin! E penso, são os óculos! Eu quero aqueles óculos (risos)! Então li uma matéria numa revista pouco tempo depois em um aeroporto e lá estava o mesmo par com a deixa, "iguais aos de Colin Firth" e dando o endereço da loja! Anotei e pensei, um dia vou comprar óculos para mim nessa loja. Um ano depois, Smiley cai em minhas mãos, Colin está no filme, e eu penso: vou encontrar meus óculos dos anos 70, especificamente entre 1970 e 1973. E pronto, em Pasadena eu os encontrei!

Voltando a sir Alec Guiness, o Smiley dele era mais querido, não? Ou um pouco menos sádico do que o seu Smiley?
 Esta contradição está lá no livro. Veja bem, o Smiley de Guiness é sensacional e definitivo, mas, sim, ele é mais afetuoso. Smiley não responde a questões, ele muitas vezes não precisa falar. Mas o que ele faz com um dos personagens, o Toby, que se for extraditado para a Hungria, para o outro lado da Cortina de Ferro, será eliminado, as ameaças veladas, é algo bem nefasto. Por outro lado, há um aspecto masoquista, com sua mulher tendo casos com pessoas de dentro do "circo", como le Carré apelida o Mi-6, e de fora também. Em determinado momento, ela sai de casa para viver com um ator. Ah, esses atores (risos). Mas ele nunca vai atrás dos amantes, e sempre a aceita de volta. Ele está lá, bem confortável no papel de vítima. E, olhe, além de Guiness, James Mason, Tony Hopkins, Rupert Davies, todos ofereceram suas versões de Smiley...

Nos últimos anos você passeou feliz por filmes mais ligados ao mundo da fantasia, seja em Harry Potter, Kung Fu Panda e, claro, Batman. É algo pouco comum para atores na sua idade ter esta segunda carreira em Hollywood, não?
Gosto de pensar que somos, atores, pedaços de uma mesma corrente. Tivemos a geração de Guiness, a minha, agora a de Tom Hardy e Michael Fassbender, somos todos o mesmo. Talvez esteja ficando um pouco velho para tanta ação. Adorei o Batman e vi Tom Hardy em ação e pensei: meu filho, antes você do que eu! (risos). Já estive lá, já vi aquilo. Sabe, alguém precisa dar um toque no Mick Jagger: tá na hora de parar!

Não seja tão maldoso...olha o seu Smiley aparecendo aí...
Ah, peralá! Eles estão fazendo mais uma turnê! De novo! Por favor! Há um momento em que você precisa parar. Eu agora brinco que cheguei à fase dos papéis sentados. Ou seja, em que a maioria dos personagens passa a maior parte do tempo sentada. É ótimo, você aprende pacas a demonstrar suas emoções sem o uso do corpo o tempo todo. Você é o protagonista, como o Smiley, mas o é, inclusive, pelo exercício de sua passividade. É um senhor aprendizado.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

CONFIRA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM KERMIT, O SAPO, QUE ESTÁ NO BRASIL PARA DIVULGAR O NOVO FILME 'OS MUPPETS'


Pensado justamente para ser lançado na época do Natal - e por isso, considerado um dos maiores projetos da Disney no ano - Os Muppets estreia no Brasil no dia 2 de dezembro.

Para divulgar o filme, o sapo Kermit está visitando o país, e nessa entrevista exclusiva ao UOL, o astro, líder da trupe, explica porque seu nome não é mais Caco por aqui e conta como foi trabalhar ao lado dos atores Jason Segel e Amy Adams no novo filme.

Em Os Muppets,  o boneco Walter, o maior fã dos Muppets do mundo, e seus amigos Gary - Jason Segel - e Mary - Amy Adams - descobrem o plano nefasto de um explorador de petróleo para destruir o Teatro Muppets.

Para evitar que isso aconteça, eles montam uma espécie de "Teleton", para arrecadar fundos para o teatro.


Confira os principais momentos da entrevista:
Sobre sua tumultuada relação amorosa com Miss Piggy:
 "É um assunto delicado. Sim, estamos juntos. Mas não somos casados. Não importa o que a Piggy diga, não estamos casados".
Sobre a mudança do seu nome no Brasil:
 "Eu não mudei meu nome, apenas adotei mais um. Miss Piggy não ficou muito feliz que eu tivesse dois nomes, ela me conhecia como Kermit. Mas meus fãs aqui no Brasil podem me chamar pelos dois nomes, Caco e Kermit".

Sobre os boatos de que apresentaria o Oscar 2012:
 "Fiquei muito surpreso, mas no final escolheram o Billy Crystal. Ele é um grande amigo meu e as pessoas até nos confundem na rua. Deve ser meu sorriso".
Sobre outros sapos no cinema e a sua carreira:
"Nós sapos não nos vemos como artistas, mas basta ser você mesmo. Até já tentei outros papéis. Fiz testes para o papel de Yoda [de "Star Wars"], tinha o corpo certo, mas faltavam as orelhas. Também fiz teste para ser o Incrível Hulk. Tenho a cor certa, mas não tinha o tipo físico necessário".


Confira a entrevista na íntegra:

Agradecimentos Especiais:
Joana Rubinsteinn - maquiadora do Liceu de Maquiagem e
Monika Pecegueiro do Amaral - tradutora

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SETE GRANDES PRODUTORAS BRASILEIRAS SE UNEM PARA DISTRIBUIR FILMES


Sócios-fundadores de sete produtoras de renome no Brasil  aproveitaram a mídia mundial presente ao Festival de Cinema do Rio de Janeiro para anunciar que se reuniram para criar um novo modelo de distribuição de filmes no país.

O lançamento da mais nova companhia -  Nossa Distribuidora - criada pela união de empresas como Conspiração Filmes, Lereby, Mobz, Morena Filmes, O2 Filmes, Vinny Filmes e Zazen Produções, quer facilitar a distribuição do cinema no Brasil e também promover o cinema brasileiro.

Entre os filmes das sete produtoras, estão alguns recordes de bilheteria do cinema nacional, como Tropa de Elite, Dois Filhos de Francisco, Se eu Fosse Você, De Pernas pro Ar e Cidade de Deus.

Divulgação
Tropa de Elite 2, que foi produzido e distribuído de forma independente pela Zazen, o maior recorde de bilheteria da história brasileira com 11 milhões de espectadores.

“Não queremos ser melhor do que ninguém, queremos ser uma distribuidora que vai se inserir nesse bom momento que vive o cinema brasileiro e nesse ótimo momento que vive o Brasil, dentro desse modelo inovador”, explicou Marco Aurélio Marcondes, da FL & MAM Participações, na tarde desta terça (11), no lançamento da Nossa Distribuidora no Rio Market, o salão de negócios do Festival de Cinema do Rio.

Segundo os fundadores da Nossa Distribuidora, é possível reduzir os custos de transação incorridos pelos detentores dos direitos patrimoniais na comercialização de seus filmes no mercado nacional, assim como também colaborar para o aumento da competitividade do filme brasileiro e das empresas nacionais.

Quem explica como funciona este novo modelo ambicioso de distribuição de filmes no Brasil é o diretor José Padilha, da Zazen:
“A gente está considerando a distribuição como um serviço. A NOSSA Distribuidora não vai investir recursos P&A (Prints and Advertising), vai fazer o planejamento de marketing para lançar os filmes e vai fazer toda a operação de distribuição, cobrança dos exibidores e o dinheiro vai direto para a conta do produtor. Agora o produtor vai ter que comparar o potencial do filme se gera lucro e quanto o filme custa para calcular se vale a pena fazer esse filme ou não”.

O cálculo de receita média líquida de um produtor depois de pagar o imposto é cerca de cinco reais vezes o número de ingressos vendidos no cinema.
“Se o cara vende um filme de 2 milhões de ingressos, o produtor vai ter um lucro de 10 milhões de reais”, exemplifica Padilha.

Segundo o sócio fundador da Zazen, o produtor terá que saber qual vai ser a performance econômica do seu filme.
“Existe a possibilidade dele ganhar ou perder dinheiro. Antes, era muito difícil ganhar no Brasil como produtor no modelo anterior que ainda continua existindo, no qual o distribuidor cobra uma taxa de distribuição. Nesse novo modelo o produtor vai tomar riscos para fazer o seu filme”.

A conta é simples, explica Padilha: se o filme fizer sucesso, o produtor pode ganhar dinheiro, assim como as pessoas que investiram.
“O produtor, então, tem um ‘downside’, uma chance de perder dinheiro, e um ‘upside’, uma chance de ganhar dinheiro se fizer bons filmes. Antes ele não tinha chance de ganhar”, argumentou.

A ideia toda, segundo os sócios-fundadores da NOSSA Distribuidora, é construir um modelo alternativo a partir de uma estrutura econômica diferente.
“A NOSSA vai distribuir os filmes sem cobrar taxas de distribuição e sem cobrar o copyright do diretor. O produtor vai correr risco, vai ter mais receita, ter mais controle de distribuição e vai ter o copyright do filme. Essas três condições apontam para uma sustentabilidade do cinema brasileiro. A nossa ideia é valorizar a produção de conteúdo”, ressaltou Padilha, ao destacar que esta já tem sido uma realidade nos Estados Unidos.

A produtora de cinema Mariza Leão, que está à frente da Morena Filmes, em sociedade com o cineasta Sérgio Rezende, tendo sido a primeira diretora-presidente da distribuidora Riofilme em 1992, esclareceu que a NOSSA não foi criada exclusivamente para distribuir os filmes produzidos pelas empresas produtoras sócias.
“Não há exclusividade, vamos buscar filmes de diretores e produtores não associados a ela. Da mesma maneira que temos poder de escolha para trabalharmos com outras distribuidoras. É um processo aberto e dinâmico, seremos capazes de competir e injetar nesse mercado novidades e novos modelos de negócio”,  destacou Leão.

Para a produtora, a equipe da mais nova distribuidora brasileira está animada em poder usar “a nosso favor a NOSSA Distribuidora e legar ao cinema brasileiro um modelo que seja compatível com o momento do mercado”.

A NOSSA já dá início com uma carteira de 50 filmes, destes 20 são nacionais. 

O primeiro anunciado, nesta tarde, será Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, e produção de José Padilha. “Nós só vamos anunciar a carteira de filmes em reunião para os exibidores. Temos 20 filmes nacionais já garantidos e estamos recebendo uma série de propostas de filmes estrangeiros que querem distribuir no Brasil com a nossa prestação de serviços”, disse Padilha.

Já Marco Aurélio Marcondes destaca que a nova distribuidora apenas “sistematiza algo que o mercado já pratica”.
“Acreditamos que este é um momento que o Brasil não é mais o país do futuro, o Brasil é o futuro, e é este presente que queremos vivê-lo intensamente. É um momento que tem que saber surfar com muita coragem, desprendimento, ousadia e atitude. A NOSSA não quer abafar ninguém, a gente só quer mostrar que sabe fazer samba também”, brincou Marcondes, parafraseando Noel Rosa.

Para ele, esse novo modelo "vai ser melhor para o cinema no país e para o cinema brasileiro, em particular. Essa, pelo menos, é a “NOSSA aposta”.

QUEM É QUEM NA NOSSA:

Conspiração Filmes
Fundada em 1991 por Claudio Torres, José Henrique Fonseca, Arthur Fontes, Andrucha Waddington e Lula Buarque.
Já produziu 22 filmes desde 1997: Dois filhos de Francisco (2005, 5,3 milhões de espectadores), A Mulher Invisível (2009, 2,4 milhões de espectadores), Eu Tu Eles (2000, exibido no Festival de Cannes e indicado como representante brasileiro no Oscar 2001).
A primeira coprodução internacionai da Conspiração com a Espanha foi Lope (2010), com um orçamento de 12 milhões de euros e recebeu sete indicações para o Prêmio Goya 2011.

Lereby
Fundado por Daniel Filho a partir de 1998.
Seus filmes produzidos, coproduzidos e dirigidos já tiveram um alcance de 45 milhões de espectadores. como Chico Xavier (2010) de Daniel Filho; Carandiru (2003) de Hector Babenco; Cazuza (2004) de Sandra Werneck e Walter Carvalho; Divã (2009) de José Alvarenga Jr.; e Se eu Fosse Você (2006) de Daniel Filho.

Morena Filmes
De Mariza Leão em associação com o diretor Sergio Rezende em 1975.
Seus últimos filmes de grandes bilheterias: De Pernas pro Ar (2010), de Roberto Santucci, com 3,9 milhões de espectadores, e Meu Nome não é Johnny (2007), de Mauro Lima, com 2,2 milhões de espectadores.

O2 Filmes
A produtora completa em 2011 20 anos e tem mais de 18 longas produzidos e coproduzidos entre ficção e documentários. Entre os projetos da produtora há coproduções com Uruguai, Espanha, Canadá, Japão, Reino Unido, Áustria, França e Portugal. 
Ensaio Sobre a Cegueira (2008) de Fernando Meirelles, e O Jardineiro Fiel (2005), Cidade de Deus (2002).

Zazen Produções
Fundada em 1997 pelos cineastas José Padilha e Marcos Prado. 
A Zazen já produziu e distribuiu de forma independente o filme Tropa de Elite:o Inimigo agora é Outro (2010), o maior recorde de bilheteria da história brasileira com 11 milhões de espectadores.

Vinny Filmes
Distribuidora de Wilson Feitosa, distribuidor e sócio da Europa Filmes, diretor da União Brasileira de Vídeo e membro do Conselho Superior de Cinema do Ministério da Cultura. Investiu em produções como: Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck; Menino Maluquinho 2 – A Aventura, de Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto Alves; Central do Brasil, de Walter Salles; Olga, de Jayme Monjardim; e Lula – O Filho do Brasil, de Fábio Barreto.
A Vinny Filmes foi fundada em 2011 e atualmente é comandada pelo filho Vinicius Feitosa.
Foi responsável pelo lançamento em home vídeo de Tropa de Elite 2, recorde de venda com 200 mil unidades vendidas em DVD e Blu-Ray.

FL&MAM Participações
Fundada pelo veterano distribuidor Marco Aurélio Marcondes, que já foi chefe da divisão de 16mm na Embrafilme, juntou-se a Luiz Carlos Barreto para fundar uma agência de publicidade e promoção, cofundou a Cinema Brasil com Jorge Peregrino, atual diretor da Paramount America Latina.
Em 2002, formou um consórcio com Wilson Feitosa para lançar títulos como O Segredo de Brokeback Mountain, Casamento Grego, O Pianista, O Filho da Noiva, A Viagem de Chihiro, entre outros.
Em 2008, Marcondes fundou a MovieMobz com Fabio Lima e, em 2010, foi responsável pela coordenação do lançamento indepentende pela Zazen de Tropa de Elite – O Inimigo agora é Outro.

Para mim, essa é a melhor notícia para o cinema brasileiro em muitos anos.

Toda sorte à NOSSA!
*****
Matéria base:  Fabíola Ortiz para o UOL
Pesquisa e Redação Final: Cláudio Nóvoa

terça-feira, 11 de outubro de 2011

FESTIVAL DO RIO: BEIJO GAY DE MATEUS SOLANO ANIMA EXIBIÇÃO DE 'A NOVELA DAS 8', UM TRIBUTO A 'DANCING' DAYS'


A estreia do filme A Novela das 8, no cinema Odeon - centro do Rio - na noite da segunda (10), foi comparável a um evento hollywoodiano: celebridades, fotógrafos, jornalistas, tietes, vestidos glamourosos e penteados impecáveis.

E o filme tinha tudo para ser a grande sensação da Première Brasil do Festival do Rio, já que conta com um time de estrelas, um roteiro pop, que homenageia uma das novelas da Globo mais bem-sucedidas, Dancin’ Days, e relata o assunto mais polêmico da história nacional: a ditadura militar do final dos anos 70.

“Esse filme foi um presente, porque pude reviver minha adolescência nos âmbitos cultural e profissional. ‘Dancin’ Days’ foi a primeira novela em que eu fiz figuração. Foi quando eu descobri que queria ser atriz. As roupas eram muito cafonas; é um horror olhar para o passado e rever as ombreiras. Mas foi uma fase maravilhosa”, contou Claudia Ohana, que vive Dora Dias, personagem principal da trama. 
“Ela é uma presa política, que foi torturada e passou muitos anos se escondendo em São Paulo, mas decide voltar ao Rio para reaver o que deixou para trás”.

Divulgação
Cláudia Ohana e Vanessa Giácomo, em cena do filme

O problema é que a empolgação do público no tapete vermelho se resumiu a apenas um tema do filme: a descoberta da sexualidade de Caio - Paulo Londra -, que tem o ápice durante um beijo - literalmente - cinematográfico entre seu personagem e o do ator Mateus Solano - neste momento, os gritinhos e aplausos deram o ar da graça pela primeira vez.

O outro único momento de euforia também se deu com o personagem de Lontra, quando o adolescente conta para o avô homofóbico que é gay.

“Há seis anos, comecei minha aventura no cinema apresentando um filme aqui no Festival do Rio. É um prazer voltar com um filme tão importante para a minha carreira. O mais divertido ao fazer a pesquisa foi relembrar a trilha sonora, que é maravilhosa, com direito a Frenéticas”, disse o diretor, roteirista e produtor da obra, Odilon Rocha.

Mateus Solano conseguiu dar uma fugidinha das gravações da reta final de Morde e Assopra, novela das sete da Globo, para prestigiar a estreia - no filme, ele vive o personagem João Paulo, mas faz mistério na hora de falar sobre a trama e pede sigilo aos jornalistas que assistiram à estreia.

Divulgação
Mateus Solano e Paulo Lontra, em cena de "A Novela das 8" (2011)

“O filme fala sobre vários tipos de liberdade. Foi uma época difícil para o Brasil. Para mim, foi uma honra participar, porque eu adoro tudo o que se relaciona aos anos 70: música, arte, literatura. Eu adoraria ter nascido uns 20 anos antes para aproveitar essa década. E, para mim, carioca de corpo e alma, é um prazer estrear no Festival do Rio”.

Personagem essencial na história, Vanessa Giácomo vive Amanda, uma garota de programa obcecada por novelas, tanto é que ela sonha ser uma das personagens de Dancin’ Days e carrega uma mala cheia de adereços para fingir que vive em uma realidade paralela.
“Sou muito diferente da Amanda. Nunca fui fanática por novelas, séries ou atores. E eu sempre quis viver a minha vida, que já é difícil de ser vivida. Confesso que eu nunca quis ser nenhum personagem da ficção”, disse a atriz.

Confira o trailer de "A Novela das 8":

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Matéria de Michelle Gomes, para o UOL

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MAURO MENDONÇA FILHO: "'O ASTRO' É UMA NOVELA MAIS ÁGIL, QUE VOCÊ FICA COM VONTADE DE NÃO PERDER UM CAPÍTULO SEQUER"

Dinâmica, curta, com diálogos inteligentes, muitas referências cinematográficas, cenas de sexo, ótimas interpretações e uma atmosfera meio kitsch, meio retrô.

Esta é a novela do futuro. Ou do presente.

O Astro, remake de Janete Clair no ar na faixa das 23h da Globo foi feita para dialogar com um público diferente do da novela das 21h.

É o que diz o diretor geral de O Astro, Mauro Mendonça Filho, na entrevista a seguir, feita pelo Editor-assistente de Entretenimento do UOL, James Cimino, com a colaboração de Diego Palma Fernandes:

Divulgação/TV Globo
Regina Duarte e o diretor geral de "O Astro", Mauro Mendonça Filho, nos bastidores na novela

UOL - Por que você acha que a Globo resolveu investir em novelas no horário das 23h? Teve influência da alta audiência que as reprises do canal “Viva” têm obtido ou é também para concorrer com outras produções de outras emissoras que vão ao ar no mesmo horário?
Mauro Mendonça Filho - Existe uma demanda por uma dramaturgia mais adulta, na qual os autores possam desenvolver temas mais delicados com certa tranquilidade. Uma novela das 21hs tem classificação de 12 anos. A das 23hs, 16 anos. Aliado a isso, percebeu-se que tem muita gente chegando tarde em casa, a fim de ver novelas e séries. A Globo vem sentindo que precisa dialogar com esse público. Outro dia, o Tiago Leifert, do esporte, falou que ‘não somos mais o País do Futebol, mas o País das Novelas’. Acho que ele está certo.”

Então a Globo descobriu um novo segmento de público de novelas, mais jovem, mais sofisticado e com menos paciência para certos clichês da teledramaturgia tradicional?
Acho que esse público é ávido pela renovação do gênero e celebra as mudanças que dão certo. O sucesso de "Cordel Encantado" é um bom exemplo. Mas os clichês nunca deixarão de existir. Clichê só existe porque funciona, senão não seria clichê.

“O Astro” terá 64 capítulos. Você acredita que o futuro das novelas é serem mais curtas?
A novela longa nunca deixará de fazer parte do cotidiano do brasileiro. Ela é como um companheiro, alguém íntimo. Você vai para a casa, sabendo que vai encontrá-lo. Acho, porém, que esse formato de 60 capítulos também chegou para ficar, pois é uma novela mais ágil, mais dinâmica, sem barriga. Você fica com vontade de não perder nem um capítulo sequer.

Alex Carvalho/TV Globo
Fala de Clô Hayalla - Regina Duarte - se inspirou em cena clássica de Bette Davis no filme "A Malvada"

Na cena da festa que antecede o assassinato de Salomão Hayalla, há uma clara referência a “Assassinato em Gosford Park” de Robert Altman, inclusive na maneira em que a câmera desliza por entre os convidados. Clô Hayalla diz, em determinado momento, “apertem os cintos que a noite será turbulenta”, frase de Bette Davis em “A Malvada”. O assassinato de Salomão também lembra cena de “Watchman”. Que outros filmes você usa ou utilizará como inspiração na novela?
Num sentido geral, me inspirei em Pedro Almodóvar, pela renovação do melodrama; em Hollywood dos anos 50, pelo glamour das festas; nas novelas das 22h dos anos 70, pela adequação ao novo horário das 23h; na série “Mad Men”, pelo comportamento sexual no trabalho; em “Hamlet”, pela tragédia após o crime de Salomão; em Quentin Tarantino, que é o rei do retrô; em David Cooperfield, que faz magia com o uso de mídias modernas e em Brian de Palma, que faz suspense, inspirado em filmes do passado. Pincei referências ora aqui, ora ali de filmes como “Ladrões de Bicicleta”, “Lenny”, “Watchmen”, “Caçadores de Emoção”, “Assassinato em Gosford Park”, “Estômago”, “Um Beijo Roubado”. Mas a grande referência é a própria Janete Clair, a lembrança de novelas como “Irmãos Coragem”, “Pecado Capital” e “Pai Herói”.

Rafael França/TV Globo
Cena do assassinato de Salomão Hayalla, inspirada em "Assassinato em Gosford Park"

Quando você foi criticado no Twitter por suas referências, disse que essa patrulha da originalidade é muito chata. Por quê?
Quando falo da “patrulha da originalidade” não quero dizer que sou contra a criação original. Falo desse movimento que vem da internet, essa coisa de não deixar passar nada de ninguém, de tudo ser comentado, dissecado e por vezes execrado. Também não sou contra a liberdade da internet, mas sempre onde há excessos, aparece a polícia, o clima de denúncia, de patrulha, que quando não atinge, soa até ingênua. A verdade é que todo o audiovisual trabalha com referências, seja filme, TV, comercial, clipe etc. É uma eterna cadeia. A própria cena do “Watchmen”, na qual me inspirei, vem de uma cadeia. Vou provar: sou fã absoluto do Alan Moore, não do filme, mas li a HQ umas quatro vezes. Veja o caso do personagem Comedian, o mesmo que é jogado pela janela. Ele foi inspirado em outro personagem de um quadrinho dos anos 1950, chamado Peacemaker. A associação Comedian/Joker (o Coringa do Batman), é fácil de ser feita. Esse Peacemaker foi provavelmente inspirado em algum Flash Gordon ou similar dos anos 30, que se inspirou em Meliés, que se inspirava na literatura infantil do século 19. Que nome dão para a cena da escadaria em “Os Intocáveis”, de Brian de Palma, totalmente igual à cena do “Encouraçado Potemkim” ou a “Dublê de Corpo”, do mesmo Brian de Palma, inspirado em “Janela Indiscreta”? Que nome dão para “Kill Bill”, que é totalmente igual ao original do Bruce Lee? No fundo, soa até engraçado, uma cena de morte de uma novela no Brasil causar essa pequena polêmica, pois ainda estamos a anos-luz dos efeitos especiais das produções do cinema Sci-fi americano. No fim das contas, nada disso tem a menor importância.

Há muitas cenas de festa em “O Astro” e muitas em outras novelas. Por que as cenas de festa funcionam tão bem?
Os autores adoram uma festa, onde todos estão reunidos e coisas constrangedoras podem acontecer. Mas a verdade é que dá um trabalho danado gravá-las, pois os atores são muito brincalhões, ficam muito tempo sem fazer nada, a figuração fala alto, toda hora temos que pedir silêncio, ordem. A direção e a equipe ralam em dobro. Mas percebo que funciona. Gosto de fazer uma festa, com a câmera dentro dela, perdida entre os convidados. Em uma festa boa, na vida real, depois de uns goles, a gente perde a referência do tempo e do espaço (e, às vezes, de si mesmo). Procuro passar esse clima.

A polícia entrou no caso Salomão Hayalla e, ao contrário de outras novelas, parece mais realista. Foi uma opção estética de ter diálogos e policiais menos estúpidos?
A gente esbarra no clichê policial, pela tangente. Não acho que estamos tentando ser realistas e sim fazer um Poirot moderno, com o investigador vivido pelo Daniel Dantas, obcecado com a solução do crime. Algo como um “Zodiac”, sem perder o romance, a tragédia. Márcio Hayalla também vai ficar também obcecado com a solução desse crime e se portará como um Hamlet, inconformado. Não faltarão emoções.

Não espero que você conte quem será o assassino de Salomão Hayalla, mas espero que você me responda que não vai ser o Felipe [como na versão original], estou certo?
Isso é segredo de Estado. Só posso adiantar é que haverá surpresas.

REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS USADAS EM "O ASTRO"

Assim como "Assassinato em Gosford Park" (2000), a misteriosa morte de "O Astro" acontece no meio de uma luxuosa festa. Também há semelhanças na forma como a câmera se movimenta.
"Apertem os cintos porque teremos uma noite turbulenta", diz Clô Hayalla. Originalmente, a fala foi proferida pela personagem de Bette Davis em "A Malvada" (1950).
Salomão Hayalla é arremessado por uma janela de vidro e na queda deixa um botão no chão. No filme "Watchmen" (2009), um destino semelhante é guardado para Comediante. A diferença é que no lugar de um botão, o que fica no chão é um broche.
A peça "Hamlet" de Shakespeare foi levada ao cinema em diversas ocasiões. Como "O Astro", a história é de um jovem (Márcio) cujo pai (Salomão) é assassinado e a sua mãe (Clô) se casa com seu tio malvado (Samir).
No filme "Caçadores de Emoção" (1991), Patrick Swayze e Keanu Reeeves interpretam surfistas que se envolvem em golpes. Seus personagens são semelhantes a Henri e Fernando de "O Astro".
O protagonista de "Estômago" (2007) faz artimanhas dentro da cadeia para se tornar poderoso. Em "O Astro", foi na prisão que Herculano Quintanilha aprendeu os truques de ilusionismo que o levaram à fama.
O diretor Mauro Mendonça diz que o filme "Um Beijo Roubado" (2007) foi uma das referências. É possível ver semelhanças entre o casal formado por Jude Law e Norah Jones e o par vivido por Thiago Fragoso e Alinne Moraes.
O diretor também garante que a investigação da morte de Salomão será parecida com do filme "Zodíaco" (2007). Portanto, o desempenho de Daniel Dantas em "O Astro" deve ser parecido com Mark Ruffalo no filme.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PAIS CONTAM COMO CONTINUARAM AMANDO SEUS FILHOS, DEPOIS DE ELES SE DECLARAREM HOMOSSEXUAIS

Receber a notícia de que o filho é homossexual é um acontecimento que pode abalar as estruturas de uma família, por mais que ela se considere aberta às diferenças. 

É mais fácil lidar com as piadinhas maldosas quando tudo não passa de suspeita e falatório. 

Mas o cenário muda depois de um irrefutável: "Pai, eu sou gay".

Para o industriário Ricardo Reder, 48 anos, de Santana do Parnaíba (SP), o fato de Victor ter admitido ser homossexual, há cerca de dois anos, caiu como uma bomba. 
"Pertenço a uma família tradicional do interior de Minas Gerais, de uma cidadezinha pequena. Imagine, para mim, o que essa descoberta causou", admite. 

O garoto, hoje com 18 anos, ficou tão perturbado com a reação dos pais que decidiu buscar abrigo na casa da avó. 
"Você nunca acha que tem preconceito, até a realidade tomar conta da sua vida", diz Ricardo.

Bob Donas/UOL
Bob Donasl/UOL"Aceitar meu filho incodicionalmente me fez uma pessoa mais feliz" - Ricardo









Ele e a mulher,a analista de faturamento Suerda, de 42 anos, descobriram o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH) na internet e encontraram na figura de Edith Modesto, sua fundadora, o apoio de que precisavam. 

"Ela nos disse algumas verdades", confessa Ricardo, que um mês após a declaração do filho resolveu trazê-lo de volta para casa. 

Edith chamou a atenção do casal para o fato de que uma relação não é feita só de sexo. 
"Em vez de ficar imaginando seu filho na cama com outro homem, pensa que ele vai ter alguém pra cuidar dele quando estiver doente", ela disse para Ricardo. 

Essa visão amorosa fez com que ele repensasse alguns conceitos. 
"Nunca deixei de amá-lo. E me coloquei no lugar dele, tentando compreender o seu sofrimento."

Da rejeição inicial até hoje, o relacionamento da família só melhorou. 
"Fui para a casa da minha avó porque fiquei muito chateado com a reação dos meus pais", conta Victor. 

O jovem quis dar um tempo para Suerda e Ricardo, e também para si mesmo. 
"Queria que sentissem a minha falta", completa. 

Ele conta que uma das maiores emoções da vida dele foi quando o pai foi buscá-lo: 
"Me senti amado, acolhido. Nossa relação, que até então era um pouco distante, melhorou muito. Ele passou a me ver como pessoa, como ser humano. Hoje somos muito unidos".

O grupo de Edith, pesquisadora e especialista em diversidade sexual, surgiu a partir de uma experiência pessoal. 
Mãe de sete filhos, ela e o marido passaram pela mesma situação de Ricardo e Suerda quando seu caçula, Marcello, assumiu ser homossexual. 

"Fiquei muito surpreso quando soube, há vários anos", conta o professor universitário aposentado Lauro, 81. 
"Nunca percebi, porque ele não tinha nenhuma característica. O que me importa é que ele é um professor da USP, com doutorado nos Estados Unidos, inteligente, trabalhador e meu amigo", afirma.

Bob Donask/UOL
Bob Donask
Antonio - à direita - e o filho Airon

Militar e evangélico, Antonio Aparecido dos Santos, 51 anos, de São Paulo, é um exemplo para muita gente que se considera de mente aberta e moderna. 

Sobre a homossexualidade, ele é objetivo em seu argumento: 
"Quem somos nós para julgar a natureza alheia?”. 

Após sempre ter desconfiado que o filho, Airon Wisniewski, de 22 anos, fosse gay, Antonio não se surpreendeu com a confirmação. 
"Não me choquei nem um pouco e aceitei numa boa”, afirma. 

O filho se orgulha de ter uma relação de companheirismo com o pai. 
“Nunca vou me esquecer do momento em que decidi ‘sair do armário’. Ele tirou os óculos, colocou a mão no meu ombro e disse que, independente de qualquer coisa, continuaria a ser meu pai e a me amar muito”, revela, emocionado.

Foi com a mesma convicção que Laurindo Pissioli, de 61 anos, de Frutal (MG), apoiou a filha, a analista de testes Cristiane, 35 anos.
 “Quando ela era pequena, todo mundo a achava diferente", lembra. 

Cristiane diverte-se ao contar que o pai sempre apresenta suas namoradas aos amigos como noras. 
"O pessoal questionava: ‘Laurindo, como você pode ter uma nora se só tem filhas?' E ele: ‘É nora porque é mulher da minha filha, oras!’. Todo mundo ria”, afirma Cristiane.

UOL
Laurindo e a filha, Cristiane

Agir com naturalidade é a resposta do militar Antonio para quem tenta atingi-lo com preconceitos. 

Quando alguém diz que o filho dele é "bicha", sabe o que ele diz? 
“É bicha, sim. Tem saúde e me dá muita alegria. E aí?", conta Antonio, que considera o namorado de Airon um filho. 
“Gosto tanto do Anderson que até dou bronca de pai nele”, diverte-se ele, que, no quartel, aconselha um amigo de trabalho a aceitar a filha homossexual.

Para Ricardo Reder, o caminho da aceitação foi mais doloroso. 
Hoje ele até permite que Victor leve o namorado para dormir em casa. 
 "Eu achava que fazia de tudo por meu filho e descobri que estava errado. Hoje posso afirmar que aceitá-lo plena e incondicionalmente me transformou numa pessoa mais feliz e completa."

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Matéria da jornalista Heloísa Noronha, para o UOL