quarta-feira, 4 de agosto de 2010

JEAN-MICHEL BASQUIAT, POR INTEIRO NA SUÍÇA

Se vivo estivesse, o pintor americano Jean-Michel Basquiat completaria em dezembro 50 anos e estaria, na aposta do curador da maior exposição a seu respeito, parindo desenhos e vídeos compulsivamente, como não se vê mais na Nova York "limpa e careta" de hoje.

É essa "sujeira" criativa, o experimentalismo em falta, a carga social crítica, energia e raiva que o curador Dieter Buchhard reuniu na Fundação Beyeler, na cidade suíça da Basileia, para produzira mostra mais ampla e mais objetiva da carreira do pintor.

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Tela - sem título - de Basquiat, de 1981

A exposição segue até setembro, no bonito museu mantido pela fundação em um subúrbio da cidade que faz fronteira com a França e a Alemanha, para ir depois para o Museu de Arte Moderna de Paris, onde fica até dezembro.

Para o curador, Basquiat lembra muito o expressionista norueguês Edvard Munch na força e no drama de suas pinceladas.
"Acabei fascinado pelo Basquiat diante da intensidade enorme de seu trabalho, que eu vi pela primeira vez no Munch do início de carreira e reencontrei nele."

E esse fascínio continua. A próxima mostra de Buchhard também é sobre o pintor, focada em sua relação com Andy Warhol.
"Ainda me fascina que alguém tão jovem pudesse produzir algo tão maduro."

O curador reuniu 86 telas e mais de 60 desenhos, além de 10 esculturas e objetos produzidos por Basquiat.

As figuras negras triunfais, o boxeador vitorioso, as imagens de repressão e libertação, anotações sobre a pobreza e números e palavras tortas às vezes em inglês, às vezes em crioulo - língua do pai do artista -anotados de forma obsessiva muitas vezes pela tela quase toda, são motivos recorrentes.

Isso, diz Buchhard, revirou e inverteu estereótipos em um momento em que galeristas, colecionadores e até quadros eram de etnia branca.

Na obra de Basquiat, o traço quase infantil e o uso das cores primárias casam-se para sempre com uma mensagem adulta, dura.

O curador arrisca um palpite: o pintor enveredaria pelo caminho do vídeo, mas continuaria a desenhar obsessivamente.
"Ele era um desenhista maníaco. Se você estivesse falando com ele agora, ele estaria desenhando. E era muito disciplinado".

Isso explica a extensão da obra deixada pelo gênio negro, em uma carreira de apenas oito anos.

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Tela - sem título - de 1982

A Nova York em ebulição dos anos 70 e 80 de que Basquiat é produto e processo - junto com Warhol e Keith Haring - também acabou - um ciclo talvez encerrado pela morte do próprio Haring em 1990.

"Nova York ficou tão comercial", lamenta o curador.
"Os artistas estavam lá porque era superbarato, era uma cidade de gangsters. Depois o [ex-prefeito Rudolph] Giuliani [1994-2001] limpou tudo, e os artistas se foram, o que mudou muito a cena. Ficou muito menos experimental."

Outro ponto abordado na exposição é a intensa relação de Basquiat com Warhol, a quem inspirou a voltar a pintar e por quem foi inspirado.
Os quadros pintados conjuntamente e a tela com o silk screen dos dois calçando luvas de boxe deixam entrever a relação simbiótica.

Para produzir a retrospectiva, Buchhard trouxe peças dos EUA e juntou-as com outras que estavam na Europa, onde uma mostra desse porte da obra do pintor é inédita.

O curador, que não conheceu o artista pessoalmente, contatou amigos, conhecidos, galeristas e colecionadores para ouvir sobre seu objeto, e defende que isso confere mais objetividade a uma retrospectiva de um artista cujo carisma afetou a maioria dos que o conheceram.
"Já é hora de fazer isso. Ele morreu há mais de 20 anos."


SAIBA MAIS SOBRE O ARTISTA


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Retrato de Jean-Michel Basquiat feito por Andy Warhol em 1982

Jean-Michel Basquiat nasceu no Brooklyn, NY, filho de um haitiano e de uma filha de costarriquenhos, que se separaram quando ele tinha sete anos.

Foi criado pelo pai com as irmãs, e aos 14, se mudou para Porto Rico com a família.
Com 16, já trabalhando com arte, criou uma persona artística - que depois viraria seu projeto SAMO - até ser descoberto, aos 19, pelo mercado de arte nova-iorquino e, logo depois, por Andy Warhol.

Avesso ao establishment, revirou o cenário artístico de sua época, em um momento em que as galerias começaram a ser invadidas pela arte das ruas.

Encontrou influência em Cy Twombly, Warhol e Picasso, mas se inspirou principalmente na cultura pop e na vida marginal de uma cidade suja - a Nova York de então.

Cético no primeiro momento, Warhol se embeveceu pelo pintor paradoxalmente espontâneo e vivido, ajudando a catapultá-lo à condição de primeiro artista plástico negro reconhecido na cena americana.

A vida e a obra do artista se tornaram conhecidas de um público mais amplo com o filme "Basquiat" (1996) - de Julian Schnabel - no qual o pintor é encarnado soberbamente por Jeffrey Wright - indicado ao Oscar.

Neste ano, chega às telas "The Radiant Child", documentário feito por sua amiga Tamra Davis, que o retrata como um iconoclasta.

Foi da extrema pobreza à fama, em apenas oito anos.

Morreu numa tarde de agosto de 1988 por overdose.

Uma das últimas Bienais de SP trouxe algumas poucas - mas muito expressivas - obras do artista, e foi o motivo de eu ter ido ao Ibirapuera nada menos do que oito vezes, só para babar, e babar, e babar, e chorar, e chorar e chorar...

E eu fico imaginando como seria ver Basquiat, cinquentão, nos Estados Unidos caretérrimo de Barack Obama de hoje.

DEZ FALSOS MOTIVOS PARA NÃO VOTAR NA DILMA

Meu amigo José Fernando Leite chama a atenção para um artigo de Jorge Furtado, um dos mais respeitados cineastas brasileiros - e também repórter, apresentador, editor, roteirista e produtor.

Jorge já foi premiado 13 vezes - dentre os quais, o Prêmio Cinema Brasil, em 2003, de melhor diretor e de melhor roteiro original do longa "O homem que Copiava" - e é uma das melhores cabeças pensantes desse país.

Reprodução: site Casa Cine Poa
Jorge Furtado

No artigo reproduzido abaixo - e que foi publicado originalmente no site casacinepoa.com.br - ele lista e explica as 10 maiores mentiras da atual campanha eleitoral sobre a Dona Dilma, candidata do PT à presidência.

É evidente que eu não concordo com muitas das afirmações de Jorge, mas seu artigo serve para refletirmos sobre as verdades e mentiras de uma campanha eleitoral tão importante quanto essa.

Leia:


DEZ FALSOS MOTIVOS PARA NÃO VOTAR
NA DILMA

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes:

1. “Alternância no poder é bom”.
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. “Dilma não é simpática”.
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. “Dilma não tem experiência”.
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista”.
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o Real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política”.
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista – no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC – foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC”.
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. “O PT censura a imprensa”.
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.



(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula:

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

(2) Elio Gaspari, na "Folha de S.Paulo" de 25.07.10:
"José Serra começou sua campanha dizendo: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles”, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar o seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos."


terça-feira, 3 de agosto de 2010

FESTIVAL DE CINEMA DE LOCARNO TERÁ COMPETIDOR BRASILEIRO

Cartaz da edição 2010 do festival

A 63ª edição do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, começa amanhã, com o filme brasileiro "Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha" na lista da competição pelo Leopardo de Ouro.

Dirigido por Helena Ignez e Icaro Martins, a produção brasileira será a única representante latino-americana deste ano no festival, que começará com a projeção gratuita e ao ar livre de "La Nostra Vita", de Daniele Luchetti.

Até o dia 14 de agosto, 18 produções competirão pelo Leopardo de Ouro, prêmio máximo de um dos festivais de cinema mais antigos do mundo.

Representando a Espanha, "La Vida Sublime", de Daniel Villamediana, e "¿Te vas?", de Cristina Molino competirão no festival, que este ano terá 100 filmes a menos que na edição anterior - um total de 290 produções.

A atriz francesa Chiara Mastroianni - a filha que a Diva Catherine Deneuve teve com o Deus Marcelo Mastroianni - receberá um prêmio de excelência por sua carreira.

O festival dedicará uma retrospectiva ao diretor alemão Ernst Lubitsch, um dos diretores favoritos de Greta Garbo.

Fundado em 1946, o Festival Internacional de Cinema de Locarno começou com o objetivo de descobrir novos talentos e tendências, que o levou a consagrar-se atualmente como um dos principais eventos do cinema internacional.

Vamos acompanhar!

SANDRA BULLOCK, A MAIS BEM PAGA DE HOLLYWOOD

A revista "Forbes" acaba de publicar na sua edição on-line que Sandra Bullock foi a atriz mais bem paga de Hollywood no último ano, à frente de Reese Witherspoon e Cameron Diaz.

Graças a sucessos de bilheteria como "Um Sonho Possível" e "A Proposta", Bullock embolsou US$ 56 milhões entre junho de 2009 e junho de 2010.

"Um Sonho Possível" e "A Proposta", que tiveram um custo de produção apenas moderado, renderam em bilheteria US$ 310 milhões e 320 milhões no mundo todo, respectivamente.

Bullock - que levou o Oscar de Melhor Atriz por "Um Sonho Possível" - aceitou participar dessas produções e reduziu seu cachê em troca de uma boa porcentagem da renda das bilheterias.

A segunda colocada na lista da "Forbes" é Reese Witherspoon, que apesar de não aparecer diante das câmeras nesse período faturou US$ 32 milhões antecipadamente por seus papéis em "How Do You Know" e "Water for Elephants".

A terceira atriz mais bem paga de Hollywood é Cameron Diaz, que também recebeu cerca de US$ 32 milhões pela saga de animação "Shrek" - ela é a a voz da Princesa Fiona - e pelo cachê no filme de ação "Dupla Explosiva", em que divide a telona com Tom Cruise.

Fotos: AP - Montagem: Cláudio Nóvoa

Cameron, Sandra e Jenifer


MALAFAIA, DESCENDO A LADEIRA

No começo de abril, Silas Salafrária, quero dizer, Malafaia, lançou em parceria com outro "pastor" norte-americano, Mike Murdock, um plano para arrecadar R$ 1 bilhão.

E ele se ferrou...


O dinheiro seria empregado em "evangelização" em todo o mundo e manutenção de programas de TV em pelo menos 140 países.

Malafaia batizou o plano de "Clube de 1 milhão de Almas", onde cada fiel que aceitasse colaborar teria de doar R$ 1 mil.

Por causa do plano, o pastor recebeu severas críticas de setores não só da Assembleia de Deus - a seita a que ele e a tia Marina pertencem - mas também de outras seitas evangélicas, e por causa das críticas, o pastor teria se afastado da AD.

Quatro meses depois, o tal plano é um fracasso numérico e financeiro.

Até ontem, menos de 5.000 pessoas tinham aderido ao programa, embora Malafaia esteja fazendo propaganda ostensiva em horários que adquire na TV e no rádio.

Pelo andar da carruagem, o "pastor" levará 330 anos para completar o milhão de almas pretendido, e o acordo que ele disse ter fechado para exibir programas em outros países é válido apenas para este ano.

O "sócio" de Malafaia no mirabolante plano, o tal Murdock, é pregador conhecido nos EUA como ferrenho defensor da teologia da prosperidade - aquela que prega que o fiel pode obter ganhos financeiros e materiais única e exclusivamente através de sua fé, e que essa fé deve ser demonstrada com uma espécie de generosidade para com a igreja com que ele, fiel, frequenta.

Ao doar parte do que tem, o fiel teria uma contrapartida divina garantida, já que "Deus é fiel" - em seu acordo com os humanos.

É o mesmo discurso da Igreja Universal do Reino de Deus - do Edir Macedo - e da Renascer em Cristo - do casal de bandidos internacionais Sônia e Estevão Hernandes - usam para tomar uma grana no mole de quem as frequenta.

Esse tipo de seita lança constantemente "desafios" para seus seguidores, que, quase sempre, resultam na doação de dinheiro para esta ou aquela "causa" da "igreja".

A Universal atualmente está pedindo - e recebendo - dinheiro dos tontos, quero dizer, fiéis, para construir uma réplica do templo de Salomão, e a Renascer pede grana dos otários, quero dizer, fiéis, para reconstruir sua sede na Avenida Lins de Vasconcelos, aqui em Sampa.

Quanto ao Malafaia, só posso ficar contentíssimo em ver um explorador contumaz da fé alheia se ferrar.

Afinal, "DEUS TARDA, MAS NÃO FALHA".

Fonte: Coluna do Ricaldo Feltrin - UOL
Texto final: Cláudio Nóvoa

TOP FIVE DO CQC

Telespectador manda um "vai tomar no cú" ao vivo; Maria Bethânia é atacada por fã portuguesa; Maisa reclama que Sílvio Santos fala cuspindo; Homem fala sobre suashemorróidas em frente, e time islandês comemora gol com "pescaria".

O Top Five é um dos quadros mais legais da nossa TV, e é exibido pelo CQC todas as segundas às 22h15 na Band.

Confira:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CORONEL ALAGOANO ATACA NOVAMENTE!

Essa é para você, que comprou a mentira chamada "Fernando Collor" nos anos 90.

Collor xinga repórter e promete ‘enfiar a mão na cara’

"Abespinhado com uma notícia que o incluiu no rol dos políticos alagoanos com “ficha suja”, Fernando Collor telefonou para a redação da revista IstoÉ.



Veio ao telefone o repórter Hugo Marques, autor do texto. Ele está lotado em Brasília. Collor foi ao ataque:


"Se eu lhe encontrar, vai ser pra enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta..."

"...Você vai ter que colocar aí, dizendo que você, como mau jornalista...“


O ex-presidente, hoje candidato ao governo alagoano, não teve tempo de completar a frase.

O interlocutor achou melhor interromper a ligação no nascedouro.

Ouvido pelo repórter Eduardo Neco, do portal Imprensa, Hugo Marques disse: "Eu não queria ouvir insultos e nem responder...”

“...Fico preocupado de ele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada".


Collor não se pronunciou sobre o episódio".



Isso, continua votando nos coronéizinhos, continua, seu tonto!



Via Blog do Josias

JOVENS CRIADOS POR PAIS - E MÃES - GAYS


Luciana Whitaker/Folhapress
Matheus e Viviane Mattos (no alto); Aléxia Gaspari, cercada pleo pai, Alexandre (esq.) e o companheiro, Ivan Amaro
Matheus e Viviane Mattos (no alto); Aléxia Gaspari, cercada pleo pai, Alexandre (esq.) e o companheiro, Ivan Amaro




Há quatro anos, Aléxia Gaspari, 16, estava no carro com seu pai, Alexandre, quando ele começou: "Olha, aquele amigo do papai não é só um amigo, entende? Ele vai morar lá em casa."



"Na hora, levei numa boa. Mas, quando vi os dois se beijando, fiquei muito mal e tive uma crise de choro. Na teoria, é fácil aceitar. Na prática, é diferente."
Com o tempo, a situação melhorou. "Hoje, somos uma família normal", diz.

Na semana do Dia dos Pais, o caderno Folhateen, da "Folha de S.Paulo", conversou com jovens criados por pais gays.

As famílias homoafetivas ainda não figuram nas estatísticas do Brasil (os primeiros dados começaram a ser levantados ontem, no Censo 2010), mas elas existem e levantam uma questão para os adolescentes de hoje: como você reagiria se seu pai dissesse que é homossexual?

Flávia*, 17, por exemplo, "costumava xingar homossexuais na rua". Quando o pai e, depois, a mãe assumiram que eram gays, a garota entrou em parafuso. "Fiquei transtornada. Não conseguia acreditar. Tudo virou de pernas para o ar", lembra.

Flávia começou a culpar a mãe pelos porres que tomava. Tentou fugir de casa. E tinha vergonha de apresentar os amigos aos pais.

Ela se refugiou nas letras e começou a escrever contos.

"Amo meus pais e, quando vi que não tinha mais volta, passei a aceitá-los. Eu me coloquei no lugar deles e entendi o quanto deve ser difícil se assumir", explica.

O desafio desses jovens é aplacar, de uma vez, o ciúme e o próprio preconceito.

"O jovem pode achar que "ser gay" é uma forma de traição, e isso gera angústia", explica Ana Cláudia Bortolozzi Maia, professora de psicologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e autora do livro "Adoção por Homossexuais" (ed. Juruá). "Eles têm de entender que o pai não deixou de amá-los, só está tentando ser feliz", diz.

HORA CERTA

Pedro Carrilho/Folhapress
Flávia*, 17, começou a escrever depois que o pai e a mãe "saíram do armário"
Flávia*, 17, começou a escrever contos quando o pai e a mãe "saíram do armário"



"Não deve ser fácil contar que é gay para o filho", diz Natália*, 15, cujo pai vive com outro homem há quatro anos. "Eu pensava: "Por que não me contou antes?". Acho que foi para me poupar."

Existe hora certa para contar? Para Bortolozzi, em geral "a criança assimila melhor esse tipo de situação do que um jovem".

E é uma boa falar sobre isso com os amigos? Matheus Mattos, 15, só contou que a mãe, Viviane, é gay para o melhor amigo. "O grupo social é importante para o jovem, mas pode ajudá-lo tanto a aceitar quanto a discriminar", diz a psicóloga.

Certa vez, um garoto xingou o pai de Aléxia na escola. Desconcertada, ela pediu conselhos ao pai, que a ajudou a lidar com a situação. "Mas isso nunca mais aconteceu. Todas as minhas amigas adoram meu pai", conta.

ADOÇÃO

No mês passado, a Argentina aprovou uma lei que permite o casamento entre homossexuais e a adoção de crianças por eles.

O Brasil está atrás dos "hermanos" na questão dos direitos dessa minoria. Nem casamento nem adoção são regulamentados por aqui. O jeito encontrado por eles foi o improviso: há 15 anos, Jorge*, 15, foi adotado por dois homens, mas foi registrado no nome de apenas um deles.

Na Câmara, o deputado Zequinha Marinho (PSC-PA) propôs uma alteração no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) para proibir que casais gays adotem crianças. Sua justificativa: isso "exporá a criança a sérios constrangimentos", como não conseguir explicar aos colegas por que tem dois pais ou duas mães.

Jorge diz que nunca se importou com a orientação sexual dos pais. "Se eles se sentem felizes, por que vou me incomodar?", questiona.

Segundo Bortolozzi, ao contrário dos mitos que rondam as famílias de pais homossexuais, "a única diferença é que os jovens criados por eles tendem a ser menos preconceituosos e mais tolerantes com as diferenças".

Flávia faz o resumo da sua própria ópera: "Apesar dos maus bocados por que passamos, meu pai nunca deixou de ser meu melhor amigo. O que menos importa é se ele é gay ou se é hétero".
(*Nomes fictícios)


FICÇÃO X REALIDADE

Filmes e séries retratam adolescentes com pais homossexuais sem cair em estereótipos.

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"As Melhores Coisas do Mundo"


"As Melhores Coisas do Mundo"

No filme de Laís Bodanzky, o pai de Mano (Francisco Miguez), 15, divorcia-se da esposa e começa um relacionamento com outro homem. O garoto enfrenta piadas na escola e tem problemas para aceitar a situação.

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"Glee"


"Glee"

Rachel (Lea Michele), estrela do coral, é filha de dois homens judeus que contrataram uma barriga de aluguel. Ela leva a situação numa boa, mas é curiosa para saber quem é sua mãe.

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"The Kids Are All Right"


"The Kids Are All Right"

Julianne Moore e Annette Bening formam um casal de lésbicas que tem dois filhos do mesmo doador de sêmen. Quando a irmã mais velha chega à maioridade, o caçula pede que ela procure o "pai" deles.

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"Patrick 1.5"


"Patrick 1.5"

Na Suécia, Göran (Gustaf Skarsgård) e Sven (Torkel Petersson) se preparam para a chegada do bebê adotivo. Um erro, no entanto, traz para casa Patrik, 15, homofóbico, que terá de aprender a lidar com a nova família
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Publicado na "Folha de S.Paulo" de hoje

OS CANDIDATOS FICAM NO "TITITI", E O POVO NAS "PÁGINAS DA VIDA

Depois da Copa do Mundo, o povo finalmente se volta ao tema que realmente interessa nesse ano: faltam exatos dois meses para o Brasil eleger um novo presidente, 27 governadores, senadores e deputados - federais e estaduais.

A propaganda eleitoral começa dia 17 próximo, e, a partir de hoje, os candidatos a presidente começam a aparecer no principal veículo jornalístico do país - gostemos dele ou não - o "Jornal Nacional" da Globo, e os candidatos já se preparam também para os debates.

Há cinco deles já marcados e confirmados entre os principais candidatos a presidente, e o primeiro é nesta quinta-feira, na Band.

Tanto no caso dos debates, como no horário eleitoral, quem está na frente ou com tendência de alta entra para empatar.

Já os candidatos em desvantagem precisam ser mais ofensivos, para tentar uma reviravolta.

Só que não é fácil caminhar nessa linha tênue.
Em 2006, no segundo turno, o tucano Geraldo TFP Alckmin foi ao ataque contra o petista Luiz Inácio, e essa parecia ser a estratégia correta.
O final dessa história, todos sabemos: deu tudo errado, e o PT ganhou mais quatro anos no Planalto.

Agora, o cenário é parecido.
Depois de um começo ruim, a campanha de Dona Dilma parece que agora vai, pois tem dois elementos fundamentais para vencer - um presidente, aprovado por quase 80% dos eleitores, e a economia em crescimento.
Serra Nomuro tem usado um discurso na maioria das vezes artificial.
É de oposição, mas não ataca Luis Inácio.
Promete "mais", dizendo que seria "o mais preparado" para comandar o país.

Vem repetindo à exaustão esse raciocínio há meses, não deslancha nas pesquisas, e ainda assiste a uma melhora das taxas de aprovação de Dona Dilma.

Pelo roteiro já conhecido, Serra Nomuro atacará mais, e dar a dose certa a esses ataques é a parte mais difícil de uma eleição.

Uma simples mijadinha fora do penico pode resultar num efeito contário, e o final dessa história é imprevisível - principalmente para o tucano.

Enquanto isso, até agora, não ouvi da boca de nenhum candidato palavras sérias, a respeito do que fará pelo país e pelo povo brasileiro, se eleito.

O que se vê, lê e ouve é um candidato chamando o outro de feio, de chato, de bobo, de direitista, um querendo colocar mais adjetivos pejorativos no outro.

Enquanto eles ficam nessa conversinha pra enganar bobo, o Pnud - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - divulgou nessa semana um relatório colocando o Brasil no terceiro pior nível de desigualdade de renda do mundo, empatado com o Equador!

Enquanto os candidatos trocam adjetivos e pegadinhas espertas, ficamos sabendo que o Brasil tem uma nota anual de 4,6 no Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - e que dificilmente vai atingir a meta de chegar à nota 6 em... 2021!

E, enquanto eles pensam em cabelo, maquiagem, empostação de voz e qual a próxima maldade contra o adversário, fomos informados de que 8 milhões de eleitores são analfabetos, e 19 milhões declararam saber ler e escrever, mas nunca pisaram numa sala de aula.

Quando esse dado do analfabetismo saiu do TSE e nos cobriu de vergonha, o que mais se perguntou é se o analfabeto (um a cada cinco eleitores) tem condições para votar.

Mas eu faço outra pergunta : como os candidatos e candidatas pretendem tornar o país mais justo, e quitar essa dívida com os cidadãos?

O que se espera é que a resposta não venha através de adjetivos, e sim com compromisso.

Veja - e ouça - essa coluna, já postada no YouTube:

domingo, 1 de agosto de 2010

A SEMANA ILUSTRADA!


Serra continua assustando...as crianças; desodorante pra campanha; as múmias fugiram; o amigo da Dona Dilma...

Tem tudo isso e muito mais, nas fotocharges exclusivas do blog.

Veja: