segunda-feira, 6 de novembro de 2017

'COISA MAIS LINDA' É A NOVA SÉRIE BRASILEIRA DA NETFLIX

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O novo projeto é um drama de época ambientado no Rio de Janeiro da década de 1950
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Nova série brasileira da Netflix, 'Coisa Mais Linda' será um drama de época ambientado entre 1950 e 1960, durante o surgimento da Bossa Nova no Rio de Janeiro e a revolução cultural instigada pelos movimentos.

O romance vai girar em torno de Maria Luiza, uma mulher conservadora de uma família de São Paulo que sempre dependeu muito do pai, Ademar, e do marido, Pedro.

Quando o esposo desaparece sem deixar pistas, Maria Luiza decide ir até o Rio cuidar do restaurante que ele iria inaugurar.

É então que sua vida dá uma guinada, pois ela entra em contato com ideias progressistas e feministas, e transforma a propriedade em uma casa noturna dedicada à Bossa Nova, contrariando as ideias do pai e tudo o que viveu até então.

Criada por Heather Roth e Giuliano Cedroni, 'Coisa Mais Linda' terá roteiro de Pati Corso e Leo Moreira, com produção executiva de Beto Gauss, Francesco Civita e Caito Ortiz.

O projeto é da Prodigo Filmes em parceria com a Netflix.

"Estamos ansiosos para continuar investindo na incrível narrativa que o Brasil tem para oferecer", disse Erik Barmack, VP de conteúdo original internacional da Netflix.

"Além de ser ambientada em uma época vibrante na cultura brasileira, a série conta uma história mais ampla sobre a autodescoberta, a busca dos sonhos e a emancipação das mulheres, temas incrivelmente relevantes para o nosso público tanto no Brasil quanto no mundo."

Ainda sem elenco anunciado ou previsão de estreia, 'Coisa Mais Linda' começa a ser filmada em 2018.

A primeira temporada vai contar com oito episódios.

A Netflix confirmou também o lançamento da segunda temporada de '3%' em 2018, além da série 'O Mecanismo' - de José Padilha e estrelada por Selton Mello - e 'Samantha!' - sitcom com Emanuelle Araújo e Douglas Silva.

'GREY'S ANATOMY': MAIS UMA ATOR DO ELENCO DEIXOU A SÉRIE

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Quem vai sobrar no final de 'Grey's Anatomy'?
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O mais recente episódio do drama médico de Shonda Rhimes foi o último do ator Martin Henderson.

O episódio mostrou seu personagem, Nathan Riggs, que estava na série desde a 12ª temporada, se mudando para Los Angeles junto a Megan (Abigail Spencer).

O ator Martin Henderson, em cena da série - Divulgação

Em declaração oficial, Shonda Rhimes comentou:

"Eu amei poder dar a Riggs um final feliz digno do personagem e do seu talento. Quanto a Martin, este não é o fim da nossa relação. Ele tem sido uma parte da família Shondaland desde o piloto de Inside the Box e sempre será da família. Mal posso esperar para encontrar um novo projeto em que possamos trabalhar juntos no futuro."

'STRANGER THINGS': SEGUNDA TEMPORADA PREFERE NÃO SER APENAS POP E SIM CONTAR UMA BOA HISTÓRIA

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A série da Netflix decidiu apostar menos na nostalgia e mais em sua própria mitologia, ampliar o seu universo e transformar o mundo invertido em um lugar ainda mais sombrio
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'Stranger Things' também explora melhor os personagens, focando no trauma que as crianças sofreram após os eventos aterrorizantes do ano anterior, assim se libertando de depender apenas de referências e do clima 'anos 80' para encantar.

Assim, a primeira cena da temporada, que mostra uma perseguição policial em Pittsburgh, já mostra que o mundo é muito maior do que a pequena cidade de Hawkins - e as implicações dessa cena são enormes.

A novidade aqui é a chance de explorar melhor relacionamentos, personagens e o próprio mistério.

Como a primeira temporada girou em torno do desaparecimento de Will (Noah Schnapp), a urgência era grande e as emoções estavam sempre à flor da pele, com isso, eram poucas as chances para esse desenvolvimento.

Sem uma crise eminente, o programa tem espaço para explorar melhor os personagens e criar tensão aos poucos, de forma mais interessante.

Além disso, temos espaço para conhecer novos personagens, como Sean Astin, namorado de Joyce (Winona Ryder) e Sadie Sink como Max, recém-chegada na cidade e rapidamente chama atenção dos protagonistas, para desgosto de Mike.

Tudo começa um ano após a primeira temporada e mostra, praticamente, todos os personagens passando por algum tipo de estresse pós-traumático - mas Will leva a pior, ele tem visões horríveis do Mundo Invertido.

Eleven (Millie Bobby Brown) também não tem vida fácil, mas isso já é esperado, diante de sua origem.

Além disso, Barb não é esquecida e tem uma subtrama focada em Nancy (Natalia Dyer).

David Harbour, que está de volta como o xerife Jim Hopper, consegue ampliar seu personagem de forma atraente e o mesmo vale para Eleven e sua busca por uma identidade própria - de muitas maneiras, se torna o centro da trama.

A montagem, com justaposições inteligentes, mantém tudo entrelaçado e conforme cada história se desenvolve de forma independente, é possível sentir a ligação entre elas.

A ambientação continua um dos pontos altos da série, que nos transporta de volta para os anos 80 com facilidade, e o mesmo acontece com a trilha, cuidadosamente escolhida.

Claro que alguns atalhos da primeira temporada, como a recriação de cenas clássicas de filmes e séries, ainda é algo presente, mas a série mostra uma evolução narrativa clara, mesmo que se aproxime ainda mais das obras de Stephen King, ao introduzir o horror no dia a dia das pessoas.

'Stranger Things' acerta alguns de seus erros da primeira temporada, mas perde parte de seu impacto ao mudar a forma narrativa e desacelerar a ação.

O lado positivo é que a série está mais interessada em contar uma boa história do que em ser tão pop.

O resultado final, é uma temporada que mantém a atmosfera cativante da primeira, é capaz de capturar a atenção do espectador e desenvolve bem a história desses amados personagens, que mais uma vez precisam enfrentar seus piores medos.

Veja o trailer:


SERVIÇO:
'STRANGER THINGS'
Onde:
Netflix

COTAÇÃO DO KLAU:

'THE FLASH': QUARTO ANO RESOLVE PENDÊNCIAS E TRAZ DE VOLTA O BOM HUMOR À SÉRIE

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Com herói de volta após uma breve saída de cena, novas dinâmicas, a volta do humor e vilões inéditos são introduzidos
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Uma das séries de super herói mais aclamadas pelos fãs, 'The Flash' não aguentou ficar 15 minutos sem seu herói principal.

No primeiro episódio da quarta temporada, "The Flash Reborn",  da série que voltou a ser exibida no canal Warner, vemos o retorno de Barry Allen (Grant Gustin) à Central City após sua emocionante partida para a Força de Aceleração e somos apresentados a uma nova Iris West (Candice Patton), bem mais fria do que o público está acostumado e na liderança do time de heróis.

A primeira parte do episódio revela que ela e Cisco (Carlos Valdes) lidam com o luto de forma quase oposta - enquanto a jovem noiva se dedica a trabalhar pela segurança da cidade, fazendo o que Barry pediu em sua despedida, o melhor amigo de Flash passa o tempo empregando recursos em segredo para resgatar o herói.

Contudo, esse momento delicado para os personagens não dura tanto tempo: Barry retorna (Cisco até fez um uniforme novo, mais vermelho e mais próximo ao das HQs), antes que o público consiga sentir sua falta.

É claro que não seria uma tarefa fácil fazer a série funcionar sem o Flash, mas resolver grandes eventos com tanta facilidade faz com que o público se acostume a vê-los cada vez com menos impacto.

Os fãs foram deixados com o coração na mão no fim da terceira temporada justamente por colocar o protagonista do programa em risco real, mas, apenas um episódio depois, com um salto temporal de seis meses, isso foi resolvido.

Ou seja: tudo muito rápido, como o protagonista.

