Mostrando postagens com marcador Jonathan Haagensen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jonathan Haagensen. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de março de 2020

'ONISCIENTE': CRÍTICA DA PRIMEIRA TEMPORADA

<>
A Netflix a vendeu como "a Black Mirror brasileira" - mas a série é pouco inventiva
<>

SINOPSE:

Em um futuro (não tão distante), uma cidade é monitorada constantemente pelo sistema de vigilância Onisciente.

Cada cidadão possui um pequeno drone em forma de libélula, quase imperceptível que monitora tudo o que acontece e repassa os dados para um supercomputador que analisa tudo sozinho.

Nenhuma pessoa tem acesso a ele e desta forma, a criminalidade é quase nula, já que odos sabem que se algum crime ou infração for cometido, o culpado será capturado quase que imediatamente e responderá por seus atos.

Para a jovem Nina (Carla Salle) tudo parece funcionar perfeitamente.

Ela faz parte de um programa de trainee da Empresa Onisciente, sonha em ser efetivada e leva uma boa vida com o pai e seu irmão Dani (Guilherme Prates).

Os cidadãos vivem em segurança e a criminalidade quase não existe, mas tudo muda quando acontece um assassinato que não é reportado ao supercomputador.

A partir disso, Nina começa sua própria investigação em busca da verdade.

Diante de dilemas morais e éticos, a protagonista trilha um caminho perigoso onde acaba esbarrando em segredos do governo e da própria empresa.

CRÍTICA:

Pedro Aguilera foi bem sucedido ao produzir a série 3%  e isso animou a Netflix a apostar mais nas produções brasileiras.

Com a quarta e última temporada da série 3% já garantida, o roteirista e criador nos apresenta um novo projeto.

Sem muita divulgação, a nova produção brasileira, Onisciente, chegou à plataforma da Netflix de forma quase silenciosa.

O thriller de ficção científica traz uma premissa interessante que evoca Black Mirror ao mostrar uma sociedade dominada pela tecnologia e seus efeitos negativos.

O conceito do sistema Onisciente apesar de inteligente e interessante, prova que não é perfeito.

O assassinato do pai de Nina não é identificado pelo sistema e, por isso, ela decide investigar para desvendar não só o motivo do crime, mas também quem o matou e, principalmente, como o crime foi encoberto.

Embora a trilha sonora não favoreça muito, a série consegue criar através dessa premissa uma atmosfera de tensão e suspense, onde não é possível confiar em ninguém até que a verdade seja descoberta.

Evidentemente, Aguilera foi buscar inspiração no livro “1984”, de George Orwell, que depois de muitos anos serviu como base para reality shows (Big Brother, por exemplo) e, assim, estabelecer o paralelo entre o “grande irmão” do livro com o sistema Onisciente da série se torna algo natural.

O mesmo cenário de vigilância e o conflito entre privacidade e segurança, pautados pelas propagandas como “Sistema Onisciente, viva sem medo”, ou “Não é privacidade vs. segurança, é privacidade e segurança, nenhum ser humano tem acesso as imagens do sistema” - tudo é uma forma do Sistema controlar a sociedade, plantando a ideia de segurança e privacidade.

O universo criado na série se expande, um grande acerto nesta curta primeira temporada.

A cidade vigiada permite receber visitantes para experimentar o estilo de vida “Big Brother” e também permite a saída de seus cidadãos a qualquer momento - ao sair da cidade, seus drones entram em modo hibernação.

Fora da cidade, a sociedade se parece muito com a nossa sociedade atual. com pessoas vivendo sob o medo e a violência.

Explorar o mundo além da cidade possibilita novas discussões e, mais uma vez, tudo fica apenas na superfície.

Apesar de trazer uma discussão bastante atual sobre segurança, vigilância e privacidade, a primeira temporada com apenas seis episódios sofre com algumas falhas, até consegue ser dinâmica e equilibra todos os temas propostos, mas tudo fica muito raso.

Algumas subtramas parecem não conversar com trama central, como o chefe de Nina, que sai da cidade vigiada e faz expurga seu estressa socando até a morte um morador de rua, cena simplesmente jogada na tela para logo depois ser esquecida.

Mesmo diante de uma vigilância absoluta, Nina não mede esforços para encontrar as respostas que precisa para desvendar a morte de seu pai.

As conveniências da trama que facilitam a investigação da personagem incomodam um pouco.

Outro problema é a superficialidade no funcionamento dos drones, que ficam responsáveis por identificar e reportar os crimes.

Ao longo dos episódios, várias formas de desviar dos drones são apresentadas ao público e dessa forma, a credibilidade do Sistema se torna questionável.

As atuações não são espetaculares, mas também não são tão ruins, mesmo o elenco sendo muito irregular.

A protagonista Nina, interpretada por Carla Salle, alterna o tempo todo boas e más atuações.

Seu romance com o personagem de Jonathan Haagensen, Vinícius Moreira, deve ganhar algum prêmio de pior química de casal em todos os tempos.

Aliás, fazia tenho que não víamos o bom ator num papel tão pífio.

Guilherme Prates, que faz o irmão de Nina, Daniel, não diz a que veio em nenhuma cena.

Assim, o quesito atuação se salva com os veteranos Marcello Airoldi - que na pele do boss da Onisciente, Ricardo Costa, dá show em todas as cenas que aparece - e principalmente, com Sandra Corveloni: sua personagem,Judite Almeida, começa como uma amiga de Nina fora do sistema, sua participação vai aumentando e no último capítulo, finalmente diz a que veio, o que é sensacional.

A direção de arte é um achado: os celulares - que parecem capinhas de bilhete único que os camelôs vendem, são pequenos e muito funcionais.

Os carros, todos elétricos, aparecem por toda parte - parecem ser um grande merchandising de uma marca alemã.

A protagonista roda pela cidade pedalando uma bake, circundada por muitos patinetes elétricos.

Mas a série não é marcada só por erros, já que convida o público a refletir.

Dentre tantas questões que a série levanta, uma delas diz respeito ao comportamento do ser humano enquanto cidadão.

Fazendo uma análise de comportamento, como as pessoas são quando estão sendo vigiadas e como elas são sem vigilância?

Esse modelo de sociedade só funciona porque a disciplina é regida pela política do medo, para ser mais preciso, o medo da punição.

Onisciente é pouco criativa e não se arrisca no desenvolvimento da trama.

Cumpre seu papel em levantar reflexões pertinentes, principalmente se compararmos com nosso momento atual.

Informação é poder e isso se torna ainda mais forte no final da temporada.

A cena final deixa um grande gancho para a segunda temporada.

Tomara que ela venha melhor trabalhada do que essa primeira.

GALERIA DE IMAGENS:
Resultado de imagem para onisciente netflix

Resultado de imagem para onisciente netflix

Resultado de imagem para onisciente netflix

Resultado de imagem para onisciente netflix

Resultado de imagem para onisciente netflix drone

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
ONISCIENTE
Formato:
Série
Gênero:
Ficção científica
Capítulos:
06
Duração:
50 minutos
Criador:
Pedro Aguilera
País de origem:
Brasil
Diretor(es):
Isabel Valiante, Júlia Pacheco Jordão
Produtor(es) executivo(s):
Tiago Mello, Pedro Aguilera
Roteirista(s):
Pedro Aguilera, Guilherme Freitas, Thais Fujinaga, Ludmila Naves, Maria Shu
Elenco:
Carla Salle, Sandra Corveloni, Guilherme Prates, Jonathan Haagensen, Luana Tanaka, Marcello Airoldi
Compositor da música-tema:
Gui Amabis
Estúdio:
Boutique Filmes
Exibição:
Netflix
Transmissão original:
29 de janeiro de 2020 – presente

COTAÇÃO DO KLAU:

sábado, 10 de novembro de 2018

CRÍTICA - 'PACTO DE SANGUE': SÉRIE MOSTRA UMA BELÉM DO PARÁ DESCONHECIDA E GRANDES INTERPRETAÇÕES DE MEL LISBOA, GUILHERME FONTES E RAVEL CABRAL


SINOPSE:

Silas (Guilherme Fontes),  é um apresentador de programa policial numa TV de Belém, Pará, profundamente ambicioso.

Ele conta sempre com a ajuda de Edinho (Adriano Garib), seu irmão, um ex-policial corrupto.

Um traficante, Trucco (Jonathan Haagensen) e sua amante, Gringa (Mel Lisboa), líder de uma seita que sacrifica jovens mulheres na floresta viram o alvo das autoridades, representadas por um dedicado policial local, Lucas Soares (André Ramiro), que recebe a ajuda de um nada convencional parceiro paulistano, Moreira (Ravel Cabral) para entender os crimes e as conexões do tráfico com a seita.

Tudo junto e misturado na série original do canal Space, escrita por Lucas Vivo Garcia Lagos (Psiconautas) e dirigida pelo também uruguaio Israel Adrián Caetano (Crônica de uma Fuga) e Tomás Portella (Operações Especiais).

Já disponível também na Netflix.

CRÍTICA:

'Pacto de Sangue' conta a história de Silas Campello (Guilherme Fontes), um repórter carismático e pouco conhecido de uma pequena emissora de Belém, do Pará.

Um homem de origem humilde, porém extremamente ambicioso e que levará essa ambição a todo o custo para conseguir o que almeja.

A cidade apresenta um quadro criminoso muito forte, como tráfico de drogas, turismo sexual e crimes hediondos capazes de chocar a sociedade.

O jornalista alimenta sua ambição por busca de audiência, com matérias sensacionalistas e notícias polêmicas para obter reconhecimento do público local e fama, muita fama.

Pacto de Sangue : Foto
Guilherme Fontes é Silas - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Canal Space
Com ajuda de seu irmão Edinho (Adriano Garib), ex policial demitido por ser corrupto, ele foi capaz de manter conexões perigosas e alianças para alavancar seu poder, mostrando sua transformação em uma das figuras públicas mais polêmicas e influentes da cidade.

Para desvendar os crimes e atrocidades que têm acontecido na cidade, o policial local Lucas Soares (André Ramiro) conta com a bem vinda ajuda do colega paulistano Roberto Moreira (Ravel Cabral), que chega para investigar o aparecimento do corpo de uma jovem desaparecida em São Paulo num navio abandonado no porto de Belém.

Pacto de Sangue
Adriano Garib é Edinho, irmão de Silas
Assim, a improvável dupla - Lucas é todo certinho e Moreira, um contumaz cachaceiro - é levada para o coração da Amazônia, onde se deparam com rituais espirituais e uma rede de tráfico, ambos organizados por Gringa (Mel Lisboa) e Trucco (Jonathan Haagensen).

Silas Campello está cercado por drama familiar.

Ele, que sempre se dedicou muito a seu trabalho, deixando sua família de lado, tem uma filha, que se envolve com drogas até que seus pais decidem interná-la em uma clínica de reabilitação.

Imagem relacionada
A dupla Lucas (André Ramiro) e  Moreira (Ravel Cabral)
 Guilherme Fontes, perfeito no papel, faz o exato contraponto entre as emoções pessoais que Silas não demonstra e as emoções extremas que busca em seu trabalho.

André Ramiro é correto em todas as suas cenas.

Ravel Cabral nos entrega um protagonista extremamente denso, algo desligado, mas que vai num crescendo até o espetacular epílogo do seu Moreira e é a melhor (boa) surpresa da série.

Jonathan e Mel Lisboa fazem um improvável casal: se ele é irregular, Mel dá show como Gringa.

Resultado de imagem para pacto de sangue space
Jonathan Haagensen é o traficante Trucco
Os coadjuvantes também brilham: Paulo Miklos dá vida a Mauro, um policial corrupto que “resolve” os problemas dos criminosos da cidade, enquanto Fulvio Stefanini é Simão, um colega de emissora que Silas acaba passando para trás.

A série lembra um pouco uma mistura entre programas sensacionalistas, como “Cidade Alerta” e séries como “Dexter”, “Santa Clarita Diet” e “Haniball”, onde o obscuro impera junto com um leve toque de sarcasmo - e a força que esse tipo de assunto tem.

Com poucas cenas em São Paulo e a maioria em Belém,  a série possui um enquadramento que mistura a beleza local, os dramas da região e a polêmica que esse tipo de noticias jornalísticas retratam.

A câmera acompanha um misto entre as filmagens manuais que vão ao ar, o enquadramento próximo e as cenas mais lúdicas quando envolvem essa seita religiosa que Gringa lidera.

Pacto de Sangue
Mel Lisboa é Gringa
Pena que nas cenas que mostram a família de Silas, as falas são muito demarcadas e mal dirigidas, demonstrando também uma falha na escolha das atrizes que interpretam sua mulher e filha, ambas ruins, descaracterizando o drama e o impacto que as cenas exigiriam para fazer o contraponto entre o lado profissional e o pessoal de Silas.

A caracterização da personagem que faz sua filha não traz um ar realístico de quem passa por problemas com drogas, fazendo com que as cenas fiquem forçadas.

De resto, a série retrata uma realidade do Brasil, de forma que a trilha sonora acompanha o consumo local, o que demonstra que houve bastante pesquisa para se elaborar outros aspectos além do roteiro.

Os sons ambientes e a mixagem de som, por sua vez, estão perfeitos.

Vale uma boa olhada.

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'PACTO DE SANGUE - PRIMEIRA TEMPORADA'
Gênero:
Ação,policial
Direção:
Israel Adrián Caetano, Tomás Portella
Elenco:
Guilherme Fontes, Mel Lisboa, André Ramiro, Ravel Cabral, Adriano Garib, Jonathan Haagensen, Paulo Miklos, Fulvio Stefanini, Enzo Baron
Roteiro e Produção:
Lucas Vivo Garcia Lagos
Produção:
Canal Space, Turner
Exibição:
Canal Space, Netflix
Episódios:
Oito
Duração:
40 min.
País:
Brasil
Ano de Produção:
2017
Classifição Indicativa:
16 anos

COTAÇÃO DO KLAU:


sexta-feira, 22 de abril de 2011

DIRETOR E ELENCO FALAM SOBRE "BRÓDER"

Diretor e elenco de "Bróder" se reuniram em São Paulo nesta segunda(18) para coletiva de imprensa que antecede o lançamento comercial do filme - a produção chega às salas brasileiras com 45 cópias depois de uma bem-sucedida carreira em festivais de cinema como Berlim, Gramado, Paulínia, Rio e Mostra de SP.

No encontro com jornalistas, estiveram presentes o estreante na direção de longa-metragem Jeferson De, o roteirista Newton Cannito e o afinado elenco formado por Caio Blat, Jonathan Haagensen, Cássia Kiss e o rapper Du Bronx.

Confira os melhores momentos do bate-papo, publicado pelo site Cineclik:

Filmado na periferia de São Paulo, no bairro do Capão Redondo, "Bróder" acompanha a história de três amigos que se reencontram para comemorar o aniversário de um deles.

Eles nasceram na região da zona sul da cidade e seguiram destinos distintos, sendo que um deles, Macu - Caio Blat - , se encontra em vias de se envolver com a criminalidade.

Fotos: Marcelo MarquesO diretor Jeferson De repudia estigma de "filme-favela"

O mote do longa-metragem, contudo, não é sobre crime, favela e violência urbana.

A história gira em torno da estrutura familiar que está por trás de indivíduos que se perdem durante a trajetória de vida.
"Todo mundo tem um Macu na família. E essas pessoas não caem do céu; todas têm uma história, uma mãe, um pai ou padrasto, irmãos, enfim, toda uma família em sua casa. 'Bróder' é como conhecer a história de Zé Pequeno [personagem de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles]", disse Jerfeson De, que repudia o estigma de “filme-favela”.

"Acho sinceramente que essa é uma história de três amigos que poderia se passar em qualquer outro cenário, fosse nos Jardins ou no Leblon", afirma o diretor, citando bairros nobres de São Paulo e Rio de Janeiro.

Para interpretar com credibilidade sua personagem, Caio Blat mergulhou no universo dos moradores da comunidade do Capão Redondo e chegou a alugar uma casa no bairro, onde morou enquanto trabalhou o personagem.
“Existia uma cobrança muito grande dos moradores, de que nós respeitássemos os costumes do bairro, a história de vida deles”, revelou o ator ao se referir à abordagem dos seus novos vizinhos.
"Eu precisava respirar aquele ambiente e ser aceito, porque Macu é uma figura muito popular na comunidade. Eu precisava do aval dos moradores para poder contar a história deles", concluiu.

Caio Blat, Jonathan Haagensen e o diretor Jeferson De

O ator descobriu da pior forma que seus esforços para incorporar Macu tiveram êxito ao ser barrado em um restaurante que costumava frequentar , quando tentou entrar caracterizado como o personagem - corte “máquina zero” e roupa típica de jovens de periferia, depois de um dia de filmagem - e foi impedido pelo segurança da casa que desconfiou que fosse um marginal.
"Nunca senti uma humilhação maior do que aquela. Mas também percebi, naquela hora, que tinha chegado ao ápice do que estava buscando", contou o ator.

Blat disse ainda que chegou o set no dia seguinte revoltado e contou para Jeferson, o Jonathan Haagensen e o Silvio Guindane - que não esteve presente à coletiva -, o que tinha passado.
“Fui criando mais drama e nada, nenhuma reação. Foi quando eles esticaram a mão e disseram: 'bem-vindo ao clube'".

Neste momento, o ator Jonathan Haagensen pediu a palavra:
"Não é pelo fato de ser negro, a questão é ser excluído por não estar dentro do padrão que a sociedade exige", disse ele se referindo ao episódio vivenciado por Caio Blat.

Jonathan Haagensen fala sobre aceitação da sociedade

Ainda sobre o tema, Jeferson De acrescentou: "Esse 'racismo cordial' no Brasil é muito louco. Só aqui você tem negros neonazistas. Só aqui você tem ‘meio negro’, ‘meio viado’. Nem todo mundo tem essa clareza do Jair Bolsonaro", disse Jeferson, para logo completar: "Eu não sou um Spike Lee brasileiro. Para ele é bem mais fácil, lá negro é negro e branco é branco".

Além do elenco ambientado, o fato de as cenas terem sido rodadas na própria comunidade também contribuiu para a verossimilhança do filme.

Filmado no bairro, em que elementos como mobília e outros objetos foram mantidos com mínima intervenção da direção de arte.

"A família saía da casa e nós entrávamos para filmar", relembrou Cássia Kiss, que vive a mãe de Macu.

Cássia Kiss, que interpreta a mãe do protagonista, fala na coletiva

Apesar de ter filmado no bairro, Jefferson De fez questão de esclarecer que a localidade é figurante em seu filme.
"Escolhi o Capão porque lá existe uma efervescência grande da cidade, mas o que importa é a história que está sendo contada, sobre essas pessoas e suas buscas por uma identidade. As pessoas querem boas histórias, que emocionem, independente de onde elas se passam", ressaltou.

Matéria publicada no site Cineclik em 18.4.2011
*****
Clique abaixo e veja mais matérias do Blog de Klau sobre "Bróder":

1.ENTREVISTA: CAIO BLAT

2."BRÓDER" É RETRATO FIEL E MAGISTRAL DA PERIFERIA PAULISTANA

"BRÓDER" É RETRATO FIEL E MAGISTRAL DA PERIFERIA PAULISTANA

Estreando em longas com "Bróder", o diretor Jeferson De consegue transportar para as telonas a periferia paulistana de uma maneira simples e ao mesmo tempo fidelíssima, num drama sólido em torno da irmandade espiritual e sincera de três jovens nascidos no Capão Redondo, zona sul de Sampa.

O bairro é enorme - uma cidade dentro da cidade - e aqui ganha caras, detalhes e humanidade, explodindo na telona com muita tensão - mérito de um roteiro acima da média em se tratando de produções nacionais - escrito por De, Newton Cannito e colaboração do mais conhecido escritor de Capão, Ferréz, nos diálogos.

Assim, o filme ganha corpo com uma montagem - de Quito Ribeiro - no limite da tensão -da ambientação aos personagens - que desnuda o quanto a tragédia resvala na alegria quase sem fronteira, quase sem parar - é exatamente disso que "Bróder" é feito.

A obra esteve na Berlinale, foi premiada com quatro prêmios em Paulínia, e em Gramado levou três - incluindo melhor filme, diretor e ator.

Todo essa estrada na bagagem amadureceu o filme, - que finalmente está sendo lançado nacionalmente - a versão de agora vem com diversas mudanças na montagem e na trilha sonora, todas para melhor.

A trama a vida de Macu - interpretado lindamente por Caio Blat - prestes a entrar na vida de crimes, Jaiminho - Jonathan Haagensen, em seu melhor papel em muito tempo -, que estourou como jogador de futebol na Espanha, e Pibe - Silvio Guindane, a surpresa -, o mano honesto que vive apertado.

Jaiminho vem visitar o amigo Macu - que faz aniversário - aproveitando a feijoada preparada por sua mãe, Sonia - Cássia Kiss - e aproveita para tentar resolver sua história com a irmã de Macu, Elaine - Cíntia Rosa - que está grávida.

DivulgaçãoCaio Blat, Silvio Guindane e Jonathan Haagensen, em cena do filme

Se pode ser comparado a "Cidade de Deus" pela referência à violência na periferia, "Bróder" cria seu próprio caminho, ao insistir na vinculação ao afeto, já que o sentimento é que une os três amigos em qualquer situação, e se desdobra por cenas como o planejamento de um sequestro, reencontros com paixões do passado e as lembranças de tudo que tornou cada um dos três protagonistas o que são agora.

Com a câmera mergulhada nas personagens e na periferia, o filme conduz o naturalismo que a história procura, sem estigmatizar seus habitantes, e o diretor dá conta muito bem de desenhar seus personagens com a força de uma autenticidade que os irmana a qualquer outra pessoa, moradora do Capão ou de qualquer outro lugar.

Realista, aqui não se procura embelezar o cenário, despojado, precário como realmente é, assim como as relações com outros personagens fundamentais desse cotidiano, como a polícia e os chefões do crime que moram fora da favela, mas a comandam e manipulam, fazendo parte integrante de seus desvios.

Por outro lado, dessa mistura aparece também a força das relações familiares, como a formada por Sonia e Francisco - Ailton Graça -, o casal mestiço, brasileiro típico, lutador e sonhador; o casal evangélico - Zezé Motta e João Acaiabe -, pais de Napão - interpretado pelo rapper Du Bronks -, outro que o crime perdeu.

DivulgaçãoDu Bronks e Caio Blat, em cena do filme

A família resiste a tudo, criminalidade inclusive, e serve como força motriz de toda e qualquer reconstrução,apesar de abalada pelos percalços de seu contexto.

Idealizador do Dogma Feijoada nos anos 1990, Jeferson De formula uma discussão sobre a negritude em seu cinema, que já marcava seus curtas, "Distraída para a Morte" (2001), "Carolina" (2003) e "Narciso Rap" (2004).

Aqui, a questão ganha a substância e a especificidade do Brasil, onde a mestiçagem é mais extensa e a teorização mais fluida do que nos Estados Unidos.

DivulgaçãoCaio Blat, em cena do filme

Só isso já transforma o filme num programa obrigatório, porquê "Bróder" tem a força da vida, sem nenhum vício de linguagem, e sem ser metido a didático como as obras espíritas que inundaram as telas brasileiras recentemente insistiram em fazer - o que eu considero o fim.

Confira o trailer do filme:


*****
"BRÓDER"
Título Original:
Bróder
Diretor: Jeferson De
Elenco:
Caio Blat
Jonathan Haagensen
Silvio Guindane
Gustavo Machado
Du Bronx
Cássia Kiss
Ailton Graça
Zezé Motta
João Acaiabe
Produção: Paulo Boccato
Roteiro: Jefferson De, Newton Cannito, com a colaboração de Ferréz
Fotografia: Gustavo Hadba
Trilha Sonora: João Marcelo Bôscoli, Jeferson De
Duração: Maravilhosos 92 min.
Ano: 2009
País: Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Columbia Pictures
Estúdio: Glaz
Classificação: 14 anos
COTAÇÃO DO KLAU:

Clique nos links abaixo, e veja mais matérias do Blog de Klau sobre "Bróder":