quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"ABRA SEU CORAÇÃO": UNIÃO DE EMPRESÁRIOS, ARTISTAS E TÉCNICOS DA NOITE, AJUDANDO QUEM PRECISA

Numa cidade que tem como uma de suas piores marcas a desunião, o individualismo e a não preocupação com o semelhante, alguns dos mais poderosos empresários da noite paulistana, reunidos pelo proprietário da casa "Blue Space" - José Victor - provaram ontem à noite que, quando se quer, as diferenças podem e devem ser deixadas de lado, se pensarmos em um bem comum.

O espetáculo "Abra Seu Coração", levado no palco do Teatro João Caetano, na Vila Mariana, e que reuniu uma constelação de estrelas - de Nanny People a Gretta Sttar, de Silvetty Montilla a Thalia Bombinha - em números com excelente coreografia, figurinos, som e iluminação impecáveis, mostrou que nem tudo está perdido na vida LGBT da cidade.

Fotos e Arte Final: Cláudio NóvoaSilvetty Montilla

O espetáculo é promovido todos os anos nessa época do ano, com a única intenção de ajudar quem precisa.

Nanny People

Nesse ano, duas Ongs muito sérias - a Casa de Apoio Brenda Lee, que cuida e abriga soropositivos, principalmente travestis e transex, e a COTIC, que faz um trabalho maravilhoso com crianças com paralisia cerebral - foram as escolhidas para receber a renda do show - os artistas e técnicos, além da produção do evento, doaram seus cachês.

A Diva Gretta Sttar, no número final, uma homenagem a "Hair"

O João Caetano ficou lotado, e muita gente não conseguiu entrar - os ingressos se esgotaram dias antes.

E quem conseguiu entrar, conferiu um espetáculo muito bom, onde se sentia a leveza dos artistas no palco, cientes de sua responsabilidade de fazer um ótimo espetáculo para ajudar quem precisa.

O valor repassado a cada uma das Ongs - R$ 5.600,00 - vai ajudá-las lógicamente, mas esses projetos sérios precisam de dinheiro não só em dezembro, como no ano todo.

No centro do palco, as representantes da COTIC , da Casa Brenda Lee e José Victor, rodeados dos artistas e de todos que doaram um dia de trabalho para que o espetáculo acontecesse

Ajude com o que der. A vida vai agradecer a você, pode ter absoluta certeza.


www.brendalee.org.br
Rua Major Diogo, 779 - Bela Vista
tel:3112.1384
casabrendalee@ gmail.com



www.cotic.org
Rua do Horto, 805 - Horto Florestal
tels: 2261.5797 e 2262.7240
cotic@superig.com.br

Para 2012, José Victor e sua sensacional equipe - responsável pela produção desse lindo exemplo de solidariedade - prometem um novo local, para que mais pessoas vejam o espetáculo e a renda seja, assim, maior.
Toda sorte do mundo ao Victor e equipe - e no que eu puder ajudar, é só me chamar.
*****
Confira mais imagens do espetáculo de ontem à noite:

Fotos e Arte Final: Cláudio Nóvoa




























VIOLÊNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS: O QUE DIZ O CENTRO DE COMBATE À HOMOFOBIA DE SP E O DR. DRAUZIO VARELLA

A região da Sé, centro de São Paulo, é a que registra mais casos de homofobia na cidade.

A informação é do CCH (Centro de Combate à Homofobia), da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da prefeitura, órgão que recebe denúncias de manifestações homofóbicas na cidade.

A região é a única que tem uma alta concentração de casos registrados pelo órgão - os locais com média concentração são Vila Mariana, Lapa, Pinheiros, Butantã, Santana, Penha, Itaim Paulista e Capela do Socorro.

"Esta é só a ponta do iceberg", diz o coordenador geral da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual, Franco Reinaudo.
Ele afirma que o estudo usou apenas os atendimentos do CCH em que agressor, agredido e local da agressão foram identificados.

"Em muitos casos, a pessoa não quis identificar o agressor. Mesmo que denuncie, ela ainda tem receio de, por exemplo, dizer que foi discriminada no trabalho, com medo de perder o emprego", diz.

O levantamento mostra que a maioria dos agressores têm algum tipo de vínculo com o agredido, segundo o coordenador.
Esta característica traz semelhanças entre a agressão contra homossexuais e a violência doméstica contra mulheres, diz Reinaldo.

Outra constatação, para o coordenador do órgão, é de que os agressores contam com a impunidade.
"Você percebe aí uma certeza de impunidade, porque o agredido saberá identificar o agressor", afirma.

Nessa semana, outro agredido pela "gangue da Paulista" veio a público, pois reconheceu seus agressores pelas matérias sobre as que a mídia vem veiculando.

Dessa vez, conta ele, a agressão foi meses atrás na região do baixo Augusta, onde se concentram as casas noturnas mais badaladas da cidade atualmente.

Se você for constrangido ou agredido pelas hordas de selvagens que agem em São Paulo, e que até outro dia praticavam esses atos covardes pela certeza da impunidade, denuncie.

Não se cale; procure o Distrito Policial mais próximo logo após a agressão; exija ser encaminhado para fazer um exame de corpo de delito, que comprovará a extensão das agressões; e procure o CCH:

CCH - Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia
Pátio do Colégio, 5 - Centro - 1º andar
CEP: 01016-040 - São Paulo - SP
Tel.: (11) 3105.4521/ 3106.8780/ 3115.2616
E-mail:
cch@prefeitura.sp.gov.br
Site:
http://bit.ly/cmZ6W3
Horário: das 09h às 18h

Só assim a polícia e a Justiça terão meios legais de punir esses atos de selvageria e discriminação, que continuam a ser praticados com requintes de idade da pedra, em pleno século 21.

*****

VIOLÊNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS
Drauzio Varella
A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados.
Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais.
Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela(ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais?
E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais.
Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica.
Já em 1914, Hamilton publicou no "Journal of Animal Behaviour" um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies.
Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho.
Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante?
Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe.
Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais.

O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade.
Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje.
Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.

Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher?
Se o vizinho dorme com outro homem?
Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?

Dr. Drauzio Varella é um dos mais renomados médicos brasileiros.
Seu livro "Estação Carandirú" - onde ele narra suas experiências com a dura realidade dos presídios brasileiros em um trabalho de prevenção à AIDS realizado na Casa de Detenção de SP - até hoje é um dos mais vendidos, e foi transformado em um ótimo filme pelo cineasta Hector Babenco em 2002.

Artigo publicado pela "Folha de S.Paulo" no último sábado, 4.11.2010.

JOHN LENNON: 30 ANOS SEM UM DOS MAIORES ARTISTAS QUE ESSE MUNDO JÁ VIU

Na noite de 8 de dezembro de 1980, um dos noticiários de rádio da BBC teve início com a seguinte frase:
"O ex-beatle John Lennon foi baleado nesta noite em sua casa em Manhattan...".

O repórter da BBC Tom Brook chegou pouco depois dos tiros, por volta das 11 horas da noite. Quando chegou, a rua em frente ao edifício Dakota, em Nova York, estava isolada, e carros de polícia e algumas pessoas estavam em frente ao prédio.

Minutos antes, Lennon tinha sido levado por um policial para o hospital Roosevelt, próximo ao Dakota.

O médico Stephen Lynn, que atendeu o ex-beatle, conta que segurou o coração de Lennon nas mãos, enquanto as enfermeiras faziam transfusões de sangue.

De acordo com o médico, John Lennon chegou sem sinal de vida no hospital e, por isso, eles abriram o seu peito e Lynn tentou massagear o coração. Mas eles sabiam que não poderiam fazer mais nada.

Lennon já tinha se apresentado em Nova York com os Beatles na década de 1960, e em 1971, ele se mudou para a cidade com Yoko Ono.

Imagem: Arquivos do Klau - edição final: Cláudio Nóvoa
Tom Brook lembra que, logo ao chegar ao Dakota, encontrou o que chamou de uma cena estranha: músicas de Lennon sendo tocadas, e muitas pessoas chorando.

O cantor James Taylor também conhecia Lennon e morava perto do Dakota.
"Ouvi os tiros, cinco tiros", conta Taylor.
O cantor diz que chegou a ser abordado pelo assassino, Mark Chapman, no metrô, um dia antes da morte do ex-beatle.

Yoko Ono precisou de muito tempo até dar sua primeira entrevista depois do assassinato - na época, ela ainda sentia que seu marido não tinha morrido.

"Ele ainda está vivo, ainda está entre nós", disse a viúva de Lennon, em 1982.
"Não se pode matar uma pessoa assim tão facilmente."

Sean Ono Lennon, o filho de John e Yoko, tinha apenas cinco anos quando o pai morreu e estava em casa naquela noite.
O músico afirma que passar pelo dia que marca a data da morte do pai é difícil.

"São 30 anos desde a morte de meu pai e, nesta época do ano, tento cuidar de minha mãe, fazer com que ela se sinta melhor", diz Sean.

O dia 8 de dezembro geralmente é marcado pelas homenagens em todo o mundo a Lennon, mas o ex-beatle provavelmente não aprovaria todas elas - em uma de suas últimas entrevistas, publicada na revista Playboy, Lennon disse que não acreditava em viver no passado.
"Não tenho nenhum romantismo a respeito de qualquer parte de meu passado. Não acredito no ontem. Estou interessado apenas no que estou fazendo agora."

A edição americana da "Rolling Stone" publicou hoje em seu site trechos inéditos da última entrevista de Lennon - feita no dia 5 de dezembro de 1980, três dias antes de sua morte - onde o ex-Beatle lamentou que seus fãs desejassem "heróis mortos".

Nesta entrevista, já publicada em parte logo após a sua morte, ele atacou, com uma rara ferocidade, seus fãs e também os críticos, que não aceitavam a saída do cantor do mundo da música, cinco anos antes.
"O que os fãs e os críticos querem são heróis mortos, como Sid Vicious - baixista do Sex Pistols, morto em 1979 - e James Dean - ator, morto em 1955-".

"Não estou interessado em ser um maldito herói morto (...), então esqueçam, esqueçam", disse Lennon.

E o cantor não excluiu na ocasião uma volta a fazer shows.
"Não é improvável. Mas sem bombas de fumaça, batons ou flashes. Tem que ser agradável. Podemos nos divertir. Somos roqueiros regenerados e vamos recomeçar do zero. Temos muito tempo, não é? Muito tempo".

A entrevista, com nove horas de duração, foi feita três dias antes de Lennon ser assassinado.
Os trechos transcritos do áudio, feito pelo jornalista Jonathan Cott, "foram publicados pela Rolling Stone na edição em homenagem a John Lennon - logo após a sua morte -, mas Cott nunca transcreveu completamente suas fitas cassetes", explicou a revista em seu site.

Há alguns meses, contou Cott, "estava fazendo uma limpeza em meu armário na esperança de encontrar pastas em algum canto esquecido, quando achei duas fitas com os dizeres 'John Lennon, 5 de dezembro de 1980'. Fazia 30 anos que não as escutava e, quando coloquei para tocar, aquela voz incrivelmente tônica e viva começou a falar".

A revista vai publicar a entrevista na íntegra em sua edição da próxima sexta-feira, em uma nova homenagem a Lennon.

E o "Video Show" da Globo prestou na edição de hoje uma linda homenagem a uma das maiores personalidades que esse mundo já viu:

Vários artistas da emissora, como Germano Pereira, Fernanda Souza, Helio de la Peña e Rafael Almeida não só falaram sobre a importância de sua obra, como cantam - cada um do seu jeito - a música "Imagine", que Yoko declarou recentemente que por ela Lennon queria ser sempre lembrado.

Confira:

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

MARCELO MÉDICI: HUMOR, DRAMA E VILANIA, EM DOSES EXATAS DE MUITO TALENTO

A comédia deu notoriedade a Marcelo Médici.
O curioso é que com quase 20 anos de carreira e cerca de 40 espetáculos teatrais no currículo, poucos foram relacionados ao gênero - em 1998, inclusive, chegou a ganhar o prêmio Multishow do Bom Humor por "stand up comedy".

"Depois fui fazer 'A Praça é Nossa'. Adorei e tenho muito orgulho, mas passar muito tempo fazendo a mesma coisa não dá. Quis ser ator para brincar de ser vários", conta.

Em sua terceira novela na Globo, Marcelo se mantém no humor.
Mas na pele do carteiro Mimi, de "Passione", tem possibilidade de mostrar outras faces.

"O Mimi é uma montanha russa de interpretação. Ele tem uma parte dramática, algo de vilania e momentos muito humanos", aponta.

Para alguns atores, interpretar em uma língua estrangeira seria a parte mais difícil de um personagem italiano.
Já para Marcelo, isso não foi um problema.

Divulgação/TV Globo

O ator Marcelo Médici


É a complexidade do personagem que faz desse trabalho o mais difícil de sua carreira na televisão.
"Tenho uma facilidade grande com idiomas. Sinto que as pessoas aprenderam a compreender essa música que é o italiano", analisa.

Quando sai às ruas, ele é constantemente abordado por italianos e recebe boas críticas quanto ao sotaque.
"Sou desconfiado com elogios. Sempre acho que estão fazendo só para me agradar, mas estou feliz com o resultado", garante.

Você tem diversos trabalhos na comédia, como o Zoinho de "A Praça é Nossa" e o Fladson de "Belíssima". O que o Mimi traz de novo para sua carreira?
O Mimi tem um leque muito variado. É uma montanha russa de interpretação, porque não se sabe o que vem. Ele tem uma parte dramática, algo de vilania e momentos mais humanos, mas tudo calcado na comédia. Essa é minha terceira novela, não fiz muita coisa, mas é o papel mais difícil que já interpretei.

Qual o traço você considera mais complexo no personagem?
É essa questão de ele ser apaixonado tão loucamente pela Agostina. Acho difícil compreender essa paixão. Tive essa obstinação na minha carreira. Mas nas relações interpessoais, sejam de amizade ou amorosas, acho difícil uma pessoa ser tão maluca por outra que diz que o não quer. É quase uma loucura. Mas, do ponto de vista do ator, é lindo, é poético. Ele enganou o diabo por causa dessa mulher, vendeu a casa para ir atrás dela no Brasil. Isso é bonito.

Como foi o processo de composição para interpretar o Mimi?
Eu foquei mais na característica italiana. Procurei entender o que é um italiano. Eles são mais quentes, mais intensos, são dramáticos. Não procurei assistir nada para inspirar. O engraçado é que só depois de algum tempo gravando a novela, quando o Mimi já estava esboçado, fui assistir "A Vida é Bela". Tem também a música "Be Italian", do musical "Nine", que fala do que é ser italiano, que é ser gentil, tratar bem uma mulher, ser apaixonado.

Em seus quase 20 anos de carreira, você ficou conhecido principalmente pelos trabalhos cômicos. Alguma vez temeu em ficar tachado como ator de comédia?
Realmente é muito chato isso de fulano faz comédia, sicrano é ator dramático. Não sofro com isso porque estou de bem com a comédia. Já tive essa crise há algum tempo. Como fiz alguns trabalhos cômicos de sucesso, acaba dando essa impressão de que só faço comédia.

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Matéria de Natália Palmeira - Pop TV

ELIAS GLEIZER AGUARDA REVIRAVOLTA EM SUA PERSONAGEM DE "PASSIONE"

O jeito calmo de falar e o sorriso discreto não escondem o bom humor de Elias Gleizer.
Seja sobre "Passione" ou si mesmo, o ator não perde uma piada sequer.
Talvez por isso, o intérprete do motorista Diógenes da novela das oito, tenha ficado marcado pelas figuras simpáticas que interpretou na TV, que vão desde avôs bonzinhos até uma legião de religiosos.
"Estive em uma onda de só fazer padres. Mas aí, não consegui ser bispo, não tive nenhuma promoção nem nada. Então, pedi para não interpretar mais padres", lembra, entre risos.
"Já fiz um vilão, daqueles bem terríveis", frisa.
Com 50 anos de carreira e mais de 40 novelas no currículo, chega a ser difícil citar qual trabalho foi o mais marcante.
"Tudo aquilo que passou, já foi. Meu personagem favorito é sempre o último. Atualmente, o Diógenes é o que eu tenho mais carinho. Acho o máximo", garante o ator de 76 anos.

Foto: Jorge Elias Jorge/CZN

o ator Elias Gleizer

Com tanta experiência, Elias não é do tipo de ator que faz composição de personagem.

Para ele, em uma obra aberta como uma novela, esse tipo de trabalho chega a ser uma perda de tempo.

"Quando o ator é escalado para uma trama, ele recebe uma sinopse. Depois do quinto capítulo, pode jogar fora, porque o personagem já não é nada daquilo que estava escrito", diverte-se.

Em uma trama cercada de mistérios, onde a cada capítulo um novo personagem pode ser uma vítima ou o assassino, então, as mudanças são inevitáveis.

"Ainda dou corda. Coloco uns olhares para que o telespectador se pergunte o que está acontecendo", revela.

Divulgação/TV Globo

Diógenes (Elias Gleizer), Antero (Leonardo Villar) e Brígida (Cleyde Yáconis) em "Passione"

E o mistério se mantém nas ruas.

Tanto que, quando é abordado por espectadores, Elias é sempre sabatinado com perguntas sobre quem matou o Saulo, personagem de Werner Schünnemann, e qual o segredo de Brígida, vivida por Cleide Yáconis.

Mas o ator faz questão de manter o clima de suspense.

"É segredo e segredo a gente não conta. A relação dele com a Brígida é mistério para todo mundo. Eu tenho a impressão que é segredo até para o autor da novela", ressalta ele, que ainda espera que Silvio de Abreu guarde uma reviravolta para Diógenes.

Em 50 anos de profissão, você já interpretou tipos muito simpáticos e até vilões na televisão. Como é trabalhar em uma trama de mistério?
Eu adoro trabalhar com mistério. E ainda dou corda! Coloco uns olhares em cena, para que o telespectador pense "o que está acontecendo?". Quando saio às ruas as pessoas me perguntam qual o segredo da Brígida, quem matou o Saulo... O duro é quando não falam nada, quando você passa e ninguém te conhece.

Você estreou na TV em 1959. Qual a maior diferença na forma de fazer novelas hoje em dia?
O que mudou foi a tecnologia. Hoje, existe uma preocupação muito grande com detalhes e não com o lado artístico. Por exemplo, hoje, o cantor que não tem voz pode cantar, porque a tecnologia melhora a voz dele. Na atuação também. Tem gente que sai do "Big Brother" e quer se tornar ator.


Muitos atores veteranos reclamam da falta de trabalho na televisão por conta da idade. Você sente essa dificuldade?
Em 2009, gravei "Caminho das Índias" e este ano estou em "Passione". Estou sempre no ar, então quer dizer que não falta, né? O que eu sempre digo é o seguinte: você não pode ser astro de uma novela só, assim como não pode ser um cantor de uma música só. Tudo depende da dedicação das pessoas.

Aos 76 anos e mais de 50 personagens no currículo, qual a sua motivação para continuar atuando?
Cada personagem é uma novidade. Quando recebo uma sinopse, vou descobrindo como é o papel e trabalhando o personagem, sempre tem uma característica que me faz dizer "puxa, que legal". Isso é o que me entusiasma. É poder sempre fazer algo diferente.

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Matéria de Natalia Palmeira - Pop TV

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A SEMANA ILUSTRADA

O ministério da Dona Dilma, o Wikileaks, o segredo do Gerson e o Rio de Janeiro são os temas de hoje.
Confira:









DOCUMENTOS PÚBLICOS PODEM FICAR ETERNAMENTE LONGE DOS OLHOS DA SOCIEDADE

Pessoal:

A melhor coisa que aconteceu nesse final de ano foi sem dúvida o site Wikileaks, aquele que divulga documentos sigilosos e correspondências diplomáticas, e que colocam na luz da verdade todos os conchavos, abusos e imaturidade dos poderosos, principalmente os estados Unidos.

Aqui no Brasil, nossos governantes resolveram apostar no contrário; Aqui, documentos do governo podem ficar eternamente sem serem conhecidos.

Fernando Henrique Cardoso - nossa querida tia véia invejosa da janela - institucionalizou o sigilo eterno.

Luiz Inácio até ensaiou uma mudança, que ficou só na promessa, pois terminará seu mandato sem eliminar essa anomalia brasileira.

Isso quer dizer que, nos 16 anos da retomada do Estado Democrático de Direito no país, com tucanos e petistas no comando, não avançarmos um milímetro nessa área.

Aqui no Brasil, certos documentos públicos podem ser classificados como sigilosos por um período, que depois é renovado indefinidamente.

Quando estava na Casa Civil, Dona Dilma enviou ao Congresso um projeto de lei que previa direito de acesso a informações públicas, e reduzia os assuntos dos papeis onde o segredo seria eterno.

A Câmara dos deputados, surpreendentemente teve coragem, e eliminou de uma vez essa cultura do subterrâneo - e o texto do projeto passou então a determinar que o prazo máximo de segredo seria de 25 anos, renováveis por uma única vez.

Não é o ideal, mas representava um grande avanço, já que nenhum documento ficaria mais de 50 anos fora dos olhos da sociedade.

Só que, como geralmente acontece, quando o projeto chegou ao Senado, como a mula da piada, empacou.

O Ministério das Relações Exteriores e o da Defesa querem manter a possibilidade de segredo eterno, para que, não se sabe.

No final de seu mandato, Luiz Inácio poderia ter dado uma ordem para que a lei fosse aprovada, e passaria para a história com o presidente que produziu a maior abertura de papeis públicos desde o descobrimento do país.

Mas esse não é o perfil do nosso presidente-vaselina, né?

O presidente preferiu não arbitrar, e a decisão final sobre o rumo desse projeto ficará nas mãos de Dona Dilma a partir de janeiro, quando assumir o Palácio do Planalto.

O mundo vê, neste início de século 21, vazamentos em massa de informação - já são 85 os países com alguma legislação que facilita o acesso a dados públicos.

Não faz sentido o Brasil continuar empacado, cultivando tamanho atraso como a regra do sigilo eterno.

Até segunda!

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Confira essa postagem, também em Vídeo HD, já postado no YouTube:

domingo, 5 de dezembro de 2010

RECORD HOMENAGEIA SILVIO SANTOS, ATACA A GLOBO E PROMOVE "A FAZENDA"


Os 80 anos de Silvio Santos - que ele completa no domingo, 12 de dezembro -ganharam comemoração antecipada, uma semana antes, na Record.

A emissora dedicou longos 45 minutos de sua programação de hoje para homenagear o concorrente, e aproveitou para alfinetar a Globo e promover o seu reality show, “A Fazenda”.

Apresentada por Marcelo Rezende, dentro do “Domingo Espetacular”, a reportagem chupou tudo de uma uma fonte oficial - a biografia “A Fantástica História de Silvio Santos”, de Arlindo Silva - para reencenar, com a ajuda de um ator, passagens da infância do apresentador, em particular sua experiência como camelô no centro do Rio de Janeiro.

A quebra do Banco PanAmericano, mencionada no início e no final da reportagem, foi tratada como um fato menor na trajetória de Silvio.

“O que é um banco para quem tem um império?”, perguntou Rezende na abertura.

Com autorização do SBT, a Record entrevistou Jorge Assis de Souza, o funcionário responsável por fazer os “aviõezinhos” de dinheiro que Silvio Santos atira para a plateia.

Ele tem 80 anos, trabalhou na Rede Globo, onde foi contra-regra, e está desde 1981 com Silvio. Pergunta do repórter: “Qual é a diferença do Silvio Santos para o Roberto Marinho?” E "seu" Jorge: "O Silvio é muito próximo dos funcionários. Já o Marinho, eu só via de longe..."

Em outro momento sem noção, Sergio Mallandro deu um breve depoimento sobre o ex-patrão - disse que encontrou Silvio recentemente, e que conversaram sobre a sua participação na terceira edição da “Fazenda”.

Mallandro teria dito que, após a eliminação, estava desempregado e precisando de dinheiro, e Silvio teria respondido que também estava na “penúria”.


Mallandro encerrou, aparecendo com a mala que os participantes do reality carregam ao sair do programa e disse, dirigindo-se a Silvio: “Vamos para a ‘Fazenda 4’, de repente ela te salva”. Sen-sa-cio-nal!

A muitos anos apresentando programas policiais - e atualmente uma das maiores audiências da Record-RJ - o deputado Wagner Montes deu um depoimento sobre a ajuda que recebeu de Silvio Santos quando perdeu uma perna num acidente automobilístico.

Chorou ao falar do ex-patrão - Wagner foi um dos jurados de um dos programas mais lembrados de Silvio - o "Show de Calouros" - e não foi o único: até a ex-cunhada, casada com o irmão da primeira mulher de Silvio - Cidinha, que morreu de câncer em 1977 - chorou ao falar dele.

O programa também abordou rapidamente dois episódios importantes na história da televisão brasileira: a relação de Silvio com a Rede Globo - onde se consagrou, mas posteriormente teve dificuldades, por não se enquadrar no padrão de qualidade que a emissora, sob o comando de Boni, ambicionava alcançar - e a luta do empresário para conseguir o seu próprio canal de televisão, o que incluiu, a certa altura, a compra de 50% das ações da Record - anos depois de conseguir a concessão da TVS do governo militar, Silvio vendeu sua parte da Record para o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Hoje maior que o SBT, a Record homenageou o concorrente num tom que, em alguns momentos, esteve mais próximo de um "Memória" aqui do blog, do que de uma comemoração.

“Silvio Santos sempre esteve, e sempre estará, no coração de milhões de brasileiros”, disse Marcelo Rezende, ao encerrar o programa - segundo dados divulgados pela Record, a emissora ficou em primeiro lugar em audiência durante a exibição da reportagem.

Ainda nesse domingo, horas antes de embarcar para os EUA - onde participará de uma feira de comunicação em Los Angeles, e depois, já na sua casa da Flórida, comemorará seus oitenta anos em família - Silvio Santos foi taxativo em afirmar que, nem o Banco Panamericano, nem o SBT - as duas empresas mais vistosas do seu império - estão à venda.

Toda sorte e saúde para o Silvio, para mim a maior personalidade da TV Brasileira, de todos os tempos.