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terça-feira, 21 de junho de 2011

AMADO E ODIADO, "CISNE NEGRO" SAI EM DVD E BLU-RAY E MERECE UM LUGAR DE DESTAQUE NA SUA VIDEOTECA

Depois de uma bem sucedida passagem pelas telonas, onde foi amado e odiado com igual intensidade,   Cisne Negro chega agora em DVD e Blu-ray.

É por esse filme, dirigido por Darren Aronofsky, que a acima da média Natalie Portman levou o Oscar de melhor atriz em 2011 - além de uma coleção de outros prêmios não menos importantes.

No filme, a atriz israelense é Nina, uma jovem bailarina que dedica toda a sua vida à carreira.
Divulgação Fox
Natalie Portman, em cena do filme
Seu grande sonho é conquistar o posto de primeira bailarina que, com a aposentadoria da atual estrela, Beth MacIntyre - interpretada soberbamente por Winona Ryder - deverá ser ocupada por outra tão boa quanto.

A oportunidade de mostrar todo o seu talento surge com a nova montagem de O Lago dos Cisnes, que a sua companhia irá apresentar.

Sendo uma peça clássica, o diretor decide inovar para atrair mais público ao teatro, e é aí que a história de Nina começa a se misturar à história do balé.

A princesa transformada em cisne - branco - não consegue chegar ao seu amado para quebrar o feitiço por conta de uma cópia - o cisne negro do título - criada pelo feiticeiro para enganar o príncipe.

Enquanto uma é pura e inocente, como convém a uma donzela, a outra é sensual e ardilosa.
Divulgação/Fox
Natalie Portman, em foto promocional de "Cisne Negro"
Nas montagens já vistas, duas bailarinas diferentes representam estes papéis que, apesar de próximos, são opostos, já que enquanto uma deve ser a personificação da bondade, a outra deve seduzir todos à sua volta.

Só que no filme, o diretor da montagem Thomas Leroy - interpretado pelo também acima da média Vincent Cassel - resolve que a bailarina principal irá fazer os dois papéis.

Nina é perfeita para o cisne branco - totalmente delicada e inocente - mas para manter a posição não basta técnica, ela deverá liberar o seu outro lado e alcançar seu cisne negro.

Esta exigência abre portas para uma série de distúrbios e estranhas situações que envolvem a vida da jovem, não apenas nos palcos, e esse encontro com o seu lado negro traz consequências também para sua vida pessoal, principalmente depois que Nina fica amiga de outra bailarina que acaba de chegar a Nova York e à companhia,Lily - interpretada por Mila Kunis.

A partir daí, o filme parte para um terror espetacular, pois não sabemos se Nina está enlouquecendo ou se as situações estranhas que acontecem com ela e á volta dela são reais ou não.

Um tour de force extraordinário, de uma atriz maravilhosa circundada por um elenco de primeiríssima - que ainda tem como bônus a sensacional Barbara Hershey fazendo a mãe de Nina - Erica, a bailarina frustrada, possessiva, e que trata a filha, ora como criança, ora como débil.

Nos prêmios relativos ao ano passado, não teve para mais ninguém: Natalie Portman  levou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta, o Independent Spirit e o SAG de Melhor Atriz, e o filme, fotografia, o diretor Aronofsky e Mila Kunis - como coadjuvante - também concorreram em todos eles.

Filmaço, que merece ser comprado e colocado, com destaque, na videoteca de sua casa.

Confira matéria do Blog de Klau - de 4.2.2011, quando Cisne Negro foi lançado nos cinemas, clicando aqui.

Cisne Negro
FICHA TÉCNICA - DVD/BLU-RAY
Título Original:
Black Swan
Diretor:
Darren Aronofsky
Elenco:
Natalie Portman
Vincent Cassel
Barbara Hershey
Benjamin Millepied
Mila Kunis
Winona Ryder
Estúdio:
Fox Filmes
Data de lançamento:
08/06/2011
Tipo de mídia:
DVD e Blu-ray
Quantidade de discos:
1
País de produção:
EUA
Duração:
108 minutos
Formato de tela:
Widescreen Anamórfico 2.40:1
Sistemas de som:
Dolby Digital 5.1
Preto e Branco/Colorido:
Colorido
Classificação indicativa:
16 anos
Idiomas:
Inglês, Espanhol e Português
Legendas:
Inglês, Espanhol e Português
Quanto:
R$ 39,90 - DVD
R$ 79,90 - Blu-ray
Onde Comprar:
Livraria da Folha
Cotação do Klau:

sábado, 26 de fevereiro de 2011

SPIRIT AWARDS: PRÊMIO PARA CINEMA INDEPENDENTE FOI HOJE

Cisne Negro" foi o grande vencedor da 26ª edição do Spirit Awards, com os prêmios de melhor filme, diretor, fotografia e atriz para Natalie Portman.

O evento aconteceu hoje à tarde, em tendas instaladas ao lado da praia de Santa Mônica, no condado de Los Angeles.

O longa de Darren Aronofsky concorre também em cinco categorias do Oscar, incluindo melhor filme, na cerimônia que acontece amanhã, em Hollywood.

Getty ImagesNicole Kidman, na premiação de hoje à tarde em Santa Mônica

O Spirit Awards existe desde 1984, e é considerado o Oscar do cinema independente por premiar filmes americanos, ou sobre a cultura americana, feitos com menos de US$ 20 milhões - cerca de R$ 34 milhões.

"O Discurso do Rei", produção britânica sobre um rei inglês, foi indicado para apenas um prêmio - o de filme estrangeiro - e ganhou, competindo com filmes da Tailândia, Irlanda, França e Marrocos - o longa concorre em 12 categorias do Oscar.

Outro britânico que ganhou foi Banksy, cujo documentário "Exit Through the Gift Shop" conta a trajetória do francês Thierry Guetta em Los Angeles, tentando filmar grafiteiros internacionais e virar artista ele mesmo.

O próprio Guetta surpreendeu a plateia e se levantou para receber o troféu.
"Tinha um discurso pronto, mas esqueci no hotel... Eu só quero agradecer a Banksy."

Ao ser questionado pela imprensa se o artista misterioso estava na cerimônia, ele respondeu:
"Ele pode estar em qualquer lugar, ao seu lado", disse, rindo.
"Como eu o descreveria? É um camaleão."

Getty Images
O ator britânico Ewan Mcgregor também foi

Nas duas categorias para estreantes, Aaron Schneider recebeu o prêmio de melhor filme por "Get Low", enquanto Lena Dunham ganhou o de melhor roteiro por "Tiny Furniture", que ela também dirige e estrela.

"Inverno da Alma", que compete por quatro Oscars amanhã, ficou com os prêmios de atriz e ator coadjuvantes, Dale Dickey e John Hawkes.

James Franco, apresentador da festa da Academia, recebeu o troféu de melhor ator por "127 Horas" das mãos de Nicole Kidman.

Chris Pizzello/APNicole Kidman entrega prêmio de melhor ator para James Franco pela sua atuação em "127 Horas", no Spirit Awards

Depois, Franco contou aos jornalistas o que fez com seu ingresso para o Oscar:
"Dei para alguém da minha família, não vou ficar sentado na plateia, quero ficar nos bastidores, com a equipe".


Confira a lista dos vencedores:

Melhor Filme
"Cisne Negro"

Melhor Diretor
Darren Aronofsky, por "Cisne Negro"

Melhor Atriz
Natalie Portman, por "Cisne Negro"

Getty Images
Natalie Portman, no Spirit Awards


Melhor Ator
James Franco, por "127 Horas"


Getty ImagesO ator James Franco, premiado hoje


Melhor Atriz Coadjuvante
Dale Dickey, por "Inverno da Alma"

Melhor Ator Coadjuvante
John Hawkes, por "Inverno da Alma"

Melhor Roteiro
Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko, por "Minhas Mães e meu Pai"

Melhor Fotografia
Matthew Libatique, por "Cisne Negro"

Melhor Filme Estrangeiro
"O Discurso Do Rei" - Reino Unido

sábado, 5 de fevereiro de 2011

NATALIE PORTMAN: "Nunca estive tão em forma"

Durante uma década Darren Anofosky e Natalie Portman conversaram sobre fazer um filme juntos. Havia um tema específico. Tratava-se de um filme sobre uma primeira bailarina obcecada por perfeição. “Toda vez que nós nos encontrávamos eu dizia: 'Darren, eu não estou ficando mais jovem…. Quando vamos conseguir fazer aquele filme de balé?'”, disse a atriz, referindo-se à história que chegou às telas do Brasil na sexta ( 4 ) .“Era realmente uma situação complicada”, complementou Aronofsky. "Desenvolver o roteiro do conceito original até o ponto onde eu estava confiante no material já era uma tarefa complicada. E conseguir levantar financiamento de produção para um filme assim – um drama no mundo do balé – foi-se tornando progressivamente mais difícil à medida em que o tempo passava e a recessão piorava.”

Portman estava com 28 anos quando começou a treinar para o papel de Nina - a protagonista de "Cisne Negro" - e 29 quando as filmagens se encerraram, “uma idade um pouco perigosa para começar a ser uma bailarina”, ela diz, sorrindo. “Natalie é muito rigorosa com ela mesma”, Aronofsky comenta. “ O esforço que ela fez foi incrível. Bailarinas levam em média 20 anos para realmente moldarem o corpo, adquirirem a força e a flexibilidade necessárias. E ainda por cima eu queria que ela fosse uma primeira bailarina!”

"Cisne Negro", desenvolvido por um time de três roteiristas a partir de uma ideia original de Aronofsky - inspirada por O Duplo, de Dostoievski - segue a jornada de Nina, recém-nomeada “prima ballerina” de uma companhia dirigida pelo tirânico Thomas - Vincent Cassel. A personagem enfrenta o desafio de protagonizar uma nova montagem de Lago dos Cisnes sob as múltiplas pressões da responsabilidade, da percebida ameaça de uma bailarina mais jovem - Mila Kunis - e a vigilância de uma mãe controladora - Barbara Hershey.

O trabalho de criar uma companhia de balé fictícia mas verossímel para "Cisne Negro", dentro do modestíssimo orçamento de 17 milhões de dólares representou esforços e sacrifícios de toda a equipe. Nem o diretor nem os astros – Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder – tinham trailers para descansar entre as tomadas. “Estávamos todos ou no set ou em camarins, o que realmente dava a sensação de sermos uma companhia de balé”, diz Kunis, que faz a bailarina Lilly, substituta de Nina na produção de "Lago dos Cisnes" que é o foco da trama. “Vivíamos um pouco como bailarinos: ou estávamos treinando ou estávamos trabalhando.”

Portman submeteu-se a um rigoroso programa de cinco horas diárias de exercícios: uma hora de natação, uma hora com pesos e aparelhos e três horas de balé. Isto combinado a uma dieta de muita proteína e baixa gordura. Nos últimos dois meses antes das filmagens o coreógrafo Benjamin Millepied começou a trabalhar com Natalie nos aspectos coreográficos do filme, adicionando mais três horas ao seu preparo. “Era uma vida muito monástica, muito rigorosa.” diz Natalie. “Foi como se eu estivesse no convento por um ano. Mas nunca estive tão em forma, dez quilos mais magra, super flexível. Mas confesso que assim que acabaram as filmagens eu saí para minha primeira refeição fora do convento! Massa, sorvete, pão… Sou uma pessoa que preza muito os prazeres. Adoro comida.”

Aronofsky e seu diretor de fotografia Mathew Libatique - parceiro desde os tempos em que ambos eram alunos do American Film Institute - completaram o preparo com sua própria imersão no universo da dança, vendo o máximo de produções de "Lago dos Cisnes", acompanhando a temporada do American Ballet Theater em Nova York e, finalmente, contando com a ajuda e assistência técnica do Royal Ballet britânico. “O mundo do balé é muito fechado em si mesmo, muito insular”, Aronofsky conta, “Foi preciso muita paciência, muita demonstração da nossa seriedade de intenções para que houvesse colaboração. Ainda mais porque, desde o começo, eu pedi acesso às coxias, aos ensaios. Isso é tabu no ballet, é fechado aos de fora. Mas para mim, como realizador, era claro que eu precisava compreender todo o processo. E Mat precisava compreender os movimentos dos bailarinos. Desde o começo queríamos filmar a experiência de dentro para fora. Do palco, não da plateia.”

Embora a história seja 100% fictícia, todos no elenco e na criação de "Cisne Negro" enxergam um paralelo com a verdadeira trajetória de George Balanchine, o carismático bailarino e coreógrafo russo que criou o American Ballet nos anos 1950, responsável por uma das versões atuais do balé e famoso por eleger e destronar suas primas ballerinas. “Há um paralelo, sim”, diz Vincent Cassel.”E no início o personagem de Thomas era russo. O paralelo está na obsessão com a perfeição, na busca de algo sempre melhor, e no modo como ele abraçava sua sensualidade. No palco o balé clássico pode parecer algo abstrato, mas na verdade estamos lidando com corpos, com pessoas no auge da forma física. Balanchine tornou-se sinônimo dessa dualidade.”

Os elementos finais de "Cisne Negro" vieram com o uso de efeitos digitais e com a trilha de outro colaborador assíduo de Aronofsky, Clint Mansell, que criou variações em cima da música de Tchaikovsky. “Queria um uso muito preciso e sutil dos efeitos”. Diz Aronosfsky. “O espelho é um elemento muito importante no filme, e usamos vários efeitos muito precisos para criar o ambiente que eu queria. Minha maior alegria foi quando exibimos o filme para o American Ballet Theater, e quando exibimos para o pessoal da Pixar e as duas plateias adoraram! Pensei: se conseguimos convencer essa turma, o filme deve ser bom…”

*****

Matéria de ANA MARIA BAHIANA
Especial para o UOL, de Los Angeles, EUA

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

DARREN ARONOFSKY: "'Cisne Negro' é metáfora para processo destrutivo da arte"

Não é apenas um coque de cabelo que une o personagem dilacerado de Mickey Rourke em "O Lutador" (2008) e a bailarina perfeccionista de Natalie Portman em "Cisne Negro".

Ambos os filmes do diretor Darren Aronofsky também terminam num salto coreografado, e tratam de artistas que perderam a noção dos limites.

"São complementares", disse Aronofsky, indicado ao Oscar de melhor direção por "Cisne Negro" - projeto que também compete pelo prêmio de melhor filme, montagem, fotografia e atriz para Portman.

"São dois artistas que usam os corpos para se expressar e fazem um tremendo estrago nele no processo. A diferença é que um é alta cultura e o outro é baixa, se é que se pode chamar de cultura", continuou o diretor para jornalistas, em Hollywood, no fim do ano passado.

UPI Natalie Portman e o diretor Aronofsky, no último Palm Springs Film Festival

Enquanto Rourke encarava o suado mundo da luta livre, Portman enfrenta a elitista companhia de balé de Nova York, é escolhida para estrelar uma montagem de "O Lago dos Cisnes" e acaba numa série de paranoias.

"O filme é uma metáfora para o processo destrutivo da arte", explica o roteirista Mark Heyman.

É um thriller psicológico, com cenas de terror mais ao final, o que fez com que alguns reclamassem do retrato negativo feito do balé.

Aronofsky responde que seu filme é, de fato, mais apurado que outros do gênero.

"Muitos bailarinos ficaram aliviados por se tratar, finalmente, de um filme sobre a arte do balé, e não do balé apenas como cenário para um romance", disse o diretor, que também dirigiu "Réquiem para um Sonho" (2000) e "Pi" (1998).

O acesso à companhia de Nova York tampouco foi fácil.
"Eles não dão a mínima para nada além de balé. Foram bem indiferentes e pouco amigáveis", lembrou. "Levou um bom tempo para conseguir permissão."

Quem ajudou na tarefa foi o coreógrafo francês Benjamin Millepied, principal bailarino da casa e responsável pelas sequências de "O Lago dos Cisnes" para o filme - ele também aparece como parceiro de dança de Portman.

"Desde o começo, Darren dizia que queria que a câmera fosse um terceiro bailarino", disse Millepied.

Millepied e Portman, que começaram a namorar no set, hoje estão noivos e grávidos - a atriz passou um ano treinando e mergulhada a personagem, com rigorosos ensaios diários, e é a favorita para ficar com o Oscar de menlhor atriz, após ser premiada com o Globo de Ouro e pelo sindicato dos atores dos EUA.

"Você não precisa exigir muito de Natalie porque ela é incrivelmente disciplinada. Raramente reclama. É durona", disse o diretor.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

2011 É O ANO DE NATALIE PORTMAN

2011 é o ano de Natalie Portman: grávida, a atriz formada em psicologia em Harvard tem tudo para levar o Oscar por "Cisne Negro" - o filme estreia aqui no Brasil na próxima sexta (4).

"Aparelhos de tortura".
É assim que Natalie Portman descreve as sapatilhas de ponta que usou durante mais de um ano, em treinos diários, quando deixou de sair com os amigos, parou de beber e passou a comer o mínimo possível.

Tudo em nome de "Cisne Negro", filme que já lhe rendeu um Globo de Ouro e sua segunda indicação ao Oscar, além dos melhores elogios de sua carreira.

Divulgação

Natalie Portman, em imagem promocional de "Cisne Negro"

"A disciplina física ajudou a construir o lado emocional da personagem. Você só percebe o sentido desta vida de estilo meio monástico quando a pratica",
diz a atriz à Serafina. "Seu corpo passa por dores extremas constantemente. Passei a entender melhor esse tipo de processo de autoflagelo do bailarino."

No longa do cineasta Darren Aronofsky - "Réquiem para um Sonho", de 2000, e "O Lutador", de 2008 -, ela é Nina, uma dançarina insegura e ingênua, porém perfeccionista, escolhida para fazer o papel duplo de "O Lago dos Cisnes": o inocente cisne branco e o vilão sedutor cisne negro.

Sufocada pela mãe protetora - Barbara Hershey - e instigada pelo coreógrafo tarado - Vincent Cassel -, ela tem surtos delirantes durante os ensaios.

E, num desses devaneios, vem uma das cenas mais comentadas dos últimos meses, na sua cama de menina, com uma bailarina da companhia de dança - Mila Kunis -, após um porre monumental que as duas tomam juntas em bares de Nova York.

"Não discutimos antes de filmar aquela cena. Ficamos amigas durante a produção e isso certamente facilitou. Seja homem ou mulher, cenas de sexo são iguais", conta Kunis.

Confira o trailer de "Cisne Negro":


A fragilidade de Portman, magérrima e com menos de 1,60 metro de altura, faz suar o espectador na cadeira do cinema, ainda mais quando a história toma um rumo inusitado e vira um filme de terror. O tour de force de Nina é vibrante.

Mas não foram só elogios e prêmios que fizeram valer o sacrifício dos treinos extremos, que incluíram também 1,5 km de natação diária para tonificar os músculos e 15 horas de trabalho nos 40 dias de filmagem. Portman, 29, conheceu nos sets o francês Benjamin Millepied, 33, de quem está noiva e grávida de quatro meses.

Ele é coreógrafo e ator do filme, assim como principal bailarino da New York City Ballet, onde se passa a trama de "Cisne Negro". Os dois moram juntos em Nova York, e o casamento deve acontecer neste ano, apesar do veneno das revistas de fofoca, que consideram o francês um mulherengo bastante ambicioso.

Paul Buck/Efe

Natalie Portman na cerimônia do Screen Actors Guild Awards, no domingo (30)

O lado caxias da personagem Nina encontra certa ressonância em Portman. A atriz fez balé até os 12 anos, quando praticava duas ou três horas por dia, mas parou para se dedicar à escola e às aulas de atuação.

"Não sou uma perfeccionista, mas gosto de disciplina", diz Portman, vegetariana rigorosa desde os oito anos. Não usa sapatos de couro nem jóias vindas de países em conflito. Sua estilista favorita é Stella McCartney.

Leitora voraz, Portman costuma levar dezenas de livros para os sets de filmagens. Mergulhou em biografias de gente do mundo da dança para construir sua personagem. Ela é também formada em psicologia em Harvard, o que ajudou a entender melhor as manias de Nina.

"Nina é de fato um caso de algo que estudei na faculdade", comenta a atriz, rindo. "Ela tem um comportamento obsessivo-compulsivo, este seria meu diagnóstico. Balé realmente se presta a isso, tem um sentido de ritual. Só mesmo anos e anos de terapia."

SUPERPROTEGIDA

Nascida em Jerusalém, Natalie Hershlag, seu nome real, se mudou para os EUA aos três anos, por conta da carreira do pai médico. Fixaram-se em Long Island, Nova York, em 1990.

Filha única, foi descoberta por um caça-talentos aos nove anos em uma pizzaria. Ganhou um agente e fez seu primeiro longa aos 11 anos.

Assim como Nina, também é superprotegida pelos pais.

Chegou a dizer não para papéis importantes depois do assédio criado pelo sucesso de "O Profissional". Ela só podia participar de eventos para dar autógrafos para crianças e deixou de estrelar "Lolita" (1997) e "Havana Nights" (2004), sequência do seu filme preferido de adolescência, "Dirty Dancing - Ritmo Quente" (1987).

"Me apaixonei por Natalie desde aquele primeiro filme, com ela pequena", lembra o diretor. "Desde aquela época queria fazer um filme com ela."

Divulgação

A atriz, em cena de "Cisne Negro"

O mesmo aconteceu com outros diretores famosos, como Woody Allen e Tim Burton, que a escalaram para papéis menores nos respectivos "Todos Dizem Eu te Amo" e "Marte Ataca!", ambos de 1996.

Mas, enquanto atores mirins iam tentar a vida em Hollywood, ela deixou as bonecas Barbie em casa e foi para Boston, terminar os estudos de quatro anos em Harvard. Entre umas férias e outras, filmou a trilogia "Guerra nas Estrelas", como a rainha Amídala, embora tenha perdido a pré-estreia do primeiro longa porque tinha que estudar para uma prova.

"A universidade me ensinou como eu era capaz de trabalhar duro. Na primeira semana eles te dão uma lista de coisas para ler, tipo mil páginas em quatro dias", disse Portman. "Meu estômago embrulhava, mas percebi que conseguiria dar conta."

De fato, Portman não é uma atriz padrão. E, apesar de algumas comédias açucaradas esquecíveis, a atriz passou a fazer escolhas arriscadas nos anos 2000.

Como quando raspou a cabeça para interpretar uma terrorista em "V de Vingança" (2006) ou quando tirou (quase) toda a roupa para ser uma stripper em "Closer - Perto Demais" (2004), com Julia Roberts, Clive Owens e Jude Law, que rendeu uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante.

Aqui, mais uma vez, ela resolveu evitar o burburinho da mídia e se mandou para Jerusalém, onde estudou hebraico, árabe e história durante seis meses na Hebrew University. Também aproveitou para filmar outro independente, "Free Zone" (2005), de Amos Gitai, na fronteira entre Israel e Jordânia.

Portman já declarou que, apesar de ter cidadania americana, seu coração está mesmo em Israel. Ela costuma ler o jornal Haaretz, já disse que gostaria de fazer um filme baseado num livro de Amos Oz e defende o exército do país, apesar de não ter se alistado -o exército é obrigatório para residentes.

"Eu não poderia fazer isto. Mas, no mundo em que vivemos, em certos países, você não pode deixar de ter um exército", diz ela. "Obviamente estou me referindo a Israel. Se Israel não tivesse um exército, o país não existiria."

Nos próximos meses, ganhe ou não o Oscar, Portman chegará aos cinemas brasileiros como uma avalanche, em quatro lançamentos - além de "Cisne Negro", em 4 de fevereiro, está na comédia "Sexo sem Compromisso" (25/02), na adaptação de HQ "Thor" (29/04) e na comédia histórica "Your Highness" (prevista para agosto).

"Amo a sensação de explorar, tentar coisas diferentes", diz, com um sorriso perfeito. "Meu critério para escolher trabalhos é fazer coisas que nunca fiz e também com as quais possa me identificar. E, claro, tem que ser divertido."

Experiência Visceral, por Ricardo Calil

O balé "O Lago dos Cisnes" já inspirou diversas fantasias românticas nos palcos e nas telas. Em "Cisne Negro", Darren Aronofsky o reinventa como terror psicológico -próximo ao seu "Réquiem para um Sonho" (2000) e ainda mais de "Repulsa ao Sexo" (1965) e "O Bebê de Rosemary" (1968), de Roman Polanski.

Não falta imaginação visual ao diretor, seja para os delírios da protagonista, seja para os ensaios do balé -filmados com câmera na mão quase colada a Natalie Portman, como se ele estivesse documentando uma batalha sangrenta, não uma dança etérea.

Mas Aronofsky não tem muita sutileza psicológica. O filme bate tantas vezes na tecla de que Nina Sayers (Portman) precisa se entregar ao lado negro da força, que podemos confundi-la em algum momento com Luke Skywalker. E o fato de ela ser filha de uma bailarina frustrada é quase um capítulo de "Freud for Dummies".

Mas há Natalie Portman para compensar. Ao contrário de Nina, ela se joga sem medo no inferno da personagem que representa; em seu rosto, há o virginal e o demoníaco. É Portman quem transforma "Cisne Negro" em uma experiência visceral.

Um Oscar de melhor atriz estaria em boas mãos.


Escolhas nada óbvias:
Por onde e com quem andou a diva israelense nos últimos anos

"O Profissional" (1994), de Luc Besson
Na sua espetacular estreia no cinema, ela apega em armas, fuma e se apaixona por um assassino, tudo isso aos 11 anos

Moby
A atriz e o músico novaiorquino saíram algumas vezes em 2000, mas o namoro não engatou. Decidiram ser só amigos

"Guerra nas Estrelas, episódios I, II e III" (1999-2005), de George Lucas
A atriz não gosta de suas performances nesta trilogia, ao contrário dos fãs da série

Gael García Bernal
O ator mexicano passou várias vezes pela sua vida. Namoraram de 2003 a 2004, com um breve retorno em 2007

"Closer - Perto Demais" (2004), de Mike Nichols
Primeiro papel sexy, como uma stripper americana em Londres. Namoraram de 2003 a 2004, com um breve retorno em 2007

Jake Gyllenhaal
Colega de Portman em "Entre Irmãos" (2009), namoraram em 2006. Ele disse que ela é a
"Audrey Hepburn da nossa geração"

Devendra Banhart
O músico cabeludo e talentoso, ídolo dos indies e fã da música brasileira, foi namorado da atriz durante seis meses em 2008

"Um Beijo Roubado" (2007), de Wong Kar-Wai
No filme de estrada do diretor chinês, faz uma ótima ponta como uma espertalhona jogadora de pôquer

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Matéria da repórter Fernanda Ezabella, publicada na revista "Serafina", da Folha de S.Paulo, em 30.01.2011