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segunda-feira, 5 de março de 2012

EXPOSIÇÃO DE FOTOS DO ACERVO PIRELLI NO MASP VAI ATÉ MAIO E É IMPERDÍVEL


Extremamente carnais: são assim as fotografias que acabam de entrar para o acervo do Masp, doadas pela Pirelli e que ficarão em exposição até o começo de maio.

É sobre a pele e o corpo, glamourizado ou ultrajado,de que falam essas imagens de grandes mestres brasileiros - nascidos aqui ou que se tornaram brasileiros pelo amor ao nosso país e ao seu povo.

Em quase duas décadas, a coleção costuma apontar novos nomes da fotografia e agora, o número de obras de nomes de peso que estão no acervo subiu consideravelmente.

Claudia Andujar mostra uma criança ianomâmi à luz de uma clareira na oca, quase um extraterrestre luminoso no meio do negror fuliginoso da aldeia.
Divulgação
"Cena de Trabalho" (1947), de Pierre Verger, que retrata estivadores em Salvador
"Cena de Trabalho" (1947), de Pierre Verger, que retrata estivadores em Salvador

Rosângela Rennó exibe as nucas de prisioneiros fotografadas em estudos para determinar sinais de delinquência por exame de seus dados biométricos.

Numa subversão do meio, Rennó refotografa uma imagem de jornal em que sobreviventes de Hiroshima aparecem segurando fotos da cidade japonesa antes do bombardeio atômico - ela amplia esse quadro e exibe os pontos grosseiros que compõem a foto original, expondo a pele dessa película.

Mario Cravo Neto retrata o corpo como escultura, aproximando a pele da pedra - são negros contra fundos pretos, num desfile de texturas.

Em cores saturadas, Miguel Rio Branco mostra os boxeadores de Salvador numa espécie de transe - seus corpos avermelhados pela luz escura do ringue parecem pulsar em frequência sanguínea.

Pierre Verger e Marcel Gautherot - mestres franceses radicados no país - surgem com grupos de trabalhadores sob olhar estrangeiro - eles aparecem em recortes quase geométricos, pele escura e vestes claras contra o céu sobre o mar.

Noutro registro, Otto Stupakoff clica belas mulheres em poses de estatuária clássica para editoriais de moda, e a dor passa ao largo dessas imagens em que a forma humana vira objeto de desejo o contraponto aos índios e detentos de Andujar e Rennó.

Imperdível.

COLEÇÃO PIRELLI/MASP
Onde: Masp - Museu de Arte de São Paulo
Endereço: av. Paulista, 1.578
Tel: 0/xx/11/3251-5644
Quando: de terça a domingo, das 11h às 18h; quintas, até 20h.
Até: 06 de maio
Quanto: R$15 - grátis às terças
Cotação do Klau:

segunda-feira, 28 de março de 2011

"BAILARINA DE 14 ANOS" FAZ VOLTA TRIUNFAL AO MASP


Ela tem os olhos entreabertos, os braços alongados atrás das costas e os pés na quarta posição, e, para mim, é uma das obras de arte mais impactantes que eu já tive o prazer de ver.


É como se a "Bailarina de 14 Anos" - obra de 1880 do artista francês Edgar Degas se preparasse, na coxia de um teatro, para entrar no palco e dançar.


Depois de passar dois anos e meio numa turnê mundial, minha escultura favorita está de volta à sua casa - o Museu de Arte de São Paulo, o Masp.


Ela tem algumas irmãs gêmeas pelo mundo - mas está sozinha aqui no Brasil - e passou por museus de Hamburgo, Madri e fez algumas paradas nos Estados Unidos antes do retorno triunfal, como peça central no museu da avenida Paulista.


É uma obra de arte ímpar: a rugosidade do bronze do corpo e do corpete contrasta com a leveza do tecido da saia e do laço que amarra seus cabelos.


Degas retoma aqui pouco da estética impressionista que cunhou em seus numerosos quadros de bailarinas, deixando aflorar um realismo um tanto anacrônico no retrato da pequena dançarina.


Não há desvios no traço, o rosto é preciso, as mãos e as pernas firmes no bronze, como se fossem carne congelada, longe das pinceladas difusas das telas do artista.


Isso talvez pela obsessão que nutria pela figura dessa garotinha: Marie van Goethem, que chegou a dançar na Ópera de Paris, serviu de modelo para a escultura, mas historiadores encontraram no ateliê do artista inúmeros esboços em giz e carvão da mesma menina em poses diferentes, uma delas até nua.


Degas entra no balaio do conjunto de esculturas do museu como representante da obsessão pela matéria, que pautou a escultura moderna.


Na mesma linha, no acervo do museu estão obras de Francisco Stockinger, que constrói um casal de contornos esmaecidos, a dissolução da forma, ou Caciporé Torres, com um trabalho que lembra escombros naufragados, a forma toda bruta.



Divulgação/MASP

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A obra "Bailarina de 14 Anos", do artista francês Edgar Degas, que retornou ao Masp


Mas a arte da escultura em suas diferentes parece vir da oposição entre a "Vênus" de Renoir e o "Bicho Alado" do brasileiro Emanoel Araújo.


São duas figuras em metal negro, a primeira em bronze e a outra em aço.


Se Renoir cria uma mulher lustrosa, figurativa, rejeita o entorno, numa frequência alternativa, obcecado pela própria perfeição e suas curvas hiperbólicas, Araújo abstrai qualquer contorno orgânico de seu bicho, construindo um vulto enorme que exalta não a subjugação da matéria à forma representada, mas o triunfo dessa matéria sobre os anseios do artista, vencido pela potência do aço rígido.


É uma briga que a abstração parece ter vencido até agora, pelo menos até que apareça outra Vênus.


Foi realmente uma exposição de esculturas acima da média a que foi até ontem - mas as esculturas agora estão expostas, espalhadas pelo acervo do Masp, o que sempre vale uma visita.


MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO

Dias e horários: de ter. a dom., das 11h às 18h; qui., das 11h às 20h

Endereço: av. Paulista, 1.578, tel. 0/xx/11/ 3251-5644)

Quanto: R$ 15 - às terças, o acesso é gratuito