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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

'SEX EDUCATION': CRÍTICA DA 2ª TEMPORADA

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Série retorna mais difícil e mais profunda, explorando a individualidade de seus personagens
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SINOPSE:

Sex Education é uma série de televisão britânica de comédia dramática, criada por Laurie Nunn, que estreou sua primeira temporada em 11 de janeiro de 2019 e a segunda, em 17 de janeiro de 2020, na Netflix.

Na primeira temporada, conhecemos o inseguro Otis (Asa Butterfield) tem resposta para todas as questões sobre sexo, graças à sua mãe, Jean (Gillian Anderson), que é terapeuta sexual, apesar de ainda não ter perdido a virgindade.

Por isso, juntamente com Maeve (Emma Mackey), uma colega de turma rebelde, ele resolve montar a sua própria clínica de saúde sexual na escola para ajudar os outros estudantes.

Já na segunda temporada, depois de enfrentar as confusões de abrir uma clínica de saúde sexual para os estudantes da sua escola, Otis está num relacionamento sério com Ola (Patricia Allison), tentando esquecer os seus sentimentos por Maeve e ter uma vida normal.

Mas, quando uma suposta epidemia de clamídia se espalha pelos alunos do colégio, Otis vê-se na obrigação de voltar a aconselhá-los.

CRÍTICA:

Um dos elementos que faz de Sex Education uma série tão interessante é sua perspectiva e estética realista da curiosidade sexual adolescente.

Em seu primeiro ano na Netflix, a criação de Laurie Nunn se mostrou uma das produções mais genuínas em termos da problemática da juventude.

A história do filho de uma terapeuta sexual que auxilia alunos de sua escola com o conhecimento adquirido com a mãe ao longo dos anos é tão divertida quanto honesta, e explorou diversas facetas do tema durante sua primeira temporada.

Nada mais natural que, no 2º ano, ela retorne interrogando suas próprias bases, e retirando Otis (Asa Butterfield), um adolescente inexperiente de 16 anos, do papel de sabe-tudo.

Os alunos de Moordale iniciam um ano letivo caótico que reitera tanto a relevância da série, como a importância da educação sexual.

A falta de informação levou à uma histeria coletiva sobre os perigos de DSTs e Jean (Gillian Anderson) é levada à escola para aconselhar os alunos.

Com a psicóloga exercendo sua profissão e arriscando os negócios da clínica sexual de Otis, a temporada explora o protagonista mais como um adolescente prepotente do que genial, e coloca Jean em um papel que lhe pertence naturalmente.

A inversão de perspectivas de Jean e Otis, no 2º ano, é um dos acertos da produção e reflete a constante indagação da série sobre a posição de cada um de seus personagens.

Infelizmente, o novo cenário também ameaça o desenvolvimento do relacionamento entre Otis e Maeve (Emma Mackey).

A exploração de narrativas individuais é o que traz mais sobriedade ao 2º ano.

Desta vez, cada um está por si e tem seu próprio núcleo, em tramas que se entrelaçam conforme o desenvolvimento dos episódios.

Enquanto Maeve e Otis tem problemas familiares para cuidar, Eric (Ncuti Gatwa) se envolve com um aluno novo, Aimee (Aimee Lou Wood), lida com uma experiência traumática e Adam (Connor Swindells) está em busca de autoconhecimento.

Ola (Patricia Allison), que também passa por uma jornada de descobertas pessoais, é uma das personagens que mais ganha com o novo estilo narrativo, que propositalmente despe sua personalidade de adolescente bem resolvida.

Muito por isso, a difusão das narrativas se mostra importante, por mais que deixe a série mais ácida.

Com cada personagem tendo seu próprio potencial a ser explorado, os episódios caminham bem nas encruzilhadas, mas em detrimento de muito do que fez a primeira temporada tão cativante: o companheirismo.

Ao abrir mão do laço entre Maeve e Otis, que tem poucos momentos juntos no 2º ano, e separar Otis e Eric em seus próprios caminhos, a série enfraquece um de seus maiores charmes, mesmo que nunca deslize de sua mensagem e entregando momentos grandiosos que, embora raros, são ainda mais comoventes do que cenários do primeiro ano.

A discussão de assédio que une diversas colegas em um momento de raiva é certamente um dos maiores destaques da série até hoje - e é brilhantemente debatida.

Neste, que é um dos episódios finais, Sex Education representa perfeitamente a ideia de que sororidade está acima de amizade feminina, e que não é preciso se amar para se entender.

A 2ª temporada também se mostra certeira ao desenvolver as histórias sem esquecer aprendizados e experiências do passado, algo particularmente importante para o arco de Eric e Adam, que não pode ter resolução sem tratar do bullying que se passou durante o 1º ano.

Além disso, a amizade de Otis e Eric, que já havia passado por turbulências, não precisou ser testada novamente, enquanto a relação de Otis e Jean, que apenas começou a dar seus primeiros passos à algo positivo no passado, retornou mais afiada e pronta para questionar seus fundamentos.

Maeve, por sua vez, se desenvolveu para uma mulher mais dedicada e segura de si.

A receita já estabelecida ganhou mais tempero com a formação de novas alianças, como a amizade entre Ola e Lily (Tanya Reynolds) e Jackson (Kedar Williams-Stirling) e Viv (Chinenye Ezeudu) e a exploração surpreendente da personagem da Sra. Groff (Samantha Spiro), que tinha potencial desde o primeiro episódio da série.

A adição de novas figuras e o desenvolvimento de tramas pouco explorados em roteiros admiráveis, no entanto, não impediu que a série deslize de um modo que nunca havia feito em seu 1º ano.

Na 2ª temporada, soluções fáceis são encontradas apontando vilões, o que pode deixar promessas para um novo ano, mas certamente causa desconforto pelo desfecho superficial.

Mantendo sua tradição de utilizar referências americanas - que no 2º ano passam por Clube dos Cinco e Meninas Malvadas - a série retornou mais séria, e potencializou sua relevância com novos temas, mais profundos e mais difíceis de serem tratados.

Apropriadamente, a 2ª temporada funciona bastante como um segundo ano do colegial: com mais potencial e liberdade, as situações ficam mais difíceis, mas abrem portas para um promissor ano seguinte.

Por tudo isso, a Netflix já confirmou a 3ª temporada, no dia do lançamento da 2ª.

GALERIA DE IMAGENS:










TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
SEX EDUCATION - 2ª TEMPORADA
Formato:
Série
Gênero:
Comédia dramática
Episódios:
08
Duração:
46-56 minutos
Criador(es):
Laurie Nunn
País de origem:
Reino Unido
Produtor(es):
Jon Jennings
Produtor(es) executivo(s):
Jamie Campbell, Ben Taylor
Editor(es):
Steve Ackroyd, David Webb, Calum Ross
Cinematografia:
Jamie Cairney, Oli Russell
Roteirista(s)
Taylor Royberg
Compositor da música-tema:
Oli Julian
Estúdio:
Eleven Film
Exibição e Distribuição:
Netflix
Elenco:
Asa Butterfield, Emma Mackey, Ncuti Gatwa, Connor Swindells, Kedar Williams-Stirling, Gillian Anderson e outros

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 18 de janeiro de 2020

'SEX EDUCATION': SEGUNDA TEMPORADA JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NA NETFLIX

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Conheça os três novos personagens da série
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A Netflix já disponibilizou a segunda temporada de Sex Education, agora com a presença de três novos personagens da atração.

A primeira personagem é Viv: Interpretada pela atriz Chinenye Ezeudu, ela é uma superinteligente e multitalentosa estudante que é tudo, menos engenhosa no amor.


Sami Outalbali interpreta Rahim, um francês que se transforma quando entra para a Moordale Secondary e conhece a turma.


Por fim, George Robinson se junta à série como Isaac, um galã que chega causando no estacionamento de trailers em que Maeve mora.


Sex Education acompanha Otis Milburn, um estudante do ensino médio socialmente desajeitado que vive com sua mãe terapeuta sexual, Jean. 

Na primeira temporada, Otis e sua amiga Maeve Wiley montaram uma clínica de sexo na escola para capitalizar o talento intuitivo dele para aconselhamento sexual.

Na segunda temporada, Otis precisa dominar seus desejos sexuais recém-descobertos, para progredir com sua namorada Ola, ao mesmo tempo em que também lida com seu relacionamento agora tenso com Maeve.

Enquanto isso, Moordale Secondary está no auge de um surto de clamídia, destacando a necessidade de uma melhor educação sexual, e novos jovens chegam à cidade desafiando o status quo.

Sex Education já está disponível no catálogo da Netflix.

terça-feira, 23 de abril de 2019

'SEX EDUCATION': CRÍTICA DA 1ª TEMPORADA

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Série da Netflix com Gillian Anderson e Asa Butterfield inverte clichês e quebra tabus com leveza
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SINOPSE:

Sex Education segue Otis, um virgem do ensino médio socialmente desajeitado que vive com sua mãe que é uma terapeuta sexual.

Ele se junta a Maeve, que é inteligente e esperta, "para montar uma clínica para lidar com os problemas estranhos e maravilhosos de seus colegas estudantes."

CRÍTICA:

Já disponível na Netflix, Sex Education é uma série que ama clichês.

É uma série apaixonada por John Hughes e pela convenção de gênero do nerd excluído, do atleta descolado e da jovem rebelde que esconde o quanto é brilhante.

Justamente por isso, no entanto, ela trabalha todos estes biótipos na ponta da reversão.

A história apresenta tudo o que se espera dela, apenas para cinco minutos depois brincar com as expectativas e utilizá-las a seu próprio favor.

Ao invés de alimentar estereótipos, torna toda a pré-disposição a ler aqueles personagens como livros abertos para enganar o público no melhor sentido, e falar abertamente de sexo com paciência e sem padronizações.


Maeve (Emma Mackey) e Otis (Asa Butterfield), em cena da série - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Netflix

Criada por Laurie Nunn — cuja filmografia inclui a direção de um curta-metragem e o roteiro deste e mais dois —, a série acompanha Otis Milburn (Asa Butterfield), um jovem de 16 anos sexualmente reprimido, que não consegue se masturbar, embora sua mãe, Jean (Gillian Anderson) seja uma terapeuta sexual que trata do assunto em casa com tamanha naturalidade que chega a constranger o garoto.

Hétero, Otis é o melhor amigo de Eric (Ncuti Gatwa), negro e gay, mas sua vida se transforma completamente quando ele aceita a proposta da rebelde “sem causa” Maeve Wiley (Emma Mackey), tornando-se o improvável conselheiro sexual da escola.

Para uma série adolescente que trata de sexo — ainda mais sendo uma produção britânica, que torna fácil a associação imediata a um humor cru e frio — Sex Education sai do lugar comum porque é acima de tudo uma série feita com o coração.

A comédia não está interessada em ficar na dicotomia de personagens ora muito experientes, ora completamente desconexos; as inseguranças nas quais está interessada nunca são tratadas no isolamento, pois tudo está ligado a incertezas de uma vida adulta que se aproxima em velocidade galopante.

Não apenas nada é tratado no vácuo como também existe um nível de complexidade nas descobertas feitas pelos personagens que enfim enxerga adolescentes como seres pensantes, e não apenas como versões idealizadas do que adultos gostariam de ter sido.

Há experimentação e testes que dão certo e que dão errado.

Há frustrações e ideias que não são enxergadas com clareza, há confusão e aprendizado, perguntas e respostas tão específicas que acrescentam muito frescor ao gênero e ao assunto.

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Gillian Anderson é Jean, terapeuta sexual e mãe de Otis
Boa parte do teor disruptivo de Sex Education está ligado ao quanto ela aprofunda personagens e relações no inverso do convencional.

Sim, existe o melhor amigo gay do protagonista hétero, mas a história de Eric está interessada no que acontece depois da saída do armário.

Na verdade, está interessada em algo mais específico, pois quer descobrir o que acontece com um jovem que não se encaixa nos padrões de gênero, mas que tem o apoio do pai super protetor em uma família religiosa.

A história de Eric pergunta o que a televisão raramente pergunta quando trata da jornada de personagens LGBT:
“o que acontece depois?”

Eric pode ser facilmente o personagem mais popular da série, mas o roteiro não facilita a missão de escolher um favorito.

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Eric (Ncuti Gatwa) é o melhor amigo gay do hétero Otis
Existe um trabalho excelente de desenvolvimento dos coadjuvantes — que existem independente dos protagonistas —, a ponto de fazer a torcida pelo hipotético casal (Maeve e Otis) ser desafiada pela delicadeza através da qual Jackson e Ola (Patricia Allison) são apresentados.

É nestes pequenos detalhes que Sex Education sai vitoriosa e se destaca da multidão.

Ao apostar na honestidade de uma história que se propõe a falar de um tabu sem ridicularizá-lo, torna-se a produção mais genuína ainda que se ampare em todas as convenções de gênero que criaram as comédias escolares.

Ela se transforma em algo muito perspicaz quando aposta na contradição com que constrói  o personagem principal da história.

Otis não sabe absolutamente nada sobre sexo, mas ao mesmo tempo sabe tudo.

Ele dá conselhos que ele mesmo não segue - e isso diz muito sobre experimentações e descobertas.

Sexo pode ser divertido, assustador, confuso, frustrante ou prazeroso, mas é algo natural e deve ser tratado como tal.

A série tem dois grandes pontos fracos: 

1. o que os roteiristas entendem como algo muito inesperado na relação entre Eric e o macho alfa da escola, Adam (Connor Swindells), para o espectador é completamente previsível e repetitivo até a conclusão final - quem ainda não sabe que esses casos de macho alfa fazendo buylling com gay não é nada mais que uma paixão recolhida?

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Eric (Ncuti Gatwa) e Adam (Connor Swindells), em cena da série: melhor casal
Felizmente, as cenas dos dois juntos no capítulo final são de uma leveza e sutileza poucas vezes vista - e claro, ficamos torcendo para que os dois finalmente se acertem na segunda temporada, já confirmadíssima pela Netflix.

 2. a comédia aproveita mal a genialidade de Maeve e a ótima atuação de Mackey.
Fisicamente muito parecida com a atriz Margot Robbie, é dela as cenas de intensa carga dramática: aborto, reencontro com o irmão traficante, a falta crônica de grana e tudo o mais que uma mulher, ainda tão jovem, é obrigada a passar.

Em quase todas as vezes, a história dela está ligada a imperfeições de personagens masculinos que falharam com ela, fazendo com que ela gire em torno das falhas deles ao invés de acreditar em si.

No entanto, as dificuldades de Otis e os conflitos de uma Maeve obrigada a crescer mais do que qualquer outro personagem da série servem como um gancho ainda maior para tratar de uma evolução pessoal - que é a mensagem central da história.

Qualquer descoberta e qualquer amadurecimento vai acontecer em tempos diferentes para pessoas diferentes. 

Essa é a ideia. Este é o fluxo natural. 

E tudo bem se você não souber de tudo, tudo bem em perguntar e dividir.

Tudo bem não saber de tudo. Ninguém sabe.

E a série é ótima em mostrar isso.

A série tem feito muito sucesso entre o público jovem.

CONFIRA A APRESENTAÇÃO DOS PERSONAGENS:


CONFIRA OS ERROS DE GRAVAÇÃO:


FICHA TÉCNICA:
SEX EDUCATION
Formato:
Série
Gênero:
Comédia dramática
Duração:
46–52 minutos
Autor:
Laurie Nunn
Elenco:
Asa Butterfield, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Connor Swindells, Kedar Williams-Stirling, Alistair Petrie, Mimi Keene, Aimee Lou Wood, Chaneil Kular, Simone Ashley, Tanya Reynolds, Mikael Persbrandt, Patricia Allison, James Purefoy
País de origem:
Reino Unido
Produção
Jon Jennings
Produtor(es) executivo(s)
Jamie Campbell, Ben Taylor
Editor(es):
Steve Ackroyd, David Webb, Calum Ross
Cinematografia:
Jamie Cairney, Oli Russell
Compositor da música-tema:
Oli Julian
Estúdio:
Eleven Film
Exibição:
Netflix
Formato de exibição:
4K (Ultra HD)
Transmissão original:
11 de janeiro de 2019 – presente
Nº de temporadas:
1
Nº de episódios:
8

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

'SEX EDUCATION': CRÍTICA DA 1ª TEMPORADA

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Série da Netflix com Gillian Anderson e Asa Butterfield inverte clichês e quebra tabus com leveza
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SINOPSE:

Sex Education segue Otis, um virgem do ensino médio socialmente desajeitado que vive com sua mãe que é uma terapeuta sexual.

Ele se junta a Maeve, que é inteligente e esperta, "para montar uma clínica para lidar com os problemas estranhos e maravilhosos de seus colegas estudantes."

CRÍTICA:

Já disponível na Netflix, Sex Education é uma série que ama clichês.

É uma série apaixonada por John Hughes e pela convenção de gênero do nerd excluído, do atleta descolado e da jovem rebelde que esconde o quanto é brilhante.

Justamente por isso, no entanto, ela trabalha todos estes biótipos na ponta da reversão.

A história apresenta tudo o que se espera dela, apenas para cinco minutos depois brincar com as expectativas e utilizá-las a seu próprio favor.

Ao invés de alimentar estereótipos, torna toda a pré-disposição a ler aqueles personagens como livros abertos para enganar o público no melhor sentido, e falar abertamente de sexo com paciência e sem padronizações.


Maeve (Emma Mackey) e Otis (Asa Butterfield), em cena da série - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Netflix

Criada por Laurie Nunn — cuja filmografia inclui a direção de um curta-metragem e o roteiro deste e mais dois —, a série acompanha Otis Milburn (Asa Butterfield), um jovem de 16 anos sexualmente reprimido, que não consegue se masturbar, embora sua mãe, Jean (Gillian Anderson) seja uma terapeuta sexual que trata do assunto em casa com tamanha naturalidade que chega a constranger o garoto.

Hétero, Otis é o melhor amigo de Eric (Ncuti Gatwa), negro e gay, mas sua vida se transforma completamente quando ele aceita a proposta da rebelde “sem causa” Maeve Wiley (Emma Mackey), tornando-se o improvável conselheiro sexual da escola.

Para uma série adolescente que trata de sexo — ainda mais sendo uma produção britânica, que torna fácil a associação imediata a um humor cru e frio — Sex Education sai do lugar comum porque é acima de tudo uma série feita com o coração.

A comédia não está interessada em ficar na dicotomia de personagens ora muito experientes, ora completamente desconexos; as inseguranças nas quais está interessada nunca são tratadas no isolamento, pois tudo está ligado a incertezas de uma vida adulta que se aproxima em velocidade galopante.

Não apenas nada é tratado no vácuo como também existe um nível de complexidade nas descobertas feitas pelos personagens que enfim enxerga adolescentes como seres pensantes, e não apenas como versões idealizadas do que adultos gostariam de ter sido.

Há experimentação e testes que dão certo e que dão errado.

Há frustrações e ideias que não são enxergadas com clareza, há confusão e aprendizado, perguntas e respostas tão específicas que acrescentam muito frescor ao gênero e ao assunto.


Resultado de imagem para sex education gillian anderson
Gillian Anderson é Jean, terapeuta sexual e mãe de Otis
Boa parte do teor disruptivo de Sex Education está ligado ao quanto ela aprofunda personagens e relações no inverso do convencional.

Sim, existe o melhor amigo gay do protagonista hétero, mas a história de Eric está interessada no que acontece depois da saída do armário.

Na verdade, está interessada em algo mais específico, pois quer descobrir o que acontece com um jovem que não se encaixa nos padrões de gênero, mas que tem o apoio do pai super protetor em uma família religiosa.

A história de Eric pergunta o que a televisão raramente pergunta quando trata da jornada de personagens LGBT:
“o que acontece depois?”

Eric pode ser facilmente o personagem mais popular da série, mas o roteiro não facilita a missão de escolher um favorito.


