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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

'KICK-ASS 2': AGUARDADÍSSIMA CONTINUAÇÃO É DECEPCIONANTE E SÓ VAI INTERESSAR AOS FÃS


Depois do sucesso de 2010, uma legião de fãs passou a cultuar o longa baseado em HQ 'Kick-Ass - Quebrando Tudo' como o que o longa realmente é: uma obra subversiva do universo dos super-heróis.

Paródia inteligente e absolutamente verdadeira sobre pessoas fantasiadas lutando por justiça no mundo real, o longa faturou US$ 96 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e uma sequência era inevitável.

Pena que, sem a direção de Matthew Vaughn ('X-men: Primeira Classe'), sua aguardadíssima continuação é, no mínimo, decepcionante.

Quem assumiu a franquia foi o diretor e roteirista Jeff Wadlow ('Quebrando Regras'), que fez um 'mix' das HQs 'Kick-Ass 2' e 'Hit Girl', mostrando a evolução dos personagens do primeiro filme, só que pesando na violência pura e simples e deixando a carga emocional - sucesso do primeiro - de lado.

Em 'Kick-Ass 2' - que estreia hoje em 43 salas em todo o Brasil - os protagonistas Kick-Ass (Aaron Taylor-Johnson, um dos mais talentosos e gostosos atores da Hollywood atual, e que vem aí como o Mercúrio no novo 'X-Men') e Hit Girl (Chlöe Grace Moretz, linda e talentosa, que também vem aí no remake de 'Carrie') estão dando um tempo da vida de heróis.

Aaron Taylor-Johnson, em cena do longa - fotos dessa postagem: Divulgação/Universal Pictures

Já o vilão Chris D'Amico (Christopher Mintz-Plasse) - conhecido como Red Mist no filme anterior - agora assumiu a identidade do vilão Motherfucker, que tem um único objetivo em sua vida recrutar um exército para matar o protagonista e vingar seu pai.

Se a história é bem padrão para sequências do gênero e todo o elenco cresceu, isso não significa que amadureceu.

Mintz-Plasse é um bom ator, mas aqui não consegue ser o vilão cruel que a série precisava.

Christopher Mintz-Plasse como o vilão Motherfucker, em cena do longa

Taylor-Johnson agora é ofuscado ainda mais pelos coadjuvantes e apenas Chlöe Moretz arrebenta tudo como a Hit Girl, uma garota que agora é uma adolescente, enfrentando problemas na escola e movida pelo senso de justiça distorcido passado pelo seu pai, morto ao final do primeiro longa.

Ao mesmo tempo, tenta se encontrar como pessoa, enquanto se adapta à nova vida sob a tutela do detetive Marcus Williams, um velho amigo da família.

Os três não são os únicos fantasiados do longa, já que os eventos de 'Kick-ass - Quebrando Tudo' ajudaram a ampliar o movimento de super-heróis em Nova York, com centenas de pessoas saindo do conforto de suas casas, vestindo roupas colantes e lutando por justiça.

De todos, o personagem mais interessante é um ex-mafioso que virou cristão: o Coronel Estrelas e Listras (Jim Carrey, mais uma vez, excepcional), que sai às ruas ao lado de seu fiel ajudante Eisenhower e que, graças ao talento do ator, rouba a cena em seus poucos momentos na telona.

Jim Carrey é o Coronel Estrelas e Listras

Se o humor praticado por Carrey funciona, porém, quando o longa tenta forçar o riso, baixa o nível e se perde, como a vingança de Hit-Girl contra as garotas da escola, momentos desnecessários que desconstroem a imagem anárquica do filme.

Além disso, ofuscam a mensagem implícita sobre como as pessoas usam máscaras para esconder traumas e como é difícil a transição para a vida adulta, na qual todos enfrentamos uma luta interna entre fantasia e realidade.

O discurso subversivo da franquia se perde de vez conforme a trama se aproxima do confronto final: o longa passa a se resumir à questão de mocinhos contra bandidos, decidindo quem está certo na base da porrada.

Como sequência, 'Kick-Ass 2' não consegue ser realista - como a trilogia 'Batman', de Chris Nolan - nem exagerado - como 'Os Vingadores' de Joss Whedon - não divertindo nem impressionando quanto o original.

Embora a brutalidade e violência façam parte da franquia, o diretor Wadlow errou ao tentar repetir a fórmula do primeiro filme, cuja inspiração é a violência estilizada, à la Tarantino.

Clöe Grace Moretz como a Hit Girl - melhor coisa do longa, disparado

Assim, o resultado ficou exagerado e pouco divertido, com clichês e momentos monótonos também não ajudando a narrativa.

Enfim, quem gosta dos personagens e seu universo - como eu - terá mais chances de essa continuação, mas quem deixou para conhecer a série agora, vai fazer uma má escolha.

Vale por Jim Carrey, por Aaron Taylor-Johnson e por Clöe Moretz - uma senhora atriz de quem ainda vamos muito ouvir falar.

Confira o trailer do longa:

*****
'KICK-ASS 2'
Gênero:
Comédia
Direção:
Jeff Wadlow
Roteiro:
Jeff Wadlow
Elenco:
Aaron Taylor-Johnson, Andy Nyman, Augustus Prew, Chlöe Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Claudia Lee, Daniel Kaluuya, Donald Faison, Ella Purnell, Jim Carrey, John Leguizamo, Lee Asquith-Coe, Lindy Booth, Lyndsy Fonseca, Martin Roach, Morris Chestnut, Olga Kurkulina, Rob Archer, Robert Emms, Sophie Ellis, Steven Mackintosh, Yancy Butler
Produção:
Adam Bohling, Brad Pitt, David Reid, Matthew Vaughn, Tarquin Pack
Fotografia:
Tim Maurice-Jones
Montador:
Eddie Hamilton
Trilha Sonora:
Henry Jackman, Matthew Margeson
Duração:
103 min.
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
18/10/2013
Distribuidora:
Universal
Estúdio:
Marv Films / Universal Pictures
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

'A HORA DO ESPANTO' TEM AÇÃO E ROTEIRO, MAS FALTA UM VILÃO QUE COLIN FARRELL NÃO CONSEGUIU SER


Nessa inesgotável onda de remakes pelo qual o cinema americano passa, os filmes que foram sucesso nos anos 80 são os mais resgatados.

Infelizmente, a maioria deles resulta em projetos capengas, mesmo contando com elencos estelares e recheados com nomes da moda.

O que acontece, é que querem inventar tanto em cima do roteiro original, que acabam errando a mão.

É o que acontece com essa refilmagem de um dos grandes sucessos dos anos 80, o terrir - terror com humor - A Hora do Espanto, que estreia hoje em todo o brasil, refilmada por Craig Gillespie, diretor da comédia A Garota Ideal (2007).

A trama do roteiro original, um garoto que descobre que o vizinho é vampiro mas ninguém acredita, é o mesma.

Até os nomes dos personagens principais não mudaram - só o da mãe do garoto.

O garoto é de novo Charlie Brewster - agora interpretado pelo jovem russo Anton Yelchin, de Um Novo Despertar, aquele filme em que Mel Gibson contracena com um castor de pelúcia- e o vampiro ao lado é também Jerry - o irlandês Colin Farrell, de Alexandre.

Divulgação
O ator russo Anton Yelchin, em cena do filme

Como a namorada do garoto, Amy, temos a inglesa Imogen Poots,o amigo chato de Charlie, Ed, é interpretado pelo norte-americano Christopher Mintz-Plasse, e a mãe de Charlie - agora chamada Jane - pela australiana Toni Collette.

Divulgação
Anton Yelchin e Christopher Mintz-Plasse, em cena do filme

Se nos 80, o guru de um programa místico de televisão, Peter Vincent, que ajuda o garoto na caça ao vampiro, era interpretado por Roddy McDowall, aqui ele é defendido com muito humor pelo escocês David Tennant - da série britânica Dr.Who.

Um elenco internacional, enfim.

Divulgação
David Tennant, em cena do filme

Se o duelo central acontece mesmo entre o jovem Charlie - lutando para proteger a mãe, a namorada e a vizinhança, um subúrbio de Las Vegas - e o faminto vampiro, um outro enfrentamento, na parte final, opõe também Jerry e o guru Peter Vincent, onde até o contraste de sotaques entre os dois torna-se um detalhe irônico.

Como um especialista em artes secretas que vem dar uma ajuda a Charlie, lutando contra o vampiro dentro de sua própria fortaleza - uma casa com profundos subterrâneos e janelas cobertas para impedir a entrada de luz -, Tennant não raro rouba a cena como o personagem mais anárquico de todos, aproveitando para dar vazão a um humor negro em que ele se mostra extremamente à vontade.

Se nas cenas iniciais ele consegue fazer um vampiro charmoso e galanteador, com o desenrolar da trama Colin Farrell parece muitas vezes não saber o que está fazendo neste filme - não que ele esteja mal, mas Farrell, um ator versátil -  capaz de interpretar um personagem frágil e romântico em Ondine e não estranho ao humor negro como o matador azarado de Na Mira do Chefe -  aqui parece meio fora da proposta do personagem.

Divulgação
Colin Farrell interpreta Jerry, o vampiro do filme

Isso acontece sempre em que franquias que visam a plateia adolescente, como A Hora do Espanto, trabalham em cima da estética dos contrastes, da acumulação e dos excessos - assim, há a diferença, até física, entre o herói adolescente, branquelo e fraquinho, e o vampiro, sensual e saradão.

Os incidentes entre os dois vão se sucedendo, assim como os ataques do chupador de sangue, que provocam inúmeros desaparecimentos na vizinhança e na escola, sem que isso mobilize nenhuma investigação policial séria, um atentado contra a lógica - só que não é o que se procura num filme do gênero.

Os excessos estão no sangue derramado aos litros, mas que não chegam a justificar o pagamento de um ingresso mais caro para assistir à versão 3D.

Como a maioria das cenas são noturnas e as versões em 3D do filme são ainda mais escuras, se você não for um bom identificador de vozes, vai ficar sem saber quem está contracenando com quem -  não gaste dinheiro à toa e assista em cópia normal.

Divulgação
O embate final entre os protagonistas

De resto, é diversão, mas só para quem gosta do tema e de cenas do mais puro humor negro - mas que faltou um vilão, faltou.

Confira o trailer do filme:

*****
A HORA DO ESPANTO
Título original:
Fright Night
Diretor:
Craig Gillespie
Elenco:
Colin Farrell
David Tennant
Anton Yelchin
Christopher Mintz-Plasse
Toni Collette
Imogen Poots
Dave Franco
Reid Ewing
Emily Montague
Tina Borek
Produção:
Michael De Luca
Michael J. Gaeta
Alison R. Rosenzweig
Roteiro:
Marti Noxon, baseado em história de Tom Holland
Fotografia:
Javier Aguirresarobe
Trilha Sonora:
Ramin Djawadi
Duração:
97 min.
Ano:
2011
País:
EUA
Gênero:
Terror
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Disney
Estúdio:
DreamWorks SKG
Classificação:
14 anos
Cotação do Klau: