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sexta-feira, 12 de abril de 2013

'OBLIVION': VOCÊ JÁ VIU ESSE FILME ANTES



Ter Tom Cruise num blockbuster costuma ser garantia de bons resultados em bilheteria e não é à toa.

Cruise carrega nas costas a ficção científico/futurista 'Oblivion', que estreia hoje aqui no Brasil e que sem sua presença, passaria batido.

Aqui, Cruise interpreta Jack Haper, mix de engenheiro e soldado responsável por cumprir uma missão na Terra, planeta faz tempo abandonado pelos humanos, depois de uma guerra contra alienígenas.

Tom Cruise, em cena do filme - fotos dessa postagem: Divulgação/Paramount Pictures Brasil

Ele e sua mulher, Julia (Andrea Riseborough), formam a equipe encarregada de patrulhar o planeta deserto, para assegurar que seus últimos recursos naturais disponíveis sejam retirados - sem que os alienígenas que aqui sobraram criem problemas - e está prestes a retornar à colônia humana no espaço.

Em suas patrulhas de rotina, Jack lembra com saudades da Terra antes da guerra que a destruiu – para vencer os alienígenas os humanos tiveram de usar seu arsenal nuclear - mas também é atormentado por sonhos estranhos de uma vida que, aparentemente, não viveu...

Ou seja: você já viu esse filme antes!

Quando um nave não-identificada cai na Terra e nela Jack descobre a mulher desconhecida (Olga Kurylenko) recorrente em seu sonhos, todas as certezas que tinha até então começam a desmoronar e o personagem segue numa trajetória de descobertas que o fará recuperar um passado perdido que até então desconhecia.

Olga Kurylenko, em cena do filme

O diretor e roteirista Joseph Kosinski ('Tron - O Legado') nos mostra os personagens e recria esta realidade de 2077 como a evolução do que se vê hoje, já que limitou ao máximo o uso de cenografia virtual, filmando panorâmicas do céu do Havaí, de paisagens da Islândia e do o cume de um vulcão para incluí-las no filme.

O resultado é atraente, longe de artificialismos cênicos - a cenografia deste mundo futurista pós-apocalíptico chama a atenção por sua riqueza de detalhes e coerência, ajudando na ambientação, sem contar os objetos de cena como drones, naves, armas e, principalmente, o figurino, que lembram outros filmes, principalmente 'Star Wars'.

Pena que na segunda metade, o filme perde fôlego e criatividade, o roteiro fica confuso em muitos momentos e deixa o espectador mais desconectado perdido.

Quando, mais adiante, tenta explicar o que está acontecendo, deixa muitas dúvidas e pontas soltas.

Morgan Freeman, em cena do filme

A sequência final é puro 'Independence Day', o longa podia acabar aí, mas se estica somente para brindar o público com um final absolutamente improvável.

É aí que fica explícito que, para sustentar um  filme confuso desses, se torna indispensável que o protagonista seja uma estrela como Tom Cruise, cujo carisma e presença cênica são capazes de tornar a produção muito mais interessante do que realmente é.

Só podiam ter poupado a lenda Morgan Freeman desse mico, né

Confira o trailer do filme:


*****
'OBLIVION'
Título original:
Oblivion
Diretor:
Joseph Kosinski
Elenco: 
Tom Cruise, Morgan Freeman, Nikolaj Coster-Waldau, Olga Kurylenko, Zoe Bell, Melissa Leo, Andrea Riseborough, James Rawlings e outros
Produção:
Peter Chernin, Dylan Clark, Duncan Henderson, Joseph Kosinski, Barry Levine
Roteiro:
Joseph Kosinski, William Monahan
Fotografia:
Claudio Miranda
Trilha Sonora:
M.8.3, Daft Punk
Duração:
124 min.
Ano:
2013
País:
EUA
Gênero:
Ficção Científica
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paramount Pictures Brasil
Estúdio:
Chernin Entertainment / Universal Pictures / Radical Pictures / Ironhead Studios
Classificação:
10 anos
Cotação do Klau:

sexta-feira, 9 de março de 2012

MADONNA INSISTE EM SER DIRETORA DE CINEMA, MAS 'W.E. - O ROMANCE DO SÉCULO' É UMA COLAGEM SEM SAL E SEM RITMO


Quando "Procura-se Susan Desesperadamente" (1985) estreou, sua diretora, Susan Seidelman, procurava nas entrevistas explicar como seu projeto, de pequeno orçamento e apenas correto, estava levando multidões às salas de cinema no mundo todo.

É que a diretora teve sorte, muita sorte: quando foi filmado, cerca de dois anos antes, Seidelman escalou para o papel de coadjuvante uma aspirante a atriz e cantora desconhecida, que tinha morado em Paris com Patrick Hernandes - do hit "Born to be Alive" - e que a diretora considerava um grande talento.

Acontece que o tempo passou, e entre o período das filmagens e o lançamento do filme, a coadjuvante gravou um disco - que teve a faixa "Boderline" tocada à exaustão.

Quando o filme chegou finalmente aos cinemas, a coadjuvante já era uma estrela da música de primeiríssima grandeza - Madonna, que também emplacou na trilha sonora do filme mais um hit - "Into The Groove".

É essa sorte de cineasta - que Susan Seidelman teve - que falta à Madonna, atriz e cineasta.

Depois de "Procura-se Susan...", a Diva pop teve uma carreira como atriz muito mais de baixos que de altos: o ponto alto foi sem dúvida sua atuação como a dançarina e cantora dos anos 30 Betless Mallone em "Dick Tracy" (1990) - a Diva fez inclusive toda a trilha, que rendeu um ótimo disco, "I'm Betless", onde ela provou que era, sim, uma cantora com voz e talento.

Essa simbiose atriz + cantora teve o seu ápice quando ela, além de uma simpática ponta como uma professora de esgrima, compôs e interpretou a música da abertura de "007 - Um Novo Dia Para Morrer/Die Another Day" (2002), entrando assim para o panteão de grandes vozes femininas que já interpretaram uma música tema de um filme de 007 - entre elas, Shirley Bassey, Tina Turner e Dionne Warwick.

Os baixos, nem vale a pena ficar relembrando aqui, já que são muitos.

Mas a Diva queria mais das telonas, e se lançou como diretora em "Filth and Wisdom" (2008), uma bomba sem pé nem cabeça.

Agora, em "W.E. - O Romance do Século", sua segunda direção, a pop star arrisca tudo na sua devoção a um de seus ícones - Wallis Simpson (1896-1986) - e deixa para traz anarrativa de uma história sólida capaz de sustentar um roteiro.
Divulgação
James D'Arcy e Andrea Riseborough, como Edward e Wallis, em cena do filme

Misturando a história real do romance entre Wallis Simpson - Andrea Riseborough -, plebeia americana duas vezes divorciada, e o rei Edward 8º - James D'Arcy - que renunciou por amor a ela ao trono britânico em 1936 - e uma jovem na Nova York atual, também chamada Wally - Abbie Cornish - obcecada pela figura da xará - a Madonna cineasta nada mais fez do que colar, na cara dura, toda sorte de clichês visuais, românticos e sentimentais.

Tudo resulta em um filme sem sal, sem tempero algum, em que nem mesmo a trilha sonora - inacreditavelmente premiada com um Globo de Ouro de melhor canção original - faz por merecer entrar para o portfólio musical da Diva - Elton John e o marido tiveram toda razão em reclamar depois da premiação.
Divulgação
James D'Arcy e Andrea Riseborough, em cena do filme

A narrativa entrelaça episódios do turbulento romance dos anos 1930 - boa desculpa para um desfile de roupas de época que deram ao filme uma indicação ao Oscar de figurino - com a vida dessa sofrida Wallis moderna que, jovem, casada, rica e bonita, ora demonstra sua fixação por ter um filho - apesar de ser casada com um marido metido a macho alfa e violento - Richard Coyle - ora pelos objetos de Wallis Simpson - que estão em exposição para um futuro leilão pela casa Sotheby's.

Quase diariamente, Wally visita a exposição, onde passa muito tempo entre os móveis, objetos e roupas da xará - que o filme retrata mentirosamente como uma feminista importantíssima, que fugiu do primeiro marido espancador e se tornou a mulher libertária que fascinou o então príncipe Edward.

A presença de Wally fascina também o segurança da exposição, o russo Evgeni - Oscar Isaac -, bem mais intelectualizado do que parece e que deixou para trás uma carreira de pianista, e que faz de tudo para atrair sua atenção.
Divulgação
Oscar Isaac - como Evgeni, e Andrea Riseborough - como Wallis, em cena do filme

É dessa constante inda e vinda entre as duas histórias românticas - a do passado e a do presente - que a diretora tenta estruturar seu roteiro - escrito em parceria com o amigo libanês Alek Keshishian, que foi o diretor do documentário "Na Cama com Madonna" (1991).

Como Madonna esperou que haveria um equilíbrio possível entre as duas histórias não se sabe, já que ninguém até agora teve a coragem de perguntar para ela, nas muitas entrevistas que a Diva vem dando desde o Festival de Cannes 2011 para promover o filme - na coletiva do evento,a diretora tentou retratar Wallis Simpson "como ser humano", mais um clichê envolvendo esta equivocada produção.

A história de Wallis Simpson é muito mais rara e cheia de detalhes muito mais saborosos do que a segunda, e o enredo não explica nunca a razão da atração de Wally atual por Wallis - a ponto de conversar com seu fantasma em momentos de intimidade, como uma espécie de alter ego a lhe dar conselhos.

Em Veneza 2011, fora de competição, o filme recebeu suas primeiras vaias.

Vai continuar levando muito mais vaias, mundo afora.

Confira o trailer do filme:

*****
"W.E. - O ROMANCE DO SÉCULO"
Título Original:
W.E.
Direção:
Madonna
Elenco:
Abbie Cornish, Andrea Riseborough, Oscar Isaac, Natalie Dormer, Annabelle Wallis, James D'Arcy, Richard Coyle, Laurence Fox, James Fox, Natalie Gal
Produção:
Kris Thykier, Colin Vaines
Roteiro:
Alek Keshishian, Madonna
Fotografia:
Hagen Bogdanski
Trilha Sonora:
Abel Korzeniowski
Duração:
Cansativos 120 min.
Ano:
2011
País:
Inglaterra
Gênero:
Comédia Dramática
Cor:
Colorido
Distribuidora:
PlayArte
Estúdio:
Semtex Films
Classificação:
16 anos
Cotação do Klau:

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FESTIVAL DE TORONTO: TODO MUNDO DIZ QUE 'W.E.' É PÉSSIMO, MAS A DIRETORA MADONNA INSISTE


Ao apresentar seu segundo trabalho como diretora no TIFF 2011, Madonna disse que não se importa com as críticas cinematográficas, desde que o alvo seja o filme que ela fez, e não a própria estrela internacional.

A artista pop declarou que ela precisou se esforçar para ser reconhecida como cantora, e que espera a mesma coisa agora como cineasta.
"Eu sofri o mesmo tipo de pressão quando iniciei minha carreira musical", disse Madonna a jornalistas.
"Eu ficava nervosa, e não sabia o que esperar, e as pessoas não sabiam o que esperar."

AP Photo/The Canadian Press, Darren Calabrese
Madonna, chegando para a apresentação de "W.E." no Festival de Toronto

W.E. estreou no Festival de Veneza dias atrás e agora está na programação de Toronto.

Em Veneza, críticos disseram que o filme é visualmente deslumbrante, mas não tem foco definido e é recheado por más atuações.

Confira momentos da entrevista de Madonna em Toronto:

"Eu consigo dizer quando as pessoas estão criticando o meu filme e quando estão me criticando pessoalmente", disse Madonna, ao ser questionada sobre sua relação com a crítica.
"Então, quando (os críticos) se atêm ao filme, eu não ligo."

Um jornalista perguntou a Madonna se ela espera concorrer ao Oscar.
"Estou de pernas e dedos cruzados", respondeu.

Confira o trailer de "W.E.":

Madonna estreou como cineasta em 2008 com Sujos e Sábios, que teve mau desempenho nas bilheterias.

W.E. tem Abbie Cornish interpretando uma jovem nova-iorquina da década de 1990 que se deslumbra com o casamento - nos anos 1930 - do rei inglês Edward 8o com a divorciada norte-americana Wallis Simpson - interpretada por Andrea Riseborough.

O jornal britânico The Guardian foi um dos mais duros nas críticas ao filme, dando-lhe uma estrela num total de cinco.

Já o igualmente britânico Daily Telegraph foi mais generoso e deu três estrelas.

O filme, com orçamento estimado em torno de 15 milhões de dólares, estreia em dezembro nos EUA.

*****
Matéria Base: Julie Gordon - Reuters
Tradução e Redação Final: Cláudio Nóvoa