Resultado de imagem para sex education  netflix
Eric (Ncuti Gatwa) é o melhor amigo gay do hétero Otis
Existe um trabalho excelente de desenvolvimento dos coadjuvantes — que existem independente dos protagonistas —, a ponto de fazer a torcida pelo hipotético casal (Maeve e Otis) ser desafiada pela delicadeza através da qual Jackson e Ola (Patricia Allison) são apresentados.

É nestes pequenos detalhes que Sex Education sai vitoriosa e se destaca da multidão.

Ao apostar na honestidade de uma história que se propõe a falar de um tabu sem ridicularizá-lo, torna-se a produção mais genuína ainda que se ampare em todas as convenções de gênero que criaram as comédias escolares.

Ela se transforma em algo muito perspicaz quando aposta na contradição com que constrói o personagem principal da história.

Otis não sabe absolutamente nada sobre sexo, mas ao mesmo tempo sabe tudo.

Ele dá conselhos que ele mesmo não segue - e isso diz muito sobre experimentações e descobertas.

Sexo pode ser divertido, assustador, confuso, frustrante ou prazeroso, mas é algo natural e deve ser tratado como tal.

A série tem dois grandes pontos fracos: 

1. o que os roteiristas entendem como algo muito inesperado na relação entre Eric e o macho alfa da escola, Adam (Connor Swindells), para o espectador é completamente previsível e repetitivo até a conclusão final - quem ainda não sabe que esses casos de macho alfa fazendo buylling com gay não é nada mais que uma paixão recolhida?


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Eric (Ncuti Gatwa) e Adam (Connor Swindells), em cena da série: melhor casal
Felizmente, as cenas dos dois juntos no capítulo final são de uma leveza e sutileza poucas vezes vista - e claro, ficamos torcendo para que os dois finalmente se acertem na segunda temporada, já confirmadíssima pela Netflix.

 2. a comédia aproveita mal a genialidade de Maeve e a ótima atuação de Mackey.
Fisicamente muito parecida com a atriz Margot Robbie, é dela as cenas de intensa carga dramática: aborto, reencontro com o irmão traficante, a falta crônica de grana e tudo o mais que uma mulher, ainda tão jovem, é obrigada a passar.


Em quase todas as vezes, a história dela está ligada a imperfeições de personagens masculinos que falharam com ela, fazendo com que ela gire em torno das falhas deles ao invés de acreditar em si.

No entanto, as dificuldades de Otis e os conflitos de uma Maeve obrigada a crescer mais do que qualquer outro personagem da série servem como um gancho ainda maior para tratar de uma evolução pessoal - que é a mensagem central da história.

Qualquer descoberta e qualquer amadurecimento vai acontecer em tempos diferentes para pessoas diferentes. 

Essa é a ideia. Este é o fluxo natural. 

E tudo bem se você não souber de tudo, tudo bem em perguntar e dividir.

Tudo bem não saber de tudo. Ninguém sabe.

E a série é ótima em mostrar isso.

A série tem feito muito sucesso entre o público jovem.

CONFIRA A APRESENTAÇÃO DOS PERSONAGENS:


CONFIRA OS ERROS DE GRAVAÇÃO:

 
FICHA TÉCNICA:
SEX EDUCATION
Formato:
Série
Gênero:
Comédia dramática
Duração:
46–52 minutos
Autor:
Laurie Nunn
Elenco:
Asa Butterfield, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Connor Swindells, Kedar Williams-Stirling, Alistair Petrie, Mimi Keene, Aimee Lou Wood, Chaneil Kular, Simone Ashley, Tanya Reynolds, Mikael Persbrandt, Patricia Allison, James Purefoy
País de origem:
Reino Unido
Produção
Jon Jennings
Produtor(es) executivo(s)
Jamie Campbell, Ben Taylor
Editor(es):
Steve Ackroyd, David Webb, Calum Ross
Cinematografia:
Jamie Cairney, Oli Russell
Compositor da música-tema:
Oli Julian
Estúdio:
Eleven Film
Exibição:
Netflix
Formato de exibição:
4K (Ultra HD)
Transmissão original:
11 de janeiro de 2019 – presente
Nº de temporadas:
1
Nº de episódios:
8

COTAÇÃO DO KLAU: