quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

REVEILLÓN & TRAGÉDIA: ENTRE A FANTASIA DOS GOVERNANTES, E A REALIDADE DA POPULAÇÃO

Pessoal:
Hoje eu peço licença pra vocês pra falar de um só tema: as tragédias provocadas pelas águas, no Rio de Janeiro e em São Paulo:

E O CABRAL QUERIA MAIS!

Em setembro, três meses depois da edição do decreto do Governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que permitiu ocupação maior em áreas de preservação ambiental, como o local da tragédia em Angra dos Reis, o Ministério Público Federal da região elaborou um parecer apontando irregularidades nas novas regras. Alertou para o risco de crescimento imobiliário desordenado, e defendeu que esse tipo de alteração territorial só poderia ser feita por meio de lei.

O relatório foi enviado ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.Para referendar o documento, os procuradores se ampararam em uma decisão sobre um caso semelhante do ministro Celso de Mello, do STF.
Depois, com base no parecer do Ministério Público, o deputado estadual Alessandro Molon(PT) apresentou um projeto, que ainda tramita na Assembléia, para suspender o decreto, mas enfrentou resistência dos deputados pró Cabral.
E as águas foram rolando.

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"DECRETO LUCIANO HUCK"

O decreto ganhou dos cariocas - povo bem humorado por natureza - o nome de "decreto Luciano Huck", porquê o apresentador tem uma casa em Angra que é beneficiada direta
do decreto, que nada mais é que um instrumento que desonera e diminui bastante as contrapartidas ecológicas das construções dos ricos e famosos.

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VOCÊ CONHECE UM PLANO QUE PREVINA DESASTRES? NEM EU!

Quanto às tragédias que entra ano, sai ano sempre acompanhamos, são tragédias mais que anunciadas, nessa época de chuvas fortes nas regiões sul e sudeste.

Você conhece um plano de prevenção dessas tragédias em Angra, Ubatuba, São Luis do Paraitinga, Cunha,interior gaúcho? Eu também não.

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E O CABRAL? TOMOU CHÁ DE SUMIÇO!

E no dia da tragédia, cadê o Governador carioca? Sérgio Cabral sumiu e não foi logo no dia 1º ao cenário da tragédia . E olha que ele passou as festas de fim de ano em Mangaratiba, cidade que fica ao lado de Angra, onde estava com a família e amigos.
Quando finalmente a margarida apareceu, apareceu levando a tiracolo o deputado federal Luiz Sérgio, recém-eleito presidente do PT no Rio e ex-prefeito de Angra,num número grotesto de demagogia político eleitoral.

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ENQUANTO ISSO, LINDBERG FARIAS SE ESCONDE ATRÁS DA MOITA!

Enquanto isso - ATÉ TU, LINDBERG? - o silêncio de Lindberg Farias - outro político importante do estado do Rio - em relação aos mortos pela chuva no seu estado, é mais um sinal de que o atual prefeito petista de Nova Iguaçu e ex-presidente galã da UNE na época do Collor, não enfrentará Cabral na disputa pelo governo, aguardando a prometida vaga para o Senado, com a retirada de Benedita da Silva do jogo. Moita é pouco.Demagogia e interesses pessoais acima dos da população é muito.

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A CIDADE DO RIO AINDA PROCURA SEU PREFEITO... SERÁ QUE IEMANJÁ LEVOU?

E até hoje, procura-se o prefeito Eduardo Paes (PMDB), da cidade do Rio de Janeiro. No dia 31, ele chamou amigos e aliados para a virada, num espaço reservado à Prefeitura na praia de Copacabana. Ao saber das mortes, que àquela altura já haviam passado dos dois dígitos, achou melhor nem aparecer por lá. Segue sumido.
Ou seja, a farinha do mesmo saco também é carioca.

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RIO DE JANEIRO: ENTRE O REAL E A FANTASIA

A virada de 2009 para 2010 inunda o mundo de notícias e confronta as realidades dos dois Rio de Janeiro: o do espetáculo dos fogos do Réveillon em Copacabana - lindo e um dos mais belos reveillóns do mundo - e o que sucumbe à lama, à falta de planejamento e à ocupação irregular de encostas.

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E AS IMAGENS? AS MESMAS DE REVEILLÓNS ANTERIORES
O contraste, mostrando pessoas de todas as idades, felizes e em festa, alternando com as que choram a perda de filhos, mulheres, maridos, pais, mães, amores, famílias inteiras, e imenso. Ou que perderam suas casas e todos os seus pertences pela fúria anunciada da natureza.

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E AS VIDAS QUE SE PERDERAM? NADA PAGA ISSO!
Há meia centena de mortos só no Rio, tanto em bairros pobres, quanto na Angra dos Reis dos ricos e famosos.

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O SERRA AO MENOS APARECEU!

Pelo menos isso: até hoje, o Governador Paulista José Serra (PSDB) já foi duas vezes a São Luiz do Paraitinga ver de perto a destruição quase que total da cidade, um dos nossos mais belos patrimônios culturais.

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ESSES ÓRGÃOS QUE CUIDAM DE NOSSO PATRIMÔNIO, PRA QUE SERVEM MESMO?

Na sua visita de ontem a Paraitinga, Serra cobrou públicamente os órgãos que cuidam do patrimônio para que apressem a reconstrução da cidade. O IPHAN teve a cara de pau de pedir 90 dias para "estudos", isso numa cidade que teve quase toda a população desalojada das suas casas!

Esse pessoal deve ter passado pelas boas destilarias de cachaça que o vale do Paraíba tem.

Impressionante a frieza.

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PREVENIR, PREVENIR, PREVENIR
Tragédias assim têm causas naturais, sim, mas têm também a enorme responsabilidade do poder público e a desavergonhada opção pela imprevidência, pela ganância ou pela simples ignorância. E nos fazem pensar em um só verbo: prevenir, prevenir, prevenir. Porque, no ano que vem, sem um plano consistente de mapeamento e retirada da população das encostas, infelizmente teremos mais do mesmo.

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O BISCATES EM DESFILE de hoje é dedicado aos voluntários que estão ajudando como podem a população afetada em São Luiz do Paraitinga em São Paulo, e no caso do Rio de Janeiro, a artistas como PRETA GIL, que desde domingo passa horas embalando donativos que chegam para seguir à região de Angra dos Reis, e que fará amanhã um show na boate The Week do Rio,com ingressos a R$ 30,00 e renda toda revertida para os desabrigados.

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Até quinta!

PLACAS!

Pessoal:
Podem continuar mandando, por favor.
Essa seleção está bem legal:

Deve ser de algum parente do Sarney...

Além da pessoa ser uma anta, o slogan do Geraldo é gênio: 'onde um pneu é um pneu'...

Imagino o slogan da Casa da luz vermelha: " Onde uma xota é uma xota"...


Eles deveriam começar a fazer a 'reciclage' pela Kombi, né? tadinha!


Essa placa eu achei sensacional! Essa cidade, URUBICI/SC deve ter uma falta de muié bem grave, né?


Do jeito que tocam a porra da campainha aqui de casa, eu estou quase colocando uma placa dessas também!


'Bonde do tesão' e 'as panteras do funk,na Praça da Bíblia? Xiiiii...


A fusqueta já teve melhores dias... tadinha!


'Cilêncio' com 'c' é bem menos barulhento que 'silêncio' com 's'...


Aviso em Angola! Sensacional! Será que ele usa os mesmos instrumentos pra tudo?

E o neguinho, tá na fila esperando?


É por isso que outro dia eu vi uma bixitta com a bunda ao vento!

Mas a danada não quis me contar pra que era...


' Sushi de shota' ou 'sushi na shota'?


Essas bixittas japonesas, sempre inventando uma coisinha nova né? Botam placa, colocam a seta...

É por isso que a gente não acha mais nenhum japa ativo hoje em dia!

Elas tão dando mais que a Norminha da novela!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PAÍS PUTEIRO!

Pessoal:

Os temas do primeiro PAÍS PUTEIRO inédito de 2010 são:

1. KASSAB NO PAÍS DAS MARAVILHAS

2. ELEIÇÕES 2010: A BATALHA JÁ COMEÇOU

3. O ZÉ DAS MEIAS VOLTOU PRA TIRAR O DO ARRUDA DA RETA!

AS MELHORES CHARGES POLÍTICAS DA FOLHA DE S.PAULO NA SEMANA

O pessoal começou bem!






RETROSPECTIVA 2009: PAÍS PUTEIRO!


2009 começou com a farra das passagens, continuou com a capivara infinita do coroné Sarney, passou pelas notas mais frias que nariz de pinguim com que os deputados prestavam contas dos gastos das verbas indenizatórias, e terminou com o panetonegate no Distrito federal.

Sem contar com as decisões no mínimo estranhas do STF!

Em Sampa, Serra e Bolinha Kassab - a dupla dinâmica - continuam metendo os pés pelas mãos,e a cidade continua imunda e debaixo d'água.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MARTIN SCORSESE, CINEASTA: ENTREVISTA

SCORSESE FALA SOBRE "ILHA DO MEDO", THRILLER AMBIENTADO NUM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO QUE ESTREIA NO BRASIL EM MARÇO, E EXPLICA A IMPORTÂNCIA DE ORIENTAR JOVENS CINEASTAS

O cineasta norte-americano Martin Scorsese, que receberá um prêmio pelo conjunto da obra na 67ª edição do Globo de Ouro, no próximo dia 17

SIMON SCHAMA

Ainda bem que o sofá no qual estou sentado é confortável e hospitaleiro, senão eu poderia ter caído dele com o susto: Martin Scorsese me diz que a verdadeira inspiração do tom e da voz dos personagens de "Os Bons Companheiros" (1990) não foi "Scarface" (1932, de Howard Hawks) ou "Inimigo Público" (1931, de William Wellman), mas "As Oito Vítimas" [1949, de Robert Hamer].
Mas, se você pensar nela por um instante, a revelação faz todo o sentido.
O tom de alegria assassina dos monólogos interiores de Ray Liotta ("Desde que me lembro, sempre quis ser um gângster") não é tão distante assim do plano frio de Dennis Price [em "As Oito Vítimas"] de abrir caminho por meio de assassinatos para chegar à classe alta que tem a audácia de desprezá-lo.
Os dois compartilham o sorrisinho irônico de quem sabe coisas que outros não sabem, o desprezo pelos babacas que fazem as coisas do jeito publicamente aceito.
Anarquia e risinhos maliciosos nunca estão muito distantes nas comédias britânicas do pós-guerra nem tampouco na ópera de maldades de Scorsese.
Os mafiosos de "Os Bons Companheiros" passam mais tempo gargalhando do que matando. Às vezes, as risadas são tão maníacas que se tem a impressão de que Robert De Niro, Liotta e Joe Pesci vão deslocar os maxilares, como jiboias gargalhando enquanto digerem uma cabra.

Homem incansável
Aos 67 anos, Scorsese está no auge de seu poder criativo, o que não é pouca coisa. Quando o encontrei pela primeira vez, 12 anos atrás, ele era editor convidado de uma edição da revista da Biblioteca do Congresso, modestamente intitulada "Civilization" [Civilização].
Queria conversar comigo sobre as páginas da revista dedicadas à arte da narrativa histórica na literatura e no cinema.
Eu me senti lisonjeado; ele estava inspirado. Falava rapidamente e em tom ardente, em grandes explosões de paixão filosófica e técnica, e me pareceu a própria definição de um homem incansável.
Agora, após um longo dia de trabalho na sala de edição, trabalhando sobre um piloto de "Boardwalk Empire", novo seriado dramático da HBO sobre Atlantic City na era da Lei Seca [que vigorou nos EUA entre 1920 e 1933], estrelado por Steve Buscemi, ele ainda conversa de forma entusiasmada, gerando faíscas que captam a carga pesada de sua imaginação carregada de ideias.
Seu novo filme, "Ilha do Medo", baseado em um thriller de Dennis Lehane e previsto para chegar aos cinemas dos EUA em 19/2 [e em 12/3 no Brasil], é ambientado em uma instituição para doentes mentais criminosos situada ao largo da costa de Massachusetts.
Faz o hotel de "O Iluminado" [1980, de Stanley Kubrick] ou o motel de Norman Bates em "Psicose" [1960, de Alfred Hitchcock] parecerem a Disneylândia.
Scorsese construiu o set em torno do que restava do antigo hospital. As macas ainda estavam no local, e o aço inoxidável do refeitório do hospital soltava um brilho malévolo.
"Você entrava no lugar e já sentia o ambiente de perturbação", afirma.
Na tela, Ben Kingsley e Leonardo DiCaprio (fazendo ele mesmo a maioria de suas cenas de ação) percorrem o lugar, um perseguindo e o outro fugindo, como gato e rato, enquanto a ilha fustigada por tempestades tem uma performance de tenebrosidade calvinista.
Se houvesse um Oscar de melhor atuação por parte de uma paisagem, "Ilha do Medo" seria o candidato favorito ao troféu.
Maluca colcha de retalhos de pesadelos e terrores, o filme foi, sob muitos aspectos, um desafio difícil de encarar.
Uma semana depois de iniciadas as filmagens, o diretor percebeu que estava diante das complicadíssimas sobreposições da história de Lehane, que lhe pediam que fizesse "três filmes ao mesmo tempo".
Mas o resultado de seu perfeccionismo e das atuações em que o elenco todo colabora é um triunfo do que se poderia descrever como entretenimento pesado -porém apenas no mesmo sentido em que trechos de "Rei Lear", de Shakespeare, também poderiam ser assim descritos.

Cinema interior
Como todos os trabalhos de Scorsese, "Ilha do Medo" é enriquecido pela enciclopédica memória cinematográfica do diretor.
Scorsese não faz homenagens formais, mas é como se tivesse interiorizado toda a história do cinema, convertendo-se em um arquivo vivo no qual pode buscar inspiração, não importa o gênero no qual possa estar trabalhando.
Sua gama cinematográfica é verdadeiramente espantosa. O mesmo diretor que criou o doloroso "Touro Indomável" (1980) e o sofrido, latejante "Vivendo no Limite" (1999), também criou a belíssima paciência de "Kundun" (1997), em que a câmera deixa um menino chegar, em seu próprio ritmo, ao entendimento do que significa ser o dalai-lama.
O espírito condutor do grande cineasta indiano Satyajit Ray [1921-92] parecia estar ao lado de Scorsese quando este dissolveu a câmera na perspectiva do menino escolhido para ser mestre.
Então, quais foram os filmes que o guiaram desta vez? "Para criar o clima, "Sangue de Pantera" [1942], "A Morta-Viva" [1943] e "Fuga do Passado" [1947]", diz, como se eu naturalmente soubesse tudo sobre a obra do cineasta francês Jacques Tourneur [1904-77].
Flagrado como um universitário que não pesquisou suficientemente o tema de um trabalho, faço uma busca rápida no YouTube, mais tarde, e lá estão os filmes de Tourneur, deslocados, com roteiros enxutos, deixando marcas perturbadoras na psique.
Essa imersão total funciona à maneira de um curador. Scorsese não se limita a fazer filmes individuais, buscando o sucesso nas bilheterias e no frenesi anual das premiações de cinema, embora fosse preciso ser inumano para não desejar as duas coisas.

Homem de sorte
Mas ele sempre se sentiu um homem de sorte por poder trabalhar em uma arte na qual é "viciado" desde que, quando ainda era um coroinha com bronquite no Queens, em Nova York, passava as manhãs de sábado enfeitiçado no escurinho do cinema.
Ou quando assistia, na TV em preto e branco (como eu também, a um oceano de distância, em Londres), a filmes de época de Alexander Korda, como "Os Amores de Henrique 8º" (1933) ou "Grandes Esperanças" (1946), de David Lean.
Sem nunca enxergar sua sorte como algo que é seu de direito (afinal, foi preciso aguardar um tempo vergonhoso para que o mundo do cinema finalmente lhe devolvesse o favor, com um Oscar de melhor diretor por "Os Infiltrados", de 2006), Scorsese vem fazendo tudo o que pode para cuidar do banco de memórias do cinema.
Ele tem sido uma força importante na conservação e na restauração de filmes danificados e deteriorados, dedicando cuidados especiais a filmes que foram importantes para sua própria educação como estudioso e praticante do cinema.

A partir de "Taxi Driver", Scorsese passou a trazer novatos para o set

Assistiu a "Ricardo 3º" (1955), de Laurence Olivier, pela primeira vez em transmissão em preto e branco na televisão, mas o filme foi rodado em VistaVision, a versão para tela larga do filme de 35 milímetros desenvolvida pela Paramount nos anos 1950.
No momento, Scorsese está restaurando uma cópia sobrevivente do filme. A arte que abre esse filme, um pergaminho antigo que começa com "England, 1485...", está em seu acervo pessoal de tesouros, em Nova York, ao lado dos sapatinhos vermelhos da obra-prima do mesmo título feita por Michael Powell em 1948.
E, entre um longa e outro, ele e sua amiga e editora-colaboradora de longa data, Thelma Schoonmaker, que foi casada com Powell e cujo toque perfeito está presente em toda parte em "Ilha do Medo", estão montando um documentário que relata a história do cinema britânico desde o final dos anos 1940 até os intransigentes filmes neorrealistas do início dos anos 1960.
A obra será de cunho abertamente pessoal. Para ele, os ovos fritos e as meias de náilon enroladas para baixo, partidas de futebol no meio de fumaça e vômito em pubs, tudo isso conferia a verdade encardida do realismo documental aos filmes feitos em Ealing, Pinewood e Elstree, assim como fizeram Roberto Rossellini, Vittorio de Sica e Luchino Visconti para o mundo de fantasia dos filmes italianos.

Mestre e aprendiz
Scorsese talvez seja o único diretor capaz de evocar "Rocco e Seus Irmãos" [1960, de Visconti] e o inglês "This Sporting Life" [1963, de Lindsay Anderson] na mesma sentença, como se fosse óbvio que são rios que desembocam no mesmo mar profundo de drama social.
Avento um palpite presunçoso: teria a trilha sonora pesada do filme sobre a liga de rúgbi -com o crânio de Richard Harris se chocando com outros rostos feridos- tido alguma influência sobre o modo como Scorsese gravou e filmou a devastação pugilística de Jake LaMotta (Robert De Niro) em "Touro Indomável"?
Faz-se uma pausa. Sempre cortês, Scorsese responde: "É possível, sim, é possível!". Inerentemente generoso, Scorsese concordou em participar da edição mais recente da Iniciativa Rolex de Mentores e Protegidos em Arte, um esquema bienal no qual figuras destacadas de seis disciplinas artísticas (cinema, teatro, literatura, dança, música e artes visuais) são escolhidas para serem mentores de seis artistas mais jovens, visando proporcionar a estes a oportunidade de aprender com o contato com uma obra durante sua criação.
Celina Murga, argentina de 36 anos com dois filmes em seu currículo, é a diretora que teve a oportunidade de passar tempo precioso, meses inteiros, com Scorsese enquanto este trabalhava em "Ilha do Medo". Ele a escolheu de uma lista de três finalistas, impressionado com "Una Semana Solos" [2007], que ela fizera sobre adolescentes que correm soltos em um condomínio fechado depois de seus pais saírem.
"Assisti ao filme e, 25 minutos depois de começar, percebi que era algo de valor; que, quase casualmente, ela criara um mundo que parecia já ter estado ali, sem ter começado e sem possibilidade de deixar de ser." Dá uma risadinha benevolente e comenta: "É claro que é uma sensibilidade diferente, não é a maneira como eu trabalho, mas...". Murga visitou o set de "Ilha do Medo" tantas vezes quanto quis e assistiu ao mais difícil dos desafios cinematográficos florescer, convertendo-se em um trabalho extraordinário.
Ela viu os atores se esforçando e o diretor revendo e revendo novamente à medida que o trabalho avançava. Pergunto a Scorsese se ela podia comentar tomadas específicas. "Claro, às vezes, com o diretor-assistente." Ela teve portas abertas para a sala de edição, para a mixagem do som e até mesmo às exibições das cenas filmadas a cada dia: "Mas não sempre. Gosto de poder conversar livremente com Thelma".

Oportunidade
Há uma longa história por trás desse grande presente que Scorsese está dando. Murga -e muitas outras pessoas, descubro- estão tendo uma oportunidade que foi negada ao próprio Scorsese quando era jovem. Nos anos 1960, quando estudante de cinema na Escola de Artes da Universidade de Nova York, ele queria muito conseguir experiência em primeira mão de um mestre do cinema.
Em certa ocasião, Elia Kazan -cujos filmes "Sindicato de Ladrões" (1954) e "Vidas Amargas" (1955) eram exatamente o tipo de épico de dor social que Scorsese reverenciava- estava visitando a escola.
Com um roteiro na mão, Scorsese marcou uma hora para falar com Kazan. Chegou ao escritório do grande homem com dez minutos de atraso. Já de sobrecasaca, pronto para sair, Kazan ouviu o jovem cinéfilo, folheou o roteiro superficialmente e desejou boa sorte. Naquela época, mal havia estúdios independentes em Nova York, com a exceção da empresa de John Cassavetes, que produzira o inovador "Shadows" [Sombras, 1959]. Não havia a quem recorrer, ninguém que pudesse ajudar um novato, tomando-o como aprendiz.
Scorsese conta, sem má vontade, que pensou naquele momento: "Se eu estivesse na posição de Kazan, faria alguma coisa para ajudar". Por isso, começando com "Taxi Driver" (1976), passou a trazer novatos para o set, em alguns casos jovens sem nenhuma experiência de fazer cinema, e a incluí-los na equipe técnica como aprendizes -"desde que não atrapalhassem os atores e soubessem a hora certa de ficarem calados". Alguns desses novatos decidiram que o cinema não era sua praia, mas outros, como Amy Jones, diretora de "Love Letters" [Cartas de Amor, 1983], iniciaram suas carreiras desse modo e acabaram por fazer bons longas e a manter contato com Scorsese depois.
Eu nunca ouvira falar de tal coisa; é fato mais que conhecido que os diretores costumam ser implacáveis em seus esforços para manter pessoas fora dos sets. Mas Scorsese era e ainda é diferente.
Ele converte "outsiders" em "insiders" e tudo que pede deles é sua atenção total. Pergunto que sets de filmagens, depois de "Taxi Driver", ele abriu para esse tipo de aprendiz. "Todos", responde. "Há mais alguém que faça esse tipo de coisa, pelo que você sabe?" Ele sorri e dá de ombros.
Isso me faz lembrar novamente que passar qualquer tempo com Scorsese significa estar na presença de alguém para quem seu ofício é algo que exige tudo dele e que é feito pelo amor ao cinema. Como um carvão perpetuamente em brasa, ele arde com a ansiedade e o prazer dessa consciência.
Algumas pessoas de sorte têm a chance de chegar perto desse calor. Sua filha de dez anos de idade, Francesca, por exemplo, a quem Scorsese vem exibindo as comédias britânicas dos anos 1950 que ainda o deleitam.
"Ela capta a malícia desses filmes?", pergunto. "Ela e seus amigos adoram "Quinteto de Morte" [1955, de Alexander Mackendrick]. Há um momento em que está acontecendo uma briga, e a velhinha chega e eles param de brigar!" Scorsese ri, conhecedor que é de maldades e malandragens -e ri como o menino de dez anos que certa vez foi, assistindo àquela cena pela primeira vez. Uma coisa é certa: Scorsese é um moto-perpétuo. Ele não para nunca.

SIMON SCHAMA é historiador britânico, autor de "O Futuro da América" (Cia. das Letras).
A íntegra deste texto saiu no "Financial Times", a tradução é de Clara Allain e foi publicado no caderno 'Mais", da 'Folha de S.Paulo ontem, 03 de janeiro de 2010.
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Fundação de Scorsese ajuda a restaurar "Limite"

Um dos mais importantes filmes do cinema mudo brasileiro, "Limite" (1931), de Mário Peixoto, está sendo restaurado pela World Cinema Foundation (Fundação do Cinema Mundial), criada por Martin Scorsese.
A restauração é uma parceria da entidade com a Cinemateca Brasileira.
A fundação surgiu da preocupação de Scorsese com o desaparecimento de obras que marcaram a história do cinema.
No final dos anos 1970, ele e os diretores George Lucas, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg criaram a Film Foundation, que restaurou mais de 500 filmes norte-americanos, muitos deles da primeira metade do século 20.
A fundação mudou de nome -chama-se hoje World Cinema Foundation- e estende sua salvaguarda a filmes como "Transes" (1981), do marroquino Ahmed El-Maanouni, e "Limite".
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Filmografia Básica de Martin Scorsese

Street Scenes (Cenas da Rua, documentário, 1970)
Sexy e Marginal (1972)
Caminhos Perigosos (1973)
Alice Não Mora Mais Aqui (1974)
Taxi Driver (1976)
Nova York, Nova York (1977)
O Último Concerto de Rock (documentário, 1978)
Touro Indomável (1980)
O Rei da Comédia (1983)
Depois de Horas (1985)
A Cor do Dinheiro (1986)
A Última Tentação de Cristo (1988)
Contos de Nova York (episódio "Life Lessons", 1989)
Os Bons Companheiros (1990)
Cabo do Medo (1991)
A Época da Inocência (1993)
Cassino (1995)
Uma Viagem Pessoal com Martin Scorsese pelo Cinema Americano (documentário, 1995)
Kundun (1997)
Minha Viagem na Itália (documentário sobre o cinema italiano, 1999)
Vivendo no Limite (1999)
Gangues de Nova York (2002)
O Aviador (2004)
Os Infiltrados (2006)
The Rolling Stones - Shine a Light (documentário, 2008)

sábado, 2 de janeiro de 2010

DALIDA & JULIEN DORÉ JUNTOS! 'MOURIR SUR SCÈNE'


Depois que eu fiz os vídeos do Julien Doré, fiquei pensando: E se eu colocasse os dois, ele e a Dalida, cantando 'Mourir Sur Scène' juntos?
É o que eu tentei fazer nessa edição. Espero que vocês gostem da mistura!

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Après j'ai fait les vidéos de Julien Doré, je me demandais: Que faire si je mets les deux, lui et Dalida, chantant «Mourir Sur Scène" ensemble?
C'est ce que j'ai essayé de faire sur cette question. J'espère que vous apprécierez ce mélange!!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010 PELO MUNDO

Sou apaixonado por fogos de artifício!
Por mim, teria todo santo dia minhas noites iluminadas por eles.
E Sampa ficou essa noite maravilhosamente colorida, madrugada adentro.
Das janelas aqui de casa, acompanhei centenas de queimas de fogos, dos mais tradicionais às novidades.
E até agora, enquanto escrevo, continuo ouvindo foguetórios esparsos.
Ê povo fogueteiro!
Pelo mundo, não foi diferente.
Veja:


Las Vegas não precisa de mais luz do que já tem sempre, para se destacar na festa, né?

A cidade de Nova York tem o reveillon mais estranho que conheço: o povo se espreme em Times Square, debaixo de um puta frio, aguarda a tradicional esfera de cristal cair e marcar o início do novo ano e depois todo mundo volta pra casa, sem show, sem nada!

A cidade de Paju, na Coréia do Sul é simbólica: depois dela, a 5 quilômetros, começa a zona desmilitarizada, que separa vergonhosamente as duas Coréias, até hoje.

O mesmo povo, separados a mais de 50 anos.

Em pleno século 21, acho isso inadmissível.

Agora, quem comemorou bastante foram os habitantes de Pequim, China.

País em crescimento, grana no bolso...

Só quem já esteve lá tem a real dimensão do que é a passagem do ano na praia de Copacabana, Rio de Janeiro.

É impressionante e muito emocionante.

Esse ano, as lajes do Morro Pavão/Pavãozinho foram tomadas por turistas, já que a favela finalmente ficou livre dos traficantes.

Copacabana vista do morro é uma das vistas mais lindas do mundo.

Adoro essa vista do restaurante panorâmico/giratório de Seatle. Parece uma nave a pairar sobre a cidade.

Um dos países mais ricos da Ásia, a Malásia fez um senhor show pirotécnico em sua capital, Kuala Lumpur.

E uma das mais lindas cidades asiáticas também faz festas como ninguém: Essa é Jacarta, capital da Indonésia.

Os chineses de Hong Kong são diferentes: aliam as tradições milenares às nuances culturais inglesas.

É um dos lugares do mundo que eu mais tenho paixão por conhecer.

Essa cidade alemã é uma belezinha: povo simpático, ruas bonitas e um clima bem agradável.

Não é tão louca quanto Berlim, nem tão sizuda como Munique fora da oktoberfest.

Hamburgo é legal porquê tem porto, uma vida noturna maravilhosa e gente de tudo quanto é lugar da Europa.

Amo!

Bruxelas, capital da Bélgica é linda em qualquer época do ano. No reveillon, fica mais iluminada.

Esse queima de fogos só perde no mundo para a de Copacabana: Sidney, a maior cidade australiana fica mais linda toda iluminada pelo foguetório! Michael, kisses!

Além de ser um lugar lindo sempre, essa cidade-estado me chama a atenção desde criança, pela pronúncia dos apresentadores do concurso de Miss Universo em chamarem suas lindas candidatas em inglês: 'Singapoooore', é o que eles gritam quando apresentam a lindinha de Singapura.

Outra cidade chinesa. Só que essa, Taipei, é bem festeira!

A capital da Áustria, Viena, ganha cor no inverno, justamente na passagem do ano.

Essa é outra cidade que eu ainda terei o prazer de ir: Xangai é uma das maiores cidades chinesas, se parece muito com Sampa, e é muito linda.