terça-feira, 9 de novembro de 2010

"TIVE RECEIO DE INTERPRETAR JULINHO", DIZ ANDRÉ ARTECHE

Vivendo Julinho na novela "Ti Ti Ti", André Arteche diz que teve receio de interpretar um homossexual, pois não sabia qual seria a resposta do público.

"Eu fiquei um pouco apreensivo, fiquei com medo se ele ia agradar o público ou não", disse o ator.

Segundo ele, quem o ajudou a superar o medo e encarar o personagem foi a namorada, a figurinista Tarsila Sakaresh, com quem está há dois anos.
"Ela me dá total apoio e, sempre que pode, dá uma opinião. Ela acha o Julinho super chique e até sugeriu que ele usasse cachecol, mas eu acho que ele não usa. Ele é um pouco mais discreto", brinca.

Para incorporar o personagem, que é cabelereiro, André diz que passou algum tempo visitando salões de beleza.
"Eu e [o diretor] Jorge Fernando decidimos sozinhos como seria o perfil dele", conta.

Para ele, a maior dificuldade foi achar um caminho para sentir como era viver os problemas que Julinho passa.
"Ele passou por muita coisa, o cara que ele amava - Osmar, vivido por Gustavo Leão - morreu, a família dele não aceita muito bem [a homossexualidade]".

Renato Rocha Miranda/TV Globo
O ator André Arteche

Sobre o futuro amoroso do personagem, André diz que ainda não sabe o que vai acontecer, mas avisa que Dr. Eduardo - Josafá Filho -, por quem Julinho se apaixonou recentemente, não será seu novo amor.
"O Dr. Eduardo quer ser amigo do Julinho, mas ele entendeu errado, estava numa fase meio carente", explica.

"Ele merece encontrar um novo amor. Em breve, espero que ele encontre uma pessoa legal. Acho que isso vai acontecer", diz.

Caso Julinho encontre um novo amor, André diz que não vê problemas se tiver que gravar uma cena de beijo.
"Se estiver no roteiro que ele vai beijar outro cara, não vejo problema nenhum. É o Julinho que vai estar beijando, não o André".

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Matéria de Carol Nogueira - Folha.com

MARIANA XIMENES, E AS NUANCES DE CLARA, DE "PASSIONE"

Para Mariana Ximenes, dar vida a Clara de "Passione" significa estar em constante mudança no que diz respeito à interpretação.

Afinal, a atriz precisa entender as nuances da personagem, que passou a maior parte da trama como vilã.

Foto: Jorge Rodrigues Jorge/CZNA Atriz Mariana Ximenes

No entanto, agora ela chega a demonstrar traços de mocinha: trabalha honestamente e parece, finalmente, gostar do homem que tanto maltratou, o "buona gente" Totó, de Tony Ramos.
"Isso é muito rico para mim. Fazer uma vilã, que faz maldades, mas ao mesmo tempo é humanizada, dá uma gama maior de possibilidades", explica.

Para traçar o perfil psicológico do papel, Mariana conta com o auxílio de sua psicanalista,
Kátia Achcar.
Há seis anos, a atriz se consulta com a profissional, que lhe ajuda em todas as suas personagens desde então.
"A partir disso, faço a composição junto com o texto, com os diretores e com a figurinista", revela.

Entender a maneira como Clara se veste, aliás, foi um fator importante no processo de criação.
Ainda mais porque a personagem passou por várias fases de roupa.
No início, era enfermeira.
Quando ainda namorava Fred, de Reynaldo Gianecchini, era "bagaceira" e sem dinheiro.
Por isso, não poderia usar roupas de marca.
Na Itália, vestia peças mais adequadas ao clima local.

Ao mesmo tempo, Clara estava enganando Totó, mas ele deveria se apaixonar por ela.
"Como esse homem viril, do campo e vivido, vai gostar da Clara? Tudo é parte de um raciocínio de composição de personagem", ressalta.

Mariana também teve de extravasar um lado sensual e escrachado, características bem fortes do papel.
Por isso, em várias cenas, a atriz apareceu com pouca roupa.
"Levo isso tranquilamente. É mais um artifício", pondera ela, que também teve como referências os filmes protagonizados por Bette Davis e Brigitte Bardot.
"Para ter a intensidade da Bette Davis e a sensualidade da Brigitte Bardot", destaca.

Pelo visto, o público, de uma maneira geral, não se incomodou com as maldades que Clara fez.
Tanto que o que Mariana mais escuta as pessoas dizerem é que sua personagem tem de ficar com Totó no final da novela.

Além disso, muitos colocam a culpa do caráter duvidoso de Clara em sua avó, Valentina, de Daisy Lúcidi.
Afinal, a megera explorou a neta sexualmente.
"É tão curioso, todo mundo me diz isso. É como se fosse uma justificativa. Eu, como intérprete, acho que nada justifica as atitudes que meu papel teve", opina.

Para Mariana, a repercussão positiva, no entanto, não significa que as pessoas torçam mais pelos vilões.
Ela acredita que a história tenha deixado elementos que façam o público ter simpatia por sua personagem.
"A Clara tem um laço forte com a irmã. Além disso, planejou matar o Totó, mas não teve coragem. Acho que isso tudo vai entrando na cabeça das pessoas", acredita.

Encarando sua primeira vilã na televisão, Mariana lembra que a vontade de ser atriz veio cedo, aos 6 anos.
"Só não sabia como ia fazer porque não tenho nenhum parente ator", recorda, aos risos.

Sem nunca pensar em seguir outra profissão, a simpática atriz, então, começou a fazer teatro e algumas campanhas publicitárias.

Hoje, com 11 novelas no currículo, construiu também uma carreira no cinema.
Entre os filmes em que atuou, estão "Quincas Berro D’Água", de Sérgio Machado, "A Máquina", de João Falcão, e "O Invasor", de Beto Brant, entre outros.

"'O Invasor' foi especial porque foi quando ganhei meu primeiro prêmio no cinema", diz ela, que pretende voltar aos palcos quando "Passione" chegar ao fim.
"Estou louca para fazer teatro", frisa.

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Matéria de Luana Borges - site PopTevê

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A SEMANA ILUSTRADA

Lula futurólogo; vírus da Dilma; Serra na Agricultura; Eu, entregando marmita pra fora...
Esses, e muitos outros temas, nas fotocharges exclusivas do blog.
Veja:









O FUTURO DA TUCANADA

Serra Nomuro tem a pretensão de se tornar presidente do PSDB, na convenção que o partido realiza entre maio e junho de 2011.

Mas, o que pretende Nomuro com isso?

Se manter no jogo político nacional, para não desaparecer de vez.

Só que, desta vez, o candidato da oposição - derrotado por Dona Dilma na corrida à presidência - vai encontrar resistência bem maior à sua pretensão.

No seu partido, a percepção de que o futuro da tucanada passa pela capacidade de entender e sinalizar desde já que Serra Nomuro é passado.

Ou em bom português: a fila andou.

Na presidência do partido, o ex-governador seria uma espécie de terceiro turno contra
Dona Dilma, prejudicando e muito a construção de um consenso partidário em
torno do nome de Aécio Neves.

Não é à toa que o senador eleito - que ainda acabou emplacando seu vice como governador e Itamar Franco para formar dobradinha mineira com ele no senado - acaba de propor, segundo suas próprias palavras, uma "refundação" do PSDB, a fim de "atualizar o programa" e "recuperar sua identidade partidária".

Quando Aécio fala em "atualizar" e "recuperar a identidade", nos dois casos ele quer dizer:
"Bye-Bye, so long, very well, Serra Nomuro, chegou a minha vez".

O candidato de Aécio para presidir o PSDB hoje é Tasso Jereissati, que nunca se bicou com
Serra Nomuro, todos sabemos.

Aécio imagina que Tasso seria o nome capaz de fazer a ponte entre ele e Geraldo TFP Alckmin, evitando que a relação entre a tucanada de Minas e de São Paulo caminhe para um estremecimento perigoso.

Aécio, neste momento, joga suas fichas para disputar a presidência do Senado, num esforço claro para demonstrar que tem bom trânsito entre os partidos, inclusive os da base aliada de Dona Dilma.

E só pra lembrar: Foi Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e governador do Ceará, quem lançou em público o nome do mineiro para o comando da Casa.

Porém, a Geraldo TFP Alckmin pode interessar uma aliança tática com Serra Nomuro para evitar que Aécio se projete desde já como líder principal do "novo PSDB".

Apostar todas as suas fichas nisso é o que resta a Serra Nomuro, depois da ladeira abaixo que a eleição presidencial o lançou.

Até segunda!

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Confira essa coluna em vídeo HD, já postado no Youtube e no UOL:

domingo, 7 de novembro de 2010

AS MELHORES CHARGES SOBRE A ELEIÇÃO 2010

Fiz uma seleção do que de melhor os chargistas produziram sobre as eleições 2010, e o resultado você confere agora:

O reflexo de Narciso, por Benett

Os papeis assumidos nas campanhas, também de Benett.

São eles que estão indo às urnas, afinal? Por Gilmar
Plínio de Arruda faz ato de protesto. Por André de Souza

Muitas cores nesta estação. Por André de Souza.

Orlandeli faz uma homenagem a Tarsila do Amaral, uma crítica aos eleitores brasileiros ou as duas coisas?

Outra de Orlandeli: a esfinge egípcia em tempos de eleição.

Superpoder dos eleitores, outra do Orlandeli.
Na minha seleção, não podia faltar o Dr. Pepper, né?

O candidato sincero, por Adão Iturrusgarai.
A tradução do Homem-Legenda, personagem de Adão Iturrusgarai, é implacável.


Latuff, sensacional!



Adoro esse blog!


Luc, e os aliados do Nomuro


Se vocês souberem de quem é essa obra prima, por favor, avisem!



Idem, para essa.
Duke, direto ao ponto

Frank, e a tentativa do uso do Luiz Inácio pelo Nomuro na campanha


Sensacional!

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Colaboração de José Fernando Leite

SALVE, POETA

Com um livro de poesia após 11 anos de silêncio, um de colagens e uma peça de teatro, além do prestigioso prêmio Camões de literatura, conquistado em maio, Ferreira Gullar chega mais doce aos 80 anos

Como a amiga e anfitriã Ceres Feijó está viajando, ainda não se sabe qual será o cardápio do jantar.
Quando ela voltar, trará ideias e o aniversariante será consultado.
Na semana passada, Ferreira Gullar já podia adiantar, com base numa tradição que vem de muitos anos: é bem provável que Ceres ponha na mesa duas alternativas.
"Nada de comidas exóticas", descarta o poeta.
"Em geral, ficamos mesmo no cozido, no picadinho ensopado, na carne assada e, é claro, nas gostosas sobremesas."
Sem esquecer o bolo e as velas, acrescenta a filha, Luciana, mãe de seus oito netos, já desdobrados em sete bisnetos, muitos dos quais estarão presentes à festa em torno do "vô Gullar".

Este não será um 10 de setembro como os anteriores.
O maranhense José Ribamar Ferreira vai fazer 80 anos.
E há mais do que uma data redonda a comemorar: 11 anos depois de "Muitas Vozes", ele está de livro novo, "Em Alguma Parte Alguma", lançado pela editora José Olympio.
Sai também o título "Zoologia bizarra", pela Casa da Palavra, com reproduções das colagens que Gullar, sem pretensões a artista plástico, vem criando intermitentemente.
Por fim, prepara-se para estrear em São Paulo, ainda sem data definida, a primeira montagem do monólogo "O Homem como Invenção de si Mesmo", para a qual foi convidado Osmar Prado, 63, que interpretou Getúlio Vargas no longa-metragem "Olga" e Tião Galinha na novela "Renascer".

Festança é o que não falta, portanto, neste ano já marcado pela conquista, em maio, do maior galardão da literatura em língua portuguesa, o Prêmio Camões, que se fez acompanhar de um simpático cheque de 100 mil euros.
Para não falar da acolhida apoteótica que Gullar teve na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, quando foi aplaudido de pé na apinhada Tenda dos Autores.

Tido por muitos como o mais importante poeta brasileiro em atividade, Ferreira Gullar só pode estar gostando de tudo isso, embora não veja significação especial em ter chegado aos 80.
"O fato é que estou um ano mais velho", diz com bom humor.
Instado a fazer um balanço, acredita ser hoje "uma pessoa mais generosa e mais tolerante", capaz de "compreender melhor coisas que antes não compreendia ou compreendia errado", e de, quando é o caso, mudar de ideia -como fez ao desembarcar do comunismo, de que foi militante a ponto de ter pagado com a prisão, com a clandestinidade e com seis anos de exílio, por seu engajamento na luta.
Já não pertence ao Partido Comunista Brasileiro, ao qual se filiou no dia do golpe militar de 1964. Mas não esperem dele pouca veemência se o assunto for o governo Lula, o PT ou Dilma Rousseff.

PALAVRAS CRUZADAS

Em outras frentes, porém, Gullar dá a impressão de ter se adoçado.
Mais de meio século depois da cisão do movimento da poesia concreta, do qual chegou a participar com os poetas paulistas Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos, ele não se inflama ao rememorar aquele capítulo.
Mas faz questão de lembrar que "a briga foi provocada por eles".
Acha que, dos três, Augusto é "o melhor poeta", e Décio, "o mais cordial, pessoa afetuosa" ("Tivemos divergências, depois ficamos amigos", atenua Pignatari, mas não rende conversa: "Estou totalmente desinteressado desse tipo de assunto". Instado a falar, Augusto silencia -nada de concreto.).
Gullar lamenta que os irmãos Campos tenham tratado como inimizade o que era discordância no plano das ideias.
Mas não se considera "dono da verdade" e, de novo, recita a frase com que espalhou arrepios numa Flip: "Eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz".

A impressão que se tem é a de que chegou lá.
Gullar oitentão parece feliz.
Para trás ficaram dores e atribulações, como a perseguição política, a morte do filho Marcos, a doença de outro, Paulo -às voltas, como Marcos, com a esquizofrenia- e a morte da mulher, a atriz Thereza Aragão.
Em 1994, agoniado com a perda de Marcos e Thereza, ele esteve a pique de "jogar a toalha" -e foi então que conheceu, na Feira de Frankfurt, a poeta carioca Claudia Ahimsa, 34 anos mais jovem, por quem instantaneamente se apaixonou.
Sem papel passado, são, desde então, marido e mulher, num conveniente esquema de casas separadas, ela no Flamengo, ele num vasto e um tanto atulhado apartamento de cinco dormitórios no bairro de Copacabana, onde vive desde 1979. Sozinho.
Maria das Dores, a cozinheira, e Bianca, a faxineira, não dormem no emprego, e já faz tempo que morreu o "querido companheiro" do poeta, com o qual coabitou durante 16 anos e que lhe inspirou dois livros, "Um Gato Chamado Gatinho e "O Gato que Virou História".
Morto o siamês, Gullar nunca mais teve gato, pois "amigo não se substitui".

Homem caseiro, ele não é de muita vida social. Vascaíno moderado, já não vai ao Maracanã, que frequentou enquanto o amigo Oscar Niemeyer, 103, teve o privilégio de uma cabine para convidados.
Limita-se ao futebol pela TV -na qual vê também noticiários, filmes e alguma novela.
O coautor de seriados como "Carga Pesada" [na versão dos anos 1970] e "Obrigado, Doutor" está acompanhando e curtindo a novela "Passione".
E ouvindo "a boa música popular brasileira [de antes do tropicalismo] e a boa música dita clássica".
Ultimamente, voltou ao sambista Noel Rosa (1910-1937), "atual como a bossa nova".

Em matéria de modernidades eletrônicas, estacionou na bossa já não tão nova do computador. Gullar não quer rima com celular e, volta e meia, pede a Claudia que lhe explique esse negócio de Twitter, iPod, e-book.
Prefere os pincéis com que pinta quadros de inspiração morandiana -sem um pingo de pretensão, esclarece, jamais para vender ou expor, apenas para se distrair:
"Pintando, eu fico fora dos problemas, não penso se a Dilma vai ser presidente, e sim qual é a cor que eu ponho, o azul ou o verde".
Nas paredes, seus quadros convivem com as obras de alguns dos maiores artistas brasileiros do século passado: o pintor gaúcho Iberê Camargo (que pintou seu retrato), o ítalo-brasileiro Alfredo Volpi e o gravador paraense Osvaldo Goeldi.

Aposentado como jornalista e como técnico em comunicação, o poeta viaja pouco -e nunca de avião.
Não é só porque os aviões caem, ele explica, é também por causa do estresse dos aeroportos. Voltar a Paris é ideia que não o tenta -"ver o Louvre pela décima vez?", desdenha. Problema maior é não poder revisitar sua distante São Luís, onde vivem seis dos oito irmãos, ou ir ao Recife para ver o filho Paulo.
Luciana, os netos (menos dois, que moram no Rio) e os bisnetos ele vê quando, de carro, vai a São Paulo.
Sem muita efusão física, diz a filha, é pai e avô carinhoso. E discreto.
Não sai contando, mas o irmão Newton o revela um homem generoso a ponto de dar casa à empregada:
"Se alguém perto do José [como o poeta é chamado pelo irmão] tem problema, é problema dele também".
É também Newton quem conta que Gullar se recusou a pedir reparação financeira, a chamada "bolsa ditadura", pelo que passou sob o regime militar:
"Ele diz que não é justo, pois nunca perguntou a ninguém se devia tomar as atitudes políticas que tomou".

Gullar não recebe e, quando sai, é para um cinema com Claudia ou para se juntar a uma de suas patotas, formadas faz décadas.
Uma se aglutina em torno de Ceres Feijó, que promove a comemoração dos aniversários de cada um.
A outra é a dos "comunas", como diz, um grupo de antigos militantes de esquerda com percurso não muito diferente do seu, entre os quais os filósofos Leandro Konder e Carlos Coutinho, os jornalistas Armênio Guedes e Milton Temer e o advogado Marcelo Cerqueira.
Os "comunas" se reúnem à sombra do cineasta Zelito Viana e de sua mulher, Vera, para rega-bofes batizados de "As Comuníadas".

PESO PENA

Nessas ocasiões, bebe apenas cerveja ou moderadas taças de vinho.
Não suporta o gosto de uísque.
E põe ainda mais comedimento no comer.
Sem gula, Gullar está pesando 56 quilos, sete a menos do que deveria ter quem mede 1,70 metro.
Seu Newton e dona Alzira [seus pais] eram magros, mas a genética não explica tudo.
Na juventude, para driblar uma gastrite, habituou-se a comer pouco.
Curado, manteve a dieta.
Algum tempo atrás, no "check-up" anual, a médica achou tão bons os seus exames que lhe perguntou o que comia.
"Eu não como", riu Gullar.

É quase isso.
De tanto vê-lo pedir para embrulhar metade do espaguete com camarões no La Trattoria, restaurante em Copacabana aonde vão frequentemente, Claudia o apelidou de "meia porção". Em casa, come basicamente a boia maranhense que ensinou Maria das Dores a fazer -ensopado com quiabo, carne assada com molho ferrugem, feijão com arroz, carne-seca.
De manhã, como no poema de Manuel Bandeira, prepara ele mesmo o seu café.
O poeta tem lá seus talentos culinários.
A filha Luciana se lembra dele a recolher a nata acumulada no gargalo das garrafas de leite e a batê-la até virar manteiga.

Vai bem, nota-se, a saúde do homem que, na chegada ao Rio, aos 21 anos de idade, descobriu ter uma tuberculose, curada em cinco meses.
O Hollywood com filtro foi abandonado há 24 anos.
Mas o filho do centroavante Newton, de uma gloriosa seleção maranhense, passa ao largo de exercícios físicos.
"Eu já subo pela escada", alega o morador do segundo andar, "e vivo andando pela rua". Essas caminhadas o levam há anos ao salão onde Darcy, cabeleireiro de mulheres, administra o seu característico corte Chanel.
"A Claudia diz que ele tem uma cabeça moderna", lembra Luciana -e não há dúvida de que a companheira do poeta não se refere apenas às alvíssimas melenas com que ele está chegando a seus 80 anos.

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Matéria de Humberto Werneck, publicada na revista "Serafina",
publicação mensal da "Folha de S.Paulo"

sábado, 6 de novembro de 2010

A SEMANA NO CINEMA

As bilheterias da semana; o novo vilão do Homem-Aranha; o Rio de Janeiro recebe as filmagens e os atores de "Crepúsculo" e "Velozes e Furiosos"; Leo DiCaprio serial killer...


Essas e outras, no resumo semanal das notícias das telonas.


Confira:


AS BILHETERIAS NOS EUA E AQUI

"A Rede Social" assumiu o primeiro lugar nas bilheterias da América do Norte pelo segundo final de semana seguido, apesar da queda geral nas vendas de ingressos de cinema - a redução foi de cerca de 15 por cento em relação ao ano passado.

Duas novas estreias - a comédia romântica "Juntos Pelo Acaso" e "Secretariat" - ficaram com o segundo e terceiro lugar respectivamente - "Juntos Pelo Acaso" arrecadou 14,6 milhões de dólares e "Secretariat" ficou com 12,6 milhões de dólares, segundo estimativas dos estúdios no domingo.

"A Rede Social" arrecadou 15,5 milhões de dólares, e narra a história da fundação do site de relacionamentos Facebook, o que intrigou os críticos e o público - o filme dirigido por David Fincher está levantando especulações em Hollywood sobre possíveis prêmios.

Foto: DivulgaçãoCena de "A Rede Social"

Em apenas duas semanas nos cinemas, "A Rede Social" acumulou 46,1 milhões de dólares, valor que segundo a Columbia já cobre os custos de produção, engatando o filme rumo aos lucros.

O filme da WARNER "Juntos Pelo Acaso", estrelando Katherine Heigl e Josh Duhamel como dois solteiros que decidem cuidar de um bebê órfão, arrecadou 14,6 milhões de dólares em 3.150 salas de cinema.

"Secretariat" conta a história de uma mulher que conquistou seu espaço no universo das corridas de cavalo dominado por homens - encerrou o final de semana com 12,6 milhões de dólares em cerca de 3.200 salas de cinema.

O número dois da semana passada "A Lenda dos Guardiões", da Warner Bros., escorregou duas posições para o quarto lugar, com 7 milhões de dólares arrecadados.

Em quinto lugar ficou outra estreia, o filme de terror "My Soul To Take" em 3D do mestre da categoria Wes Craven - arrecadou 6,9 milhões de dólares.

E por aqui, "Tropa de Elite 2" levou 1,295 milhão de espectadores aos cinemas no fim de semana de estreia, segundo dados consolidados publicados pelo site especializado Filme B.

Com o público total do primeiro fim de semana, o longa de José Padilha atinge a marca de quinta melhor estreia de um filme no Brasil, a melhor estreia entre filmes nacionais após a retomada.

A arrecadação da bilheteria, até domingo, somou R$ 13,9 milhões.

Bento Marzo/DivulgaçãoO ator Wagner Moura, em cena de "Tropa de Elite 2"

O desempenho de "Tropa 2" supera o de outros blockbusters como "A Era do Gelo 3", "Eclipse" e "O Código da Vinci".

Na década, a continuação da saga do capitão Nascimento só perde para os três "Homem-Aranha" já lançados, e para "Lua Nova", da franquia "Crepúsculo".


SEGUNDA É DIA DE CINEMA NACIONAL A DOIS REAIS

Dia 5 de novembro foi o Dia do Cinema Nacional.

E para celebrar a data, a rede Cinemark dedica um dia por ano inteiramente para os filmes brasileiros.

O "Projeta Brasil" de 2010 se realiza no dia 8 de novembro - próxima segunda-feira - nos 52 complexos de cinemas da rede espalhados pelo país.

Na programação, títulos que foram grande sucesso de público, como "Tropa de Elite 2" e "Chico Xavier", dividem espaço com filmes que ficaram pouco tempo em cartaz, como "É Proibido Fumar", e obras autorais, como "Os Famosos e os Duendes da Morte".

As dezenas de opções disponíveis para o público são filmes que entraram em cartaz nos cinemas nos últimos doze meses.

Divulgação: Fox FilmsCena de "Nosso Lar"

Todas as sessões do dia terão ingressos a R$ 2,00, e a renda obtida será revertida para fomentar os filmes nacionais, com prêmios em festivais e apoio a restaurações, por exemplo.

XI Projeta Brasil
Quando:
8 de novembro de 2010
Onde: nos cinemas Cinemark
Quanto: R$2 por sessão
Mais informações:
www.cinemark.com.br



E O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO

a Cidade do Rio de Janeiro será palco de várias filmagens com estrelas de Hollywood que lá desembarcaram esta semana, entre eles os protagonistas de "Crepúsculo" e os de
"Velozes e Furiosos 5".

Ag.O Globo O elenco de "Velozes e Furiosos 5", filmando na praia do arpoador


Kristen Stewart e Robert Pattinson , os jovens ídolos que revolucionaram a cultura popular com a saga vampiresca "Crepúsculo", desembarcaram nesta sexta-feira na "Cidade Maravilhosa" onde gravarão cenas de "Amanhecer", o último filme da série.

O bairro de Lapa será um dos cenários do filme, além da histórica cidade de Paraty - cerca de 200 quilômetros do Rio.

Os atores de "Crepúsculo" se hospedaram no Copacabana Palace, onde também estão Vin Diesel e Paul Walker, além do restante da equipe de "Velozes e Furiosos 5", que escolheu o Rio de Janeiro como palco do filme de ação.

Ag.O Globo

O ator Vin Diesel, dando pinta em Copacabana

As filmagens do longa - com ação centrada nas corridas ilegais de carros - começou ontem na favela Dona Marta, que ficou famosa em 1996 depois que Michael Jackson gravou no um clipe no local.

Ag. O Globo

Os atores Tyrese Gibson, Akon e Vin Diesel, com Viviane Araújo no Salgueiro

Enquanto os atores da saga vampiresca de trancaram no hotel, os astros do filme de ação estão dando pinta por toda a cidade, e esbanjando simplicidade e simpatica com os fãs - até no ensaio da escola de samba Salgueiro eles já foram!


MGM PEDE CONCORDATA

A MGM - Metro-Goldwyn-Mayer , um dos estúdios mais famosos de Hollywood, pediu concordata nesta quarta-feira, após tentar durante anos reduzir seu endividamento.

Arquivos do Klau
O logo da MGM

O investidor bilionário Carl Icahn disse que chegou a um acordo com a MGM e seus credores antes do pedido de proteção contra falência para ajudar o estúdio.

Ele disse que pelo plano a MGM vai adotar mudanças na governança corporativa e não vai adquirir o catálogo de filmes da Cypress.

Icahn também terá o direito de apontar um diretor para o conselho da MGM quando a empresa sair da concordata.

A MGM e diversas afiliadas pediram concordata em um tribunal de Manhattan, de acordo com documentos judiciais.

O estúdio possui o maior catálogo de filmes do mundo, com 4.000 títulos.

Vários projetos de filmes importantes já foram suspensos em função das dificuldades financeiras do estúdio, incluindo o próximo filme de James Bond e dois filmes baseados no livro "O Hobbit", de J.R.R. Tolkien.

Outros projetos que estão em suspenso incluem um filme planejado dos "Três Patetas" e um remake de "Robocop".

Schwarzenegger pensa em deixar mandato e retomar carreira cinematográfica


SCHWARZENEGGER QUER VOLTAR ÀS TELONAS QUANDO SEU MANDATO TERMINAR

O governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger afirmou na quinta feira em Moscou que pensa em retomar seu antigo trabalho de ator após terminar seu mandato em janeiro de 2011.

"Em janeiro acabo meu trabalho (como governador) e tenho diante de mim um sem-fim de possibilidades: posso voltar ao cinema e também escrever livros, discursos ou ajudar a Califórnia de alguma maneira", disse o ator.


Kevork Djansezian/AFPArnold Schwarzenegger chega para corrida carregando a tocha no Stanley Park

Schwarzenegger já alimentou este ano seu desejo de voltar a fazer cinema após fazer uma participação especialíssima em "Os Mercenários", filme com a qual seu companheiro
Stallone voltou a se colocar em frente e atrás da câmara - o filme foi uma das
maiores bilheterias do mundo, e eu disse aqui que a participação do ator de origem austríaca foi a melhor coisa no projeto.

O ator fez uma pausa em sua carreira no cinema para se tornar em 2003 governador da Califórnia, o Estado mais rico dos EUA.


RHYS IFANS É O VILÃO DO NOVO "HOMEM-ARANHA"

A Sony Pictures divulgou nesta semana quem será o vilão do reinício da série de filmes do Homem-Aranha, mesmo sem revelar ainda qual vilão ele irá interpretar: o ator britânico
Rhys Ifans - falava-se muito em Duende Macabro e Venom, mas o vilão da retomada da franquia será mesmo o Lagarto, alter ego do Dr. Curt Connors.

Getty Images/Dave HoganO ator Rhys Ifans na pré-estreia do filme "Mr. Nice", em Londres (4/10/2010)

O projeto, que será dirigido por Marc Webb, trará Andrew Garfield no papel do jovem Peter Parker e Emma Stone como Gwen Stacy.

As filmagens em 3D começam em dezembro, e a estreia está prevista para 3 de julho de 2012.

ANIMAÇÃO DE NATAL TERÁ VOZES DE JAMES McAVOY E
HUGH LAURIE

A Sony Pictures anunciou o elenco que fará as vozes dos personagens da animação em 3D "Arthur Christmas", a ser produzido pela britânica Aardman Animation, a mesma dos filmes de "Wallace & Gromit" e da série de TV "Shaun, o Carneiro".

James McAvoy fará a voz do personagem-título, e terá a companhia de HUGH LAURIE,
Jim Broadbent, Bill Nighy, Imelda Staunton e Ashley Jensen.

Arquivos do Klau

Hugh Laurie e James McVoy

Ambientado na noite de Natal, o filme vai contar a história de Arthur, filho do Papai Noel, que ajuda a salvar o Natal.

Laurie será Steve, o irmão mais velho de Arthur e herdeiro do trono do Natal, e Broadbent será o Papai Noel.

A estreia está marcada para o fim do ano de 2011.

LEONARDO DICAPRIO, SERIAL LILLER

Leonardo DiCaprio

interpretará o serial killer Henry Howard Holmes, um psicopata que aterrorizou os Estados Unidos no final do século 19, informou nesta a revista "The Hollywood Reporter".

DiCaprio protagonizará e produzirá a adaptação ao cinema do livro "O Demônio na Cidade Branca", de Erik Larsson, baseado em fatos reais.

Divulgação

Leonardo DiCaprio no filme ''A Origem'', de Christopher Nolan, seu último trabalho nas telonas

A história narra a vida de dois homens que marcaram a Exposição Universal de Chicago de 1893 - um deles era Holmes e o outro era o arquiteto Daniel H. Burnham.

O projeto de levar ao cinema a obra de Larsson estava em Hollywood há anos, mas nenhum estúdio decidia realizar o filme, que já envolveu nomes como Kathryn Bigelow, Tom Cruise e Paula Wagner.

"O Demônio na Cidade Branca" foi traduzido para 17 idiomas e teve 2,3 milhões de exemplares vendidos no mundo todo - no Brasil foi publicado pela editora Record.


HOMENAGEADAS:

JULIANNE MOORE NO FESTIVAL DE CINEMA DE ROMA, E ANETTE BENING, NO DE SANTA BÁRBARA

A atriz americana Julianne Moore foi aclamada no Festival de Cinema
de Roma, com uma defesa à tolerância e ao respeito às famílias homossexuais, mensagem divulgada com entusiasmo pelo filme "Minhas Mães, Meu Pai", de Lisa Cholodenko, estrelado por ela e que faz parte da mostra oficial.

Espontânea e acessível, a Diva americana desfilou no tapete vermelho como protagonista desta comédia dramática, e também como ganhadora do prêmio Marco Aurélio, concedido em homenagem à sua carreira.

A trama é sobre dois adolescentes que decidem procurar o homem - Mark Ruffalo - que doou esperma para que suas mães - vividas por Annette Bening e Julianne - pudessem ter filhos, e fez um enorme sucesso na Mostra de Cinema de SP, encerrada recentemente.

Divulgação

Anette e Julianne, em cena do filme


A apresentação do longa independente era a última prova de que o Festival de Roma impôs a Julianne para que ganhasse as graças da crítica, e a atriz a superou amplamente, com aplausos fervorosos no final da projeção e numerosos elogios à sua interpretação durante posterior apresentação à imprensa.

Já o Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, na Califórnia, EUA, dedicará o prêmio American Riviera a Annette Bening na edição de 2011.

A homenagem, voltada a atores e atrizes de destaque do cinema norte-americano, está marcada para 28 de janeiro - este prêmio já foi para outros famosos em edições anteriores,como Sandra Bullock, Mickey Rourke, Tommy Lee Jones, Forrest Whitaker e Philip Seymor Hoffman.

Voltando a Ms. Moore, ela merece todas as homenagens possíveis e imagináveis - é uma das melhores atrizes das telonas de todos os tempos, e, pessoalmente, é um amor de pessoa - estive com ela e com Ruffalo quando eles vieram em Sampa filmar "Diário Sobre a cegueira".

Estrelas verdadeiras são assim: simples e atenciosas com os fãs.


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ATÉ SÁBADO!