Mostrando postagens com marcador John Cho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Cho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

'BUSCANDO...': SUSPENSE CATIVANTE, CHEIO DE REVIRAVOLTAS E MISTÉRIOS PRENDE O ESPECTADOR NA POLTRONA DO CINEMA


SINOPSE:

Após uma jovem de 16 anos desaparecer, seu pai David Kim (John Cho) pede ajuda às autoridades locais.

Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.

CRÍTICA:

Desde que David Fincher lançou 'A Rede Social' em 2010, o cinema vem tentando introduzir a internet como tema – seja abordando problemas gerados pelo uso das redes, normalmente em filmes adolescentes como 'Com Amor, Simon', 'Ferrugem' ou 'Slender Man - Pesadelo Sem Rosto', seja colocando a tecnologia em foco, como no terror 'Medo Viral', no suspense 'O Círculo' ou na animação 'Wifi Ralph - Quebrando A Internet', que estreia em janeiro de 2019.

Enquanto os primeiros acabaram encontrando um material psicológico rico para trabalhar, a verdade é que quase todas as tentativas de representar a vida digital como ela é (como uma "extensão" da realidade e não apenas um acessório) passaram bem longe do alvo.

Até agora.

Porque 'Buscando...', que estreia hoje, capta com precisão assombrosa o nível de interação que uma pessoa comum pode ter com um computador na vida real.

Buscando... : Foto John Cho
John Cho é o protagonista David Kim - Fotos dessa Postagem: Divulgação/Sony Pictures
Todas as cenas são narradas pela tela de um notebook, que capta conversas em vídeo, em texto, reportagens, entrevistas, imagens de câmeras de segurança vazadas, timelines de diferentes redes sociais, transmissões ao vivo, arquivos de texto, tabelas de Excel, etc - tudo para contar uma história que já faria qualquer espectador ficar grudado na poltrona do cinema.

Na verdade, o formato inusitado do longa não sugere que pessoas comuns passem todas as horas de seu dia diante de uma tela (apesar de a realidade não ser tão distante disso), mas mostra como uma história pode ser conhecida exclusivamente por meio do seus registros, sem que jamais se tenha contato com uma fonte real.

Essa é, afinal, a forma indireta, via celular ou computador, que a maioria de nós consome notícias, emite opiniões e se comunica com familiares e amigos no dia-a-dia.

Vale notar que todos os textos mostrados na tela (incluindo as menores manchetes nos menores cantinhos) foram traduzidos para o português, facilitando bastante a experiência do espectador brasileiro.

O filme parte desse cenário para desenvolver uma história cativante cheia de reviravoltas e mistérios.

Buscando... : Foto Michelle La
Michelle La é Margot, a jovem desaparecida
Será que Margot (Michelle La) fugiu ou foi vítima de um crime?

E por que todos os colegas dizem não conhecê-la muito bem?

O filme, que marca a estreia do diretor Aneesh Chaganty, trouxe um rosto conhecido para nos guiar por essa complicada narrativa, que flui muito bem depois dos primeiros minutos de adaptação.

O estupendo John Cho, intérprete de Sulu nos filmes mais recentes da franquia 'Star Trek' e atualmente o ator de ascendência asiática mais em evidência em Hollywood é o protagonista David Kim, um pai cuja filha adolescente desapareceu sem deixar vestígios.

Para ajudar a polícia a encontrá-la, ele mergulha no computador dela e traça um perfil completo de sua vida social e pessoal, descobrindo coisas que ela jamais lhe mostrara (e reforçando a ideia de que, pessoalmente, estamos nos comunicando muito mal).

Antes do desaparecimento, descobrimos um pouco sobre a família (por meio de suas diferentes áreas de trabalho, o que é uma ótima sacada): David e Pamela Kim (Sara Sohn) eram um casal apaixonado e a filha, Margot, era muito próxima da mãe.

Porém, depois de anos de tratamento, Pamela perde para um linfoma, deixando os dois sozinhos para lidar com a dor.

Algum tempo depois, tudo parece estar melhor quando, após algumas respostas evasivas para o pai sobre um grupo de estudos de biologia, Margot não volta para casa.

O filme parte desse cenário para desenvolver uma história cativante cheia de reviravoltas e mistérios e pouco a pouco, a trama policial vai se amarrando a um drama psicológico sobre as distâncias entre pais e filhos, sobre o luto e o isolamento emocional de uma adolescente e, mais uma vez, sobre a desesperadora necessidade de diálogo.

Buscando... : Foto Aneesh Chaganty, Debra Messing
O diretor Aneesh Chaganty instruiu Debra Messing para uma cena do longa
Debra Messing interpreta Rosemary Vick, a detetive que investiga o caso e é quem mais contracena com Cho.

Sua personagem ajuda a colocar em perspectiva a investigação independente do pai, evitando a imagem de "super-herói" ou de "detetive profissional da noite para o dia" que é tão comum nesse tipo de filme, e mostrando que ele vai, sim, cometer muitos erros no caminho.

O filme opta por um final bastante hollywoodiano, o que pode decepcionar quem acreditava na sua vocação mais independente, mas esse caminho (que envolve um ou dois plot twists a mais do que o necessário) vai certamente agradar a um público muito maior e garantir que ele se torne o fenômeno de bilheteria que está prometendo ser.

Seja como for, o longa prende o espectador e vale o ingresso - com folga.

TRAILER:



FICHA TÉCNICA:
BUSCANDO...
Título Original:
SEARCHING
Gênero:
Suspense
Direção:
Aneesh Chaganty
Elenco:
Alex Jayne Go, Ashley Edner, Benjamin J. Cain Jr., Brad Abrell, Courtney Lauren Cummings, Debra Messing, Erin Henriques, Gabriel D. Angell, Gage Biltoft, John Cho, Joseph Lee, Kyle Austin Brown, Lasaundra Gibson, Melissa Disney, Michelle La, Morgan Peter Brown, Rasha Goel, Reed Buck, Roy Abramsohn, Sara Sohn, Steven Michael Eich, Thomas Barbusca
Roteiro:
Aneesh Chaganty, Sev Ohanian
Produção:
Adam Sidman, Congyu E, Natalie Qasabian, Sev Ohanian, Timur Bekmambetov
Fotografia:
Juan Sebastian Baron
Trilha Sonora:
Torin Borrowdale
Montador:
Nicholas D. Johnson, Will Merrick
Estúdio:
Bazelevs Entertainment, Bazelevs Production
Distribuidora:
Sony Pictures
Ano de Produção:
2018
Duração:
101 min.
Estréia:
20/09/2018
Classificação Indicativa:
14 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

'STAR TREK: SEM FRONTEIRAS': PARECIDO COM UM CAPÍTULO DA SÉRIE CLÁSSICA, LONGA TEM ROTEIRO, ELENCO E DIREÇÃO ARREBATADORAS E COMEMORA COM SOBRAS OS 50 ANOS DA FRANQUIA


SINOPSE:

Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto) e a tripulação da USS Enterprise já estão no terceiro ano da missão de exploração do espaço, prevista para durar cinco anos, em busca de novas culturas e novas civilizações.

Kirk começa a questionar o motivo de se juntar à frota estelar e Spock também passa por uma crise existencial.

Enquanto ambos tomam atitudes para mudar o rumo de suas vidas em breve, eles recebem um pedido de socorro que acaba levando-os ao maléfico vilão Krall (Idris Elba), um insurgente anti-Frota Estelar interessado em um objeto de posse do líder da nave.

A Enterprise é atacada e eles acabam em um planeta desconhecido, onde o grupo acaba sendo dividido em duplas.

CRÍTICA:

'Star Trek'  é das franquias mais bem-sucedidas da cultura pop e há 50 anos nos encanta, com sua espaçonave e tripulação icônicas desbravando os confins do universo.

Para comemorar o 50º aniversário da série de TV que originou a mania trekker no mundo, a Paramount Pictures criou 'Star Trek: Sem Fronteiras', em exibição em 514 salas em todo o Brasil e que completa a trilogia iniciada por J.J. Abrams em 2009.

Star Trek: Sem Fronteiras : Foto Zachary Quinto
Spock (Zachary Quinto) em cena do longa - Fotos dessa Postagem; Divulgação/Paramount Pictures do Brasil
Se é muita responsabilidade para um só longa comemorar meio século de aventuras, porém os fãs podem ficar tranquilos, já que que a obra cumpre seu papel, é divertida e se torna, desde já uma das mais perfeitas traduções do universo trekker em todos os tempos.

É que, para a alegria dos fanáticos trekkers, o longa mais parece um capítulo da série clássica (1966-1968), já que a trama se limita a acompanhar uma das aventuras da tripulação, sem ter o futuro da humanidade ou da Federação em suas mãos, um bem vindo respiro numa franquia que não sobrevive apenas com situações extremas e precisa desenvolver tramas mais contidas para garantir a diversidade de suas histórias.

Aliás, isso é o que mais encanta os fãs desde que a série clássica estreou.

Star Trek: Sem Fronteiras : Foto Chris Pine
Kirk (Chris Pine), com o novo uniforme da tripulação, em cena do longa
Aqui, vemos que já se passaram três anos da lendária missão de cinco anos da USS Enterprise, com o Capitão James T. Kirk (Chris Pine) começando a questionar o motivo de se juntar à Frota Estelar e passando a refletir sobre deixar a exploração espacial de lado.

Por sua vez, Spock (Zachary Quinto) também passa por uma crise existencial após a triste notícia da morte do embaixador Spock, versão do futuro interpretada pelo falecido Leonard Nimoy, lembrado com belíssima homenagem nesse filme, o primeiro após a partida definitiva da lenda.

Essa triste novidade faz com que Spock queira voltar junto ao seu povo e ajudar a reconstruir sua raça, dizimada após a destruição do planeta Vulcano (no filme de 2009).

Com isso, o romance dele com a tenente Uhura (Zoe Saldana) é abalado e ele precisa tomar uma difícil decisão.

Resultado de imagem para uhura and spock  star trek beyond
Spock e Uhura (Zoe Saldana): romance em crise
Enquanto Kirk e Spock tomam atitudes para mudar o rumo de suas vidas em breve, um pedido de socorro os obriga a sair em uma última missão, mas com consequências desastrosas.

Para os fãs, nada pior do que acompanharmos as cenas (belíssimas, por sinal) da USS Enterprise abatida e sua tripulação feita refém.

Agora, cabe aos protagonistas acharem um jeito de salvar a todos e a partir daí, a trama é muito simples e direta: Kirk precisa reunir sua equipe, fugir do planeta e impedir o plano do vilão Krall (Idris Elba, simplesmente sensacional).

Entretanto, a produção se destaca não apenas visualmente e pelas ótimas cenas de ação, marcas do currículo do diretor  Justin Lin - famoso pela franquia 'Velozes E Furiosos' - mas também pelo desenvolvimento dos personagens, humor e capacidade de aprofundar questões emocionais.

Esses elementos são alcançados, em parte, ao dividir os personagens de forma inusitada, como colocar Spock e Dr. McCoy (Karl Urban), que vem se bicando há 50 anos, juntos, enquanto lutam por suas vidas em um planeta hostil.

O resultado, hilário, ficou irresistível e sensacional.

Star Trek: Sem Fronteiras : Foto Zachary Quinto
Spock e McCoy  (Karl Urban): dupla mais que improvável é responsável por momentos hilários do longa
Chama a atenção também o sólido e inspiradíssimo roteiro - de Doug Jung e Simon Pegg, atual intérprete de Scooty - e atuações espetaculares.

A produção introduz ainda uma nova personagem, Jaylah, uma alien cheia de habilidades e que ajuda a tripulação da Enterprise.

A atriz Sofia Boutella (de 'Kingsman - Serviço Secreto') está encantadora no papel, mesmo com sua personalidade não sendo aprofundada e alguns clichês aparecerem quando ela está em cena.

Resultado de imagem para simon pegg star trek beyond
Jaylah (Sofia Boutella) e Scooty (Simon Pegg), em cena do longa
Idris Elba, irreconhecível debaixo de tanta maquiagem, dá show como o vilão Krall, exagerado, caricato e com o tom dramático típico dos antagonistas da franquia, de lembrar o lendário Khan de Ricardo Montalban.

O público, encantado, nem percebe que as motivações do vilão são fracas demais, que falta explicação e algumas cenas para aprofundá-lo e transformá-lo em alguém realista e não apenas um vilão clichê, para entendermos realmente como o personagem chegou ao ponto em que se encontra.

Resultado de imagem para idris elba star trek beyond
Idris Elba, como o vilão Krall: sensacional
Mesmo assim, o longa faz jus à criação de Gene Roddenberry ao tratar de assuntos sociais relevantes para 2016 e além disso, o clímax ao som de Beastie Boys é absurdo, mas muito divertido e faz sentido com a ideia da série, de soluções fora do comum para resolver grandes problemas.

Assim, o novo longa deve agradar tanto aos fãs de longa data quanto aos novos públicos e comemora muito bem, até com sobras, 50 anos da franquia.

Filmaço.

Pena que Anton Yelchin não tenha vivido para curtir mais esse sucesso da saga: o intérprete de Checov morreu em um acidente na porta da sua casa, em 19 de junho, aos 27 anos - foi prensado pelo seu carro.

O longa traz algumas homenagens a Yelchin, desde a citação nos créditos finais ("Para Anton") até uma cena na qual o capitão Kirk faz um brinde aos amigos ausentes, imediatamente seguido por uma imagem de Chekov.

Yelchin (à direita): homenagens no filme
TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'STAR TREK: SEM FRONTEIRAS'
Título Original:
STAR TREK BEYOND
Gênero:
Ação, Aventura, Ficção Científica
Direção:
Justin Lin
Roteiro:
Doug Jung e Simon Pegg, baseados na criação de Gene Roddenberry
Elenco:
Adam DiMarco, Anton Yelchin, Ashley Edner, Chris Pine, Christian Sloan, Deep Roy, Fiona Vroom, Idris Elba, Jake Foy, Jason Matthew Smith, Jodi Haynes, Joe Taslim, John Cho, Joseph Gatt, Karl Urban, Lydia Wilson, Natalie Moon, Priya Rajaratnam, Rebecca Husain, Simon Pegg, Sofia Boutella, Thomas Cadrot, Zachary Quinto, Zoe Saldana
Produção:
Bryan Burk, J.J. Abrams, Roberto Orci
Fotografia:
Stephen F. Windon
Montador:
Dylan Highsmith, Greg D'Auria, Kelly Matsumoto
Trilha Sonora:
Michael Giacchino
Duração:
122 min.
Ano:
2016
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
01/09/2016 (Brasil)
Distribuidora:
Paramount Pictures Brasil
Estúdio:
Bad Robot / Paramount Pictures / Skydance Productions
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 14 de junho de 2013

‘ALÉM DA ESCURIDÃO – STAR TREK’: COM KHAN, KLINGONS E PINGOS, LONGA PRESTA HOMENAGEM À CULT SÉRIE E FOCA NA AMIZADE ENTRE KIRK E SPOCK



Você já tinha curtido essa crítica na última segunda (10), mas o longa estreia hoje aqui no Brasil - por isso, o repeteco.

Não, o vilão que Benedict Cumberbatch interpreta não se chama ‘John Harrison’.
Sim, seu nome é Khan - que na cult série dos 60 e no longa de 1982 foi interpretado por Ricardo Montalban – e que sempre é sinônimo de dores de cabeça e muita ação no universo trekker.

Sim, os Klingons - império militarista que hostiliza a Federação dos Planetas Unidos há algum tempo – também estão de volta.

E para completar, os pingos – aquelas doces criaturinhas em forma de bolinhas peludas e que infestaram a Enterprise num dos episódios mais engraçados da cult série - não só estão de volta, como salvam a vida do Capitão Kirk!

A sequência do filme de 2008 – que revitalizou o universo 'Star Trek' para o século 21 – consegue não só superar o primeiro - com cenas de ação de tirar o fôlego e homenagens a momentos clássicos da extensa mitologia - como, desde o primeiro fotograma, deixa evidente que o diretor J.J.Abrahams concebeu o longa 'Além da Escuridão - Star Trek' - que estreia na próxima sexta aqui no Brasil, quase um mês depois dos EUA – como uma grande homenagem aos fanáticos trekkers.

E mais: o diretor, um dos melhores da atualizade, prova mais uma vez ser habilidoso em pegar histórias complexas e entrega-las acessíveis e capazes de agradar a todos os públicos.

Não à toa , Abrahams foi o escolhido pela Disney para capitanear a sequência da saga Star Wars.

O longa já começa com uma cena absolutamente estonteante, com Kirk (Chris Pine) McCoy (Karl Urban) correndo desesperadamente entre as árvores muito vermelhas das selvas de um planeta habitado por uma civilização primitiva – a tripulação daEnterprise tinha ido já justamente para salvar o planeta de uma catástofre vulcânica - com direito a Spock dentro do vulcão e pronto a não cumprir a determinação da Federação de não interferir no futuro de civilizações.

Um vulcano no vulcão - fotos dessa postagem: Divulgação/Paramount Pìctures do Brasil
E aí vem a primeira surpresa: ao saltarem – tal qual Jack Sparrow – de um penhasco e caírem no mar, os dois nadam, nadam, e chegam... à Enterprise – que estava submersa!

Nos acostumamos a ver a mais icônica astronave de todos os tempos no espaço e vê-la sair do oceano, gigantesca no ótimo 3D, é uma cena muito, mas muito emocionante.

A Enterprise saindo do mar

Logo depois, é a vez do terrorista John Harrison (Benedict Cumberbatch) , na verdade Khan, entrar em ação atacando a bomba pontos estratégicos para desestabilizar a Frota Estelar – destaque para uma Londres futurista e ao mesmo tempo absolutamente tradicional, com a ponte, o parlamento e o Big Ben fazendo ótimo contraponto em pleno século 23.

A Londres do século 23 sob ataque terrorista

Khan foge para o planeta dos Klingons e com o perigo de iniciar uma guerra, a tripulação da Enterprise é enviada pelo Almirante Marcus (Peter Weller, intérprete do primeiro Robocop) para caçá-lo.

Khan é um homem do século 20 geneticamente modificado, um super soldado que recupera seus machucados rapidamente e que tem toda sua tripulação, também geneticamente modificada, guardada dentro de mísseis – as armas que o Almirante Marcus querem que a Enterprise descarregue na cabeça de Khan.

O vilão Khan

Cumberbatch - revelado para o mundo da ótima série da BBC 'Sherlock' -  é um dos melhores achados do longa: seu Khan é um vilão imponente e perfeito e suas motivações o humanizam, apesar dele ser extremamente frio e mais perigoso do que Nero (Eric Bana) foi no primeiro.

Sozinho, ele é o responsável por toda a violência, pelas melhores cenas de ação da trama e deixa os espectadores o tempo todo perdidos sobre suas intenções - já que também é extremamente manipulador.

Se o vilão é sério, a icônica tripulação da Enterprise se encarrega do alívio cômico.

Simon Pegg é um estupendo ator, rouba cada cena em que aparece como o engenheiro Scotty e mostra ser indispensável para o sucesso da franquia.

Scotty - de vermelho: roubando a cena

Karl Urban,  como o oficial médico Dr. McCoy está mais solto e mais rabugento, conseguindo atingir em muitas cenas o mesmo ótimo desempenho que DeForest Kelley – o ‘Magro’ original – tinha na cult série e nos longas dos anos 80.

Dr. McCoy colhe sangue do vilão Khan - esse sangue será fundamental no desfecho da história

John Cho, como o piloto Tenente Hikaru Sulu, é o que menos aparece: se no filme de 2008 participou de boas cenas de ação, nesse ele sumiu.

O piloto Tenente Hikaru Sulu
Zoë Saldaña, como a oficial de comunicações Tenente Nyota Uhura, está mais apagada: apesar de participar de uma boa cena de ação com  Kirk e Spock, seu relacionamento amoroso com o vulcano é mais falso que uma nota de três Reais - os dois juntos não tem química nenhuma.

Uhura e Spock: sem química como casal

Já Anton Yelchin tem aqui uma oportunidade de aparecer melhor e se sai muito bem.

Seu Alferes Pavel Chekov começa no seu posto de sempre – navegador - mas acaba assumindo a engenharia da Enterprise na ausência de Scotty e literalmente mete os pés pelas mãos.

Chekov,  metendo os pés pelas mãos

No geral, a relação entre os personagens está mais madura e as cenas ficaram muito mais verdadeiras e mais naturais.

Mas o pano de fundo do longa é, sem dúvida, a cristalização de uma das amizades mais famosas de todos os tempos – entre Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto).

Se o lado rebelde e a empáfia de Kirk o levam ao fundo do poço logo no início, diante da ameaça Pine se transforma, aos poucos, no capitão ousado, inteligente e habilidoso que todos conhecemos  - em muitas cenas, eu pude ver novamente William Shatner jovem em ação, nas entrelinhas de sua magnífica performance.

Spock e Kirk: amigos para sempre

Já Zachary Quinto como Spock é ‘hour concour’: se no longa de 2008 ainda tínhamos o Spock original (Leonard Nimoy) para nos tirar a atenção, aqui ele brilha sozinho e dá show seguido de show, cena a cena – inclusive dando vazão ao seu lado humano e.... mentindo!
Sim, Spock mente e por isso salva a Terra!

Poucas vezes eu vi na telona uma dupla tão imbatível quando essa.

Zachary Quinto como Spock: sen-sa-cio-nal!

Nem na cena da morte de Kirk – uma releitura com personagens trocados da morte de Spock, justamente no longa em que Khan aparece – ‘Star Trek 2: A Ira de Khan’ (1982) – os dois intérpretes não se perdem, descarregam as emoções, provam o valor de uma grande amizade e nos fazem ficarmos também muito emocionados.

Mas não fiquem tristes: Kirk volta à vida pelo sangue turbinado de Khan -  que já havia ressuscitado um pingo...

De morto mesmo, só o Contra-Almirante Christopher Pike (Bruce Greenwood), grande amigo do pai de Kirk e que o tinha alistado na Federação no longa anterior.

Kirk e Pike - seu mentor

Com visual impecável e os efeitos em terceira dimensão bem utilizados, o longa tem cenas de batalha, as Aves de Rapina Klingons duas novas naves da Federação.

A primeira, praticamente igual ao Milenium Falcon de Han Solo em ‘Star Wars’, faz uma ótima cena de ação com Kirk,  Spock e Uhura a bordo.

A segunda é uma nave de batalha imensa, cerca de dez vezes maior que a Enterprise, que o Almirante Marcus – o grande vilão do longa e que no início comanda os atos de Khan – usa para fazer o ataque final.

A cena dessa nave caindo por cima da cidade sede da Federação – São Francisco – é muito impressionante.
E vocês pensaram vendo o trailer que era a Enterprise que caía, né?
Ela até cai, mas...chega de spoilers, né?

A Enterprise, caindo sobre a terra
O Imax 3D deixa tudo ainda melhor, principalmente o som - pague um pouco mais caro e mergulhe na experiência.

Spock e Kirk interrogam Khan, preso na cela transparente da Enterprise

Embora a urgência da situação enfrentada pela tripulação da Enterprise justifique a rapidez dos acontecimentos, faltam pausas para os espectadores respirarem entre as cenas de ação -  o que, ao menos , escondem alguns furos do roteiro.

O longa, assim, cumpre com sua missão de solidificar a saga trekker como uma das séries mais bem-sucedidas da atualidade.

O elenco afiado dá credibilidade ao longa e, em troca, os personagens que nos inspiram desde os 60 passam a ser amados por uma nova geração.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:


*****
‘ALÉM DA ESCURIDÃO – STAR TREK’
Título Original:
Star Trek Into Darkness
Gênero:
Ficção Científica
Direção:
J. J. Abrams
Roteiro:
Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Roberto Orci
Elenco:
Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoë Saldaña, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Benedict Cumberbatch, Alice Eve, Bruce Greenwood, Peter Weller
Produção:
Alex Kurtzman, Bryan Burk, Damon Lindelof, J. J. Abrams, Roberto Orci
Fotografia:
Daniel Mindel
Trilha Sonora:
Michael Giacchino
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Cor:
Colorido
Estreia:
17/05/2013 (EUA)
14/06/2013 (Brasil)
Distribuidora:
Paramount Pictures Brasil
Estúdio:
Bad Robot / Kurtzman Orci Paper Products / Paramount Pictures / Skydance Productions
Orçamento:
US$ 190 milhões
Cotação do Klau: