Joss Whedon, diretor de 'Vingadores: Era De Ultron', não está mais responsável pela produção, com confirmado pelo próprio ao site The Hollywood Reporter - ele comandaria a direção e o roteiro do projeto.
Whedon enviou um comunicado à publicação, onde se desculpa com os fãs e se despede do cargo.
“Batgirl é um projeto incrível e a Warner/DC tem sido muito colaborativa como parceiros, mas levei alguns meses para perceber que eu não tinha um enredo. Sou grato ao Geoff e ao Toby, e a todo mundo que me recebeu quando cheguei, com todos que foram compreensivos quando eu… Uh, há uma palavra mais sexy para ‘falhei’?”
Nesta última parte do comunicado, Whedon agradeceu a Geoff Johns e Toby Emmerich, dois dos grandes responsáveis pela divisão de filmes da DC e Warner neste momento.
Vale lembrar que o diretor entrou para o projeto há um ano e tentou salvar 'Liga da Justiça' após o afastamento de Zack Snyder a pedido da Warner - mas desde então não tivemos mais notícias a respeito de seu envolvimento ou do desenvolvimento do longa-metragem.
Rumores recentes chegaram a dar conta de que Whedon teria abandonado o projeto no final de 2017, mas nada tinha sido confirmado até o presente momento.
O diretor era importante para o projeto ser iniciado, mas o futuro do filme, agora, é incerto.
A heroína é uma das mais populares da DC, mas nunca teve seu próprio filme: até agora, só teve versões em animações da Warner e na batssérie dos anos 1960, quando foi interpretada por Yvonne Craig.
Yvonne Craig como Batgirl, em foto promocional da série 'Batman'- Fox Film do Brasil
O projeto deveria ser baseado na história de origem de Batgirl, que foi revelada pela primeira vez em 1967, no rastro do sucesso do seriado.
O próximo filme da editora a ser lançado será 'Aquaman', estrelado por Jason Momoa, que tem estreia prevista para dezembro.
Quando falamos em cinema e bilheterias, precisamos lembrar principalmente que não há valores absolutos, já que a estimativa é sempre feita em cima da projeção do estúdio e a relação de orçamento gasto e o faturamento do longa
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'Liga Da Justiça' chegou aos cinemas em 16 de novembro e a expectativa dos fãs para ver os maiores heróis da DC era alta, mas isso não resultou em um sucesso comercial.
A Warner Bros. gastou US$ 300 milhões, de acordo com o The Wall Street Journal, só com a produção - e a empresa projetava uma abertura de US$ 120 milhões nos EUA e US$ 320 milhões mundialmente.
Assim, o fracasso é evidente - segundo o Box Office Mojo, nos três primeiros dias o longa somou apenas US$ 93,8 milhões nos EUA e US$ 185 milhões no resto do mundo, bem abaixo do esperado.
Não custa lembrar que para a maioria das produções, números como esses são praticamente impossíveis de conseguir e, mesmo assim, para um filme do tamanho desse, são valores que sinalizam um fracasso.
A situação é preocupante, ainda mais se levarmos em conta a queda de 57% de arrecadação de uma semana para outra.
Uma das ideias da Warner é seguir com a expansão do universo em torno da Mulher-Maravilha, algo que pode funcionar, mas parece mais uma tentativa de tapar o sol com a peneira do que realmente resolver os problemas do universo expandido da DC.
Uma solução parece óbvia para muitos: Zack Snyder à frente desse universo não funciona - seja como diretor ou produtor - tanto, que sue nome não figura mais em nenhuma outra produção da DC para o futuro.
Snyder orienta Ben Affleck e Gal Gadot para uma cena de 'Liga da Justiça' - Variety
De acordo com o The Wrap, Zack Snyder quase foi demitido pelo estúdio, depois da má recepção de 'Batman Vs Superman: A Origem Da Justiça' pela crítica.
O site afirma que alguns executivos da Warner chegaram a conversar com Greg Silverman sobre um possível desligamento do cineasta antes do início da produção de 'Liga Da Justiça' - mas as reclamações não foram levadas adiante.
A publicação ainda afirma que Silverman pediu ao co-presidente da DC Films, Jon Berg, para que acompanhasse todo o desenvolvimento do longa sobre o time de super-heróis, pois o orçamento do projeto já tinha ultrapassado o valor determinado.
Confira abaixo o Top 10 de aberturas da DC e Top 10 de bilheterias de filmes de super-heróis:
Top 10 de aberturas da DC, segundo o Box Office Mojo:
1 – Batman Vs Superman: A Origem Da Justiça– US$ 166 milhões
2 – Batman: O Cavaleiro Das Trevas Ressurge – US$ 160,8 milhões
3 – Batman - O Cavaleiro Das Trevas - US$ 158,4 milhões
4 - Esquadrão Suicida- US$ 133,6 milhões
5 – O Homem De Aço - US$ 116,6 milhões
6 – Mulher-maravilha -US$ 103,2 milhões
7 – Liga Da Justiça - US$ 93,8 milhões
8 – Watchmen - O Filme - US$ 55,2 milhões
9 – Lanterna Verde - US$ 53,1 milhões
10 – Lego Batman: O Filme - US$ 53 milhões
Top 10 de bilheterias de filmes de super-herói, nos EUA, segundo o Box Office Mojo:
1 – Os Vingadores - The Avengers – US$ 623,3 milhões
2 – Batman - O Cavaleiro Das Trevas – US$ 534,8 milhões
3 – Vingadores: Era De Ultron - US$ 459 milhões
4 – Batman: O Cavaleiro Das Trevas Ressurge - US$ 448,1 milhões
5 – Mulher-maravilha – US$ 412,5 milhões
6 – Homem De Ferro 3 – US$ 409 milhões
7 – Capitão América: Guerra Civil - US$ 408 milhões
8 – Homem-aranha - US$ 403,7 milhões
9 – Guardiões Da Galáxia Vol. 2 - US$ 389,8 milhões
10 – Homem-aranha 2 - US$ 373,5 milhões
O elenco da 'Liga', em uma das muitas coletivas para o lançamento do longa - Variety
Mas o fato é que a Warner veio a público dizer que considera 'Liga da Justiça' uma decepção - se os donos estão falando que é, quem somos nós?
O objetivo era ser como 'Os Vingadores' (2012), da Marvel em termos de sucesso, mas o filme nem passou perto de arrecadar o mesmo em bilheteria.
Além disso, a crítica caiu de pau no filme dos heróis da DC, ao contrário dos da Marvel - e agora, a Warner está tomando atitudes drásticas para arrumar a casa.
Segundo a Variety, o executivo Jon Berg, que comandava os filmes da DC ao lado de Geoff Johns, sairá da função, e trabalhará apenas como produtor do estúdio - segundo fontes, o próprio já queria se desligar.
Já Johns manterá o cargo de chefe criativo de entretenimento da DC, mas sua contribuição nos filmes será mais “de natureza conselheira” apenas.
A Variety também informa que dificilmente o diretor Zack Snyder retornará para o comando de algum filme da DC - o diretor já está preparando 'The Last Photograph', uma aventura dramática.
Aparentemente, os executivos da Warner acharam a visão de Snyder para o vilão Lobo da Estepe “cheia de falhas”, mas nada pôde ser feito para salvar na pós-produção, quando Joss Whedon assumiu.
Fora isso, o veículo afirma também que Snyder já estava mergulhado em 'Liga da Justiça' quando 'BVS' foi lançado - e o estúdio não podia mais afastá-lo.
É o mal de assinar contratos para vários filmes.
Atualmente, a DC não conta com uma figura como a de Kevin Feige, presidente, produtor e supervisor de todos os projetos da Marvel Studios.
Snyder não volta aos filmes da DC - Variety
Berg continuará trabalhando para a Warner Bros, mas agora será um "parceiro de produção" de Roy Lee, produtor de 'Uma Aventura LEGO' e 'It - A Coisa'.
"Jon me procurou há seis meses e expressou seu desejo de ser um dos produtores do estúdio", contou Toby Emmerich, presidente da Warner Bros. Picture Group, em um comunicado ao site da Variety.
Segundo fontes do site, Emmerich deseja remover as subdivisões que separam a Warner Bros. da DC Films e ter mais controle sobre os filmes do DCEU (Universo Cinematográfico da DC em inglês).
Uma das medidas para diminuir a autonomia da DC Films seria colocar as duas companhias no mesmo prédio, o que pode ocorrer já em janeiro de 2018.
Ainda segundo a Variety, a gigante Time Warner, conglomerado de mídia que controla a Warner Bros., está insatisfeita com o resultado comercial de 'Liga da Justiça' e apoia as mudanças para o futuro.
Apesar do desempenho ter desapontado os executivos, sucessos como 'Dunkirk', 'It - A Coisa' e, é claro, 'Mulher-Maravilha', ajudaram a Warner Bros. a ultrapassar a marca de US$ 5 bilhões arrecadados nas bilheterias pela segunda vez na história do estúdio.
Segundo a Variety, os executivos da Warner não gostaram da primeira versão de 'Liga da Justiça', assinada por Zack Snyder, por ser sombria demais.
Quando a filha do cineasta cometeu suicídio e Snyder se afastou do projeto, ficou a cargo de Joss Whedon (de Os Vingadores e Vingadores: Era de Ultron) dirigir as refilmagens e cuidar da pós-produção.
Nesta fase, os executivos notaram que não poderiam mudar tudo que Snyder já tinha feito e gostariam de alterar pois muitas cenas já haviam sido filmadas.
Um dos pontos que mais desagradava a Warner no filme foi a decisão de Snyder de escolher o Lobo da Estepe, criado inteiramente por CGI, como vilão principal do filme.
O Lobo da Estepe no longa: CGI mais tosco dos últimos tempos - Warner Bros.
Antes mesmo do início das filmagens a Time Warner estava "frustrada" com a Warner Bros. por insistir em Snyder como realizador do filme, diz a matéria.
Com tudo isso, sobrou também pra Ben Affleck, já que a Variety vai mais além, dizendo ainda que é “muito improvável” que o ator interprete o Homem Morcego no vindouro 'The Batman'.
Já foi noticiado que a última aparição do ator como o personagem será em 'Flash: Flashpoint', filme solo do Flash de Ezra Miller, programado para 2020, sem diretor ainda.
E a informação agora é que Matt Reeves, diretor do longa do Morcego, tem uma visão diferente para o herói - segundo ele, espera “um “talento novo”, o que quer dizer que Reeves quer um ator mais jovem para o papel.
Seja como for, 'Aquaman' chega em 2018, com Jason Momoa, pelas mãos do talentoso James Wan.
E os fãs mal podem esperar por 'Mulher Maravilha 2', novamente com a dupla Gal Gadot e Patty Jenkins (na direção).
Fora isso, temos 'SHAZAM!', 'Esquadrão Suicida 2', 'As Sereias de Gotham' e 'Batgirl' (projeto para o qual a Warner contratou Joss Whedon), entre outros.
Vamos torcer para que as anunciadas mudanças sejam acertadas e que o Universo DC finalmente tenha a importância no cinema que sempre teve nos quadrinhos.
Com o afastamento de Zack Snyder de 'Liga da Justiça' por conta de uma tragédia familiar, Joss Whedon recebeu a responsabilidade de finalizar o filme sobre o maior grupo de heróis de DC
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O cineasta foi um dos principais responsáveis pelo sucesso do Universo Marvel nos cinemas, mas decidiu deixar a empresa há cerca de três anos por conta do cansaço mental e as eventuais divergências criativas em relação aos filmes da companhia.
Whedon chegou ao universo Marvel em 2010 e dirigir um filme de herói era um antigo sonho do cineasta, que na época era mais conhecido pelo grande público por conta de seu trabalho nas séries 'Buffy – A Caça-Vampiros' e 'Firefly', além de ter roteirizado quadrinhos dos X-Men.
Em 2007, ele chegou a desenvolver um roteiro para um filme da Mulher-Maravilha, mas a ideia foi descartada pela DC.
Agora, teria a missão de escrever e dirigir o primeiro Vingadores, longa que finalizaria a primeira fase do Universo cinematográfico da produtora.
A ideia era ambiciosa e nunca havia sido feita até então.
O principal desafio era juntar quatro protagonistas de filmes de sucesso em uma só produção, dando espaço igual a todos, com uma história empolgante e que desse aos fãs finalmente a adaptação que sempre sonharam.
“Temos um Deus do Trovão, um monstro verde gigante, um Capitão América dos anos 40, e Tony Stark que não se dá bem com ninguém. No final das contas, essas pessoas não devem estar juntas e o filme é sobre encontrar seu lugar na comunidade. É entender que não só eles se merecem, mas precisam um do outro”, afirmou Whedon ao i9, na época.
O diretor conseguiu encontrar o tom ideal para a aventura e o longa tornou-se um sucesso imediato ao arrecadar mais de US$ 1,5 bilhão ao redor do mundo.
A Marvel, então, contratou Whedon como não apenas o diretor de 'Vingadores: A Era de Ultron', mas também como um consultor de toda segunda fase do Universo da empresa.
E foi nesse momento que os problemas começaram.
Whedon criou a série 'Agents of SHIELD' baseada na organização apresentada nos Vingadores e rapidamente começou a se envolver com os demais filmes da empresa.
Ele, por exemplo, reescreveu diálogos de 'Thor: Mundo Sombrio' e chegou a dirigir uma das cenas pós-créditos de 'Capitão América: O Soldado Invernal'.
Além disso, incentivou James Gunn a colocar ainda mais sua marca em 'Guardiões da Galáxia'.
“Eu estava me segurando, na verdade, tinha medo de fazer um grande filme comercial, eu tinha que seguir a linha dos outros longas. Mas Joss falou ‘eu gosto das partes que são o James Gunn. Só faça mais James Gunn’. E foi o que eu fiz, sou grato que ele me deu esse voto de confiança”, afirmou Gunn recentemente ao MovieMaker.
Contudo, o trabalho tinha seu preço.
O cineasta não conseguia se dedicar como gostaria a continuação de Vingadores e, ao mesmo tempo, estava sacrificando sua vida pessoal por conta dos vários projetos da Marvel.
“Se eu ficasse lá falando ‘Bem, é isso que eu penso sobre esse filme’ eu teria de fazer isso todo dia. Não teria tempo para mais nada, pois são muitos longas e é muito divertido. Sem dúvida é sedutor quando você coloca seu ‘pó mágico’ nas coisas e consegue melhorá-las um pouco. Além disso, é legal quando as pessoas realmente te escutam”, afirmou durante um Q&A na Oxford Union em 2016.
Whedon estava cansado quando chegou no set para sequência de Vingadores e o longa foi a gota d’água de sua relação com a Marvel.
O cineasta já estava descontente com os rumos de 'Agents of SHIELD' – que foi lançada pouco antes do segundo 'Capitão América', onde a agência é desmascarada como parte da Hidra – e as discussões com a empresa sobre as escolhas do filme fizeram o cineasta chegar à exaustão física e mental.
Enquanto a Marvel queria colocar o máximo de ação que pudesse no longa, o cineasta queria incluir mais cenas de relação entre os personagens e as duas forças entraram em conflito: enquanto a produtora queria estender a visão de Thor na caverna sobre as Joias do Infinito, Whedon queria trabalhar melhor os sonhos da Viúva Negra e o momento onde os heróis vão para fazenda do Gavião Arqueiro e discutem sobre a guerra que está por vir.
“Os sonhos não eram as coisas favoritas dos executivos – os sonhos, a fazenda, essas foram coisas que precisei lutar para manter... com a caverna chegou a um ponto de: eles apontaram uma arma para cena da fazenda e disseram, ‘nos dê a caverna ou não terá fazenda’ – só que de uma maneira civilizada. Eu respeito esses caras, esses são artistas, mas foi nesse momento que ficou verdadeiramente desagradável”, disse ao Empire Film Podcast.
As gravações e a pós-produção acabaram com o diretor e, mesmo com o sucesso do filme, a relação de Whedon com a Marvel estava estremecida e eles decidiram encerrar a parceria.
Com isso, os irmãos Russo, de 'Capitão América: O Soldado Invernal', assumiram os últimos filmes dos Vingadores, enquanto Whedon tirou uma folga dos filmes de herói, trabalhou em dois pequenos filmes para, agora, retornar ao jogo na principal rival da empresa, a DC.
Whedon aceitou entrar no novo universo pois se encantou com a possibilidade de trabalhar com a motivação de um herói – algo que a Marvel lhe podou no último Vingadores - em um longa solo da Batgirl.
“Ela não teve os pais mortos em um beco. Quem é essa pessoa, que– ao contrário de ser forçada por um trauma na infância – decide fazer isso pelo resto da vida. O quão intensa e focada essa pessoa é... eu simplesmente não conseguia parar de pensar nisso”, afirmou ao HeatVision.
Whedon é um cineasta que gosta de trabalhar as camadas de seus personagens - tanto, que foi convidado pessoalmente por Snyder para ajudar a finalizar 'Liga da Justiça', cuidando das pequenas cenas precisam ser refilmadas e ajudando a criar momentos como a cena da fazenda dos Vingadores.
O passado da Marvel ficou para trás e, agora, o futuro do diretor é em ajudar a estabelecer um novo universo de heróis no cinema.
Perdeu a Marvel, ganhou a DC.
Sobre 'Batgirl': a EW desmentiu os rumores que circulava na internet sobre Joss Whedon ter abandonado o projeto, depois da recepção fraca de ‘Liga da Justiça’ nas bilheterias dos EUA.
Segundo as fontes do site, o diretor continua ligado ao projeto e atualmente está trabalhando no roteiro.
Lembrando que o longa ainda não recebeu o sinal verde do estúdio, e não está no calendário da DC, já que a história de Barbara Gordon não era de interesse do estúdio até o momento que Whedon veio apresentar o seu projeto.
Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado.
Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes - Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) - poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque do Lobo da Estepe.
CRÍTICA:
Filme anterior da Warner/DC, 'Mulher-Maravilha' foi espetacular, tão bom quanto 'O Cavaleiro das Trevas' (2008) e até mesmo 'Batman: O Retorno' (1992) e 'Superman: O Filme' (1978), para mim, os dois melhores filmes de super-herói já feitos.
Agora, com 'Liga da Justiça', lançado no feriado da República aqui no Brasil e que entra em circuito normal a partir desta quinta (16), pela primeira vez há de fato a sensação de que estamos diante de algo maior, de algo que vale a pena ser mais explorado.
Gal Gadot é a Mulher-Maravilha - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Warner Bros.
Após o irregular 'Batman vs Superman' e o trágico 'Esquadrão Suicida', é muito bom ver os personagens da DC ganhando destaque e profundidade em cena.
E este é justamente o ponto principal do novo longa, o bom desenvolvimento de personagens, em uma trama que conseguiu fazer com que o público se interessasse por todos os protagonistas, criando um cenário em que todos são importantes para a história e todos ganham espaço para brilhar.
Ben Affleck é o Batman
A trama une elementos vistos nos outros filmes do universo.
É centrada nas Caixas Maternas, guardadas pelos povos da Terra para evitar o domínio de Lobo da Estepe, conquistador que tentou tomar o planeta milênios atrás, mas foi impedido pela união dos antigos deuses, como Zeus, e dos mortais.
Com as ações de Lex Luthor em 'BvS' e a morte do Superman, o vilão sente o chamado das caixas e retorna para finalizar sua dominação.
A invasão é eminente, Bruce Wayne sabe disso e, ao lado de Diana, quer criar um grupo de defesa, mas pode ser tarde demais.
Seria um erro fazer um longa reunindo heróis em que apenas o Batman, Superman e Mulher-Maravilha, os nomes mais reconhecidos, tenham importância.
Jason Momoa é o Aquaman
Assim, o longa acerta em colocar o Flash, Aquaman e até Cyborg com espaço quase tão importante em cena.
Se a dinâmica e interação entre os heróis era algo que não funcionava em 'BvS', aqui é um dos destaques, graças a uma boa química entre todos do elenco, talentoso e carismático.
Gal Gadot está cada vez mais espetacular no papel de Diana Prince/Mulher-Maravilha, mostrando sensibilidade, muita força e determinação.
Ray Fisher é o Cyborg
Já o Batman tenta lidar com a culpa pela morte do Superman, ao mesmo tempo em que lida constantemente com sua própria mortalidade e humanidade em um time em que todos, menos ele, tem algum super poder.
Ben Affleck se reinventa no papel, por vezes nem lembrando sua atuação em 'BvS' e passando de forma clara a impressão de que estamos diante de um sujeito já cansado de tudo aquilo, mas que sabe que deve continuar lutando.
Os novos nomes - Ezra Miller como o Flash, Jason Momoa como o Aquaman e Ray Fisher como o Cyborg - não decepcionam, embora o primeiro incomode muito os fãs do tom sombrio da DC, já que, como nas animações da 'Liga', Barry Allen aqui também é o alívio cômico do filme.
Miller, bom ator, entrega momentos bem divertidos e assume aos poucos a sua importância perante a Liga.
Ezra Miller é o Flash
Jason Momoa faz um Arthur Curry ainda sem saber a que mundo pertence - dos atlantes ou dos humanos - e sua atuação é a melhor da sua carreira, como um bad boy errante, que não sabe ser, nem atlante, nem humano, mas dotado de poderes como controlar as águas dos oceanos e seus habitantes.
Já Ray Fisher é a única bola fora do time de heróis: seu Cyborg é praticamente todo feito em CGI e o ator é muito fraco para dar vida a um personagem tão complexo quanto Victor Stone, trazido de volta à vida pelo pai graças a uma das três caixas maternas.
Para completar o time, como todo mundo já sabia, Henry Cavill retorna sensacionalmente como o Superman e entrega sua melhor participação no papel.
O alter ego de Clark Kent, sempre problemático e praticamente imbatível, aqui surge de forma imponente, mas também marcada por sua morte.
Henry Cavill é o Superman
O retorno à vida do herói - também via caixa materna - é o ponto alto do longa, propiciando uma ótima cena de ação e dois tocantes reencontros - com a Lois Lane de Amy Adams e com sua mãe Martha, mais uma vez vivida lindamente por Diane Lane.
Pena que Cavill apareça em muitas cenas com o rosto bem deformado, consequência do retoque digital no bigode que não pôde tirar por causa das gravações de 'Missão Impossível 6'.
Ficou tão artificial que gera o questionamento se realmente valia a pena manter a cena - obviamente refilmada por Joss Whedon.
Aliás, fica nítido quais cenas Whedon refilmou ou acrescentou ao material de Zack Snyder: por exemplo, as do retorno do Superman e a do encontro entre Batman e Aquaman explicam melhor as situações, tornando as cenas mais inteligíveis ao espectador.
Amber Heard é Mera
Outro grande acerto do longa são as cenas de ação, que teve uma grande evolução em relação aos filmes anteriores - inclusive 'Mulher-Maravilha'.
A opção por confrontos em ambientes claros, aliada a uma fotografia mais colorida, valorizou o trabalho da equipe de efeitos visuais e evitou aquele cenário borrado do final de 'BvS'.
Pelas cenas de ação bem coreografadas, pela cor, pela luz e pelas muitas piadas, fica evidente que a DC quis aproximar o tom do longa aos longas da concorrente Marvel, que ajudam a criar empatia pelos personagens.
Pena que essa 'marvelização' passa também pela presença de um vilão pouco interessante e nada desenvolvido.
Lobo da Estepe e seus parademônios: vilão dos mais toscos e capangas dispensáveis
O Lobo da Estepe (voz de Ciarán Hinds) é uma figura toda feita em CGI dos mais toscos, sua presença em cena é pouco ameaçadora e seus parademônios são tão dispensáveis como os milhares de alienígenas vistos no primeiro 'Vingadores' ou os robôs comandados por Ultron na sequência.
J.K. Simonsaparece em duas rápidas cenas como o Comissário Gordon, Jeremy Irons mostra mais uma vez que é um Alfred mais que perfeito e Amber Heard faz pequena, mas importante participação como Mera, atlante que serve para colocar Arthur, o Aquaman bad boy, na guerra contra o Lobo da Estepe, após este, depois de roubas a caixa materna em poder das amazonas, resgatar também a que havia sido confiada a Atlântida.
Jeremy Irons como Alfred
As comparações entre DC e Marvel ficam ainda mais inevitáveis diante da entrada de Joss Whedon no projeto.
Creditado como um dos roteiristas do filme, Whedon também dirigiu parte das refilmagens, após o afastamento de Zack Snyder por causa de uma tragédia pessoal - uma de suas filhas cometeu suicídio.
O crédito de diretor, no entanto, segue apenas com Snyder, enquanto Whedon divide o roteiro com Chris Terrio ('Argo' e 'Batman vs Superman').
J.K.Simmons como o Comissário Gordon
A chegada de Whedon ao universo DC - ele tinha sido contratado pela Warner para tocar o projeto de um longa da Batgirl - é positiva, não apenas pelo bom trabalho na Marvel, mas pelo fato dele ser criativo e talentoso.
Pena que sua entrada repentina em 'Liga da Justiça' não foi o ideal, já que o filme tem problemas claros de construção da narrativa, seja no roteiro, seja na montagem.
Fica claro ao espectador mais atento de que foi uma obra remontada, com visões conflitantes trabalhando numa só produção.
Amy Adams como Lois Lane
As apresentações dos novos heróis ficaram muito rápidas e pouco naturais e o vilão surge de forma aleatória e pouco impactante em diversos momentos.
O caos, no entanto, por um momento acaba quando o espectador embarca na jornada de heróis realmente cativantes e por um cenário geral que merece ser explorado.
Conhecido pelas trilhas dos filmes de Tim Burton, o compositor Danny Elfman volta a trabalhar num filme da DC exatos 25 anos após 'Batman: O Retorno' e fez um trabalho realmente interessante, principalmente por unir a sua trilha para 'Batman', a de Rupert Gregson-Williams para 'Mulher-Maravilha' e o clássico tema de John Williams para 'Superman: O Filme'.
Diane Lane é Martha Kent
E as referências aos filmes anteriores da DC (além do presente universo) não estão apenas na trilha, mas em frases e até expressões corporais presentes no roteiro - é interessante vermos Cavill fazendo a clássica pose de Christopher Reeve e Affleck agachado no alto de um prédio, a capa negra tremulando ao vento, numa das icônicas poses do Batman.
Ao final, temos duas cenas pós-crédito - o espectador deve ficar sentadinho na sala até o fim - veja abaixo.
'Liga Da Justiça' mostra que a DC está mesmo no caminho certo e embora ainda não tenha acertado a mão, a melhora é óbvia.
O filme é capaz de divertir do começo ao fim e consegue manter o interesse do público mesmo longe das cenas de ação.
Se não é o filme perfeito e não é espetacular quanto 'Mulher-Maravilha' o foi, o longa é uma luz de esperança no universo da DC, além de ser tudo o que 'Batman Vs Superman' quis ser e não foi.
APRESENTAÇÃO DOS HERÓIS DA LIGA:
Barry Allen, o Flash
Victor Stone, o Ciborgue
Arthur Curry, o Aquaman
Diana Prince, a Mulher-Maravilha
Bruce Wayne, o Batman
TRAILER:
PÔSTERES ORIGINAIS:
SPOILERS:
* As amazonas, lideradas pela Rainha Hipólita (Connie Nielsen) aparecem mais guerreiras do que em 'Mulher-Maravilha'.
* As três caixas maternas, fontes de poder absoluto que o Lobo da estepe está atrás, foram confiadas às amazonas, aos atlantes e aos humanos - cada um ficou com uma.
* A cena de Clark, no meio do milharal na fazenda Kent, não é um sonho de Lois Lane, como pensávamos: após ser ressuscitado e ainda confuso, entrar em confronto com seus amigos da Liga, ele a leva para lá - o que o faz recuperar a razão.
* A primeira cena pós créditos é a icônica corrida entre o Flash e o Superman, um tira teima para sabermos quem é o homem mais veloz da Terra.
O confronto começou nas HQs da DC ainda nos anos 1970, passou por outras histórias mais recentes e chegou recentemente ao primeiro crossover entre as séries de heróis da Warner - quando o Flash aposta corrida com a Supergirl.
* A segunda cena pós créditos é mais interessante: mostra Lex Luthor (Jesse Eisenberg) fugindo da prisão ajudado por Slade Wilson, o Exterminador.
Depois, já a bordo de um luxuoso iate na baía de Mônaco, Luthor conversa com ele, que tira o capacete e revela que o personagem já é interpretado por Joe Manganiello - escolhido anteriormente para dar vida ao personagem em 'The Batman', próximo longa solo do Morcego.
FICHA TÉCNICA:
'LIGA DA JUSTIÇA'
Título Original:
JUSTICE LEAGUE
Direção:
Zack Snyder
Elenco:
Amber Heard, Amy Adams, Ben Affleck, Billy Crudup, Ciarán Hinds, Connie Nielsen, Daniel Stisen, Diane Lane, Erin Eliza Blevins, Ezra Miller, Gal Gadot, Henry Cavill, J.K. Simmons, Jason Momoa, Jeremy Irons, Jesse Eisenberg, Joe Morton, Kiersey Clemons, Lisa Loven Kongsli, Michael McElhatton, Ray Fisher, Robin Wright, Samantha Jo
Roteiro:
Chris Terrio, Joss Whedon
Produção:
Charles Roven, Deborah Snyder, Geoff Johns, Jon Berg