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quinta-feira, 13 de março de 2014

'ALEMÃO': AÇÃO DO COMEÇO AO FIM, CRIATIVA E BEM RESOLVIDA


Pessoalmente, não tenho mais saco para essa mania do cinema brasileiro de  só mostrar pobreza, seca, favela carioca, arrabalde paulistano, gente feia...

Mas, e se o longa, mesmo ambientado numa favela carioca, entregar suspense, ação e muita criatividade do começo ao fim?

Na trama do aguardado 'Alemão', novo longa de José Eduardo Belmonte e que estreia hoje em 254 salas em todo o Brasil, cinco policiais - vividos por Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz e Otávio Muller - estão infiltrados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em uma operação secreta para elaborar o plano de invasão para a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na comunidade.

Se há meses eles viviam misturados aos moradores e vivendo bem próximos aos bandidos, as coisas começam a dar errado quando, poucos dias antes da ocupação, suas identidades são descobertas pelo chefe do tráfico,  Playboy (Cauã Reymond).

Cauã Reymond vive o traficante Playboy - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Paris Filmes

A partir daí e em meio à tensão crescente gerada pela expectativa de que, a qualquer momento, as forças de segurança invadirão o morro, os traficantes começam uma caçada para eliminar os policiais.

Se por muito tempo o Brasil desprezou o 'cinema de gênero' - por temer ser comparado negativamente com a produção hollywoodiana - e nossos filmes eram realistas de doer, só falando de questões sociais, felizmente os tempos mudaram, o público também e nossos produtores voltaram a apostar, sem receio, nos filmes de gênero.

Aqui, apesar de ser ambientado numa favela e mostrar confrontos entre bandidos e policiais, temos na verdade um thriller policial assumido, sem pretensão maior do que a de contar a história de cinco policias metidos numa roubada pois, disfarçados como moradores, são desmascarados por traficantes.

Pior: Samuel (Caio Blat), Danillo (Gabriel Braga Nunes), Carlinhos (Marcello Melo Jr), Branco (Milhem Cortaz) e Doca (Otávio Muller) não podem ser resgatados para não por em risco a invasão da área que vai ocorrer em 48 horas e até lá, vão ter de se virar sozinhos para sobreviver à caçada comandada por Playboy, líder do tráfico (vivido por um Cauã Reymond simplesmente sen-sa-cio-nal).

Milhem Cortaz, Caio Blat, Otávio Muller e Gabriel Braga Nunes, em cena do longa

Assim, perseguidos pelos capangas de Playboy, os cinco se escondem no QG do grupo, uma pizzaria de fachada que serve de disfarce para Doca.

A tensão é grande não só porque podem ser capturados a qualquer momento: sem saber como foram descobertos todos de uma vez, um clima de desconfiança se estabelece no grupo.

Tendo ainda a bela participação de Antônio Fagundes como o delegado Valadares - que se vê impedido de resgatar a equipe da qual seu filho faz parte - o longa só tropeça na trilha sonora incidental chatíssima, que tenta estabelecer falsamente um clima de apreensão.

Antonio Fagundes é o delegado Valadares

Felizmente, o problema é resolvido quando começamos a conhecer os dramas pessoais de cada personagem e a aflição da situação começa a ficar verdadeira para o espectador - a partir daí, trilha e narrativa finalmente entram em acordo e se complementam.

Caio Blat é o policial Samuel

E temos de dar todo valor ao diretor José Eduardo Belmonte: ele, que nunca havia trabalhado com o gênero e que só tinha feito até então longas autorais e restritos a festivais e salas de arte - 'Se Nada Mais der Certo' (2009) é um deles - topou o convite do produtor Rodrigo Teixeira, mas antes foi estudar: viu mais de 40 longas, que o ajudaram a entender como produções desse tipo funcionam - e o aprendizado funcionou muito.

Afinal, o longa consegue mostrar toda a inquietude e angústia que pede um bom thriller policial, com ação, tiroteio, perseguição, explosão, tudo absolutamente criativo e sem a estrutura cara dos americanos – o filme custou R$ 5 milhões, em parte pela mistura de cenas da ficção e reais,  inclusive aquelas famosas, dos bandidos fugindo morro acima durante a ocupação e que deram um Emmy ao 'Jornal Nacional', muito bem montadas, com resultado muito bom.

'Alemão' é uma produção diferenciada neste momento do cinema nacional, por ajudar a colocar luz no chato, burro e polarizado embate que sempre coloca 'filme comercial' de um lado e 'filme de arte' do outro.

Criativo, bom roteiro - de Gabriel Martins - boa direção e desempenhos memoráveis: você vai se divertir.

Confira o trailer do longa:

*****
'ALEMÃO'
Gênero:
Ação
Direção:
José Eduardo Belmonte
Roteiro:
Gabriel Martins
Elenco:
Aisha Jambo, Alcemar Vieira, Andrea Cavalcanti, Antônio Fagundes, Caio Blat, Cauã Reymond, Gabriel Braga Nunes, Izak Dahora, Jefferson Brazil, Marcello Melo Jr., Marco Sorriso, Mariana Nunes, MC Smith, Micael Borges, Milhem Cortaz, Otávio Muller
Produção:
Rodrigo Teixeira
Fotografia:
Alexandre Ramos
Montador:
Bruno Lasevicius
Trilha Sonora:
Guilherme Garbato, Gustavo Garbato
Duração: 
109 min.
Ano:
2014
País:
Brasil
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
13/03/2014
Distribuidora:
Downtown Filmes / Paris Filmes / RioFilme
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 2 de março de 2012

"BILLI PIG": E NÃO É QUE GRAZI MASSAFERA SE DÁ BEM COM COMÉDIA?


Em sua primeira comédia, o diretor José Eduardo Belmonte deixa de lado o cult para focar no espectador médio que vai ao cinema, num longa que lembra muito as chanchadas do passado.

Em "Billi Pig", acompanhamos uma atriz sem talento algum - Marivalda, interpretada por Grazi Massafera - e seu marido Wanderley - Selton Mello -  que não mede esforços para realizar os desejos de sua mulher - não vende seguros há anos e mantém um escritório com duas secretárias no quintal de casa.
Divulgação
Selton mello - Wanderley - e Grazi Massafera - Marivalda - em cena do filme

Logo no começo, Marivalda - que tem o sobrenome artístico de "Montenegro Duarte" - sonha que está numa cerimônia recebendo um prêmio, onde ela diz não medir esforços para alcançar seu objetivo - mas o preço é alto: o sacrifício de seu xodó, o porco de brinquedo - e falante - que dá nome ao filme.

Não muito longe dali, o padre Roberval - a lenda Milton Gonçalves, o melhor do filme - faz milagres, cobra por isso e mantém um caso com uma jovem - Raquel Villar.

As duas tramas serão reunidas, graças a um traficante- Otávio Muller - que tem uma filha - Aimée Espinosa - em coma depois de levar um tiro num concurso de beleza.

O diretor Belmonte, que assina o roteiro com Ronaldo D'Oxum, nem sempre acerta no humor de chanchada, aquele que superlativa toda e qualquer cena .quase ao limite.

O Billi Pig - porco falante, que dá conselhos a Marivalda, é sua consciência, é aquilo que ela gostaria de fazer e não tem coragem, como largar o marido - funciona mais como um elemento que que dá a partida para que a vidinha de Marivalda mude.
Divulgação
Milton Gonçalves, Grazi e Selton, em cena do filme

E tem também Dona Generosa -interpretada pela cantora Preta Gil -, mãe da garota com quem o padre tem um caso: dona de uma funerária, ela caça possíveis clientes com a ajuda de  um  funcionário - Milhem Cortaz - que sai às ruas procurando gente para "oferecer seus serviços" e são os responsáveis pelas cenas mais engraçadas do filme.

Apesar desse roteiro confuso, é de se salientar o talento para comédia de Grazi, uma atriz muito irregular, mas, no mínimo, muito esforçada.

Aqui, ela faz com competência a garota sonhadora, um tanto ingênua e não muito esperta.

Sua cena "estudando" "Um 'Trem' Chamado Desejo" - como ela chama "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams - ou a do teste onde ela é colocada abaixo de zero por três grandes atrizes - Monique Lafond, Cassia Kiss e Sandra Pêra - mostram que Grazi se dá bem com comédia e deveria enveredar mais por esse terreno.
Divulgação
Marivalda recebendo um Oscar: só em sonho

Com números musicais propositalmente cafonas, e com o charme de Grazi para que a cena tenha sabor, "Billi Pig" é um divertimento que não compromete.

É pena que a trama se esvai toda vez que o filme foca o traficante e sua quadrilha.

Confira o trailer do filme:
*****
"BILLI PIG"
Título Original:
Billi Pig
Diretor:
José Eduardo Belmonte
Elenco:
Selton Mello, Grazi Massafera, Milton Gonçalves, Otávio Muller, Milhem Cortaz, Preta Gil
Participações especiais de:
Cássia Kiss, Sandra Pêra, Zezé Barbosa, Monique Lafond
Produção:
Vânia Catani
Roteiro:
José Eduardo Belmonte, Ronaldo D'Oxum
Fotografia:
André Lavenére
Duração:
98 min.
Ano:
2011
País:
Brasil
Gênero:
Comédia
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imagem Filmes
Estúdio:
Bananeira Filmes/ Film Noise
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: