Donos de traços livres, caricaturais e com temáticas até então vistas como tabu, os quadrinhistas americanos Robert Crumb e Gilbert Shelton, revolucionaram o mundo das HQs no clima da contracultura dos anos 1960 e 1970.
Os dois se apresentam hoje na mesa "A origem do universo" da Flip, às 19h30, que discutirá a história dos quadrinhos.
A primeira, idealizada em 1964, traz a história de um gato intelectual, politicamente incorreto e mulherengo que vive em uma metrópole povoada por animais.
Já a segunda, criada em 1967, capta o estilo de sexo, drogas e rock`n`roll da época.
A HQ narra as confusões vividas por Fat Freddy, Phineas e Freewheelin` Franklin, uma trupe de hippies maconheiros e picaretas.
Em confronto direto com os valores de sua época, como o consumismo exagerado e o conservadorismo sexual e político, os trabalhos da dupla foram inicialmente publicados na revista alternativa "Zap Comix" (Conrad).
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auto retrato de Robert Crumb
Entre as obras célebres de Crumb está "Mr. Natural" (Conrad), uma espécie de guru que por meio de seus conselhos e máximas, termina por satirizar muitos dos aspectos da sociedade pós-moderna.
O autor não tem um alvo específico: "perdedores", machistas, conservadores, moralistas e "almofadinhas", todos passam por sua crítica bem humorada.
Seus personagens são marcados pelos corpos desproporcionais, por vezes roliços e cheios de lascívia.
Em "Gênesis" (Conrad), inspirador do nome da mesa da Flip ("A origem do universo") e seu trabalho mais recente, o quadrinhista desenha sua própria versão da criação bíblica do mundo.
Com todos os estupros, guerras e momentos polêmicos do texto original, o artista não tem a intenção de satirizar e mantém o texto do livro religioso.
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"Gênesis"
Crumb também realizou parcerias célebres.
A série "American Splendor" (sem publicação no Brasil), idealizada por Harvey Pekar e adaptada para o cinema em 2004, por exemplo, ganhou vida pela primeira vez nos traços do artista.
As vivências da dupla podem ser acompanhadas na publicação"Bob & Harv" (Conrad).
O autor também já adaptou textos de escritores célebres, como em "Kafka de Crumb" (Desiderata), sobre o escritor Franz Kafka (1883-1924).
Gilbert Shelton é responsável por "Wonder Wart-Hog (the Hog of Steel)", realizada em conjunto com Tony Bell, uma sátira das histórias de super-heróis, principalmente do super-homem.
Atualmente, o artista trabalha na produção de um longa-metragem animado com os irmãos maconheiros.
Quase todos os anos a Flip reserva espaço para a chamada nona arte.
Em 2009 a arte sequencial foi representada pela nova geração de quadrinhistas brasileiros com Rafael Coutinho, de "Cachalote", os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, de "Meu Coração, Não Sei Por Quê" (Via Letras), e Rafael Grampá, que participou da coletânea "Bang Bang"(Devir).
No ano anterior foi a vez do cultuado escritor Neil Gaiman, autor da série de quadrinhos "Sandman" (Panini Comics).
Ele atraiu legiões de fãs que foram ao evento unicamente para vê-lo.
DOIS GÊNIOS EM PARATY
Depois de fugir durante três dias dos jornalistas em Paraty, o quadrinista norte-americano Robert Crumb finalmente deu uma amostra de seu humor ácido na coletiva de imprensa,ontem de manhã:
"É bizarro participar de uma festa literária. Me assusta o fato de as pessoas estarem levando histórias em quadrinhos a sério", disse.
Crumb, 66, que vive há mais de dez anos na França, mais uma vez reclamou dos Estados Unidos: "É um país fascista e corporativista. Estou envergonhado dele... Na verdade, estou envergonhado de viver no planeta Terra, mas fazer o quê?".
Incomodados com o tratamento de celebridade, pediram que os fotógrafos dessem uma trégua. Na entrada, Crumb mostrou o dedo do meio às máquinas.
As respectivas mulheres dos dois, Aline Crumb e Lora Fountain, contaram que foram elas que convenceram a dupla a vir ao Brasil.
"Ele está feliz por estar aqui", disse Aline, batendo nas costas do marido.
"Sim, querida", respondeu ele, fingindo estar sem graça.
"Você tem razão. Estou me divertindo muito."
Fã de música antiga, Crumb anunciou querer comprar discos de 78 rotações de canções brasileiras dos anos 1920 e 1930.
"Quem nos vender pode ser nosso amigo", brincou Aline.
E para comemorar a passagem dos dois gênios pelo Brasil, o repórter da "Folha" Ivan Finotti fez o roteiro, e o desenhista Rafael Coutinho conseguiu recriar os passos de Crumb e Shelton em Paraty, usando traços característicos da obra dos dois.
Ficou bem legal.
Acompanhe: E atenção, fãs de HQs de Sampa: Se vocês leram o último quadrinho,Crumb e Shelton estarão aqui, em SP, na segunda às 19h, na Livraria da Vila em Pinheiros, para uma noite de autógrafos!
Marion Cotillard teve que ler duas vezes o roteiro de "A Origem", e ainda assim ficou na dúvida. Leonardo DiCaprio garantiu que entendeu tudo, mas só depois de meses de conversa com o autor e diretor, Christopher Nolan.
Na telona, o produto final não é assim tão complicado, embora muita gente retorne às salas de cinema para tentar decifrar possíveis segredos, ajudando a manter essa complicada história no topo das bilheterias há três semanas.
DiCaprio é Dom Cobb, um ladrão de sonhos. Ele usa uma combinação de drogas e aparato tecnológico para entrar na mente de executivos e roubar segredos industriais.
Sua nova missão é fazer o contrário: introduzir uma ideia no subconsciente de um jovem herdeiro (Cillian Murphy, o "Espantalho" dos dois últimos "Batman", dirigidos por Nolan) e fazê-lo vender seu império de empresas.
Simples, assim. Acontece que, para realizar o plano - chamado "inception", nome original do filme - é preciso ir fundo nos sonhos da vítima, em camadas que levarão Cobb e seu time de especialistas a lugares tão diversos como um hotel de luxo sem gravidade, um paraíso artificial e montanhas nevadas.
Para complicar, Cobb tem seus demônios pessoais materializados na personagem de Marion Cotillard, que ele é acusado de matar e que o persegue infinitamente.
"Foram três meses de conversas [com Nolan] para desenvolver o personagem. Tivemos que aprender as regras do jogo de seu sonho", afirma DiCaprio. "Rolaram umas conversas existenciais [com Cotillard] sobre relações de personagens que nunca tive antes", disse ele.
Entre os especialistas do time de Cobb estão: Eames (Tom Hardy), um falsário que toma a forma de outras pessoas; Ariadne (Ellen Page), uma estudante de arquitetura que constrói os visuais impressionantes dos sonhos; e Arthur (Joseph Gordon-Levitt), responsável pela pesquisa das vítimas.
Divulgação: Warner DiCaprio e Ellen Page, em cena do filme
"O filme é uma ficção especulativa. Conta uma história a partir de uma ideia tecnológica: e se a gente pudesse compartilhar sonhos?", disse Nolan a jornalistas. "Queria fazer um filme de ação, num mundo reconhecível, mas que pedisse ao público para entrar na viagem, desde o começo."
Nolan viajou por seis países para filmar "A Origem", além de usar os antigos galpões na Inglaterra onde rodou cenas de "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (2008) e "Batman Begins" (2005).
Foi o sucesso desses dois filmes que fez com que Nolan conquistasse a confiança dos chefões da Warner, após longas de baixo orçamento e roteiros que exigiam mais do público, como "Amnésia" (2001) e "Insônia" (2002).
Num verão turbinado por filmes 3D, sequências e remakes, as críticas ao filme de Nolan foram positivas, e o debate, intenso. Nolan se defende: "'A Origem' é um mundo da imaginação, ligado ao potencial infinito da mente humana, no qual é possível, através dos sonhos, construir mundos infinitos". Captou?
Veja o trailer do filme:
CRÍTICA
Nolan passou dez anos escrevendo o roteiro, e ao assistir a esta audaciosa ficção científica, é possível entender porque Nolan levou todo esse tempo.
A matéria-prima da história são os sonhos, não em si mesmos, mas como território para uma nova modalidade de crime - o roubo de ideias de pessoas enquanto estão dormindo, quando ladrões invadem seus sonhos.
O maior especialista nesta audaciosa espionagem industrial do subconsciente é Dom Cobb (Leonardo Di Caprio), que trabalha armado com um arsenal que inclui drogas poderosas, equipamentos de última geração e um time de auxiliares de primeira.
Na primeira metade do filme, Nolan empenha-se em definir os limites deste fascinante mundo imaginário, que funciona movido por leis próprias.
Não é fácil seguir a narrativa, especialmente depois que se instalam os sonhos dentro dos sonhos necessários para completar a missão na mente de Fischer (Cillian Murphy).
Como uma espécie de guia do espectador - que fará algumas das perguntas que este poderia fazer - entra em cena Ariadne (Ellen Page, de "Juno"), a nova arquiteta que substitui Nash na idealização dos cenários dos sonhos - o que é necessário para produzir ilusões que ajudem a enganar o sonhador que teve sua mente invadida.
De Ariadne, como o nome sugere - lembrando a lenda grega de Teseu e do Minotauro - Dom espera que projete um labirinto muito especial, do qual só sua equipe consiga sair.
"A Origem" tem muita ação, perseguições, lutas, tiros, mas com direito a muitas situações surreais - a cidade de Paris dobrando-se sobre si mesma, como se fosse de papelão, voos de carros e pessoas, desabamento de prédios em série, engolidos por água, e muito mais.
A turma de efeitos especiais trabalhou bem, mas os dublês foram mais requisitados ainda, porque Nolan procura uma espécie de realismo dentro do sonho que lhe dê uma certa verossimilhança. Ainda assim, dentro dos sonhos, vale tudo - os colegas de Dom assumem disfarces e é possível escapar deles "morrendo". Mas também há o risco de cair num limbo e não voltar mais.
Pode-se dizer que a imaginação de Nolan foi longe e que criou um novo território na mitologia do cinema.
Essa sacada do roteirista/diretor não é inédita - recordemos "Matrix", dos irmãos Wachowski, e "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", de Michel Gondry, e também seu próprio filme "Amnésia" (2000), inspirado num conto escrito por seu irmão, Jonathan Nolan - o que não tira o mérito de Nolan de ter desenvolvido um universo movido por suas próprias leis e que poderá gerar novas sequências.
E o sucesso deste primeiro filme parece indicar isso.
Se dá para sentir falta de alguma coisa é de uma certa variação no cenário destes sonhos, excessivamente calcado no universo masculino dos filmes de ação.
Quem sabe em próximas investidas, se existirem, se possa dedicar mais tempo a imaginar alguns outros lados do subconsciente humano onde, como Freud tão bem revelou, escondem-se os medos e desejos mais secretos e inusitados.
E só para constar: o título brasileiro - "A Origem" é péssimo - melhor seria "Invasores de Sonhos", ou algo parecido.
A ORIGEM Título original: Inception Diretor: Christopher Nolan Estúdio: Warner Bros. Elenco Principal: Leonardo DiCaprio Joseph Gordon-Levitt Ellen Page Tom Hardy Ken Watanabe Dileep Rao Cillian Murphy Tom Berenger Marion Cotillard Gênero: Ficção Científica, Aventura Duração: 148 mins Ano: 2010 Data da Estreia: 06/08/2010 Cor: Colorido Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos País: EUA, Reino Unido COTAÇÃO DO KLAU:
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Confira entrevistas com Nolan e DiCaprio à jornalista brasileira Ana Maria Bahiana, do UOL:
Divulgação: Warner
Leo Di Caprio e Chris Nolan, durante as filmagens de "A Origem"
UOL Cinema - De onde vem seu interesse em sonhos?
Christopher Nolan - Não sei. Mas é um interesse antigo. Como cineasta, vejo um paralelo claro entre os dois processos. O mais genial é que estes filmes tão reais e tão detalhados que criamos todas as noites são processos completamente universais, compartilhados por toda a humanidade independente de cultura, língua, etnia. Sempre fui fascinado por isso. Todos somos cineastas todas as noites. Quando sonhamos, criamos o mundo do sonho – cada cor, cada detalhe do cenário, os personagens, o que os personagens dizem. É uma demonstração fantástica do poder criativo da mente humana. Há, portanto, uma relação muito interessante entre sonhar e estar sentado num cinema deixando que um filme, um mundo que outra pessoa criou, tome conta de você, envolva você. Estes conceitos me interessaram muito, e queria explorar esta justaposição com este filme.
UOL Cinema - Que cineastas influenciam seus sonhos ?
Nolan - Stanley Kubrick sempre foi uma grande referência para mim, e vários momentos de "A Origem" mencionam essa influencia. Mas este é, em sua essência, um thriller de ação existencial …(Nolan ri)… e eu sempre fui fã dos filmes de James Bond dos anos 60. Eu tinha que pôr uma cena de perseguição na neve, com esquis, como aquela de "007 A Serviço Secreto de Sua Majestade". Coisas assim, creio, enfatizam a natureza cinematográfica dos sonhos, a relação entre as duas experiências.
UOL Cinema - Quão importante foi a adesão de Leonardo Di Caprio ao projeto?
Nolan - Faz tempo que eu queria trazer Leo para um projeto meu… e não me decepcionei. Além de ser um prazer trabalhar com ele, e dele ser um ator no auge de sua maturidade, ele tem o verdadeiro carisma de um astro. Ele é um movie star, plenamente, E isso faz com que as platéias imediatamente se conectem com seu personagem e invistam nele. Ele tem um dom, um talento extraordinario. Leo trabalha sempre a partir da verdade interior do personagem, e isso ele atinge depois de ler e reler e analisar o roteiro, buscando os elementos para compor seu desempenho. Mais que qualquer outra coisa, Leo é a razão pela qual quem vê meu filme vai se conectar com o mundo que criamos.
UOL Cinema - Você gostaria de compartilhar os sonhos de alguém?
Nolan - É uma ideia apavorante, não é? Na verdade foi esse conceito, a noção desta quebra absoluta da privacidade, que deu a forma final ao que seria ser "A Origem". Então não, a noção de invadir os sonhos alheios é muito assustadora para sequer ser contemplada na realidade. É a violação mais absoluta do invíduo. Se bem que, se eu pudesse saber como Orson Welles sonhava…
DICAPRIO
Recém-saído de um outro thriller psicológico, "Ilha do Medo", de Martin Scorsese, Leonardo di Caprio dedicou-se de corpo e alma à complexa filmagem de "A Origem", que exigiu não apenas treinamento físico mas sobretudo uma vasta exploração dos processos do sonho e sua importancia no equilibrio da mente humana. No papel de Cobb, o “extrator” e líder de uma equipe de “agentes oníricos”, Leo tem um dos desempenhos mais originais de sua já aclamada carreira.
UOL Cinema - O que fez você dizer “sim” a Christopher Nolan – que, pelo que ele disse, há tempos anda querendo fisgar você?
DiCaprio - Chris é um diretor visionário e este é um filme altamente ambicioso, um filme que opera em pelo menos quatro níveis diferentes da mente humana. Como eu poderia não querer me envolver nisso? (DiCaprio ri). Mas além disso ele tem no seu centro um personagem profundamente humano, com uma jornada emocional poderosa – do meu ponto de vista, trabalhando sob o ângulo do meu personagem, Cobb, a história é sobre um homem tentando reconciliar-se com seu passado, curar suas feridas e voltar para casa. O fato de Chris ter montado uma estrutura narrativa maravilhosamente complexa em torno disso só faz tudo ficar muito mais interessante.
UOL Cinema - Como você se prepara para viver um personagem que invade sonhos?
DiCaprio - Muita pesquisa e, é claro, buscando ter mais consciência dos meus próprios sonhos. Li "Análise dos Sonhos", de Freud, e outros livros sugeridos por Chris, procurando compreender o processo por todos os lados. Passamos dois meses conversando intensamente sobre sonhos e o mundo dos sonhos, tentando estabelecer regras que pudessem ser mostradas claramente, que possibilitassem o acesso do público a esse mundo. Meu trabalho não era dizer a Chris como criar esse mundo – isso ele estava extraindo do mais profundo da mente dele – mas como criar um personagem emocionalmente poderoso que pudesse ancorar o público nessa experiência.
UOL Cinema - Como Nolan se compara aos outros grandes diretores com quem você já trabalhou?
DiCaprio - Chris é extremamente calmo e confiante em si mesmo. Fazer o que ele fez, um projeto dessa magnitude, com sete locações diferentes, sets complicadíssimos, sem jamais perder a calma, em pleno controle de tudo, é muito raro. Acredite no que eu digo: é muito, muito raro. Os sets de Chris são super tranquilos, íntimos, não parece que você está fazendo um filme gigantescco como este. Todo mundo se sente à vontade e por isso dá o melhor de si. Ele está sempre aberto para aceitar a sua visão do trabalho e também para deixar você acessar os processos e a visão dele. Só assim ele consegue colocar na tela mundos tão extraordinários e absolutamente controlados.
UOL Cinema - Se você pudesse, Você gostaria de invadir os sonhos de quem?
DiCaprio - É uma violação tremenda mas… tem alguns líderes mundiais que precisam que uma boa dose de bom senso e respeito ao meio ambiente seja injetada na cabeça deles (DiCaprio ri).
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E os japoneses adoraram o filme!
Confira a passagem do elenco e do diretor para o lançamento em Tóquio, em matéria da France Presse:
Ruas e prédios que se dobram em si mesmos, corredores de hotéis que perdem a gravidade subitamente. Nenhuma destas cenas de "A Origem", que o trailer não cansa de mostrar, impressionaram Leonardo DiCaprio tanto assim. Para o ator, é a jornada emocional de seu personagem que conta.
“Em meio a todo o espetáculo, é o que mais gostei”, disse o ator em entrevista coletiva no Japão, acompanhado de seu colega de elenco, Ken Watanabe, do diretor Christopher Nolan e da produtora Emma Thomas.
Depois de uma cerimônia de tapete vermelho, que reuniu mil pessoas sob o escaldante (35º) verão japonês, DiCaprio apareceu diante da imprensa para falar sobre o filme.
Dado a respostas longas, ele se espantou – e arrancou risos dos repórteres – com a duração da tradução para o japonês. “Prometo respostas curtas”, brincou, diante do olhar cansado dos colegas de palco, que esperavam em silêncio as tradutoras trabalharem.
O ator enxerga o longa-metragem como uma mistura das obras anteriores do diretor, "Amnésia" e "Insônia", com o espetáculo de "O Cavaleiro das Trevas".
“É um filme ambicioso, mas que dá muita importância para os personagens. Eu acho que uma espécie de 'Oito e Meio' de Chris Nolan, uma mistura do cenário de sonho de Fellini com aquilo que Chris sabe fazer melhor.”
Ken Watanabe foi mais além e buscou outro mestre italiano para tecer uma comparação com o diretor. “Ele é a reencarnação de Leonardo da Vinci”, exagerou.
"A Origem" vem ganhando elogios por conta de sua história original, baseada em ideias amparadas por um espetáculo digno de um filme de verão.
DiCaprio considera que essa é uma obra complicada de ser criada dentro do atual sistema de Hollywood.
“É muito difícil encontrar um filme que combine o melhor do espetáculo que Hollywood pode oferecer com uma estrutura narrativa de várias tramas surreais. Tenho a impressão de que muitos dos lançamentos, especialmente no verão, têm tramas recicladas, enquanto que "A Origem" é uma ideia realmente original.”
Leonardo DiCaprio pareceu à vontade e disse ter afinidade com a cultura local.
“Eu adoro o cinema japonês e animes. 'A Origem' tem muito a ver com o trabalho de Hayao Miyazaki em 'A Viagem de Chihiro' e o último filme de Kurosawa, 'Sonhos', que tem a mesma temática que o nosso filme.”
Primeira animação em 3D do estúdio Universal, "Meu Malvado Favorito" quer conquistar seu espaço no território que a Pixar tem dominado.
Oferece um filme de qualidade, divertido e visualmente atraente, diminuindo, de certo modo, o prejuízo frente à dianteira indiscutível do estúdio liderado por John Lasseter, e que produziu sucessos mundiais como "Toy Story", "Vida de Inseto", "Monstros S.A.", "Carros" e "Procurando Nemo".
"Meu Malvado Favorito" estreia em circuito nacional, exclusivamente em cópias dubladas, nas versões 3D e também 2D - aliás, é uma pena que não tenhamos nenhuma cópia legendada, não permitindo termos acesso às vozes originais de Steve Carell (como Gru) e Dame Julie Andrews (sua mãe).
Partindo de uma ideia do produtor executivo Sergio Pablos, o roteiro de Cinco Paul e Ken Daurio desenvolve-se em torno do autointitulado maior vilão do mundo, que atende pelo nome de Gru - na versão brasileira, com voz do comediante Leandro Hassum.
Tronco robusto, pernas finas, um sotaque indecifrável, olheiras, careca e nariz pontudo, Gru é um especialista em maldades indiscutíveis, embora miúdas - como estourar um balão na cara de um garotinho e congelar com uma arma especial todas as pessoas à sua frente numa fila de lanchonete, apenas para pegar seu lanche primeiro.
Divulgação: Universal Gru congela as pessoas na fila da lanchonete, só para passar à frente
São malvadezas meio infantis e que, por isso, inspiram uma certa simpatia, o que deve acontecer especialmente junto ao público infantil que é o alvo do desenho. Ao longo da história, nota-se o quanto Gru tem dentro de si um coração de criança que não encontrou espaço para crescer, diante de uma mãe excessivamente crítica e dominadora.
Tal como no mundo corporativo da vida real, nessa competição de "maior vilão do mundo", ele encontra pela frente alguém mais jovem - o nerd Vetor - voz de Marcius Melhem - que acaba de roubar nada menos do que uma das pirâmides do Egito, colocando em seu lugar uma imitação inflável que tapeou turistas e autoridades.
Para contrabalançar a façanha do garoto, Gru decide que vai roubar a Lua, contando com a assessoria de seu cientista maluco particular, o doutor Nefário, e o incontável exército de seres amarelinhos que o assistem, os fiéis mas atrapalhados minions.
Essa história de roubar a Lua, Freud explica: quando era pequeno e assistia à chegada dos astronautas ao satélite pela TV - ao som de "Garota de Ipanema", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes - Gru queria de todo modo chegar lá também.
Muitos anos depois, o sonho ressurge, mas agora ele precisa de uma ferramenta, uma arma que dispare raios encolhedores, para poder transportar a Lua.
Um momento muito engraçado, inspirado na vida real, é quando ele procura financiamento para desenvolver a arma junto ao Banco do Mal - onde uma placa informa que o banco se chamava antes Lehman Brothers, o notório banco de investimentos nova-iorquino que pediu concordata em 2008, no meio da crise econômica mundial.
Essa é uma das poucas piadas destinadas aos adultos, pais das crianças que as acompanharem no filme, já que a história centra-se bem mais nas situações em torno do envolvimento de Gru com um trio de órfãs - Margo, Edith e Agnes - que vivem tristes num orfanato, sob a direção da despótica senhorita Hattie, e tentando vender biscoitos de porta em porta.
Quando descobre que o rival Vetor é louco pelos biscoitos, Gru decide adotar as meninas e usá-las para entrar na bem-guardada fortaleza de Vetor - que tem uma arma de raios de encolher prontinha para uso, o que resolve o problema de Gru não ter conseguido seu financiamento no Banco do Mal (mais adiante, na história, se saberá porquê). Como é de se esperar, o tiro sai pela culatra, as meninas são mais espertas e sedutoras do que Gru esperava e a situação evolui em outras direções.
Veja o trailer do filme:
CRÍTICA
Não vá assistir a "Meu Malvado Favorito" esperando um filme que acompanha a tendência de animações que refletem sobre a condição humana, como Toy Story, Persepolis, Como Treinar Seu Dragão ou Wall-E.
Aqui, a pretensão é mais modesta: divertir as crianças, e, para isso, é construído com o olhar dos pequeninos sobre o que é maldade, provocando, para os adultos, uma sensação de visão romântica.
É aquele malvado dos desenhos animados que, no fundo, é bonzinho e só precisa de uma chance para provar. O filme dá a Gru essa chance ao colocar em seu caminho três crianças de um orfanato que aguardam por adoção, já que, ainda criança, ele foi rejeitado pela mãe e, por isso, tornou-se um adulto mal encarado. Para sustentar seu título de “o mais malvado do mundo”, cria um “singelo” plano: roubar a lua!
Essa estréia dos Estúdios Universal na animação desse século - o estúdio produziu em outros tempos pérolas como "Pica Pau" - não é aquele tipo de filme que tem várias camadas ou que reverbera para além da sala de cinema.
Na verdade, em relação aos personagens, sejam adultos ou crianças, o filme é bem simples – não há a metáfora da morte como em Toy Story 3 ou como os pais lidam com as escolhas dos filhos, caso de Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar.
Talvez justamente por ter como público alvo os pequeninos espectadores que irão obrigar os pais a levá-los ao cinema, a história aposta na jornada de transformação do herói – no caso, um malvado de carteirinha.
Cores, planos mirabolantes e um time muito interessante de coadjuvantes - The Minion, as estranhas criaturas amarelas que auxiliam Gru na missão de roubar a lua - garantem aos adultos uma animação simpática e às crianças uma viagem divertida.
Os efeitos especiais da empresa francesa Mac Guffe Ligne também funcionam direitinho e não faltam nem humor, nem ternura.
Essa animação quer apenas recompensar o que o espectador pagou pelo ingresso. Pretensão alcançada, sem dúvida.
MEU MALVADO FAVORITO Título original: Despicable Me Diretor: Pierre Coffin e Chris Renaud Gênero: Animação, Infantil, Comédia Estúdio: Universal Duração: 95 mins Vozes Originais:
Steve Carell Jason Segel Russell Brand Dame Julie Andrews Will Arnett Kristen Wiig Ano: 2010 Data da Estreia: 06/08/2010 Cor: Colorido
Versões: 3D e 2D, somente dubladas Classificação: Livre para todos os públicos País: EUA COTAÇÃO DO KLAU:
Foi um debate morno entre os presidenciáveis, ontem à noite na Band.
Dona Dilma (PT) e Serra Nomuro (PSDB) se esforçaram para polarizar entre si, mas foram obrigados a dividir espaço ao desempenho arrasador do candidato Plínio de Arruda Cavaleiro da Esperança Sampaio (PSOL). Já Tia Marina Silva Clorofila Malafaia (PV) forçou a barra para se apresentar como alternativa aos líderes das pesquisas.
Divulgação: Band Da esq. para a dir: Serra, Marina, Boechat, Dilma e Plínio
O tucano partiu para o ataque primeiro, mas evitou desqualificar o governo do Luiz Inácio - até fez elogios à gestão - como tem sido em sua campanha em cima do muro até agora. Em sua estreia em debates, a petista aparentou nervosismo nos dois primeiros blocos, deixando frases incompletas e estourando o tempo para respostas. Depois,mais calma, a candidata encontrou seu tom.
Dona Dilma e Serra Nomuro evitaram os temas mais presentes das últimas semanas de campanha, como o vínculo do PT com as Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbi - as relações diplomáticas entre Brasil e Irã, a acusação tucana de que o governo boliviano não combate traficantes que operam no país, o suposto dossiê anti-tucano e o vazamento de dados sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge.
Também estreante, Tia Marina direcionou sua primeira pergunta a Serra Nomuro, já se apresentando como alternativa. "Tivemos dois grandes partidos que não foram capazes de esquecer as divergências que muitas vezes são da oposição pela oposição", disse.
Confira um trecho do início do debate:
Fonte: BandNews
Mas foi o octogenário Plínio quem mandou melhor, atraindo a atenção com críticas a todos os candidatos, permeadas de ironias e adjetivos que arrancaram sorrisos até dos adversários. Chamou Serra Nomuro de hipocondríaco e Tia Marina de conciliadora, classificou políticas de Dona Dilma e Serra de "quinquilharia", e ainda fez uma de suas críticas mais diretas à presidenciável do PV. "Você não sabe pedir demissão. Você devia ter pedido demissão", afirmou Plínio, em relação às tensões entre o Ministério do Meio Ambiente comandado por Marina com outros setores do governo. A senadora deixou a legenda onde começou sua militância para ser candidata à Presidência pelo PV. "Estou ouvindo você aqui e nem parece que você saiu do PT", disse Plínio com todas as letras à Tia - Dona Dilma era a principal rival de Tia Marina dentro do governo.
Sua atuação - ao meu ver a melhor do debate de ontem - levou o nome do socialista, à posição número um dos "trending topics" do microblog Twitter. O desempenho do ex-promotor público e um dos fundadores históricos do PT surpreendeu, levando-se em conta que seu atual partido passou meses dividido entre o grupo dele e o da ex-presidenciável Heloísa Helena, que nas próximas eleições tentará novamente voltar ao senado pelo seu estado, Alagoas.
Confira o desempenho de Plínio, ontem:
Fonte: BandNews
Abaixo, um resumo do debate, bloco a bloco:
Primeiro bloco
Após um começo morno, em que cada candidato falou sobre saúde, educação e segurança pública, Dona Dilma e Serra Nomuro elevaram o tom a partir de uma pergunta da petista ao tucano sobre o pouco crescimento do Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Serra disse que não se pode discutir o Brasil "olhando para o retrovisor".
Dona Dilma replicou, dizendo que é muito confortável que se esqueça o passado. No final do primeiro bloco, Serra Nomuro criticou os investimentos em infraestrutura no Brasil, afirmando que os portos e aeroportos do Brasil estão saturados. Já Dona Dilma - que, em alguns momentos, se mostrou nervosa, se posicionando de lado para a câmera e gaguejando muito - afirmou que os dados apresentados por seu adversário sobre portos são de 2006.
Segundo bloco
Serra Nomuro foi ao ataque, perguntando a Dona Dilma “por que o governo federal está discriminando as Apaes (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais)”. Dona Dilma disse que “não é muito correto" afirmar que o governo não olha pra essa questão.
Em sua réplica, o tucano disse que o Ministério da Educação “quis proibir as Apaes de ensinar, [...] cortou o transporte dessas crianças. As Apaes vem sendo perseguidas”.
A petista mais uma vez disse que não podia concordar e que seu eventual governo dará atenção aos excepcionais.
Veja as imagens:
Fonte: BandNews
Além desta polêmica, Dilma fez uma pergunta a Tia Marina relativa ao combate ao crack, enquanto Tia Marina perguntou a Plínio de Arruda Sampaio sobre distribuição de renda.
Terceiro bloco
Dona Dilma perguntou a Serra Nomuro sobre o programa Luz para Todos e sobre a política federal para a indústria naval. Em relação a esta, o tucano disse não ter objeções, mas disse que o Luz para Todos era um "prolongamento" do programa Luz no Campo, do governo FHC.
Serra Nomuro voltou a atacar, ao cobrar o governo Lula por ter acabado com os mutirões da saúde, realizados pelo tucano quando foi ministro de Fernando Henrique. "Eu não sou contra mutirões. Acho que é só uma medida de urgência. Não pode ser a nossa característica na política de saúde", respondeu Dona Dilma.
Após ouvir Dona Dilma e Serra Nomuro falarem sobre saúde, Plínio foi irônico: "Isso tudo que tem aí é quinquilharia. é solução pela metade", afirmou.
Quarto bloco
Nesse bloco, as perguntas foram feitas por jornalistas da Band.
Dona Dilma e Serra Nomuro falaram sobre privatizações. O tucano disse que o governo Lula desvalorizou o patrimônio público, enquanto a petista criticou a gestão de FHC por não ter reduzido a dívida pública.
“Com relação ao governo Lula e ao governo FHC, se eles eram tão contra, é um mistério. Porque nada foi reestatizado”, disse Serra Nomuro. Por sua vez, Dona Dilma disse que o governo Lula não reestatizou empresas porque não revê contratos. “A gente respeita contrato”, disse ela, que mais tarde chamou de “magia financeira” a “venda do patrimônio público”.
A petista também prometeu redução de juros, enquanto o tucano disse que criará, a exemplo de São Paulo, a "nota fiscal brasileira".
Quinto bloco
Em suas considerações finais, Serra Nomuro disse que "concorrer à Presidência é algo que me emociona" e relembrou seu passado no exílio. "A defesa da Petrobrás e da reforma agrária me custou 14 anos no exílio. Voltei com um compromisso com o povo brasileiro", encerrou.
No início de sua fala, o candidato tucano contou que sua filha cobrou um pai mais sorridente durante o debate, e explicou: "Eu estou muito feliz. Posso nao ter sorrido, mas fiquei bem feliz [com o evento]".
Já Dona Dilma aproveitou seus dois minutos finais para elogiar a "generosidade e a experiência política" do presidente Lula e ressaltar seu trabalho como chefe dos ministros do governo petista, e se comprometeu com a erradicação da miséria e da pobreza,reforçando a ideia de que o governo atual "devolveu a auto estima de que podemos ser um país desenvolvido".
Tia Marina encerrou sua participação reforçando um compromisso com "educação de qualidade" e elogiou os governos anteriores. "O Brasil acabou com o preconceito de classe e foi capaz de colocar um sociólogo no poder. Depois um operário. Agora, a primeira mulher de raiz humilde de origem amazônica".
Plínio concluiu sua participação ironizando, mais uma vez, a participação dos candidatos. "Ficou claro que todos são Poliana. O bem tem que ser feito e o mal tem que ser evitado", disse. O candidato aproveitou para dizer que acredita que "foi discriminado no debate, assim como foi discriminado em outras ocasiões".
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O colunista do Band e Bandnews, Joelmir Beting, disse que o debate foi bastante proveitoso para o telespectador:
Fonte: BandNews
Para o diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre, o debate realizado ontem ditou os rumos da campanha eleitoral:
Fonte: BandNews
O jornalista Ricardo Boechat, que foi o mediador, disse que o debate entre os presidenciáveis teve muitos momentos de discussão objetiva:
Serra Nomuro depende dos debates para tentar algo contra Dona Dilma; os puxadores de votos dos partidos nos assombram; coroné Sarney ainda manda no setor elétrico do país; Gabeira distribui bananas...
Essas e muitas outras, no resumo semanal de Política, sempre com muito humor!
Leia:
DEBATES: A ÚLTIMA CHANCE DE SERRA NOMURO
A série de debates que começa hoje é a única chance de Serra Nomuro reverter um quadro eleitoral que é claramente favorável a Dona Dilma.
Há uma sensação no ar de de bem-estar no país, e nada mais natural que o eleitorado prefira o continuísmo à mudança.
Para mudar isso, os candidatos da oposição teriam que pôr na roda emoção, utopia, uma ilusão que convença.
Como nada disso está à vista, e o tempo para que isso possa aparecer é mínimo, resta para a oposição desconstruir Dona Dilma, o que só pode acontecer nos debates, já que no horário gratuito, ela será mostrada como a "Mãe do Pac", o "Braço Direito do Lula" e tendo ao seu dispor toda sorte de marquetices, assim como como todos os demais candidatos.
A exceção é o octogenário Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que sempre prefere a autenticidade ao embrulho, mesmo que isso não lhe dê votos.
O debate é a única chance de fazer a candidata governista escorregar numa eventual casca de banana, já que sem ter quem lhe diga ao pé da orelha o que dizer, e sem ter um teleprompter de última geração à sua frente para ler o que falar, dona Dilma pode mostrar-se indecisa, atrapalhada ou insegura, algo que leve o público a acreditar que ela não é a garantia de que o horizonte azul da era Lula vai continuar.
Quanto a Serra Nomuro, o debate terá alguém lá, presente na bancada, para ajudá-lo na difícil de colocar as cascas à frente de Dona Dilma: é Plínio de Arruda Sampaio, o único com coragem suficiente para dizer que o imensamente popular governo Lula é "nefasto", como o fez em entrevista recente.
Logicamente, o candidato do PSOL também não vai poupar Serra Nomuro, mas o tucano está habituado a levar paulada da esquerda, ao contrário de Dona Dilma.
A HORA DO ESPANTO
Todos os partidos selecionaram uma série de candidatos enrolados na Justiça, além de figuras do showbiz, para usarem a chapa mais nobre nas eleições à Câmara dos Deputados.
São os chamados "puxadores de voto", que carregam na campanha o número dobrado da sigla, de maior apelo e mais fácil memorização.
Em São Paulo, o 1111 é de Paulo Maluf (PP) - ameaçado pela Lei da Ficha Limpa; o 1313, de José Genoino (PT) - notório alcagueta e réu no mensalão; o 1212, de Paulinho da Força (PDT) - investigado pela PF na Operação Santa Tereza; e o 2222 é do palhaço Tiririca (PR), o do hit "Florentina de Jesus".
Meu Deus...
SORTE NO JOGO
Serra Nomuro foi sorteado para iniciar dois dos três blocos de perguntas entre os candidatos no debate da Band.
Se quiser, poderá questionar apenas Dona Dilma.
Já a petista, pelo sorteio, terá apenas uma oportunidade garantida de fazer pergunta ao tucano.
DONA MARTA FAZ ACORDO COM ESPANCADOR DE MULHERES
Marta Suplicy (PT) e Netinho (PC do B) fecharam um acordo sobre o tempo de cada um na propaganda para o Senado em São Paulo: ela terá 2 min e 10 seg, ele, 1 min e 10 seg.
Volto a repetir: ela jogou no lixo toda uma biografia de defesa das mulheres, ao aceitar esse nefasto espancador de mulheres como companheiro de chapa.
O CORONÉ NÃO QUÉ
Mandatário da capitania do setor elétrico , o Coroné Sarney (PMDB-AP) aconselhou o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) que fique atento à Aneel.
A agência autorizou reajustes de energia em SC, ES e PA, e o presidente do Senado teme possível reflexo na campanha de Dona Dilma.
CANSADO?
Ao analisar em seu "ex-blog" o desempenho dos candidatos na estreia da cobertura eleitoral do "JN", Cesar Maia (DEM-RJ)escreveu: "Achei o William Bonner um pouco cansado".
Mas o Bonner acabou de voltar de férias na África do Sul, com a Fátima e os filhos!
FEIRA DA FRUTA
Depois de protestar contra a falta de apoio de candidatos, dizendo que poderá lhes "dar uma banana" se eleito governador do Rio, Fernando gabeira (PV) procurou esfriar os ânimos durante evento de campanha ao lado de Serra Nomuro em SP: "Colocaram a banana fora de contexto".
Afinal, candidato: ONDE É QUE ENFIARAM A BANANA?
JUDAS AMAZONENSE
De todos os sumiços anotados pela cúpula da campanha de Serra Nomuro, nenhum causou mais rebuliço que o de Arthur Virgílio (PSDB-AM), que na tentativa de viabilizar sua reeleição ao senado aliou-se ao lulista Alfredo Nascimento (PR), e rifou a campanha presidencial tucana no Amazonas.
Que feio, senador!
EM QUE ESTADO O ALCKMIN TFP VIVE?
Os ataques do fim de semana ao quartel da Rota e ao seu comandante devem entrar na pauta da campanha eleitoral paulista, até porque o líder nas pesquisas, Geraldo TFP Alckmin (PSDB), vem dizendo que a segurança pública no Estado é "exemplo" para o país.
É outro completamente sem noção...
ELES CONTINUAM À SOLTA...
Varridos do Legislativo nas eleições de 2006, congressistas que tiveram o nome ligado à máfia dos sanguessugas planejam voltarem triunfalmente aos gabinetes de Brasília ou às Assembleias do país.
De um total de 86 deputados federais e senadores contra os quais a CPI ou a Procuradoria da República apontaram indícios de envolvimento, mais da metade - 46 - são candidatos à Câmara, ao Senado ou às Assembleias.
Entre eles, o ex-deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), acusado de integrar o "braço político" do esquema, e o 2º suplente na chapa ao Senado de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Gilberto Nascimento, que teve o seu caso arquivado pela CPI dos Sanguessugas por falta de provas.
Mas o Ministério Público de Mato Grosso -que concentra as investigações- denunciou o suplente por formação de quadrilha e corrupção passiva.
Depois de ser bombardeado dentro do próprio partido, Nascimento decidiu na sexta abandonar a disputa.
Eleitor desses estados: cabe a vocês impedirem essa volta!
...E NÓS TEMOS DE FICAR DE OLHO!
Só para lembrar: a CPI dos Sanguessugas apontou indícios contra 69 deputados.
Desses, apenas cinco se reelegeram em 2006.
As investigações foram facilitadas com o depoimento da família Vedoin, que revelou a venda superfaturada de ambulâncias a prefeituras, com intermediação de congressistas.
Embora a PF e Ministério Público tenham incluído novos nomes no rol de suspeitos, alguns dos listados pela CPI não sofreram processo na Justiça, por falta de provas.
PASSANDO A SACOLINHA
A próxima etapa para a aproximação de Dona Dilma com os evangélicos é a produção de material de campanha específico a ser distribuído aos tontos, quero dizer, fiéis.
A ideia é colocar no papel algo como o que foi dito pela candidata no último sábado, em encontro com representantes das igrejas, quando ela citou passagens bíblicas e disse ser "a favor da preservação da vida".
Depois do evento de Dilma com evangélicos em Brasília, o vice Michel Temer (PMDB) foi representar a petista num evento em São Paulo com mulheres de pastores.
Toda vez que eu ouço "evangélicos na política", fico como a regina Duarte naquela famosa campanha: tenho medo, muito medo.
PASSANDO A SACOLONA
A grana recolhida por Dona Dilma e Serra Nomuro no primeiro mês oficial de campanha deverá ficar próximo de 10% do que as duas campanhas estabeleceram como previsão de gasto em toda a eleição. Dirigentes da campanha petista afirmaram que havia entrado R$ 12 milhões em seus cofres, com promessa de mais R$ 2 milhões.
Já responsáveis pela arrecadação tucana dizem ter obtido cerca de R$ 15 milhões em doações, embora a meta seja de R$ 20 milhões.
A divulgação oficial na internet é obrigatória e ocorrerá amanhã.
FRASES
"Se o PT pudesse fazer da Dilma uma bela adormecida que só acordasse em outubro com um beijo do Lula, ela até teria chance. O problema é que ela vai ter de falar por si".
DO DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), criticando o desempenho individual da candidata do governo
*****
"Espero que Rodrigo Maia deixe de bobagens e comece a trabalhar de fato pelo Serra".
DO PRESIDENTE DO PSDB-SP, MENDES THAME, em resposta ao presidente do DEM, Rodrigo Maia, segundo quem as críticas de Fernando Gabeira à falta de apoio de aliados teriam como alvo o candidato tucano ao Planalto.
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"Há oito anos o Brasil sabe o que Dilma pensa. Já o Serra mais parece um camaleão: começou a campanha dizendo que não era de oposição e hoje parece um troglodita."
DO DEPUTADO CÂNDIDO VACCAREZZA (PT-SP), sobre a afirmação de Serra de que não sabe o que sua adversária pensa porque ela não iria a debates.
HISTÓRIAS PRA BOI DORMIR
Durante a campanha para prefeito de Pindamonhangaba, em 1976, Geraldo TFP Alckmin abordou uma moradora na porta de casa.
Depois de meia hora de prosa com o candidato, ela sentenciou:
-Tudo bem, doutor! Vamos todos votar no senhor!
Satisfeito, Alckmin se despediu e já ia seguindo para a casa vizinha, quando a mulher alertou:
-Só falta o senhor deixar o dinheiro do ônibus...
Ele fez cara de espanto, e ela explicou:
-É que aqui a família toda vota em Itajubá/Minas Gerais...
Dona Dilma (PT), Serra Nomuro (PSDB), Tia Marina Silva Clorofila Malafaia (PV) e Plínio de Arruda Cavaleiro da Esperança Sampaio (PSOL), encontram-se pela primeira vez hoje, para apresentar e debater propostas de governo no tradicional debate promovido pela TV Bandeirantes, com transmissão ao vivo às 22h.
Segundo a última pesquisa Ibope - usada como critério pela emissora para convidar os candidatos - Dilma apareceu em primeiro lugar, com 39%,
Serra ficou em segundo, com cinco pontos percentuais a menos, Marina Silva tem o apoio de 7% do eleitorado, e Plínio foi o quarto colocado, com menos de 2%.
O debate na Band será a primeira prova de fogo da campanha de Dilma, candidata que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cujo governo foi responsável, em períodos diferentes, pelos ministérios da Casa Civil e de Minas e Energia.
O ponto fraco da presidenciável é o fato de ela nunca ter disputado uma eleição, ao contrário de Serra, que já foi governador, prefeito, deputado e senador, além de ter concorrido à Presidência uma vez.
No entanto, o PT confia que a falta de experiência de sua candidata será compensada pelo amplo apoio popular a Lula.
Em sete anos como presidente, ele tem o respaldo de cerca de 80% da população, de acordo com pesquisas.
Marina Silva, por sua vez, tem experiência como ministra do Meio Ambiente de Lula até maio de 2008, quando renunciou devido a divergências com o governo em relação a projetos de desenvolvimento na Amazônia.
No ano passado, ela também renunciou a 30 anos de militância política no PT para se filiar ao PV e concorrer à Presidência.
Plínio participou da fundação do PT em 1980 junto com Lula, e deixou o partido em 2005, em protesto aos graves escândalos de corrupção envolvendo figuras importantes da própria legenda e do governo.
Desde então, tornou-se forte crítico de Lula e, por extensão, de Dilma, a que acusa de ter "traído" os ideais socialistas que nortearam os fundadores do PT.
Eles estarão frente a frente para responder e fazer perguntas ao longo dos cinco blocos do debate, que terá duração prevista de duas horas.
Uma das principais novidades desta edição é que a primeira pergunta do debate será sobre o tema que mais preocupa os internautas do eBand.
Ela será respondida pelos candidatos por ordem de sorteio.
Outra inovação do confronto entre os presidenciáveis é a ampliação do tempo destinado às respostas dos candidatos.
Até o ano passado, cada um tinha um minuto para responder às perguntas de seus adversários e dos jornalistas.
Agora, serão dois minutos.
Segundo Fernando Mitre, diretor nacional de jornalismo do Grupo Bandeirantes, a alteração das regras dá aos concorrentes maior possibilidade de expor suas propostas.
“Esse debate oferecerá mais conteúdo ao telespectador, por isso terá um índice de utilidade maior do que nos anos anteriores”.
Na primeira etapa do debate, a pergunta terá no máximo um minuto e as respostas, dois minutos.
Em seguida, candidato pergunta para candidato: as perguntas serão de 30 segundos e respostas, de dois minutos.
Os candidatos terão ainda direito a réplica, de um minuto, e tréplica também com um minuto.
No segundo e no terceiro blocos, a regra é a mesma: a primeira questão será feita pela produção da Band e, depois, os candidatos fazem perguntas uns para os outros.
Os jornalistas José Paulo de Andrade e Joelmir Beting perguntarão aos candidatos, e o debate será mediado pelo âncora do "Jornal da Band", Ricardo Boechat.
As perguntas terão 30 segundos, e as respostas, dois minutos.
Os candidatos ainda terão direito a réplicas e tréplicas de um minuto cada.
Na quarta parte, jornalistas da emissora farão questões aos participantes, indicando quem comentará a resposta.
As questões terão 30 segundos; as respostas, dois minutos e os comentários, um minuto.
Haverá ainda réplica de um minuto, e vale observar que todos os candidatos serão perguntados e comentarão.
No último bloco, os candidatos terão dois minutos e meio para fazer as suas considerações finais, seguindo a ordem inversa do primeiro bloco.
Em caso de segundo turno, a Band promoverá um debate entre os dois presidenciáveis que ainda estiverem na disputa no dia 10 de outubro.
A Band informou que credenciou 170 profissionais de imprensa do Brasil e do exterior.
Durante a campanha estão previstos outros três debates organizados por emissoras de televisão:
"RedeTV" (12 de setembro), "Record" (28 de agosto) e "Globo" (30 de agosto).
Além disso, Dilma, Serra e Marina ainda devem debater em 18 de agosto num evento promovido pelo portal UOL e o jornal "Folha de S.Paulo".
Eu acredito que debates são a melhor forma dos eleitores conhecerem os candidatos, sem os artifícios e efeitos especiais que a marquetagem coloca nos programas do horário político gratuito, e servem justamente para que os eleitores criem consiência democrática para votarem corretamente.
Apesar de a Globo exibir no mesmo horário o jogaço Inter X São Paulo pela Copa Libertadores, acredito que os brasileiros que se preocupam realmente com os destinos do nosso país, optarão pela tela da Band.
Foto: Band/Divulgação
Pessoal prepara o cenário no estúdio da Band para o debate de hoje
PRIMEIRO DEBATE COM OS PRESIDENCIÁVEIS
Onde:
Band (Tv aberta), BandAM e BandNews FM (rádios), Bandnews (Tv por assinatura) e e.Band (net)
Você sabe o que significam os votos brancos e nulos em uma eleição? Muitos têm dúvida sobre o tema.
A equipe de reportagem da Band foi às ruas atrás de respostas, e revela que, se você ainda pensa em votar em branco ou anular seu voto como uma forma de protesto, esqueça.
Para o TSE, votos brancos ou nulos servem apenas para estatística, e jamais são levados em conta num eventual cancelamento de uma eleição.
Voto é coisa séria.
Você tem de escolher candidatos que o representem bem, e votar, válida e conscientemente.