quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FESTIVAL DE TORONTO: DIRETOR WILLIAM FRIEDKIN CRITICA INFANTILIZAÇÃO DE ROTEIROS, AO APRESENTAR SEU 'KILLER JOE'


O diretor William Friedkin - de O Exorcista e Operação França - criticou a tendência atual do cinema de infantilizar o público com roteiros elaborados a partir de histórias em quadrinhos, ao exibir pela primeira vez na América do Norte seu novo filme, Killer Joe.

"Está cada vez mais difícil fazer material original para adultos neste clima dos filmes americanos... que se preocupam apenas com filmes que são histórias em quadrinho e remakes", declarou o diretor na segun da (12), em entrevista coletiva no Tiff 2011 que se seguiu à exibição do seu filme.

Matt Carr/Getty Images
O roteirista Tracy Letts, o diretor William Friedkin e o editor Darrin Navarro apresentam "Killer Joe" em Toronto

O cineasta, ícone da produção dos anos 1970, afirmou que seus filmes clássicos daquele período - como Operação França (1971), pelo qual recebeu o Oscar de diretor, e O Exorcista (1973), não seriam produzidos atualmente pelos estúdios.
"As audiências mudaram", lamentou Friedkin.
"Estão condicionadas pela televisão e a televisão está direcionada ao mínimo denominador comum das pessoas, as expectativas são menores".

E ele continuou: "Além disso, quando comecei a dirigir os estúdios estavam nas mãos de pessoas que haviam feito filmes. Hoje há ex-agentes ou advogados e os estúdios pertencem a grandes corporações que têm que apelar ao mínimo denominador comum".

"Há menos dinheiro no mercado dos adultos", completou o diretor, que leva às telas a adaptação da obra de 1998 do vencedor do prêmio Pulitzer, Tracy Letts.

Para Killer Joe, Friedkin escolheu como protagonista Emile Hirsch.

Ele interpreta um narcotraficante que contrata um policial - Matthew McConaughey - para que mate sua mãe, em troca de favores sexuais de sua irmã -  interpretada por Juno Temple.

Friedkin explicou que foi atraído pela história que trata de "inocência, de vitimar alguém, vingança e ternura".

A violência no filme tem um propósito, segundo o diretor.
"Há violência na sociedade. Há uma linha fina entre o bem e o mal, e exite a possibilidade do mal em todos nós", afirmou.

Confira o trailer de "Killer Joe":

Hirsch recordou que durante as filmagens, a maquiadora usava um pincel para espalhar o sangue falso, mas Friedkin não aceitava.

"Não, não, não!, ele pegava o balde com o sangue e jogava tudo no meu rosto. Depois ia pegar outro balde com sangue. Eu ficava ensopado", disse.

UPI
O ator Emile Hirsch, antes da exibição de "Killer Joe" em Toronto

Killer Joe foi exibido na semana passada no Festival de Veneza, antes de ser apresentado no TIFF.

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