segunda-feira, 3 de junho de 2019

'THE BIG BANG THEORY': EPISÓDIO FINAL FOI EMOCIONANTE E DIVERTIDO

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De primeira, vou contar um spolier: o elevador do prédio onde nossos nerds favoritos moram voltou a funcionar!
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'The Big Bang Theory' é a prova que a TV aberta americana ainda tem muito fôlego.

Muitos falam que TBBT perdeu sua graça já tem muito tempo, e depois de 12 temporadas, claro, foi natural ver o desgaste da série, mas, aqui, vemos que os dois últimos episódios foram marcados por uma nostalgia gigante, onde a comédia faz um final com um sentimento de término de jornada para seus personagens que cravaram sua marca na história da TV.

Sheldon (Jim Parsons), Leonard (John Galecki), Penny (Kaley Cuoco), Raj (Kunal Nayyar), Howard (Simon Helberg), Bernadette (Melissa Rauch) e Amy (Mayim Blalik) ajudaram a colocar a palavra nerd na boca do povo, e mostrar uma nova faceta para esse tipo de nicho, que antes, nunca teve muito uma série sua para chamar para si.

Aqui, nos últimos episódios da temporada, vemos a série prestar uma bela homenagem para seus protagonistas e mostrar as evoluções desses cientistas como personagens ao longo de tantos anos.

Vemos, então, como o trio principal mudou, desde da famosa cena que Sheldon e Leonard encontram com a nova vizinha, a aspirante a modelo/atriz Penny (sem sobrenome, segundo a atriz, Penny é um nome único como Cher ou Madonna), até agora, onde eles ainda se reúnem para comer ao redor do sofá do icônico apartamento, mesmo que muitos deles não morem mais lá.

Assim, o final da série, meio que envolve a conclusão do arco que permeou a temporada toda e que narra a coroação do estudo criado por Amy e Sheldon no Prêmio Nobel de Física - um dos maiores sonhos de Sheldon.

CONFIRA OS BASTIDORES DAS GRAVAÇÕES:


Ao focar no prêmio nos seus dois episódios finais, a série meio que faz um paralelo e faz como um ponto final nessa etapa na vida do casal, e da comédia de uma forma geral.

O final de 'Big Bang Theory' costura essa história para envolver todos seus personagens ao longo dela, e faz isso de uma consciente de suas trajetórias ao longo da série como um todo, e mostra um amadurecimento gigante, tanto para eles quando para o programa em si, que convenhamos, entrou no seu lugar comum e na zona de conforto já algumas temporadas, sim.

Jim Parsons, em cena do último episódio como Sheldon

Então, vemos o grupo partir na segunda metade do series finale, em uma viagem para a premiação em Estocolmo, Suécia, onde, após anos de convivência, vemos algumas cartas sendo colocadas na mesa, como o relacionamento de Sheldon com o grupo, sem deixar de entregar aquele humor característico que a série sempre apresentou, meio estranho, com piadas num ritmo alucinante e cheio de referências para a cultura pop.

E sim, a viagem começa com o famoso elevador do prédio onde moram lotado de malas - ele finalmente voltou a funcionar!

Elevador lotado de bagagens para a viagem dos nerds a Estocolmo
As cenas dos personagens no avião dão o tom para o final.

Assim, vemos, finalmente, Amy se posicionar para sair um pouco das sombras de Sheldon (e usando sua tiara maravilhosa novamente).

Amy no Nobel: discurso emponderado e tiara na cabeça
Penny e Leonard com um novo e inesperado futuro juntos - ela está grávida - graças a uma paranoia de Sheldon que envolve bebidas, e meio que concluindo aquilo que ele já tinha falado lá nas primeiras temporadas sobre o relacionamento dos dois.

Raj encontrando com uma de suas musas, Sarah Michelle Gellar - numa participação especial como a Buffy, a Caçadora de Vampiros em pessoa.

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Raj ao lado de sua musa, Sarah Michelle Gellar
Por fim, a dupla Howard e Bernadette sempre querendo se sobressair de qualquer forma no grupo.

Todos reunidos para comemorar o Prêmio Nobel de Sheldon e Amy

Assim, 'The Big Bang Theory' termina com um BANG e com uma nota alta, mesmo que também transmita um sentimento agridoce de fim.

O ELENCO FALA SOBRE O FINAL DA SÉRIE:


A comédia entrega um bom episódio que faz uma bela, tocante e engraçada homenagem para a própria série, para seus personagens marcantes, e claro, mostra a importância e legado (querendo ou não!) que o seriado teve para a TV, não só para a americana, mas para todo o mundo.

MELHORES PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:


Ao aceitar o Nobel, Sheldon deixa de lado o seu discurso escrito - daria noventa minutos de fala, ele já tinha dito - finalmente reconhece seu imenso egoísmo, que tantas e tantas vezes magoou seus amigos - e faz uma defesa veemente da amizade e do companheirismo, citando nominalmente um por um, que da plateia, agradecem, comovidos.

Sheldon, antes de começar seu discurso no Nobel
Foi uma das cenas mais legais da TV nos últimos tempos.

Da plateia, os amigos reagem, comovidos
O último episódio, exibido em 16 de maio nos EUA e neste domingo (02.6) aqui no Brasil, atraiu nada menos que 23,44 milhões de telespectadores nos EUA, de acordo com as classificações ao vivo da CBS, fazendo com que a série seja o programa não esportivo mais assistido entre 2018 e 2019 em qualquer plataforma de rede ou streaming.

THE BIG BANG THEORY: EPISÓDIO FINAL

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 1 de junho de 2019

'CINE HOLLIÚDY - A SÉRIE' - CRÍTICA

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‘Cine Holliúdy’ é uma daquelas propostas ousadas que o produtor, quando recebe o projeto em mãos, fica na dúvida se é pra levar aquilo a sério ou não
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CRÍTICA:

Ainda bem que alguém encarou o desafio, e hoje, Cine Holliúdy é uma das franquias de comédia de maior sucesso no Brasil - que virou filme em 2012, ganhou um primeiro spin-off em 2016, com ‘O Shaolin do Sertão’, depois ganhou continuação em 2018 com Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral’, e agora ganha o formato de série televisiva, já em exibição na Rede Globo.

Fotos dessa Postagem: Divulgação-Globo
Francisgleydisson (Edmilson Filho) é um ingênuo rapaz que vive na pacata cidade de Pitombas, no interior do Ceará.

Cinéfilo de carteirinha, ele é dono e proprietário do Cine Holliúdy, o único cinema da cidade e única forma de divertimento que aquele povo tem.

Com a ajuda de seu fiel amigo, o afetado e caricato Munízio (Haroldo Guimarães), os dois buscam formas de atrair o público para a sala de cinema.

Porém, um dia a tecnologia chega a Pitombas: o prefeito salafrário Olegário () decide comprar uma televisão para agradar a futura esposa recém-chegada de São Paulo, Maria do Socorro (Heloísa Perrissé) e sua filha, Marilyn (Letícia Colin).

Porém, como descobrem que a TV foi comprada com o dinheiro do povo, o prefeito decide colocar a televisão na praça, para o povo assistir as novelas ali.

Começa assim, a briga do cinema com a televisão, esse “diabo de futuro que me persegue”, como diz o próprio Francis.


Baseada na história de Halder Gomes, que levou meio milhão de pessoas aos cinemas em 2012, a série de Marcio Wilson e Claudio Paiva diverte e tem questionamentos profundos.

Por exemplo, a trama se passa nos anos 1960, e o embate entre a TV e o cinema foi realmente uma questão delicada, que atravessou toda uma década, e que nos faz pensar no quanto que a tecnologia e a modernidade não fizeram morrer alguns costumes das cidades pequenas.

A corrupção política, como já dito, é apontada ao longo dos capítulos, com direito a um episódio com intervenção militar (participação de Chico Diaz) e o prefeito gritando ‘Não vai ter golpe!’, e outro em que o prefeito é transformado em vampiro.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

A série é toda divertida e com episódios curtinhos, e o melhor: dá pra ver fora de ordem porque cada episódio tem uma história que se fecha. 

Os destaques são o primeiro episódio, em que a trama é explicada; o 3º, em que marcianos invadem o sertão! (um claro desdobramento do filme); o 2º, em que há uma noiva cadáver, interpretada pela Ingrid Guimarães; o 8º, que faz menção ao ‘Shaolin do Sertão’; o 7º, com participação de um Sherlock Holmes fictício; o 4º, que demonstra a fé do povo brasileiro. Bom, basicamente todos.


Mas o grande trunfo da série é a combinação perfeita de edição ágil, uma montagem precisa e diálogos afiadíssimos.

Tudo isso ajuda a fazer com que o ritmo seja muito, muito rápido, quem pescou, pescou, quem não entendeu vai ficar sem entender.

Sem contar todo o cuidado que os roteiristas e a direção artística de Patricia Pedrosa tiveram em caracterizar a história como se fala e vive no nosso querido sertão.

‘Cine Holliúdy’, agora como série, é uma pequena obra prima.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:


COTAÇÃO DO KLAU:

'BROOKLIN NINE-NINE': CRÍTICA DA 6ª TEMPORADA

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Focado na parceria entre os policiais, novo ano é um dos mais divertidos do seriado
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Um dos movimentos mais inesperados e espontâneos da internet foi a dedicação dos fãs de Brooklyn Nine-Nine em salvar a série após o cancelamento pela Fox.

É provável que nem mesmo a equipe da atração fizesse ideia do quanto a história de Jake, Amy, Rosa, Boyle e vários outros era admirada e querida.

Quando a NBC anunciou que daria mais uma temporada para a 99, a reação foi um misto de alívio e apreensão.

A história iria continuar, mas será que permaneceria tão boa na nova emissora?

A resposta, felizmente, é positiva.

A sexta temporada mostra o elenco mais à vontade do que nunca e entrega uma narrativa já conhecida dos fãs: muito humor absurdo, com toques de temas importantes aqui e ali.

Claro que o próprio cancelamento não poderia deixar de ser abordado e Brooklyn Nine-Nine encontrou uma forma delicada de fazer isso através de Holt.

Ao final do quinto ano, ele estava concorrendo ao cargo de comissário e aqui é revelado que ele não conseguiu.

Tudo acontece durante a lua de mel de Jake e Amy e o Capitão vai até lá tentar lidar com a frustração.

Uma de suas ideias, inclusive, é deixar a polícia, acreditando que não há mais futuro após a falha.

A insegurança e o desejo de Holt em abandonar tudo tem falas e momentos que refletem muito a época do cancelamento.

Embora o resgate da série pelo novo canal tenha acontecido rapidamente, Andre Braugher, intérprete do Capitão, afirmou que na época houve muitas lágrimas e tristeza.
Ao contrário do seriado, Holt não conseguiu seu cargo dos sonhos, mas seguiu em frente mesmo assim.

Seguindo com a temporada, fica claro que a equipe de Brooklyn Nine-Nine percebeu que o final pode chegar a qualquer momento e por isso os episódios foram bem divididos com homenagens a todos os personagens.

Tal abordagem fica clara com o capítulo focado na dupla Hitchcock e Scully.

Eles precisam provar sua inocência e, para isso, retornam ao passado mostrando suas versões jovens e como se tornaram a dupla mais preguiçosa e querida da 99.

Ao fazer isso, a série conseguiu emplacar ainda uma homenagem ao clima policial nos anos 80.
A sacada é muito bem construída e rende uma dos melhores histórias do novo ano.

Os jovens Hitchcock e Scully - NBC/Divulgação

Mas nem tudo são flores na sexta temporada.

A série conseguiu se salvar por mais uma temporada (inclusive foi renovada recentemente), mas precisou lidar com a saída de Chelsea Peretti, a Gina Linetti, uma das personagens mais irônicas e engraçadas de todo o grupo.

A despedida é logo no começo da temporada e os produtores criaram momentos fofos da personagem com os colegas, como o almoço com as personagens femininas e o momento entre Gina e Jake, que reflete a longa amizade entre Chelsea e Andy Samberg fora das telas.

Há ainda um episódio que foca em Boyle e suas inseguranças como pai adotivo; outro com Rosa mostrando o quanto gostaria de ter a aprovação do Capitão Holt; Amy lidando com o irmão “perfeito” e suas cobranças de família; e uma discussão importante entre Jake e Amy sobre o futuro e filhos.

Todos esses momentos se tornam especiais porque o elenco do seriado está em sua melhor forma.

Mais unidos do que nunca após o possível cancelamento, a sensação que chega ao público é que todos ali se tornaram realmente uma grande família, que tem suas diferenças e problemas, mas que se ama muito acima de tudo.

Apesar de todos esses pontos, ainda é difícil para muitas pessoas entender o grande sucesso de Brooklyn Nine-Nine.

Afinal, há várias séries de comédia com o tema parecido e nem por isso elas carregam uma legião tão grande de fãs.

O que torna a atração de Michael Schur e Dan Goor tão relevante atualmente é o quanto ela é engraçada sem deixar de tratar de temas importantes.

Isso é mostrado com clareza no oitavo episódio desta sexta temporada, quando Jake e Amy lidam com uma investigação de assédio.

A personagem de Melissa Fumero fica obcecada em resolver tudo da melhor forma possível para a vítima e Jake descobre que o motivo disso é porque a própria Amy já sofreu assédio no passado.

Ao falar de um tema tão denso, Brooklyn Nine-Nine dosa com maestria os momentos em que precisa falar sério - cortando a trilha sonora e deixando Fumero ter uma cena extremamente intensa com Samberg - com momentos em que pode ser mais didática com humor, como quando apresenta os pequenos machismos do dia a dia que os homens geralmente nem percebem.

O grande ponto é que a série não fecha os olhos para os temas atuais.

Os produtores, roteiristas e elenco sabem que, além de divertir, têm a responsabilidade de passar mensagens importantes para o seu público.

Um episódio como “He Said, She Said”, que coloca uma personagem tão querida em uma posição tão difícil, é capaz de fazer o público pensar em suas atitudes e transmitir uma mensagem que funciona muito mais do que um grande artigo sério sobre o tema.

Para quem ainda tem dúvidas do porquê Brooklyn Nine-Nine é tão querida, a sexta temporada é um prato cheio para conhecer a rotina da 99 e se sentir parte dessa família tão especial.

TRAILER DA 6ª TEMPORADA:


FICHA TÉCNICA:


COTAÇÃO DO KLAU:

'VEEP': CRÍTICA DA 7ª (E ÚLTIMA) TEMPORADA

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Brutal e irônica, a comédia de Julia Louis-Deyfrus consolida sua marca na TV
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CRÍTICA:

Diante de fenômenos como Game of Thrones e Westworld, as comédias da HBO não atingem o mesmo nível de popularidade junto ao público.

A mais famosa do grupo acaba sendo Veep — provavelmente por sempre sair vitoriosa nas grandes premiações da TV.

Afinal, não é qualquer atração capaz de render seis Emmys seguidos para sua protagonista.

Mas qualquer dúvida sobre tal merecimento desaparece quando você realmente assiste à sátira política.

Depois de tantas temporadas aclamadas, a obra estrelada por Julia Louis-Dreyfus encontra grandes desafios em seus episódios finais: fechar a história com chave de ouro, ao mesmo tempo que não consegue mais fugir de fazer paralelos com a conturbada política atual.

Retornando após uma pausa de dois anos, a série acompanha Selina (Louis-Deyfrus) no início de sua nova campanha presidencial, reunindo boa parte da antiga equipe: Gary (Tony Hale), Amy (Anna Chlumsky), Dan (Reid Scott), Ben (Kevin Dunn) e Kent (Gary Cole).

Do outro lado da disputa, Jonah (Timothy Simons) também faz sua agressiva candidatura, enquanto o ingênuo Richard (Sam Richardson) se divide entre as duas campanhas.

Correndo por fora, Mike (Matt Walsh) acaba encontrando emprego como jornalista político, cobrindo toda essa bagunça.

