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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

'SOB PRESSÃO': MELHOR SÉRIE DA GLOBO GANHA MAIS DUAS TEMPORADAS

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O drama médico que retrata problemas reais do sistema público de saúde do Rio de Janeiro se tornou sucesso de audiência na terceira temporada
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Atendendo os pedidos dos fãs e da própria equipe, a Globo decidiu dar não só uma, mas duas novas temporadas a série, que contarão com o retorno do seu elenco fixo.

De acordo com a colunista do jornal O Globo, Patrícia Kogut, o redator da série, Lucas Paraizo, já está escrevendo os novos roteiros.

As duas temporadas serão gravadas ano que vem - já que os protagonistas Julio Andrade e Marjorie Estiano tem novos compromissos de trabalho nesse segundo semestre.

Em entrevista ao Gshow, Paraizo já havia confirmado a presença dos dois na quarta temporada.

“Provavelmente devemos manter quase todos os mesmos personagens e novos entrarão. Sob Pressão é uma série rica em participações”, falou.

Vale lembrar que o último episódio da trama bateu recorde de audiência na temporada, o que justifica perfeitamente a renovação.

A equipe do seriado já tinha planos de continuar a trama de alguma maneira, mesmo antes de ser oficializada a renovação da quarta temporada, de acordo com o portal Notícias da TV. 
Uma das alternativas era fazer um segundo longa.

Em foto postada no Instagram oficial da série, a legenda podia ser interpretada como uma "dica" para a renovação:
"É hora de dizer até logo".

Confira o post:

sábado, 20 de julho de 2019

'SOB PRESSÃO' TERÁ UMA QUARTA TEMPORADA

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Mas somente em 2021
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A voz dos fãs foi ouvida e a Globo decidiu renovar a elogiada série Sob Pressão para uma quarta temporada, segundo informações da coluna de Flavio Ricco no portal UOL.

Inicialmente, o plano era encerrar o drama em sua terceira temporada, que terá o seu último episódio exibido na próxima quinta.

Porém, a boa repercussão com público e crítica acabou resgatando a trama do cancelamento.

Porém, Sob Pressão só retornará em 2021, já que seus protagonistas também têm compromissos com outros projetos.

Enquanto a Conspiração Filmes desenvolve a quarta temporada, Marjorie Estiano já foi confirmada na supersérie O Selvagem da Ópera, de Maria Adelaide Amaral, para a Globo.

Por sua vez, Júlio Andrade deve seguir dividindo seu tempo entre atrações da Globo e da Fox.

Sob direção geral de Andrucha Waddington, as três temporadas da série também estão disponíveis no catálogo do GloboPlay.

terça-feira, 2 de abril de 2019

'SOB PRESSÃO': CONFIRA O QUE VEREMOS NA TERCEIRA TEMPORADA

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Médicos vivem no limite da tensão na terceira temporada de uma das melhores séries da atualidade
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A rotina caótica e sempre emergencial dos médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) continua na terceira temporada de Sob Pressão, que tem estreia prevista para maio.

Após o fechamento do hospital Luiz Carlos Macedo, o plano do casal é embarcar com a organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras para o interior do Brasil.

Só que enquanto isso não acontece, eles fazem um trabalho temporário no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Porém, um dia caótico por causa da greve de caminhoneiros no Rio de Janeiro muda completamente seus destinos.

Na tentativa de contornar os obstáculos causados pela falta de abastecimento durante um atendimento de urgência, Evandro e Carolina buscam ajuda no São Tomé Apóstolo, hospital religioso, onde agora Décio (Bruno Garcia) atua como clínico-geral.

Na unidade, eles colocam em prática a experiência de anos adquirida nas emergências públicas e, diante do salvamento de uma criança, acabam sendo convidados para trabalhar no local.

A proposta é feita pela Irmã Graça (Joana Fomm), Madre Superiora do local, que enxerga no desempenho do casal uma grande oportunidade para reerguer o local, que está com o centro cirúrgico desativado.

Evandro e Carolina aceitam o convite e ele ocupa o cargo de diretor. 

Carolina assume a chefia da emergência da unidade, localizada próxima a uma comunidade liderada pela milícia.

Ao lado do trio de cirurgiões, o São Tomé Apóstolo conta ainda com profissionais remanescentes do Macedão: Charles (Pablo Sanábio), Keiko (Julia Shimura) e Rosa (Josie Antello).

A equipe médica ainda é formada pelo anestesista Gustavo (Marcelo Batista), pela enfermeira Simone (Jana Guinond) e pela recém-chegada infectologista Vera, interpretada por Drica Moraes.

Com direção artística de Andrucha Waddington e direção de Mini Kerti, Rebeca Diniz, Pedro Waddington e Julio Andrade, Sob Pressão é uma coprodução da Globo com a Conspiração Filmes.

domingo, 18 de novembro de 2018

CRÍTICA - 'SOB PRESSÃO' - SEGUNDA TEMPORADA: SÉRIE É A MELHOR PRODUÇÃO DA GLOBO EM EXIBIÇÃO


SINOPSE:

Os dramas e os dilemas da equipe de emergência de um hospital público e a relação improvável entre dois médicos que superam todos os limites para manter os pacientes vivos em um hospital onde tudo falta.

Duas vidas atormentadas pelos fantasmas do passado encontram, uma na outra, a cura para suas almas doentes.

De um lado, o cético Dr. Evandro (Júlio Andrade), cirurgião-chefe da equipe médica de um hospital público.

Do outro, a religiosa e eficiente Dra. Carolina (Marjorie Estiano), cirurgiã vascular que busca na fé o antídoto contra toda miséria que enfrenta no dia a dia.

Parceiros de trabalho, os dois têm em comum o desejo de salvar vidas.

E precisam encontrar o equilíbrio entre as dificuldades do ofício e os conflitos íntimos para enfrentar a rotina no ambiente sob pressão e extremamente caótico de uma emergência no subúrbio do Rio de Janeiro.

Em meio a casos complexos, desafios pesados e dilemas éticos, Evandro e Carolina se aproximam, se apaixonam, se casam - e vivem no fio da navalha desde sempre.

CRÍTICA:

"O nosso erro não é como o erro de todo mundo. O nosso erro pode ser a morte de uma pessoa", filosofa Evandro (Julio Andrade), justificando o estrago que uma falha médica pode causar.

Com essa frase, o protagonista de 'Sob Pressão' deixa claro que a segunda temporada da série médica - em exibição na Globo e já na íntegra no streaming Globo Play -vai muito além dos problemas de saúde e enfoca, também, os problemas pessoais dos profissionais do fictício hospital Luis Carlos Macedo, na periferia do Rio de Janeiro.

O tom realista do texto consegue transferir ao espectador toda a tensão do ambiente hospitalar, com a nova temporada aprofundando os dramas dos personagens e apostando na narrativa de tramas mais curtas, que começam e se encerram no próprio episódio.

Assim, sem distrações ou encheção de linguiça, temos uma série boa de se ver, sem histórias desnecessárias, tudo de maneira seca, rápida, interessante.

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Marjorie Estiano como Carolina e Julio Andrade como Evandro: casal protagonista simplesmente sen-sa-cio-nal - Fotos dessa postagem: Divulgação/Globo
Vemos os dramas dos pacientes se misturarem aos dos médicos, o que dá profundidade a cada história - como, por exemplo, a culpa que Evandro sente por ter negligenciado o atendimento a uma idosa que ia todos os dias ao hospital se queixar de algum sintoma, mas que nada tinha.

Priorizando o atendimento ao paciente que realmente precisava da sua atenção, o médico chefe nem dá atenção para a senhora, todos fazem piada com a conhecida hipocondria dela - para no final, Evandro saber que ela estava sim, tendo um ataque cardíaco e acabou morrendo.

As cenas de Julio Andrade rasgam a tela e mergulham o espectador na trama, de tão boas.

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Evandro e Carolina, no episódio do ônibus acidentado
Carolina (Marjorie Estiano), agora casada com Evandro, tem um péssimo reencontro com o pai que dela abusava (Luis Melo), e, mesmo machucada após sofrer um acidente no ônibus em que estava, prestou toda a assistência aos feridos, correndo até o risco de morrer, já que o combustível vazou e o coletivo poderia explodir a qualquer momento.

Esse episódio teve uma produção simplesmente impecável e Marjorie brilhou como nunca - é uma puta atriz.

Assim, a série entrega o que promete: desnudar o caos da saúde pública do Brasil através de histórias terríveis, porém envolventes e muito verdadeiras.

Até a presença da nova diretora do hospital, Dra. Renata Gomes, que titubeia entre ajudar o local ou se dar bem nas maracutaias das licitações, ganhando os seus 10% de propina, apesar de nojento, é sensacional, já que ela é interpretada por uma Fernanda Torres no melhor da sua forma, fazendo dobradinhas com seu chefe Marcelo Serrado e com Julio Andrade.

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Fernanda Torres é a Dra. Renata Gomes, nova diretora do hospital
Quem ganha é o espectador, a cada episódio extasiado com brilhantes atuações.

A fotografia, design de produção, luz e figurinos também ajudam: tudo sem filtro, tudo cru e verdadeiro, mostrando as pareces mofadas do hospital, seu chão de ladrilhos vermelhos e os médicos operando em centros cirúrgicos sem o mínimo de recursos - e ainda sim, salvando vidas.

Com episódios disponíveis no streaming antes da exibição na TV aberta, a série faz parte da atual estratégia da Globo, de produzir conteúdo para seu serviço sob demanda e, assim, conseguir mais e mais assinantes - o que parece ser o futuro não tão longínquo do audiovisual.

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Elenco principal da segunda temporada: simplesmente irresistível
Por enquanto, quem ganha com isso é o espectador da TV aberta, que tem a oportunidade de conferir séries tão bem feitas como essa.

'Sob Pressão', é, assim, o melhor produto sendo exibido na TV aberta - não só na Globo - e vale, cada cena, pela emoção quanto pela realidade que consegue retratar.

Não à toa, a série já tem garantidas suas terceiras e quarta temporadas: se a primeira contou com nove episódios e a segunda com onze, a terceira - que já começou a ser rodada - contará com quatorze episódios e estreia em 2019.

Seriaça.

TRAILER DA SEGUNDA TEMPORADA:


FICHA TÉCNICA:
'SOB PRESSÃO'
Formato:
Série
Gênero:
Drama médico
Elenco principal:
Julio Andrade, Marjorie Estiano, Stepan Nercessian, Bruno Garcia, Pablo Sanábio, Orã Figueiredo, Fernanda Torres
Diretor(es):
Andrucha Waddington (direção artística), Mini Kerti
Roteirista(s):
Márcio Alemão, Jorge Furtado, Lucas Paraizo, Antonio Prata, André Sirangelo, Flávio Araújo, Claudia Jouvin
Criador(es):
Luiz Noronha, Cláudio Torres, Renato Fagundes, Jorge Furtado
Duração de cada episódio:
40-60 minutos
País de origem:
Brasil
Idioma original:
Português
Produção:
Conspiração Filmes
Exibição:
Globo Play
Emissora de televisão aberta:
Globo
Formato de exibição:
1080i (HDTV)
Transmissão original:
25 de julho de 2017 – presente
N.º de temporadas:
2 (3ª e 4ª confirmadas)
N.º de episódios:
20 (9 da 1ª e 11 da 2ª)

Cotação do Klau:

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

'ELIS' : CINEBIOGRAFIA DA MAIOR CANTORA DO BRASIL GANHA PRIMEIRO TRAILER

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A atriz Andreia Horta interpreta Elis Regina
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Foi finalmente divulgado o primeiro trailer de 'Elis', cinebiografia da cantora Elis Regina, considerada por muitos - eu inclusive - a maior cantora que este país já ouviu.

Assista:


No longa, a cantora é interpretada por Andreia Horta.

Também estão no elenco Caco Ciocler (como César Camargo Mariano), Lucio Mauro Filho (como Miéle), Gustavo Machado (como Ronaldo Bôscoli) e Julio Andrade (como Lennie Dale).

Vencedor de três Kikitos no 44º Festival de Gramado, melhor filme pelo júri popular, melhor atriz para Andreia Horta e melhor montagem para Tiago Feliciano, o longa traz algumas das mais relevantes passagens da carreira e vida pessoal de Elis.

O filme acompanha a adolescência da artista, com as dificuldades financeiras e os primeiros testes para ter seu talento descoberto, até a ascensão, incluindo o destaque na televisão, os envolvimentos amorosos, as controversas decisões tomadas durante a Ditadura Militar, as brigas com parceiros de trabalho e a dependência de drogas e álcool, que levaram à sua morte precoce.

Dirigido por Hugo Prata, o longa produzido pela Downtown Films e Paris Filmes tem estreia marcada para o dia 24 de novembro.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

'A ESTRADA 47': MELHOR FILME BRASILEIRO DO ANO EMOCIONA AO MOSTRAR DRAMA DOS SOLDADOS BRASILEIROS NA SEGUNDA GUERRA


SINOPSE:

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Brasil era aliado dos Estados Unidos, Inglaterra e França.

Na época, foram mandados à Itália mais de 25 mil soldados da FEB (Força Expedicionária Brasileira) para combater os inimigos, representados pelo Eixo: Alemanha, Itália e Japão.

Quase todos de origem pobre e em sua maioria, despreparados para o combate, sem armamento, sem uniformes e sem botas para enfrentar o rigoroso frio italiano, os chamados 'pracinhas' tiveram que aprender na prática a lutar pela sobrevivência.

Depois de sofrerem um ataque de pânico coletivo no sopé do Monte Castelo, os soldados Guimarães (Daniel de Oliveira), Tenente (Julio Andrade), Piauí (Francisco Gaspar) e Laurindo (Thogum Teixeira) tentam descer a montanha, mas acabam se perdendo um do outros.

A Estrada 47 : Foto
Daniel de Oliveira, Thogum Teixeira e Julio Andrade, em cena do longa - Fotos dessa postagem: Divulgação/Europa Filmes
Quando conseguem se reencontrar, precisam decidir se retornam para o batalhão e correm o risco de enfrentar a Corte Marcial por abandono de posto, ou voltam para a posição da noite anterior e se arriscam a enfrentar um ataque surpresa do inimigo.

É quando conhecem o jornalista Rui (Ivo Canelas), que conta sobre um campo minado ativo e eles acham ser essa a chance de se redimirem da mancada que cometeram.

Mas muita coisa ainda está por acontecer e a guerra está longe de acabar.

CRÍTICA:

Finalmente, o cinema brasileiro está deixando de lado as péssimas comédias caça niqueis com globais e se aventurando novamente em gêneros que possam mostrar densidade e qualidade de roteiros, fotografia e, principalmente, interpretação e direção.

É o caso desse 'A Estrada 47', drama de guerra de época, que estreia hoje em 44 salas em todo o Brasil e que finalmente conta para o grande público a saga dos maiores heróis brasileiros de todos os tempos.

Sob o comando do tenente Penha (Júlio Andrade), um grupo de pracinhas brasileiros está isolado nas montanhas geladas da Itália durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A Estrada 47 : Foto
Elenco principal do longa em foto promocional
A detonação de minas terrestres desencadeia um ataque de pânico e dispersa os combatentes que, depois de reagrupados, passam por uma série de encontros e situações que os leva à missão de liberar uma estrada - a 47 do título - para a passagem e avanço do Exército dos Estados Unidos em território italiano.

Pobres, sem equipamentos, sem uniformes, sem comida, passando frio: a saga dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra por si só já é uma daquelas histórias que a gente jamais esquece - eu mesmo, desde que comecei a ouvi-las pela primeira vez, passei a querer saber mais e mais dessa tropa que tinha tudo para dar errado - mas que é cantada em prosa e verso pelos aliados, exército americano principalmente, como fundamental para a derrocada do ditador italiano Benito Mussollini.

No longa, finalmente vemos, com riqueza de detalhes, os dramas pessoais dos homens em cena - ou seja: não espere ver um épico de ação na telona, já que aqui temos um filme sobre homens, não sobre o combate, apesar deles estarem presentes em várias cenas.

Se não há muita ação, existem enquadramentos belos, favorecidos pela locação (na região italiana de Friuli-Venezia Giulia), pela estupenda direção de fotografia de Carlos Arango De Montis ('O Ato De Matar') e pelo inspirado roteiro e direção absolutamente seguros,  de Vicente Ferraz.

Mas é o elenco que deixa o espectador absolutamente extasiado.

Um dos personagens principais é Guima (Daniel de Oliveira), soldado responsável pela descoberta e desarmamento das minas.

Sua voz serve como narração pontual, em uma carta que escreve ao pai e o relato não traz redundâncias entre as cenas e o texto, na contracorrente de um vício do nosso cinema.

Outra figura importante é Piauí (Francisco Gaspar), soldado que começa o filme em estado de choque.

Por não estar no controle de seus atos, o comportamento dele coloca, a princípio, em risco tanto a vida dos companheiros quanto a simpatia da plateia.

Só que, mais adiante, o personagem se redime por causa de sua relação com um prisioneiro alemão (Richard Sammel, de '3 Dias Para Matar').

A Estrada 47 : Foto
O ator alemão Richard Sammel - ao centro - em cena do longa
Os militares são acompanhados em sua jornada por um repórter (o ator português Ivo Canelas), mas o roteiro teima em insistir que ele interpreta um brasileiro.

A escalação se explica pelo acordo de coprodução, que envolveu empresas de Brasil, Itália e Portugal.

Bom ator, Canelas até que se esforça, mas o sotaque luso escapa em algumas falas e compromete sua performance e a verdade de sua personagem.

Com diálogos muito acima da média do cinema brasileiro atual e com desempenhos memoráveis, o longa cumpre, com sobras, a missão de compor um retrato humano de um contexto histórico tantas vezes exaltado mas nunca mostrado de verdade.

Esqueça Dom Pedro, Tiradentes, Senna: se um dia este país teve heróis reais, estes foram os soldados brasileiros na Itália, que fizeram a História mudar graças à fibra e à perseverança inerente do povo brasileiro.

Chorei muito - mas achei um filmaço.

PRÊMIOS:

Melhor Filme - Festival de Gramado
Melhor Filme - Cine Ceará
Melhor Montagem - Festival do Rio
Prêmio Signis - Festival de Havana
Melhor Filme - Festival de Cinema da Lapa
Melhor Direção - Festival de Cinema da Lapa

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
'A ESTRADA 47'
Gênero:
Drama
Direção e Roteiro:
Vicente Ferraz
Elenco:
Daniel de Oliveira, Daniele Grassetti, Francisco Gaspar, Ivo Canelas, Júlio Andrade, Richard Sammel, Sergio Rubini, Thogun Teixeira
Produção:
Isabel Martinez, Leonel Vieira
Fotografia:
Carlos Arango De Montis
Montador:
Mair Tavares
Trilha Sonora:
Luiz Avellar
Duração:
106 min.
Ano:
2013
País:
Brasil / Itália / Portugal
Cor:
Colorido
Estreia no Brasil:
07/05/2015
Distribuidora:
Europa Filmes
Estúdio:
PRIMO Filmes, Três Mundos Produções
Classificação:
12 anos

COTAÇÃO DO KLAU:

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

'GONZAGA - DE PAI PARA FILHO': DIFERENTES, MAS TRILHANDO O CAMINHO DA MÚSICA


Breno Silveira é, para mim, um dos melhores diretores brasileiros da atualidade, o único que consegue mesclar em seus filmes humanismo e música nas doses exatas para divertir, emocionar e contar uma boa história.

Se em "Dois Filhos de Francisco" (2005), Breno desnudou da infância à vida adulta da dupla sertaneja Zezé di Camargo &  Luciano e em "À Beira do Caminho", deste ano, as canções de Roberto Carlos serviram para embalar a bela história de um caminhoneiro, , o diretor nos entrega agora uma inspirada e comovente biografia de um pai e um filho, ícones do cancioneiro popular brasileiro.

Em "Gonzaga - De Pai pra Filho", que estreia hoje em todo Brasil, mergulhamos nas vidas de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e de seu filho, Gonzaguinha, um dos mais importante compositores da geração universitária da MPB, morto precocemente em um acidente de carro em 1991, aos 45 anos - Luiz Gonzaga morreu em 1989, aos 77 anos.

Imagens dessa postagem: Divulgação - Paris Filmes
Chambinho do Acordeon vive Gonzagão adulto

O longa nos mostra uma profunda história humana, a difícil relação entre pai e filho, uma reconstituição de época e elenco afinadíssimos, pontuados pela música eterna de Gonzaga que, apesar de marcadamente regional, se tornou popularíssima por todo o Brasil  e até pelo exterior.

Acompanhamos a infância pobre de Gonzaga (interpretado por Land Vieira na adolescência, por Chambinho do Acordeon na fase adulta e por Adélio Lima na maturidade), filho de Januário (Cláudio Jaborandy), um respeitado sanfoneiro do sertão de Pernambuco e sua luta em viver da música, apesar de todas as dificuldades.

Julio Lopes como Gonzaguinha: interpretação magistral

Mergulhado na pobreza, numa sociedade dominada pelos coronéis locais, a única saída que restou ao menino foi fugir de casa, na cidadezinha de Exu, e ir para o Recife, onde acabou se alistando no Exército, pôde enviar algum dinheiro à família e, posteriormente, partir para o Rio de Janeiro, então a capital do país, já pensando em viver da música, ainda não como compositor, mas com apresentações nas ruas e bares da cidade em troca de trocados ou um prato de comida.

Num dancing, conhece Odaléia (Nanda Costa), com quem se casou e teve o filho Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., o Gonzaguinha.

Com Odaleia (Nanda Costa): mãe de Gonzaguinha

Na verdade, nunca foi esclarecido se Jr. era de fato filho de Gonzaga, mas a morte prematura da mulher, por tuberculose, acabou criando problemas no relacionamento entre pai e filho.

Gonzaga passou a se ausentar cada vez mais de casa para fazer shows pelo Brasil, deixando o filho aos cuidados de um casal de amigos, moradores do Morro de São Carlos, que acabaram criando-o: Dina (Silvia Buarque), que não tinha filhos, se apegou à criança como se fosse realmente sua - já famoso, Gonzaguinha a homenagearia na canção "Com a Perna no Mundo".

E é a difícil relação entre os dois, valorizada pela soberba atuação de Júlio Andrade como o jovem músico carioca, que pontua o filme com drama humano e onde abandono, ressentimento e perdão são os sentimentos que irão aflorar até o final do longa, onde pai e filho percebem, enfim, que apesar de serem pessoas muito diferentes, sempre trilharam o mesmo caminho - o da música, pura e simples.

Gonzagão (Adélio Lima) e Gonzaguinha (Júlio Lopes): finalmente se entendendo

Sem contar que o longa é uma festa para os olhos - a fotografia de Adrian Teijido é maravilhosa - e para os ouvidos - a trilha de Berna Ceppas é inspiradíssima.

Se estivesse vivo, Gonzaga pai faria agora 100 anos e esse longa é a melhor homenagem que o gênio da música nordestina poderia ter.

Filmaço.

Confira o trailer do filme:

*****
'GONZAGA - DE PAI PARA FILHO'
Diretor:
Breno Silveira
Elenco:
Adelio Lima, Chambinho do Acordeon, Land Vieira, Julio Andrade, Giancarlo di Tomazzio, Alison Santos, Nanda Costa, Silvia Buarque, Luciano Quirino, Claudio Jaborandy, Cyria Coentro, Olivia Araújo, Zezé Motta, João Miguel
Produção:
Breno Silveira, Marcia Braga, Eliana Soárez
Roteiro:
Patricia Andrade
Fotografia:
Adrian Teijido
Trilha Sonora:
Berna Ceppas
Duração:
130 min.
Ano: 
2012
País: 
Brasil
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme
Estúdio:
Conspiração Filmes / Globo Filmes / Teleimage
Classificação:
12 anos
Cotação do Klau: