quarta-feira, 14 de abril de 2010

A HISTÓRIA SECRETA DOS PAPAS

Pessoal:

Por mais incrível que pareça, os papas recentes até que se comportam muito bem, se comparados com alguns de seus antecessores.

O livro "A História Secreta dos Papas" - muitíssimo bem escrito pela escritora americana Brenda Ralph Lewis - mostra como diversos sumos sacerdotes da Igreja Católica agiram de forma bem contrária aos ensinamentos cristãos que representavam.

Durante a Idade Média, não faltaram papas que foram especialistas em conspirações, assassinatos e até bruxarias.
O livro conta algumas das histórias mais assustadoras do Vaticano.
Uma delas é o Sínodo do Cadáver, em que o bondoso --e falecido-- papa Formoso foi desenterrado, julgado por seu sucessor Estevão 7° e jogado no Rio Tibre. Gente fina é outra coisa...

A obra mostra em detalhes como funcionou a sanguinária Inquisição - responsável por um dos maiores genocídios da Humanidade - e conta a história de algumas das suas mais célebres vítimas, como Galileu Galilei, que só escapou da morte porque foi obrigado a negar publicamente seus ideais - principalmente de que a Terra era redonda e não era o centro do universo.

João 12°, por exemplo, foi um papa muito especial : castrou um de seus cardeais, cegou outro, torturou desafetos - até tirando a pele de alguns! - e chegou a brindar ao demônio em seus diversos bacanais.
Apesar da tentativa de diversos bispos de defenestrar João 12° do trono papal, ele só sossegou após ser surpreendido pelo marido de sua amante e assassinado com uma martelada no crânio...

Separei abaixo um trecho do livro, que fala sobre João 12°:

"Dormiu com as prostitutas de seu pai e chegou ao cúmulo de manter relações com sua própria mãe.
João XII também presenteava suas amantes com cálices de ouro, verdadeiras relíquias sagradas da igreja de São Pedro.
Ele ainda cegou um cardeal e castrou outro, causando sua morte.
Apoderava-se das oferendas feitas pelos peregrinos para apostar em jogos.
Nessas seções de jogatina, o próprio papa costumava evocar os deuses pagãos para ter sorte ao arremessar os dados.
As mulheres eram advertidas a se manterem longe da igreja de São João de Latrão, ou de qualquer outro lugar frequentado pelo papa, pois ele estava sempre à procura de novas conquistas.
Após pouco tempo, os romanos estavam tão furiosos com tais atitudes que o papa começou a temer por sua vida.
Sendo assim, resolveu saquear a igreja de São Pedro e fugir para Tívoli, a 27 quilômetros de Roma.

João XII estava causando tanto estrago ao papado e ao Vaticano, superando os crimes e pecados de seus antecessores, que um sínodo especial foi convocado.
Todos os bispos italianos, 16 cardeais e outros prelados (alguns alemães), reuniram-se para decidir o que fazer com o devasso pontífice.
Convocaram testemunhas e ouviram evidências sob juramento.
Então, fizeram uma lista que adicionava ainda mais acusações às informações bizarras e assustadoras que já possuíam sobre João.
Algumas delas foram descritas em uma carta escrita a João pelo Imperador do Sacro Império Romano, Otto I da Saxônia.

O papa João, ainda no exílio em Tívoli, respondeu a Otto em termos ameaçadores que aterrorizaram Roma.
Caso o sínodo o depusesse, ameaçou excomungar todos os envolvidos, e assim não poderiam celebrar missas ou conduzir uma ordenação.
Em termos cristãos, esse é o pior castigo que um papa pode dar, pois a excomunhão significa estar fora da igreja, perdendo sua proteção e arriscando o espírito imortal.

O imperador Otto não se curvou à ameaça de excomunhão do papa e o depôs, colocando em seu lugar o papa Leão VIII sem que João soubesse.
Quando retornou a Roma, em 963 D.C., sua vingança foi infinitamente pior que sua ameaça.
João XII depôs o papa Leão e, ao invés da excomunhão, executou e mutilou todos os que fizeram parte do sínodo.
Um bispo teve a pele arrancada, um cardeal teve o nariz e dois dedos cortados e a língua arrancada, e 63 membros do clero e da nobreza romana foram decapitados.
Na noite de 14 de maio de 964, parece que todas as rezas implorando a morte de João XII foram ouvidas.
Segundo a descrição do bispo João Crescêncio de Protus: "enquanto estava tendo relações sujas e ilícitas com uma matrona romana, o papa foi surpreendido pelo marido de sua amante em pleno ato.
O enfurecido traído esmagou seu crânio com um martelo e, finalmente, entregou a indigna alma do papa João XII a Satã".

A Igreja ainda não tinha acabado com a família das "meretrizes", que gerou nove dos mais pecaminosos papas já existentes e denegriu o nome do papado.
Em 986, 22 anos após a dramática morte de João XII, o bispo Crescêncio foi até o Castelo de Santo Ângelo para ver a mãe de João, Marózia.
Aquela mulher antes exuberante agora parecia um saco de ossos, vestida em farrapos".

Tutto buonna gente, esses papas, né?

O livro é um verdadeiro tratado de como usar a religião para enganar, matar, fornicar e subjugar seres humanos através do medo e da ignorância.

Por isso, é uma obra imperdível de se ler.

Foto da Capa

"A História Secreta dos Papas"
Autora: Brenda Ralph Lewis
Editora: Editora Europa
Páginas: 256
Quanto: R$ 99,90, no site da Livraria da Folha
Classificação do Klau:

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