Veep sempre foi uma trama rápida e sarcástica que brinca com limites do absurdo, mas é impossível não sentir o espelho da narrativa virando contra o espectador, a ponto de refletir sobre a sociedade atual dividida pelo ódio.

A história segue centrada numa Selina determinada a fazer tudo pelo poder, ainda tendo os políticos egocêntricos em seu alvo, mas também redireciona parte de sua crítica para a multidão que acaba apoiando tal tipo de comportamento.

E tal visão é feita de forma tão genial, que o roteiro é capaz de fazer referências ultrajantes sobre assuntos sérios, como tiroteio em massa ou o movimento #MeToo.

Em qualquer outra comédia, poderia ser algo para chocar o espectador, mas aqui, é inserido numa situação tão absurda que funciona.

Nos três primeiros episódios, a comédia de David Mandel parece retomar o estilo clássico que a consagrou no início, quando ainda estava sob o comando de Armando Iannucci: uma sátira política sobre poder.

Porém, a narrativa não tem medo de investir num lado quase sombrio, lidando com consequências drásticas das decisões corruptas de nossos protagonistas.

Percorrendo uma linha tênue que equilibra a tensa realidade e ficção genial, o espectador nem consegue prever o que irá acontecer em seu último episódio.

Afinal, não há limites para esse grupo de personagens.

A produção da sexta temporada aconteceu antes da ascensão do presidente norte-americano Donald Trump, mas Mandel não poderia perder a chance de comentar sobre isso na reta final.

Repleto de ignorância e absurdos, o arco de Jonah é uma clara analogia à jornada do ex-apresentador de O Aprendiz, enquanto Amy se transforma numa versão de Kellyanne Conway, diretora da campanha de Trump nas eleições e sua atual conselheira na Casa Branca.

O que alguns podem considerar como uma paródia desnecessária, tais transições fazem sentido para o caminhar desses personagens — ele, um homem imaturo que apela para o ódio a fim de ser percebido; ela, uma mulher nervosa que decide largar quase todo tipo de humanidade, tudo pelo sucesso que não encontra em sua vida pessoal.

O ciclo de Veep é encerrado num quase perfeito episódio final, onde vemos que a tão desejada ascensão de Selina ao cargo mais poderoso do mundo é, na verdade, sua derrocada.

Mesmo após todas as terríveis coisas que a protagonista fez, ainda é possível sentir dor ao vê-la solitária no Salão Oval.

Afinal até seu leal Gary foi atingido por tais consequências (inclusive são magistrais as performances de Deyfrus e Hale).

Graças às suas atitudes egoístas e uma hilária piada com Tom Hanks, o legado de Meyer vem com altos custos.

Mas o curioso é ver como Mendel ainda acredita que o futuro dos EUA e, consequentemente, do mundo pode ser otimista, vide o sucesso de Richard (a pessoa mais bondosa de toda a série) e a forma como Jonah foi afastado do mundo político, mesmo tendo conseguido se tornar vice-presidente — após ser convencido por esporros hilários da protagonista e seu tio Jeff (Peter MacNicol).

Talvez nem tudo esteja perdido, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Mesmo que você não acompanhe a situação política dos Estados Unidos, é possível assimilar as críticas feitas em Veep. O que vemos na tela é o retrato do caos que se tornou um sentimento generalizado pelo mundo, infelizmente.

Seja pela popularidade crescente de Selina nas pesquisas a partir de situações bárbaras, ao mesmo tempo que Richard acaba sendo levado por uma correnteza sem sentido. A narrativa se divide em três núcleos diferentes, mas todos motivados pela mesma falta de responsabilidade humana.

Se o roteiro segue afiado, ele só funciona por conta do talentoso elenco.

Na temporada passada, boa parte deles estavam divididos, mas aqui se reúnem com uma química impagável.

Ao longo dos episódios, alguns personagens transitam entre outros núcleos, mas nada atrapalha o ritmo.

Todos merecem elogios, mas são Chlumsky, Hale, Simons, Walsh, Richardson e Clea DuVall (como Marjorie, nora/ex-segurança de Selina) quem roubam grandes cenas. 

A primeira, inclusive, precisa desenvolver dois arcos desafiadores e bem diferentes ao longo da temporada. 

Dentre as participações especiais, Hugh Laurie (Tom James) e MacNicol (Tio Jeff) são ótimos, mas a Minna de Sally Phillips é incomparável.

Por fim, todos orbitam ao redor de uma grande estrela e Julia Louis-Deyfrus não decepciona.

Depois de Seinfeld e The New Adventures of Old Christine, a atriz construiu uma figura inigualável em Selina Meyer e sabe exprimir tudo que há de melhor (ou no caso, pior caráter) da personagem.

Na reta final, ela ainda consegue surpreender e segurar as frases ainda mais absurdas de sua personagem.

Os conflitos da personagem em "Super Tuesday" e "Oslo", particularmente, mostram o motivo de tanta aclamação.

A forma como transita entre atitudes deploráveis e inesperados momentos emocionais representam como Julia domina o papel, trazendo verdade para uma jornada que, cada vez mais, destrói a humanidade de uma pessoa já imoral.

Ao longo de sete temporadas, Veep nunca teve medo de expor o que há de pior no ser humano, usando a comédia para falar de assuntos complicados.

Obviamente, sua despedida não ia ser diferente e a série solidifica sua marca no gênero, deixando um parâmetro bem alto para aqueles que virão depois, já que é um entretenimento que ataca e mexe com o espectador.

Não sabemos se a mensagem de Veep será o suficiente para mudar nossa caótica realidade, mas definitivamente comprova como a criatividade e o humor são essenciais para refletir sobre a nossa sociedade.

TRAILER DA 7ª TEMPORADA:


FICHA TÉCNICA:

COTAÇÃO DO KLAU:

'O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA': CRÍTICA DA 2ª TEMPORADA

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Série dá destaque aos coadjuvantes e entrega segundo ano sólido
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CRÍTICA:

Quando os primeiros materiais de divulgação da 2ª temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina foram revelados, uma preocupação tomou conta de muitos fãs.

A personagem de Kiernan Shipka aparecia constantemente entre Harvey e Nick, indicando que o novo ano teria mais foco neste triângulo amoroso do que em outros temas.

Felizmente, não é o que acontece.

Embora o romance seja um traço charmoso do seriado, a segunda temporada abriu sua narrativa ao dar espaço aos coadjuvantes e com isso entrega uma segunda temporada sólida, com muitas possibilidades para o futuro.

Desde o começo o seriado deixa claro que a magia estará mais presente do que no primeiro ano.

Se antes os feitiços de Sabrina apareciam pontualmente, aqui ela faz encantamentos para trocar de roupa e ajudar os amigos, como seria esperado de uma bruxa adolescente.

Sabrina também se afasta de sua parte humana e investe na educação como bruxa, o que desenvolve o arco do Sumo Sacerdote Blackwood e seus preconceitos.

Ainda na primeira temporada, quando o mundo bruxo de Sabrina foi apresentado, ele parecia de certa forma mais desenvolvido do que a realidade dos mortais.

Como é mostrado no episódio de Dia dos Namorados desta temporada, a sexualidade e os desejos não são vistos aqui como algo ruim - aliás, o envolvimento físico entre os jovens é até estimulado, o que faz os tabus sobre sexo no mundo humano parecerem bobos e sem sentido.

Só que toda essa pseudo liberdade é carregada de sexismo e machismo, mostrados principalmente na figura de Blackwood.

Desde o começo, o Sacerdote deixa claro que não gosta dos questionamentos de Sabrina e vê na garota um potencial perigo, alguém que poderia dar voz aos que não eram ouvidos.

Mas nesta temporada o sexismo de Blackwood fica mais claro quando ele implanta um novo conjunto de regras que beneficiam os bruxos e relegam as bruxas para ensinamentos mais “femininos”.

Tudo isso ainda vai além com a narrativa de Zelda Spellman.
Devota do Senhor das Trevas, Zelda sempre foi a tia com a personalidade mais forte e irônica.

Só que quando se submete a Blackwood, ela dá espaço para uma mulher sem personalidade, vestida sempre de rosa e pronta para agradar ao homem em todos os momentos.

O paralelo com um relacionamento abusivo se torna ainda maior quando ela diz que lhe foi tirado o direito de escolha e ela sabia, mas não tinha forças para enfrentá-lo.

Zelda ficou presa dentro de si mesma, como muitas pessoas ficam em relacionamentos.

Essa narrativa que faz paralelos entre eventos fantásticos e relações tóxicas funciona muito bem porque tudo se encaixa de forma natural.

É por este caminho que segue o desenvolvimento de Mary Wardwell.
A vilã que guiou os passos de Sabrina para o mal na primeira temporada ganha novas camadas no segundo ano.

A explicação de sua identidade e a revelação de suas origens mostram como Wardwell se tornou devota do Senhor das Trevas, mas foi deixada de lado por ele.

Ao relatar um desses momentos, a personagem diz que “ele era bom e carinhoso no começo”, apenas para depois assumir uma postura de dominação que também manteve Wardwell presa em uma situação que ela não queria.

Ao perceber todas essas mensagens nas entrelinhas, fica claro que o roteiro foi escrito minuciosamente para ser atual sem fugir de sua narrativa principal.

Se todos os pontos citados acimas já tornam a série interessante, a segunda temporada fica ainda melhor com a história de Susie Putnam.
A personagem passa por um arco de transformação importante, que é retratado de forma muito delicada.

A maneira como Susie fala de seu próprio corpo e do modo como se vê é tocante e potencializada por Lachlan Watson, o ator não-binário que interpreta a personagem.

Na língua portuguesa é difícil fugir dos pronomes “ele” ou “ela”, mas a história de Susie e a atuação de Watson vão além disso e mostram que, mais importante do que se definir de uma forma ou de outra, é ser feliz em sua própria pele.

E se Susie passa por um arco de transformação sobre o que a define, o mesmo vale para Sabrina.
Dividida entre o mundo mortal e o mundo mágico, a protagonista se sente deslocada em vários momentos da segunda temporada, o que a faz transitar entre esses dois núcleos.

Isso também aconteceu na primeira temporada, mas a dualidade aqui aumenta porque Sabrina explora ainda mais suas origens e confronta os planos que o Senhor das Trevas tem para ela.

Tanto Sabrina, quanto Susie, Prudence, Ambrose, Zelda e vários outros personagens tomam decisões difíceis nesta temporada.

Todos eles erram ao deixar a raiva ou a esperança ditar suas decisões.

Este, acima de tudo, é o tema principal dos novos episódios.

Sempre há uma escolha e toda escolha terá consequências, para o bem ou para o mal, mas não há como fugir das escolhas ou ter 100% de certeza delas.

O melhor a fazer, sendo bruxa ou humano, é decidir qual caminho tomar e enfrentar as consequências.

Ao amarrar todos esses pontos em uma narrativa coesa com seu próprio universo, a série felizmente não se tornou apenas uma trama adolescente fantástica com dramas amorosos.

O amor está presente, e inclusive é muito importante no gancho deixado para a terceira temporada, mas não define o seriado, nem seus personagens.

O amor é apenas mais um ingrediente na incrível mistura que se tornou esta produção da Netflix e agora é esperar que a próxima temporada se mantenha tão interessante e impecável quanto esta.

RELEMBRE O TRAILER DA SEGUNDA TEMPORADA:


FICHA TÉCNICA:
O Mundo Sombrio de Sabrina
STATUS:
Em andamento (2018- )
CRIADO POR:
Roberto Aguirre-Sacasa
DURAÇÃO:
2 temporadas

COTAÇÃO DO KLAU:

'LUCIFER': SHOWRUNNER EXPLICA FINAL CHOCANTE DA 4ª TEMPORADA

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A 4ª temporada de Lucifer mal chegou na Netflix e os fãs já estão nervosos com o final chocante da série
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Na cena final, vários demônios surgem em Los Angeles com a intenção de convencer seu rei a voltar para casa

Para impedir que o grupo levasse o sobrinho em seu lugar, Lucifer (Tom Ellis) diz adeus a Chloe (Lauren German) e retorna com seus discípulos para o Inferno.

Em entrevista a Entertainment Weekly, os showrunners Joe Henderson e Ildy Modrovich falam sobre o grande momento entre o Diabo e a detetive:

"Nós definitivamente sabíamos que ele voltaria para o inferno, então queríamos que Chloe concluísse o círculo da personagem, que foi de 'Eu não sei se posso aceitar essa pessoa com esta nova informação' [de que ele é o Diabo]' e termina com 'não só posso aceitá-lo, como também o amo'. E se você assistir de novo, Lúcifer não diz as palavras reais [Eu te amo]. Podemos apenas estar guardando isso".

Vale lembrar que o cancelamento de Lucifer pela Fox causou uma das mais fortes campanhas de salvamento nos últimos anos, realizada pelos fãs nas redes sociais.

Nem todas dão certo, mas após a gigantesca comoção da hashtag #SaveLucifer, a Netflix acreditou que a série merecia ser resgatada.

E deu certo: se a Netflix não divulga a audiência de suas séries, já se sabe que a  4ª temporada tem sido um estrondoso sucesso do streaming, principalmente na função 'baixar no smartphone para assistir depois'.

LEI ANTI-ABORTO DA GEORGIA: MAIS ESTÚDIOS VÃO ABANDONAR ESTADO SE LEI FOR APROVADA

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Ao menos quatro grandes estúdios já ameaçaram deixar de filmar no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, se uma nova legislação que dificulta o aborto entrar em vigor
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Em nota, a Universal Pictures disse que espera que essas leis enfrentem "sérios desafios legais" e não entrem em vigor "enquanto essas ações continuarem nos tribunais".

"Se qualquer uma dessas leis for ratificada, isso terá um forte impacto no processo de tomada de decisão dos lugares onde produziremos nosso conteúdo futuro", acrescentou a nota.

Na quarta, a WarnerMedia – dona da HBO, CNN e estúdio Warner Bros – anunciou que vai reconsiderar filmar futuras produções no estado da Geórgia.

A posição fez coro às declarações do diretor executivo da Disney, Bob Iger, que afirmou à Reuters na quarta que seria “muito difícil” manter a produção cinematográfica no estado se a proibição do aborto fosse mantida.

“Eu acho que muitas pessoas que trabalham para nós não vão querer trabalhar na Geórgia, e nós teremos que respeitar suas posições”, afirmou.

"Agora estamos observando tudo com muito cuidado" - completou.

A Netflix havia anunciado no início da semana que reconsideraria seu investimento total na Geórgia - onde filmou suas séries originais Stranger Things e Ozark - se a lei sobrevivesse aos impedimentos legais.

“Temos muitas mulheres trabalhando em produções na Geórgia, que terão seus direitos severamente restringidos por essa lei”, disse o diretor de conteúdo da plataforma, Ted Sarandos, na terça.

ENTENDA O CASO:

O estado norte-americano da Geórgia oferece incentivos financeiros generosos para incentivar a produção de filmes e programas de TV no estado e se tornou um centro popular no audiovisual.

A Disney filmou vários de seus maiores sucessos recentes por lá - incluindo Vingadores: Ultimato e Pantera Negra.

A Turner Broadcasting, uma subsidiária da WarnerMedia do ramo de notícias e séries, tem sede em Atlanta, a maior cidade da Geórgia.

Em discussão, a lei proibiria o aborto quando o médico pudesse detectar um batimento cardíaco fetal – o que costuma acontecer perto da sexta semana de gravidez.

Em resposta à lei, a Associação Cinematográfica dos Estados Unidos apontou que legislação semelhante foi contestada em outros estados.

"O resultado na Geórgia também será determinado através do processo legal", disse a organização.

"Continuaremos a monitorar os desenvolvimentos".

Os políticos da Geórgia não são idiotas: sabem que se essa lei for aprovada, a produção audiovisual do estado será zero.

Vamos aguardar.

Foto do Topo: cena de 'Stranger Things' filmada na Geórgia - Netflix