A série podia, de alguma forma, focar na evolução das habilidades - e do superego - do chatíssimo Wally West (Keiynan Lonsdale) ou mesmo mostrar gradualmente as investidas de Cisco em sua missão pessoal de resgatar o amigo.

Seria realmente interessante ver algum esforço dos roteiristas em tratar a saída de cena do herói com a proporção que pareceu que teria no encerramento do último ano - mas como foi escolhido caminho mais óbvio, isso frustrou os fãs da série, que preferiu focar nos efeitos ao longo da temporada do sumiço temporário de Barry do que no evento propriamente dito.

De fato, há muitas questões que ficaram abertas em relação tanto ao tempo que ele passou na Força de Aceleração quanto à sua saída de lá.

No episódio, vemos que Barry volta com os poderes amplificados e, em contrapartida, completamente transtornado.

O rapaz parece ter enlouquecido, passando o tempo rabiscando marcas na parede - a deixa para a piada de Cisco com o filme 'Uma Mente Brilhante' - e falando frases desconexas.

O que se espera, agora, é que as coisas que ele desenhou e disse revelem sua real importância mais para frente na trama.

Analisando as frases, aliás, já dá para deduzir que, em sua mente, passado, presente e futuro estavam completamente embaralhados.

Barry recita a letra da música "Runnin 'Home to You" em um momento, diz uma frase vista no primeiro episódio da série quando está descobrindo os efeitos da noite da explosão do acelerador de partículas (“você falou que a cidade estava a salvo, sem perigo residual”), entre várias outras coisas.

O mais interessante dentre as coisas ditas, contudo, é o que pode ser uma indicação sobre o futuro.

Quando o herói diz “sou inocente…eu não matei ninguém”, pode ser uma referência a história dos quadrinhos chamada 'O Julgamento do Flash', assim como a frase “vamos precisar de mais fraldas” pode ser uma referência aos gêmeos que ele tem no futuro com Iris West.

Cisco e a Sereia realmente formam um ótimo casal e Caitlin parece finalmente controlar sua transformação em Nevasca.

No mais, o bom humor, sempre característico do personagem - e que veremos também no longa 'Liga da Justiça' - retornou à série, que deixou a chatice da terceira temporada (a pior de todas até aqui) para voltar com tramas, diálogos e vilões mais interessantes - chega de outros velocistas, por favor!

Vamos aguardar.

Confira trailer da quarta temporada:


SERVIÇO:
'THE FLASH'
Onde:
Warner
Quando:
Toda quinta
Horário: 
22h30
Reprises:
Domingos

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 4 de novembro de 2017

A DERROCADA DE KEVIN SPACEY: DE GRANDE ATOR A PREDADOR SEXUAL



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Ator teve sua carreira encerrada nessa semana, debaixo de muitos relatos de homens e garotos vítimas do seu lado de predador sexual
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Kevin Spacey dificilmente poderia desejar mais alguma coisa na sua consagrada carreira.

Afinal, o norte americano, de atuais 58 anos, tem uma carreira consagrada, nos palcos, telonas e telinhas.

Dificilmente, outro ator ganhará tantos prêmios como ele em sua carreira:

Oscars da Academia
Melhor Ator
2000 – American Beauty
Melhor Ator Coadjuvante
1996 – The Usual Suspects

Emmys
Prêmio dos Fundadores
2017 - Prêmio honorário

Tonys
Melhor Ator Coadjuvante em uma Peça
1991 – Lost in Yonkers

Globos de Ouro
Melhor Ator em Série Dramática
2014 – House of Cards

Prêmios SAG - Screen Actors Guild
Melhor Elenco em Cinema
2000 – American Beauty
Melhor Ator Principal
2000 – American Beauty
Melhor Ator em Série Dramática
2014 – House of Cards
2015 – House of Cards
2016 – House of Cards

Prêmios BAFTA
Melhor Ator
2000 – American Beauty

Prêmios National Board of Review
Melhor Ator Coadjuvante
1996 – The Usual Suspects

Atualmente protagonista da espetacular série 'House of Cards', primeiro grande sucesso da Netflix como produtora, Spacey já estava filmando a sexta temporada quando o ator Anthony Rapp, no elenco de 'Star Trek: Discovery',  e atuais 46 anos, veio a público dizer que Kevin o havia assediado em Nova York, quando ele tinha 14 anos, em 1986 - Spacey tinha 26 anos.

Anthony Rapp y Kevin Spacey
Anthony Rapp e Kevin Spacey - Variety
Bastou somente essa semana - e Kevin Spacey passou de um dos atores mais respeitados do mundo do cinema, teatro e televisão a pivô de acusações de assédio sexual, com a carreira em frangalhos e pedindo um tempo para se tratar.

Após a primeira acusação - de Anthony Rapp e divulgada no domingo -  Spacey revelou ser gay - e foi duramente criticado por ativistas LGBT, por ter, supostamente, usado sua sexualidade como "cortina de fumaça" para tirar o foco das graves acusações de assédio.

A exemplo do que aconteceu com o produtor de cinema Harvey Weinstein, seguiram-se novas acusações contra o ator.

"Kevin Spacey vai tirar o tempo necessário para buscar diagnóstico e tratamento", informou um representante do ator à revista Variety.

Desde a revelação dos detalhes de como Rapp foi abordado por Spacey ("ele me carregou no colo como um noivo carrega a noiva...então, se deitou em cima de mim"), houve uma rápida sucessão de eventos.

No mesmo dia, Spacey pediu desculpas e assumiu ser homossexual.

Em seguida, vieram as críticas de grupos LGBT - e novas denúncias de assédio, como as do ator mexicano Roberto Cavazos e do cineasta Tony Montana.

"Parecia que o Sr. Spacey se sentia livre para tocar qualquer homem desde que ele tivesse menos de 30 anos", escreveu, no Facebook e no Twitter, o ator Cavazos, relatando que uma de suas supostas estratégias era convidar atores mais jovens para falar sobre a carreira e oferecer um piquenique com champanhe sobre o palco do teatro londrino Old Vic, "maravilhosamente iluminado".

"Cada história variava do quão longe ele ia nesse piquenique, mas a técnica era sempre a mesma", escreveu Cavazos no Facebook.

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Roberto Cavazos e Kevin Spacey
Na terça, a Netflix anunciou que suspendeu as filmagens da sexta temporada de 'House of Cards'.

Especula-se que seu personagem, Frank Underwood, seja morto na atração.

A Netflix também cancelou o filme original 'Gore', que já estava em pós-produção, estrelado por Kevin Spacey.

“A Netflix não se envolverá mais em nenhuma produção de House of Cards que inclua Kevin Spacey”, declarou a rede de streaming em comunicado.

“Vamos continuar trabalhando com a [produtora] MRC durante o hiato para avaliar nossos próximos passos com relação à série”.

No momento, o serviço de streaming estuda produzir séries derivadas de 'House of Cards' – uma maneira de dar continuidade à atração sem seu marcante protagonista.

Em resposta à acusação de Anthony Rapp, Spacey havia dito que não se recordava do caso, pediu suas "sinceras desculpas" e usou a ocasião para assumir sua homossexualidade, gerando diversas críticas negativas.

Na quarta, Spacey, hoje com 58 anos, anunciou que estava saindo de cena para se tratar.

Mas a escalada de acusações continuou e novas denúncias de assédio surgiram.

Em anonimato, um ator afirmou que o astro de Hollywood tentou violentá-lo quando ele tinha 15 anos.

Em uma longa entrevista à revista Vulture, o homem descreve como, aos 12 anos, conheceu Spacey, então com 22, e dois anos depois de uma relação relativamente saudável, Spacey tentou violentá-lo em seu apartamento.

Depois, foi a vez da rede de TV norte-americana CNN revelar que vários integrantes homens da equipe de 'House of Cards' reclamaram do ambiente "tóxico" no set por causa do comportamento de Spacey, marcado por assédio e outros abusos.

Um ex-assistente de produção contou que foi abusado sexualmente quando a ele havia sido designado levar o ator de carro para o set de filmagens.

 Spacey colocou as mãos na calça do rapaz, que ficou sem acreditar no que estava acontecendo.

“Ele era um homem em uma posição muito poderosa na série e eu era alguém muito baixo na hierarquia de lá“.

Assim que eles chegaram no set, Kevin o encurralou e fez um contato ‘inapropriado’ com ele.

“Eu disse a ele: ‘Não acho que eu esteja bem com isso, acho que não estou confortável com isso‘.

Segundo o jovem, o astro ficou “visivelmente nervoso”, fugiu do set e não voltou mais durante o dia.

O alegado abuso ocorreu meses após o assistente de produção queixar-se a um supervisor de que Spacey o estava assediando sexualmente.

Meses depois que o assistente já havia reclamado com supervisor a respeito do comportamento de Spacey, veio o estupro.

"Não tenho dúvidas que este tipo de comportamento predatório era rotina para ele e que a minha experiência foi uma das muitas, e que Kevin teve pouco ou nenhum problema em explorar a sua posição e seu status", afirmou.

"Era um ambiente tóxico para jovens homens que tinham que interagir com ele, entre elenco, equipe e figurantes."

A solução do supervisor teria sido nunca deixar o assistente de produção sozinho com o Spacey enquanto estavam no set.

“Não tenho dúvidas de que esse tipo de comportamento predatório era rotineiro para ele e que minha experiência era uma das muitas e que Kevin tinha poucas dúvidas sobre a exploração de seu status e posição. Era um ambiente perigoso para homens jovens que tinham que interagir com ele“, comentou.

Outros sete membros da equipe confirmaram que também foram alvo dos abusos de Kevin.

Eles descreveram o comportamento de Spacey como "predatório", que inclui toques sem consentimento e comentários rudes com funcionários de produção tipicamente jovens e do gênero masculino.

Um membro da equipe que trabalhou nas 6 temporadas da série disse que o ator habitualmente o assediava e o tocava.

"Ele colocava suas mãos em mim de um jeito estranho. Ele massageava meus ombros por trás ou colocava suas mãos em minha volta, ou tocava meu estômago às vezes de uma forma estranha que em uma conversa do dia a dia não seria apropriado", revelou.

Procurada pela CNN, a MRC que produz “House of Cards’ junto à Netflix, emitiu um comunicado, admitindo que já haviam recebido uma denúncia desse tipo ainda em 2012.

“Estamos profundamente preocupados com essas novas alegações que estão sendo feitas à imprensa sobre a interação de Kevin Spacey com membros da equipe de House of Cards. Como produtora da série, criar e manter um ambiente de trabalho seguro para o nosso elenco e a equipe sempre foi nossa principal prioridade. Reforçamos consistentemente a importância de os funcionários reportarem qualquer incidente sem medo de retaliação e investigamos e tomamos as ações apropriadas diante de qualquer queixa. Por exemplo, durante o nosso primeiro ano de produção em 2012, alguém da tripulação compartilhou uma queixa sobre uma observação e um gesto específicos feitos por Kevin Spacey. Foi realizada uma ação imediata após a nossa revisão da situação e estamos confiantes de que o problema foi resolvido prontamente para o bem-estar de todos os envolvidos“, declarou a empresa.

O serviço de streaming também comentou sobre o caso de 2012: 

“A Netflix foi informada de um incidente, há cinco anos, que foi resolvido rapidamente. Na terça-feira, em colaboração com a MRC, suspendemos a produção. A Netflix não está ciente de outros incidentes envolvendo Kevin Spacey no set. Continuamos a colaborar com a MRC e outras produções parceiras para manter um ambiente de trabalho seguro e respeitoso”.

E Spacey continuou descendo a ladeira.

Em nota oficial, o Emmy explicou que Kevin não receberá mais uma homenagem com o International Emmy Founders Award, no Prêmio Emmy Internacional, em 20 de novembro.

“A Academia Internacional das Artes e Ciências Televisivas anunciou hoje que, à luz dos recentes acontecimentos, não irá honrar Kevin Spacey com o International Emmy Founders Award”.

O Prêmio iria reconhecê-lo como “um dos grandes talentos multidimensionais” que “atravessa as fronteiras culturais para tocar a humanidade”.

De acordo com o “Deadline”, a Creative Arts Agency, poderosa agência de representação de talentos de Hollywood, decidiu pôr fim ao contrato de 8 anos com o astro e a assessora de imprensa de Spacey, Staci Wolfe, também rompeu com o ator.

Depois, o site MasterClass, especializado em oferecer aulas exclusivas de grandes personalidades e artistas que são experts em suas áreas de atuação, cancelou a masterclass que Spacey daria.

"À luz dos recentes eventos, a MasterClass decidiu encerrar as inscrições para as aulas online de Kevin Spacey", declarou a empresa, em comunicado oficial (via Variety).

Composto por 28 vídeos e lançada no início do ano passado, o conjunto de lições de Spacey durava mais de cinco horas e trazia ensinamentos e tutoriais sobre como "se portar em um teste de elenco", aperfeiçoar um monólogo e fazer imitações.

Além disso, usuários premium tinham direito de enviarem performances em vídeo para que o próprio Spacey as avaliasse.

Por fim, o comportamento do ator foi duramente criticado pela Netflix e por Beau Willimon, criador e ex-showrunner de 'House of Cards' - que, por causa dos recentes acontecimentos, interrompeu as gravações de sua sexta e última temporada.

Nesta sexta (03), o jornal londrino The Guardian reportou que a polícia britânica está investigando uma acusação de abuso sexual contra o ator.

O incidente teria acontecido em 2008, quando Spacey ainda era diretor artístico do Old Vic Theatre, em Londres.

A denúncia teria sido feita na última quarta (1º), segundo um porta-voz da Scotland Yard.

“Foi alegado que um homem agrediu sexualmente outro homem em 2008 em Lambeth. Os oficiais do Comando de Agressões Sexuais e Abusos Infantis estão investigando“.

Apesar da polícia não ter confirmado a identidade do agressor, a imprensa britânica (inclusive o The Guardian) acredita que se trate de Spacey.

O porta-voz ainda afirmou que não tinha registro de quaisquer prisões feitas em conexão com a investigação.

A polícia também não quis comentar sobre uma matéria do The Sun, em que um homem, agora com 32 anos, alega que foi abusado sexualmente por Spacey quando foi à sua casa, quando tinha 23 anos.

Na ocasião, o homem teria visitado o astro de “House of Cards” para pedir que ele o ajudasse em sua carreira.

O jornal relata que eles tomaram algumas bebidas e fumaram maconha.

O rapaz teria adormecido e acordado com Spacey praticando sexo oral nele.
Ele pediu que parasse e foi embora após o ator pedir que ele “não contasse a ninguém”.


No sábado (4), o ator Harry Dreyfuss, filho do também ator Richard Dreyfuss, protagonista do clássico 'Tubarão', revelou em uma reportagem ao BuzzFeed News que também chegou a ser assediado por Kevin Spacey.

Dreyfuss revelou que na época tinha 18 anos e estava com o pai, Spacey, e mais algumas pessoas, no apartamento do astro de 'House of Cards', ajudando no ensaio de uma peça de teatro. 

Quando os outros atores não estavam vendo, Spacey teria colocado a mão na coxa de Dreyfuss, o que deixou o jovem bastante incomodado. 

“Eu fui incapaz de entender o que havia acontecido” - revelou o ator.

Para evitar Spacey, Dreyfuss teria mudado de lugar no sofá em que estava, mas ele foi seguido e Spacey novamente colocou as mãos em sua coxa e em suas partes íntimas. 
Harry Dreyfuss confessou que só revelou o ocorrido ao pai anos depois, e que mesmo irritado, Richard Dreyfuss concordou em não levar à história a público.

Agora, porém, graças à recente onda de acusações contra Spacey, Harry parece ter tomado coragem para contar seu caso.

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Harry Dreyfuss e Kevin Spacey - Times
Ainda no sábado, novas acusações de assédio sexual contra Spacey, que incluem até mesmo a exposição de pornografia para um garoto de 16 anos, foram reveladas.

Em uma nova matéria publicada pelo site BuzzFeed News, três homens afirmaram terem sido vítimas do ator, em casos que percorrem os anos 80, 90 e 2000.

A alegação mais assustadora foi feita por Justin Dawes, na época aluno do ensino fundamental.

Segundo seu relato, ele teria conhecido Spacey em 1988, quando o ator estava com 29 anos, estrelando a peça National Anthems, no teatro Long Wharf em New Haven, Connecticut.

Spacey teria convidado a ele e mais outro amigo para assistir ao filme de Roman Polanski, ‘Chinatown‘.

No entanto, ao chegarem ao local, o ator os ofereceu bebidas alcoólicas e exibiu filmes pornográficos aos garotos.

Disse Dawes:

“Todos nós bebemos algo, mas nos questionávamos se outras pessoas viriam. Ele desconversava, dizendo que ninguém mais tinha decidido aparecer. Ele também nunca mencionou sobre esse vídeo pornô que estava passando na TV. Foi extremamente desconfortável. E Spacey sabia da minha idade, isso era bem óbvio. Eu não era daqueles adolescentes que fingem ser mais velhos ou mais legais para se enturmar. O incidente foi vulgar e bem manipulado. Fiquei com a sensação de que talvez eu pudesse dado um pouquinho da impressão errada ao ator”.

O outro caso aconteceu com um jornalista, que preferiu se manter anônimo.

Em entrevista ao BuzzFeed, ele afirmou ter sido vítima de uma série de investidas sexuais do ator, depois de entrevistá-lo para uma revista nacional em Londres, em meados dos anos 2000.

Toda a situação constrangedora aconteceu em uma boate, para qual Kevin o havia convidado.

Na ocasião, os amigos do ator também estavam presentes.

Segundo o relato:

“Ele continuava me tocando entre as pernas e pegando na minha genitália. Eu mudei de lugar e disse algo que achei ser engraçado para desconversar. Mas aí, eu comecei a ficar incomodado e isso ficou bem nítido para ele. Mudei de lugar de novo e ele veio se sentar ao meu lado. Eu estava tentando não tornar tudo aquilo em um escândalo, até porque eu tinha o compromisso de escrever uma matéria sobre ele. Então eu não podia simplesmente dar um soco nele e sair. Mas quando cansei e decidi ir embora, Spacey me seguiu, bloqueando a porta de saída. Ele gritava na minha cara, em uma área distante do espaço principal do bar e com sua face vermelha e cuspes saindo da boca, gritava enfurecido, só porque eu não quis transar com ele. Ele ainda ficava dizendo que na verdade eu queria, mas era covarde demais. Essa era sua tática, foi inacreditável”.

O outro caso relatado na matéria corresponde a Mark Ebenhoch, um conselheiro militar que auxiliava o ator nas filmagens do filme ‘EpidEmia‘.

Segundo ele, o ator teria feito investidas, o intimidando com a ajuda de sua equipe de apoio.

“Seus assistentes me abordaram um dia, me dizendo que eu deveria ir ao trailer de Spacey para vê-lo. Eles me abordaram diretamente e de forma clara, para que eu me envolvesse com Spacey em uma relação sexual. Aquilo me assustou muito”.

Ebenhoch, que hoje é gay assumido, pontuou que na época não havia saído do armário e temia retaliações, por isso havia recusado as investidas do ator.

O militar ainda afirmou ter mantido uma distância maior de Spacey após o ocorrido.

E para encerrar, a Netflix confirmou que a 6ª temporada de ‘House of Cards’ será a última e demitiu Spacey.

Início no teatro

Spacey, que nasceu em Nova Jersey, considerava o também ator Jack Lemmon como "pai adotivo" - foi Lemmon que o introduziu ao mundo das artes cênicas.

Apesar de ter estudado na renomada escola de artes Julliard, em Nova York, Spacey demorou a conquistar fama.

Kevin Spacey en el teatro
Em atuação no palco
Em 1986, quando ocorreu o episódio narrado por Rapp, Spacey atuava na Broadway, em Nova York, na peça 'Longa Viagem Noite Adentro', do dramaturgo americano Eugene O'Neill.

O reconhecimento no cinema veio em 1995, com o filme 'Os Suspeitos', dirigido por Bryan Singer, que rendeu a Spacey um Oscar de melhor ator coadjuvante.

A partir daí, o prestígio que já tinha conquistado nos palcos se estendeu a Hollywood - Spacey se firmou na carreira como ator sério, versátil e confiável.

Em 2000, Spacey ganhou mais um Oscar, dessa vez como protagonista, pelo papel no filme 'Beleza Americana'.

Além do mais importante prêmio do cinema mundial, o ator ganhou um Globo de Ouro e um Tony.

Foi indicado 11 vezes ao Emmy, a maioria das nomeações pelo papel de Frank Underwood em 'House of Cards'.

Ele também dirigiu filmes - 'Ciladas da Sorte' (Albino Alligator, 1996) e 'Uma Vida Sem Limites' (Beyond the Sea, 2004) - e foi diretor artístico do tradicional teatro Old Vic, em Londres, por mais de dez anos.

Fachada do Old Vic em Londres, Reino Unido
Fachada do Old Vic em Londres, Reino Unido - Image caption

O teatro londrino instalou linha telefônica confidencial para receber relatos de assédio envolvendo o ator.

Reservado

Quem conhece bem o ator, diz que Spacey gosta de uma boa conversa e imita atores clássicos como Jack Lemmon ou James Stewart com grande talento.

No entanto, não gosta de falar de sua vida íntima.

Ele convivia com rumores e insinuações sobre sua sexualidade desde que alcançou a fama, nos anos 1990.

Em 1997, foi capa da revista Esquire, que teve o título "Kevin Spacey tem um segredo".

Dois anos depois, na tentativa de dissipar rumores, disse à revista Playboy que aquela reportagem o ajudou a conquistar mulheres que "queriam transformá-lo".

Em 2000, já com o Oscar para Melhor Ator debaixo do braço, disse à apresentadora do programa de televisão americano 60 Minutes que tinha um relacionamento com uma mulher chamada Dianne Dreyer.

Ainda assim, as especulações sobre a vida sexual do ator não pararam - e começaram a aparecer críticas da comunidade homossexual, que o acusava de covardia.

Kevin Spacey segura estatueta do Oscar em 2000
Kevin Spacey segura estatueta do Oscar em 2000 - Getty

Assim como aconteceu com o produtor Harvey Weinstein, acusado de assediar sexualmente atrizes, modelos e funcionárias, as abordagens inapropriadas de Spacey a homens mais jovens não eram exatamente um segredo na indústria cinematográfica.

A decisão da Netflix de suspender a produção de 'House of Cards', série que também é produzida por Spacey, coloca em suspense os próximos trabalhos do artista.

Em dezembro, está prevista a estreia do filme 'All the Money in the World', dirigido por Ridley Scott, no qual Spacey interpreta o milionário J. Paul Getty.

Não se sabe se a produtora do filme alterará os planos de divulgação para o longa disputar o Oscar em 2018.

Robin Wright e Kevin Spacey
Robin Wright e Kevin Spacey, em cena de 'House of Cards' - Netflix

O ator foi uma das primeiras estrelas de Hollywood a apostar no potencial da plataforma de streaming.

Pelo papel do maquiavélico Frank Underwood, Spacey se tornou um dos rostos mais conhecidos e principais promotores da Netflix.

Depois dele, outras estrelas se animaram a investir em projetos exclusivos para a internet.

A posição da Netflix não é fácil.

Já se previa que 'House of Cards' estava com os dias contados desde a saída de seu criador original, Beau Willemont -  e a empresa já estava tendo de lidar com o "pepino" de sua relação próxima com Harvey Weinstein - que já foi expulso da sua produtora, da Academia de Hollywood e do Sindicato dos Produtores.

Um outro escândalo certamente não ajuda a Netflix.

Como não ajudou a indústria do cinema americano outras acusações de assédio contra outras figuras importantes de Hollywood, como o diretor Brett Ratner.

Mas o recado está dado: assédios e abusos, principalmente os sexuais, não serão mais tolerados e serão duramente combatidos em Hollywood.