quarta-feira, 29 de setembro de 2010

WIM WENDERS CONTRA A PEDOFILIA, E GAYS ARGENTINOS TERÃO BAIRRO EXCLUSIVO

O cultuado cineasta alemão Wim Wenders produziu dois anúncios publicitários de 30 segundos para colaborar com a campanha do Governo do país para encorajar as vítimas de abusos sexuais a denunciarem seus casos.

As peças foram apresentadas na semana passada em Berlim, e ainda não estão disponíveis na net.

"Quem rompe o silêncio rompe o poder dos carrascos" é o lema da campanha oficial, ilustrada com imagens pelos anúncios do cineasta. Em um deles aparece um menino e, no outro, uma menina, que têm a boca tampada por um adulto, que, por sua vez, não tem o rosto mostrado.
Foto: wimwenders.com O Cineasta alemão Wim Wenders recebe uma estrela na calçada da fama de Berlim

Mais tarde, as crianças se transformam em adultos, se libertam da mordaça e contam o caso em poucas palavras: "Ele me disse que era um segredo nosso e isso me tornou uma vítima durante toda a vida".

A ideia dos anúncios, segundo explicou Wenders na apresentação, é convidar os adultos que sofreram abusos quando eram crianças a romper o silêncio não só para "acabar com o poder dos carrascos", mas porque isso seria "o começo da cura".

"Conheci muita gente que arrastou durante anos um horror da infância. Falar do tema é o primeiro passo para se curar", disse o diretor de "Alice nas cidades".

A campanha, apresentada pela encarregada do Governo federal para a investigação dos abusos sexuais, Christine Bergmann, inclui também a distribuição de folhetos em banheiros públicos e em consultórios médicos, com números de telefones que as vítimas podem contatar de forma anônima para receber ajuda. Há ainda um site da campanha para orientar as vítimas a denunciar os casos.

As linhas telefônicas de ajuda já estão em funcionamento e uma análise de 2.500 chamadas revela que a maioria das vítimas não sofreu abusos sexuais isolados mas continuados, disse o diretor da Clínica de Psiquiatria Infantil e Juvenil de Ulm, cidade no sudoeste da Alemanha, Jörg M. Fegert.

Fegert destacou ainda que a análise mostrou que, enquanto os abusos contra mulheres costumam ser no âmbito familiar, os que têm os homens como vítimas ocorrem sobretudo em espaços institucionais.

A maior parte das pessoas que pedem ajuda são maiores de cinquenta anos que sofreram abusos há décadas. Das pessoas que resolvem ligar para o sistema, 80% falam sobre o assunto pela primeira vez.

Devido aos vários casos descobertos no início do ano, em sua maioria ocorridos em colégios católicos há duas ou três décadas, o Governo alemão iniciou investigações em março, sob a direção de Christine Bergmann.

Um ótimo projeto, para ser implantado por aqui.
E aê, diretores brasileiros: quem se habilita?

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Depois do bom exemplo alemão, a vanguarda argentina: um grupo imobiliário planeja a construção do primeiro bairro exclusivo para gays, depois que, em julho passado, foi autorizado por lei o casamento para pessoas de mesmo sexo pela primeira vez na América Latina.

Um dos responsáveis do projeto, Antonio Forte, assinalou que ainda não se definiu o local onde o bairro será construído, embora Mendoza, Córdoba e San Luis estejam entre as opções.

Ele também esclareceu que a iniciativa não é discriminatória, já que qualquer pessoa poderá morar no novo bairro, que contará com um lago artificial.

Veja.com

Casal se beija, após casamento tendo o congresso argentino ao fundo

Mais de uma centena de casais gays contraíram matrimônio na Argentina desde a aprovação da lei, e por aqui, os comerciantes da Rua Frei Boneca, quero dizer, Gay Caneca, ôpa! - Frei Caneca ficam empurrando com a barriga o projeto que torna a simpática rua, que liga a Av.Paulista ao centro na primeira rua gay de Sampa.

É duro admitir que os argentinos estão sempre anos luz à nossa frente.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ALESSANDRA NEGRINI E A MULHER DE 40

Em seu "auge feminino", a atriz Alessandra Negrini filma no Rio longa de Karim Aïnouz e diz que é "caretice da porra e machismo" achar que uma pessoa de 40 anos já é velha.

"Nossa, isso aqui é a coisa mais feia", diz a atriz Alessandra Negrini sobre o curativo de mentira que a maquiadora coloca em sua testa. "Mas bota um pouquinho de rímel e um batonzinho, né? A mulher já tá ferrada."

A "mulher" é Violeta, sua personagem no longa de Karim Aïnouz inspirado na canção "Olho nos Olhos", de Chico Buarque. No filme, ainda sem título, Violeta é abandonada pelo marido e, segundo a atriz, "vai perdendo os limites do corpo, se ferrando inteira". "O bom é que no cinema o comprometimento é com a verdade e não com a beleza", diz a atriz.

Fotos: DaryanDornelles/FolhapressA atriz Alessandra Negrini

É domingo à noite em Copacabana, no Rio, onde o filme é rodado. O ponto de encontro da equipe é uma farmácia na esquina da avenida Nossa Senhora de Copacabana com a rua Paula Freitas. Um pequeno caminhão é improvisado como camarim. É lá que Alessandra Negrini está, ainda de jeans, camiseta preta e sandália de salto anabela. No colo, o roteiro com suas falas e um iPod.

Alessandra diz que nunca foi abandonada. "Uma situação igual à dela eu, graças a Deus, nunca vivi. Mas esse peito ardendo eu sei o que é. Todo mundo sabe o que é a falta [de alguém]", diz. Ela já foi casada com o ator Murilo Benício, pai de Antônio, de 14 anos, e com o cantor Otto, pai de Betina, sete anos. Hoje namora o ator Sérgio Guizé.

"Aqui tem um fiozinho levantado", aponta um fio de cabelo para a cabeleireira, depois de fazer, ela mesma, o coque de Violeta. "Esse coque não pode ser assim, senão ele fica fashion", diz a cabeleireira. "Mas esse fio não precisa ficar aqui", reclama a atriz. Alguns minutos depois, chega o diretor de arte. "Querida, por favor, podemos prender seu cabelo?" "Não vou mais tocar nele, podem arrumar. Mas tava muito feio", finaliza Alessandra.

A atriz vai até a porta do caminhão-camarim. Chove. Karim entra no camarim para explicar a primeira cena do dia, que será em outra esquina, não muito longe dali. "Não se esqueça de sentir dor, já que ela está machucada", pede o diretor.

Com 40 anos recém-completados no dia 29 de agosto, no set, achou "legal ter passado a data trabalhando, sem ter precisado pensar em festa". "É bom fazer 40. É um recomeço, você dá uma zerada", fala: "quero fazer isso, quero fazer aquilo'", diz. "Na verdade, aos 40, você começa a se sentir mais poderosa pra fazer algumas coisas, se sente mais forte pra se aventurar. Algumas coisas cansaram, já encheram o saco. Quero alçar novos voos, escrever, voltar a morar em São Paulo, perto da família."

Já com saia preta, legging cinza, blusa rosinha e bota de salto, roupas da personagem, Alessandra entra em um Corolla preto para ir à esquina da rua Djalma Ulrich, onde acontecerá a filmagem. "É muito longe?", pergunta ao motorista, enquanto abre o vidro e observa o bairro, com o roteiro no colo. "Moro no Leblon, mas tô começando a olhar mais pra Copacabana. Tenho alguma coisa com Copacabana. Fiz a novela ["Paraíso Tropical"] aqui, a minissérie "As Cariocas" [fez o episódio "A Iludida de Copacabana", ainda inédito] e, agora, o filme."

A atriz e o diretor Karim Ainouz, nas filmagens em Copacabana

Ela diz que "é uma caretice da porra, machismo" quem acredita que uma atriz possa perder trabalhos com a idade avançando. "Esta é a minha melhor fase. Tô no meu auge feminino. Acho todo o resto uma puta enganação, senso comum, consumismo. Se eu fosse pensar assim, não seria artista. Você acreditar que uma mulher de 40 possa ser velha é bizarro."

"Nossa, que longe, hein?", reclama, bocejando. "O ritmo tá corrido. Temos filmado todos os dias das 18h às 6h da manhã. Me lembra um pouco o ritmo da novela ["Paraíso Tropical", de Gilberto Braga, em que fez gêmeas, em 2007]. A diferença é que aquilo foi um ano inteiro e aqui será só um mês." Ela desce do carro. E reclama: "Por que paramos tão longe?". Anda menos de uma quadra até o set.

Voltar às novelas ainda não é certo. "Primeiro preciso ser convidada", diz. "Tô há dois anos e meio longe da televisão. Foi bom porque fiz cinema, teatro. Mas adoro TV." Alessandra foi convidada para participar de "Passione", atual novela das oito da Globo, de Silvio de Abreu, e recusou. "Não achei que [o papel] era pra mim. Eles [diretores da Globo] também não acharam adequado."

Alessandra, agora Violeta, precisa andar perto dos carros na avenida e atravessar o cruzamento na faixa de pedestres para mais uma cena do filme. Ela vai e vem várias vezes. Do outro lado da rua, algumas pessoas assistem ao movimento. "É novela, né? Ah, é filme? E não tem nome ainda? Posso sugerir? "Uma Mulher Perambulando na Nossa Senhora de Copacabana'", diz uma jovem. "Não é Flávia Alessandra [a atriz]! É a Alessandra Negrini", uma amiga diz à outra. "Ela é metida, passou aqui já várias vezes e nem deu oi", comenta outra.

Uma hora depois, uma viatura passa ao lado de Violeta. A luz da sirene entra no quadro. "Sublime!", diz Karim. "Corta!" Alessandra troca a bota de salto alto por um chinelo. Os fãs se aproximam, e ela, agora, atende a todos. "Cinco minutinhos pra foto, vamos lá pessoal", diz, abraçando as pessoas. "O assédio do público não me incomoda. O que incomoda é o assédio da imprensa, essa apropriação."

Às 21h40, a equipe faz um intervalo para o jantar em um restaurante por quilo. A atriz come legumes, salpicão de frango, picanha, arroz e farofa. Se senta à mesa com Karim e o ator Milton Gonçalves, com quem dividirá a próxima cena. "Sou médio vaidosa. Estou feliz como sou. Tento manter o corpo, malho. Mas como doce, bebo. Vivo com prazer. Não gosto dessa coisa de geração saúde, essas paranoias. Gosto de ser livre. Essa ditadura de alimentação saudável, ah, que encheção de saco."

Posar nua novamente não está em seus planos. "Volta e meia me chamam. Fiz uma "Playboy" [em 2000] da qual me orgulho muito, mas hoje não faz mais sentido", diz a atriz, que ficou marcada como a personagem Engraçadinha na minissérie inspirada na obra do dramaturgo Nelson Rodrigues. "Não sei ver se sou sensual. Acho que sensualidade faz parte da vida. É você estar vivo, respirando, provocando, sentindo o mundo."

Às 23h30, ela se arruma novamente no caminhão-camarim para a próxima cena, dentro de uma farmácia. "Normalmente dou uma dormidinha após o jantar. A produção arrumou um colchão pra mim. Mas hoje tenho que discutir a cena com o Karim e o Milton Gonçalves."

Ela conta que tem planos de voltar à sala de aula. Alessandra abandonou a faculdade de ciências sociais na USP para virar atriz. "Quero estudar cinema, filosofia. E quero produzir uma peça. Você só faz o que quer quando produz." Em outubro, ela estreia em SP a peça "A Senhora de Dubuque", com direção de Leonardo Medeiros.

Alessandra entra na farmácia e ensaia as cenas que serão gravadas de madrugada. A atriz tem cinco filmes, sete novelas e três minisséries no currículo. "Fazer cinema de autor, de experimentação, é um sonho. Me sinto sempre começando", diz ela, antes de pedir licença para se concentrar no texto.
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Matéria da repórter Lígia Mesquita, da coluna "Mônica Bergamo", publicada na "Folha de S.Paulo" de domingo, 26 de setembro

SUPER-HERÓIS TAMBÉM EXISTEM NA VIDA REAL

À noite, Thanatos, 62, faz ronda nas ruas de Vancouver, Canadá, vestindo sobretudo preto, chapéu e máscara verde cadavérica.

"Procuro mendigos à espera da morte e lhes dou mais um dia de vida", diz por telefone, cheio de mistérios e sem revelar a verdadeira identidade.

Ele escolheu o codinome Thanatos há três anos, inspirado no deus grego da morte.
Assim, entrou para a turma dos super-heróis da vida real, um grupo que se organizou nos EUA há dez anos.

Esses mascarados não têm poderes excepcionais, mas vão às ruas para ajudar quem precisa.

Thanatos, por exemplo, distribui itens como garrafas de água e comida a moradores de rua.
A tarefa dele não envolve lutar com vilões maquiavélicos, o que não quer dizer que seja moleza.
Ou seguro.

"Um traficante colocou uma arma no meu estômago", conta Thanatos.
"Eu estava com colete à prova de balas, então o desarmei."

O nova-iorquino Dark Guardian, 26, passou por situações parecidas.
Professor de artes marciais, ele patrulha a cidade, eventualmente lutando com gangues.
"Sim, pode ficar bem perigoso."

Como todo super-herói que se preze, Dark Guardian tem uma história decorada sobre sua origem.
"Nunca tive modelos positivos, meu pai abusou de mim", conta.
"Quis ser um exemplo para os outros, como os personagens dos quadrinhos."

Fotos: Peter Tangen Os super-heróis da vida real

Vigilantes como Thanatos e Dark Guardian ganharam destaque no ano passado, quando o fotógrafo norte-americano Peter Tangen leu sobre eles em uma revista.

Acostumado a fotografar para pôsteres de filmes como "Homem-Aranha" e "Batman Begins", Peter ficou surpreso ao saber que havia, fora do cinema, quem usasse um uniforme para ajudar os outros.

"A necessidade do mundo por super-heróis motivou tanto os filmes quanto essas pessoas", sugere Peter, que montou o Real Life Super Hero Project - bit.ly/rlshero - , com fotos desses vigilantes.

O nova-iorquino Life, 25, pensa de maneira afim.
"São tempos difíceis, e as pessoas precisam de modelos."

A explicação para a necessidade de fazer isso vestindo máscaras varia de um herói para o outro.
"Se eu não me fantasiasse, não me sentiria tão poderoso", afirma Life.

Nyx, 20, não se vê como uma personagem.
A garota é heroica desde os 16 anos e diz que o uniforme é "uma extensão" de si mesma.

"O super-herói é um empreendedor, um indivíduo. Essa é a história dos EUA, nosso sonho", teoriza Life.

Aqui no Brasil, com exceção do Ciclista Prateado, o movimento não vingou.

A história dele começou assim: um vendedor andando de bike em São José do Rio Preto - a 440 km de São Paulo -, em 1994, e, ao mesmo tempo, uma estrela cadente rasgando o céu.
Nasceu ai o Ciclista Prateado -um herói brasileiro da vida real - encarnado pelo paulista Eduardo Sansin, 45.

O evento não envolveu radiação, adamantium ou outro clichê das HQs, apenas serviu de inspiração para que o vendedor criasse esse personagem, que o acompanha há mais de 15 anos.

Quando está com seu traje prateado e montado em sua bicicleta pirotécnica, Eduardo faz shows e reúne multidões em passeios ciclísticos para arrecadar alimentos para fundos sociais.

Apesar de apontar o episódio da estrela cadente como o de sua origem, Eduardo vê o heroísmo como a consequência de uma vida repleta de tentativas e de erros.
"Não fui criado em um estúdio, com desenhistas debruçados sobre uma prancheta", diz. "Surgi "na raça", foi necessário que muitas coisas acontecessem."

Coisas como ser contaminado com mercúrio aos 20 anos, trabalhando com a purificação de metais preciosos. Ou garimpar ouro no Rio Madeira, em Rondônia, e contrair malária. Ou, ainda, fazer carreira no contrabando entre Paraguai e Brasil -e ser preso duas vezes por isso.
"Eu não era bandido, queria comprar meu leite, mas sei que estava errado."

Já do lado dos mocinhos, Eduardo aplicou boa parte da criatividade na bike AG 47, construída com o dinheiro do alumínio de latinhas recolhidas na praia, e sonha em exportar o super-herói para a Europa e os EUA.

O vilão, nesse caso, é a falta de recursos.
"Estou em busca de patrocínio", conta. "Queria uma roupa de herói mesmo, a minha é muito simplesinha."

Veja vídeo do Ciclista Prateado: folha.com/mm804228

Enquanto os super-heróis da vida real agem como voluntários de boas ações, tudo bem.
Mas combate ao crime ou ao tráfico é complicado.

"Há o risco de que se torne um "vigilantismo", um instrumento de vingança", afirma Renato Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A segurança pública, aliás, é uma responsabilidade do Estado, alerta Lima.
Assim como o uso da força.

"Quem é que vai definir o que é certo e o que é errado? Os heróis?", pergunta-se.

Segundo Lima, a população pode ajudar de outras maneiras - por exemplo, cobrar seus governantes.

Mas que é bem legal ver que existem pessoas reais, vestindo uniformes legais e ajudando outras pessoas reais, é.

PERFIS:

NYX 20 anos
"Tenho compulsão por moradores de rua. Perdi meus pais quando pequena, então quis melhorar a vida dos outros"

THANATOS
62 anos
"A razão pela qual me fantasio é que o que estou fazendo é mais importante do que quem eu sou na vida real"

KNIGHTVIGIL
26 anos
"A melhor parte de NY é que você pode andar fantasiado na rua e isso não vai ter nada de excepcional"

LIFE
25 anos
"Super-heróis começaram nos quadrinhos, viraram filmes e então videogames. Tornarem-se reais é sua evolução natural"

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Matéria do repórter Diogo Bercito para o caderno "Folhateen" da Folha de S.Paulo, publicada em 27.9.2010
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Redação Final: Cláudio Nóvoa

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A SEMANA ILUSTRADA

A palhaçada no STF; a mulher laranja do Roriz; a nova técnica do Santos FC; Soninha sem noção; o filme do Lula no Oscar...

Acompanhe as fotocharges exclusivas do blog:

















FICHA LIMPA: STF AFRONTOU O POVO BRASILEIRO

Quando todas as pessoas de bem desse país esperavam que a sua mais alta Corte resolvesse a insegurança jurídica que se instalou nessas eleições - por conta da vigência da lei da Ficha Limpa ter sido aprovada pelo Congresso sem se definir se seria aplicada agora ou não - assistimos, estarrecidos, na última quarta feira, a uma palhaçada sem precedentes na história desse país.

E no dia seguinte teve mais: o candidato do DF, Joaquim Roriz, ao renunciar à candidatura e lançar no seu lugar sua "mulher laranja", mostrou até que ponto esses ladrões e canalhas aboletados no poder podem chegar para garantirem suas propinas - nossas - de cada dia.

Sua renúncia indica a vigência real - ainda que parcial - da Lei da Ficha Limpa.

Do ponto de vista jurídico, há um impasse no Supremo Tribunal Federal, onde a Corte se dividiu ao meio, mas, na prática, a nova regra já causa efeitos em todo o país.

Apesar de todo o clima quente deste final de campanha eleitoral, observo que o Brasil passa por um momento de amadurecimento da Democracia.

Na quinta, quando Roriz anunciou sua saída, ficou claro que a indecisão do STF na noite anterior havia provocado um resultado concreto.

Os dez ministros racharam, cinco para cada lado, sobre a validade da norma nesta eleição.
O presidente do Supremo, Cezar Peluso, ministro que eu pessoalmente acreditava bastante, se recusou a usar a prerrogativa do voto de minerva para desempatar.

Só para lembrar: Peluso é contra a validade da Ficha Limpa da forma como a lei foi aprovada no Congresso, e ao se abster de tomar uma decisão - recusando-se a votar duas vezes -, emitiu um sinal, que políticos interpretaram como: é só uma questão de tempo até que a Ficha Limpa seja irreversível.

O caso mais vistoso é o de Roriz, pois ao desistir, autoaplica-se a norma da Ficha Limpa.

E mesmo sem renunciar, alguns candidatos sofrerão nas urnas o efeito de terem seus nomes associados a um passado chafurdado na lama grossa e negra da política.

Afinal, nunca vimos a mídia gastar tanto tempo nas TVs e rádios e espaço em jornais e revistas para relatar, em detalhes, quem são os pendurados em processos, maracutaias, roubos de grana pública, apropriações indébitas, tráfico de influência....

Realmente, teria sido muito melhor se o Congresso tivesse aprovado a lei de maneira mais rápida e correta, e que o STF também anunciasse com urgência a constitucionalidade da medida.

Como esse cenário de sonho não existiu, nem nunca será uma realidade, o importante, o que realmente fica, é o avanço institucional da democracia, ainda que trôpega e sem muito método.

Quando a nós, do andar aqui de baixo, ficou muito difícil aceitar a posição do STF a respeito da Ficha Limpa, já que nunca antes na história deste país houve uma manifestação popular tão saudável e eletrizante como a observada pela aprovação da Lei, uma iniciativa popular.

O STF tem a obrigação de ser o "guardião da Constituição", mas com esse empate difícil de ser engolido, a mais alta Corte do Brasil tomou uma atitude antipatriótica, pois, além de impedir que a nação dê um passo em direção à moralidade política, vai contra a vontade do povo, jogando no lixo o artigo 1º da Constituição, que diz que "O poder emana do povo".

Esse mesmo povo que custeia a Corte Suprema, pagando os mais altos impostos do mundo, e um sem número de mordomias aos meritíssimos, iguais ou até maiores às benesses dos poderes Executivo e Legislativo.

Quando se esperava uma solução, o STF, em vez de resolver um impasse, como lhe cabe, consegue criar dois.

É uma afronta a todos os brasileiros de bem.

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Confira essa coluna em vídeo, já postado no YouTube e no UOL:

domingo, 26 de setembro de 2010

A SEMANA NA TV

"NCIS" em DVD; J.J. Abrams vai fazer nova série com elenco de "Lost"; estreia da segunda temporada de "Glee" nos EUA foi recorde de audiência; "Thundercats" volta repaginado...

Essas notícias, outras e uma entrevista com Tom Selleck você acompanha agora, no resumo semanal de notícias das telinhas.

NA 6ª TEMPORADA, "NCIS" VAI AO PASSADO DOS PROTAGONISTAS

A sexta temporada da série "NCIS" - Naval Criminal Investigative Service -, que acaba de sair em DVD, investe no passado pessoal da equipe liderada por Jethro Gibbs - Mark Harmon - , que investiga crimes ligados à Marinha.

Este revela um tensa ligação com seu pai, com quem não fala desde a traumática morte de sua mulher.

Ziva - Cote de Pablo - dá a dica de um envolvimento amoroso em sua Israel natal, mas que só toma contornos dramáticos nos momentos finais dessa temporada.

Divulgação: Paramount PicturesChris O'Donnell e LL Cool J em cena da série "NCIS: Los Angeles"

A relação dela com Tony DiNozzo - Michael Weatherly - esfria bastante e vai deixar suspeitas sobre o modo com que a série vai ser retomada no sétimo ano.

Até o legista Ducky - David McCallum - ganha um episódio especial sobre seu passado entre torturadores.

Outro destaque é a apresentação dos personagens de "NCIS: Los Angeles", franquia igualmente bem-sucedida com audiência média de 16 milhões nos EUA.

Chris O'Donnell vira um antigo amigo de Gibbs e se mete em uma enrascada para criar o "spin-off".

"NCIS - 6ª TEMPORADA"
Distribuidora:
Paramount Pictures
Criação de: Donald P. Bellisario e Don McGill
Quanto: R$ 99,90
Classificação: 14 anos
COTAÇÃO DO KLAU:

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TOM SELLECK FALA SOBRE SUA NOVA SÉRIE

Com uma carreira de quatro décadas em Hollywood, Tom Selleck já encantou plateias com muitos papéis diversos, que agora incluem um chefe de polícia em Nova York, na série "Blue Bloods."

O ator premiado com o Emmy talvez seja mais conhecido pelo papel principal do seriado "Magnum P.I.", dos anos 1980, mas já atuou também no seriado "Friends" e no sucesso de 1987 "Três Solteirões e Um Bebê" para as telonas.

Arquivos do KlauTom Selleck

Selleck divide seu tempo entre sua fazenda de abacates no sul da Califórnia e Nova York, onde se passa a história de "Blue Bloods", que trata de uma família de várias gerações de policiais.

Ele conversou com a Reuters sobre o papel do comissário de polícia Frank Ryan, o elenco do seriado e por que construir uma cadeira é algo que o agrada.
Confira:

P: Os seriados policiais vão e vêm. De que maneira "Blue Bloods" vai se destacar?
R: Além do aspecto dos procedimentos policiais, teremos esse aspecto de uma família de três gerações de policiais de origem irlandesa. E nem sempre se vê um seriado que funde drama familiar com drama policial.
P: Como você se preparou para o papel?
R: Já representei policiais no passado, então pude me basear nessa experiência. E Frank Regan é também um pai. Embora eu não tenha me baseado na figura de meu próprio pai, Frank é um bom pai, e eu penso em meu pai e nas escolhas que ele teria feito.
P: "Blue Bloods" tem um elenco grande, com atores como Bridget Moynahan, Len Cariou, Will Estes e Donnie Wahlberg. Qual é a sensação de estar novamente trabalhando com um elenco grande?
R: Esse tipo de trabalho em um seriado de TV é algo único para a experiência do ator. Os personagens crescem e mudam, os roteiristas escrevem semanalmente, e, quando você tem atores suficientemente bons para encarar esse tipo de evolução, esse é meu tipo favorito de TV. Na maioria dos nossos episódios, por volta do terceiro ato a família está à mesa do almoço de domingo. Fico sentado na cabeceira dessa mesa, maravilhado com esse grupo incrível de atores.
P: Nova York tem um papel de destaque - quase como se fosse outro personagem.
R: Quando vi o roteiro pela primeira vez, desses roteiristas incríveis Mitchell Burgess e Robin Green ("The Sopranos"), senti que Nova York poderia ser um personagem central; as ruas, os bairros, coisas que não vemos com frequência em séries de TV.
P: Se você não fosse ator, seria...
R: Marceneiro ou fabricante de móveis. A experiência do ator é quase uma abstração, e é algo que pode deixar você maluco. Se você é marceneiro e constrói uma cadeira, você pode sentar-se nela. Eu gostaria dessa mudança.
O bom de ser ator é que todas as coisas que eu quis ser quando era criança - caubói, jogador de beisebol profissional, bombeiro, policial - eu pude fazer por algum tempo como ator. Algum dia eu vou parar de atuar, ou por escolha minha ou porque o telefone vai parar de tocar. A primeira coisa que farei é montar minha oficina de marcenaria.

P: Existe algum fundamento nos rumores sobre um filme "Magnum" ou uma sequência de "Três Solteirões e Um Bebê?"
R: Não me telefonaram, pediram meu conselho ou perguntaram se eu estava disponível para "Magnum", portanto não tenho certeza. Há um roteiro sendo desenvolvido para uma sequência de "Três Solteirões e Um Bebê" em que o bebê já cresceu. O critério para meu envolvimento ou o de Ted Danson e Steve Guttenberg seria que fosse escrita uma história boa. Não vamos querer roubar o brilho de um filme que foi tão bom para nós.

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J.J. ABRAMS CRIA NOVA SÉRIE COM ASTROS DE "LOST"

O criador da série "Lost", J.J. Abrams - que também foi o responsável pela revitalização da franquia "Star trek" nas telonas - disse à revista "Vulture" que está trabalhando em uma nova série que terá alguns dos astros da enigmática série que terminou em maio.

DivulgaçãoO diretor e criador J.J. Abrams

Michael Emerson e Terry O'Quinn - que interpretavam Benjamin Linus e John Locke - são alguns dos que estarão na nova série, que tem o título provisório de "Odd Jobs" e terá elementos de comédia.

No começo do ano, Emerson mencionou em uma entrevista que gostaria de estrelar uma série como um homem suburbano, a la "Sr. e Sra. Smith".

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"THUNDERCATS" VOLTA REPAGINADO EM 2011

A partir de 2011, a série animada 'Thundercats' chegará à televisão brasileira.

Produzida pela Warner Bros., os novos capítulos vão trazer de volta, redesenhados, os personagens Lion, Cheetara, Panthro e Tygra, sobreviventes do planeta Thundera.

Arquivos do KlauOs personagens originais de "Thundercats"

A nova versão pretende ter apelo junto às crianças, mas, segundo o estúdio, quer agradar aos espectadores saudosos, que se divertiram com o desenho nos anos 80 e 90.

Na nova temporada, "Thundercats" começa contando a história da ascensão do príncipe Lion-O ao trono de Thundera.

O canal Cartoon Network já comprou o direito de transmissão nos Estados Unidos. Apesar de confirmada a veiculação no Brasil, o canal ainda não foi divulgado.

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SONY ANUNCIA NOVAS SÉRIES PARA O BRASIL

Detentora dos canais Sony Entertainment Television, AXN e Animax, a Sony Pictures anunciou nesta quarta-feira (22) o lançamento de quatro novas séries no Brasil.

"Call Me Fitz", "No Ordinary Family", "Parks&Recreation" e "Gary Unmarried" têm estreia prevista para o início de outubro e são parte das ações comemorativas do canal, que está fazendo 15 anos no Brasil.

Divulgação: SonyO elenco de "No Ordinary Family"

Também outras nove séries - "Grey´s Anatomy", "Private Practice", "Drop Dead Diva", "Desperate Housewives", "Cougar Town", "30 Rock", "Medium", "Rules of Engagement" e "Royal Pains"- da emissora terão suas temporadas renovadas e com uma diferença de tempo de exibição ainda menor em relação aos EUA: somente 10 dias, segundo informaram executivos do canal.

Ótima notícia.

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SEGUNDA TEMPORADA DE "GLEE" TEVE MAIS AUDIÊNCIA QUE A PRIMEIRA


O episódio de estreia do segundo ano do seriado musical "Glee" - um dos que tiveram mais sucesso de pública e crítica na temporada passada - atraiu 12,2 milhões de espectadores nos Estados Unidos, segundo números prévios divulgados pelo site da revista "Entertainment Weekly".

DivulgaçãoOs atores Cory Monteith e Lea Michele, o Finn e a Rachel de "Glee", em cena da estreia da segunda temporada

A estreia, que ocorreu na noite de terça-feira (21), alcançou a segunda melhor audiência do seriado - que aconteceu no episódio "Hell-O", na primeira temporada - onde 13,6 milhões de pessoas assistiram à exibição ao vivo nos Estados Unidos.

O seriado foi o mais visto da noite por duas faixas de idade, de 18 a 49 anos e de 12 a 34 anos.

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ATÉ +!






"ARAGUAIA" VAI MOSTRAR UM BRASIL DESCONHECIDO, NA EXUBERÂNCIA DO HD

O diretor Marcos Schechtman é um entusiasta do seu trabalho. Quando está na ativa, dorme três horas por dia. Ao falar dele, cita de Nietzsche a Gilberto Freyre. Isso porque o assunto é uma novela das seis!

"Araguaia", dirigida por ele, estreia nessa segunda como a primeira novela da Globo das seis em alta definição - as atuais das sete - "Ti-Ti-Ti", e das nove - "Passione" já são captadas e transmitidas em HD.

Foto: Divulgação/TV Globo
O protagonista Solano, interpretado por Murilo Rosa

A presença de Schechtman, que tem status de diretor "das oito" - seus últimos trabalhos foram "Caminho das Índias" e "América" - indica uma maior atenção dada pela emissora à faixa.

Foto: Alex Carvalho/TV Globo
Fernando Rangel - Edson Celulari, e Estela - Cléo Pires, em cena da novela

Embora seja escrita pelo veterano Walter Negrão, autor típico de folhetins das seis, as primeiras imagens de "Araguaia" mostram uma sofisticação acima da média. Parte da explicação pode estar no fato de as audiências das três novelas noturnas da emissora estarem mais próximas.

Em junho, "Escrito nas Estrelas", das seis, chegou a bater "Passione", das oito. Hoje, a média da primeira éde 29 pontos, não tão longe dos 35 da segunda (cada ponto equivale a 60 mil domicílios ligados na Grande SP).

Para caracterizar o ambiente de "Araguaia", vale-se do conceito "rurbano", termo que o antropólogo Gilberto Freyre aportuguesou do inglês "rurban". A expressão indica um tipo de sociedade intermediária que concilia aspectos contraditórios de uma vida rural e urbana.

"O interior projetado na nossa literatura não é o que existe na prática. Encontrei na região fazendeiros que passavam o fim de semana em Nova York", diz.

A trama gira em torno de uma família marcada por uma maldição indígena que condena à morte todos os descendentes homens que vivem próximos ao rio.

Tem ingredientes políticos. Inclui, por exemplo, uma cidadezinha socialista construída por um líder comunitário. Também faz referência à guerrilha do Araguaia, ocorrida durante a ditadura militar.

Divulgação/TV Globo
O ator Thiago Fragoso recebe instruções do diretor, à beira do Rio Araguaia

Os críticos até podem dizer que a proposta parece uma versão melhorada de "Pantanal", sucesso da extinta TV Manchete, igualmente com cenas exuberantes de natureza, gravadas no Mato Grosso do Sul.

O diretor nega as semelhanças: "O Brasil não conhece o rio Araguaia. É a última fronteira que ainda não foi mostrada na televisão".

"ARAGUAIA"
Onde: Globo, 18h
Autor: Walter Negrão
Direção: Marcos Schechtman
Elenco Principal:

Solano Rangel - Murilo Rosa

Estela - Cléo Pires
Manuela Martinez - Milena Toscano
Max Martinez - Lima Duarte

Amélia - Júlia Lemmertz

Frederico Martinez - Raphael Viana

Vitor Vilar - Thiago Fragoso

Mariquita - Laura Cardoso

Fernando Rangel - Edson Celulari, em participação especial

Antoninha - Regina Duarte, em participação especialíssima