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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

'ZÉ DO CAIXÃO': CANAL SPACE LIBERA MINISSÉRIE ESTRELADA POR MATHEUS NACHTERGAELE NO YOUTUBE

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Produção inspirada em biografia de José Mojica Marins foi disponibilizada após a morte do cineasta, na última quarta-feira (19)
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A minissérie Zé do Caixão, produzida pelo Canal Space, foi disponibilizada de forma gratuita no YouTube após a morte do cineasta José Mojica Marins, criador do personagem e um dos principais nomes do terror brasileiro, no último dia 19 de fevereiro.

Estrelada por Matheus Nachtergaele e inspirada na biografia Mojica, Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, de André Barsinski, a produção conta com seis episódios.

O primeiro, você confere aqui:


O último filme de Mojica como Zé do Caixão foi em Encarnação do Demônio (2008) - mas o cineasta se manteve na ativa até 2015, dirigindo curtas e também segmentos ao lado de outros cineastas, como a coletânea As Fábulas Negras, seu último trabalho.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

R.I.P.: JOSÉ MOJICA MARINS, O ZÉ DO CAIXÃO

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Mestre do terror brasileiro foi aclamado mundo afora, dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes
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O ator, diretor e roteirista José Mojica Marins, conhecido pelo personagem Zé do Caixão, morreu na tarde desta quarta (19)  aos 83 anos, vítima de uma broncopneumonia.

A morte foi confirmada pela filha de Mojica, a atriz Liz Marins.

O cineasta estava internado desde o dia 28 de janeiro para tratar de uma broncopneumonia.

O velório deve acontecer no Museu da Imagem e do Som (MIS) na quinta (20), em cerimônia aberta ao público.

Mojica deixa sete filhos.

Filho dos artistas circenses Antonio André e Carmen Marins, José Mojica Marins nasceu no dia 13 de março de 1936, em São Paulo.

Mojica dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes.

Seu interesse pelo cinema de terror escatológico começou nos anos 1950, mas foi em 1964, com o filme "À meia-noite levarei sua alma", que ganhou o apelido de Zé do Caixão.

Seu personagem mais famoso, o agente funerário sádico com roupas pretas, cartola, capa e unhas longas, ainda aparece em "Esta noite encarnarei no teu cadáver" (1967), "O estranho mundo de Zé do Caixão" (1968) e "Encarnação do demônio" (2008).

Zé do Caixão no filme 'Encarnação do Demônio', de 2008 — Foto: Divulgação
Zé do Caixão no filme 'Encarnação do Demônio', de 2008 — Foto: Divulgação
Mesmo conhecido como o mestre do terror no cinema brasileiro, Mojica trabalhou com outros gêneros, como aventura, faroeste e pornochanchada.

Ele também influenciou o movimento do cinema marginal nos anos 1960.

Quando tinha 17 anos, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas, que produziu filmes amadores - o primeiro longa-metragem foi “A sina do aventureiro”, de 1958.

Em 1963, escreveu a história de “Meu destino em tuas mãos” e procurou o cineasta Ozualdo Candeias para fazer o roteiro, mas o colaborador não foi creditado.

Zé do Caixão em 'Esta noite encarnarei no teu cadáver', de 1967 — Foto: Divulgação
Zé do Caixão em 'Esta noite encarnarei no teu cadáver', de 1967 — Foto: Divulgação
O personagem Zé do Caixão, conforme Mojica contou em várias entrevistas, surgiu para ele durante um pesadelo, em que um homem de capa preta o arrastava para um túmulo.

A primeira aparição do Zé do Caixão no cinema foi em "À meia-noite levarei sua alma", de 1964.

Nos Estados Unidos, ele ficou conhecido como “Coffin Joe” e daí, foi aclamado como um dos grandes mestres do terror nas telonas.

Segundo o site oficial do personagem, Josefel Zanatas era o nome verdadeiro de Zé do Caixão.

O coveiro era filho de um casal dono de uma rede de agências funerárias.

Por isso, o pequeno Zé do Caixão cresceu como uma criança muito sozinha e discriminada pelos colegas por causa da profissão dos pais.

A biografia ainda diz que Zé do Caixão é um “homem sem crenças, não acredita em Deus nem no Diabo, só acredita nele mesmo, acha que é o único que pode fazer justiça”.

O cineasta e ator José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão em fotografia feita em 2001 — Foto: Agliberto Lima/Estadão Conteúdo
O cineasta e ator José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão em fotografia feita em 2001 — Foto: Agliberto Lima/Estadão Conteúdo
Com o sucesso, o personagem começou a ser confundido com o seu próprio autor.

No anos 1990, o Zé do Caixão apresentou o “Cine Trash”, na Rede Bandeirantes.

Ele também comandou um programa de entrevistas no Canal Brasil, "O estranho mundo do Zé do Caixão", que estreou em 2008 e teve sete temporadas.

Nesse programa, ele entrevistou a atriz Alessandra Negrini:


Em homenagem ao cineasta, o canal Arte 1 relembrou a matéria sobre a exposição "À Meia-Noite Levarei sua Alma", de 2016, sobre a vida e a obra de Zé do Caixão:


Em 2014, José Mojica sofreu um infarto, passou por uma angioplastia e colocou três stents (bubos de metal para melhorar o fluxo sanguíneo da artéria) no coração.

Ele voltou a ser internado no mesmo ano em razão de uma piora nas funções renais.

Desde então, ele se manteve mais afastado da mídia.

DEPOIMENTOS:

"Conheci Mojica numa retrospectiva dos seus filmes.

Falava sem parar, parecia ligado no 220 - e todos adoraram.

Depois, sempre o encontrava no final da tarde numa padaria no Largo do Arouche, centro de São Paulo, onde sempre se mostrava muito amável e carinhoso para com quem o reconhecia.

Inteligentíssimo, conhecia e discorria sobre o cinema - americano, italiano, francês - como ninguém, mestre como era.

Vai fazer muita falta".

Cláudio Nóvoa - editor do Blog de Klau

"Zé do Caixão morrer é a prova de que, no Brasil, nada funciona. Nem os zumbis.

A nota fúnebre de hoje lembrou-me quando, na faculdade de jornalismo, fui entrevistá-lo para um microjornal que editava.

Em seu escritório no centrão, cheio de cabeças de animais pelas paredes, nosso Nosferatu me recebeu de ótimo humor.

Ali pelas tantas, fomos assistir, na ilha de edição, uma cena de um filme que ele havia dirigido tempos atrás.

Era assim: uma mulher caída no chão, seminua, sendo atacada por um batalhão de aranhas caranguejeiras. Os bichos subiam por suas pernas e a cobriam quase que por inteiro.

Impressionado com o realismo do take, perguntei:

"Mojica, que efeito especial você usou pra fazer isso"?

E ele, sem tirar os olhos da tela, respondeu:

"Pinga. Enchemos a atriz de cachaça".

Carlos Castelo - publicitário, jornalista e escritor

"A notícia da sua morte me abalou pessoalmente. 

Fazer a série ZÉ DO CAIXÃO, de Vitor Mafra me fez entrar em contato profundo com a vida e a obra desse mestre brasileiro, cineasta e ator autodidata, que botou os dois 'pés na jaca' dessa puta vida.

Essa foto retrata a visita dele no nosso set. Eu vesti o personagem, ele aprovou: sorriu, depois chorou, em silêncio.




Agradeço pela honra de fazer parte da trupe, a chance de viver por dentro, pelo menos um pouquinho, tua aventura, Zé.

Assim como Chaplin e seu Carlitos, Mojica e Zé do Caixão habitam nosso imaginário mais profundo.
E para sempre".


Matheus Nachtergaele - Ator

sábado, 28 de novembro de 2015

'ZÉ DO CAIXÃO': MATHEUS NATCHTERGAELE INCORPORA MITO DO TERROR NA MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE 2015



SINOPSE:

A biografia 'Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins', de Ivan Finotti e André Barcinski, serviu como inspiração para essa minissérie em seis episódios, que mostra a carreira de quem é considerado um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos.

A minissérie começa no final dos anos 50, vai até os anos 80 e retrata os primeiros anos da carreira de Marins, sua maior criação - o personagem Zé do Caixão - e, de forma paralela, a vida pessoal e as grandes obras do artista são retratadas.

CRÍTICA:

Muitos, principalmente os críticos cariocas, torcem o nariz, mas José Mojica Marins é um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos - isso é fato.

Com sua mistura de gênio, louco, picareta e fanfarrão, Mojica criou filmes antológicos como 'À Meia-Noite Levarei Sua Alma', 'Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver', 'Finis Hominis', 'Inferno Carnal', entre vários outros.

Suas histórias como diretor e como pessoa são igualmente geniais e foram integralmente relatadas no ótimo livro 'Maldito', de André Barcinski e Ivan Finotti.

É justamente essa obra que inspira a minissérie de TV 'Zé do Caixão', que estreou na sexta-feira, 13, no canal a cabo Space (Grupo Warner).

Com direção de arte primorosa, retratando a cidade de São Paulo na virada dos anos 50/60, o primeiro e segundo episódios têm ótimo ritmo e um elenco memorável, mas quem dá show em todas as cenas é o protagonista Matheus Nachtergaele.

O aclamado ator, que já aparecia nas fotos de divulgação da série muito parecido com Mojica, incorporou à perfeição não só os tiques e maneirismos do diretor, mas também o seu característico tom de voz e seu jeito errado de falar, sem os 's'.

Foto
Matheus Nachtergaele como Zé do Caixão, em foto promocional - Fotos dessa Postagem: Divulgação/canal Space
Ver Nachtergaele atuando é um assombro, uma aula bem dada de interpretação, pois em nenhum momento sua composição fica caricata.

É de longe, a mais impressionante atuação masculina da TV brasileira neste 2015.

A ação do primeiro episódio acontece no fim dos anos 1950, inicialmente no centro de São Paulo, onde Mojica tinha seu estúdio.

Depois, as filmagens acontecem no distrito de Paranapiacaba, em Santo André, na Grande SP, que virou um cenário perfeito, pois o lugar tem construções bem antigas e muita névoa.

Este momento do episódio recria os bastidores do longa 'A Sina do Aventureiro', lançado em 1958.

Apesar de a minissérie ser inspirada na biografia, o que vemos na TV tem uma certa liberdade poética em relação a alguns fatos mostrados.

Como a trajetória de Mojica é longuíssima, não daria para mostrar tudo em detalhes e assim, a produção junta características de personagens e faz algumas outras mudanças pontuais.

Claro que nada disso compromete a trajetória do cineasta, até porque um dos roteiristas da série é Barcinski, um dos autores do livro.

Aliás, há muitos momentos engraçados, de humor mesmo, principalmente nas falas de Mojica e isso dá uma leveza ao que se vê na telinha, tornando tudo muito fácil de acompanhar.

A trama começa em 1958, na capital Paulista, onde Mojica, dono da Apolo Produções,  professor de teatro e com seu jeito icônico de falar, está à procura de atores para sua nova "fita" - como ele diz, chamada 'Sina de um Aventureiro', um “bang bang” nacional que foi filmado em uma cidade do interior de São Paulo.

Com um estilo pornochanchada, a produção bateu de frente com os conservadores da cidade,  com suas cenas quentes de sedução e do possível interesse carnal do padre da cidade pela gostosíssima protagonista do longa.

Foto
Leonardo Miggiorin (direita), como ator do longa  'Sina de um Aventureiro'
A ‘fita’, infelizmente, não foi um sucesso e Mojica passou os anos seguintes em busca de uma nova inspiração, que o levasse ao reconhecimento.

Já em em 1963, Mojica está devendo pra tudo e todos em São Paulo, sem alunos e terminando seus dias com longas noites de bebedeiras.

Foto
Mojica dirigindo uma atriz
Dormindo no sofá da produtora, certa noite, ele tem um sonho sinistro, onde um vulto preto o arrasta pelo chão de seu escritório.

Esse sonho, somado à uma recente experiência com um ritual religioso africano, resulta na criação do personagem que os críticos estrangeiros sempre exaltam como sendo um dos melhores do terror mundial: o Zé do Caixão, um agente funerário amoral e niilista, que cativa sua audiência com cenas de pancadaria, sexo e frases explícitas sobre vida e morte, como:

O que é a vida? É o princípio da morte.

O que é a morte? É o fim da vida.

O que é a existência? É a continuidade do sangue.

O que é o sangue? É a razão da existência!

Foto
Zé do Caixão em ação
Sádico, com um visual inspirado no clássico personagem Drácula e com as unhas do Nosferatu, Zé do Caixão procura a mulher perfeita cuja intelectualidade seja superior à média para lhe dar um filho.

A ideia de ser pai de uma criança perfeita cultiva sua obsessão por sangue por meio do horror - uma estrutura de personagem que não poderia resultar em nada diferente do que o sucesso.

Foto
Equipe assiste à primeira exibição da estreia de Zé do Caixão
Matheus Nachtergaele está sensacional, encarnando as figuras  de José Mojica Marins e Zé do Caixão com uma capacidade de imersão absurda.

Um dos melhores da sua geração,o ator paulistano de atuais 46 anos consegue aqui superar sua performance como o João Grilo de 'O Auto da Compadecida' (1999) e também o sonhador e batalhador Joãozinho Trinta - no longa 'Trinta' (2014) - proporcionando um realismo em cena que vem encantando tanto os fãs de Marins e do Zé do Caixão, quanto do telespectador comum.

A produção do Canal Space é surpreendente e de nível internacional.

Atentos à recriação das ambientações das décadas de 1950 e 1960, os cenários embasam de forma detalhista a vida pessoal do cineasta e de seu personagem, garantindo à audiência uma experiência profunda nas duas personalidades do diretor.

De forma irreverente e em muitos momentos divertida, a série mostra como os efeitos práticos foram idealizados pela equipe de produção de Mojica e o funcionamento dos bastidores de seus filmes.

Já em 1963, todo cenário por trás do longa 'À Meia-Noite Levarei Sua Alma' é apresentado para levar o público a uma imersão intensa pela mente visionária e criativa do cineasta.

Foto
Matheus Nachtergaele: melhor performance masculina do ano
Hoje, aos 79 anos, Mojica é reconhecido mundialmente, com todas as honras e glórias, por quem atua e gosta do gênero - os americanos, por exemplo, o cultuam com o nome de 'Coffin Joe'.

José Mojica Marins encarnando Zé do Caixão em foto recente - Observatório de Imprensa
Por ter se mantido no ramo do cinema, em fases como a ditadura militar e décadas de repreensão ao “politicamente incorreto”, o cineasta deixa um legado sobre a arte da atuação e como dar vida ao gênero terror, sempre usando um baixíssimo orçamento - algo que a série, a melhor feita no Brasil neste ano, mostra com sobras.

Aguardando ansiosamente os demais episódios.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'ZÉ DO CAIXÃO'
O que é:
Minissérie brasileira em seis episódios
Gênero:
Drama, Terror, Biografia
Status:
Em produção
Criada por:
André Barcinski, Vitor Mafra
Direção:
Vitor Mafra
Elenco principal:
Matheus Nachtergaele, Maria Helena Chira, Felipe Solari, Antonio Saboia, Leonardo Miggiorin, Vanesa Prieto, Bruno Autran
País:
Brasil
Ano:
2015
Cor:
Colorido
Emissora:
Space
Quando:
Sextas, às 22h30

COTAÇÃO DO KLAU: