sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"MINHAS MÃES E MEU PAI": FAMÍLIA ANTI-MALAFAIA

Para horror dos Malafaia de plantão - e de outros menos votados, saídos diretamente da Era Medieval - a família contemporânea mudou, as dinâmicas familiares continuam as mesmas, mas os membros que as compõem são diferentes, como bem mostra a estreia
"Minhas Mães e Meu Pai".

Na comédia de Lisa Cholodenko - de "Laurel Canyon - A Rua das Tentações" -, a Diva
Julianne Moore - de "Ensaio sobre a Cegueira" - e Annette Bening - de "Beleza Americana" - são um casal de lésbicas, mães de dois filhos, onde cada uma deu à luz um deles, concebidos com inseminação artificial do mesmo pai, Paul - Mark Ruffalo, de "Ilha do Medo".

Fotos: DivulgaçãoAnnette Bening e Julianne Moore, em cena do filme

Escrita por Cholodenko e Stuart Blumberg - de "Tenha Fé" -, esse filme aclamado em diversos festivais tem um olhar inteligente sobre a família, e a forma como pais e filhos se relacionam atualmente.

Joni - Mia Wasikowska, a "Alice" do filme de Tim Burton - acaba de completar 18 anos, é brilhante e vai para uma faculdade de prestígio.

Mia Wasikowska, em cena do filme

Seu irmão mais novo, Laser - Josh Hutcherson, de "Viagem ao Centro da Terra" - um tipo esportivo/desencanado, é quem a convence a procurar a clínica de inseminação para descobrir a identidade do doador - ou seja, o pai dos dois.

Josh Hutcherson, em cena do filme

Quando Paul, dono de um restaurante, entra em cena, a harmonia da família escoa pelo ralo.
Não que tudo estivesse indo muito bem.
O melhor amigo de Laser é uma péssima influência sobre ele, e Joni tem dúvidas sobre estar apaixonada.

À medida que o pai deles começa a tomar contato com os dois, as dúvidas e problemas de cada um afloram, e mostra que as mães, Nic - Bening - e Jules - Moore - não são tão perfeitinhas quanto julgavam.

Nic é uma médica, organizada e controladora, pés no chão, e mantém a família no prumo.
Jules é uma porra louca que já tentou vários trabalhos, mas nunca se satisfez com nenhum deles.
As duas se amam, mas, como qualquer casal, enfrentam crises.

Ao contrário da maioria das comédias, tanto nacionais quanto estrangeiras, os personagens de "Minhas Mães e meu Pai" passam longe de ser meros tipos nas mãos de roteiristas e diretores para efeito cômico, já que, aqui, vemos pessoas reais, lidando com problemas, sentimentos e emoções - Jules e Nic são mães compreensivas, mas que nunca realmente entendem seus filhos.
Cheias de dúvidas, creem fazer o melhor, mas nem sempre se saem bem.

Por isso, a chegada de Paul, num primeiro momento, parece ser uma ameaça.
O que esse estranho quer dos filhos delas?
Ele que, sequer, sabia da existência de Laser e Joni, agora reivindica seus direitos de pai?

Mark Ruffalo, em cena do filme

O detalhe: ele desconhecia isso não por descaso seu, mas porque nunca foi comunicado - o que até faz parte do sigilo nesse tipo de doação.
Quando descobre que tem dois filhos quase adultos, ele tenta recuperar o tempo perdido, pensando em assumir o papel de pai.

Paul na verdade não é o mau da história, mas a sua atitude perante a vida incomoda Nic e seduz Jules, que trabalha como paisagista e está montando um jardim no fundo da casa dele
Mesmo quando a história ameaça jogar todos os demônios dos personagens para cima de Paul, a diretora e Ruffalo sabem que o pai de Laser e Jules não é culpado de tudo.

Sem cair em vícios do cinema independente norte-americano - que parecem colar um selo de aprovação do Festival de Sundance nos filmes -, "Minha Mães e Meu Pai" tem a narrativa conduzida pelos personagens e suas ações, ou melhor, suas escolhas e renúncias.
A diretora Cholodenko dá espaço para que os atores trabalhem, sem que movimentos de câmeras e efeitos de fotografia desnecessários desviem a atenção da trama - o que, em se tratando de cinema americano, já é um achado - e faz um retrato terno e engraçado de nosso tempo, tempos em que criar os filhos parece muito mais complicado do que colocar comida na mesa e pagar as contas.

O elenco reunido, em cena do filme

O filme ganhou o prêmio Teddy, no Festival de Berlim, em fevereiro - conferido ao melhor longa de temática gay -, Julianne Moore foi aclamada no Festival de Roma, e Anette Bening brilhou no Canadá.

Prêmios, aclamações e brilhos merecidíssimos.

Confira o trailer do filme:


*****

"MINHAS MÃES E MEU PAI"
Título original:
The Kids Are All Right
Diretora: Lisa Cholodenko
Produção: Seven Films
Distribuição: Imagem Filmes
Elenco:
Annette Bening
Julianne Moore
Mark Ruffalo
Mia Wasikowska
Josh Hutcherson
Gênero: Comédia Dramática
Duração: Divertidos 106 min.
Ano: 2010
Data da Estreia: 12/11/2010
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
País: EUA
COTAÇÃO DO KLAU:

"RED - APOSENTADOS E PERIGOSOS": VÉINHOS BOTAM PRA QUEBRAR!

Pessoalmente, adoro filmes que contam com um elenco estelar de veteranos, e onde essas estrelas veteranas fazem papéis que não estamos acostumados a vê-las.

É por isso que gostei muito de
"RED - Aposentados e Perigosos".

Nessa comédia de ação - baseada numa graphic-novel da DC Comics - se temos Bruce Willis e Morgan Freeman - já vistos em filmes do tipo - o que dizer de John Malkovich como um perito em explosivos, e mais, de "Dame" Helen Mirren - uma das minhas atrizes "sérias" favoritas - empunhando diversas armas de grosso calilbre, inclusive uma bazuca?

Fotos: Summit/Divulgação John Malkovich, Morgan Freeman e Bruce Willis, em cena do filme


E é com muita química que os quatro são os veteranos do elenco dessa obra, que tem sido comparada a "Os Mercenários" pela crítica internacional.

Comparação injusta - porque aqui ninguém aparece deformado de tanta cirurgia plástica ou aplicação de botox, como Sylvester Stallone naquele filme.
E, justiça seja feita, o filme - que estreia em circuito nacional em cópias dubladas e legendadas - é bem mais divertido.

Para curtir esse filme, por favor, esqueça a trama rasa que une esses personagens - porque não faz o menor sentido e nem é para fazer - que envolve uma perseguição a ex-agentes da CIA interpretados pelo quarteto - que começa com Frank (Willis) fugindo de milhares de balas e levando uma telefonista - Sarah, interpretada por Mary-Louise Parker - a tiracolo, que tem uma vida tão tediosa, que ser sequestrada é um grande evento.

Bruce Willis e Mary-Louise Parker, em cena do filme

Depois, Sarah conhece os ex-colegas de Frank: Joe (Freeman), Marvin (Malkovich) e Victoria (Mirren), todos ex-agentes com suas peculiaridades, e uma história envolvendo um passado comum.

Robert Schwentke - diretor dos bons "Te Amarei para Sempre" e "Plano de Voo" - coordena uma história que, às vezes, parece funcionar por conta própria, exagerando ao máximo na caricatura de seus personagens - o que não é, necessariamente, um problema , quando as piadas funcionam, como aqui.

Malkovich interpreta um sujeito extremamente neurótico, que identifica qualquer pessoa como um assassino em potencial, tornando-se por isso um alvo a ser eliminado.

Já Mirren e Brian Cox são um casal de ex-amantes - ela da MI5 e ele, um russo da KGB - que têm alguns dos melhores momentos do filme, por conta da rivalidade e de acertos do passado que insistem em "empatar" uma possível reconciliação.

"Dame" Mirren, mandando ver!

Enquanto isso, Willis recicla seu personagem mais famoso, John McClane, da série "Duro de Matar" - o que ele sabe fazer soberbamente - e Morgan Freeman é o estupendo ator de sempre.

"RED-Aposentados e Perigosos" é exatamente aquilo que se propõe ser, coisa rara hoje em dia em Hollywood: filmes dispostos a divertir sem qualquer outra pretensão.

Quem não gosta do gênero - tiros e correrias - não vai achar graça nenhuma.
Mas, aos interessados, Willis & companhia têm algo a dizer e mostrar.

E "Dame" Mirren de bazuca? Sen-sa-cio-nal!

Confira o trailer do filme:


*****

"RED-Aposentados e Perigosos"
Título original:
RED
Diretor: Robert Schwentke
Produção: Summit Entertaiment
Distribuição: Paris Filmes
Elenco:
Bruce Willis
Mary-Louise Parker
John Malkovich
Helen Mirren
Karl Urban
Morgan Freeman
Rebecca Pidgeon
Gênero: Ação, Comédia
Duração: Gostosíssimos 111 min.
Ano: 2010
Data da Estreia: 12/11/2010
Cor: Colorido
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
País: EUA
CLASSIFICAÇÃO DO KLAU:

DINO DE LAURENTIIS, PRODUTOR

Dino de Laurentiis foi o maior produtor da Itália do pós-guerra e do neorrealismo, de filmes excepcionais como "Arroz Amargo" - de De Santis - e "A Estrada da Vida" - de Federico Fellini - premiados com um Oscar.

Em Hollywood, produziu desde filmes comerciais a obras primas de toda uma geração de grandes diretores.

Produtor e coprodutor de mais de 500 filmes, com 38 indicações ao Oscar, ele recebeu na cerimônia da Academia de 2001 o prêmio Irving Thalberg pelo conjunto de sua carreira - o prêmio Thalberg agracia os "produtores criativos" e os "trabalhos de alta qualidade".

Fotos: Arquivos do Klau
Dino recebendo o Prêmio Thalberg

Nascido em 8 de agosto de 1919 em Torre Anunziata, na região de Nápoles - sul da Itália -, Agostino, conhecido como Dino, era filho de Aurelio e Giuseppina de Laurentiis, fabricantes de massas.
Cresceu vendendo nas ruas os espaguetes feitos por seu pai.

Ainda muito jovem, ele se inscreveu no Centro de Cinema Experimental de Roma, pensando em ser ator.

Ganhou a vida como cenógrafo e assistente de direção, decidindo, depois, virar diretor de fotografia.

Com apenas 20 anos, produziu seu primeiro filme: "L'Utimo Combattimento" de Piero Ballerini, seguido de "L'amore canta".
A partir daí, nunca mais parou de produzir bons filmes.

Em 1949, já um produtor de sucessos, se casou com a atriz - e Diva das Divas - Silvana Mangano, o grande amor de sua vida, revelada no filme "Arroz Amargo" - de Giuseppe de Santis - que deu a Dino reconhecimento internacional.

Junto com outro famoso produtor italiano, Carlo Ponti - futuro marido da deusa Sofia Loren -, De Laurentiis dirigiu em 1952 o primeiro filme italiano em cores: "Tot² a colori".

Na década de 1950, ele produziu diretores como Roberto Rossellini, cineasta emblemático do neorrealismo italiano, e Eduardo de Filippo e se tornou uma lenda na cinematografia do seu país ao produzir "A Grande Guerra", de Mario Monicelli - com Alberto Sordi e Vittorio Gassman - que levou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1959.

Após "A Estrada da Vida" e "As Noites de Cabíria" de Fellini, ele passou, a partir de 1957, a produzir filmes mais comerciais, como "Guerra e Paz", de King Vidor.

Em 1962, ele ergueu os estúdios de "Dinocitta" no sul de Roma: um vasto conjunto de cenários, escritórios e apartamentos para os atores inaugurado, por John Huston durante a filmagem de "A Bíblia" (1964-1965) e onde seria produzido "O Estrangeiro" de Luchino Visconti, entre outros filmes.
Só que o passo foi maior do que a perna, e "Dinocitta" acabou falindo.

Migrou definitivamente para os Estados Unidos em 1972, porque dizia se sentir muito limitado na Itália.

Em solo americano, De Laurentiis produziu seus primeiros sucessos comerciais: "Barbarella" (1968) - ficção científico-erótica dirigida por Roger Vadim e que trouxe à telona uma Jane Fonda linda de viver.

Cartaz de "Barbarella"

Produziu também o megassucesso "Conan, o Bárbaro" (1982) - que catapultou
Arnold Schwarzenegger ao estrelato.

Cartaz de "Conan, o Bárbaro"

Ao mesmo tempo, produziu excelentes filmes autorais como "Os Três Dias do Condor" (1974) - de Sydney Pollack, estrelado por Robert Redford - e "Veludo Azul" (1986) de David Lynch.

Já perfeitamente adaptado ao ritmo alucinante de Hollywood, foi muito elogiado pela crítica por "Ragtime" (1981), mas outras produções não foram tão bem-sucedidas, como o remake de "King Kong" (1976) - mas que afinal serviu para lançar a ótima atriz Jéssica Lange - e "Duna" (1984) também de Lynch, um fracasso comercial.

Os dois últimos filmes que tiveram a chancela do mítico produtor foram
"Hannibal - A origem do mal" (2007) e "Dragão Vermelho" - uma refilmagem de "Manhunter - Caçada ao Amanhecer", de 2002.

Dino teve quatro filhos com Silvana Mangano, mas após a morte de seu único filho homem - Federico, em um acidente de avião no Alasca em 1981 -, o casal se separou, e o divórcio foi anunciado pouco tempo antes da morte da atriz, em 1989.

Dino casou novamente, pela terceira vez, com a bela loira Martha Schumacher com quem teve mais duas filhas.

A lenda do cinema faleceu nesta nesta quinta-feira em Los Angeles, aos 91 anos.

Uma vida intensa, dedicada ao Cinema.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

FESTIVAL MIX BRASIL COMEÇA HOJE

Com 105 títulos de 28 países, evento exibe filmes que vão da pornografia à arte, além de seminários

Um triângulo amoroso inicia o Festival hoje o Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, que chega à 18ª edição este ano com o slogan: "Você Cresceu, Aliste-se".

"Contracorrente" - longa de estreia do peruano Javier Fuentes-Léon -, é exibido hoje, às 21h, na abertura para convidados no Cinesesc, com a presença do diretor.

O drama se passa na costa do Peru e conta a história de um pescador dividido entre o amor da esposa grávida, e o amante, um pintor libertário - o filme foi premiado pelo público no festival de Sundance neste ano.

A América do Sul ganha destaque na programação, não apenas pela cinematografia sobre o universo de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e simpatizantes, mas também pelas recentes conquistas relacionadas aos direitos civis.

"O casamento gay já foi aprovado na Argentina, e a união civil, no Uruguai; o Chile, o Peru e a Colômbia estão discutindo o tema em seus parlamentos; e a gente, aqui no Brasil, tem candidatos à Presidência demonizando o casamento gay, porque o país é mais conservador mesmo", constata o diretor André Fischer, do site Mix Brasil e à frente do evento desde sua criação.

Destacam-se ainda entre as 105 produções desta edição - 34 longas e 71 curtas, de 28 países - o mais recente filme do espanhol Julio Medem - de "Lúcia e o Sexo" -, "Quarto em Roma", que flagra o encontro sexual entre duas mulheres em um hotel na capital italiana - tem estreia prevista para o próximo dia 19 -, e "Homem no Banho", de Christophe Honoré.

Desta vez, o diretor francês descartou seu ator-fetiche, Louis Garrel, e escalou um astro do cinema pornô gay, o musculoso François Sagat, que na trama é abandonado nos subúrbios parisienses pelo namorado, que se muda para Nova York - Sagat poderá ser visto também no filme de zumbis "L.A. Zombie", de Bruce LaBruce, em sessão amanhã, às 21h, no Cine Dom José, tanto na tela quanto ao vivo (o ator estará presente à sessão).
O Cine Dom José, na Rua Dom José de Barros, centrão de Sampa, é um dos mais antigos e conhecidos pontos de pegação entre homens da cidade. Promete.

A programação completa do evento está em www.mixbrasil.org.br

FESTIVAL POP DE CINEMA: UM OÁSIS NO DESERTO CULTURAL DE ITAPEVA

Nesses dias que passei em Itapeva, um dos momentos de que mais gostei foi ter participado como espectador ao 4o. Festival Pop de Cinema.


Numa cidade onde a cultura é inexistente, um grupo de visionários , tendo à frente o ator
Rafael Primot - que arrasou na terça, no episódio "A Invejosa de Ipanema", de "As Cariocas" - , o ator Daniel Gaggini e o empresário Christiano Chadad procuram levar à cidade todos os anos curta metragens que abordam os mais variados temas.


O evento é gratuito - pede-se apenas para que cada espectador leve um quilo de alimento não perecível, nesse ano doado à entidade Dona Lurdinha.


Fotos: Cristina Cardoso
A fachada da Zoggy 

E os itapevenses lotaram a boate Zoggy - que voltou nessa noite a ser o cinema de minha infância - para conferir e votar nos 6 curtas metragem selecionados pela organização:
"Número 27"; "A História Secreta do Telemarketing"; "Picolé, Pintinho e Pipa"; "O Divino, de Repente"; "O Filme do Filme Roubado"; e "Ao Meu Pai Com Carinho"


O público chegando

Enquanto os votos eram contados, a platéia teve um ótimo bônus: foram exibidos dois curtas, produzidos em dois dias na oficina do Festival, coordenada pelo Diretor Otávio Pacheco, que acabou levando um prêmio especial.


O diretor Otávio Pacheco

Entre as exibições, os intervalos foram preenchidos pela acima da média banda Pink Big Balls, que tocou Beatles, temas de filmes e tem um cantor, João Arantes, pra lá de carismático.


da esq. para a dir.: Daniel Gaggini, Rafael Primot, minha prima Letícia Cardoso Rezende e Eu

O resultado da votação só surpreendeu pelo percentual: 85% dos espectadores elegeram o curta "Ao Meu Pai com Carinho", do diretor e roteirista Fausto Noro, que recebeu troféu e R$ 2 mil.

No palco, visivelmente emocionado, Fausto disse:
"Estou emocionado e muito feliz pelo prêmio. Foi a primeira vez que vi o filme projetado em tela grande. Quero dividir esse prêmio com toda a minha equipe".

No curta - 15 minutos - uma história no começo promete ser policialesca - o sequestro de um jovem - para surpreendentemente descambar para uma comédia de erros sen-sa-cio-nal.
E mais, não conto, vocês precisam ver!


O diretor Fausto Noro, a atriz Marcela Silvestri, Toniolo Neto, o diretor de arte Tiago e, ao fundo, o ator Rafael Primot

E eu, que sempre digo aqui que "um bom roteiro é meio caminho andado para um bom filme", achei o roteiro muito bom, com diálogos precisos e um elenco acima da média, além da direção precisa e segura de Noro.

Não é à toa que o filme já foi selecionado para festivais de cinema no Canadá, Espanha e Alemanha, entre outros.
O itapevense Rafael Primot trouxe para apresentar o Festival deste ano o ator Sérgio Marone.
Nem precisava.

Com patrocínio da Petrobras para o ano que vem - e pelo que o Rafa mostrou de talento em "As Cariocas" - ele já será famoso o suficiente para trazer, sózinho, toda a visibilidade de que o Festival precisa.


A recepção, depois da exibição e premiação: o prefeito não foi!

Festival que não recebe apoio nenhum da Prefeitura de Itapeva - para ir à festa promovida pela organização após a noite de exibição e premiação, sua excelência, o prefeito, sempre dá o ar da graça para encher o rabo de uísque, mas grana que é bom, nada - em tempo: nesse ano, Sua Excelência devia ter muito trabalho, nem apareceu.

Toda a sorte para o pessoal que faz o Festival POP de Cinema de Itapeva acontecer.
*****
Confira a ficha técnica do filme ganhador:
Divulgação

Cena do filme


"AO MEU PAI COM CARINHO"
Direção
Fausto Noro
Roteiro
Fausto Noro
Produção
Nalajefilmes
Elenco
Herbert Bianchi, Marcelo Pacífico,Marcela Silvestri, Ricardo Dantas, Thiago Pinheiro,Thiago Luciano, Thiago Abravanel, Mario Matias.
Fotografia
David Barkan
Montagem
Fausto Noro, Otávio Pacheco
Música
Claudio Moita
Duração
15'
País/ano
Brasil - 2010
Contato:
contato@nalajeJlmes.com.br

CARTUNISTA LAERTE RESOLVEU SE VESTIR E SE MAQUIAR COMO MULHER; AMIGOS FINGEM QUE NADA MUDOU

"Sou a favor de dessatanizar a palavra travesti. Você fala travesti, as pessoas leem traveca, suruba, Ronaldinho, esse mundo de ideias prontas"

"Quando me travisto, uso o repertório consagrado às mulheres. Exploro minha feminilidade, mas não quero convencer as pessoas de que sou mulher"
LAERTE COUTINHO, cartunista


O cartunista Larte Coutinho sempre foi meio porra louca, só para tentarmos usar uma palavra da nossa geração.

Publicado diariamente na "Folha de S.Paulo", o autor de inúmeras tiras de sucesso como
"Piratas do Tietê" e "Hugo" mais uma vez dá um nó dos bons em nossas cabeças.

De uns tempos para cá - como seu personagem Hugo que começou a se vestir de mulher e virou Muriel - começou a se travestir também!

O repórter Ivan Finotti fez uma ótima matéria com Laerte, e é isso o que você vai conferir agora.

*****

Exatamente como na fábula do rei nu, Laerte anda por aí, todos percebem que há algo estranho - errado? diferente? bizarro? - com sua roupa, mas ninguém se manifesta.

Foto: Carlos Cecconello/Folhapress - Arte Final: Cláudio Nóvoa

o Cartunista Laerte Coutinho durante a entrevista e sua criação Hugo/Muriel: igualzinhos!

Pela frente, ninguém fala nada.
Quando ele(a) vira as costas, porém, os amigos e conhecidos se entreolham estarrecidos.

"Será que endoidou?", se perguntam.

Mas, diferentemente do rei, Laerte não está nu. Está vestido de mulher.

Quase sexagenário, o cartunista da Folha Laerte Coutinho decidiu dar vazão à sua feminilidade.

No feriado, um amigo antigo foi à sua casa, no Butantã.
"Eu estava de saia. E olha que não era uma saia austera, como uma jeans (risos)."
"Era uma saia indiana, cheia de babadinhos. Eu tinha acabado de fazer a unha. Ficamos conversando. Acho que ele não é uma pessoa que se incomoda com isso, mas talvez tivesse uma pergunta presa na garganta."

E que pergunta era essa, Laerte?
"Acho que era: "Será que ele está batendo bem?". Pois estou sim. Estou no completo controle de minhas faculdades mentais."

De salto médio, meias coloridas, maquiagem leve e namorada a tiracolo, Laerte chega para dar entrevista à Folha sobre seu novo estilo de vida.

Confira:

Folha - Diversas possibilidades para a mudança do seu estilo de vida passam pela cabeça. A primeira delas é que você pirou, um processo que teria começado em 2005, com a morte de seu filho num acidente de carro, passou pelas tiras da Ilustrada, cada vez mais estranhas, e agora isso. Você está louco, Laerte?

Laerte Coutinho - Eu não me sinto fora do eixo, fora do tom, fora de nada. Comecei a me aproximar do travestimento, ou "cross-dressing", em 2004. Interrompi - e a morte de meu filho tem um peso nisso - e retomei em 2009. Fiz a minha primeira montagem em 2009. Mas as coisas que se evidenciaram [em meu trabalho] a partir de 2005 já estavam ali, latentes, germinando em 2004.

Uma segunda possibilidade é que você se veste porque isso dá tesão.

Não, não é um fetiche sexual. Não é, nem é um tema que me interessa agora. O travestimento é uma questão de gênero, não de sexo. São coisas independentes, autônomas, que nem o executivo e o legislativo. É um erro fazer essa mistura. "Ah, está vestido de mulher, então é viado." "Jogou bola, é macho." E eu que gostava de costurar e de jogar bola?
O que tenho feito é investigar essa parte de gênero. O que tenho descoberto é que isso é muito arraigado, essa cultura binária, essa divisão do mundo entre mulheres e homens é um dogma muito forte. Não se rompe isso facilmente. desafiar esses códigos perturba todo o ambiente ao redor de você.

Mas você é bissexual, certo?

Sou.

E não há ligação entre isso e o "cross-dressing"?

Não.

Você está fazendo isso para espantar o tédio?

Não faço isso porque a vida está sem graça. O problema é a vida submetida a essa ditadura dos gêneros, a esses tabus que não podem ser quebrados. É você sentir que sua liberdade está sendo tolhida, que as possibilidades infinitas que você tem de expressão na vida, ao sair, ao se vestir, ao se manifestar, ao tratar as pessoas, seu modo, seu gestual, sua fala, tudo isso é cerceado e limitado por códigos muito fortes e muito restritos. Isso é uma coisa que me incomoda.

As pessoas aparentam normalidade e tentam não demonstrar um espanto, certo?

Por uma razão: se demonstram espanto, estão ferindo um código de boa conduta intelectual. Demonstram que não são modernos, por exemplo.

E na rua?

Quando eu estou na rua de saia e passa uma kombi e o cara faz "fiu-fiu" pra mim, ele não teve dificuldade nenhuma em fazer aquilo. E eu também recebo de forma muito clara.

Você dá pistas de que vai estar travestido quando vai encontrar uma pessoa que ainda não sabe?

Existe uma tática, um modo de preparar um pouco. Vou na casa de uma pessoa que não conheço, não vou totalmente montado. Questão de bom senso.

Mas você pode ir de homem?

Estou abolindo esses negócios.

Você pode ir sem maquiagem?

Eu estou sem maquiagem. Ops, ah, não, estou com olho pintado! Mas posso, sim, ir sem maquiagem.

Como foi o Natal em família? Com vestido?

Não, não. Só unha mesmo. Não estava nem de bolsa. Acho que foi mais mãos mesmo. Rolou um certo estranhamento com o cabelo. Esse corte feminino, feito pela [minha namorada] Tuca.

Avisou de alguma forma para se prepararem?

Não, fui na louca.

E o Angeli? Você já encontrou o Angeli?

Eu estou dando pra ele! (risos)

Ele vai adorar ler isso!

(Risos) Brincadeira. O Angeli é uma beleza. Achou superlegal. O Angeli é um exemplo de que uma pessoa pode ser completamente hétero e legal.

Como você explica isso para as pessoas?

É como se a vida tivesse me levado a essa circunstância e, quando eu me vi, percebi que aquilo representava uma busca pra mim. Foi mais ou menos isso que senti. Quando vi, comecei a fazer tiras do Hugo virando a Muriel.

O lema do Brazilian Crossdresser Club, do qual você faz parte, é "existimos pelo prazer de ser mulher". Que prazer é esse, Laerte?

Eu não concordo muito com esse lema, porque é uma frase que procura construir uma certa fantasia que eu não partilho. Eu não vou ser mulher nunca. Mas acho que é possível sair na rua e ser aceita como uma pessoa que se veste daquela maneira, que se enfeita e se produz e se apresenta daquela maneira.

*****

Confira três tiras de Hugo/Muriel:



*****

Será que o Laerte não está se vestindo de mulher para lançar a "Muchacha"? , podemos nos perguntar.

"É claro que não", responde ele, sério.

O caso é que, ao mesmo tempo em que se descobria "cross-dresser", Laerte desenvolvia essa novelinha lisérgica, inspirada nos seriados de ação dos anos 50. E com uma personagem travesti.

Das aventuras do Capitão Tigre, que se passa ao vivo em frente às enormes câmeras da época, aos bastidores e às vidas dos atores, acompanhamos uma São Paulo antiga e psicodélica, com morcegos travestis, visitantes do futuro e adolescentes apaixonadas.

Além das publicadas na Ilustrada, o livro tem tiras inéditas e uma nova história com a origem do Capitão Tigre, desenhada por seu filho, Rafael Coutinho.

MUCHACHA
AUTORES:
Laerte Coutinho e Rafael Coutinho
EDITORA: Companhia das Letras
QUANTO: R$ 29 (96 págs.)

*****

Matéria de Ivan Finotti, publicada na "Folha de S.Paulo "

Redação Final: Cláudio Nóvoa

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

KASSANDRA ESPECIAL - LEITORAS DE BOM GOSTO

Hoje, resolvi postar fotos que recebi das leitoras.

Bom gosto, o delas!

Confira:

Fotos: Leitoras do blog














A NOSTRO MUNDO - DOS VELHOS TEMPOS - VOLTOU!

A "Nostro Mundo" foi a primeira boate declaradamente gay de São Paulo, e isso em plenos anos 70, debaixo da ditadura militar.

Localizada a quase 40 anos na Rua da Consolação, quase esquina da Av. Paulista, o espaço começou luxuoso - tinha porteiro de farda vermelha e dourada, e um maitre cubano que durante muito tempo foi o mais assediado de São Paulo, por causa de suas disputadíssimas mesas.

Desde a fundação, era gerenciada pela proprietária Condessa, uma transex maravilhosa, inteligentíssima e muito talentosa, que deu oportunidade a muitos talentos que depois viraram lendas dos palcos paulistanos.

No pequeno palco da Nostro, assisti a uma infinidade de belos shows de transformistas - homens que se vestiam de mulher e cantavam ao vivo, ou dublavam grandes divas.

As personificações eram simplesmente maravilhosas, os espetáculos eram luxuosíssimos, as coreografias, iluminação e figurinos impecáveis, e eram listados em todos os guias turísticos da cidade.

Se você quisesse encontrar um paquera estrangeiro na noite paulistana, a Nostro era o melhor lugar.

A primeira vez que lá fui foi marcante: era o dia do meu 15o. aniversário - incrível, já se passaram 36 anos! - já tinha cara e jeito de adulto e passei fácilmente pelo porteiro de farda vermelha e dourada, imenso.

Só não enganei a Condessa, que me chamou ao seu camarim, disse que eu era um moleque e que, por isso, me "adotaria" para que eu não caísse em roubadas.

Desde então, ficamos muito amigos.
Muitas vezes, eu nem ia à pista da casa, ficava com ela, as demais divas e os bailarinos nos camarins - e minha noite acabava invariavelmente num café da manhã na cobertura dela, a poucos quarteirões dali, na Rua Fernando de Albuquerque.

Na Nostro, acompanhei personificações de divas como Dionne Warwick, Liza Minelli, Judy Garland, Dalida...

As que eu mais me recordo ainda são os espetáculos estrelados pela Condessa, lógico, e uma música de "Victor/Victória (1982) - "Le Jazz Hot" - onde Gretta Sttar estava ma-ra-vi-lho-sa!

Ainda nos tempos da Condessa, a casa adotou um perfil mais popular, mas os espetáculos continuaram lindos.
Era o tempo em que eu ia todo domingo às matinês qu- e tinha uma coisa muito legal e que hoje eu não acho mais em lugar nenhum: uma seleção de músicas lentas, para que a paquera à distância virasse um corpo a corpo bem agarradinho, as conversas fluíssem e os beijos estalassem.
Ê, tempo bom!

A última vez em que ví Condessa no palco: num macacão justo, rosa e bordado de cima a baixo com canutilhos, personificando a atriz e cantora Cynthia Rhodes, numa música da trilha sonora de "Os Embalos de Sábado Continuam/Staying Alive" (1983).

A última vez que lá estive, e senti aquela aura mágica que tanto me encantou, foi num dia de semana, no dia seguinte à morte - prematura - da Condessa.
No palco, uma emocionada Miss Byá deu a triste notícia, e, com a graça de sempre, comandou o show com os artistas e bailarinos da casa - dizendo a famosa frase: "O Show não pode parar".

O Gerente Hugo Lima assumiu a casa, e a decadência começou.
Soube que até shows de sexo explícito e o famigerado "dark-room" a casa agora tinha.
Triste, muito triste.

Ali Cameron/FolhapressPista da Nostro Mundo, primeira boate gay de São Paulo

E não é que, nessa semana, recebo um release, dizendo que a Nostro tem novos proprietários, e que eles tem por objetivo recuperar o glamour e os shows maravilhosos da casa?

Desde a última quinta feira, a Nostro foi reinaugurada com muitas novidades.

Os novos proprietários construíram uma segunda pista, reformaram a principal e gastaram, só em iluminação, R$ 200 mil.
A proposta primeira é retomar a tradição de shows musicais que fizeram da casa uma referência em shows de transformismo.

"Vai ter shows musicais, espetáculos com dançarinos, mas também abriremos o espaço para comédia stand-up e exibição de filmes de curta metragem", conta do DJ Gê Rodrigues, que, com o sócio Igor Calmona, pretende revitalizar a quadra, chamada de "ilha da Paulista".

Rodrigues, que não é gay, começou a carreira em casas do tipo há 25 anos e conheceu a Nostro Mundo no auge.

Além das noites tradicionais de sábado, com shows, e as matinês de domingo, a casa terá eventos mensais nas quintas e sextas, além de "after hours" de sábado para domingo até as 14h.

A intenção é trazer grandes nomes da música eletrônica e atrair novos públicos de todas as orientações sexuais - a mudança vem de uma percepção de que o público gay mudou muito.

"Nos anos 1990, os gays saíam muito bem vestidos. Hoje, você fica esbarrando em gente suada e sem camisa e drogada, que escolhe a música pela droga que tomou. É difícil alguém que saia para ouvir um DJ tocar. Queremos valorizar a música."

Grande parte do sucesso da Nostro Mundo na mídia se deve a uma personagem que satirizava a apresentadora Hebe Camargo.
O show, com um sofá colocado no palco da boate, era conduzido por Miss Byá, 71, 50 anos de carreira completos neste ano.

Eduardo Albarella, o maquiador por trás da personagem, fazia entrevistas cômicas com atores globais que, segundo ela, iam de graça só pelo prazer de participar.

"Entrevistei Miguel Falabella, Glória Menezes e Tarcísio Meira juntos, Claudia Raia e até Bibi Ferreira. Só a Hebe que eu nunca tive o prazer de receber. Ela é minha cliente no salão até hoje, mas não é muito chegada no babado gay, não...", conta Albarella.

Ele lamenta a decadência dos shows de transformismo e diz que as drag queens de hoje em dia não têm referência culturais.

"Drag queen, você viu uma, viu dez. As mais poderosas têm, no máximo, um guarda roupa, mas identidade ninguém tem. Na minha época, para fazer número de Elza Soares você tinha que, no mínimo, parecer negra. Hoje tem drag loira de peruca lisa dublando Elza Soares, porque cantar também ninguém mais canta, só dubla."

Faço minhas as palavras de Miss Byá.
Numa cidade onde as baladas gays estão infestadas de pseudo artistas com nome de rum vagabundo, que acham engraçado ficar achincalhando os clientes que pagaram para lá estar e tentar ver um espetáculo com um mínimo de respeito, a notícia da retomada da quarentona Nostro é, para mim, uma das boas notícias do ano.

Afinal, talento e glamour não se conseguem com roupas, maquiagem ou perucas, e sim com perseverança e, principalmente, cultura e boa educação.