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terça-feira, 19 de maio de 2020

'DESTACAMENTO BLOOD': NOVO LONGA DE SPIKE LEE GANHA TRAILER

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Produção Original Netflix é estrelada por Chadwick Boseman
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Destacamento Blood é o novo filme do diretor vencedor do Oscar, que acaba de ganhar um novo trailer estrelado por Chadwick Boseman, o Pantera Negra.

Assista:


Depois de Martin Scorsese, Noah Baumbach e Alfonso Cuaron, Spike Lee é o mais recente grande cineasta a fazer parceria com a Netflix.

Da 5 Bloods (no original) acompanha de quatro veteranos de guerra afro-americanos que retornam ao Vietnã para procurar o corpo de seu líder do esquadrão.

Com a promessa de tesouros enterrados, os personagens são confrontados pelos estragos duradouros da Guerra do Vietnã.

O vídeo mostra, pela primeira vez, cada um dos soldados.

O projeto é o primeiro de Lee desde que venceu o Oscar por Infiltrado na Klan e apresenta um elenco que inclui Jonathan Majors, Delroy Lindo, Clarke Peters, Norm Lewis, Isiah Whitlock Jr., Mélanie Thierry e Paul Walter Hauser.

Há rumores de que o longa estava programado para estrear no Festival de Cannes de 2020, porém fora da competição, já que Spike Lee é presidente do júri da competição na edição deste ano.

Em entrevista, o diretor revelou que filmes como Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, e O Tesouro da Sierra Madre, de John Huston, foram grandes influências durante as filmagens de Da 5 Bloods.

Destacamento Blood estreia em 12 de junho, na Netflix.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

FESTIVAL DE CANNES: SPIKE LEE SERÁ O PRESIDENTE DO JÚRI

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Spike Lee, cineasta americano cujo último trabalho foi 'Infiltrado Na Klan', será o presidente do juri do Festival de Cannes
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"Quando me chamaram para presidir o juri de Cannes 2020 não acreditei, fiquei feliz, surpreso e orgulhoso ao mesmo tempo", contou Spike Lee, que afirmou estar "honrado por ser a primeira pessoa da diáspora africana" nos Estados Unidos a assumir este cargo.

O cineasta Spike Lee - Variety

Lee já apresentou sete filmes no Festival e chegou a receber o Grande Prêmio em 2018 por Infiltrado na Klan, que conta a história real de um policial negro infiltrado na Ku Klux Klan.

Criado em 1946, o Festival de Cannes é um dos mais prestigiados e famosos festivais de cinema do mundo.

O evento acontece todos os anos, na cidade francesa de Cannes - neste ano, acontece de 12 e 23 de maio.

Em 2018, o vencedor do principal prêmio foi Parasita, que está no Oscar 2020.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

'A GENTE SE VÊ ONTEM': LONGA PRODUZIDO POR SPIKE LEE GANHA TRAILER

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Ficção científica mostra garota voltando no tempo
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Assista:


A sinopse:
Melhores amigos na escola e prodígios em ciências, C.J. e Sebastian passam o dia trabalhando em sua mais nova invenção: mochilas que são máquinas do tempo! Mas quando o irmão mais velho de C.J. morre durante um encontro com a polícia, a jovem dupla resolve usar os aparelhos ainda não terminados em uma tentativa desesperada de salvá-lo.

Com direção de Stefon Bristol e produção de Spike Lee,  o longa é uma aventura de ficção científica que fala sobre família, diferenças culturais e a necessidade universal de corrigir os erros do passado".

O filme estreia na Netflix em 17 de maio, mas antes será exibido no Tribeca Film Festival na próxima sexta,3.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

OSCAR 2019: 'BOHEMIAN RHAPSODY' RECEBE MAIS PRÊMIOS E 'GREEN BOOK' DERROTA 'ROMA' NA PRINCIPAL CATEGORIA

Elenco e equipe de 'Green Book' no palco para receber estatueta de Melhor Filme no Oscar 2019 — Chris Pizzello/Invision/AP
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Em noite com muita representatividade e Spike Lee finalmente premiado, Lady Gaga saiu com o Oscar de Melhor Canção - e só - e Gleen Close saiu novamente de mãos abanando
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A cerimônia do Oscar 2019, a primeira sem apresentador em 30 anos, foi aberta com um ótimo Show do Queen e consagrou "Green Book: O Guia", "Roma" e "Bohemian Rhapsody" neste domingo (24), em Los Angeles.

CONFIRA A PERFORMANCE DO QUEEN:


A noite também foi importante pelo recorde de maior número de prêmios para profissionais negros (7 estatuetas) e para mulheres (15) em toda história da premiação.

OS PRINCIPAIS PRÊMIOS:

"Green Book: O Guia", sobre a amizade entre um motorista racista e um músico negro, venceu como Melhor Filme, além de Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante (Mahershala Ali).

"Essa é uma história de amor. Sobre sabermos amar uns aos outros apesar das diferenças", disse o diretor Peter Farrelly ao agradecer no palco pelo Oscar de Melhor Filme.

O que Farrelly não disse e que Spike Lee escancarou da plateia, ao dar as costas para o palco no momento da premiação de Melhor Filme - é que 'Green Book' é uma cópia descarada de 'Conduzindo Miss Daisy' - na época em que se passa, na cor do carro, na direção de arte e etc.

O filme é bom? É. Mas que é cópia, também é.

CONFIRA O MOMENTO DA PREMIAÇÃO:


'Bohemian Rhapsody', cinebiografia do Queen e de Freddie Mercury levou quatro estatuetas - “Melhor Ator”, “Melhor Mixagem de Som”, “Melhor Edição de Som” e “Melhor Edição” - se consagrando o maior vencedor desta edição da premiação.

Ao receber sua estatueta, Rami Malek, que levou os principais prêmios de atuação da temporada, descreveu o momento como algo monumental.

“Talvez, eu não tenha sido uma escolha óbvia, mas funcionou. Obrigado ao Queen. Sempre terei essa dívida com vocês. Equipe, elenco, vocês são maiores que eu. Nós fizemos um filme sobre um homem, gay, imigrante, que viveu a vida sem pedir desculpas. Estar aqui homenageando ele só prova que precisamos de mais histórias assim”, disse.

“Parte da minha história está sendo escrita agora e eu não poderia estar mais grato. Isso é algo que eu vou guardar pelo resto da minha vida. Lucy Boynton você é o coração desse filme, talentosa e capturou o meu coração“, declarou o ator, mencionando sua namorada - e mais uma vez ignorando o o diretor original do longa, Bryan Singer.

VEJA:


"Roma" deu três prêmios a Alfonso Cuarón, incluindo sua segunda estatueta como diretor e o primeiro Oscar de Filme Estrangeiro para o México.

"A Favorita" bateu a favorita: Olivia Colman foi Melhor Atriz pelo filme "A Favorita" e no discurso, pediu desculpas a Glenn Close, que era apontada como favorita ao prêmio, na 7ª indicação sem vitória.

Olivia Colman com a estatueta de Melhor Atriz no Oscar 2019 — Foto: Mike Segar
Olivia Colman com a estatueta de Melhor Atriz no Oscar 2019 — Foto: Mike Segar
Lady Gaga levou por Melhor Canção, com "Shallow", a única estatueta da sua pretensiosa versão de "Nasce uma estrela" - ficou de bom tamanho.

Spike Lee ganhou seu primeiro Oscar "oficial", após prêmio honorário em 2006, pelo roteiro original de "Infiltrado na Klan".

"Pantera Negra" levou 3 prêmios técnicos: trilha sonora, figurino (o 1º para profissional negro) e direção de arte (1º para uma mulher negra).

A Netflix foi premiada quatro vezes: além de "Roma", levou documentário em curta-metragem com "Absorvendo o tabu".

'Homem-Aranha no Aranhaverso', da Sony, carimbou todos os demais prêmios que ganhou na temporada com o Oscar de Melhor Animação.

É um feito e tanto para a Sony bater animações da Disney, Pixar e DreamWorks.

TRÊS VEZES CUARÓN

Cuarón levou prêmios de Fotografia, Filme Estrangeiro e Diretor.

"Eu cresci vendo filmes em língua estrangeira... Como 'Cidadão Kane', 'Turabão' e 'O poderoso chefão'", comentou o mexicano ao vencer com "Roma" o prêmio de Filme Estrangeiro.

No último discurso, ao aceitar a estatueta de diretor, ele disse:
"Agradeço à Academia por reconhecer um filme que trata de uma mulher indígena, e uma das 70 milhões de empregadas domésticas sem direitos trabalhistas. Uma personagem historicamente sempre deixada para trás. "

"O nosso trabalho é olhar para onde ninguém olha. Essa responsabilidade se torna muito maior numa época onde estamos sendo encorajados a não olhar. Muito obrigado Libo (sua babá na vida real, que inspirou o filme)", disse Cuarón.

VEJA:


LEE, SPIKE LEE!

Spike Lee levou seu primeiro Oscar competindo com outros profissionais, pelo roteiro adaptado de "Infiltrado na Klan". 

Em 2006, o americano ganhou um Oscar Honorário e na época criticou a quantidade de negros concorrendo ao prêmio.

"Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios", disse ele em seu discurso.

"Os ancestrais vão ajudar a voltarmos a ganhar nossa humanidade. As eleições de 2020 estão chegando, vamos pensar nisso. Precisamos nos mobilizar, estar do lado certo da história. É uma escolha moral. Do amor sobre ódio. Vamos fazer a coisa certa", disse, citando seu próprio filme.

VEJA:


'PANTERA NEGRA' FAZ HISTÓRIA COM VITÓRIAS INÉDITAS PARA NEGROS

Ruth E. Carter ganhou o Oscar de Melhor Figurino e se tornou a primeira negra a levar nesta categoria.

"Isso levou tanto tempo... Spike Lee, obrigado por ser meu começo. Espero que isso te deixe orgulhoso. Marvel criou o primeiro super-herói negro, mas com o nosso figurino o transformamos em um rei africano", disse Ruth. 

A figurinista já havia sido duas vezes indicada, por "Amistad (1997) e "Malcom X" (1992), dirigido por Lee.

VEJA:


Outra vitória inédita veio com Hannah Beachler, a primeira mulher negra a ganhar em Direção de Arte.

MULHERES E NEGROS BATERAM RECORDE

O Oscar 2019 também foi importante pelo recorde de maior número de prêmios para profissionais negros (7 estatuetas) e para mulheres (15) em toda história da premiação.

Em 2016, cinco negros levaram o Oscar.

As melhores marcas anteriores das mulheres eram de 2007 e 2015, com 12 estatuetas em cada ano.

Veja responsáveis pelo recorde dos negros:
Regina King (Atriz Coadjuvante, "Se a rua Beale falasse")
Mahershala Ali (Ator Coadjuvante, "Green Book: O Guia")
Spike Lee (Roteiro adaptado, "Infiltrado na Klan")
Kevin Willmott (Roteiro adaptado, "Infiltrado na Klan")
Hannah Beachler (Direção de arte, "Pantera Negra")
Ruth Carter (Figurino, "Pantera Negra")
Peter Ramsey (Animação, "Homem-Aranha no Aranhaverso")

Veja responsáveis pelo recorde das mulheres:
Ruth Carter, figurino por “Pantera Negra”
Elizabeth Chai Vasarhelyi e Shannon Dill, documentário por “Free Solo”
Rayka Zehtabchi e Melissa Berton, documentário curta-metragem por "Absorvendo Tabu"
Kate Biscoe e Patricia DeHaney, maquiagem por “Vice”
Hannah Beachler, direção de arte por "Pantera Negra")
Domee Shi eBecky Neiman-Cobb, curta de animação por "Bao"
Jaime Ray Newman, curta por “Skin”
Nina Hartstone, edição de som por “Bohemian Rhapsody”
Lady Gaga, canção original por “Shallow” de "Nasce uma estrela"

UM OSCAR PARA LADY GAGA FICOU DE BOM TAMANHO

Felizmente, Lady Gaga não levou como Melhor Atriz: para chegar lá, ela precisa comer muito feijão com arroz para concorrer com atrizes maravilhosas como Gleen Close e Olivia Corman- a ganhadora.

Gaga levou Melhor Música pela chatésima "Shallow", junto com Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt, coautores da canção.

A pretensiosa versão do século 21 de Bradley Cooper, a quarta que Hollywood faz de 'Nasce Uma Estrela', é seguramente a pior delas, Gaga se esforça, mas ainda tem de trilhar um enorme caminho para ser uma boa atriz.

Ela se emocionou e agradeceu ao diretor do filme e colega de elenco em "Nasce uma estrela", com quem tinha cantado a música antes de rosto coladinho:

"Bradley [Cooper], não tem nenhuma pessoa no planeta com quem eu poderia cantar essa música a não ser você. Obrigada."
"Não é sobre ganhar, é não desistir. Se você tem um sonho, lute por ele. Existe uma disciplina. Não é sobre quantas vezes você foi rejeitado, caiu e teve que levantar. É quantas vezes você fica em pé, levanta a cabeça e vai adiante", ela disse.

Na plateia, pudemos ver uma totalmente desconfortável mulher de Cooper, odiando o flerte explícito da estrela com o seu marido.

VEJA:


IN MEMORIAN

Faltou a homenagem ao icônico diretor Stanley Donen, cuja morte, ocorrida no último dia 21, foi revelada neste domingo,24.

Ao menos, tivemos o mago Stan Lee e nós, brasileiros, ficamos contentes com a lembrança do nosso diretor Nelson Pereira dos Santos.

VEJA:




CONFIRA TODOS OS GANHADORES DO OSCAR 2019:

Melhor Filme
"Green Book: O guia"

Ator
Rami Malek ("Bohemian Rhapsody")

Atriz
Olivia Colman ("A Favorita")

Diretor
Alfonso Cuarón ("Roma")

Atriz coadjuvante
Regina King - "Se a rua Beale falasse"

Trilha sonora original
"Pantera Negra"

Ator coadjuvante
Mahershala Ali – "Green Book - O guia"

Roteiro adaptado
"Infiltrado na Klan"

Roteiro original
"Green Book - O guia"

Edição
"Bohemian Rhapsody"

Fotografia
"Roma"

Filme de língua estrangeira
"Roma"

Melhor animação
"Homem-Aranha no Aranhaverso"

Canção original
"Shallow", "Nasce uma estrela"

Figurino
"Pantera Negra"

Curta-metragem
"Skin"

Edição de som
"Bohemian Rhapsody"

Mixagem de som
"Bohemian Rhapsody"

Curta de animação
"Bao"

Direção de arte
"Pantera Negra"

Efeitos visuais
"O primeiro homem"

Maquiagem e penteado
"Vice"

Documentário
"Free Solo"

Documentário curta-metragem
"Absorvendo o tabu"

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

'INFILTRADO NA KLAN': MELHOR FILME DE SPIKE LEE ABORDA QUESTÕES RACIAIS E CONCEITO DA SUPREMACIA BRANCA COM HUMOR INTELIGENTE E PERTURBADOR


SINOPSE:

Em 1978, Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local.

Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial, Flip Zimmerman (Adam Driver), judeu, também odiado pelo grupo - mas branco, para assumir seu papel.

Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

CRÍTICA:

Se não fosse uma história real, a trajetória de Ron Stallworth seria considerada absurda demais para os padrões da ficção de cinema.

Mas este policial negro, um dos raríssimos na corporação norte-americana dos anos 1970, conseguiu com sucesso se infiltrar na Ku Kluk Klan e sabotá-la por dentro.

Um dos destaques do ano, 'Infiltrado na Klan', de Spike Lee é um drama sério sobre questões raciais, mas é também uma comédia perturbadora sobre a estupidez do conceito da supremacia branca.

Infiltrado na Klan : Foto Adam Driver, John David Washington
Flip Zimmerman (Adam Driver) e o detetive Ron Stallworth (John David Washington): parceria afiada - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Universal Pictures
É um filme fantástico, difícil, um soco no estômago, mas que precisa ser visto e apreciado, especialmente pelo ótimo elenco, roteiro poderoso e qualidade cinematográfica.

Aqui, John David Washington interpreta o detetive Ron Stallworth, o primeiro policial negro de Colorado Springs.

Em 1979, Stallworth inicia uma operação secreta para investigar a organização de supremacia branca Ku Klux Klan e se passa por um homem branco racista por telefone.

Sua infiltração é tão bem sucedida que ele até consegue chegar ao líder da organização, David Duke (Topher Grace).

Infiltrado na Klan : Foto Topher Grace
David Duke (Topher Grace) é o líder da organização de supremacia branca Ku Klux Klan 
Eles conversam ao telefone e começam a estreitar relações, abrindo caminho para uma investigação ainda mais profunda.

Quando ele precisa comparecer pessoalmente ao culto, Stallworth pede ao seu colega oficial, Detective Flip Zimmerman (Adam Driver), um judeu, também odiado pelo grupo, para assumir seu papel.

Infiltrado na Klan : Foto Adam Driver, Spike Lee, Topher Grace
Spike Lee instrui Adam Driver e Topher Grace para uma tomada
É uma história verdadeira e absolutamente fascinante.

Os supremacistas brancos são tão facilmente enganados que seu racismo fica escancarado como simples estupidez.

E, apesar do um senso de humor irônico, Spike Lee nunca perde de vista o fato de que, por mais idiotas que sejam os alvos da investigação, eles representam um perigo óbvio.

O foco é a estupidez humana e também a capacidade das pessoas capazes de exercer liderança manipularem todos à sua volta, para o bem e para o mal.

No elenco, John David Washington está muito inspirado, transmitindo diferentes níveis de deboche ou raiva diante dos inimigo.

Infiltrado na Klan : Foto John David Washington
John David Washington: espetacular
Já o multi facetado Adam Driver continua adaptando-se com extrema competência a papéis disfuncionais com uma naturalidade difícil de se ver no atual cinema americano.

Topher Grace, de corpo frágil e olhar doce, é uma escolha curiosa para o líder fascista David Duke, mas funciona na tentativa de desconstruir o caráter maligno do discurso adverso.

De certo modo, todos os personagens interpretam outras pessoas: o negro se passa por branco, o branco interpreta um negro, o fascista encarna o tipo tolerante.

É nesta ficção dentro da ficção que o filme encontra sua força e torna-se uma importante comédia política, do tipo que o circuito comercial precisa cada vez mais.

Encarar a realidade é muito complicado, afinal grupos de supremacia branca ainda existem e hoje vemos uma crescente onda racista e neonazista no próprio Brasil, por mais que não faça sentido algum.

O final do longa com cenas reais recentes apenas reforça esse sentimento e nos faz sair com uma sensação terrível do cinema.

Apesar disso, temos aqui um filme engraçado a maior parte do tempo, apesar de sempre tratar com seriedade sobre o tema central.

Até por isso é um lembrete cruel de como pouco foi feito em nossa sociedade e como perigoso o mundo ainda é quando a estupidez humana tem espaço para florescer.

Basta ler os jornais para ter certeza da importância dessa crítica cinematográfica nesse momento.

Infiltrado na Klan : Foto
Cena do longa
Esse é o melhor filme de Spike Lee, disparado.

Com um trama impactante, roteiro afiado e humor aguçado capaz de ressaltar horrores da vida real, o longa diverte, choca e convida o público para uma conversa sobre poder e racismo.

É um filme importante, relevante e simplesmente obrigatório.

Não à toa, foi o vencedor do Grande Prêmio do Júri do ultimo Festival de Cannes.

Filmaço.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'INFILTRADO NA KLAN'
Título Original:
BLACKKKLANSMAN
Gênero:
Comédia Dramática
Direção:
Spike Lee
Elenco:
Adam Driver, Alec Baldwin, Arthur J. Nascarella, Ato Blankson-Wood, Brian Tarantina, Corey Hawkins, Damaris Lewis, Dared Wright, Faron Salisbury, Frederick Weller, Isiah Whitlock Jr., Jasper Pääkkönen, John David Washington, Ken Garito, Laura Harrier, Michael Buscemi, Paul Walter Hauser, Robert John Burke, Ryan Eggold
Roteiro:
Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Ron Stallworth, Spike Lee
Produção:
Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Jason Blum, Jordan Peele, Raymond Mansfield, Sean McKittrick, Shaun Redick, Spike Lee
Fotografia:
Chayse Irvin
Montador:
Barry Alexander Brown
Trilha Sonora:
Terence Blanchard
Estúdio:
40 Acres, Blumhouse Productions, Legendary Entertainment, Monkeypaw Productions
Distribuidora:
Universal Pictures
Ano de Produção:
2018
Duração:
135 min.
Estréia (Brasil):
22/11/2018
Classificação Indicativa:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quarta-feira, 23 de maio de 2018

FESTIVAL DE CANNES 2018: CONFIRA RESUMO DO QUE DE MELHOR ACONTECEU NESTA EDIÇÃO

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O 71º Festival Internacional de Cannes chegou ao fim com o anúncio dos vencedores e a exibição do filme de encerramento, 'The Man Who Killed Don Quixote'
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A edição de 2018 foi marcada por discursos potentes - como o da atriz Asia Argento, exigindo justiça após o estupro sofrido por Harvey Weinstein - e de Nadine Labaki - relembrando que muitos atores de  seu longa, 'Capharnaum',  são de fato refugiados e moradores de rua e que permanecem em situação de miséria após a filmagem.

O júri presidido pela atriz Cate Blanchett decidiu entregar a Palma de Ouro, prêmio máximo do festival, a 'Shoplifters', drama japonês sobre uma família que pratica roubos a lojas e supermercados.

Um dia, a dinâmica do grupo se transforma quando eles adotam uma criança.

Confira o trailer do ganhador da Palma de Ouro:


O grande prêmio do júri, espécie de segundo lugar, ficou com a comédia 'BlacKkKlansman', que teve o diretor do longa, Spike Lee, aplaudido de pé por seis minutos após a estréia (via Variety).

O cineasta Spike Lee na Croisette - AFP

O filme conta a história real de um detetive afro-americano disfarçado (John David Washington), e seu parceiro judeu (Adam Driver), que se juntaram ao culto Klu Klux Klan em 1979.

A trama traz muitas críticas ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazendo paralelos entre a ascensão de Trump e as ambições políticas de David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan.

Confira o trailer de 'BlacKkKlansman', que chega aos cinemas no dia 10 de agosto:


Já o prêmio do júri (considerado o terceiro lugar) foi entregue a 'Capharnaum', drama sobre um garoto pobre que abandona a família e tenta sobreviver nas ruas.

Após 'Diamantino', coprodução Brasil/Portugal/França, ganhar a Semana da Crítica, outro longa-metragem luso-brasileiro foi premiado na Croisette.

'Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos', dirigido pelo português João Salaviza e pela brasileira Renée Nader Messora, venceu o Prêmio Especial do Júri da Mostra Um Certo Olhar.

O júri presidido por Benicio Del Toro e composto por Virginie Ledoyen, Julie Huntsinger, Annemarie Jacir e Kantemir Balagov deu o troféu principal da seção ao suspense sueco 'Border', de Ali Abbasi.

O ucraniano Sergei Loznitsa, de 'Donbass', foi escolhido o melhor diretor; Victor Polster, que interpreta adolescente transgênero no belga 'Girl',  levou o prêmio de melhor performance; e melhor roteiro foi para a marroquina Meryem Benm'Barek-Aloïsi por 'Sofia', também dirigido por ela.

'Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos' é um drama que se debruça sobre rituais dos índios Krahô, do Tocantins.

Após a equipe protestar pela demarcação dos territórios na sessão de fotos e no tapete vermelho, o diretor Salaviza dedicou o prêmio aos "povos indígenas que vivem sob ameaça".

Confira o trailer de 'Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos':

O grito das minorias, aliás, foi ouvido no famoso tapete vermelho do evento.

Depois de a "comunidade francesa" ter sido criticada por ir de encontro ao clamor de movimentos como o Time´s Up e Mee Too (vale lembrar que Catherine Deneuve endossou uma carta aberta de repúdio à suposta "onda de puritanismo" que ganhava força nos Estados Unidos), 16 atrizes negras protestaram contra o racismo, poucos dias depois de 82 mulheres clamarem por igualdade de gênero na indústria, lideradas pela presidente do júri, Cate Blanchett - um momento histórico na Croisette.

A marcha das 82 mulheres no tapete vermelho - AFP

Confira os vencedores do 71º Festival Internacional de Cannes:

Palma de Ouro:
Shoplifters, de Hirokazu Kore-eda

Grande prêmio do Júri:
BlacKkKlansman, de Spike Lee

Prêmio do Júri:
Capharnaum, de Nadine Labaki

Melhor direção:
Pawel Pawlikowski (Cold War)

Melhor roteiro:
Alice Rohrwacher (Lazzaro Felice) e Jafar Panahi e Nader Saeivar (3 Faces)

Melhor atriz:
Samal Yeslyamova (Ayka)

Melhor ator:
Marcello Fonte (Dogman)

Prêmio especial:
Jean-Luc Godard (The Image Book)

Camera D'Or (melhor filme de estreia):
Girl, de Lukas Dhont

Melhor curta-metragem:
All These Creatures, de Charles Williams, com menção especial para On the Border, de Wei Shujun